domingo, 17 de novembro de 2019

[Anime] Rakshasa Street

Original: 镇魂街 Zhèn hún jiē
Direção: Hengyu Lu, Shujie Li
Ano: 2016
País: China
Gênero: Ação, Aventura, Drama, Fantasia

Sinopse: A Rua Réquiem é um local onde espíritos malignos e humanos coexistem. Mas nem todas as pessoas podem adentrar seus limites, apenas aqueles portadores de uma alma rara, os denominados guardiões. Xia Ling era uma recém-graduada a procura de emprego, mas uma noite ela recebeu uma misteriosa mensagem para comparecer a uma entrevista naquele lugar e o que seria uma simples reunião por acaso muda sua vida por completo.

Queria saber o problema dos chineses com histórias felizes. Meu Deus! Quando eu vi o drama desse anime, não imaginava nem de perto que a história era tão triste desse jeito...

O plot é praticamente o mesmo do dorama você pode ler mais informações AQUI, mas o anime oferece uma visão mais restritiva não apenas do início da jornada de Xia Ling, mas nos dá um pano de fundo de Cao Yan Bin e seu irmão Cao Xuan Liang, a dura trajetória deles depois que a rua Requiem é tomada por um cruel e sádico novo general, com os pais mortos eles se veem expulsos de casa, vendidos e, por Xuan Liang não ser um guardião de espírito ele é descartado enquanto Yan Bin faz de tudo para manter o irmão mais novo seguro. Paralelo a esse passado, vamos acompanhando o não progresso de Xia Ling que não consegue alcançar seu espírito guardião enquanto é caçada por uma organização criminosa que quer capturá-la.

Como o dorama saiu depois do anime, acho que funciona como um complemento, já que o drama faz um apanhado por algo dos eventos do anime, mas pelo que me lembro deixa a história dos irmãos de fora além de que o drama tem muitos personagens que não aparecem no anime. Mas achei o anime muito mais triste, a história dos irmãos e especialmente a puta descoberta no final quase me levaram às lágrimas! Nunca poderia imaginar algo daquele tipo. Os episódios são muito curtinhos, coisa de doze a quinze minutos, termina antes que a gente se empolgue hahaha. 

É isso gente, não tem muito o que dizer porque é muito curtinho e se você leu a resenha do drama conhece a história, a diferença principal é que o anime se concentra mais na história dos irmãos Cao e no começo da jornada de Xia Ling enquanto o drama vai um pouco mais além. E o anime é muito mais triste, com menos comédia e mais violência. Outra coisa que vale dizer é que a trilha sonora do anime é muito boa!

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

[Livro] Favela Gótica

Autor: Fábio Shiva
ISBN: 978-85-53052-07-3
Ano: 2019
Páginas: 169 (ebook) 276 (físico)
Gênero: Distopia, fantasia

Sinopse: Bem-vindos a uma realidade alternativa, onde a monstruosidade cotidiana da cidade grande é revelada em toda a sua crueza e crueldade. Um lugar onde os policiais se transformam em lobos quando a noite cai, onde os políticos são vampiros centenários e os viciados são zumbis, dominados por uma droga que provoca o irresistível desejo de comer cérebros. Uma metrópole infestada de criaturas sinistras: ogros, gárgulas, vermes do pântano, endemoniados e seres bestiais acometidos pelo Mal de Circe, que faz vir à tona o lado animal de cada um.

É nesse dantesco cenário que vamos encontrar Liana, uma jovem zumbi em sua árdua jornada das trevas da ignorância para a luz do autoconhecimento. Nessa aventura, ela precisa enfrentar os monstros externos e internos se quiser conquistar o grande prêmio: descobrir sua verdadeira natureza; e, assim, cumprir sua missão. Tudo isso em meio a uma trama de assassinato, perseguição e muitas reviravoltas, que envolvem misteriosos seres interdimensionais e um asteroide em rota de colisão com a Terra.
Uma história onde a fantasia é tão apavorante que chega a se confundir com a mais pura realidade.



Essa será, provavelmente, uma das resenhas mais difíceis que já escrevi. Peço desde já desculpa ao autor caso minha sinceridade nas palavras o magoe de alguma forma. Tal como aconteceu com Os Cinco do Ciclo, fui convidada pelo próprio Fábio Shiva a ler sua mais recente obra Favela Gótica, como minha meta de leitura anual estava estabelecida esperei uma brecha para colocá-lo na lista de prioridades e eis que consegui vaga neste mês de novembro. Confesso que, no que me diz respeito, a história deste livro não funcionou por vários fatores e acredito que o principal deles seja o fato de eu não ser muito aberta a distopias. Ainda assim, não estou dizendo de nenhum modo que o livro é ruim, apenas a temática não me agrada muito, contudo vale salientar que, até certo ponto, é um livro necessário em especial na atual situação política e social do nosso país.

"É um lugar abarrotado de indivíduos, que só por zombaria poderia ser chamado de comunidade. As relações humanas são baseadas na competição e na desconfiança."

O enredo nos transporta para uma sociedade desigual com criaturas analógicas que referenciam setores da nossa sociedade em uma alegoria de fatos intrincados que culminam praticamente numa crítica/sátira religiosa. Acompanhamos Liana, uma jovem ali pelos 18, 19 anos que vive numa cabana decrépita com mais alguns "amigos" que partilham do seu vício pelo composto Z (Z-SDA ou zaserdopradre) uma droga poderosa e letal que em seu estágio final transforma o usuário em zumbi (literalmente falando). Ela vive com esses amigos na favela que é comandada pelos crocodilos (ou jacarés não sei bem) que comandam a distribuição de Z pela região. Liana, ou Lica como é chamada, dança em uma casa de striptease e se  prostitui na orla para conseguir dinheiro e comprar droga, no início do livro ela está na fase inicial do vício.

Quando um jovem rico aparece na cabana acompanhado de Tio Biu, o que parece ser o "líder" da "família", atrás de comprar maconha (que ele trata por massa e eu fiquei voando um bom tempo até o autor finalmente dizer que era maconha) o homem faz todo um teatro com Liana para tirar dinheiro dele, contudo o tiro sai pela culatra e o garoto acaba morto por uma das usuárias de Z em estado avançado do vício que come o cérebro dele após rachar-lhe o crânio. Apavorada com a cena, Liana sai correndo da cabana e vai na direção do Cinema Orxxxx onde faz striptease em troca de dinheiro e enquanto isso acontece vamos conhecendo um pouco mais das criaturas alegóricas criadas pelo autor.

"Mesmo a pior monstruosidade acaba tornando-se banal depois de ser repetida à exaustão. (...) Ser normal é só a maneira mais ordinária de ser monstruoso."

Após conseguir o dinheiro da droga ela acaba sendo atacada, junto de outra dançarina do cinema, por um grupo de jovens que joga ácido na outra dançaria, Priscila, e espanca Liana até ela ficar quase incapaz de se mexer e a teriam matado não fosse a chegada da polícia, aqui chamados de Lobos (literalmente lobisomens). Liana consegue escapar, mas a polícia e os chamados Cinzentos estão na cabana onde ela mora, mataram os demais moradores, um conseguiu fugir e ela foi traída pelo único que restou: tio Biu. Fugindo em busca do comandante da favela, ela consegue escapar por um triz, seguindo para fora da cidade e seguindo a jornada para descobrir mais sobre os fantasmas e a si mesma no que pode ser a chave para salvar o mundo.

Vou me abster de falar muito sobre a história porque ela não é muito grande e embora os capítulos sejam bem longos em sua maior parte, posso acabar soltando alguns spoiler sem querer na minha mania de falar demais. Uma das coisas que me pegou desprevenida nesse livro foi a linguagem bem crua utilizada, às vezes Shiva usava uma mescla da lírica clássica com o coloquialismo que não dava um contraste muito interessante, muitas gírias da favela que, por não conhecer o mundo, me deixavam meio à paisana levando tempo até entender o que ele queria dizer ou passando sem entender mesmo. A forma como o livro foi montado também me causou estranheza, ele parecia um artigo científico, os tais "registros akashicos" ficavam no meio da narrativa como uma citação que apesar de servir como um elemento explanador para o contexto da história, ficava meio que à deriva no enredo. Acho que ele poderia ter sido colocado como um glossário no começo ou fim do livro ou então ter sido incorporado à narrativa de uma forma mais dinâmica de modo a fazer parte da história e não como um apêndice no meio do livro.

Gostei da maneira como ele usou analogias para representar os principais problemas enfrentados pela sociedade brasileira, a triste decadência dos usuários de droga e como a desigualdade social e a corrupção alimentam a marginalidade que se espalha como um câncer pelo país, o fato de políticos serem representados por um vampiro não poderia ter sido mais inteligente e bem colocado. Contudo, o enredo acaba desembocando numa espécie de ficção científica distópica que na minha concepção não encaixou muito bem com o que foi apresentado na primeira parte da história, mas fez sentido é o que importa. O livro tem um ar de filosofia que pode acabar soando como doutrinária ainda que não seja, creio eu, a intenção do autor, mas a crítica religiosa presente no livro, especialmente o ar satírico utilizado, não me agradou muito, acredito que haja maneiras menos agressivas de se fazer uso da crítica ou do contraponto, como Elias Flamel fez muito bem em seu livro Os Cinco dos Ciclo

Isso pode soar como um spoiler então pule esse parágrafo só por precaução. *De início essas críticas ou contrapontos ficam aparecendo de forma sutil, são mais nítidas na parte das freiras e seu ritual macabro e erótico. Culminam, é claro, no final do livro com o parto de Liana no que seria as sombras que salvariam o mundo do impacto com o corpo celestial que destruiria a terra.* Como autora sei que a literatura é desvinculada de crenças ou mesmo dos grilhões do que temos por real, mas também acredito que existam formas de utilizar os recursos de expressão ideológica sem ferir a crença de ninguém. Contudo, isso é apenas minha opinião.

O livro é pertinente, como já falei, bem escrito e cumpre seu papel. Não foi, infelizmente, prazeroso para mim, mas isso acontece, nem sempre os livros se comunicam com todo mundo. Acho que não faço parte do público alvo do autor, mas foi bom conhecer mais essa voz da literatura brasileira e, no fim, sou das que acredita que toda leitura vale a pena, mesmo as que não gostamos muito nos acrescentam alguma coisa. Desejo muito sucesso para o autor e dou-lhe os parabéns pelo mérito de uma obra tão atual e pautada na nossa realidade mais urgente, além da metáfora analógica usada de modo brilhante (porque não há outra maneira de colocar isso além de brilhante) no enredo. E minhas desculpas pelo fato de não ter apreciado tanto quanto possivelmente esperava.

