sexta-feira, 20 de setembro de 2019

[Música] Monsta X Love U

O Monsta X lançou hoje seu novo single intitulado Love U, eu já tinha visto a prévia que eles lançaram no instagram dias atrás e não me arrependi quando ouvi. Ela traz o mesmo estilo de Who Do You Love sendo uma baladinha com elementos de thecno e o bom pop que conhecemos e amamos, surge na vibe de beautiful e até mesmo me lembrou as baladas do B.A.P, gostei muito! Estou realmente animada com o novo álbum coreano deles que deve sair ainda esse ano, espero. 

Uma das coisas que mais gostei, inclusive, foi ver que essa mudança de tom na música que diverge um pouco dos álbuns anteriores, vem com a carinha deles, o estilo não mudou, mas ficou versátil e mesmo que traga alguns elementos novos continua com a mesma marca do Monsta X que conheço e amo. Foi um alívio. Vivo com medo que eles mudem demais para o estilo americanizado como o EXO e o BTS. O single ainda traz uma versão de Who Do You Love remixada pelo Will I Am.


[Livro] A Garota que Não queria Lembrar

Título Original: The Cost of All Things
Autor: Maggie Lehrman
Ano: 2017
Gênero: Ficção, Drama, Mistério
Páginas: 352
ISBN-13: 9788584190508

Sinopse: O que você sacrificaria para superar a perda de um grande amor? Ou para enterrar de vez as suas tristezas? Ou para ter a beleza com que sempre sonhou? Cuidado, porque o preço pode ser alto demais... Após a morte do namorado, Ari recorre a um feitiço para apagar Win da memória. Mas esquecer o rapaz não é tão simples, ainda mais depois que Ari percebe que entre seus amigos, seu namorado e até ela mesma há segredos demais. Se revelados, podem mudar a sua vida para sempre. antes do passado e do presente em uma narrativa acelerada. É um drama misterioso e romântico, com os dois pés na realidade e o coração na magia. A cada página, a busca para revelar a verdade por trás de uma terrível tragédia fica mais perigosa para os personagens e mais interessante para o leitor.

Não me lembro do motivo pelo qual minha irmã decidiu comprar esse livro, mas ele me saiu bem diferente do que pensei. Com o avanço da minha meta de leitura, acabei colocando alguns livros na frente, isso porque eu separo os livros por mês, de acordo com a intenção que eu tenho para ler aquele mês, o caso desse foi, sendo bem sincera, para "tapar buraco" como outros que eu coloquei para preencher o vazio que vai ficar até as leituras de Novembro que vão ser bem específicas de acordo com a temática do meu trabalho esse ano para o Nanowrimo.

A história começa com Ari (Ariadne) indo à casa de uma hekamista, que seria uma espécie de feiticeira, com cinco mil dólares que apareceram magicamente no seu armário e que vão lhe dar o que ela precisa naquele momento: a cura da dor da perda. O namorado de Ari, Win, morrera semanas antes e, incapaz de lidar com a perda, ela pede um feitiço para apagá-lo da memória, contudo, os feitiços sempre tem efeitos colaterais e o preço que Ari paga para se esquecer do seu amor é a perda da habilidade de bailarina. Agora ela apagou Win da sua memória, mas não consegue mais dançar.

Enquanto isso, Diana, a melhor amiga de Ari, se preocupa com o estado dela sem saber sobre o feitiço, tal qual Markos, o melhor amigo de Win, que está sofrendo horrivelmente com a perda como se uma parte dela estivesse faltando, enquanto Ari não sente nada além do desespero por não poder dançar balé. Todo mundo confere a melancolia dela ao fato da perda de Win e quando ela pensa nas consequencias de revelar a verdade acaba descobrindo que seria odiada por todos que lhe cercam caso descobrissem que ela esqueceu do Win que todos amam.

Paralelo ao tormento de Ari e Markos, acompanhamos a narrativa de Win em seus últimos dias até o acidente que o matou, descobrindo que ele tinha depressão e não sabia como lidar com aquilo, por sua família ser muito pobre sua mãe tinha outras prioridades além de tratar (ou prestar atenção) ao que o filho mais velho estava passando. Também vemos o drama de Kay cuja irmã tinha câncer e, logo após recobrar a saúde, saíra pelo mundo deixando-a para trás. Ela havia comprado um feitiço de beleza para não ficar mais sozinha e se aproximara de Diana quando Ari, que passava a maior parte do tempo com o namorado, deixara a amiga de lado. Sabendo dos planos de Diana em ir para outra cidade e de Ari em entrar para o balé de Manhattan, Kay compra um feitiço de amarração que as prende a elas e as impede de se afastar acreditando que assim nunca ficaria sozinha e, sobretudo, crendo que o afeto pode ser imposto se não pode ser conquistado.

Quando Echo, a filha da hekamista, surge diante de Ari pedindo os cinco mil dólares que Win lhe devia a menina se vê em um beco sem saída quando a garota ameaça contar para todos sofre o feitiço que ela fez para esquecer o ex-namorado. Ao mesmo tempo, Markos tenta conter a dor da perda do melhor amigo passando tempo com Diana que é apaixonada por ele desde sempre e Kay vê os efeitos da sua amarração tomarem um curso perigoso que pode acabar ferindo gravemente aqueles que ela queria proteger.

O livro tem um ritmo acelerado que, num primeiro momento, não gostei muito. Dá a sensação que a autora quer terminar logo a história. Os quatro pontos de vista escolhidos para contar a narrativa foi, ao mesmo tempo, o ponto forte e fraco do livro, porque enquanto mergulhamos na cabeça daqueles personagens e os conhecemos melhor não podemos ter certeza se a visão que ele nos apresenta é real ou subjetiva uma vez que os acontecimentos são apresentados de forma muito intensa de acordo com a visão de mundo de cada um. Win é a única exceção porque temos uma visão intimista da sua doença e das razões que o levaram até o dia da sua morte e, de longe, foi a única parte do livro que eu gostei por identificação mesmo.

"[...] está aí uma coisa engraçada sobre a depressão: é difícil pra cacete cumprir um plano."

Esse personagem levanta uma reflexão muito válida sobre as doenças emocionais e o descaso ou mesmo a pouca importância que se ainda se dá em relação a elas além de mostrar como uma pessoa deprimida se sente, mesmo que numa dimensão bem menor do que acontece na realidade. A mãe de Win, embora não seja explicitado no livro, parece não perceber ou ignorar o que acontece com o filho uma vez que o menino passa por longos períodos de melancolia e ela simplesmente não intervém. Markos e Ari inclusive, que é os que estão mais próximos dele, parecem nem saber que o garoto tem uma doença, agem como se os períodos de tristeza fossem apenas isso, períodos e não um estado como realmente é. Além disso, Win mostra a impotência e o medo que alguém com esse transtorno passa, o medo de tudo, de não ser o bastante, de ser um peso, os pensamentos suicidas que vem do nada e cada vez com força maior, o derrotismo e a raiva que se sente em relação a si mesmo. É um retrato cru de como é difícil conviver com essa doença e de como é viver com a máscara do "tudo bem" escondendo como realmente se sente, como é cansativo, para escutar gente dizendo que é mimimi ou que a pessoa só quer chamar atenção. De todos os pontos de vista o dele foi o que achei mais intenso e até sincero, porque eu conseguia palpar os sentimentos, senti-los fluir pela minha pele e me colocar no lugar dele.

"Uma das partes mais estranhas da depressão é a maneira como ela afeta a memória. Quando estava deprimido não conseguia me recordar de nada particularmente feliz que tivesse acontecido comigo. As coisas que antes via como felizes pareciam falsas e vazias. O passado bom se apagava a uma distância homérica, e o presente bom, enfim, esse parecia impossível."

Outra coisa muito válida relativa a ele é a analogia com o feitiço que ele pede para se sentir bem, fazer parar a tristeza, a dor. Quando ele finalmente tem o feitiço na mão fica com medo de tomar, em parte pelo medo de se tornar outra pessoa, em parte por achar não merecer aquilo, não ser digno da felicidade. Passei por isso quando comecei o tratamento e via o que os remédios faziam comigo, o torpor, a mente sempre ligada no "Ok" independente do que acontecia, a sensação de falsa alegria que perseguia o tempo todo. Era como se vivesse numa nuvem ilusória que me prendia numa fachada de bem estar quando, lá no fundo, algo continuava me lembrando que eu era uma dependente, que sem aquele remédio voltaria a ser a pessoa obscura e vazia que sempre fui. Sério, isso não é brincadeira, Win é um alerta para o cuidado preciso com as doenças psicológicas, para a atenção que elas merecem e que ainda é tão negligenciada.

