domingo, 24 de maio de 2026

[Drama] Veil of Shadows

 Original: 月鳞绮纪

 Roteirista e Diretor: Edward Guo

Gêneros: Romance, Wuxia, Fantasia 

 País: China

Episódios: 29

Ano: 2026

Sinopse:  Lu Wu Yi, a mais jovem raposa de nove caudas da organização Wu Xiang Yue, está em uma missão para encontrar o grande demônio, Xiao Wei. Disfarçada de padre, ela entra na Mansão Wei em Luo'an e descobre que outros também estão caçando Xiao Wei. Entre eles estão Wu Shi Guang, um demônio vingativo; Wu Wang Yan, sua astuta irmã de nove rapés; e Ji Ling, um padre de aparência inocente com um passado misterioso. Todos eles buscam o poder da Deidade Dragão, mas seus motivos variam: alguns querem proteger, outros para matar. À medida que navegam em batalhas, amizades e romance, enfrentam obstáculos e fazem sacrifícios para proteger a paz e mudar seus destinos.

 Para derrotar o temível demônio Jiu Ying, duas raposas de nove caldas se unem a um deus dragão, um caçador de demônios e um guardião em busca da origem do mal que se desencadeou no mundo a partir da queda de uma estrela cadente e dos fragmentos perdidos do poder do dragão. Enquanto vão e voltam no tempo, eles lutam contra as forças das trevas que ameaçam a humanidade enquanto tentam se manter unidos pelos sentimentos que desenvolveram uns pelos outros.

Eu sei que falando assim parece bem simplista, o drama na verdade é bem mais complexo que isso. Só as linhas temporais são suficientes pra dar um nó na cabeça, mas eu não quero me deter a detalhes do enredo porque, sendo bem franca, eu me decepcionei um pouco. Quando esse drama foi anunciado todo mundo tinha altas expectativas especialmente porque os efeitos especiais estavam de encher os olhos e eu, como boa parte, também criei minhas expectativas a respeito e esperei finalizar para poder ver. Só não me atentei ao detalhe que ele era escrito e dirigido por Guo Jingming, o mesmo autor de Ice Fantasy. E só quem leu essa novel sabe do que eu tô falando.

Bato palmas para os efeitos especiais, estão muito bons, alguns foram de encher os olhos mesmo, a coreografia das lutas foi fantástica, o figurino é belíssimo, mas em matéria de enredo mesmo eu achei muita complicação pra pouca história. Se teve um personagem que saltou da tela foi o Ji Ling, a história dele foi maravilhosamente construída e fez a gente passar pano bonito pro personagem, quando eles ficam presos na linha temporal do passado embora a história de Wu Shiguang tenha sido bonita, não chegou a ser tão tocante quanto a de Ji Ling, ela serviu mais pra aproximar o casal protagonista que qualquer outra coisa. Inclusive, falando em casa, Ji Ling e Lu Wuyi ofuscaram completamente o outro casal. E assim, quando Jiu Ying foi "derrotado" faltando três capítulos pra terminar, eu fiquei desconfiada e não foi pra menos, achei putamente desnecessário fazer aquilo.

O final me deixou dividida. Não foi um final ruim exatamente, mas de algum modo foi meio triste porque embora todo mundo continue vivo, só Wu Shiguang manteve as memórias, todo mundo esqueceu tudo. E com todas aquelas idas e vindas no tempo, nem dá pra ter certeza que aquela era a linha do tempo certa mesmo. O final de Lu Wuyi e Ji Ling foi agridoce, se em parte eles conseguiram se livrar do fardo que carregavam, por outro lado além de não explicar direito como aquilo foi possível ficou meio parecido com o final de Fallen, eu fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Não sei bem como me sinto depois dessa jornada de vinte e nove episódios, não estou com ressaca do drama e, ao mesmo tempo, queria que as coisas tivessem terminado diferente. Mas, não é ruim de verdade. Eu arriscaria recomendar. 

[Livro] O Cavaleiro Preso na Armadura

Original: The Knight in Rusty Armor

Autor: Robert Fisher

Ano:  1987

Sinopse:  O cavaleiro mais corajoso do reino. Um homem sempre pronto para qualquer batalha, disposto a defender sua honra e prestar ajuda a quem precise. Sua armadura lustrosa e imponente era a única imagem que todos enxergam no cavaleiro, até mesmo sua mulher e seu filho. E sua obsessão por essa imagem acaba o distanciando das pessoas que ama e da própria identidade.