"Por pior que seja a notícia, se ela for repetida por tempo suficiente todo mundo acaba se acostumando. A maior parte das pessoas só se importa com aquilo que as afeta diretamente, como o preço do pão e o resultado do futebol." Essa foi uma das minhas citações favoritas, tão certeira com relação à alienação da sociedade que minha vontade era colocar num outdoor em todas as cidades do Brasil.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

[Dorama] Survival Wedding

Original: サバイバル ウェディング RR: Sabaibaru Wedinggu (título literal)
Direção: Toya Sato, Itaru Mizuno
Roteiro: Rin Eto
Ano: 2018
País: Japão
Episódios: 10
Gênero: Comédia Romântica
Elenco: Haru, Ryo Yoshizawa, Maryjun Takahashi, Chiemi Blouson, Risa Sudo, Tomoya Maeno, Kazuma Yamane, Yuuki Ogoe, Anna Tsuihiji, Shunsuke Kazama, Toru Nomaguchi, YosiYosi Arakawa, Yusuke Iseya

Sinopse: Sayaka Kuroki (Haru), 29 anos, trabalha em uma editora. Ela está noiva e terá seu casamento em 3 meses. Uma noite, ela chega em casa depois de se demitir de seu emprego. Ela descobre que seu noivo está tendo um caso. Sayaka Kuroki então interrompe o seu noivado.

Sayaka Kuroki agora não tem emprego. Neste momento, Hiroto Usami (Yusuke Iseya) sugere a ela a chance de ser reintegrada. Ele trabalha como editor-chefe de uma revista popular. Hiroto Usami a diz que se ela quer seu emprego de volta, ela deve cumprir duas condições: 1.) Sayaka Kuroki deve encontrar um homem para casar dentro de 6 meses e se casar 2.) Ela deve anotar sua experiência de casamento e publicar sua experiência na revista.

Como os animes que sobraram para assistir são todos bem grandes, decidi apostar em dramas japoneses que são menores. Tinha um tempo que eu queria ver Survival Wedding não apenas pela temática, mas pelo Ryo Yoshizawa que é atualmente um dos atores mais lindos dessa nova geração japonesa.

Mas bem, nós acompanhamos Sayaka Kuroki, uma colunista de 29 anos que está prestes a se casar e por isso pede demissão do trabalho. Porém, nesse mesmo dia ela não apenas descobre que seu noivo, Kazuya, não apenas a traiu, mas não quer se casar com ela. Desolada e desempregada, ela volta para a propria casa sem saber o que fazer. No dia seguinte tenta reaver seu emprego, mas já tem uma pessoa no seu lugar. Vendo seu desespero, seu ex-chefe acaba lhe propondo trabalhar em uma revista de moda chamada Riz e lhe apresenta ao editor chefe Usami um homem excêntrico e com a cabeça totalmente voltada para moda.

Para ter o emprego, ele diz a Sayaka que ela precisa se casar em seis meses, não apenas isso, mas divulgar cada passo do processo de procura de um noivo e preparação do casamento em uma coluna mensal na revista. Inicialmente, Sayaka pensa em recusar o emprego, mas a necessidade fala mais alto e ela acaba aceitando com o intuito de reconquistar o ex-noivo, contudo, no meio desse processo ela conhece Kashiwagi Yuichi, o herdeiro de um homem poderoso no Japão. Lindo, gentil e super inteligente, ele consegue aos poucos atrair a atenção de Sayaka que finda por deixar Kazuya para trás e focar nele, mas o processo de se apaixonar pode ser moldado pelas estratégias assertivas de Usami?

Com uma mistura bem dosada de comédia e romance, Survival Wedding oferece uma experiência mais que divertida ao longo dos seus dez episódios. Vi como a cultura japonesa é complicada em relação a idade, do jeito que fala no drama, uma mulher com 30 anos que ainda não é casada é como uma velhinha de 90, encalhou para sempre e não tem mais chance na vida, esse tema foi abordado  também em We Married as a Job, ainda que num contexto diferente. No começo, foi difícil continuar assistindo por causa da passividade da Sayaka em relação ao ex cretino dela, ela sabia que ele não prestava e mesmo assim insistiu nele porque era incapaz de dar valor a si mesma.

Amei a forma como Yuichi começou a ver a pessoa incrível que ela era antes mesmo de ela se dar conta hahaha, e conforme o drama avança e ela vai aprendendo a se amar e se valorizar, a gente vai aprendendo um monte de coisa nesse processo e se divertindo horrores com a disputa dela e da Kurihara pela atenção do Yuichi. Mas não resta qualquer dúvida que a estrela desse drama é o editor chefe Usami! Irreverente, engraçadíssimo e super inteligente, ele rouba a cena durante o drama enquanto ensina a Sayaka que não importa a idade que ela tenha ou o que digam que ela não pode fazer, desde que ela queira e confie em si mesma o mundo é um brinquedo nas suas mãos e falhar faz parte da brincadeira.

Esse é aquele tipo de drama que a gente se diverte e termina com uma visão diferente de nós mesmos. Eu me identifiquei com muita coisa, em especial porque tenho quase a idade dela no drama hahaha, foi muito divertido torcer e sofrer junto com ela durante esses dez episódios, a evolução da personagem e o rumo que o romance dela com o Yuichi tomou me deixou super animada e apaixonada. Vale muito a pena assistir e eu recomendo demais!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

[Livro] A Garota dos Pesadelos

Original: Girl of Nightmares
Ano: 2018
Autora: Kendare Blake
Gênero: Literatura fantástica
Série: Anna #2
Páginas: 266

Sinopse: Já se passaram meses desde que o fantasma de Anna Korlov abriu uma porta para o inferno no porão e desapareceu, mas o caçador de fantasmas Cas Lowood não consegue seguir em frente. Os amigos de Cas o fazem lembrar que Anna se sacrificou para que ele pudesse viver — e não ficar perambulando por aí feito um zumbi, perseguindo-a. Ele sabe que seus amigos têm razão, mas aos olhos de Cas nenhuma garota viva se compara à morta pela qual ele se apaixonou. Agora ele vê Anna por todos os lados: às vezes quando está dormindo, às vezes em pesadelos reais. Mas algo está muito errado — não são apenas devaneios. Anna parece atormentada, despedaçada de um jeito diferente e ainda mais horripilante a cada aparição. Cas não sabe o que aconteceu quando ela desapareceu, mas sabe que a garota não merece o que está acontecendo agora. Anna salvou Cas em mais de uma oportunidade; agora chegou a vez de ele retribuir o favor.

Quando li Anna Vestida de Sangue fiquei apaixonada pela história, o tom sombrio, cruel e até mesmo gore do livro me fascinou, a certeza que eu tinha era que se ele virasse um filme eu nunca assistiria, mas mal cheguei a última frase e já estava sedenta por uma continuação.

Meses após Anna ter pulado com o Obhaeman numa fenda para o inferno, Cas ainda não se sente pronto para deixá-la ir. Por mais que ele tenha tentado continuar sua vida normalmente, nada parece fazer sentido sem Anna. Ele a ama. Thomas e Carmel continuam indo com ele na caça aos fantasmas, os três se aproximaram mais depois do que aconteceu no porão da velha casa vitoriana de Anna Korlov, mas quando Cas quase falha em matar um fantasma assassino colocando a vida dos amigos em risco, Carmel sente que aquele é o fim.

Quando ele achava que não podia ficar pior, visões de Anna torturada começam a assombrar Cas em todo lugar, como se ela estivesse lhe pedindo socorro. Desesperado, ele busca ajuda em Morfram, avô de Thomas, e Gideon, com uma maneira de tirar Anna de onde está e trazê-la de volta. Porém, ambos se recusam a ouvi-lo e parecem estar escondendo alguma coisa, Carmel começa a se afastar cada vez mais do grupo até que Thomas é o único realmente ao lado de Cas, de modo fiel, buscando uma maneira de ajudar o amigo a atingir seu objetivo mesmo contrariando o preocupado avô.

Quanto mais cavam uma forma de trazer Anna de volta, mais segredos sombrios envolvendo o athame de Cas vem à tona, uma ordem secreta que provavelmente criou a arma pode estar vigiando-o todo o tempo e ser a única saída para conseguir seu objetivo, mas que preço Cas está disposto a pagar para viajar até o inferno sem a certeza de poder trazer Anna de volta consigo? E mais, que garantias ele tem que a Ordem vai realmente permitir que ele viva? 

A conclusão de Anna Vestida de Sangue não me encantou tanto quanto o primeiro, ainda que eu tenha ficado presa ao livro o tempo todo. Conforme a leitura avançava e eu via o caminho que as coisas tomavam, ficava cada vez mais convencida que o final ia ser triste, embora ainda me agarrasse aquela esperançazinha inútil de que poderia haver uma reviravolta, mas, não houve. Apesar de crível, não posso deixar de ficar desapontada com o desfecho, quer dizer, tanto trabalho, tanta energia e no fim só aquilo. Pareceu meio sem sentido, sabe? Apesar de ter feito todo o sentido lógico, mas a gente meio que perde a lógica quando quer alguma coisa de um livro de fantasia.

Mesmo assim é um livro excelente, consegue ser muito sombrio, até grotesco algumas vezes, e mexe com alguns temas sensíveis que não cabem discutir aqui.  Valeu sim a experiência e a duologia Anna figura entre meus livros favoritos.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

[Filme] Combo de Filmes vistos

Oi, gente! 

Eu tive um tempo meio louco ultimamente, minha saúde sofreu uma nova recaída e passei o dia ontem no hospital, dessa vez com um possível problema renal, ainda não foi confirmado, mas cuidar da saúde agora é primordial, sem contar que estamos no mês do Nanowrimo! Então, eu tenho tentado me organizar melhor para que nada fique fora do comum no blog, mas nem sempre consigo escrever as resenhas a tempo, foi o que aconteceu no final do mês passado. Esses foram os últimos filmes que assisti com a minha irmã, como não tinha muita coisa para falar sobre eles, decidi juntá-los num post só, espero que vocês curtam!