Porém, essa mesma empatia não aconteceu com as outras personagens. Achei Ari uma chata, não apenas egoísta, mas meio rasa também, ainda que ela levante uma questão importante que é o preço das nossas escolhas. Quantas vezes a gente não desejou ser capaz de esquecer tudo apenas para fugir da dor ou do medo? Mas nessas mesmas vezes, quantas a gente parou para pensar nas consequencias que isso traria? Pela minha experiência eu digo que nenhuma. Quando perdeu os pais, a tia dela lhe comprou um feitiço para ajudá-la a fugir do trauma e, talvez por isso, ela tenha achado que fugir era a resposta para se livrar daquilo que machucava e com o que ela achava que não podia lidar. Porém, o fato de ela negligenciar a Diana por causa de Win ou mesmo de impedir ela de fazer as próprias escolhas e cometer os próprios erros me irritava pra caramba, querer proteger uma pessoa não dá o direito de tolher sua vontade, ela sabia que a Diana gostava do Markos e Diana sabia que tipo de cara o garoto era, Ari não tinha nada que se meter naquilo, se a amiga não queria ouvir os conselhos que aprendesse sozinha. O fato de ela não querer que Diana sofresse só a fez sofrer mais.

O Markos tinha sérios problemas psicológicos que elevaram-se a um nível ainda maior depois da morte de Win que era mais seu irmão que os filhos da sua mãe e, dizer, essa mãe dele é o pior tipo de pessoa que eu já vi. Cega. Beirando a loucura. Depois de tudo que o filho Cal fez ela ainda tem a audácia de culpar o Markos do que aconteceu quando na verdade ninguém além dela mesma e dos outros dois filhos eram os culpados. Achei a atitude dela escrota. Com isso, entender porque o Markos agia como agia e se sentia como sentia era super de acordo com a forma com que ela cresceu, sempre se sentindo excluído dentro da própria família. O mesmo eu não posso dizer de Kay, essa guria era paranoica num nível irritante, eu passava os capítulos dela querendo que ela sumisse, na boa. Ela tinha tão pouca noção de si mesma e do mundo que ao invés de tentar entender as coisas achava que feitiço era a resposta pra tudo. Mesmo quando ela viu a merda que fez ainda assim insistiu em continuar com aquilo porque a obsessão era maior que a razão. Em nenhum momento senti empatia ou mesmo compaixão por ela, nem mesmo pena! Achei o final dela ameno para o que ela realmente merecia. Se tinha problemas com a irmã ela devia ter tentado resolver as coisas com ela e não ir atrás de substitutas colocando a vida dos outros em risco em nome do seu próprio egoísmo e da incapacidade de se aceitar.

O livro me deixou dividida entre o gostar e a raiva. Não quer dizer, claro, que é ruim, apenas que ou eu li numa fase errada ou ele realmente não me agradou mesmo, seja pela forma narrativa ou por suas personagens que, mesmo bem construídas, não me despertaram emoção (excetuando Win, claro). Ainda assim, deixo aqui a recomendação para leitura reflexiva, ele levanta questões muito boas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

[Drama] Abyss

Original: 어비스 (RR: eobiseu)
Escritor: Moon Soo-Yun
Episódios: 16
Ano: 2019

Sinopse: Cha Min ( An Se-Ha ) é o sucessor de uma empresa de cosméticos. Ele é inteligente, humilde e tem um bom coração. Ele também é pouco atraente. Cha Min entra em um acidente depois que descobre que sua noiva, Hee Jin, o traiu e morre. É assim que ele recebe o abismo misterioso de um par de alienígenas e volta à vida com uma aparência diferente. Cha Min ( Ahn Hyo-Seop ) agora tem uma aparência bonita.
Ko Se-Yeon ( Kim Sa-Rang ) é uma bela promotora e é boa em seu trabalho. Ela é atacada por um assassino em série e morre. Devido ao Abyss misterioso, concedido a Cha Min, Ko Se-Yeon é revivida, mas agora ela tem uma aparência comum. A misteriosa Abyss revive pessoas mortas, mas elas ganham uma aparência de acordo com suas almas. Juntos, Se Yeon e Cha Min vão usar todas as suas habilidades para descobrir a verdade sobre o assassino de Se Yeon e provar a inocência de Min.

Abyss conta a história de Cha Min, o rico herdeiro de uma grande empresa de cosméticos que está noivo de Hae Jin, uma garota que foi apresentada por sua melhor amiga, Go Se Yeon por quem ele é apaixonado desde criança. Apesar de ser um homem doce, de bom coração e generoso, Cha Min não é fisicamente "lindo", por isso seus sentimentos por Se Yeon, linda, disputada e alta, não são correspondidos. Ao contrário dele, a beleza fez de Se Yeon uma mulher arrogante e metida que não se importa muito com os sentimentos dos outros. Ela é uma promotora bem sucedida que está no rastro de um serial killer que se esconde sob a fachada de um cirurgião.

Quando Hae Jin desaparece dias antes do casamento deixando para Cha Min nada além de dúvidas, ele acaba descobrindo que ela não gostava dele de verdade, que fora embora porque seria incapaz de amá-lo com a aparência que ele tinha, além de ter mentido para ele durante todo aquele tempo. Arrasado, Min decide se matar, mas se arrepende no último minuto só que acaba sendo atingido por um par de aliens que sem querer bate nele e o arremessa longe, matando-o. Ele acaba sendo revivido por uma pedra mágica chamada Abyss (abismo) que é dada a ele de presente sob a advertência de ser usada apenas se numa extrema necessidade. Os aliens lhe dizem que a pedra tem o poder de ressuscitar uma pessoa contudo, sua aparência muda de acordo com a sua alma (isso varia, algumas pessoas tem uma alma semelhante a sua aparência física então não mudam) e, como Cha Min era uma pessoa bonita por dentro, ele revive como um belissimo homem.

Contudo, ele é dado por desaparecido e sua mãe está com os nervos à flor da pele na procura dele. Mas Min não pode reaparecer porque ele foi acusado de ter assassinado Se Yeon que foi vítima do assassino em série Oh Yeon Cheol. Por ser apaixonado pela promotora desde sempre, ele é incapaz de aceitar sua morte, e quando vai visitá-la acaba descobrindo o poder do abyss ao ressuscitar  Se Yeon com a aparência de sua alma, uma mulher comum, baixinha e bonitinha. Por sorte, ela acaba se parecendo com a ex-promotora e agora advogada Lee Mi Do, o que lhe dá acesso não só a um apartamento, mas ao detetive Park responsável pela investigação do serial killer que lhe matou.

Enquanto investigam, tramas paralelas se conectam e por acidente Cha Min acaba ressuscitando Oh Yeon Cheol o que lhe confere uma série de problemas, tanto para ele quanto para Se Yeon, além disso, o promotor Seo Ji Uk, amigo de Se Yeon, é cúmplice do assassino o que complica ainda mais as coisas e facilita suas fugas. Agora, Cha Min vai precisar de ainda mais esperteza e ajuda para provar que não é um assassino e para proteger Se Yeon e sua ex-noiva Hae Jin, que era refém do serial killer, de caírem nas mãos dele e do seu cúmplice.

Te dizer que assisti esse drama por causa da Park Bo Young, gosto muito do trabalho dela e, em geral, ela sempre tem uma química maravilhosa com todos os atores que contracena, aqui não foi diferente ela deu um banho de atuação. Contudo, a história não me impressionou muito, tinha horas que a situação intelectual dos personagens era de um jeito que eu tinha vontade de socar o PC, principalmente o Cha Min que era o rei das decisões idiotas. A Hae Jin também me tirava do sério e me irritava o modo como o roteiro parecia facilitar para que Oh Yeon Cheol conseguisse o que queria. Era frustrante. Muitas coisas não são explicadas sobre o abyss ou sobre os aliens que deram a pedra a Cha Min. O final do drama é feliz, mas além de deixar essas lacunas usaram aquele recurso desnecessário de separar o casal nos 42 do segundo tempo para fazer ele voltar depois com uma explicação que beira o ridículo e isso não é um spoiler porque não to contando o que e como acontece. Não digo que é uma perda de tempo, sabe? Me diverti em algumas partes e tals, mas não é um drama que eu veria de novo.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

[Livro] Essencial Clássicos Infantis - GRIMM #1

Original: Fairy Tales of the Brothers Grimm
Ano: 2016
Editora HB
160 páginas

Minha irmã comprou esse box dos Grimm já tem um tempo e na época foi tão barato que não acreditei até ela me mostrar o boleto. Como consegui uma folga na minha meta de leitura do ano (apesar do clube do livro), acabei adicionando o primeiro volume da trilogia para ler.

Não foi meu primeiro contato com os Grimm, já havia lido outro contos deles quando criança, lembro-me que meu favorito era o dos dois irmãos apesar de sua composição por vezes sombria e pesada, não há como negar o fascínio que a obra dos irmãos alemães exerce sobre o leitor. Há treze contos nesse livro, muitos que não conhecia outros que conheci versões diferentes como o primeiro conto, O Pássaro de Ouro, ouvi essa história ainda criança, mas numa versão diferente, diria até um pouco mais elaborada naquela coleção Conte Outra Vez que eu adorava quando pequena e pode ter me influenciado muito na minha paixão por escrever.

