Ano: 1948
Gênero: Perversão
Sinopse: Neste livro é narrada a história de um pacto de morte entre dois amantes - Anita, uma ninfeta de 17 anos, linda e sardônica, despertando para os prazeres do sexo, e Eduardo, um quarentão, casado, pai de dois filhos.
Na primeira parte do livro a gente já tem o Eduardo e a Anita juntos no sótão onde ela mora e ela está instigando ele a seguir com o plano que os dois tinham discutido antes sobre a ideia do Eduardo de morrerem juntos. Ele parece relutar, ela começa a dizer que ele não a ama de verdade e começa a fazer birra, os dois acabam fazendo sexo e ela pede que ele a mate. O Eduardo manda ela se vestir e depois atira no peito da Anita e então na própria cabeça. Isso nem é spoiler, já tá no começo do livro. A trama então volta para o passado, logo quando Anita se mudou para aquele sótão e antes do Eduardo a conhecer. Ele costumava comprar cigarros em uma venda que ficava perto do sótão onde ela morava e é assim que ele descobre que o lugar foi alugado por uma jovem pintora. Leva um tempo até eles finalmente se verem, de início só de longe, e mais alguns dias até se falarem pela primeira vez.
Anita não se faz de rogada e já convida ele pra sua casa. Ele descobre que ela não é pintora, na verdade não faz nada, e em nenhum momento se diz como Anita consegue sobreviver pagando aluguel. Eles começam a se conhecer e então a Anita acaba se tornando amante do Eduardo. Desde o início ele diz a ela que é casado e tem dois filhos, ela não parece gostar muito da notícia, mas tampouco reluta em se tornar amante dele. A história vai e volta no tempo de modo bem confuso e é difícil separar as linhas temporais com o que é devaneio do Eduardo e o que é a linha do tempo da história dele com a Anita. A coisa é que, na adolescência, o Eduardo desenhou uma mulher, mocinha, com um corpo voluptuoso do jeito que ele queria e deu a esse desenho o nome de Cíntia. Ele sempre ficou obcecado com essa persona que a Cíntia representava e com o início do relacionamento dele com a Anita, ele começou a projetar essa ideia dele nela.
Nessa primeira parte do livro em nenhum momento se menciona a idade que a Anita tem, mas pelo comportamento dela, suas atitudes, fica evidente que não se trata de uma mulher adulta. Eduardo então descobre uma pintura que ela mantinha escondida na última gaveta da cômoda do quarto e a interroga a respeito do pintor. De início ela não conta nada por mais que ele insista e isso acaba causando algumas discussões entre eles, muito tempo depois ela finalmente conta que conheceu aquele pintor quando tinha quatorze anos. A Anita vem de uma família desestruturada, o pai abandonou a esposa por outra mulher e tinha problemas com álcool, a mãe não se importava com a filha (isso na versão dela, claro) e vivia batendo nela por qualquer coisa. E de início Anita começa uma "amizade" muito estranha com esse pintor que a convence a ser pintada nua por ele.
Ele viaja e passa um ano fora, quando volta, Anita tem quase quinze anos dá a entender que ele chega poucas semanas antes disso. E agora a Anita já tem certo "conhecimento" sobre intimidade, é uma adolescente descobrindo o próprio corpo e quer a ajuda do pintor nessa descoberta. O homem tem cinquenta anos. Ele recusa terminantemente todas as investidas dela até que um dia ele finalmente cede e a estupra. Ela não conta o que acontece depois disso, a história termina aí. Depois tem o episódio que a Anita diz que tá grávida e o Eduardo não quer nem pensar nisso, arruma um médico e manda ela abortar. No começo ela diz que não quer, ele fica com raiva e vai viajar depois de deixar claro que é pra ela se livrar do "problema". Ela viaja atrás dele e diz que vai ter o bebê e depois vai embora com ele, o Eduardo não acredita e mesmo sem gostar daquela ideia sabe que não tem o que fazer, mas a Anita acaba dizendo que não tem gravidez nenhuma e depois tem um acesso de choro que o Eduardo não liga porque tá aliviado demais.