Original: 超时空同居 pinyin: Chāo shíkōng tóngjū lit. coabitação de espaço tempo
Direção e roteiro: Lun Su
Ano: 2018
Elenco: Lei Jiayin, Tong Liya
Gênero: comédia romântica, mistério
País: China

Sinopse: Um casal consegue abrir uma fenda no tempo que liga 2018 a 1999 de acordo com a porta de cada um. Assim, seus apartamentos se fundem e, enquanto ela quer tentar impedir a morte do pai, ele quer descobrir o que fazer para garantir o melhor futuro, mas o que acontecerá quando um tenta mudar o passado e o outro descobre um futuro não tão feliz?

O roteiro desse filme me lembrou Meet me @ 1006 (que já resenhei aqui e se você não viu super recomendo!) por isso fiquei com mais vontade ainda de assistir. Confesso que em matéria de filme as últimas produções asiáticas (que é o que eu mais consumo nos últimos anos) tem deixado um pouco a desejar, poucos são os que despertam meu interesse e, quando o fazem, geralmente me decepcionam de algum modo.

A premissa é parecida apenas de leve com Meet me @ 1006, um homem e uma mulher que moram no mesmo apartamento em tempos diferentes (ele em 1999 e ela em 2018) tem esse apartamento fundido por uma fenda temporal aberta em 2018 por um cientista a pedido do CEO de uma empresa de construções. Quando o fenômeno acontece, Lu Ming, um habilidoso desinger não reconhecido pela empresa que trabalha tem que dividir o espaço com Gu Xiaojiao uma ex-milionária que agora trabalha em uma loja de joias.

Como era de se esperar, no começo as coisas não dão muito certo, especialmente enquanto eles não descobrem a dinâmica das portas e cada vez mais o apartamento vai se fundindo. Vendo nisso a oportunidade de salvar seu pai, falecido em um acidente de carro em 1999, vai até sua antiga casa, mas só consegue desestabilizar o tempo sem sequer se aproximar do pai. Assim, eles descobrem que não pode mexer no passado ou interferir no futuro, a escolha vem a ser de cada um em seu próprio tempo. 

E tudo se torna ainda mais complicado quando Xiaojiao começa a se apaixonar por Ming, mas o "eu" dele do futuro não é nada doce, vívido e simples, o que começa a mudar quando ela do futuro convive com o ele do passado, fazendo com que sua personalidade e tudo que ele conseguiu no futuro esteja em risco. Lu Ming então começa a cavar o próprio futuro apenas para descobrir a pessoa que se tornou e o preço que pagará por toda a fortuna que tanto desejou.

Achei o filme legal, é bem divertido e rende umas boas risadas, ao contrário do drama, o apartamento deles não volta ao normal em um horário fixo, mas fica fundido até que a fenda aberta no tempo se feche. O plot twist foi muito bom e nos deixou cheias de apreensão. O final é bonitinho, mas confesso que esperava mais, a coisa de "deixar subtendido" sempre me irrita um pouco, ainda assim recomendo. A trilha sonora também é muito boa, abaixo o trailer e minha música favorita.



Original: 원더풀 고스트 Wondeopool Goseuteu
Direção: o Won-hee
Roteiro: Sung Jin Kim
Ano: 2018
País: Coréia do Sul
Elenco: Ma Dong-seok
Kim Young-kwang
Lee Yoo-young

Sinopse: Após perder a esposa, um instrutor de judô cuida sozinha da sua filha doente, a menina precisa de um transplante de coração que está prestes a ser feito graças a um doador que apareceu. É bem nesse momento da sua vida que ele conhece Tae Jin um policial de patrulha que desconfia que ele é um traficante de mulheres. Quando os dois sofrem um atentado juntos vão precisar um do outro para resolver um caso perigoso envolvendo tráfico humano e corrupção.

De todos os filmes resenhados nessa lista esse foi o que menos gostamos. O trailer dessa produção vende algo que destoa quase totalmente da realidade, gente. O que era pra ser uma comédia acaba se tornando um puta dramalhão com um final meio difícil de engolir mascarado de bonitinho.

Tae Jin (Kim Young Kwang - Hello Monster) é um policial de patrulha honesto e competente que está para se casar com Hyo Jin (Lee Yoo Young - Tunnel) sua namorada de longa data que está grávida do primeiro filho deles. Em uma de suas patrulhas perto do cais, ele acaba vendo jovens mulheres sendo arrastadas a força para uma van, ao seguir o veículo ele acaba perdendo-o em um túnel onde o confunde com a van de Jang Su (Ma Dong Seok) um instrutor de judô antipático que não se importa nem um pouco em ajudar os outros.

Quando começa a investigar melhor o caso das mulheres, Jang Su parece estar em todos os lugares, o que só aumenta a suspeita de Tae Jin, uma das meninas raptada joga um celular no meio de arbustos próximo ao local onde elas são mantidas reféns para prostituição, Tae Jin acha o celular e descobre o que acontece e quem são os bandidos envolvidos o que ele não contava é que não pode confiar em ninguém à sua volta, assim, acaba sendo emboscado e muito ferido especialmente na cabeça.

Em estado grave, Tae Jin acaba se tornando um fantasma que só pode ser visto por Jang Su, ele fora atrás do policial acreditando que este tinha rebocado sua van e acabou sendo pego pelos bandidos também. Recusando-se a ajudar Tae Jin, Jang Su acaba vendo sua vida correr grave perigo e o tempo da sua filha se esvaindo quando os doadores de coração mudaram de ideia no último minuto. Tudo que lhe resta é ajudar Tae Jin a recuperar sua noiva grávida que foi raptada e torcer pela chance de um final feliz.

Apesar do filme ter seus momentos divertidos, os pontos contra acabaram superando os prós. Em especial pela decisão do roteiro em fazer um final triste mascarado de bonito. Ainda assim, mesmo que não tenhamos gostado muito, acho uma indicação válida para quem procura um filme policial com uma dose de comédia e suspense. Há ação, mas em bem menor medida. Acredito que o foco tenha se convertido realmente na evolução pessoal do Jang Su, que vai superando não apenas o que aconteceu no seu passado, mas 


Original: น้องพี่ที่รัก; น้อง.พี่.ที่รัก;Nong, Pee, Teerak lit. irmão, irmã; querido
Direção: Witthaya Thongyooyong
Roteiro:Witthaya Thongyooyong, Adisorn Tresirikasem, Tossaphon Riantong, Nontra Kumwong
Ano: 2018
Gênero: Comédia, Romance, Família
País: Tailândia
Elenco: Nichkhun Horvejkul Moji
Sunny Suwanmethanon Chad
Urassaya Sperbund Jane

Sinopse: Quando ele era criança, Chut pensava que ganharia um irmão mas sua mãe deu à luz uma menina. Seus sonhos de brincar de robôs e jogar futebol com seu irmão mais novo foram destruídos sempre que ele brincava com Jane, pois ela acabava chorando e fazendo birra.
Desde que eles eram crianças, Chut e Jane brigam sobre tudo, pois Jane prefere agir como mãe de Chut ao invés de sua irmã mais nova e Chad prefere ser o fardo de Jane do que seu irmão mais velho. Sem falar que a ''perfeita'' Jane é considerada melhor do que Chut em tudo: inteligência, esportes, aparência, comportamento e até financeiramente.
A única oportunidade que Chut tem para se exibir como irmão mais velho é quando alguém tenta ficar com Jane. Chut afasta qualquer homem interessado nela, para se vingar. Por isso Jane esconde seu relacionamento com Moji, um homem mais que perfeito. Jane não quer que esse amor seja arruinado por Chut como antes. Mas amor não é um segredo. Chut eventualmente descobre que ela está namorando Moji. Como Chut poderia aceitar isso? O que quer que a faça feliz, um irmão mais velho decente como Chut definitivamente nunca vai deixar acontecer!

Todo mundo que tem irmãos devia ver esse filme. Apesar de ele ser classificado como comédia, grande parte do que se passa em tela está mais para um bom drama familiar. Desde criança, Jane sempre foi melhor em tudo do que seu irmão mais velho, Chut. Isso fez com que o garoto sofresse uma espécie de complexo de inferioridade quando estava perto da irmã, pelo menos até Jane viajar para o Japão e Chut poder aproveitar a vida como bem queria, sozinho na casa que compartilhava com ela, sem qualquer espécie de neura dela por parte da limpeza ou mesmo o limite de nunca levar mulheres para casa.

Além disso, Chut é um dos diretores de marketing gráfico de uma empresa e está muito bem de vida. Pelo menos até Jane voltar do Japão para ocupar seu espaço na casa, o que em parte é bom uma vez que ela cozinha e cuida da limpeza e, por outro lado, ruim porque ele precisa não apenas se policiar com as mulheres como aturar a irmã mais nova mandona e perfeccionista. E as coisas pioram quando Chut, que está envolvido em um grande projeto de marketing para uma empresa japonesa, descobre que Jane será sua supervisora. Ainda mais, que ela está namorando o diretor executivo dessa empresa.

Como seu "trabalho" de irmão mais velho implica principalmente em tentar ferrar os relacionamentos da irmã, ele logo trata de tentar manipular Moji, o namorado em questão, o que traz sérios problemas para o rapaz e para Jane uma vez que, por culpa de Chut, ele vai ser transferido de volta para o Japão arruinando os planos dos dois. Mas quando Moji pede Jane em casamento e ela fica dividida entre ficar com o amor de sua vida ou cuidar do mimado irmão mais velho o que pode acontecer?

Tanto minha irmã quanto eu amamos esse filme, não apenas por ele ser tocante e engraçado na medida certa, sobretudo no que se refere a evolução da relação do Chut com a Jane, como um sempre foi cego com os sentimentos do outro, em especial o Chut que, na sua raiva, não conseguia ver o quanto a irmã mais nova o amava e cuidava dele. Todo mundo que tem um irmão ou irmã devia ver esse filme e quem não tem também!



Original: L・DK ひとつ屋根の下、「スキ」がふたつ。
Direção: Yasuhiro Kawamura
Roteiro:  Michiru Egashira
Ano: 2019
Gênero: romance, escolar
País: Japão

Sinopse: Aoi Nishimori ( Mone Kamishiraishi ) e Shusei Kugayama ( Yosuke Sugino ) estão apaixonados e eles começam a viver juntos secretamente. De repente, o primo de Shusei Reon Kugayama ( Ryusei Yokohama ) vem até eles. Seu segredo é descoberto por Reon. Agora, Aoi, Shusei e Reon começam a viver juntos.