Outros foi uma grata surpresa, a maioria são fábulas e há alguns que parecem versões de outras histórias como Jorinda e Jorindo que se assemelha bastante a João e Maria em vários aspectos. Já alguns como João, O Felizardo, que conta a história de um homem tão otimista que chega a ser inacreditável (por vezes não sabia se ele era otimista ou burro mesmo kkkk), contudo, mostra que não precisamos de muito para ser feliz, tal como O Pescador e Sua Mulher, que mostra que a felicidade não está em ter tudo que queremos porque, uma vez que conseguimos algo, sempre vamos querer mais, movidos por uma ganância e inveja que não tem precedentes, mas tendo aquilo que nos basta e vivendo uma vida simples podemos conseguir mais felicidade que toda a riqueza do mundo não pode proporcionar. De longe foi meu conto favorito.

Os Sapatos Estragados é a história que vi em Barbie e as Princesas Bailarinas, claro que a Mattel modificou um pouco a história. Ler esse livro foi como voltar a ser criança, claro que com a idade que eu tenho vejo esses contos com outros olhos e outra perspectiva, mas mesmo que eu não tenha mais aquela visão mágica de mundo que tinha na infância, é inegável quão rico e fantástico é mergulhar no mundo dos Grimm com suas histórias mágicas e cheias de lições. Vale sempre muito a pena. 

domingo, 8 de setembro de 2019

[Anime] Akatsuki No Yona

Título Original: 暁のヨナ
Ano: 2014/2015
Episódios: 24 + 3 OVA
Autor: Mizuho Kusanagi
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia, Romance

Sinopse: Yona é a única princesa do reino de Kouka e vive uma vida luxuosa e sem preocupações. Mas seu mundo perfeito vira de ponta cabeça quando Yona presencia o assassinato de seu querido pai. E o pior: O homem que assassinou seu pai foi Soo-won, por quem Yona era apaixonada desde a infância. Assim Soo-won começa sua ascensão ao trono e Yona foge com seu guarda costas, Son Hak para sobreviver.

Coloquei esse anime na minha lista por causa das inúmeras recomendações. Havia ouvido tanto quão bom ele era que precisava assistir para ver.

Como a própria sinopse já fala, a história segue Yona a princesa do reino de Riryuu, mimada pelo pai, perdeu a mãe muito cedo e tem como melhores amigos seu primo Soo Woon que praticamente cresceu com ela, e seu guarda-costas Hak o mais forte da tribo do vento e sucessor do seu avô. O pai de Yona era um rei tido por tolo que sonhava com um país pacifista e, por isso, bania as guerras e negligenciava muitas coisas em nome da paz no reino, coisa que trazia muitos problemas para os súditos, mas obviamente, Yona não sabia nada disso, ela passava os dias sonhando com o amor de Soo Won cujo casamento o pai dela se opunha sem revelar o motivo.

Quando completa dezesseis anos a vida de Yona muda para sempre. Determinada a fazer o pai mudar de ideia, ela corre a noite após a festa para seu quarto numa nova tentativa de que ele permita que ela se case com Soo Won, mas o que ela vê é seu amado empalando seu pai com sua espada. Em choque, Yona tenta entender o que está acontecendo e seu primo lhe conta uma sórdida história de traição envolvendo seu pai, claro que ela não acredita naquilo, o rei era um homem bom, que odiava armas e violência, ele nunca mataria ninguém. Como ela presenciou o assassinato, o conselheiro de Soo Won ordena que ele a mate, mas Yona consegue sair do aposento e é salva por Hak que também descobre a traição de Soo Won.

Ainda em choque por tudo que aconteceu naquela noite, ela segue Hak na direção da tribo do vento onde poderiam se abrigar e pensar no ocorrido. Yona se vê dividida entre seu ódio pelo que Soo Won fez tirando seu trono de modo brutal e o amor que ainda sente por ele enquanto é ignorante aos sentimentos de Hak que é apaixonado por ela. Eles conseguem chegar à vila de Hak e são bem recebidos, é quando descobrem que Soo Won reclamou o trono e, pela recusa do avô de Hak em aceitá-lo como rei, está usando a tribo do fogo para pressioná-lo. Ela pede que o avô do seu guarda-costas assinta na coroação do primo e, para não trazer mais confusão para a tribo, parte com Hak em busca de um sacerdote que pode lhes indicar uma direção.

No caminho, entretanto, são atacados pelo príncipe da tribo do fogo que sempre foi obcecado por Yona, mas rejeitado em todas as propostas de casamento que fez. Na luta para protegê-la, Hak é atacado diversas vezes e, em uma delas, por uma flecha envenenada, contudo, Yona consegue chegar a tempo para impedir que ele seja morto, mas os dois acabam caindo de um precipício e são resgatados por Yun, o garoto que toma conta do desajeitado sacerdote Ik Su. Quando se recuperam, ele diz a Yona que o destino dela é encontrar os quatro dragões que estão espalhados pelo reino. Contudo, ele só consegue indicar a localização de um deles, o dragão branco.

É assim que começa a jornada de Yona não apenas para encontrar os quatro dragões destinados a protegê-la, mas para descobrir a si mesma e sua força, aprender mais sobre o seu reino e seus sentimentos e, sobretudo, encontrar a força que precisa para vencer Soo Won e recuperar o que por direito lhe pertence. 

Cheio de personagens incrivelmente construídas, com uma princesa que não abaixa a cabeça mesmo com medo e uma história maravilhosa, Akatsuki no Yona tem ação, aventura, comédia, drama e uma pitadinha de romance, tudo na dose certa para nos deixar presos em cada capítulo sem ao menos piscar. Infelizmente, não temos um desfecho redondinho, isso porque o mangá ainda não está concluído e já vai no volume 30! Mas não tem sequer previsão de desfecho, assim, como o anime foi finalizado em 2015 a história acaba apenas com a promessa de que o melhor ainda está por vir. Contudo, super recomendo. 

Além disso, a trilha sonora é maravilhosa e, dentre as minhas favoritas, claro que está a composição irretocável de Akiko Shikata que eu deixo aqui para vocês apreciarem:


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

[Mangá] Nagato Yuki Chan no Shoushitsu

Original: 長門有希ちゃんの消失
Gênero: Comédia Romântica
Ano: 2009-2016
Volumes: 10
Autor e ilustrador:  Puyo

Sinopse: Yuki Nagato, a presidente tímida do clube de literatura, nunca foi muito segura de si em torno de outras pessoas. Mas em torno de Kyon, o único menino no pequeno grupo, de três pessoas do clube, Yuki encontra-se vacilante ainda mais do que o habitual. Para Kyon, e por seu precioso clube, Yuki deve encontrar sua confiança e deixar que sua verdadeira personalidade brilhe! 

Quando vi o anime desse mangá fiquei apaixonada pelo enredo, achei interessante e muito fofo, apesar de o final na época não ter feito muito sentido para mim. Acabei decidindo ir atrás do mangá, mas as traduções em português estavam estacionadas, como já havia lido outros mangás em inglês decidi por este na lista e lê-lo em inglês mesmo, usei o site magakalot que é onde eu mais gosto de ler porque o sistema deles é bem confortável.

A história é quase a mesma do anime, Nagato Yuki é uma adolescente que mora sozinha, não fala onde os pais dela estão, quem cuida dela é sua vizinha e melhor amiga Asakura Ryoko que não esconde seu instinto materno e superprotetor com ela. Nagato é viciada em jogos, adoravelmente tímida e presidente do clube de literatura da escola (ainda que ler seja a última coisa que ela faz lá haha). Contudo, seu clube está prestes a ser fechado por falta de membros, assim, para salvá-lo, ela precisa se prontificar a enfrentar as pessoas para conseguir membros e é quando Kyon entra em cena. Yuki o havia conhecido na biblioteca semanas antes, como ela não tinha carteira ele alugara os livros para ela usando a sua e, desde aquele momento, ela ficara encantada com ele.

Mesmo um pouco apreensivo, Kyon acaba se juntando ao clube no início a gente não tem muita certeza, mas ele parece ter se não um interesse, mas uma curiosidade com Nagato o que é muito fofo de toda forma. Ele consegue que dois dos seus amigos se tornem membros fantasma mantendo assim o clube de Nagato a salvo. Conforme os dois convivem ela vai se apaixonando por ele e, sem saber como lidar com isso, recebe a ajuda de Ryoko, porém, a chegada de Suzumiya no clube promete atrapalhar um pouco as coisas no começo. Ela conheceu Kyon em uma noite escura quando ele voltava da loja de conveniência e ela queria se comunicar com seres inexistentes que na cabeça dela eram muito reais.

É assim, após uma volta para casa sob a chuva, que Nagato Yuki é quase atropelada e, a partir desse momento, muda de personalidade. No anime isso me deixou um pouco desconcertada, não entendi direito o que aconteceu e o mangá não esclarece muita coisa. É como se fossem duas Nagatos, a doce, tímida e fofinha que é sua personalidade real e aquela mais fria, indiferente e assertiva, direta e, a partir do acidente, é essa que assume o controle enquanto a outra adormece dentro da sua consciência. Psicologicamente falando isso deve ter outra conotação, mas não sou psicóloga pra dizer. A coisa é que essa Nagato surge e, a partir daí, sua relação com Kyon (que já estava começando a gostar dela) assume outro patamar.

