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quinta-feira, 23 de julho de 2026

[Livro] Contos Russos

 Autores: Nikolai Leskov, Ivan Turguêniev

Ano: 2020

Sinopse: reúne duas novelas clássicas do século XIX que exploram as vertentes realista e naturalista da literatura russa. As obras presentes no volume são "O Primeiro Amor", de Ivan Turguênev, e "Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk", de Nikolai Leskov.

 Em primeiro amor, um grupo de amigos está reunido após um jantar e começam a contar histórias sobre seus primeiros amores. Um deles, Vladimir, pede para escrever sua história prometendo contá-la no dia seguinte. Eles então se reúnem para ouvi-la e, quando tinha dezesseis anos, mudou-se para perto da chácara onde morava, uma velha princesa e sua filha, agora relegadas a uma vida decadente. A jovem princesa, Zinaída, era de beleza estonteante e não demorou para que Vladimir se enamorasse dela. Porém, na fila para isso havia outros rapazes com quem a princesa brincava livremente usando seus sentimentos para benefício próprio.

Voluntariosa, volúvel e egoísta, Zinaída brincava com os sentimentos de Vladimir sem remorso. Ele, um jovem nos arroubos de sua adolescência, deixava-se levar pelas migalhas de afeto que ela lhe dispensava. Contudo, o envolvimento duvidoso da jovem princesa com o pai de Vladimir poria a história em um rumo permeado pela tragédia.

O segundo conto, Lady Macbeth, conta a história de Katerina, uma jovem de vinte e quatro anos casada há cinco anos com um abastado comerciante. Não havia amor no seu casamento, ela aceitou-o apenas para sair da sua vida de limitações. Entediada com a sua vida, ela encontra nos braços de Sergei, um dos homens que trabalhavam para seu marido, a diversão e o calor que faltava em seu casamento. O homem a manipula à seu bel prazer, tornando Katerina, cega e doente de paixão, em uma assassina fria e inclemente. Seu rastro de sangue, contudo, tem um desfecho trágico ainda mais quando ela descobre que seu amante só a estava usando.

Olha, confesso que eu esperava outra coisa. Quando comprei esse livro eu esperava contos russos, algo do folclore, dos contos de fadas, contos populares ou crenças. Não estava esperando duas novelas trágicas. Como composição literária são dois contos impecáveis, embora pela extensão eu os chamasse de novelas, mas tudo bem. Escrita erudita, personagens vívidos e composições dolorosamente poéticas em sua tragédia. O primeiro conto explora os sentimentos humanos em sua forma mais primitiva e como a adolescência, fatalista e imediatista, pode ser traiçoeira. O segundo foca no meio e em como as influências podem transformar uma pessoa. Enquanto a Lady Macbeth de Shakespeare matou por ambição, essa daqui mata pela paixão cega.

Pra quem nunca leu nada de literatura russa, eu não aconselharia entrar por aqui. O primeiro livro que eu li foi Crime e Castigo, mas como o tamanho e a complexidade da trama podem afastar, eu indicaria começar pelo tomo I dessa trilogia, não o li, mas pela sinopse dele parece ser mais acessível que esse arsenal de tragédia do tomo II. Porém, para quem gosta de histórias mais realistas e sem muito floreio e enfeite essa pode ser uma boa pedida sim. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

[Livro] Contos de Assombração

 Autores: vários

Gênero: antologia, terror, folclore

Ano: 1987

Páginas: 96

Sinopse: Coletânea de contos de horror escritos por vários autores latino-americanos.

 Li esse livro na biblioteca da escola quando tinha dez anos, lembro que, na época, dois contos realmente me assustaram: as lágrimas do sombreirão e Maria Angula. Nunca esqueci esses dois e sempre tive vontade de ler esse livro de novo. 26 anos depois, graças a minha irmã, tive a oportunidade de revisitá-lo. E como nossa noção de medo muda com o passar dos anos e com as referências que a gente adquire com a idade. Na minha releitura o livro continuou bom, mas pareceu bem menos assustador e os outros contos bem menos interessantes também. São contos de países da América Latina (e acho que deviam ter excluído a Argentina) que englobam o folclore e a crença desses países, alguns são bem interessantes, outros nem tanto, mas medo mesmo acho que só Maria Angula eu consideraria macabro, embora o conto da Marimonda também seja bem sinistro. É bem legal conhecer mais sobre diferenças crenças e folclores, foi uma revisita muito bacana.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

[Livro] Os Lobos dentro das Paredes

 Original: The wolves in the walls

Autor:  Neil Gaiman

Ano: 2003

Gênero:  Livro ilustrado, Literatura infantil, Ficção

Sinopse:  Em Os lobos dentro das paredes, Lucy escuta ruídos "furtivos, rastejantes e amarrotados" vindo de dentro das paredes de sua casa. Ela tem certeza de que existem lobos vivendo ali, mas a família não acredita nela: "Você deve estar ouvindo camundongos", diz a mãe; "Morcegos", berra o irmão; "Malditos ratos", resmunga o pai. E todos são unânimes em dizer: "Se os lobos saírem de dentro das paredes, está tudo acabado." "O que está acabado?", pergunta Lucy. "Tudo", diz a mãe. "Todo mundo sabe disso", completa. Pobre Lucy. Os ruídos continuam, cada vez mais apressados e alvoroçados. E, numa noite, as tais criaturas realmente aparecem. Mas, na realidade, Lucy descobre que nem tudo está perdido. Pelo contrário, quando os lobos saem, sua batalha está apenas começando. Exilada no quintal, a família tenta encontrar uma solução, enquanto os lobos assistem à sua televisão, comem a sua comida e dançam "danças lupinas" pela casa, até que a menina tem uma idéia: "Tem um monte de espaço nas paredes da casa. E pelo menos não é frio lá.", diz ela. E a partir daí, foi a família de Lucy que rastejou pelas paredes rumo a um final surpreendente.  

Lucy é uma garotinha que vive em um velho casarão e sempre escuta ruídos dentro das paredes da casa, ela sabe que são lobos e tenta avisar aos pais e ao irmão, mas eles não acreditam nela. Até uma noite os lobos saem de dentro das paredes e invadem a casa obrigando a família a fugir para o jardim. Eles começam a fazer planos para se mudar porque "se os lobos saem das paredes tudo acaba", mas Lucy só quer voltar para casa e não pretende deixar os lobos mantê-la de fora.

Sabe, achei um conto bem infantil sem reais segundas intenções acerca de mensagens inspiradoras ou coisa assim. Só uma historinha pra criança mesmo. Refletindo um pouco eu poderia dizer que é uma questão de percepção, tanto quanto a família de Lucy se sentiu ameaçada com os lobos, eles se sentiram ameaçados quando a família quis retomar a casa e isso me faz pensar que a nossa percepção de "fim" é proporcional ao nosso esforço de mudar a situação em que nos encontramos. Enquanto a família se conformou que a invasão dos lobos era o "fim de tudo", Lucy foi prática e agiu para mudar a situação. Os lobos aqui não representam um perigo, mas um problema. Algo que domina a vida da família e que ela apenas aceita ao invés de enfrentar. Pelo menos foi como encarei. Curtinho, dá pra ler nuns 20 minutos e levou um 2,5 de 5. 

[Livro] Eu não sou Jessica Chen

Original: I am not Jessica Chen

Autor:   Ann Liang

Ano: 2025

Gênero:  Ficção juvenil, Romance de amor

Páginas: 304

Sinopse: Aos dezessete anos, Jenna Chen passou a vida à sombra da prima impecável. Jessica Chen é tão inteligente que tira nota máxima em todas as provas. Tão bonita que as pessoas param no corredor para admirá-la. Tão perfeita que foi aceita em Harvard — o sonho que Jenna viu escapar por entre os dedos. Então, após uma série de rejeições universitárias e sentindo que decepcionou todos ao seu redor, Jenna faz um pedido desesperado: “quero ser Jessica Chen”. E, para sua surpresa, o desejo se torna realidade. Literalmente. Presa no corpo de Jessica e com acesso aos seus diários e segredos mais íntimos da prima, Jenna logo descobre que a perfeição tem um preço e ser a melhor aluna do prestigioso colégio Havenwood não é exatamente como ela imaginava. Pior ainda, conforme todos — inclusive seus próprios pais e Aaron Cai, o garoto que ela sempre amou — começam a esquecer que Jenna Chen um dia existiu, ela precisa decidir até onde está disposta a ir para sustentar a perfeição.  

Para Jenna, a vida de sua prima Jessica é perfeita. Ela é a melhor aluna, a mais bonita, a filha perfeita que mora num palácio perfeito e tem tudo que quer ao alcance da mão. A única coisa com a qual Jenna pode contar é com a esperança do e-mail de aprovação em Harvard. Mas o que recebe é uma negativa. Ela não é boa o bastante para entrar. Ao contrário de Jessica que conseguiu. E se não fosse ruim o bastante ela ainda precisa lidar com Aaron, o garoto que a rejeitou um ano atrás e foi embora para Paris, agora de volta para ver de camarote a decadência de Jenna. Ela deseja com todas as forças do seu peito ser a prima.