E vamos pra esse filme que é um remake de um outro com quase o mesmo título de 2014. Acredito que já tenha resenhado esse outro filme aqui e as diferenças entre ele e esse remake não são muitas. A introdução é praticamente a mesma coisa do outro filme, um par de vizinhos adolescentes de uma espécie de condomínio (não é exatamente um condomínio, mas a ideia é essa) acaba tendo que dividir um apartamento quando a garota, Aoi, comete um acidente que faz o apartamento de Shusei precisar de uma reforma. No filme de 2014 com Kento Yamazaki e Ayame Gouriki a gente acompanha tudo que pode dar muito errado e muito certo nessa divisão de apartamento e como os dois vão se apaixonando gradualmente conforme se conhecem melhor, mas precisam manter em segredo que estão coabitando para não serem expulsos da escola.  

Até aí tudo bem, o negócio é que esse remake de 2019 já começa com os dois apaixonados, dividindo um apartamento juntinhos, como se fosse uma continuação do filme de 2014 só que com um elenco bem mais fraco. Aqui, a paz de Shusei e Aoi é testada quando Reon, primo de Shusei, vem dos EUA para o Japão com o intuito de levá-lo de volta para assumir os negócios do pai dele, então ele começa a colocar minhocas na cabeça de Shusei sobre não ser capaz de proteger Aoi e sobre ele desperdiçar a vida por uma garota, minhocas essas que o garoto só vai colocando mais fertilizante. Assim, para impedir que o namorado vá embora por quatro looooongos anos, Aoi faz um trato com Reon, se ela conseguir a aprovação dele, Shusei fica no Japão com ela. Mas o que pode dar mais errado do que Reon começar a se apaixonar pela namorada do primo?

Te confessar que o filme é daqueles clichezinhos que conhecemos e amamos, mas eu achei o elenco bem fraco. Ryusei Yokohama eu conhecia de AniTomo e acho que foi o único que quase se safou aqui, mas ainda assim pelo que eu vi dele no outro filme deixou um pouco a desejar. Mone Kamishiraishi é a atriz japonesa mais sem sal que eu já vi na minha vida desde que entrei nesse mundo de dorama, gente, a menina não passava uma gota de emoção, como se ela tivesse acabado de sair da escola de teatro e entrado nesse filme. Ruim assim eu só vi a Nana Eikura em Boku wa Imouto ni Koi Wo Suru, disseram que ela era uma atriz maravilhosa, mas nesse live action a atuação dela foi ladeira a baixo. 

Yosuke Sugino entrega um Shusei meio indeciso bem ao contrário de Kento Yamazaki que nos deu um personagem cheio de determinação e meio taciturno típico da sua natureza rebelde. É um filme regular, vale pra passar o tempo, é bonitinho, mas na minha não funciona tão bem quanto o original.


Original: คิดถึงวิทยา Khit Thueng Witthaya
Direção e roteiro: Nithiwat Tharathorn
Ano: 2014
País: Tailândia
Elenco: Laila Boonyasak, Sukrit Wisetkaew, Sukollawat Kanaros, Chutima Teepanat

Sinopse: Uma professora é contratada para lecionar em uma escola rural. A solitária professora tem um diário, em que escreve seus pensamentos mais íntimos. Um dia, ela é transferida para outra escola. Um professor é contratado para substituí-la. Ele encontra o diário esquecido pela professora, lê,  e se apaixona pela autora desconhecida. Ele passa a escrever seus pensamentos no diário. A professora encontra seu diário com os escritos do desconhecido e igualmente se apaixona.

Está aí um filme que o trailer parecia fofo, mas não estava dando muito e acabei me surpreendendo. Em alguns pontos me lembrou The Lake House, mas as histórias são bem diferentes. Bem, acompanhamos dois personagens de modo quase simultâneo, alguns anos antes, Ann foi "exilada" pelo diretor da escola onde lecionava por ter feito uma tatuagem no pulso, ela teria de ficar cumprindo "pena" na escola barco, junto com uma amiga. Contudo, fora as dificuldades de um lugar tão remoto e literalmente no meio da água, a liberdade de usar as metodologias que lhe fossem viáveis e mesmo a estima dos alunos que tanto se apegaram a ela acabou fazendo com que o exílio na verdade se tornasse uma benção, exceto, talvez, pelo fato de seu namorado, Nui, que não gostou nem um pouco da mudança.

Paralelo a Ann, nós conhecemos Song, um lutador que está desesperado por emprego e aceita se tornar professor na escola barco onde Ann lecionava, uma vez que ela saiu de lá. Sem qualquer experiência didática, ele aceita o emprego e se muda para lá, conhecendo as mesmas dificuldades que ela conheceu no início, mas a sua experiência é amenizada quando ele encontra o diário dela, descobrindo como ela foi parar ali, seus sentimentos nos primeiros dias, as dificuldades enfrentadas (falta de energia, sem sinal de celular, água por todos os lados, fora as tempestades que passavam levando tudo literalmente). Song, ao contrário de Ann que tinha sete, tem apenas quatro alunos, que foram os que voltaram à escola, os quatro em séries diferentes. Sem qualquer noção do que fazer ele se inspira no diário para se aproximar deles, mas no começo não dá muito certo.

Quanto mais lê o diário e conhece o interior de Ann, mais fascinado Song se sente por ela, mesmo quando descobre que sua namorada o traía e o fim do relacionamento chega, nas passagens do diário ele encontra o conforto que precisava. Aos poucos, vai descobrindo a essência do trabalho docente e aprendendo a amar aqueles alunos e aquela escola como Ann amava, até decidir procurar por ela. Mas quando Song descobre que ela está prestes a se casar, terá seu destino preparado seu coração para aceitar a perda de alguém que ele nunca conheceu?

Achei o filme lindo demais, Sukrit Wisetkaew eu conhecia da versão tailandesa de Fated To Love You, aqui sua atuação não foi nada diferente, entregando uma personagem engraçada, carismática, com quem a gente consegue se apegar facilmente. Os demais atores, que eu não conheço, também fizeram muito bem, em especial Ann, interpretada por Laila Boonyasak que mostra uma mulher forte, segura de si, que ama o que faz, ainda que ela oscile bastante em um relacionamento que tá na cara não tem nenhum futuro e isso irrite a gente um pouco. É um filme levinho pra rir, refletir sobre algumas coisas e torcer muito pro casal ficar junto. Vale muito a pena!

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

[Música] Monsta X - Follow e saída do Wonho


Resultado de imagem para monsta x follow

Ano: 2019
Lançamento: 28 de Outubro
Idioma: Coreano

Tracklist:
1. Find you
2. Follow
3. Monsta Truck
4. U R
5. Disaster  
6. Burn it up
7. Mirror
8. See You Again

Vai ser um pouco difícil escrever esse post, gente. Logo que o Follow foi anunciado eu já criei altas expectativas, quando o vídeo saiu então eu fui à loucura, em especial por ele estar dentro do universo criado no The Code e funcionar como uma continuação da história. Me arrepiei assistindo. Contudo, logo que o álbum saiu eu senti aquele clima de tristeza, não sei porque. As músicas são bem tranquilas e ficam ali no pop mais relax o que destaca ele dos CDs anteriores, ainda que Follow funciona como uma quebra nessa calmaria, tal como Monsta Truck e Disaster, mas ainda assim se visto do ponto de vista de CDs como o The Clan Cap 2 e o próprio The Code, é um CD muito "quietinho".  Ainda assim, eu gostei muito, tem a carinha dos nossos meninos e toda a sonoridade característica do Monsta X que nunca morre só evolui. 

Qual não foi minha surpresa quando fiquei sabendo da saída do WonHo da banda! Ainda não estou sabendo lidar com isso, gente, sério. Sabemos que as coisas na Coréia funcionam diferente do entretimento no Brasil, mas ainda assim foi um choque em especial pelos supostos motivos aliados à saída dele. As monbebes fizeram um abaixo assinado com o intuito de pedir a empresa que ele permaneça na banda, mesmo sabendo das chances remotas disso acontecer. Depois da disband do BAP esse foi um dos fatos que mais me deixou triste. Quem quiser assinar a petição segue link:  chng.it/4XGmTBPQQW

[Anime] Fullmetal Alchemist Brotherhood

Resultado de imagem para fullmetal alchemist brotherhoodOriginal:  鋼の錬金術師: Fullmetal Alchemist RR: Hagane no Renkinjutsushi: Fullmetal Alchemist
Ano: 2009-2010
Gênero: Aventura, Ficção científica, Dark Fantasy
Direção: Yasuhiro Irie
Roteiro: Hiroshi Ōnogi
Episódios: 64
Sinopse: Os irmãos Edward e Alphonse Elric seguem em busca da pedra Filosofal, com a esperança de restaurar seus corpos que foram perdidos quando eles tentaram usar suas habilidades de alquimista para ressuscitar sua mãe.

Quando comecei a ver Fullmetal, comecei pela versão "clássica" de quatro temporadas se não me falha a memória. Contudo, vendo alguns vídeos de canais de anime que eu sigo no youtube, e pelo fato de minha irmã já estar assistindo a última temporada, acabei descobrindo que a versão clássica não seguia o mangá e, portanto, não tinha um final, ao contrário da Brotherhood, queridinha dos fãs e que seguia o material original oferecendo um desfecho fechadinho. Assim, acabei optando por colocá-lo na lista de animes desse ano e, contratempos a parte, consegui finalizá-lo.

Como eu vi pouco da primeira temporada do clássico, não posso fazer muitas comparações, as poucas diferenças que observei tem a ver mais com a personalidade de Edward que, no Brotherhood, é um pouco menos "foda" se é que isso é possível, as fraquezas do personagem foram mais evidenciadas e, desse modo, ele não só bate, mas apanha também o que tem seu lado bom e o ruim. Apesar de acreditar que todo mundo conhece essa história, vou fazer um pequeno resumo do que acontece no anime como sempre faço nas resenhas do blog.

A trama segue Alphonse e Edward Elric, quando crianças, seu pai saiu de casa por um motivo que eles desconhecem e, por isso, Edward acredita que ele simplesmente os abandonou, a mãe deles acaba ficando muito doente e morre, como os dois já eram alquimistas muito eficientes mesmo crianças, acabam tentando trazer a mãe de volta, contudo, o preço da troca equivalente é mais alto do que eles poderiam pagar e a perna de Edward, assim como todo o corpo de Alphonse, é levada como pagamento. Desesperado, porque a massa disforme que surgiu no meio do círculo de transmutação não era sua mãe, Edward acaba desistindo do seu braço para prender a alma do irmão mais novo em uma armadura, sob a promessa que um dia teriam seus corpos de volta.