Os dois se aproximam mais, não apenas por eles terem certos gostos em comum, mas por essa Nagato nova ser ainda mais fascinante para ele. É quando chega o momento que ele não sabe de qual das duas gostas mais. A nova Nagato tem um tempo limitado e, antes de "devolver" sua personalidade para o subconsciente de Yuki, ela revela a Kyon que é apaixonada por ele, ambas. Quando Yuki acorda, não lembra nada do que aconteceu. Assim, resta a Kyon e Yuki não apenas tomarem coragem para assumir seus sentimentos como superar os obstáculos que se interporão em seus caminhos.

Eu gostei muito do mangá, é leve, fofo e engraçado na dose certa. As carinhas da Yuki, gente, eu morria de fofura, na boa! Essas são algumas fotos do anime que tem no mangá também igualzinho:





Gente, fala sério, a Yuki é muito fofinha! Eu tinha tantos surtos que vocês não tem ideia. O anime não adaptou a obra toda, por isso o final meio estranho, isso porque o anime foi lançado em 2015 e o mangá só foi finalizado em agosto de 2016 e te contar, se tivessem adaptado o último volume eu não apenas ia surtar (porque tem beijinho) mas ia chorar horrores. A evolução da Yuki também é algo maravilhoso de acompanhar, ela consegue crescer sem abandonar sua personalidade e tem horas que ela é tão ingênua que a gente quer por ela num potinho, sério, é muito amor. A relação dela com o Kyon se desenvolve num ritmo lento e muito gostoso de acompanhar, ficamos na torcida que eles assumam o que sentem e quando acontece, nossa! Além disso, personagens como a Ryouko ganham um pouco mais de destaque também o que é bom, a gente vê a gênesis da amizade dela com a Yuki e é muito amorzinho. É muito bom mesmo, super recomendo. O inglês dos mangás é sempre bem simplinho de modo que mesmo um básico como eu consegue ler tranquilo. Mais que recomendado!

LEIA AQUI a resenha que fiz na época que assisti o anime.

sábado, 31 de agosto de 2019

[Livro] O Homem de Giz

Original: The Chalk Man
Ano: 2018
Autor: C. J. Tudor
Gênero: Mistério, Suspense

Sinopse: Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes.

Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás.

Não consegui ler o livro do projeto Relendo e Resenhando do mês de Agosto, de modo que vou mantê-lo no mês de Setembro desejando que as coisas saiam melhores... o mês de Agosto foi muito difícil para mim, muita coisa aconteceu ao mesmo tempo e me vi totalmente fora da razão, me desculpem. Espero que setembro seja melhor.

Bem, O Homem de Giz foi a escolha do Clube do Livro de Agosto, tinha visto esse livro outras vezes, mas por alguma razão nunca havia realmente me interessado em lê-lo de modo que, de alguma forma, foi uma surpresa boa. Não digo que é um livro fantástico, mas a história cumpre o papel de nos entreter e fazer as pulguinhas saltarem atrás da orelha.

A trama é narrada por Eddie Adams que alterna sua narrativa entre a infância e a vida adulta. É assim que somos apresentados à Elisa, a bela menina que sofre um acidente tenebroso num carrossel e ao senhor Halloran um homem albino e misterioso. Assim como conhecemos os quatro amigos de Eddie, Gav, Hoppo, Mikey e Nicky. Cada um à sua forma tem um papel na trama sombria do homem de giz. Quando um corpo é encontrado no bosque e uma série de pistas com homens de giz é espalhada para os quatro amigos, um complexo quebra-cabeças começa a ser montado e segredos do passado envolvendo as crianças e seus pais começam a ser desenterrados.

Eddie é cleptomaníaco, Mikey é mentiroso, Nicky tem problemas com o pai, o pastor da cidade, e por causa disso se mutila. Gav é o "ostentador" dos cinco e Hoppo o que tem mais problemas financeiros. Os cinco ficam ligados pelo corpo sem cabeça e desmembrado no bosque e quando cada um recebe uma carta com um homem desenhado a giz juntamente com um giz descobrem que a história não acabou. Quando Mikey acaba morto do mesmo jeito que seu irmão mais velho na adolescência, Eddie tem certeza que o assassino está por perto rastreando cada um dos seus passos e precisa descobrir a verdade antes que seja a próxima vítima.

Gostei do livro. Como falei, não chega a ser incrível, mas é muito bom, a trama é envolvente e apesar de alguns recursos meio forçados (como querer fazer a gente acreditar que o senhor Halloram é o homem de giz) as respostas não ficam exatamente na cara. Inclusive, a revelação do último capítulo me deixou bem surpresa. Uma das meninas do clube disse que o começo da história parece muito com IT, mas como eu nunca li esse livro não posso fazer comparações. Acho que vale a leitura.

[Drama] The bride of the water god

Original: 하백의 신부; rr: Habaek-ui shinbu
Gênero: Romance, Drama, Fantasia, Comédia
Direção: Kim Byung-soo
Roteiro: Jung Yoon-jung
Ano: 2017
Elenco: Shin Se-kyung
Nam Joo-hyuk
Lim Ju-hwan
Krystal Jung
Gong Myung

Baseado no manhwa de  Yoon Mi-kyung

Onde encontrar: Kingdom Fansub


Sinopse: Quando o deus da água narcisista Ha-baek (Nam Joo-hyuk) visita a Terra para encontrar uma pedra poderosa o suficiente para ajudá-lo a reivindicar o seu trono, ele busca a ajuda de seu servo e a noiva destinada, o psiquiatra So-ah (Shin Se-kyung), cuja família está destinada a servir o deus da água por gerações. O problema é que ela não tem crença nos deuses e, inicialmente, confunde-o por sofrer de delírios. As coisas ficam ainda mais estranhas quando o Deus do vento Bi-ryeom (Gong Myung), a deusa da água Mu-ra (Krystal Jung) e o semi-deus Hu-ye (Lim Ju-hwan) aparecem complicando as coisas.

Comecei a ler o manhwa ano passado, mas por alguma razão não terminei, estava gostando muito, por sinal e quando anunciaram o drama em 2017 eu tinha ficado muito interessada, mas ia terminar o manhwa antes de assistir, mas abandonei o plano e esse ano decidi colocar na meta de dramas para ver. Confesso que não gostei muito.

A história segue Habaek, o deus da água destinado a ser rei, mas para isso, o sacerdote o envia para a terra com a missão de encontrar as três pedras dos deuses e levá-las de volta ao  reino da água, para isso ele deve encontrar os três deuses que estão lá, Moora a deusa da água, Bi Ryeom o deus do vento e i deus da terra (cujo nome esqueci, desculpa), mas as coisas começam mal assim que ele chega uma vez que, além de estar sem os seus poderes a serva dos deuses que deveria acolhê-lo e cuidar das suas necessidades não está disposta a ajudá-lo.

Yoon So Ah é uma mulher cheia de cicatrizes de uma infância conturbada, o pai cuidava de várias de rua e, por isso, dava pouca atenção para ela, na adolescência ele saiu de casa para ficar com outra mulher e ela nunca foi capaz de perdoá-lo por isso. Formada em psiquiatria, sua clínica passa por tantas dificuldades quanto possível porque ela não gosta do seu trabalho tal qual não gosta da Coréia. Por isso, quando Habaek aparece anunciando ser o deus da água e dizendo que ela é sua serva a última coisa que ela quer é mais um peso nas suas costas. Além disso, a arrogância e o egocentrismo do deus da água não ajudam nem um pouco.

Habaek descobre que o deus da terra desapareceu e que os dois deuses remanescentes perderam as pedras dos deuses, a essa altura ele já está na casa de Soo Ah, mas sua relação com ela não anda das melhores embora eles comecem a se importar um com o outro. Quando Hu Yue, o ceo de uma empresa de publicidade aparece e mostra interesse em Soo Ah as coisas se complicam por ele ter uma relação conturbada com os demais deuses e esconder um segredo sombrio. Moo Ra, por sua vez, não gostando nada do caminho que a relação entre Habeak e Soo Ah está tomando prepara todas as suas armas para separá-los.

Lembro que dos poucos volumes que li, oito de vinte, gostei muito, a história era cheia de mistérios, intrigas, luta pelo trono, maldições e amores trágicos. Sem contar que era uma trama histórica, acho que esse foi o ponto que mais me fez não curtir o drama, eles fizeram como uma espécie de spin off do manhwa, não achei que o Nam Hyuk e a Se Kyung tiveram química, tirando a Moo Ra e o Bi Ryeom que praticamente roubaram a cena, achei as atuações bem fraquinhas e o enredo bem mais ou menos. O final é feliz, mas bem previsível, mesmo as partes cômicas para mim foram poucas que surtiram efeito. Enfim, é mediano, vou terminar de ler o manhwa porque ao que parece é muito melhor.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

[Livro] A Sombra do Vento

Ano: 2001
Autor: Carlos Ruiz Zafón
páginas: 565
Gêneros: Drama, Suspense, Literatura gótica
Série: O Cemitério dos Livros Esquecidos #1

Sinopse: Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de "A Sombra do Vento", do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível.