E seu desejo é atendido. Ela acorda no dia seguinte no corpo de Jessica. No começo, tudo parece estranho e confuso, os pais de Jessica como sempre trabalhando muito e com nenhum tempo para ela deixando a vida dela cheia de uma liberdade perigosa, o quarto perfeito e organizado de Jessica, a vida com a qual ela sempre sonhou ao alcance da sua mão. E ela aproveita, sabe que vai precisar entrar na pele da prima e agir como ela, mas ela não é tão próxima de Jessica então acaba sendo um pouco difícil.

Em uma visita à casa de seus pais, Jenna no corpo de Jessica conversa com a mãe para saber onde ela está. Mas a mãe diz que Jenna viajou e não lembra para onde ela foi. No seu quarto, tudo está como ela deixou, seu celular está na gaveta, suas roupas no armário, a pintura atacada com tinta no mesmo lugar, é como se ela tivesse desaparecido sem levar nada e onde Jessica poderia estar? De qualquer forma, por mais que estivesse preocupada com o paradeiro da prima, ela não podia deixar de sentir a euforia e o desejo realizado de finalmente poder ser Jessica.

Só que ser Jessica não é tão fácil. Ela precisa lidar com a pressão das notas perfeitas da prima que ela jamais conseguiu alcançar, com matérias que nunca sonharia em fazer e que são difíceis demais, ela fica com medo de acabar destruindo a vida de Jessica e, se isso não fosse ruim o bastante, ainda tem que lidar com Aaron querendo saber onde Jenna está. Em determinado ponto, Jenna começa a perceber que as pessoas estão esquecendo quem ela é. Primeiro, os professores dizem que ela está ausente até segunda ordem, depois, sequer lembram que ela é. Aaron parece ser a única pessoa que ainda a procura.

Ela decide contar a verdade para ele. Sabe que pode confiar em Aaron, ele não acredita no começo, mas depois acaba percebendo que é verdade, porque ninguém conhece Jenna melhor que ele. Aaron quer reverter aquilo, ele precisa trazer Jenna de volta ao próprio corpo, mas não é isso que ela quer, finalmente ela tem a vida perfeita, finalmente ela é elogiada, vista, adorada, ela não quer voltar à sua antiga vida apagada e derrotada, ela quer que sua eu antiga desapareça. E isso começa a acontecer. Ao mesmo tempo, Jenna começa a descobrir que a perfeição de Jessica tem um preço muito alto e, contrariando todas as expectativas, ela precisa decidir entre voltar para a própria vida ou ser a prima para sempre.

Olha, comparado ao livro que eu li da autora em Janeiro achei esse bem lento. Jenna é mimada, invejosa e volúvel, mas eu preciso perdoar porque ninguém é racional na adolescência. Tinha horas que eu perdia tanto a paciência com ela que ameaçava abandonar o livro. Ela sempre quis ser Jessica, mas não fazia um pingo de esforço real para assumir as responsabilidades que Jessica carregava nos ombros. A questão apontada por Aaron era bem real, ela queria as coisas e quando conseguia a euforia passava e ela começava a querer outra coisa. Ela nunca estava grata pelo que tinha, a típica visão da grama do vizinho ser mais verde.

O livro é o tipo de plot bem previsível, ela consegue viver a vida da prima para descobrir que era feliz na própria vida. E tirando o fato da quase total ausência dos pais e da pressão que sofria o tempo todo, a vida de Jessica era bem perfeita mesmo o que me surpreendeu, eu pensei que ela ia descobrir algum podre ou segredo ruim sobre a prima, mas no fim foi só um plágio numa redação. Algo tão besta. Não achei o livro incrível ou revolucionário sobre a questão da identidade e tudo mais, pra mim foi só um livro sobre aprender a ser grato pelo que tem porque senão você nunca vai ser grato com o que quer. Esse era o problema de Jenna desde o começo. 

Algo que se retrata muito bem é a pressão que as famílias chinesas colocam nos filhos. Isso não é ficção, é muito real. Os pais de Jessica a pressionam a sempre ser impecável, os pais de Jenna a pressionam a ser como Jessica. Ela sempre precisa ser comparada com a melhor e nada do que ela faz é suficiente. E isso é muito triste. Não é como se ela não se esforçasse quando estava no próprio corpo, mas as vezes as habilidades de uma pessoa estão concentradas em outras áreas. No fim, o que eu realmente gostei foi a confissão do Aaron e, sendo bem franca, se a Jenna finalmente conseguiu acordar e voltar pra própria vida foi por causa dele. Mas fiquei bem frustrada por não ter tido um desdobramento melhor do romance dos dois. Ainda assim, o livro é bom. 

sábado, 18 de julho de 2026

[Livro] A Arte da Guerra

 Original: 孫子兵法

Ano: Aproximadamente V a.C

Autor: Sun Tzu

Sinopse:  O livro contém uma explicação detalhada e análise das forças armadas chinesas do século V a.C. de armas, condições ambientais e estratégia para classificação e disciplina. Sun Tzu também enfatizou a importância dos agentes de inteligência e espionagem para o esforço de guerra. Considerado um dos melhores estrategistas e analistas militares da história, seus ensinamentos e estratégias formaram a base do treinamento militar avançado por milênios. (Wikipédia)

 Fazia ANOS que eu queria ler esse livro, no começo eu não tinha recursos e quando consegui recursos fiquei sem coragem hahaha, mas enfim coloquei na meta desse ano e confesso que ele foi bem o que eu esperava dele. Olha, longe de mim achar passagens inspiradoras e filosóficas num livro de estratégia militar, pra mim ele foi o que era para ser: um manual de batalha. E foi muito eficiente nisso.

A decisão de ler foi apenas para adquirir conhecimento para um futuro livro medieval que eu quero escrever e ter conhecimento militar pelo menos no mínimo é muito bom para escrever batalhas e esse livro é realmente útil nisso. A coisa toda é uma espécie de guia para um bom general, com estratégias e ensinamentos para sair vencedor de uma guerra, o mais interessante, contudo, é que Sun Tzu não era um ativista das batalhas sangrentas a menos que elas se fizessem estritamente necessárias, uma guerra, segundo ele, se ganha primeiro com inteligência. Inclusive, um bom general sabia reduzir ao máximo o período de conflito porque isso custava dinheiro ao estado e as famílias que pagavam tributos a esse estado.

E é basicamente isso, mesmo, ele discorre sobre locações para acampamentos, importância das bandeiras, melhores lugares para as batalhas, a importância de, antes de qualquer coisa, se conhecer profundamente o seu oponente, pois a chave de tudo está em saber prever os passos dele para se adiantar as suas ações e se tem algo que esse livro ensina de verdade além de toda a base militar é que sem disciplina, uma rede de apoio confiável e uma formação sólida ninguém vai pra lugar nenhum. Os soldados de um general não vão saber respeitá-lo se ele não souber impor limites e, ao mesmo tempo, demonstrar afeto. O mesmo acontece com as nossas relações interpessoais, a gente tem que saber impor limites sem precisar ser indiferente.

E sempre, sempre estudar. Não só pra conhecer nossos oponentes porque nem sempre eles são pessoas, digo mais, o pior oponente contra o qual a gente luta todo dia é a nossa própria mente. Mas estudar para não permitir que as táticas dos oponentes nos ludibriem. Quanto mais crítico o nosso pensamento, quanto mais conhecimento adquirimos, mais fortes ficamos. Precisamos ser curiosos, sedentos para sempre saber mais, essa é a nossa principal blindagem. Gostei bastante do livro, salvei um monte de notas para futuras referências em cenas e recomendo a leitura demais. 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

[Livro] Príncipe dos Pesadelos

Original: Prince of Thorns and Nightmares

Autor:   Linsey Miller

Ano: 2025

Gênero: Ficção, contos de fadas, romance

Sinopse:  Desde muito jovem, o Príncipe Phillip já sabia que seu destino já havia sido decidido por ele: sua missão é se casar com uma completa desconhecida, a Princesa Aurora, que tinha sido amaldiçoada. Então, ele passaria o restante da vida protegendo a princesa de Malévola, a Rainha do Mal, que certamente viria em busca de vingança. Todavia, semanas antes do casamento, Phillip experimenta uma estranha explosão de magia, e três fadas lhe informam que ele tem uma chance de derrotar Malévola de uma vez por todas. De repente, Phillip sente como se tivesse escolha – e talvez a magia possa ser a liberdade que ele procurava.

No entanto, para conseguir derrotar a bruxa, ele terá de lidar com uma misteriosa aparição toda vez que cai no sono: sempre que dorme, Rosa e sua personalidade zombeteira surgem em seus sonhos. Só que não demora muito para Phillip perceber que ele e Rosa não são tão diferentes assim, e que os dois talvez possam mudar o destino de ambos, um sonho de cada vez.