A Anita passa a ser cada vez mais obsessiva e possessiva com o Eduardo chegando a escrever uma carta para a esposa dele mandando que ela o deixe. A essa altura a esposa do Eduardo, Lúcia, já sabia que o marido estava tendo um caso, mas aceitou por causa dos filhos apenas começou a recusá-lo e tratá-lo como um estranho (e ele ainda tem a cara de pau de ficar com raiva dela!), ele inclusive chega a perguntar se ele quer o divórcio e ela diz que só não aceita pelos filhos, mas pede que ele guarde a sujeira dele direito. Com isso o Eduardo fica irritado e não volta a ver a Anita por um tempo e ela insiste em ligar e em procurar por ele, mas ele não cede. A essa altura a Lúcia tá cuidando da casa e dos filhos sozinha porque o Eduardo simplesmente não ajuda mais em nada, o casamento deles nem existe mais porque eles mal se falam e é nesse impasse que termina a primeira parte da história e a essa altura tudo que a gente quer é abandonar esse circo de horrores.
Dando sequência (porque eu sou brasileira e não desisto) a segunda parte do livro começa com Eduardo sobrevivendo ao tiro. Ele acorda após um mês em coma e a situação dele, como explica o médico, não é boa. De início tudo é muito turvo, ele ainda está se readaptando à realidade, mas uma coisa fica muito clara: o alívio de ter sobrevivido. No fim das contas, ele não queria morrer, mas era fato que agora era um assassino, havia matado Anita. Um advogado o procura dizendo que a polícia está atrás dele pelo assassinato de Anita, mas que será muito fácil provar que foi um duplo suicídio, tudo que Eduardo precisará fazer é colocar a culpa na falecida como idealizadora do fato e afirmar que ela atirou em si mesma. Eduardo, ainda grogue, está consciente de que aquilo é mentira, ele atirou em Anita, mas sabe que se falar a verdade será preso e condenado a muitos anos de prisão.
Assim, ele começa a sustentar a história criada pelo advogado e passa a trabalhar na sua absolvição independente da culpa que carrega por estar maculando a imagem de Anita (não que ela fosse uma santa). Quando volta para casa, a família toda da esposa dele se reúne para celebrar sua recuperação (o cara é um traidor, mentiroso, infiel, assassino e covarde, mas pra eles é um heroi sobrevivente!) e essa cena é tão nojenta quanto todo o livro, eles tratam Eduardo como o heroi romântico que sobreviveu a um teste de amor, inclusive, uma das cunhadas dele que sempre o odiou com todas as forças, Diana, declara na descarada que agora ele é o heroi dela, o Romeu renascido dos seus sonhos. E isso dá a entender que ela tem uns vinte anos a menos que ele. A coisa é que o Donato é um cretino esperto, ele nunca revela de verdade a idade dos personagens, a gente não sabe qual a idade real de Anita além da parte dela com o pintor que ela tinha quatorze anos, mas não se sabe quanto tempo se passou entre esse tempo e a mudança dela para o sótão. Eduardo, por outro lado, em algum momento menciona que fará quarenta anos dali alguns anos, isso na terceira parte da história, mas na primeira ele sempre assume que é muito mais velho que Anita.
O julgamento de Eduardo começa. O advogado faz todo um complô para pôr o cliente de vítima, chegando a solicitar que a família viaje para não comparecer ao julgamento e que Lúcia dê entrada no divórcio. Só que assim, o comportamento de Lúcia... eu nem tenho palavras para descrever. Eu realmente não sei o que tem na cabeça dessa mulher. Na verdade todo mundo nesse livro precisava mesmo era de uma terapia braba e um bom psiquiatra. Depois de tudo que ele fez e ela sabe cada coisa, a mulher defende o marido como se fosse o homem mais íntegro do mundo. Esse livro se passa ali nos anos 40 pelo que dá a entender, mas eu apenas não consigo engolir a postura dessa mulher, ou é a explicitação da visão machista desse autor infeliz, ou ela tem sérios problemas de autoestima. Não é possível. Mas okay, a família concorda, Lúcia quase aos prantos, só que Diana que, digo mais, tinha um noivo na época, não está muito disposta a cumprir as exigências. Ela enfiou na cabeça que quer o cunhado e ela vai ter o cunhado.