Muitas coisas impediram que eu terminasse esse livro no prazo, a primeira delas foi o concurso público que prestei no domingo, era para tê-lo terminado na segunda e, bem nesse dia, recebi a notícia do falecimento do meu avô e ainda não consegui ordenar direito a minha cabeça. Acho que de todas as bagunças internas que passamos ao longo da vida, a mais difícil delas é lidar com o buraco que nos abre a partida de alguém que amamos... em especial porque esse é um vazio que nunca se fecha mesmo com a anestesia do tempo. De alguma forma, A Sombra do Vento vai tratar desse tema, sobre a vida, sobre a perda, sobre a essência do presente, do agora.

Esse é o terceiro livro de Zafón que eu leio e cada vez ele se consolida mais como um dos meus autores favoritos dada a sua forma única de contar histórias, isso porque nunca temos apenas uma história, mas um emaranhado de tramas que se converge num costurado de enredo tão bem amarrado que nos arremata da realidade de uma maneira que poucos livros são capazes. Mergulhamos na vida dessas personagens que se descortina para nós de modo gradual e tão completo que é como se lêssemos vários livros dentro de uma mesma história.

Tudo começa quando, no final da infância, Daniel Sempere é levado pelo pai para conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, como uma forma de ajudá-lo a superar a perda da mãe. É nesse lugar cercado de livros e mistérios que Daniel encontra A Sombra do Vento livro de um autor desconhecido chamado Julian Carax. Imerso nas páginas fascinantes da narrativa do escritor, Daniel se vê fascinado e interessado em descobrir o homem por trás das palavras, é aí que imerge no mistério envolvendo Julian de quem pouco se sabe e muito se especula. A sua descoberta pelo romance, extinto de todas as livrarias e bibliotecas do mundo, o leva a conhecer Clara Barceló ― cujo tio quer comprar o livro a todo custo e qualquer preço ― por quem o jovem Daniel de quinze anos se apaixona, e Fermín Romero, um homem de passado nublado que vive nas ruas e se torna um amigo fiel quando Daniel e seu pai o empregam em sua livraria.

A investigação pela vida de Julia Carax envereda Daniel e Fermín por um passado sombrio pouco antes da guerra explodir nas ruas de Barcelona onde Julian Carax se descobria um filho ilegítimo e se apaixonava por Penélope Aldaya, cujo amor estava marcado a destruir suas vidas para sempre. Enquanto se embrenha pelas descobertas do passado de Julian e Penélope e descobre a teia de intrigas, mentiras e traições que envolvem personagens obcecados e vtimados por um passado obscuro. Quanto mais fundo vai dentro da vida de Caráx, mais Daniel se vê como parte e como alvo dos inimigos do escritor que fazem-no questionar suas atitudes e podem mudar drasticamente o seu futuro.

  O mais mágico em Zafón é que a gente nunca lê uma história só. Geralmente, o passado das personagens em livros que habituamos ler se mescla de forma fragmentada na trama, de modo que sabemos aquilo que precisamos para entender seu contexto presente, mas com Zafón isso não acontece. Ele nos mostra a história de cada personagem de maneira total e no momento certo para nos inteirarmos, nos apegarmos e sofrermos suas lutas e seus infortúnios, de forma que a empatia que sua narrativa, por vezes poética e por vezes crua, nos desperta é tal que submergimos no mundo daquele personagem e nos desprendemos do nosso próprio mundo.

Além disso, o universo apresentado é de tal verossimilhança, tal como suas personagens imperfeitas e impecavelmente construídas, que é muito fácil esquecer que os acontecimentos não são reais ou mesmo não imaginar todo o filme do que vamos lendo na nossa mente. A trama, costurada de maneira a nos deixar ávidos e cheios de adrenalina, mescla o drama e a tragédia de Shakespeare e Sêneca com elementos de aventura, ação, mistério e um toque de horror. Zafón nos cativa com uma história sobre amor, sacrifício, obsessão e ódio que nos leva a refletir sobre a brevidade da vida e o poder das nossas escolhas. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

[Música] Monsta X - Phenomenon

E finalmente saiu o álbum novo do Monsta X, o Phenomenon é o segundo álbum japonês dos meus bebês e minhas expectativas não podiam ter sido melhor atendidas!! 

Eu tinha feito um post logo que saiu o vídeo promocional da música título X-Phenomenon, que foi apenas um surto na minha cabeça depois de eu ter ficado um pouco apreensiva com Who Do You Love que também tinha sido lançada recentemente. Meu medo era que acontecesse com o Monsta X o mesmo que houve com o BTS, a mudança de estilo ser brusca ao ponto de sequer parecer a mesma banda.

Felizmente, o Phenomenon mandou minhas preocupações para o espaço chegando com toda a energia e o característico estilo vibrante do Monsta X que conheço e amo desde a primeira vez que ouvi. Meus bebês não decepcionaram nem um pouco entregando músicas inéditas e versões em japonês de músicas dos seus álbuns coreanos anteriores Are You There e We Are Here. 

Como eu esperava, é um disco cheio da energia que é marca registrada dos meus meninos, cheia de vocais maravilhosos, muito pop dançante e a mistura de pop com pegadas de thecno e dance music. PERFEITO, apenas. Não consigo parar de ouvir. De novidade temos as maravilhosas My Beast, Black Swan, Flash Back, Swish e Carry On que é a única mais baladinha do álbum. Ainda conta com versões em japonês de Shoot Out e Alligator. Gente tá só amor esse CD, sério! Meu amor pelo Monsta X foi mais uma vez renovado, são os reis do Kpop, apenas. Deixo aí embaixo as versões japonesas com vídeo oficial desse álbum cujos vídeos são ainda melhores que as versões coreanas, eles parecem que fazem uma versão mais sexy para os vídeos japoneses, dá pra não amar?



Já disse e digo de novo, meus amores merecem mais atenção dos amantes de Kpop, são maravilhosos, talentosos e com músicas incríveis e cheias de energia. Deveriam ter mais foco.

Universo NOGG 2019


No domingo passado (18) aconteceu o tão esperado NOGG de 2019 que teria uma parceria com a TV Asa Branca esse ano e, gente, o evento foi ENORME, a FAFICA lugar onde até então acontecia foi vendida de modo que o evento aconteceu no Polo de Caruaru, mas o espaço foi pequeno para o tanto de gente que tinha, quase caí da cadeira quando descobri na segunda que eram quase três mil pessoas lá dentro.

Contudo, nem tudo são flores. Apesar de toda a energia do NOGG que conhecemos e amamos estar praticamente quadruplicada com o aumento da população nerd, algumas coisas me deixaram bem frustradas, como já disse, para esse monte de gente o espaço ficou muito pequeno de modo que o calor lá dentro estava infernal, mas as duas coisas que mais me desanimaram foi que o Karaokê ficou inviabilíssimo uma vez que reservaram uma área minúscula bem no meio de todo o barulho, era quase impossível ouvir qualquer coisa. A outra coisa foram as lojinhas que não esperavam que o evento fosse ser tão grande e não variaram tanto, de modo que era muita procura pra pouca variedade. Eu tive sorte que pelo menos esse ano achei minha tão desejada camisa do Monsta X. Mas de compra esse ano foi quase nada porque não tinha mesmo escolha, a maioria das lojinhas só levava coisa do BTS era de me dar nos nervos. Segue o que comprei:
Três NOGGs depois finalmente encontrei uma camisa do Monsta X do meu tamanho!

mousepad

caderninho do pikachu e canetinha kawaii
Fora isso só trouxe um chaveiro do Monsta X e uma camisa do Final Fantasy, não rolou a tradição da camiseta do InuYasha porque não tinha lá (sad!). Variedade era zero, sem contar que tinha menos barraquinhas e o espaço para elas era tão diminuto que mal dava para os vendedores sem mexerem. Foi bem frustrante essa parte. 

Para um evento do porte do NOGG esse ano, achei que tinha muito pouco cosplay. Se tinham 500 cosplays ali era muito, e acredito que nem tinha isso tudo, devia ter uns 100 é que a gente não conseguiu achar todo mundo mesmo e muitos dos nossos amigos não fez cosplay esse ano (sad²).








Esses eram alguns dos cosplays que a gente encontrou logo que chegou no evento. Como era muita gente não era apenas ruim de tirar as fotos, era ruim de achá-los também. Mas se há algo que eu não posso reclamar é que o investimento foi bem pesado esse ano, além de oferecer petiscos para os noggueiros, havia um stande dando fotos personalizadas do evento de graça, bastava ter um instagram desbloqueado e tirar a foto colocando a tag do NOGG, havia uma área para descanso (que eu não vi e por isso voltei morrendo de cansaço pra casa aff!) e o guarda volumes era pra todo mundo (nos outros eventos era só para os cosplayers). Sem contar que, por ser dentro do polo, ficou bem mais cômodo almoçar direito graças aos restaurantes que além de serem bons estavam com promoções e minha irmã e eu ainda demos uma volta nas lojinhas.