 A última coisa que Phillip  deseja é concretizar o desejo do pai para sua vida. Desde criança ele sabia que precisaria se casar com a princesa Aurora e protegê-la da maldição de Malévola, mas ninguém parou para perguntar se era isso que ele queria. Com a proximidade do aniversário de 16 anos da princesa, ele precisa viajar para Ald Tor, mas não está com nenhuma pressa de se casar com aquela desconhecida, ele e sua escudeira, Joana, embarcam em uma última jornada de liberdade. Mas nem nos seus sonhos ele tem paz, porque precisa lidar com a misteriosa garota com quem sonha desde a infância, mas com quem nunca conseguiu falar.

No início da sua jornada, ele encontra três fadas que dizem que ele tem magia e é o único capaz de derrotar Malévola. Para isso ele precisa roubar o escudo da virtude e a espada da verdade, mas só será capaz de fazer isso se dominar sua magia em tempo recorde antes do aniversário da princesa. De início, Phillip não concorda com aquilo, ele pouco se importa com a princesa e com aquele casamento, o que ele queria de verdade era a liberdade de escolher seu próprio caminho. Mas as fadas acabam vencendo a discussão e seu treinamento começa. 

Porém, a estrada da magia se mostra mais complicada e perigosa do que ele imaginou, além disso, os sonhos com a garota misteriosa também mudam e agora ele pode falar com ela. Mas os dois não se dão muito bem a princípio. Enquanto luta contra o tempo para conseguir dominar sua força e enfrentar a rainha do mal, Phillip se vê cada vez mais próximo da liberdade que sempre desejou.

Quem me conhece sabe que eu sou a pessoa que quer tudo sobre A Bela Adormecida, era meu filme favorito na infância e eu li todos os livros que consegui sobre ele, além de todas as adaptações que achei. Assim, quando bati o olho nesse livro fiquei automaticamente louca para ler, afinal, Phillip foi meu primeiro crush na infância hahaha. Mas talvez as expectativas que eu tinha fossem altas demais.

Quem viu o filme pelo menos uma vez na vida não vai se perder nem um pouco dentro da narrativa, ela foi construída realmente dentro da produção da Disney, e faz bem em cobrir as lacunas deixadas pelo longa, mostrando um pouco da vida do príncipe enquanto Aurora crescia cuidada pelas fadas, sua amizade com a escudeira Joana sua companheira de viagens e os atritos com o rei Humberto que sempre colocou muita pressão no filho desde criança. 

No fim, Phillip é um jovem frustrado, preso a um compromisso que não quer com uma mulher que sequer conhece. Cresceu num lar sem afeto onde era cobrado para ser perfeito quando mal entendia o que tinha sobre os ombros. Também mostra um pouco da personalidade de Aurora que não aparece no filme, e confesso, tinha horas que eu visualizava ela como uma criança birrenta pela conversa deles. Mas perdoo porque eram praticamente dois adolescentes.

Uma coisa que travou minha leitura foi o uso dos pronomes neutros, eu não sou a maior ativista do uso deles e não gostei de ler. Ora parecia que o texto tava em francês, ora em italiano, além que eu acho muito feio. Me perdoem os usuários. De resto, não foi bem o que eu esperava, mas algumas coisas ficaram bastante coerentes, não comprei muito o romance de Phillip e Aurora, mas deu pra passar, foi bacana ver o outro lado da história, embora eu o tivesse imaginado muito diferente. Levou um 3 de 5. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

[Livro] O Passado de Presente

Autor: Fabiana Botinha

Ano: 2024

Páginas: 190

Sinopse: Para Júlia, ele foi um labirinto de feridas e silêncios, marcado pela ausência de um pai e pelas dúvidas que moldaram sua identidade. Apesar de acreditar ter superado essas marcas, sua rotina é apenas um refúgio, um escudo contra os traumas do abandono. Para ela, o Natal é apenas mais uma data no calendário — um lembrete distante de sonhos infantis que há muito deixaram de existir. Mas uma revelação inesperada faz as antigas feridas voltarem à tona, forçando Júlia a embarcar em uma jornada de perdão e autodescoberta.
Benício é um homem de fé silencioso e gestos gentis. Após uma mudança repentina para Poços de Caldas, ele busca algo que traga sentido à sua vida — não apenas para ele, mas para os outros ao seu redor. Para Benício, o Natal é uma celebração de esperança, um momento em que até os corações mais feridos podem encontrar redenção. Sua presença carrega uma promessa de novos começos, algo que Júlia jamais imaginou querer ou precisar.
Sob as luzes mágicas de Poços de Caldas, os Caminhos de Júlia e Benício se cruzam, desafiando ambos a confrontar suas vulnerabilidades. Júlia, que há muito tempo deixou de acreditar no poder do perdão, e Benício, que aposta no amor como força transformadora, descobrem que a vida pode oferecer mais do que aquilo que estavam querendo a aceitar.

 

Julia, uma funcionária da prefeitura, em um balanço para um projeto acaba descobrindo que seu pai, que ela nunca conheceu, faleceu quatro anos atrás. Ela ainda tinha esperanças de encontrá-lo um dia e saber por que ele a abandonara, mas agora essa chance é tirada dela. Na festa de natal da cidade, ela acaba reencontrando Benício, um jovem que conheceu na sua época de faculdade e com quem manteve um contato leve ao longo dos anos. Ele a ajuda a passar por esse momento difícil e enfrentar os fantasmas do seu passado e todas as perguntas que agora nunca encontrarão respostas. Enquanto luta para superar os traumas tanto da perda quanto do abandono, Julia faz uma jornada de autodescoberta e perdão na tentativa de seguir com a sua vida sem as sombras do passado.

E sim, é só isso mesmo.

Eu peguei esse livro pelo título e pela capa. Ele me remeteu ao filme "Um Passado de Presente" e eu pensei que seria um romancinho sabe? Daqueles de deixar o coração quentinho, bem sessão da tarde. Mas acho que está mais pra uma novela de cura. E talvez o problema esteja exatamente aí. Antes de mais nada, vamos ser justos, é muito bem escrito apesar de algumas coisas que escaparam na revisão, tem uma prosa poética e inspiradora a autora é talentosa e a gente percebe isso enquanto lê. Contudo, e aqui vai meu olhar de autora e leitora, a composição do quadro a meu ver poderia ter sido melhor.

Antes de mais nada o livro não é ruim. Mas enquanto ficção, acho — e isso, volto a dizer, é minha estrita opinião — que poderia ter sido melhor trabalhado. Todo esse emocional de Julia e as consequências do abandono paterno poderiam ser mostradas ao invés de ditas, poderia estar impressa nas atitudes dela, na sua maneira de reagir, na sua forma de ver o mundo e de lidar com as pessoas. O livro tem repetições de descrições, de emoções, muito explícitas e as vezes até explicativas. Achei que houve pouco desenvolvimento de personagem, a gente passa a maior parte do tempo na cabeça da Julia, como se a ideia inicial fosse escrever um fluxo de consciência. 

Além disso, tem muitas descrições, descrições que, eu acho, foram excessivas e acrescentaram muito pouco pra narrativa, mais beleza que composição propriamente. Há pouca dinâmica entre os personagens porque, como mencionei, a maior parte do enredo é dentro da cabeça da personagem, em certos momentos o livro parece um grande folheto do AAA. Explicações muito técnicas, dados, colocados de forma pouco lúdica e muito didática e mesmo tendo a ver com a narrativa, poderia ter sido inserido de outra forma ou mesmo como um apêndice. Tem algumas partes que ficaram em primeira pessoa, e esse provavelmente foi um erro de edição, quem sabe a proposta inicial era escrever em primeira pessoa e ela mudou para terceira depois.

Pra mim, faltou movimento. Literatura é, sobretudo, ação. É um personagem que quer alguma coisa e precisa passar por X obstáculos para isso. A história toda na mente da personagem, focada nas emoções e sensações dela não dá movimento pra história, há pouca interação entre os personagens, o romance não foi desenvolvido direito e ficou em segundo plano e tudo bem, a novela pode focar no desenvolvimento da personagem, mas nem isso fica com a sensação de caminhada. De ação. De movimento. É como se estivéssemos lendo um grande fluxo de consciência em terceira pessoa. O drama acaba perdendo força, se tornando repetitivo e o clímax esperado não tem o mesmo efeito que teria se ele fosse desenvolvido de outra forma.

Volto a dizer, o livro não é ruim, essas foram apenas as minhas impressões enquanto lia. Talvez não seja um livro para mim, provavelmente eu não sou o público alvo da obra, e tudo bem. Quem gosta de literatura de cura provavelmente vai gostar. 