Anos se passam e Edward se torna o mais jovem alquimista do estado, ao lado do irmão, ele viaja em busca da pedra filosofal, um artefato de enorme poder que é capaz de trazer seus corpos de volta, vários inimigos vão surgindo pelo caminho e muitos dos seus amigos acabam envolvidos na sua luta, ficando com as vidas em risco numa tentativa de ajudá-los a descobrir o poder da pedra. É quando surge a existência dos homúnculos, criaturas aparentemente imortais que carregam, cada qual, o nome de um pecado capital. Eles se mantêm vivos graças a pedra filosofal que é o núcleo de seus corpos, descobrir isso coloca os irmãos Elric em um impasse, em especial porque o exército para o qual Edward trabalha pode estar envolvido com a criação dos homúnculos.

Em sua trajetória, eles acabam encontrando o pai, Van Hoemheim (se é que se escreve assim!) a quem Edward não consegue perdoar, mas que se torna uma ajuda primordial na busca da verdade por trás da pedra filosofal. Uma guerra de conspirações políticas, ética, respeito pela humanidade e fé vai se iniciar quando Edward e Alphonse descobrirem que o preço pelos seus corpos pode ser muito mais alto do que eles imaginavam.

Além do adorável estilo e das batalhas, gosto de pensar que Fullmetal é uma enorme reflexão sobre a essência humana. Talvez rolem uns pequeninos spoilers aqui, mas nada que vá comprometer a experiência de vocês. Toda a história do anime é uma grande discussão filosófica acerca dos temas principais que movem a existência humana, nos irmãos Elric temos a grande pergunta: qual o preço de uma vida? Quando se vêem diante da verdade por trás da pedra filosofal eles se perguntam se estão realmente dispostos a usá-la para recuperar seus corpos, se vale a pena sacrificar tanto por isso. 

Também há toda a discussão por trás da idealização do homem perfeito, uma discussão bem interessante que pode ser vista sob várias ópticas. Ao se livrar dos sete pecados, o primeiro homúnculo acreditava que se tornaria uma existência perfeita o bastante para assumir o poder de Deus, contudo, esqueceu-se que a prepotência, apesar de não estar listada, tal como a arrogância são igualmente pecados. Os homúnculos representantes dos sete pecados: ira, gula, luxúria, inveja, ganância e preguiça (uma vez que o homúnculos original representa a soberba e a vaidade) apontam as falhas humanas no que acreditam terem a superioridade, mas no fundo invejam a natureza maleável dos mortais que se unem em meio ao desespero com toda sua força e fé no intuito de sobreviver.

Eu gostei muito do anime apesar de algumas coisas, não li o mangá então não posso fazer comparativos, mas o anime como material individual foi maravilhoso, bem animado, com batalhas bem coreografadas e uma história que nos leva a pensar em vários âmbitos da existência e nos questionar acerca de vários dogmas que nos são impostos desde o nascimento. Além de trazer à luz discussões sobre filosofia, religião, determinação, ética, custo e valor. Apesar do final ter sido um pouco rápido demais, foi muito satisfatório na maior parte e bonito também, houve algumas pequenas coisas que não gostei, mas não comentarei para não se tornarem grandes spoilers. 

Fullmetal figura entre meus animes favoritos, tanto por sua história fantástica e cheia de reflexões quanto por suas personagens bem construídas e apaixonantes como Edward, de longe meu personagem favorito depois de Inuyasha.

Em 2017 a netflix lançou a versão em live action de Fullmetal Alchemist dirigido por Fumihiko Sori e estrelado por  Ryosuke Yamada como Edward Elric, Atomu Mizuishi como Alphonse Elric,  Tsubasa Honda como Winry Rockbell e Dean Fujioka como Roy Mustang. Eu vi o filme antes do anime, pelo que minha irmã falou ele segue mais a linha do Fullmetal clássico.

Quando finalizei o brotherhood vi o filme de novo e, de fato, ele cobre os acontecimentos principais do anime, mas mudaram a cronologia de alguns acontecimentos, tiraram alguns personagens e mudaram alguns poucos eventos, o que é compreensível quando se pensa em comprimir 64 episódios em 2 horas de filme. Na minha opinião a história ficou muito bem adaptada, a armadura de Alphonse ficou maravilhosa tal como a caracterização das personagens (excetuando o cabelo de Edward que ficou bem estranho kkkkk), acho que o filme serve como um bom bônus para os fãs da franquia.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

[Livro] O Homem Perfeito

Autor: Linda Howard
Ano: 2018
Gênero: Romance, Suspense, Mistério
 Páginas: 349

Sinopse: Como seria o homem perfeito? Esse é o assunto que Jaine Bright e suas amigas discutem certa noite. Quais seriam suas principais qualidades? Seria ele alto, atraente e misterioso? Precisaria ser carinhoso e atencioso, ou apenas musculoso? Jaine e suas amigas começam com o básico: precisaria ser fiel e confiável, responsável, ter senso de humor. Conforme a conversa fica mais animada, elas montam uma lista engraçada e picante. Sem querer, a lista é divulgada e, da noite para o dia, se torna uma enorme sensação, chamando a atenção, inclusive, da imprensa local e de canais de TV. Nenhuma das quatro esperava tamanha repercussão. Mas o que começou com uma brincadeira entre amigas se torna algo perigosamente sério quando uma delas é assassinada. Recorrendo a seu vizinho, um detetive imprevisível e muito atraente, Jaine precisa desmascarar o assassino para salvar sua vida. Saber em quem confiar pode ser questão de vida ou morte, pois o sonho de um homem perfeito se tornou um arrepiante pesadelo.

Essa foi a escolha do Clube do Livro no mês de Outubro. Eu acabei deixando A menina da neve para leitura posterior porque não consegui continuar, estava faltando a paciência já com aquela leitura arrastada, gente!

“- Isso não vai acontecer. O homem ideal é pura ficção científica. Não que nós sejamos perfeitas também – acrescentou -, mas a maioria das mulheres pelo menos tenta. Os homens, não.”

Bem, Jaine, Marcy, Luna e T.J são amigas que trabalham na empresa de tecnologia Hammerstead, todas as sextas, após o trabalho, elas se reúnem em um bar nas proximidades do trabalho para conversar, tomar uma cerveja e falar de seus relacionamentos problemáticos. Marcy, já na casa dos quarenta e após casamentos fracassados, vive com um homem bem mais jovem que praticamente suga seu dinheiro, mas lhe satisfaz na cama e é tudo que importa para ela. Luna está em um relacionamento com Shammal, um jogador de futebol mulherengo que lhe usa como objeto sexual. T.J é casada com um homem mauricinho, metido a autoritário e mais frio que o iceberg que afundou o titanic. E Jaine... após três noivados fracassados nos quais ela foi abandonada no altar, tudo que ela menos quer é um homem para complicar sua vida.

Jaine acaba de comprar sua própria casa e está orgulhosa disso, porém, conta às amigas sobre seu vizinho, um homem mal humorado e aparentemente bêbado que praticamente vive para irritá-la desde que ela se mudara dias antes. (Guarde bem o 'dias antes'). Quando já estão no calor da conversa, surge o tema de como seria o homem ideal, assim, Marcy propõe que façam uma lista com as qualidades do homem perfeito e as amigas começam a enumerar os requisitos dele e a lista acaba saindo maior que o planejado incluindo não apenas componentes do caráter como fidelidade, mas partindo para o lado sexual como o tamanho do apêndice.

Claro que boa parte da lista foi criada apenas por diversão enquanto elas bebiam e ansiavam por um homem diferente dos que tinham em suas vidas. Contudo, em uma conversa com outra colega de trabalho, Marcy acaba bebendo demais e contando sobre a Lista, que no dia seguinte vai parar no jornal interno da empresa. Os homens ficam indignados e furiosos, as mulheres acham o máximo e o que começou como uma piada interna acaba se espalhando conforme as mulheres da empresa vão divulgando a lista com outras pessoas e ela acaba indo parar em jornais. De repente, todo o país está falando sobre isso e a vida pacata das meninas se transforma num inferno midiático.

Mas a fama tem um preço. A Lista chama a atenção de Corin, uma pessoa perturbada desde a infância por uma mãe psicótica, para ele, aquela lista é o pior dos insultos porque ele sim era o homem perfeito, sua mãe lhe moldara dessa forma. Desde o início fica claro que Corin tem sérios problemas mentais e de personalidade, então ele começa a caçar as meninas, iniciando por Marcy a quem mata de maneira violenta. O choque da morte da melhor amiga abala as outras que passam a receber telefonemas anônimos estranhos.

Nesse passo, Jaine e Sam, seu vizinho que de bêbado não tem nada, mas é um detetive, continuam discutindo e flertando até que ele se envolve no caso do assassinato de Marcy e a vida das quatro remanescentes entra em risco. Alguém as está caçando, essa pessoa trabalha na mesma empresa que elas e enquanto lutam para descobrir quem é, Jaine e as amigas podem ter um desfecho tão macabro quanto o de Marcy.

Li em algum lugar que essa autora segue os passos de Nora Roberts, bem, eu já li alguns livros de Nora e não achei isso não, além desse livro ter um humor mais específico (ainda que carregue certa acidez sagaz como as sátiras de Nora, é mais voltado para o teor sexual) a montagem desse livro, ao meu ver, deixou um pouco a desejar. Começando pelo deslocado romance entre Jaine e Sam. Gente, isso não me entrou na cabeça de jeito nenhum, a mulher conhece o homem numa semana e na outra já quer casar com ele porque o sexo é bom?! Como assim? Durante toda a leitura esse romance deles não fez o menor sentido para mim.