No fim, apesar de todas as frustrações, o evento foi muito bom. A gente conseguiu se divertir, passou um tempo legal junta e com nossos amigos queridos, compramos algumas coisinhas, vimos a palestra com o Chales Emmanuel dublador do Rony de Harry Potter. Valeu a pena. Espero que ano que vem eles possam organizar melhor o espaço, como separar o Karaoke e os jogos de cartas do barulho central de modo que dê para os participantes jogarem melhor. Além de ter mais lojinhas vendendo e mais cosplayers circulando. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

[Livro] A Magia do Inverno

Original: Wichwood
Autora: Tahereh Mafi
Ano: 2017
Gênero: Fantasia, Conto de Fada

Sinopse: Nossa história começa em uma noite congelante… Laylee mal consegue se lembrar dos tempos felizes antes de sua mãe morrer. Antes de seu pai, levado pela dor, perder o juízo (e o caminho), e ela ser abandonada como a única mordeshoor restante na cidade de Whichwood, destinada a passar seus dias esfregando a pele e a alma dos defuntos nos preparativos para suas vidas após a morte. Ficou fácil esquecer e ainda mais fácil ignorar não apenas sua crescente solidão, mas a forma como suas mãos exaustas, assim como seus cabelos, estão se enrijecendo e se tornando acinzentados. No entanto, alguns estranhos conhecidos irão aparecer e o mundo de Laylee irá virar de ponta-cabeça enquanto ela redescobre a magia, a cor e o poder de cura da amizade. Exuberante e encantadora, a aclamada Tahereh Mafi tece uma nova aventura mágica neste mundo persa fantasiosamente sombrio, trazendo ao público novamente Alice Queensmeadow e Oliver Newbanks, protagonistas de Além da Magia.

A segunda resenha de Agosto saiu bem fora da data, mas com a viagem domingo passado eu acabei me perdendo um pouco nas coisas, muita coisa ficou pra esse mês e tudo ficou bem apertado, além do mais acabei adoecendo colocando em xeque qualquer energia que me restava. Mas bem, vamos ao que interessa.

Ano passado li Além da Magia e, ao contrário do que esperava (com sinceridade não estava dando muito naquele livro não) gostei bastante, é como um conto de fadas moderno que tenta reviver o melhor do estilo dos Grimm sem perder a autenticidade. Para esse ano, decidi colocar o segundo volume da duologia para ver se seria tão bom quanto seu predecessor e fiquei bem dividida quanto ao que achei da história.

Seguimos Laylee, uma modershoor que seria como um grau de ceifador responsável por encaminhar os mortos a otherwhere cujo nome é autoexplicativo, né? Ela é uma adolescente de treze anos cuja mãe morreu ha um tempo e, tão desesperado ficara com a morte dela, o pai desbandou-se pelo mundo a procura da morte para "reclamar" por ter levado sua esposa tão cedo da sua vida. Assim, Laylee ficou sozinha para realizar todo o trabalho e lidar com a hostilidade de toda a wichwood que, além de não reconhecer o importante trabalho que ela faz, a tratam como uma pária.

É quando suas esperanças e sua vida estão à beira do precipício que surgem Alice e Oliver. Para Alice, Laylee representava o desafio fruto de sua Entrega. Para Oliver, inicialmente, ela representava uma nova aventura. Para Laylee, há tanto tempo sozinha, os dois representavam uma chance de adiantar seu trabalho acumulado. Não bastasse isso, lhe restava pouco tempo de vida. Depois de trabalhar tantos anos a fio, sem descanso e sem ajuda, abandonada pelo pai e perturbada pelo espectro da mãe, Laylee Layla Fenjoon estava morrendo sem cor.

Claro que, de início, é difícil para a modershoor aceitar a ajuda que Alice e Oliver estavam lhe oferecendo, Laylee passou tanto tempo longe das pessoas, sem receber qualquer tipo de afeto, que esqueceu como se relacionar com as pessoas. Dentro do seu coração só havia solidão e rejeição. Alice começava a ficar preocupada quanto ao que precisava fazer para realizar sua missão enquanto Oliver se via cada vez mais encantado com a geniosa e forte garota que vivia na barreira entre o mundo dos vivos e dos mortos. As coisas parecem se complicar quando a doença de Laylee avança mais rápido e seus mortos, aos pensar que foram abandonados, decidem causar o caos no mundo dos vivos.

Oliver e Alice, junto ao seu novo amigo Beyanmin e sua mãe Madajoorn precisarão correr contra o tempo para salvar Laylee da morte, do julgamento da cidade e, sobretudo, de si mesma.

A primeira coisa que quero falar sobre esse livro é que demorei um pouco para gostar dele. Levou um tempo para que me inteirasse melhor de Wichwood e de sua magia, contudo, o tom mais sombrio da história me agradou bastante. Em geral, morte é um assunto meio batido e até "cabuloso" dependendo da forma como é abordada, mas Mafi deu aquela cara de conto de fadas com filme de terror que se encaixou muito bem. Cenas como a que os fantasmas arrancam as peles dos mortais (literalmente) chegou a causar náuseas. Toda a mitologia dos mundos é muito bem construída e, não fosse pela narração estilo "vovó pondo neto pra dormir" seria fácil esquecer que não era um conto de fada dos Grimm.

Também precisou aplaudir as analogias super válidas que ela faz no livro como o pai de Laylee indo buscar a morte (também literalmente), afundado na depressão da perda da esposa. Ou mesmo a evolução de Laylee que exemplifica traumas de infância, as consequências da alienação parental, o processo de evolução da depressão (magistralmente mostrado conforme a cor vai desaparecendo do seu corpo que está se tornando acinzentado), a forma como vivemos mecanicamente para o trabalho e quão ingratos somos na maior parte do tempo ao ponto de sermos cegos para as coisas bonitas do mundo que nos cerca.

Mesmo que, num primeiro momento, a história pareça rasa e até mesmo bobinha, conforme vamos conhecendo melhor as personagens e nos inteirando do enredo percebemos quão densa e cheia de significados ela é. Não gostei tanto quanto do primeiro, mas ainda assim me agradou bastante. Sem contar que descobrindo novas facetas dos poderes de Oliver e Alice que ficaram ou nubladas ou não ditas em Além da Magia. Recomendo.

domingo, 11 de agosto de 2019

[Livro] Os Cinco do Ciclo

Autor: Elias Flamel
Páginas: 556
ISBN: B075GZJBLR
Ano: 2017

Links do Livro: Amazon | Skoob |

Sinopse: Yosef de Keltoi. Presenteado na infância, por uma de suas mães, com um tesouro de muitas páginas. Cresceu com pouco, encontrou o seu amor e ao lado dela teve que instigar uma revolução entre trabalhadores do campo. Sua vitória não foi perfeita, pois falhou contra os deuses que tanto venerava. Assim, o líder de uma vila pequena, e quase oculta entre os quatro cantos do mundo, vive o começo da sua velhice. 

Não reclama de ter vivido muitos ciclos e é servo de um império que pintou de rubro nações que ousaram ser grandes. Sempre preocupado com o seu povo e com a sua família. Qual vem primeiro? É uma pergunta que necessita de tempo e páginas para ser respondida. Hitalo, o mais velho dos seus filhos, exige mais firmeza com os homens do campo. No auge da juventude, o divertido e criativo Yohan deseja provar para o seu pai que é um homem feito. Morgiana, companheira de luta, enxerga muito além do que os olhos podem ver e deseja alertar o seu amado Yosef a respeito de algo muito difícil de fugir. 

Yosef parte para Numitor, sua viagem tem como destino a capital de todo o império, lar dos homens de togas brancas que praticam um culto conhecido pelas eras. E esses mesmos homens possuem legiões em seu poder. Era para ser somente mais uma viagem dos tributos, mas o homem comum ouve boatos que colocam em risco o seu lar, a sua cultura e as suas crenças. Uma ajuda é mais que necessária, mas aqueles que são os mais poderosos e dotados de uma sabedoria milenar começam a pedir socorro. Só Yosef, o líder, pode salvar o que tanto ama.

Ao tentar, é exposto o seu passado manchado, ele reencontra velhas amizades e conhece desejos guardados dentro do peito de um dos seus filhos. Sua vontade de ter o que tanto deseja fará Yosef se embrenhar pelas ruas do império. Será preciso conviver com ladrões, fardados de rubro, uma sociedade que ama a prata e o ouro e terá de lutar até mesmo contra a fúria da natureza. 