[Livro] O App do Amor

Autor: Andreia Romão

Ano: 2024

Páginas: 177

Gênero: Romance 

Sinopse:  Melissa se encantou com Lucas quando o viu pela primeira vez na faculdade de Tecnologia de Informação, mas só levou alguns dias para se desencantar por completo quando percebeu que Lucas era um antissocial que vivia revirando os olhos para ela. Agora, focada nos estudos e em concorrer ao Prêmio de Produtos Estudantis, Melissa cria um programa de computador com uma finalidade inusitada: analisar perfis de pessoas para determinar aqueles com mais compatibilidade amorosa.
O App do Amor promete criar casais perfeitamente compatíveis com base na ciência e na tecnologia. Na teoria, a ideia é perfeita. Mas quando Melissa coloca seu projeto em prática… o resultado é um pouco diferente.
E Melissa e Lucas estão prestes a descobrir que o amor está longe de ser uma ciência exata.

 

Melissa não gosta de Lucas Savorini, isso não tem nada a ver com o fato de ele ser lindo ou absolutamente inteligente ou mesmo de saber disso. Ela simplesmente não aceita o fato dele ser um metido apenas por ser o melhor da sala. Porém, alguma coisa inexplicável faz com que Lucas sempre tente falar com ela ou ficar por perto. Quando o Prêmio de Produtos Estudantis entra em jogo, ela está pronta para provar que pode ser melhor que Lucas Savorini ganhando o prêmio, seu aplicativo da vocação tem muito potencial e, na cabeça dela, pode ajudar muita gente. 

Após um encontro desastroso com um estudante de medicina, Melissa volta para o apartamento derrotada e começa a ter uma série de ideias, deprimida, começa a pensar se existisse uma tecnologia capaz de detectar pessoas compatíveis a partir de um banco de dados que cruzasse informações como personalidade e gostos. E assim seu App da vocação se transforma no App do amor. E seu colega de apartamento é a primeira cobaia. Tudo parece ir bem, o match que o App do amor faz com ele dá muito certo e Melissa começa a acreditar que criou algo revolucionário.

O problema começa quando Lucas Savorini descobre essa ideia e começa a jogar luzes de racionalidade sobre ela, Melissa acredita que ele só quer desmerecer o trabalho dela e fazê-la desistir então não dá a mínima atenção ao que ele diz. O colega de quarto dela acaba vazando a informação sobre o aplicativo que era pra ser sigilosa e uma multidão de pessoas começa a se voluntariar para fazer parte do app do amor. Só que as coisas começam a sair do controle e no meio de todo caos, por incrível que possa parecer, apenas Lucas Savorini vai ficar ao lado dela.

 Eu gostei muito desse livro, levinho, engraçado, personagens carismáticos e um enredo meio bobinho, mas muito fofo, o livro envereda pela comédia e o romance de forma natural. Eu ouvi ele no Skeelo, super curtinho, imagino que o formato ebook seja mais completo, ainda assim me distraiu por uma tarde foi ótimo para espairecer e tem cara daqueles filminhos de romance do começo dos anos 2000 na sessão da tarde. Super recomendo.

terça-feira, 23 de junho de 2026

[Lista] Livros que eu queria desler

 Eu não tenho talento pra booktuber, tentei uma vez e não deu certo, não me dou bem com câmera e sou melhor escrevendo que falando. Então, eu decidi fazer uma lista de livros que eu queria desler porque a experiência de leitura que eu tive não foi boa. 

Antes de mais nada, vamos conversar sobre isso? Às vezes um livro que a gente ama tem gente que lê e odeia e tá tudo bem, as experiências de leitura são diferentes para cada pessoa um livro que eu amei você pode ler e odiar do mesmo jeito que um livro que você ama pode ter sido uma tortura pra eu ler e isso nem torna eu ou você errados. Então vamos nos odiar menos e aprender a respeitar a opinião do coleguinha?

Essa lista não tá na ordem do pior pro menos ruim. É uma lista bem aleatória mesmo. 

1. O Inferno de Gabriel
 Que livro lento! Eu achei que não acabava nunca! Achei os personagens sem carisma nenhum, enredo cansativo e como se não fosse suficiente ainda tem sequência! Zero vontade de continuar. Pra quem não conhece, conta a história da Julia que está fazendo um curso sobre Dante e tem certos problemas com seu professor Gabriel, mas aliado a isso há um desejo intenso entre eles e permeando o passado complicado de Gabriel ela se torna o fruto proibido que ele não vai resistir em provar.

Sendo bem sincera? Todo mundo aqui é maior de idade, certinho, mas é um jeito muito chato de usar o clichê professor x aluna. E não precisava de um capítulo praticamente todo pra uma cena de sexo. Desnecessário.

2. Série Imortais

Eu tenho RANÇO dessa série. Juro foram os 6 livros mais sofridos que eu já li na minha vida. A personagem principal é insuportável. Na verdade, não tem um personagem nesse livro que não seja um pé no saco. Eu tive que ler dando pausas entre os livros pra conseguir terminar. Não recomendo nem pro meu pior inimigo. Se eu fosse resumir a história em uma frase seria "quero transar com meu namorado, mas por uma maldição não posso tocar nele" e é isso. Horrível. Podia ser resumido em 2 livros, os quatro do meio são completamente dispensáveis.

3. O Fantasma da Ópera

Talvez o meu erro tenha sido ver as adaptações desse livro antes. Porque nenhuma delas tem nada a ver com o material original então quando eu fui ler esperando um romance ganhei uma bela de uma decepção. Eu estava realmente animada para ler esse livro, mas acabou sendo uma experiência péssima, achei arrastado, cansativo, os personagens não me cativaram e o fantasma na verdade era um psicopata '-' eu não estava esperando por isso.

Não é mal escrito de forma alguma, mas sendo bem franca não leria de novo e se tivesse a oportunidade apagaria da minha memória tudo sobre ele. Não se deixe enganar pelos filmes.

4. A Traição de Natalie Hargrove

O que mais me indigna é que esse livro era pra ser uma adaptação de Macbeth de Shakespeare! Ela mirou em Macbeth e acertou em sei lá o que! Pensa numa história sem graça, personagens sem sal, uma trama infantil, tudo bem que ninguém acerta de primeira, mas a gente tá falando da Lauren Kate do Fallen, que apesar dos seus problemas é uma boa série pelo menos até o terceiro livro. 

O livro é tão ruim que eu apaguei metade do enredo da memória, só lembro que é uma história sobre adolescentes guerreando por alguma coisa e acaba rolando um assassinato pelo qual ninguém é responsabilizado. Péssimo, não recomendo.

5. O Oitavo Andar

Fechando a lista tem esse nacional que provavelmente não me tinha como público alvo. Eu até gosto de suspense, mas esse aqui não me desceu. Tinha até pensado em dar outra chance a autora e ler o outro livro dela pra ver se gostava, mas ela foi simplesmente até minha DM no instagram e falou um monte comigo por não ter gostado do livro dela. E não gostei mesmo. Enredo chato, personagens sem carisma, zero suspense, final ridículo, foi sofrível de ler.

A coisa, gente é que nós escritores precisamos estar preparados pro leitor que é alvo do nosso livro e pode gostar da história e pra quem não é alvo, vai ler por curiosidade e detesta. Acontece. Mas  essa linda não aceita isso.

E aqui vão algumas menções honrosas:

A última Imperatriz de Da Chen - Fui ler esperando encontrar um pouco da história, da cultura ou do folclore da China e acabei numa conspiração de eunucos e numa castração '-' terminei me perguntando o que tinha acabado de ler.

A Canção da Órfã de Lauren Kate - PArece que depois do Fallen a bonita não acertou mais nada. Comprei esse livro com tanto gosto, mas foi uma decepção. Pior é que a premissa era até boa, mas o jeito que ela desenvolveu foi péssimo. Penei pra terminar e me arrependi de ter lido.

Proibido de Tabitha Suzuma - Fui ler pelo incesto? Fui. Não me convenceu, achei o final exagerado e não consegui sentir empatia pelo casal. Graças a Deus deletei a maior parte da memória mesmo. Não leria de novo.

E é isso pessoas. Talvez eu faça mais listas no futuro, não sei. Me conta aí, tem algum livro que você queria desler também?
 



[Livro] Entregues na Varanda

Autora: LILLYAN HAWELLY

Ano: 2024

Páginas: 196 

 Sinopse: Thomas Oliver sempre manteve suas emoções sob controle. Mas tudo muda quando ele se vê irresistivelmente atraído pelo dono de uma boate. Um romance proibido e intenso nasce entre eles, e a paixão os leva a fugir para Tenind, buscando um novo começo longe dos olhares críticos e desaprovações. No entanto, o perigo os segue de perto, e o passado que deixaram para trás ameaça destruí-los, e eles terão que lutar não só por sua sobrevivência, mas pelo amor que juraram proteger.

Eu li esse livro e tenho opiniões. 

Antes de qualquer coisa quero pedir desculpas pra autora por não ter gostado nem um pouco desse livro e não ter nada bom pra dizer sobre ele e pedir desculpas igualmente aos fãs da história, por favor, não me odeiem, só vou fazer uma resenha sincera.