Quando percebe que não consegue mais se desvencilhar da armadura, o cavaleiro parte em busca de seu eu esquecido no tempo, perdido nas cruzadas e na frieza dos sentimentos. Percorrendo o Caminho da Verdade, com a ajuda de seus companheiros Esquilo e Rebecca, ele segue rumo ao autoconhecimento, buscando sua verdadeira face há muito tempo escondida e reencontrando um sentimento que havia guardado na armadura por toda a vida.

Uma fábula que continua extremamente atual,  O cavaleiro preso na armadura  narra a dificuldade que muitas vezes temos de nos mostrar exatamente como somos, de baixar nossa guarda e revelar nosso rosto.

Esse é um livro que fala diretamente a todos que se sentem presos aos compromissos e às responsabilidades do mundo moderno, que se distanciaram daqueles que amam e que deixaram de lado seus desejos. É um incentivo a embarcar nos próprios Caminhos da Verdade para entender o porquê desse distanciamento, para assim encontrar uma solução.

 "Percebeu que a armadura realmente o impedia mesmo de sentir muita coisa, e ele a usava há tanto tempo que tinha esquecido como era a vida sem ela."

Um cavaleiro trilhando seu caminho e sempre pronto para novas aventuras, é colocado contra a parede pela esposa e filho para tirar a armadura que vivia usando a ponto de dormir com ela e do filho ter esquecido completamente como era o rosto do pai. A esposa lhe dá um ultimato, ou ele tira a armadura ou ela vai embora com o filho. Porém, quando tenta tirar a armadura, o cavaleiro se descobre preso dentro dela. Nem mesmo a viseira, que antes abria, agora ele consegue levantar.

"Estamos todos presos em algum tipo de armadura. Apenas mais fácil de encontrar é a sua."

Ele parte então para o ferreiro na tentativa de se livrar dela, mas o ferreiro é incapaz de tirá-la e, para seu terror, a armadura sequer lhe permite sentir as pancadas do ferreiro, ele se tornou insensível a tudo. O bobo da corte lhe diz que ele precisa se livrar da armadura para sentir a dor do outro, e a única pessoa capaz de ajudá-lo com isso é o mago Merlin (sim, o do rei Arthur) que vive na floresta.

O cavaleiro vai para a floresta e cavalga dias a esmo em busca de Merlin, mas não encontra sinal, até que o destino o leva até o mago e este diz que para se livrar da armadura ele precisa seguir o caminho da verdade, apenas dessa forma será capaz de sair de dentro da prisão de aço.

"Você é tão medroso — disse Merlin. —  É claro, é por isso que veste essa armadura."

 "Tenho uma mente muito boa — argumentou o cavaleiro."

"Além de muito esperta — acrescentou Merlin. — Ela o aprisionou nessa armadura toda."

 Para conseguir seu propósito, o cavaleiro precisa seguir o caminho da verdade e passar por três castelos: o castelo do silêncio onde vai aprender a ouvir a si mesmo, o castelo do conhecimento onde vai aprender a conhecer a verdade e o castelo da Vontade e da Ousadia onde precisará enfrentar o monstro do medo e da dúvida.

"Há uma outra batalha a ser travada no caminho da verdade. A luta será aprender a amar a si mesmo. [...] Para começar, você tem que aprender a se conhecer."

 Esse livro é uma fábula bem filosófica sobre autoconhecimento. Quem me indicou foi a minha psicóloga e eu gostei muito. Há muitas maneiras de interpretar a armadura do cavaleiro, ela pode ser as mentiras que contamos sobre nós mesmos ou que aceitamos como verdades a partir da maneira como os outros nos veem. Ela pode ser a nossa mente que nos aprisiona e impede de encontrar o nosso verdadeiro eu por causa do medo, da ansiedade e da angústia. Pode ser o personagem que vestimos todos os dias para representar às outras pessoas e, um dia, acaba nos aprisionando sem nos permitir mostrar quem realmente somos. Enfim, há inúmeros simbolismos que podemos aludir à armadura, e só conseguimos nos desprender dela quando passamos pelas duras etapas de aprender a ouvir nosso eu verdadeiro a partir do silêncio profundo, a buscar as verdades de quem somos dentro de nós e não fora, a vencer o medo e a dúvida que nos paralisam.