Não costumo atender pedido de leitura, em especial porque eu programo as leituras do ano todo em Dezembro e vou fazendo modificações apenas com o ritmo que consigo manter em cada mês, contudo, quando o autor decidiu entrar em contato comigo e pedir que lesse o livro dele, seis meses atrás, duas coisas me fizeram ceder: a primeira a paciência dele em esperar o meu tempo e respeitar meu cronograma para encaixar o livro dele; a segunda o fato de conhecer a realidade de ser autor independente num país que ainda lê tão pouco, em especial autor de fantasia que é um gênero difícil e pouco consumido, infelizmente. Então, olhando minha velocidade de leitura, que ia sofrendo alterações conforme os estudos de concurso vão se tornando mais exigentes, acabei conseguindo encaixar o livro dele este mês (respeitando a ansiedade de saber o que se acha da sua história uma vez que, sendo autora, também passo por isso).

A primeira coisa que me surpreendeu, na falta de uma palavra melhor, no livro foi o fato de, ao contrário do que pensei quando vi a capa, se tratar de uma fantasia crítica que nada tem a ver com magia. Diria, inclusive, que se encaixaria numa espécie de fantasia distópica cujo epicentro é a crítica clara ao fanatismo religioso que bebe nas fontes históricas da humanidade. Com uma mistura de toda uma cadeia mitológica que permeia a história do mundo, Flamel soube inserir sua própria mitologia e fazê-la ter sentido dentro da história que conhecemos e estudamos na escola. Acredito ter sido esse um dos acertos mais notáveis desse livro.

Nós acompanhamos a história de Yosef, um homem já de certa idade que vive em uma espécie de ilha (e essa é uma conclusão minha, porque na falta de mapa não dá para ter muita certeza da geografia da história) que serve ao império de Numintor, ao meu ver, uma quase escrachada analogia ao império Romano, inclusive, o mito da fundação de Roma é mostrado de maneira muito inteligente na história.  Ele é o líder do povo de Keltoi, ao lado de sua esposa Morgiana, sua ama Guilda e seus três filhos Hítalo, Yohan e Julian, nessa ilha, o povo adora aos cinco do ciclo que são cinco deuses semelhantes a outras crenças politeístas como a celta, por exemplo, contudo, em uma de suas aborrecidas viagens ao império para levar seu tributo ele fica sabendo sobre fantáticos religiosos que estão dizimando as crenças tidas por pagãs em nome do monoteísmo adotado pelo imperador e, em breve, imposto sobre todas as terras sob seu domínio.

Yosef, desesperado pelo provável fim do seu povo e atormentado por pesadelos que encara como pedidos de socorro dos deuses que adora, decide convocar o conselho da cidade para decidir o que devem fazer. Dagda, o agricultor mais velho da ilha, aconselha que todos devem ir embora e se estabelecer em outro lugar, mas a ideia é logo rechaçada por Hítalo que sugere que eles devem lutar para proteger sua crença. Yohan, por sua vez, sugere ao pai que vá pedir proteção ao império uma vez que, como parte do domínio, eles têm dever de protegê-los. No fim, Hítalo decide seguir seu caminho como uma rota alternativa em busca de armas e pessoas para proteger Keltoi, Yosef segue para Rômula, sede do império, em busca de um senador que possa proteger seu povo.

No seu intento ele conta com a ajuda de Lucien, um livreiro e estudioso que trabalha como escriba no senado, para infiltrá-lo na tribuna e, assim, conseguir conversar com o único dentre os senadores que pode apoiar o salvamento de Keltoi dos fanáticos. Contudo, o que vê lá dentro só faz com que Yosef tenha certeza da mancha de corrupção e ganância que engole aqueles que ocupam o poder e são ofuscados pelos privilégios advindos do suor das classes dominadas.

"Os senadores brigam por brigar e só ouço palavras cuspidas. Não querem uma solução, querem mostrar que lutam, querem se defender. Exibem-se para os seus adversários? Para as imagens dos imperadores nas paredes? Ou para os deuses desse culto chamado política?" (Cap. 33)


Por vezes, a intenção do autor em fazer críticas tanto ao fanatismo religioso que apagou tantas crenças tidas como pagãs é claro, não somente isso, mas o uso comercial atribuído à religião por aqueles que detém o poder, além de uma quase analogia muito válida ao nosso sistema político atual que tem o desejo de se tornar uma teocracia forçada "goela abaixo" em todo o país. Além disso, faz-se criticas sociais muito pertinentes sobre as desigualdades além de mostrar um retrato alegórico da Roma em seus últimos séculos após Cristo, inclusive, um fato que eu achei bem curioso nesse livro é que a história se passa justamente após a crucificação de Cristo quando o monoteísmo começava a se espalhar, considerando que, segundo historiadores, a crucifixão aconteceu em 33 d.C e sendo Keltoi um vilarejo fictício tal qual Numintor, fiz uma estimativa do período em que a história se passa.

O império romano perdurou entre  27 a.C. – 476 d.C., se cristo foi morto no ano 33 d.C e, a partir daí o monoteísmo começou a ser disseminado, tomando como base tanto os conflitos políticos e a possível analogia ao império romano dada na história, presumi que o livro se passa ali pelos anos 305, uma vez que o imperador de Numintor convertera-se ao monoteísmo e, na história, Constantino foi o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo e ele foi imperador do Império Romano entre os anos de 306 a 337. Mas, como disse, isso são suposições minhas.

Num cômputo geral eu gostei bastante da história, Flamel se mostrou uma promessa da literatura  fantástica nacional, seus livros se equiparam facilmente a títulos como O Nome do Vento fonte na qual foi claramente inspirada, O Clã dos Magos e até mesmo O Caça-Feitiço. Por vezes achei o excesso de descrição um pouco cansativo, muitas vezes o personagem se estendia em divagações ou histórias paralelas, além de cenas que se alongavam demais e davam a impressão que a leitura não fluía, mas isso não tira o mérito da obra enquanto excelente composição literária brasileira. Os diálogos, a composição de cenários e mesmo as histórias de base das personagens foram muito bem trabalhadas, algumas mostram mais presença que outras, tanto pela sua expressividade quanto pelo seu próprio papel na trama.

Confesso que, no fundo, esperei um final diferente (quem me acompanha sabe que eu sou a defensora dos Happy endings), mas tanto a reviravolta nos últimos capítulos quanto os tristes eventos desencadeados no fim da jornada de Yosef fora plausíveis dentro da história construída e do universo histórico da trama ainda que este não tenha sido explicitado. Flamel faz uso de uma linguagem em sua maior parte simples e acessível, mas não deixa o leitor na mão ao apresentar-lhe algumas palavras e locuções novas, algo que sempre considero muito válido em um bom livro. Além disso, sua prosa por vezes poética consegue dar profundidade e formar um cenário mental durante a leitura o que tomo como essencial em um livro de fantasia dessa natureza, ainda que não seja tão embasada no gênero.

Antes de começar a leitura pensei que leria uma fantasia mais voltada para a magia e os elementos aos quais estou acostumada em minhas leituras, de modo que foi uma boa surpresa encontrar um livro com uma construção verossímil de uma terra e cultura alocadas num período histórico específico e que aborda temas ainda tão atuais seja por meio de analogias implícitas ou explícitas nas suas cenas e diálogos. A razão para ter recebido minhas três estrelas e não quatro foi justamente o fato de ter essas partes mais "esticadas" tal como é comum em O Nome do Vento (tinha uma que nunca esqueci em que Kvote ia matar um dragão e parecia que ele ia levar o livro todo só pra fazer isso, beirava a loucura na minha paciência!) e mesmo Os Cinco do Ciclo sendo um livro bem mais "enxuto" em comparação a prosa arrastada de sua fonte inspiradora, isso me incomodou um pouco. Concluo que, talvez, eu não seja uma leitora de fantasia e reitero que esse é meu ponto de vista o que não quer dizer, de forma alguma, que o livro é ruim.

Para os leitores de fantasia desde Tolkien a Assassin's Creed, recomendo fortemente Os Cinco do Ciclo, em especial se vocês gostam de histórias com certo cunho histórico e que evocam essas reflexões críticas acerca de política e religião de uma maneira mais lúdica (ainda que preservando a seriedade que o assunto pede) e sem deixar de lado a imparcialidade de suas personagens que assumem diferentes pontos de vista e apresentam muito bem suas discussões. O livro deixa a ideia que a  história terá uma continuação, pelo menos foi a impressão que eu tive no epílogo, me resta desejar boa sorte ao autor e parabenizá-lo pela construção de um enredo tão bem feito. E essa conclui a primeira leitura de Agosto! 

sábado, 10 de agosto de 2019

Sombras ao Sol Booktrailer e Lançamento!

É com muita alegria que venho anunciar que no dia 15 de Agosto, Sombras ao Sol chega à Amazon! Essa é uma história que eu havia começado no início da adolescência e rascunhado apenas algumas poucas folhas do que seria o primeiro capítulo. Deixei junto dos meus outros rascunhos inacabados (que são muitos!) e eventualmente acabei encontrando numa das minhas faxinas decidindo que era uma ideia que valia investir. Inclusive, na época que havia terminado esse livro foi quando li Ponte para Therabítia por indicação de um conhecido da faculdade.