Eu nem vou parar pra falar da história em si porque, sendo bem sincera, pra mim seria como perder tempo. Antes de mais nada, não é preconceito meu lendo BL, eu já li obras de BL, o problema aqui é construção que não tem. Eu fui pesquisar e vi que esse livro era, na verdade, uma fanfic do BTS (Jimin e Jungkook) e eu não tenho nada contra fanfics, eu não leio, é verdade, mas acho que são um exercício literário fantástico. Porém, o problema disso é quando esse tipo de história vira "livro" sem preparação de texto nenhuma, sem revisão, sem edição, porque teve um alcance notável de adolescentes excitadas lendo. Eu gosto do wattpad, de verdade, comecei na plataforma quando ainda não tinha a poluição de fanfics que tem hoje, e acho que tem sim muitas histórias boas lá, até fanfics bem escritas também, o problema é que, infelizmente, qualidade parece não atrair público.

A história começa sem introdução, já jogando os personagens numa cena erótica, os personagens, inclusive, são muito mal desenvolvidos (se é que foram desenvolvidos), não têm personalidade, os diálogos são vazios, tem vários problemas de construção no texto e nem digo isso pela ortografia, mas pela estrutura mesmo. O narrador muda sem aviso prévio, do nada tá em primeira pessoa, depois volta pra terceira. A dinâmica do casal é infantil, como se tivesse sido escrito por uma adolescente de treze ou quartorze anos (e não duvido nada), os acontecimentos são só jogados na história sem conexão real com uma trama principal, acontecem crimes e ninguém é responsabilizado por isso, não houve pesquisa nenhuma então acontecem umas situações muito absurdas até pra uma ficção. Sério, foram as 196 páginas mais sofríveis da minha vida. 

É graças a histórias desse nipe que o wattpad tem uma fama tão ruim atualmente. O que atrai é um fandom grande e erotismo. Enquanto isso na plataforma tem autores que dão o sangue pesquisando, tendo o cuidado com o texto, com a lógica, com tudo e não conseguem metade das visualizações de uma história dessa que até livro virou só porque o Jimin e o Jongkook estão se pegando. É lamentável de verdade. A editora também não mostrou nenhum tipo de cuidado com o texto, sem revisão, sem edição, nada isso também foi muito errado. Enfim, não gostei e lamento bastante fazer uma resenha tão negativa de um livro nacional.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

[Livro] A Cabeça do Santo

 Autora: Socorro Acioli

Ano: 2014 

Gênero: Realismo Mágico

Páginas: 176

Sinopse:  conta a história de um jovem que descobre possuir o fantástico dom de ouvir as preces das mulheres para santo Antônio. Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará. Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor. Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele ainda irá se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo. 

 Após a morte da mãe, Samuel embarca em uma viagem exaustiva para cumprir seus últimos desejos e acaba em Candeia, uma cidade fantasma com apenas alguns poucos habitantes restantes. Ali ele espera encontrar seu pai que deixou a mãe sozinha grávida e nunca mais voltou. Samuel tem ódio do pai porque acredita que foi por culpa dele que sua mãe morreu de sífilis. Quando finalmente consegue encontrar a velha casa de sua avó é recebido por ela, mas nada da generosidade e bondade descritas por sua mãe são encontradas lá. A mulher indica um lugar para ele passar a noite e bate a porta na sua cara. 

Samuel segue o caminho indicado pela avó, e é atacado por cachorros, um deles morde sua perna. Samuel se refugia numa caverna e começa a ouvir vozes lá dentro ecoando na sua cabeça. Quando sai, no dia seguinte, não tem ninguém do lado de fora. Ele nota que a caverna que pensou ter passado a noite é, na verdade, uma cabeça gigante. Sua perna está infeccionada então ele não consegue andar muito. Nessa situação acaba encontrando Francisco que usa a cabeça como esconderijo, os dois começam a se ajudar e Samuel descobre que apenas ele consegue ouvir as vozes na cabeça, são orações, mulheres rezando para Santo Antônio para conseguir um casamento.

Vendo nisso a oportunidade de ganhar dinheiro, Samuel e Francisco armam um plano para casa Madeinusa com Adriano, o médico da cidade e assim dar de novo fama ao santo. O que eles não esperavam é que o plano desse muito certo e, do dia para a noite, Samuel foi convertido em santo também por todas as mulheres da região, Candeia volta ao seu auge e vira notícia, casamentos começam a acontecer e todos acham que Samuel é o feitor dos "milagres" o enviado de Santo Antônio. Mas tudo que vem fácil vai fácil e a prosperidade de Candeia acaba atraindo a ira de gente poderosa que tinha outros planos para a cidade fantasma. Agora, Samuel precisa resolver suas últimas pendências naquele fim de mundo antes de fugir.

Esse é um resumo bem simplório da história, acontece muito mais coisa. Eu já tinha lido outro livro da Socorro, A Bailarina Fantasma e lembro que na época eu gostei muito. Não conhecia muitos livros dela, mas já tinha ouvido falar muito desse aqui e pelas promessas eu esperava uma história bem inusitada, pelo título eu não tinha muita ideia do que esperar, mas definitivamente não foi isso.

Eu não gosto de realismo mágico. Já tentei com Gabriel Garcia Marques e seus cem anos de solidão e não funcionou. Aqui não foi diferente. Não digo que a história é ruim, não é, mas sei lá, não me caiu muito bem. Além de não ter identificação ou simpatia pelos personagens, o enredo também não me prendeu, a sorte é que ele é muito fácil de ler, e só pra constar, como nordestina eu posso afirmar que na cabeça das mulheres do nordeste não só tem casamento não.  Não vou ser eu que venho aqui descer a lenha em uma autora nacional, a história entretém, é verdade, parece um daqueles filmes meio Auto da Compadecida, só que sem a comédia. Um livro que me lembrou um pouco foi Nova Jaguaruara, só que a construção deste é muito mais atraente, quase hipnótica.

Mas também A Cabeça do Santo não é horrível. Longe disso. Escrita fluida, história bem construída embora seja um pouco previsível em algumas partes, mas empatia por personagem é basicamente zero, pelo menos foi assim comigo. Ganhou um 2,5 de 5 na minha nota. É bom e recomendo, especialmente para quem gosta de realismo mágico. 

[Livro] A Loja dos Dias de Chuva

 Original: 비가 오면 열리는 상점

Ano: 2025

Autor: You Yeong-Gwang

 Páginas: 224 páginas

 Gênero: Fantasia cozy / Ficção de cura sul-coreana

Sinopse:  Logo nos primeiros dias que dão início à estação das chuvas, uma construção em ruínas aparece. É a loja dos dias de chuva, ou para os que acreditam, a loja dos goblins. Lá, você pode encontrar livrarias mágicas, cabeleireiros… Tudo o que seu coração desejar! Mas você não pode entrar sem um convite. Serin, que mora em um pequeno apartamento com sua mãe e sonha com uma vida maior e melhor, não consegue acreditar em sua sorte quando recebe um convite para conhecer a loja dos dias de chuva. Uma vez lá dentro, ela terá a oportunidade de trocar sua vida por uma nova. Uma melhor. Acompanhada por Isha, a gata, e sempre seguida por uma sombra misteriosa, Serin entra timidamente. Lá, ela é informada de que tem apenas uma semana para escolher a vida perfeita e encontrar a verdadeira felicidade. No entanto, há um porém. Se ela não encontrar a vida dos seus sonhos, ficará presa na loja para sempre...

 A vida de Kim Serin é difícil. Sua irmã mais nova desapareceu e nunca mais deu nenhum sinal de vida, ela mora com a mãe em um prédio que promete ser demolido e onde não entra luz solar em um bairro decrépito e muito pobre, seu uniforme é de segunda mão, seus tênis gastos e em casa nunca tem dinheiro suficiente. Ela não é feliz e não tem nenhum amigo. Assim, quando descobre por meio de um livro sobre a Loja dos dias de chuva gerenciada por goblins que podem conceder o maior desejo do seu coração, mesmo parecendo uma tremenda loucura, ela apenas escreve para o endereço fornecido contando sua história e, dias depois, recebe uma resposta com um bilhete premiado de que foi aceita na loja durante a temporada de chuvas.

O único alento de Serin na sua vida difícil é o taekwondo, ela se esforça muito para ser boa nisso mesmo quando as pessoas a criticam por ser mulher e praticar esse esporte, mesmo que ela não consiga ainda nem chegar perto da equipe de demonstração. E tem um garoto na turma de quem ela gosta, mas não tem coragem de falar com ele. Quando a temporada de chuvas finalmente chega, Serin deixa um bilhete mentiroso para a mãe dizendo que vai passar uns dias com uma amiga e parte até o endereço do velho prédio abandonado usando todas as suas economias na passagem.

