segunda-feira, 4 de maio de 2026

[Livro] Helena

 Autor: Machado de Assis

Ano: 1876

Gênero: ficção

Sinopse:  No romance, a protagonista de origens humildes é reconhecida em testamento como filha e herdeira do conselheiro Vale, um homem importante da elite carioca do Segundo Império. Após o espólio do pai vir à tona, Helena passa a viver na mansão da família do Vale com uma tia e Estácio, filho legítimo do conselheiro. Estácio não apenas aceita a meia-irmã como lhe devota um profundo e crescente carinho, por ela correspondido. Ao drama de incesto abordado por Machado no romance, soma-se ainda o tema das conflituosas relações de classe no Brasil do século XIX, coroados por um final surpreendente.

 Quando o testamento do conselheiro Vale é lido, ele lega parte de seus bens a uma filha que, até então, ninguém da sua família tinha conhecimento. A revelação provoca em sua irmã, D. Úrsula, uma forte repulsa. Enquanto Estácio, filho do conselheiro, embora fique em dúvida, aceita a nova irmã com esperanças. A chegada de Helena na casa é dividida. Enquanto encontra resistência por parte da tia, acha receptividade por parte do irmão.

A docilidade da moça e sua prestatividade vão lentamente conquistando todos que a conhecem, Helena é bem educada, tem maneiras finas e um coração jovial e caloroso além de uma inteligência aguçada. Conforme ela conquista as graças da tia, a afeição do irmão é cada vez mais crescente. Contudo, a aproximação com Estácio traz novas sutilezas que findam por superproteção e atenção demasiada, a moça insiste no casamento do irmão que parece já em dúvidas acerca do compromisso. 

Contudo, verdades difíceis vêm a tona e prometem mudar para sempre o rumo das coisas. A permanência de Helena no seio familiar dos Vale fica ameaçada assim como sua proximidade com Estácio também começa a mudar. A lei, contudo, assim como a moral da sociedade, dita as regras do convívio e não vai permitir que alguns alcancem o final feliz que desejam.

Li esse livro na escola pela primeira vez e lembro que fiquei frustrada com o final. Mas não lembrava quase nada da história, na revisita, o texto pareceu um pouco difícil de acessar, ao contrário de Iaiá Garcia que eu também peguei o texto integral, mas não tive tanta dificuldade. Esse pareceu a mim um romance bem cru, mais ou menos como foi Persuasão, de Jane Austen. Não havia pretensões nem muitas sutilezas aqui, ele só queria escrever um romance mesmo com um final bem inusitado. Gostei do final? Não. Mas entendi, dadas as circunstâncias não poderia ser diferente, era isso ou a vergonha social e mais do que hoje, naquela época aparência era tudo. O povo vivia em função de fazer fofoca. Hoje não é muito diferente, claro, mas acho que antes era pior. No cenário, o fim trágico foi a melhor solução. Embora eu tivesse preferido a vergonha social. Não foi uma revisita muito agradável, ainda prefiro Iaiá Garcia, mas foi interessante ler de novo depois de tanto tempo com uma mentalidade mais formada. 

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