O suspense foi bom, como a leitura é levinha e tem doses de comédia, tanto o suspense quanto o mistério em torno do assassino deram uma equilibrada nas coisas, o plot twist então foi bem digno de um bom romance policial, mas esse "romance" praticamente instantâneo da Jaine com o Sam mornou um pouco meu entusiasmo com a história deixando-a com cara de suspense pseudo erótico. Mesmo assim, acho que vale sim a leitura, poderia ter sido melhor desenvolvido no meu ponto de vista, não apenas o romance do Sam com a Jaine, mas o próprio assassino mesmo, ainda que ele explique a história dele no final, ficou meio que largado no enredo. Nota 3 de 5.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

[Relendo & Resenhando] Razão e Sensibilidade [+ Adaptações]

Título Original: Sense and Sensibility 
Autor: Jane Austen
Ano: 1811
Gênero: Romance
País: Reino Unido
Páginas: 400 (best bolso)

Sinopse: A história relata os relacionamentos de Elinor e Marianne Dashwood, duas filhas do segundo casamento de Mr. Dashwood. Elas têm uma jovem irmã, Margaret, e um meio-irmão mais velho, John. Quando seu pai morre, a propriedade da família passa para John, o único filho homem, e as mulheres Dashwood se veem em circunstâncias adversas. O romance relata a mudança das irmãs Dashwood para uma nova casa, mais simples e distante, e seus relacionamentos. O contraste entre as irmãs, mostrando Elinor mais racional e Mariane mais emotiva e passional, é resolvido quando cada uma encontra, à sua maneira, a felicidade. Ao longo da história, Elinor e Marianne buscam o equilíbrio entre a razão (ou pura lógica) e a sensibilidade (ou pura emoção) na vida e no amor.


Sem palavras para descrever o quanto eu amo esse livro!

"Às vezes uma pessoa deixa-se levar pelo que ela diz de si mesma e, mais frequentemente ainda, pelo que dizem dela sem dar-se a menor possibilidade ou tempo para deliberar e julgar."  (p. 103)

Quando Henry Dashwood morre sua fortuna fica toda para John, seu filho enquanto sua nova esposa e as três filhas, nas mãos do avarento homem, não dispõem de muito para sobreviver. Mal o corpo do rico senhor é enterrado, John e sua odiosa esposa Fanny se mudam para Norland residência até então da senhora Dashwood e suas três filhas. Desamparadas e vítimas da ganância e péssimo caráter de Fanny, as mulheres entram em aflição para deixar a casa o mais breve possível, contudo, a visita do senhor Edward Ferrars, irmão mais velho de Fanny, adia a visita um pouco por causa de Elinor que parece desenvolver um carinho especial pelo jovem e este não lhe é indiferente. Contudo, ao perceber a aproximação, Fanny solta indiretas cruéis para a senhora Dashwood de que Edward é impossível para a filha dela devido sua posição social.

Com a ajuda de Sir. John Middleton, primo distante da senhora Dashwood, as quatro mulheres se mudam para um chalé em Barton ansiosas por se livrar de Fanny e do seu estúpido marido avarento. Elinor parte com pesar, mas com a certeza de que Edward correspondia seus sentimentos e, apesar de apelar para a razão, seu coração mantinha esperanças de que, um dia, poderiam ficar juntos. Havia certa aura pacífica e mágica em Barton onde além de saborear a longa distância que as separa dos odiosos parentes, têm a enorme cortesia e amabilidade dos Middleton que as recebem de braços abertos. É nesse encontro com a família que as mulheres conhecem o Coronel Brandon, um rico ex-militar marcado pela amargura da perda.

Brandon encontra no encanto de Marianne um possível amor e na prudente racionalidade de Elinor uma amizade na qual pode confiar. Contudo, a chegada de Willougby promete mudar o curso da paz e de um possível relacionamento entre o Coronel e Marianne que já o considera velho demais para pensar em si mesma como sua esposa. Willougby, por outro lado, com um perigoso charme e intenções dúbias, consegue prender a Dashwood mais nova em uma teia de emoções que contrariam qualquer racionalidade e fazem descaso do bom senso e da educação. Envolvida por ele, Marianne se torna irracional e surda aos apelos da irmã que lhe pede para observar sua conduta. Até Willougby ir embora sem expectativa de volta. Aparece em cena, então, as senhoritas Steel. Estúpidas, cansativas e bajuladoras.

Lucy Steel, a mais nova, é ardilosa, mentirosa e manipuladora. Descobrindo que Elinor tem uma inclinação por Edward ela conta para a Dashwood mais velha que está noiva dele a quatro anos com o único propósito de magoá-la e deixar claro que ele é um homem que ela nunca poderá ter. Anne, ao contrário, além de inapta não tem qualquer tato social ou resquício mínimo de erudição. Sem perspectiva de ficar ao lado de Edward, resta a Elinor torcer para que sua irmã tenha um desfecho melhor uma vez que nunca gostou particularmente de Willougby.

Convidadas pela Senhora Jennins, sogra de John Middleton, a ir para Londres, as duas Dashwood partem. Elinor com votos de descobrir mais sobre o caráter de Willougby e Marianne com a expectativa de encontrá-lo. Contudo, as duas irmãs estão perto de descobrir que o rumo dos seus destinos pode ser mais complicado do que elas sequer imaginaram.

Esse é, de longe, meu livro favorito de Jane, não apenas pelo contraste de Marianne, a representação da sensibilidade e do fervor adolescente, e Elinor, representando a racionalidade e sapiência da mocidade. Ler Jane Austen é derrubar o véu ilusório que por vezes criamos sobre a antiguidade de longos vestidos e cartas, ela nos faz enxergar a sociedade hipócrita e limitada de sua época, cheia de preconceitos e dissimulações que ainda hoje perpetuam o nosso convívio social. De um lado temos a racional Elinor, apaixonada por Edward que, aparentemente, não pode ser seu. Ela usa toda a sua racionalidade e autocontrole a fim de esconder o que sente e impedir que os que a cercam sofram por sua causa (o que a faz sofrer em dobro!). Do outro, temos a vívida, doce e sensível Marianne, que após ser traída por Willougby, deixa-se levar pelo desespero e a profunda depressão que quase tira-lhe a vida. 

O contraste nos leva à uma série de reflexões a cerca de ambos os comportamentos, acompanhado de diversos acontecimentos inesperados. Com desfechos surpreendentes Razão e Sensibilidade é uma dura crítica à sociedade falsa cheia de pessoas frívolas que só avaliam o bem próprio, mas retrata também com extremo cuidado a força e importância da amizade verdadeira, tao rara e tão bela. Faz-se impossível não apegar-se à doçura e meiguice de Marianne (ainda que em algumas horas você apenas queira sacudi-la e pedir que ela acorde!) e até mesmo ao controle demasiado de Elinor, ao mesmo tempo em que torna-se impossível não odiar Lucy Steele e sua falsidade sem precedentes, usando de bajulação para conseguir o que quer, além dos avarentos Fanny e John Dashwood cheios de cobiça ou mesmo o detestável Willougby e sua afetação, egoísmo e falta de caráter.

No fim, parece uma grande reflexão de Jane acerca da natureza da conduta que deveria ser ou não adotada como certa, fosse a racionalidade total ou o sentimentalismo, ambos passam o livro inteiro competindo através das personagens para nos questionar qual é o "certo" ou o adequado. Porém, no meu ponto de vista, Jane faz uma pequena crítica ao excesso, porque ao mesmo tempo que a ajuizada Elinor aprende a dosar sua razão com os sentimentos, Marianne aprende, pela reflexão, a maneirar seus sentimentos e agir com mais firmeza de raciocínio.  O excesso de sensibilidade tornou Marianne uma vítima exposta da língua afiada de uma sociedade fofoqueira, sua conduta moldada na irascível cegueira dos sentimentos que não dão margem para a ponderação, enquanto Elinor, para mim, foi quem mais sofreu porque além de manter o silencioso sofrimento de ver seu amor inalcançável ainda tinha de lidar com a falta de juízo da irmã e consolá-la.

Assim, conclui-se que a conduta mais adequada é o equilíbrio entre a razão e a emoção. Não devemos "engolir os sapos", ao mesmo tempo que não precisamos nos excessos dos sentimentos que foi exatamente o que aconteceu com as duas irmãs. Li em alguns lugares que muitos consideraram o final de Marianne infeliz por ela ter casado-se com o Coronel Brandon, não concordo com isso, se ela tivesse casado-se com o inescrupuloso Willougby, como o próprio livro deixa claro, sua vida teria sido um inferno dada a natureza egoísta e esbanjadora dele, sem contar que, depois do que ele fez com Elisa, Marianne ficaria para sempre horrorizada e nunca conseguiria confiar nele plenamente. Achei a união dela com o Coronel não apenas válida, mas a melhor escolha para ela que aprendeu a amá-lo gradualmente, a enxergar as qualidades dele em pleno equilíbrio da sua razão com seus sentimentos.

Quando li esse livro a primeira vez, em 2013, já tinha lido Orgulho e Preconceito, mas foi impossível não me apaixonar por essa história tão sublime, sofri com as personagens, dei algumas risadas e até mesmo passei vergonha alheia. Torci pelo final feliz que veio fechadinho ainda que alguns desfechos não tenham me agradado muito, queria que Lucy tivesse um final ruim, ela só fez armação o livro todo e se deu bem, pelo menos Willougby recebeu seu castigo ainda que tenha sido ameno. Contudo, isso é apenas uma retratação de como as coisas são na realidade, as pessoas boas, infelizmente, são constantemente vencidas pelas ruins mesmo que alcancem felicidade. Livro maravilhoso e mais que recomendado!

ADAPTAÇÕES


Ano: 1995
Direção: Ang Lee
Roteiro: Emma Thompson
Elenco: Emma Thompson, Kate Winslet, Hugh Grant, Alan Rickman

Com roteiro da própria Emma Thompson que assume o papel de Elinor no longa, Razão e Sensibilidade de 1995, tal como Orgulho e Preconceito posteriormente em 2005 (e iguais em cumprimento atingindo 2h cada) abarca os principais acontecimentos da obra de Jane, inclusive, sendo bastante fiel nos diálogos entre as irmãs e nas cenas mais icônicas do livro.

Porém (e sempre tem que ter um, não é?) o longa peca em muitos detalhes, em especial na elipse de várias personagens como Lady Middleton que aqui é falecida deixando Sir. John sem nenhum dos seus 4 filhos (eu fiquei tipo: oi?) além de fazer certa bagunça com outras personagens importantes como Elisa, que se tornou Betty (???) ou mesmo com a ordem de alguns acontecimentos mesmo que, comparada a minissérie, seja mais fiel em certas cenas quanto é negligente em outras.

Ele oferece boas atuações, contando, inclusive, com a presença de Allan Rickam (que também atende pelo nome de Professor Snape), Kate Winslet entrega uma Marianne vívida, exigente e imprudente, mas ainda pautada na obra de Austen graças ao roteiro de Emma Thompson cuja Elinor é sagaz, meio satírica e irônica, no geral não mexeu muito com a personalidade das personagens, mantendo-as semelhantes ao livro, e cumpre o papel de adaptação, não conseguindo cobrir todos os eventos, mas elucidando os principais de modo eficiente.