Chegando lá de cara ela testemunha um senhor de idade sendo intimidado por bandidos. Ela sabe que não pode ajudá-lo então fica escondida, até que um goblin gigante aparece e aparentemente os bandidos não conseguem vê-lo. Ele os expulsa dali e Serin e o senhor conseguem entrar. Dentro do prédio há outro mundo, eles fazem um caminho longo até chegar a loja onde são recebidos por um goblin apresentador que parece muito carismático, ele ensina como a loja funciona e quanto tempo eles podem permanecer ali dentro. O objetivo é coletar esferas, cada esfera contem o futuro desejado quando eles encontrarem o que procuram podem sair com a esfera e desfrutar de sua nova vida. Mas primeiro, para conseguir dinheiro pelas esferas, precisam vender seus infortúnios.

O dinheiro dos infortúnios de Serin foram mais altos do que ela imaginou e acabou saindo com o bolso cheio de moedas. Como seu bilhete era especial ela acabou conseguindo também um guia espiritual na forma de um gato chamado Issha. Com esse gato, ficaria mais fácil encontrar as esferas que desejava e, conforme Serin as coleta, vai fazendo amigos pelo caminho graças a sua natureza gentil e paciente. Contudo, quanto mais esferas ela coleta, menos encontra a vida dos seus sonhos, todas vem com um preço alto demais e quanto mais avança nas lojas de goblin mais perigosas elas se tornam.

Por fim, Serin vai precisar descobrir se a vida que deseja e a vida que precisa são a mesma coisa.

Esse livro parece uma versão infantil de Biblioteca da Meia-Noite. A dinâmica é praticamente a mesma, abrir um livro e espiar a vida do "e se" ou pegar a esfera e espiar a vida do "e se". A história de superação do autor me tocou mais que a própria história do livro. Talvez por Serin ser uma adolescente e eu já ser uma velha não senti muita conexão com ela, em alguns momentos eu achei ela muito chata. O final do livro também é bem previsível, viu. E quem leu Biblioteca da Meia-Noite vai conseguir adivinhar de letra assim que passar uns dois ou três capítulos, no fim Serin estava procurando a vida perfeita, uma vida sem problemas, sem tristezas e sem dificuldades e essa vida não existe, nenhum mágico pode proporcionar, é preciso aprender a viver e encontrar felicidade com aquilo que já se tem. Li uma vez e super concordo "Se você não é feliz com o que tem dificilmente vai ser feliz com o que quer" e é verdade. 

Também não estou dizendo que é ruim, não é. Essa é a terceira vez que eu me aventuro em literatura coreana e estou começando a pensar que não me dou bem com esse braço da literatura mundial, eu não desgostei e ele não é muito parado como A Loja de Cartas de Seul, mas esse tom infantil meio que quebrou um pouco a magia da mensagem, claro isso é opinião minha. Mas me entreteve por uns dois dias sim, talvez não tenha me tocado tanto quanto Biblioteca da Meia-Noite, mas é um livro leve, fácil de ler e que até faz você pensar um pouco sobre sua percepção de mundo. Recomendo. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

[Livro] A Biblioteca dos Sonhos Secretos

Original:  お探し物は図書室まで

Autor:  Michiko Aoyama

Ano: 2023

Gênero: Healing Fiction 

Sinopse:  O que você procura?

Essa é a pergunta que a enigmática Sayuri Komachi faz a quem visita a biblioteca do Centro Comunitário de Tóquio em busca de ajuda.

A lista de livros que ela recomenda sempre contém um título inusitado que se torna o agente de uma mudança.

Em cinco histórias independentes que se entrelaçam de maneira sutil, você conhecerá pessoas que estão em momentos diferentes da vida, lidando com situações como a frustração no trabalho, a falta de oportunidades, o medo do fracasso e a vontade de começar de novo.

A Sra. Komachi tem o dom de saber exatamente de qual livro cada visitante precisa para mudar de perspectiva e voltar a alimentar seus sonhos.

Às vezes, as mudanças mais transformadoras não são as mais grandiosas: são aquelas que nos fazem ver a vida – e suas infinitas possibilidades – de uma maneira inteiramente nova.

 

Esse é outro livro antológico que gira em torno de uma biblioteca no centro comunitário do distrito de Hatori no Japão. São cinco histórias envolvendo pessoas que, de alguma forma, estão ligadas a esse distrito e acabam indo parar na biblioteca em um momento que suas vidas estão passando por um momento muito difícil em que eles querem desistir. Uma jovem insatisfeita com seu emprego por não achá-lo útil suficiente e por não ser boa no que faz, um contador que não gosta do que faz e sonha em ter um antiquário, um aposentado que acredita ter perdido a utilidade para a sociedade por não exercer mais nenhuma função, um jovem desempregado que se sente inferior e sem rumo na vida, uma editora de revista que é rebaixada de cargo após o nascimento da sua filha.

Cada um deles chega até a biblioteca do distrito por meios diferentes e acabam encontrando a inexpressiva Sayuri Komachi, a bibliotecária e por alguma razão muitos deles acabam desabafando suas inseguranças com ela que sempre tem uma lista de livros a postos com um título inusitado que não combina com o que eles procuram, mas é exatamente o que eles precisam. Assim, eles vão mudando suas perspectivas sobre suas vidas e suas escolhas enquanto traçam um novo caminho.

O que eu mais gostei foi que nenhuma das histórias tem final. Dá aquela sensação que, por mais que a vida do personagem não tenha se tornado perfeita, estava caminhando para se tornar incrível como podia ser. Ao mesmo tempo, enquanto acompanhamos a trajetória deles em diferentes momentos da vida, vamos olhando para nossas próprias vidas e nos perguntando em que momento nós estamos, onde paramos, que sonhos deixamos para trás por achar que é "tarde demais" ou que "não somos capazes"? E essas reflexões nos acompanham durante a leitura do livro todo. 

A que eu mais me identifiquei foi a do desempregado, ele se comparava muito com o irmão, não via as próprias potencialidades e por mais que quisesse ser útil, não se encaixava em nenhum emprego convencional, além de ter desacreditado na sua habilidade de ser ilustrador como sempre quis. A que mais me incomodou foi a da mulher que engravidou, achei muito injusto o que fizeram com ela e vi quão machista e injusta é a sociedade japonesa com mulheres que decidem ser mães e trabalhar. Ela havia se dedicado de coração à revista, sido responsável por colunas de sucesso, mas foi rebaixada por ter ficado grávida como se ser mãe diminuísse a sua capacidade. Além disso, a vida no casamento criando uma criança pequena me causou aversão, talvez por eu mesma não me ver nessa situação. Dos cinco foi o conto que mais me incomodou.

O livro é muito bom! Recomendo demais a leitura, me tocou de várias formas e me fez refletir sobre muitas coisas, é aquele tipo de livro que faz você querer tirar seus sonhos da gaveta e começar, mesmo do jeito torto e incerto no qual está nesse momento, mas começar. Eu amei e acho que todo mundo devia ler. 

domingo, 24 de maio de 2026

[Livro] O Cavaleiro Preso na Armadura

Original: The Knight in Rusty Armor

Autor: Robert Fisher

Ano:  1987

Sinopse:  O cavaleiro mais corajoso do reino. Um homem sempre pronto para qualquer batalha, disposto a defender sua honra e prestar ajuda a quem precise. Sua armadura lustrosa e imponente era a única imagem que todos enxergam no cavaleiro, até mesmo sua mulher e seu filho. E sua obsessão por essa imagem acaba o distanciando das pessoas que ama e da própria identidade.

Quando percebe que não consegue mais se desvencilhar da armadura, o cavaleiro parte em busca de seu eu esquecido no tempo, perdido nas cruzadas e na frieza dos sentimentos. Percorrendo o Caminho da Verdade, com a ajuda de seus companheiros Esquilo e Rebecca, ele segue rumo ao autoconhecimento, buscando sua verdadeira face há muito tempo escondida e reencontrando um sentimento que havia guardado na armadura por toda a vida.

Uma fábula que continua extremamente atual,  O cavaleiro preso na armadura  narra a dificuldade que muitas vezes temos de nos mostrar exatamente como somos, de baixar nossa guarda e revelar nosso rosto.

Esse é um livro que fala diretamente a todos que se sentem presos aos compromissos e às responsabilidades do mundo moderno, que se distanciaram daqueles que amam e que deixaram de lado seus desejos. É um incentivo a embarcar nos próprios Caminhos da Verdade para entender o porquê desse distanciamento, para assim encontrar uma solução.

 "Percebeu que a armadura realmente o impedia mesmo de sentir muita coisa, e ele a usava há tanto tempo que tinha esquecido como era a vida sem ela."

Um cavaleiro trilhando seu caminho e sempre pronto para novas aventuras, é colocado contra a parede pela esposa e filho para tirar a armadura que vivia usando a ponto de dormir com ela e do filho ter esquecido completamente como era o rosto do pai. A esposa lhe dá um ultimato, ou ele tira a armadura ou ela vai embora com o filho. Porém, quando tenta tirar a armadura, o cavaleiro se descobre preso dentro dela. Nem mesmo a viseira, que antes abria, agora ele consegue levantar.