Assim, acabou surgindo em 2010 o primeiro rascunho do livro que eu coloquei no Nyah e recebi boas respostas. Naquela pressa de autor iniciante, acabei publicando a história no Clube de Autores do jeito que estava, com revisão de uma amiga, Roberta. Contudo, acabei por tirar o livro de lá e deixei-o guardado após minha leitora teste na época, Shirllene, afirmar que não havia gostado. Ela lia muito mais do que eu naquele tempo, então decidi dar ouvidos a ela e deixei a história guardada por um tempo com a intenção de amadurecer a ideia.

Conforme fui lendo mais e começando a pesquisar de verdade sobre escrita e elementos da narrativa, e praticando mais a escrita com as demais histórias (porque, como dizem, a prática leva ao aperfeiçoamento!) comecei a repensar a história, suas personagens e o enredo em si. Trabalhei melhor sua construção, coloquei outros personagens e transformei Sombras ao Sol ao que ele é hoje, um romance doce sobre amigos de infância que crescem e o sentimento silencioso que os uniu cresce com ele. Me sinto realizada com o resultado, embora tenha certeza que, no futuro, certamente vou acreditar que posso melhorá-la e fazer uma nova edição hahaha.  A gente sempre vai aprendendo mais, né? 

Então, pedi a linda da Mikaelle Silveira, uma super amiga e leitora responsável pelo Book Trailer de O Morro dos Ventos Uivantes e das Noites Sangrentas, para criar um book trailer conceitual para esse novo livro, e este é o resultado do trabalho, fiquei muito feliz e muito satisfeita uma vez que engloba os elementos chave da trama de Adam e Sofia! Confiram só:


Espero de coração que vocês gostem de Sombras ao Sol e se apaixonem pela história como me apaixonei por recriá-la e dar essa nova vida a ela. Tenho planos de escrever um livro chamado Primavera Antecipada que narra os acontecimentos sob o ponto de vista de Adam. Mas isso ainda é um plano futuro. Aí vai umas curiosidades:

  • Uma das principais influências quando tive a primeira ideia para o livro foi a novela Amigos X Siempre.
  • O modelo para Adam foi Kazehaya de Kimi ni Todoke.
  • A primeira versão da história foi escrita em um jogo de RPG que eu jogava na época.
  • O nome de Adam foi uma homenagem ao meu melhor amigo nesse jogo.
  • O nome Sombras ao Sol veio depois que vi o trailer de um filme antigo.
  • Boa parte da história foi feita sobre a letra de Us Against The World do Westlife e Whenever You Call da Mariah Carey com o Brian Mcknight.
  • Esse foi o primeiro livro em que usei uma personagem asiática, a Inohara, graças a influência dos dramas japoneses que eu havia começado a assistir em 2011.
É isso pessoinhas, estou de volta no Twitter, então me segue lá que qualquer novidade eu aviso primeiro lá. Aguardo vocês dia 15 na Amazon! 

Abração!

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

[Anime] Hataraku Saibou (Cells at Work)

Original: はたらく細胞
Episódios: 13 + Especial
Gêneros: Comédia, Biologia
Direção: Kenichi Suzuki
adaptação do mangá homônimo de Akane Shimizu

Sinopse: O corpo humano médio contém cerca de 60 trilhões de células, e cada uma delas têm trabalho a fazer! Mas quando você se machuca, os vírus ou as bactérias invadem, ou quando uma reação alérgica se inicia, todos, desde os glóbulos brancos silenciosos mas mortais até os neurônios inteligentes, devem trabalhar juntos para superar a crise!

Gente preciso começar dizendo que esse entrou no hanking dos meus animes favoritos da vida! Nunca pensei que um anime de biologia poderia ser tão incrível e, sobretudo, tão engraçado e didático!

O enredo gira em torno da "cidade" do corpo humano onde trilhões de células trabalham arduamente todos os dias para manter o equilíbrio. As principais são as células sanguíneas uma vez que o sangue percorre todo o corpo, conhecemos a hemácia que não consegue achar o caminho certo e está sempre se perdendo, o leucócito que vive com sede de matar, mas é um cara legal e as adoráveis plaquetinhas que são fofas até não aguentarmos mais! 

De modo didático e muito divertido, vamos descobrindo cada função das células que povoam nosso corpo e como elas reagem aos mais diversos tipos de infecção e doenças que desequilibram nossos sistema desde um simples arranhão a uma hemorragia severa. Vocês não tem noção de como esse anime é incrível, pessoal, vontade de dublar e dar a todos os professores de biologia para trabalharem com crianças e adolescentes na escola. Inclusive, apareceram células que nem na escola eu vi!

Uma segunda temporada foi confirmada e eu não estou me contendo de ansiedade para ver, sério! Shippei horrores o glóbulo vermelho com o branco e quase (QUASE) senti pena da célula cancerígena. Ele tem uma pegada um pouco violenta na morte dos invasores do corpo, mas ainda assim achei maravilhoso toda a criatividade da autora em ilustrar o funcionamento do corpo humano de modo tão lúdico. Sério, eu super recomendo!

terça-feira, 30 de julho de 2019

[Livro] Herdeiro Inesperado

Original: Crowned for the prince's heir
Autora: Sharon Kendrick
Gênero: Romance de amor
Ano: 2017
Páginas:160

Sinopse: O segredo que ela guardou... A estilista Lisa Bailey terminou a sua relação com Luc porque sabia que o seu caso com o príncipe não teria futuro. Mas um último encontro iria deixá-la cheia de paixão, de desejo e... grávida! Meses depois, o príncipe Luciano de Mardovia está prestes a concretizar o casamento político perfeito quando uma revista de bisbilhotices publica uma foto de Lisa claramente grávida! Ele tem a certeza de que o filho é seu. Agora, Luc terá de reclamar o seu herdeiro a qualquer custo, mesmo que Lisa seja uma noiva inconveniente. No final, ela tornar-se-á a sua rainha!

Ganhei esse livro da minha irmã em um dia comum que ela voltava do trabalho e passou nas Americanas e viu o livro lá, não estava muito caro então ela comprou para mim sabendo que gosto desses romances da Harlequim.

A história gira em torno do príncipe Luc de Mardóvia, um casanova que vive todas as aventuras sexuais que pode antes de se casar com Sophie, princesa de uma ilha vizinha a quem está prometido desde o nascimento. O problema encontra-se num ateliê que agora está situado em um bairro nobre de Londres onde Lisa Bailey é a estilista. Lisa foi a primeira mulher a dar um fora em Luc e aquilo não apenas feriu o orgulho do príncipe controlador como também serviu de gatilho para que não conseguisse tirar a mulher da cabeça. Dois anos haviam se passado desde a última vez que se viram e, se ele estava ali, era com o intuito de tê-la uma última vez para conseguir aniquilá-la para sempre de seus pensamentos.

Mas o tiro saiu pela culatra.

Lisa pensou que estava vacinada contra Luc até vê-lo parado em toda a sua glória no meio do seu ateliê. A atração entre os dois era explosiva e foi acesa de modo instantâneo, mas ela não estava disposta a ceder aos encantos do príncipe, sabia que Luc não estava interessado em amor e fora justamente por esse motivo que o deixara anos antes, porque começava a amá-lo e sentir aquilo só faria com que se machucasse no final. Mesmo que tentasse tratá-lo da maneira mais casual possível, lhe parecia cada vez mais difícil resistir ao magnetismo daquele homem quando todo seu corpo gritava pelo toque dele. O que culminou numa última noite juntos e na revelação fria do casamento dele com a princesa dali algumas semanas.

Porém, quando em um tabloide de moda Luc descobre que Lisa está grávida não há dúvidas que o filho é dele, o tão desejado herdeiro que sob nenhuma hipótese pode nascer longe da sua terra de direito. Assim, contrariando todos os costumes, ele põe um fim no seu noivado com Sophie e vai atrás de Lisa, contudo, como sabia que ela não cederia fácil ao seu pedido de casamento, decide usar de outros subterfúgios para ter ela e seu filho ao seu lado, não importa que o reino inteiro se posicione contra ela ou que seus instintos lhe digam que ela não é adequada para a realeza, Luc está mais que disposto a mantê-la ao seu lado, mesmo que ela não queira isso.

Não sou muito chegada nos romances contemporâneos, geralmente prefiro os históricos porque apesar de seguirem uma linha de raciocínio similar, elas sempre me proporcionam alguma surpresa e vêm ambientadas em lugares inusitados, algo que gosto muito. Os contemporâneos fica muito fácil a gente adivinhar o passo seguinte então meio que perde a graça. Com esse não foi muito diferente, a noveleta segue uma personagem que paga de dona de si, mas no fim não consegue pensar com a cabeça e é dominada pela libido, algo que acho insuportável. Luc é arrogante, controlador e meio infantil às vezes, o que me fez penar um pouco para terminar o livro.

Achei o final meio... nã. Ela desistiu do que queria fazer para ser princesa, sei lá, não casou muito com o que ela tentava passar o livro inteiro. Me irritava a forma como tudo não ia para frente simplesmente porque os dois não abriam as malditas bocas! Mas isso acontece em todas essas novelas, é impressionante. Enfim, não me agradou muito, de todos os que li desde a época da escola esse foi um dos que menos gostei.