Ano: 2008
Roteiro: Andrew Davies
Direção: John Alexander
Elenco: Hattie Morahan
Charity Wakefield
Dan Stevens
David Morrissey
Dominic Cooper
Janet McTeer

Se comparado ao filme, a minissérie tem mais detalhes, todas as personagens foram representadas devidamente e, excetuando alguns diálogos e cenas ela é bem fiel ao livro em praticamente tudo. Gosto muito dessa minissérie, acho a fotografia dela fascinante, só queria que tivesse tido mais emoção e até mesmo loucura na atuação de algumas cenas específicas.

Tirando o Dan Stevens e o senhor Wisley eu não conhecia os outros atores, mas não fiquei menos que satisfeita com o trabalho que entregaram, attie Morahan e Charity Wakefield entregam uma Elinor e Marianne muito autênticas e cheias de nuances fidedignas à obra original. As personagens insuportáveis como Lucy e Fanny foram tão bem retratadas que creio nunca mais poder ver a cara das duas atrizes sem ter uma enorme vontade de vomitar.

A ordem cronológica da série também segue melhor que a do filme, pelo menos na minha opinião, muitas das cenas que o filme precisou ignorar são vistas aqui, ainda que algumas delas sigam um contexto que só faz real sentido quando lemos o livro, como o motivo para o duelo entre Brandon e Willougby. No geral, acho um trabalho maravilhoso que merece ser conferido.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

[Dorama] Takane to Hana

Original: 高嶺と花
Direção: Yusuke Ishii
Ano: 2019
Episódios: 08
Roteiro adaptado: Juri Takeda, Iyo Nishikori, Nana Yamamoto
Autor: Yuki Shiwasu
País: Japão
Elenco: Mahiro Takasugi, Aisa Takeuchi, Junki Tozuka, Asahi Ito, Kenshin Endo, Rea Nagami, Yu Miyazaki

Onde encontrar: Mahal Dramas Fansub (necessário cadastro)

Sinopse: Aos dezesseis anos, Hana Nonomura (Aisa Takeuchi) era a última pessoa que você esperaria estar em um encontro às cegas, especialmente destinada a encontrar um parceiro adequado para casamento. Mas quando sua irmã mais velha, Yukari (Arisa Deguchi), se recusa a ir, Hana se vê obrigada a ser sua substituta ou corre o risco de envergonhar toda a família. Sem outras opções, Hana concorda em ir, na esperança de acabar com a coisa toda o mais rápido e pacificamente possível; mas quando ela conhece Takane (Mahiro Takasugi), tudo muda.
O herdeiro do grupo Takaba, Saibara Takane, 26 anos, é o epítome da perfeição. Com aparência incrível e uma carreira fabulosa, ele é o homem com que toda mulher sonha. Há somente um problema: ele é um orgulhoso, esnobe e arrogante que não pensa em ninguém além de si mesmo. Com uma atitude tão desagradável, seus planos para arruinar seu próximo encontro às cegas seria fácil o suficiente, ele só tinha que ser antipático o suficiente para afugentá-la. Seu plano deveria ter sido perfeito, mas ele nunca esperava encontrar alguém tão ardente quanto Hana Nonomura.
Intrigado com a completa falta de preocupação com a sua aparência, posição e dinheiro, Takane se sente atraído pela garota mais incomum. Quando o destino traz essa garota corajosa à sua vida, Takane se apaixona por ela, mas esses opostos polares podem realmente se atrair?

Como o anime que eu to vendo é muito grande, temi não conseguir ver um dorama a tempo e apostei nesse que foi muito panfletado pelo mahal e é bem curtinho. Por ser pequeno, não vou poder falar muita coisa ou vai acabar saindo spoiler aqui.

Bem, Takane to Hana conta a história de Hana que é "obrigada" a ir no lugar da sua irmã mais velha Yukari para um arranjo de casamento feito pelo avô de Takane. O pai de Hana trabalha na empresa do avô de Takane que quer casar o neto com uma mulher humilde e que possa ser sua companheira de verdade. Contudo, cansado de tantos encontros arranjados com garotas fúteis, Takane se comporta muito mal com Hana, chamando-a de interesseira e ofendendo-a na frente do pai. Furiosa, ela revida gritando que não está nem um pouco interessada nele.

Intrigado com a atitude, Takane decide procurá-la para descobrir um pouco mais sobre ela, por mais que tente de todas as formas, Hana não parece impressionar-se com seu dinheiro ou posição e ele começa a se encantar por ela e sua simplicidade. Contudo, uma das regras para continuarem se encontrando é nunca se apaixonarem, no momento que Hana dizer que gosta dele, Takane vai terminar os encontros.

O lado bom desses doraminhas curtos é que a gente termina depressa, o lado ruim é que não dá para aproveitar a história direito, tudo acontece um pouco rápido ou fica com aquela sensação de que não foi desenvolvida como deveria. Claro que adaptar um mangá em oito capítulos tão curtos não é fácil, ainda assim essa sensação não nos larga. Contudo, gostei muito do doraminha, ele é engraçado, leve e dá para passar o tempo. As atuações são boas e mesmo o plot soando um pouco clichê eu gostei pra caramba. Recomendo!

domingo, 13 de outubro de 2019

[Livro] Medo Clássico: Edgar Allan Poe

Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Darkside
Gênero: Antologia, Terror, Mistério
Ano: 2017
Páginas: 384

Sinopse: Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes.
O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. E EDGAR ALLAN POE: MEDO CLÁSSICO apresenta ainda “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).

Minha segunda única caveirinha na estante haha. Esse livro, na verdade, foi mais uma revisita do que uma leitura propriamente dita. Em 2015 eu resenhei minha primeira antologia de Poe, Contos de Imaginação e Mistério que você pode ler aqui muitos dos contos dessa coleção da Darkside tinham nessa outra antologia, mas outros foram uma grata surpresa. Obviamente, conforme a gente vai amadurecendo e expandindo o leque de leituras, a cabeça com que revisitamos os autores, em especial os clássicos, é outra e isso faz toda a diferença numa leitura. Por isso, o olhar que tinha sobre Poe aos 25 não é o mesmo que tive agora, aos 29, quando passei a semana em sua companhia.