"Estamos todos presos em algum tipo de armadura. Apenas mais fácil de encontrar é a sua."

Ele parte então para o ferreiro na tentativa de se livrar dela, mas o ferreiro é incapaz de tirá-la e, para seu terror, a armadura sequer lhe permite sentir as pancadas do ferreiro, ele se tornou insensível a tudo. O bobo da corte lhe diz que ele precisa se livrar da armadura para sentir a dor do outro, e a única pessoa capaz de ajudá-lo com isso é o mago Merlin (sim, o do rei Arthur) que vive na floresta.

O cavaleiro vai para a floresta e cavalga dias a esmo em busca de Merlin, mas não encontra sinal, até que o destino o leva até o mago e este diz que para se livrar da armadura ele precisa seguir o caminho da verdade, apenas dessa forma será capaz de sair de dentro da prisão de aço.

"Você é tão medroso — disse Merlin. —  É claro, é por isso que veste essa armadura."

 "Tenho uma mente muito boa — argumentou o cavaleiro."

"Além de muito esperta — acrescentou Merlin. — Ela o aprisionou nessa armadura toda."

 Para conseguir seu propósito, o cavaleiro precisa seguir o caminho da verdade e passar por três castelos: o castelo do silêncio onde vai aprender a ouvir a si mesmo, o castelo do conhecimento onde vai aprender a conhecer a verdade e o castelo da Vontade e da Ousadia onde precisará enfrentar o monstro do medo e da dúvida.

"Há uma outra batalha a ser travada no caminho da verdade. A luta será aprender a amar a si mesmo. [...] Para começar, você tem que aprender a se conhecer."

 Esse livro é uma fábula bem filosófica sobre autoconhecimento. Quem me indicou foi a minha psicóloga e eu gostei muito. Há muitas maneiras de interpretar a armadura do cavaleiro, ela pode ser as mentiras que contamos sobre nós mesmos ou que aceitamos como verdades a partir da maneira como os outros nos veem. Ela pode ser a nossa mente que nos aprisiona e impede de encontrar o nosso verdadeiro eu por causa do medo, da ansiedade e da angústia. Pode ser o personagem que vestimos todos os dias para representar às outras pessoas e, um dia, acaba nos aprisionando sem nos permitir mostrar quem realmente somos. Enfim, há inúmeros simbolismos que podemos aludir à armadura, e só conseguimos nos desprender dela quando passamos pelas duras etapas de aprender a ouvir nosso eu verdadeiro a partir do silêncio profundo, a buscar as verdades de quem somos dentro de nós e não fora, a vencer o medo e a dúvida que nos paralisam.

E não é fácil. Há pessoas com anos de terapia que ainda estão presas dentro de suas armaduras. Eu mesma sou uma delas. O árduo caminho da verdade exige disciplina, coragem, perseverança e a decisão de aprender a cuidar de si mesmo e se encontrar, apenas quando aprendemos a nos amar de verdade somos capazes de estender esse amor aos que estão à nossa volta. Esse é aquele tipo de livro que todo mundo devia ler uma vez na vida. Recomendo demais! 

[Livro] Sanditon

Original: Sanditon

Autor: Jane Austen 

Ano: 1817

Gênero: Romance

Sinopse: Quando Charlotte Heywood, adolescente de 14 anos, é convidada a passar alguns dias na cidade litorânea de Sanditon, ela aceita com entusiasmo. Afinal, é uma ótima oportunidade para em visitar o lugar que está sendo promovido ao status de novo resort da moda para banhos de mar. Uma mudança drástica no cotidiano da cidade e na vida das pessoas está prestes a acontecer...

Já vou começar dizendo que a sinopse do livro é mentirosa, a mulher tem 21 anos, não 14. 

Em uma viagem, o casal Parker acaba sofrendo um acidente com a carruagem e, estando o tornozelo do senhor Parker com problemas, se hospedam na casa da família Heywood. Gratos pela hospitalidade, o casal convida uma das filhas dos Heywood para passar uma temporada em Sanditon, cidade costeira onde residem. A escolhida para a viagem é Charlotte. O senhor Parker faz, durante a viagem, um quadro das principais figuras em Sanditon e sobre a própria família. Quando finalmente chegam, Charlotte é capaz de ver por si mesma as figuras da pequena sociedade costeira e suas novidades.

E sim, é só isso. Como o livro está inacabado, não dá nem pra ter um vislumbre do romance vindouro, praticamente, nas pouco mais de noventa páginas, não acontece nada. Juro. Nada. Como leitora da obra de Jane Austen, posso dizer que esse foi o livro que eu menos vi dela e não digo por estar inacabado, mas pelo pouco apresentado não ser interessante mesmo. Não falo como estudiosa dela, porque não sou, falo como leitora mesmo. Esse tem cara de ser um daqueles livros dela que, se estivesse completo, eu provavelmente não teria gostado muito. Fico imaginando o tanto de linguiça que a série encheu pra fazer 3 temporadas com tão pouco material. 

E é isso. Não me cativou muito. 

 

domingo, 17 de maio de 2026

[Livro] Uma Lenda Japonesa

Autora: Adriana Jungbluth

Páginas: 236

Ano: 2019 

Sinopse: Aileen é uma jovem de dezesseis anos que sempre vê o melhor das pessoas. Após passar a infância na Inglaterra, ela retorna ao Japão no período de decadência dos samurais. Com a ajuda de Ikawa, seu melhor amigo, começa a se adaptar à sua nova vida, até que uma doença misteriosa atinge os moradores da cidade em que vivem. É então que os dois se veem numa jornada em busca da cura.

Durante essa aventura, eles conhecem Nara, cuja saúde é muito frágil, e Kasigi, um samurai que reluta em abandonar os velhos costumes. Juntos, eles terão de enfrentar fome, frio, cansaço e o que mais vier pela frente. E essa batalha será ainda mais dura para Alieen, que tentará descobrir sua origem, lutará para transformar Kasigi na pessoa boa que era e conhecerá o amor de uma forma dolorosa e inesperada.

Quando sua pequena vila é invadida por samurais da família Minowara, Kasigi vê todo o seu mundo ser destruído do dia para a noite, todos são mortos, as casas são incendiadas e apenas ele, uma simples criança, consegue escapar junto da sua melhor amiga doente, Nara. Ele jura se vingar de todos os Minowara que lhe destruíram e embarca em uma jornada de matança. 

Aileen finalmente chega ao Japão após uma cansativa viagem acreditando que está ali apenas para passar as férias e conhecer sua terra natal. Mestiça de um inglês e uma japonesa, foi levada dali quando ainda era bebê e nunca conheceu sua mãe, apenas quando chega ao Japão descobre que, devido ao novo casamento próximo do pai, ele a mandou para morar com seu grande amigo Yuri, um padre que reside na terra do sol nascente. Entristecida, ela se resigna a se adaptar ao novo lar e consegue isso com a ajuda do monge Izu e de seu discípulo o jovem Ikawa. 

Quando uma doença misteriosa se alastra pelo Japão mergulhando as pessoas em um sono comatoso, Ikawa e Aileen são incumbidos de procurar o escolhido, aquele capaz de com seu sacrifício quebrar a maldição antes que ela domine todo o Japão. Eles então embarcam em uma jornada perigosa e desafiadora onde seus destinos se cruzarão com os de Nara e Kasigi.

Eu tenho a política de não falar mal de livros nacionais, então vou tentar me ater ao máximo para ser apenas sincera nessa breve resenha. A história não me encantou. Não sei se eu peguei uma versão anterior do livro ou se foi o próprio enredo que não me agradou mesmo, mas eu nunca demorei tanto para terminar duzentas páginas na minha vida. Os personagens não me cativaram, achei Aileen um porre, a tentativa de romance não me prendeu e olha que eu sou uma cadelinha de romance, achei que faltou um pouco mais de desenvolvimento dos personagens e, acima de tudo, mais equilíbrio dentro da narrativa, tinha horas que ela era arrastada demais e em outros momentos apressada. Apenas não funcionou comigo e o que me fez chegar até o fim é que ele é muito bem escrito, alguns errinhos que escaparam na revisão, mas acontece, no geral é bem escrito e embora haja esforço em mostrar a cultura japonesa, achei que faltou um pouco nisso também, a autora usa mais da geografia que da cultura do país. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

[Livro] Helena

 Autor: Machado de Assis

Ano: 1876

Gênero: ficção

Sinopse:  No romance, a protagonista de origens humildes é reconhecida em testamento como filha e herdeira do conselheiro Vale, um homem importante da elite carioca do Segundo Império. Após o espólio do pai vir à tona, Helena passa a viver na mansão da família do Vale com uma tia e Estácio, filho legítimo do conselheiro. Estácio não apenas aceita a meia-irmã como lhe devota um profundo e crescente carinho, por ela correspondido. Ao drama de incesto abordado por Machado no romance, soma-se ainda o tema das conflituosas relações de classe no Brasil do século XIX, coroados por um final surpreendente.