E não é fácil. Há pessoas com anos de terapia que ainda estão presas dentro de suas armaduras. Eu mesma sou uma delas. O árduo caminho da verdade exige disciplina, coragem, perseverança e a decisão de aprender a cuidar de si mesmo e se encontrar, apenas quando aprendemos a nos amar de verdade somos capazes de estender esse amor aos que estão à nossa volta. Esse é aquele tipo de livro que todo mundo devia ler uma vez na vida. Recomendo demais! 

[Livro] Sanditon

Original: Sanditon

Autor: Jane Austen 

Ano: 1817

Gênero: Romance

Sinopse: Quando Charlotte Heywood, adolescente de 14 anos, é convidada a passar alguns dias na cidade litorânea de Sanditon, ela aceita com entusiasmo. Afinal, é uma ótima oportunidade para em visitar o lugar que está sendo promovido ao status de novo resort da moda para banhos de mar. Uma mudança drástica no cotidiano da cidade e na vida das pessoas está prestes a acontecer...

Já vou começar dizendo que a sinopse do livro é mentirosa, a mulher tem 21 anos, não 14. 

Em uma viagem, o casal Parker acaba sofrendo um acidente com a carruagem e, estando o tornozelo do senhor Parker com problemas, se hospedam na casa da família Heywood. Gratos pela hospitalidade, o casal convida uma das filhas dos Heywood para passar uma temporada em Sanditon, cidade costeira onde residem. A escolhida para a viagem é Charlotte. O senhor Parker faz, durante a viagem, um quadro das principais figuras em Sanditon e sobre a própria família. Quando finalmente chegam, Charlotte é capaz de ver por si mesma as figuras da pequena sociedade costeira e suas novidades.

E sim, é só isso. Como o livro está inacabado, não dá nem pra ter um vislumbre do romance vindouro, praticamente, nas pouco mais de noventa páginas, não acontece nada. Juro. Nada. Como leitora da obra de Jane Austen, posso dizer que esse foi o livro que eu menos vi dela e não digo por estar inacabado, mas pelo pouco apresentado não ser interessante mesmo. Não falo como estudiosa dela, porque não sou, falo como leitora mesmo. Esse tem cara de ser um daqueles livros dela que, se estivesse completo, eu provavelmente não teria gostado muito. Fico imaginando o tanto de linguiça que a série encheu pra fazer 3 temporadas com tão pouco material. 

E é isso. Não me cativou muito. 

 

domingo, 17 de maio de 2026

[Livro] Uma Lenda Japonesa

Autora: Adriana Jungbluth

Páginas: 236

Ano: 2019 

Sinopse: Aileen é uma jovem de dezesseis anos que sempre vê o melhor das pessoas. Após passar a infância na Inglaterra, ela retorna ao Japão no período de decadência dos samurais. Com a ajuda de Ikawa, seu melhor amigo, começa a se adaptar à sua nova vida, até que uma doença misteriosa atinge os moradores da cidade em que vivem. É então que os dois se veem numa jornada em busca da cura.

Durante essa aventura, eles conhecem Nara, cuja saúde é muito frágil, e Kasigi, um samurai que reluta em abandonar os velhos costumes. Juntos, eles terão de enfrentar fome, frio, cansaço e o que mais vier pela frente. E essa batalha será ainda mais dura para Alieen, que tentará descobrir sua origem, lutará para transformar Kasigi na pessoa boa que era e conhecerá o amor de uma forma dolorosa e inesperada.

Quando sua pequena vila é invadida por samurais da família Minowara, Kasigi vê todo o seu mundo ser destruído do dia para a noite, todos são mortos, as casas são incendiadas e apenas ele, uma simples criança, consegue escapar junto da sua melhor amiga doente, Nara. Ele jura se vingar de todos os Minowara que lhe destruíram e embarca em uma jornada de matança. 

Aileen finalmente chega ao Japão após uma cansativa viagem acreditando que está ali apenas para passar as férias e conhecer sua terra natal. Mestiça de um inglês e uma japonesa, foi levada dali quando ainda era bebê e nunca conheceu sua mãe, apenas quando chega ao Japão descobre que, devido ao novo casamento próximo do pai, ele a mandou para morar com seu grande amigo Yuri, um padre que reside na terra do sol nascente. Entristecida, ela se resigna a se adaptar ao novo lar e consegue isso com a ajuda do monge Izu e de seu discípulo o jovem Ikawa. 