Espectro da Morte: 
  1. O Poço e o Pêndulo - Em uma narrativa agonizante, nós acompanhamos o relato de um homem condenado à morte pela Inquisição, ele é jogado numa espécie de cela escura e, a princípio seus algozes pretendiam que ele caísse em um enorme poço, contudo, vendo suas tentativas falhadas amarram o homem numa estrutura para ser partido por um pêndulo afiado que desce vagarosamente. Poe nos envolve numa narrativa sinestésica que domina todos os  nossos sentidos deixando-nos atordoados e presos não apenas na agonia do homem (provavelmente inocente do que lhe acusaram) que espera a morte sem quaisquer esperança de fuga, mas também nos convida a refletir sobre a crueldade humana e o fanatismo. Lembro que a primeira vez que li esse conto, quatro anos atrás, senti-me não apenas sufocada, mas com um alívio indescritível quando cheguei ao final haha. Um fato interessante sobre esse conto é que a música The Poet and the Pendulum da banda Nigthwish foi inspirada em parte por ele. Maravilhoso.
  2. A queda da Casa de Usher - Esse também tinha no outro livro. Aqui acompanhamos um homem que é convidado por seu amigo, cujo sobrenome é Usher, para passar uns dias com ele. Percebendo pela missiva que o amigo estava de alguma forma atordoado com uma enfermidade mental, o homem decide aceitar o convite e viaja até a propriedade sombria que logo de cara lhe intimida. Por serem amigos de longa data, durante sua estadia ele fica ciente da espécie de maldição que assola a família e é noticiado também da debilidade da irmã de seu amigo preso não apenas pelas supertições que cercam a casa e sua família, mas pela certeza da morte. Quando a irmã deste vem a falecer, somos levados por um verdadeiro redemoinho de loucura sombria onde realidade e insanidade se fundem em um desfecho tenebroso. Poe demonstra quão frágil é a mente humana, suscetível ao declínio fácil quando manipulada por algo que crê ser verídico.
  3. O Baile da Morte Vermelha - No outro livro, se bem me lembro, o título estava "a máscara da morte vermelha", nele, um príncipe vendo seu reino assolado por uma peste (que acredito se tratar de um surto de tuberculose) recolhe mil amigos e se tranca em uma fortaleza abandonando seu povo à própria sorte. Seguros lá dentro, eles se entregam a uma farra envolta em luxúria e esbanjar enquanto do lado de fora das muralhas o povo sofre com a morte e a fome. A fortaleza, feita de intricados cômodos fora do convencional tal qual seu dono, se torna um verdadeiro palco gigante de música e libertinagem até que um convidado inesperado surge trajando uma fantasia grotesca remetendo ao mal que se alastra do lado de fora. Mesmo com a ordem do príncipe, ninguém tem coragem de expulsar a criatura e a festa tem um fim sinistro. Nesse conto senti meio que uma crítica social ao descaso dos governantes o que, é claro, é muito pertinente. Também tem aquela sensação de que, cedo ou tarde, a justiça cai sobre aqueles que negligenciam seu dever.
Narradores Homicidas
  1. O gato Preto - Esse conto é uma mistura de loucura com terror, acredito que aqui o aspecto psicológico sobrepõe-se ao sobrenatural, ainda que de alguma forma os dois interajam na mente do leitor como, ambos, aceitáveis. A primeira vez que o li senti um misto de indignação e repúdio, mas essa segunda leitura me trouxe uma nova ótica que excede o horror dos atos praticados. Seguimos um homem apaixonado por animais que vive com a esposa que compartilha do seu amor pelos bichos e juntos eles criam vários animais. Entre esses pets, está um gato preto que figura entre os favoritos do homem. Porém, ele acaba se tornando um alcoólatra e, além da esposa, o pobre gatinho começa a ser o alvo de sua fúria cega partindo de torturas até finalmente matá-lo num acesso de raiva, o que ele não contava era que as consequências de seu crime teriam um preço bem alto. Quando li a primeira vez, o lado sobrenatural do conto me tomou com muito mais força, porém, nessa segunda leitura eu vi mais o lado da natureza humana cruel e entorpecida pelo álcool que revela sua verdadeira identidade. Até certo ponto, o homem sabia o que estava fazendo e, mesmo nos poucos debates internos que lhe afligiam em nenhum momento ele procurou deter-se de verdade. O preço disso, é claro, foi mais uma consequência de sua própria consciência autopunitiva que propriamente o sobrenatural.
  2. O barril de Amontillado - Esse é um conto sobre vingança. Quando o li a primeira vez confesso que não achei graça nele, talvez meu primeiro contato com Poe tenha acontecido na hora errada ou na fase errada, não sei. A tradução também ajuda muito a experiência de leitura para o bem e para o mal. O narrador-personagem rumina uma vingança contra um conhecido há anos, sabendo este que o outro é um conhecedor de vinhos, arquiteta um plano para atraí-lo até sua casa vendo que o outro está muito doente. Ele o leva pelos túneis úmidos de seu porão enquanto acompanha a piora do conhecido com total indiferença (e poderia dizer até certo prazer), quando chegam ao destino e o homem se percebe enganado já é tarde, acorrentado ele vê o outro emparedando-o vivo na certeza que a doença terminará de matá-lo. Apesar de o terror sobrenatural não ser tão apelativo aqui, a crueldade e ardil do homem, ao contrário, causa muito incômodo. Quão pesados são os grilhões da mágoa e como nos cegam transformando-se de incômodos em verdadeiros fardos.
  3. O coração delator - No outro livro o nome era "denunciador" e não delator, mas dá na mesma. Confesso que, dos três desse bloquinho, esse me causou mais a sensação de "WTF?" Gente, eu apenas não conseguia entender como a mente dessa criatura funcionava, juro. Só uma pessoa seriamente perturbada poderia pensar dessa maneira. Nesse conto, somos apresentados a um homem que cuida de um velhinho que tem catarata em um dos olhos, não é certo que eles tem algum parentesco (pelo menos não lembro se especifica), mas é certo que o sujeito tem uma fixação com o olho do velhinho e aquilo vai crescendo numa loucura desgovernada até que ele decide, por fim, assassiná-lo. Com a certeza que nunca seria pego, ele não contava que seria assombrado pelo coração do falecido. Te dizer que depois que li esse conto fiquei meio contemplativa, quer dizer, que nível de crueldade ou insanidade leva uma pessoa a matar outra porque simplesmente "não gosta do olho"? Gente... me deu um mal estar que nem a "vingança" conseguiu aplacar.
Detetive Dupin
  1. Os Assassinatos da Rua Morgue - Esse tinha no outro livro também e dizer, relê-lo me deixou com uma vontade incrível de rever Sherlock. Poe, pelo que li no prefácio, foi o pioneiro na criação da ficção dedutiva e, conforme vamos lendo, impossível não notar como Christie e Doyle beberam na fonte do mestre do horror. Aqui, Dupin se oferece para ajudar a polícia a resolver um caso brutal de assassinato de uma mãe e sua filha que foram mutiladas de maneira horrível e nada foi roubado de sua residência. Tudo dentro da casa estava trancado e testemunhas afirmavam terem ouvido duas vozes vindas do andar onde as mulheres foram encontradas. O que parecia aparentemente insolúvel, em especial dado a brutalidade com que as mulheres foram mortas, para Dupin se torna uma luz no fim do túnel quando o improvável assassino escapou de qualquer sinal da polícia. Apesar de ter ficado realmente vidrada durante toda a leitura e cada vez mais ávida com o desfecho, não pude evitar uma ponta de decepção e até mesmo incredulidade quando o assassino foi finalmente revelado. Mas vale muito a pena.
  2. O Mistério de Marie Rogêt - Esse foi, talvez, um dos que eu mais tive "problema" para ler. Se trata do sumiço de uma moça chamada Marie Rogêt que é encontrada dias depois afogada em um rio sem qualquer traço do motivo ou do assassino. Por ser uma jovem muito conhecida, todos os jornais da região falam sobre o assunto, e é através desses recortes que Dupin tece suas conjecturas a respeito do crime, contudo, talvez por não ter um modo de investigação direta com perseguição ao suspeito e tudo mais, o conto envereda por uma linha cem por cento lógica que se torna um pouco desconfortável para quem não tem costume de literatura policial desse nipe, foi o que aconteceu comigo nas duas vezes que li esse conto. Baseado em uma história real acontecida em Nova Iorque, apesar das deduções de Dupin, o caso acaba sem solução.
  3. A Carta Roubada - Esse conto é interessantíssimo haha. O super intendente procura o detetive para lhe contar sobre uma importante carta roubada de uma importante figura política por um opositor de reputação ruim. Enquanto narra para Dupin a natureza de sua busca minuciosa na casa do suspeito em que cada vão de porta e cadeira foi investigado com esmero, o detetive se diverte com a aparente ingenuidade do super intendente tão focado nos fatos e ignorante quanto a natureza do infrator. Achei bem divertido não apenas a maneira como o detetive obteve a carta, mas a cara do super intendente ao precisar pagar por ela. Dei umas boas risadas.
Mulheres Etéreas
  1. Berenice - Esse bloquinho trata de amores eternos, praticamente, que se transformam em uma obsessão insana que leva os homens a atitudes absurdas. Nesse primeiro conhecemos Egeu que se casou com sua prima Berenice, ele tinha uma condição mental instável que piorava continuamente. Então, Berenice ficou muito doente e ele começou a prestar uma atenção singular aos dentes da esposa, apreciando, inclusive, sua beleza deteriorada pela doença. Em tal condição fica com os dentes da esposa que sua loucura atinge o ápice em um desfecho sinistro. 
  2. Ligeia - Esse conto tem muito do outro, na verdade, todos esses contos são bem parecidos, em especial pela temática. O homem se casa com Lady Ligeia, uma mulher de beleza e inteligência ímpares e ele era completamente devotado à esposa, apaixonado de modo cego e intenso, contudo, um dia a esposa fica gravemente doente e acaba por falecer. Adoecido pelo seu luto leva algum tempo até que ele consiga enfim casar-se novamente, mas seu coração continua fiel e apaixonado por sua esposa mortal, tal que não consegue fazer a atual esposa feliz, pois não consegue amá-la. Quando ela fica muito doente, algo realmente sinistro e sobrenatural acontece.
  3. Eleonora - Quando crianças, o personagem apaixonou-se por sua prima Eleonora e os dois, em consequência da doença dela, fizeram uma espécie de promessa de amor eterno que ele descumpriu alguns anos depois da morte dela ao se ver cego de paixão por outra mulher. A promessa de Eleonora se manteve fiel tal como sua garantia de que a parte dele seria cobrada posteriormente.
Esse bloquinho mexe mais com o romance sobrenatural, aqui tem quase uma obra ultrarromântica que faz alusão a beleza da donzela e ao amor eterno e melancólico do amado que fica após a morte dela. Apesar de admitir que sou uma romântica literária, não me surpreendi muito com o Poe romântico mesmo com a dose meio sombria kkkkk porém é inegável que cada conto ao seu modo traz não apenas muita coisa interessante, mas são verdadeiras aulas de escrita criativa e construção de personagem.

Espírito Aventureiro
  1. Manuscrito encontrado em uma garrafa - Um homem sai em um navio que acaba passando por uma tormenta poderosa e toda a tripulação, excetuando ele e outro passageiro, morrem. À deriva em alto mar por um tempo, eles enfrentam outra tormenta e um barco enorme surge na crista de uma onda gigantesca, esse barco cai sobre o navio deles e o homem acaba indo parar à bordo. O negócio é que ninguém nesse navio vê ele. Sim, isso mesmo, bizarríssimo. Ele pode andar entre os marujos, interagir com os objetos do navio, mas ninguém lá consegue vê-lo como se ele fosse um fantasma. Assim, ele decide escrever tudo que aconteceu e colocar dentro de garrafas que vai jogando em alto mar. 
  2. O Escaravelho de Ouro - Esse conto é uma mistura de detetive com Indiana Jones haha. Um homem fica muito amigo de um ex rico chamado Willian Legrand. Esse homem, após perder toda a sua fortuna, refugiou-se numa ilha onde construiu uma cabana e dedicou-se a colecionar insetos que estudada com esmero. Um dia, em decorrência de uma visita sem avisar, ele acaba descobrindo que o amigo conseguiu um escaravelho muito raro que possivelmente ainda não fora catalogado, contudo, junto do bicho, seu amigo começa a mostrar sinais de insanidade e uma busca ao tesouro se desenrola com um desfecho surpreendente.
  3. Nunca aposte a cabeça com o diabo - Te confessar que esse foi um daqueles contos que parecem aquelas histórias de avó para a gente não fazer determinada coisa. O personagem principal tinha um amigo chamado Dammit, este por ter sido criado com um rigor desnecessário, cresceu com o juízo meio amassado se podemos dizer assim, tinha o hábito de apostar coisas, claro dentro de sua possibilidade uma vez que era muito pobre, e de suas apostas mais comuns costumada apostar "sua cabeça com o diabo" coisa que as pessoas em geral ignoravam. Até um dia que um velhinho estranho e coxo apareceu aceitando o desafio que ele fizera ao amigo, no qual apostou sua cabeça com o diabo que saltaria de uma catraca em uma ponte. Bem, digamos que o diabo ganhou a aposta.
O Corvo

Nesse bloquinho, Poe nos apresenta todo o seu processo criativo na construção do seu mais famoso poema e, conforme lia, ficava parecendo que estava lendo um manual de escrita criativa tão minucioso e claro é seu explanar sobre as veredas da construção literária. A seguir, vem o poema original em inglês, que nunca tinha lido, e duas traduções, uma de Machado de Assis, bem rebuscada e floreada como era a cara de sua época e sua literatura e outra de Fernando Pessoa, essa, ao meu ver, mantendo mais fidelidade ao texto original em si.

Ler Poe é fazer um mergulho na mente e natureza humana passeando por cada camada e mergulhando no seu interior frágil e por vezes perverso. Fica claro que o autor era um observador atento do comportamento humano e da sociedade de sua época, além de um estudioso das emoções que permeiam o coração humano e sabia aplicar isso com maestria em sua literatura de modo a nos impingir medo, desespero, descontrole e repúdio, além de incitar a reflexões muito válidas sobre o comportamento, as escolhas, a efemeridade da vida e a força dos sentimentos. Sem dúvida, seu legado continuará ainda por muitos séculos sendo atual, imortal e aterrador.