 Quando o testamento do conselheiro Vale é lido, ele lega parte de seus bens a uma filha que, até então, ninguém da sua família tinha conhecimento. A revelação provoca em sua irmã, D. Úrsula, uma forte repulsa. Enquanto Estácio, filho do conselheiro, embora fique em dúvida, aceita a nova irmã com esperanças. A chegada de Helena na casa é dividida. Enquanto encontra resistência por parte da tia, acha receptividade por parte do irmão.

A docilidade da moça e sua prestatividade vão lentamente conquistando todos que a conhecem, Helena é bem educada, tem maneiras finas e um coração jovial e caloroso além de uma inteligência aguçada. Conforme ela conquista as graças da tia, a afeição do irmão é cada vez mais crescente. Contudo, a aproximação com Estácio traz novas sutilezas que findam por superproteção e atenção demasiada, a moça insiste no casamento do irmão que parece já em dúvidas acerca do compromisso. 

Contudo, verdades difíceis vêm a tona e prometem mudar para sempre o rumo das coisas. A permanência de Helena no seio familiar dos Vale fica ameaçada assim como sua proximidade com Estácio também começa a mudar. A lei, contudo, assim como a moral da sociedade, dita as regras do convívio e não vai permitir que alguns alcancem o final feliz que desejam.

Li esse livro na escola pela primeira vez e lembro que fiquei frustrada com o final. Mas não lembrava quase nada da história, na revisita, o texto pareceu um pouco difícil de acessar, ao contrário de Iaiá Garcia que eu também peguei o texto integral, mas não tive tanta dificuldade. Esse pareceu a mim um romance bem cru, mais ou menos como foi Persuasão, de Jane Austen. Não havia pretensões nem muitas sutilezas aqui, ele só queria escrever um romance mesmo com um final bem inusitado. Gostei do final? Não. Mas entendi, dadas as circunstâncias não poderia ser diferente, era isso ou a vergonha social e mais do que hoje, naquela época aparência era tudo. O povo vivia em função de fazer fofoca. Hoje não é muito diferente, claro, mas acho que antes era pior. No cenário, o fim trágico foi a melhor solução. Embora eu tivesse preferido a vergonha social. Não foi uma revisita muito agradável, ainda prefiro Iaiá Garcia, mas foi interessante ler de novo depois de tanto tempo com uma mentalidade mais formada. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

[Livro] Cartas de uma fã desesperada

 Autor: Julia Braga

Ano: 2020

Páginas: 87

Sinopse:  Convencida de que o cantor Athos Pascal é sua alma gêmea, Bianca resolve mandar uma carta apaixonada para ele. Para sua surpresa, recebe uma resposta muito intrigante.

 É uma história muito curta, então não vou poder falar muito. Bianca escreve para o ídolo que ela conheceu depois que a amiga lhe arrastou para um show. Em sua carta, ela é muito sincera e abre o coração para ele, mas acaba recebendo uma resposta que não parece nada ser de Athos. Curiosa, ela responde de volta e acaba descobrindo se tratar de um estagiário dele chamado Felipe. Os dois continuam se correspondendo e nasce uma amizade improvável.

É aquele tipo de história bem clichê e previsível, mas fofinha, do tipo que pessoas como eu adoram. Não dá pra descobrir muito sobre os personagens porque é um conto bem curto, do tipo que a gente lê numa sentada. Eu gostei, deu pra me distrair. E o Felipe parecer o Jung Hae In foi a única forçação de barra em tudo isso hahahaha. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

[Livro] O Conde de Monte Cristo - TOMO 3

 Original: Le Comte de Monte-Cristo

Ano: 1844 a 1846

Gênero:  romance de aventura

Sinopse:  Um dos maiores clássicos da literatura francesa há mais de 150 anos, “O conde de Monte-Cristo” gira em torno de Edmond Dantè, que é preso por um crime que não cometeu. Ao sair da prisão, Edmond vai à busca de vingança contra seus inimigos. Uma trama repleta de reviravoltas dignas de um jogo de xadrez.

 É aqui que a vingança começa de verdade. 

O terceiro tomo continua a partir do final do segundo e vemos os primeiros movimentos de Edmond contra seus inimigos. Ele ataca onde dói mais e é meticuloso ao ponto de mal percebermos que é ele que está movimentando o jogo em torno dos personagens. O primeiro a pagar a sentença é Caderouse, que é traído pelo colega de cela, Benedetto, e acaba indo roubar a casa do conde, mas é pego por ele sob o disfarce de Abade Busoni. O julgamento de Caderouse é rápido e certeiro e o conde ainda usa isso como ponte para atingir seu próximo alvo: Villefort. Enquanto isso não acontece, ele lida com Danglars e com Morcef. O primeiro a cair é Morcef que tem seu passado exposto no jornal e, quando tenta provar na câmara dos pares que é inocente, Haydee aparece para destruí-lo por completo. O segundo a cair é Danglars, o auge do banqueiro declina por completo com uma sucessão de falhas que o leva a falência. Monte Cristo o segue até sua rota de fuga e o deixa completamente depenado.

O último a cair é Villefort. Com esse a sucessão de tragédias é mais lenta e encadeada. Em especial porque envolve Valentine, uma das subtramas do romance. A queda dele é lenta, gradual e tão cruel quanto as outras, se bem que achei o fim dele muito fácil. Dos três Danglars foi o único que eu achei que se safou de certa forma, ele faliu, mas ainda saiu até que bem no fim das contas e essa foi uma das coisas que me deixou desapontada no livro. A segunda coisa foi o final, eu esperava bem mais, confesso, depois de toda a vingança ver Monte Cristo no topo era o mínimo, até pensei que ele podia dar outra chance pra Mercedes, mas depois do que aconteceu compreendo que não daria mais certo. Mas a impressão que eu tive foi que ele perdeu o rumo depois de se vingar, como se nada mais fizesse sentido pra ele, isso me deixou frustrada.

Ainda assim foi um dos melhores livros que já li, ele merece a fama que tem. Há várias subtramas que são fechadas, embora o futuro de alguns não fique claro e seja deixado a cargo da nossa imaginação. O narrador é um caso a parte, esse livro inteiro é uma aula de narrativa. Eu gostei demais. 

domingo, 19 de abril de 2026

[Livro] O Conde de Monte Cristo Tomo 2

 Original: Le Comte de Monte-Cristo

Autor: Alexandre Dumas

Ano:  entre 1844 e 1846

Gênero: romance de aventura

Sinopse:  Um dos maiores clássicos da literatura francesa há mais de 150 anos, “O conde de Monte-Cristo” gira em torno de Edmond Dantè, que é preso por um crime que não cometeu. Ao sair da prisão, Edmond vai à busca de vingança contra seus inimigos. Uma trama repleta de reviravoltas dignas de um jogo de xadrez. 

 Instalado em um palacete num bairro nobre de Paris, Monte Cristo finalmente chega à França e vai dar a seu amigo Albert, visconde de Morcef, a alegria de sua promessa feita na Itália meses atrás. Aos poucos, Monte Cristo é inserido na alta sociedade parisiense, revê os amigos de Albert e conhece, pela primeira vez, seus pais de quem recebe eterna gratidão. Revendo seus velhos inimigos, Edmond inicia sua trilha de vingança sutil e pacientemente, sondando seus traidores, se inteirando de suas vidas e de seus segredos e começando os primeiros passos de sua retaliação.

O livro ainda traz subtramas que, de início, não parecem fazer muito sentido, mas depois se encaixam com perfeição, é recheado de voltas no passado de outros personagens e, sinceramente, aconselho a quem for ler que leia os tomos em sequência, não passe muito tempo entre um e outro, eu mesmo levei dois anos de hiatus entre o primeiro e o segundo tomo, tive dificuldade de lembrar todos os personagens e reconhecer todos os inimigos logo de cara. Levou umas duzentas páginas pra me reiterar na história. 

Esse segundo tomo não traz grandes acontecimentos, é um arco mais preparatório, acredito que a vingança em si ocorrerá no terceiro tomo onde Monte Cristo vai começar a atacar efetivamente seus inimigos embora ainda nesse tomo 2 ele tenha causados certos estragos com um segredo de Villefort envolvendo Danglars, mas, ainda assim, não foi uma vingança direta, foi mais um ataque preventivo. E isso já acendeu as suspeitas de Villefort, claro, que ainda não sabe se Monte Cristo é amigo ou inimigo e começou a investigá-lo. E, devo dizer, Edmond aprendeu muito mais que ciência e literatura com o abade Faria, o homem é um gênio dos disfarces e um mentiroso de primeira categoria.

Embora não tenha sido um arco de grandes avanços, confesso que foi bem instigante. Estou amando muito essa história.