Quando uma doença misteriosa se alastra pelo Japão mergulhando as pessoas em um sono comatoso, Ikawa e Aileen são incumbidos de procurar o escolhido, aquele capaz de com seu sacrifício quebrar a maldição antes que ela domine todo o Japão. Eles então embarcam em uma jornada perigosa e desafiadora onde seus destinos se cruzarão com os de Nara e Kasigi.

Eu tenho a política de não falar mal de livros nacionais, então vou tentar me ater ao máximo para ser apenas sincera nessa breve resenha. A história não me encantou. Não sei se eu peguei uma versão anterior do livro ou se foi o próprio enredo que não me agradou mesmo, mas eu nunca demorei tanto para terminar duzentas páginas na minha vida. Os personagens não me cativaram, achei Aileen um porre, a tentativa de romance não me prendeu e olha que eu sou uma cadelinha de romance, achei que faltou um pouco mais de desenvolvimento dos personagens e, acima de tudo, mais equilíbrio dentro da narrativa, tinha horas que ela era arrastada demais e em outros momentos apressada. Apenas não funcionou comigo e o que me fez chegar até o fim é que ele é muito bem escrito, alguns errinhos que escaparam na revisão, mas acontece, no geral é bem escrito e embora haja esforço em mostrar a cultura japonesa, achei que faltou um pouco nisso também, a autora usa mais da geografia que da cultura do país. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

[Livro] Helena

 Autor: Machado de Assis

Ano: 1876

Gênero: ficção

Sinopse:  No romance, a protagonista de origens humildes é reconhecida em testamento como filha e herdeira do conselheiro Vale, um homem importante da elite carioca do Segundo Império. Após o espólio do pai vir à tona, Helena passa a viver na mansão da família do Vale com uma tia e Estácio, filho legítimo do conselheiro. Estácio não apenas aceita a meia-irmã como lhe devota um profundo e crescente carinho, por ela correspondido. Ao drama de incesto abordado por Machado no romance, soma-se ainda o tema das conflituosas relações de classe no Brasil do século XIX, coroados por um final surpreendente.

 Quando o testamento do conselheiro Vale é lido, ele lega parte de seus bens a uma filha que, até então, ninguém da sua família tinha conhecimento. A revelação provoca em sua irmã, D. Úrsula, uma forte repulsa. Enquanto Estácio, filho do conselheiro, embora fique em dúvida, aceita a nova irmã com esperanças. A chegada de Helena na casa é dividida. Enquanto encontra resistência por parte da tia, acha receptividade por parte do irmão.

A docilidade da moça e sua prestatividade vão lentamente conquistando todos que a conhecem, Helena é bem educada, tem maneiras finas e um coração jovial e caloroso além de uma inteligência aguçada. Conforme ela conquista as graças da tia, a afeição do irmão é cada vez mais crescente. Contudo, a aproximação com Estácio traz novas sutilezas que findam por superproteção e atenção demasiada, a moça insiste no casamento do irmão que parece já em dúvidas acerca do compromisso. 

Contudo, verdades difíceis vêm a tona e prometem mudar para sempre o rumo das coisas. A permanência de Helena no seio familiar dos Vale fica ameaçada assim como sua proximidade com Estácio também começa a mudar. A lei, contudo, assim como a moral da sociedade, dita as regras do convívio e não vai permitir que alguns alcancem o final feliz que desejam.

Li esse livro na escola pela primeira vez e lembro que fiquei frustrada com o final. Mas não lembrava quase nada da história, na revisita, o texto pareceu um pouco difícil de acessar, ao contrário de Iaiá Garcia que eu também peguei o texto integral, mas não tive tanta dificuldade. Esse pareceu a mim um romance bem cru, mais ou menos como foi Persuasão, de Jane Austen. Não havia pretensões nem muitas sutilezas aqui, ele só queria escrever um romance mesmo com um final bem inusitado. Gostei do final? Não. Mas entendi, dadas as circunstâncias não poderia ser diferente, era isso ou a vergonha social e mais do que hoje, naquela época aparência era tudo. O povo vivia em função de fazer fofoca. Hoje não é muito diferente, claro, mas acho que antes era pior. No cenário, o fim trágico foi a melhor solução. Embora eu tivesse preferido a vergonha social. Não foi uma revisita muito agradável, ainda prefiro Iaiá Garcia, mas foi interessante ler de novo depois de tanto tempo com uma mentalidade mais formada.