Na noite antes do julgamento, a menina simplesmente vai para o hotel onde Eduardo estava hospedado e dá em cima dele na cara dura. Ele tenta resistir a ela, diz que aquilo é um absurdo, só um capricho dela, mas a menina tá completamente maluca e "estupra" o cunhado, eu não sei se essa é a expressão correta, mas vamos colocar assim porque ele não participou muito ativamente do coito. Ele manda ela embora dizendo que não importa o que ela faça, ele nunca vai torná-la amante dele. E é isso que ela quer viu? Ser amante do cunhado no mesmo sótão onde ele se encontrava com Anita. A mulher maluca chega a dizer que nasceu pra ser amante dele! Desmiolada, só pode. Essa criatura quase carregou as alianças do casamento dele quando era criança! Assim, quando a gente pensa que não pode piorar, piora.
Eduardo vai à júri, a promotoria está convencida de que ele matou Anita e aquele teatro todo é só invenção (e não estavam nada errados), apresentam suas provas acerca da participação dele na morte dela, mas a defesa dele é muito esperta e consegue reverter o caso. No fim, o infeliz sai absolvido por maioria de votos do júri, apenas um deles o considerou culpado. Diana dá um ultimato para ele, ou larga a irmã para ficar com ela ou ela vai embora, Eduardo a dispensa e ela vai para o exterior.
Na terceira parte do livro, algum tempo se passou desde a morte de Anita. O cretino do Eduardo segue vivendo a vida normalmente, fingindo ser um bom marido, os filhos agora estão em um internato, seu negócio é reformulado e alcança sucesso, ele e Lúcia estão em bons termos, a vida parece fácil. Fácil demais. A memória de Anita é quase uma pedra no sapato da sua mente que ele procura ignorar. E, assim, essa parte da história tenta muito convencer a gente que ele é um homem regenerado tentando se reconstruir, mas, fala sério, depois daquela nojeira toda claro que ninguém compra mais essa ideia. Ele não teve mais coragem de voltar ao sótão onde tudo aconteceu, mas começou a encasquetar com o jurado que o condenou. Ele vai até o advogado para tentar conseguir descobrir quem foi.
De início, o advogado manda ele esquecer o assunto, muito tempo se passou, ele está livre, é melhor deixar aquilo de lado, mas ele insiste e o homem acaba conseguindo a lista de jurados, mas só consegue contactar 4 sobrando 3 para Eduardo procurar. Ele consegue, enfim, descobrir o voto dos três e achar qual deles o condenou, era um professor comum. Eduardo escreve para ele, mas acaba amarelando e não vai ao encontro. Só que o professor está prestes a se mudar para o exterior, então o homem finalmente cria coragem e vai atrás dele. Ele quer saber por que o professor o condenou, ele responde que sabe que ele matou a garota, mas só votou contra em favor da sua consciência porque sabia que os demais votariam a favor. Do contrário, o teria absolvido, caso houvesse um impasse que o colocasse em condenação.
De alguma forma, essa resposta deixa Eduardo leve. Como se ele tivesse sido absolvido de toda culpa por ter matado Anita. Na boa, esse cara é nojento. E ele começa a ver a vida com outro brilho, tudo parece felicidade e ele se sente um homem novo. É quando Diana, a cunhada louca dele, volta para a história. Ela está na capital e eles acabam se encontrando. E por mais que ele finja que não quer nada com ela, encasquetou que ela é a maldita Cíntia que Anita nunca foi e os dois acabam se envolvendo e não fosse horrível o suficiente, ele ainda promete largar a esposa, mudar o negócio para capital para viver com ela. Assim, a essa altura a gente que já não esperava mais nada desse livro nem se choca mais.
Mas aí vem o pior. Eduardo volta pra cidade dele, há alguns flashbacks no meio e em um deles a gente acaba descobrindo que Anita, em um período curto em que ele não esteve com ela, simplesmente perverteu um garotinho que era entregador. E sim, estamos falando de uma CRIANÇA! A desmiolada simplesmente coagiu (na falta de uma palavra melhor) uma criança a fazer sexo com ela. Não é explicitada a idade do menino, eu calculo ali uns 10 a 12 anos. Quando a gente pensa que a coisa não pode ficar mais nojenta do que já era, o autor vem com o plot twist: sempre pode piorar, meus amores. O garoto morreu dias depois atropelado e Anita custeou todo o funeral.
Aí Eduardo, se preparando para ir embora, colocando os negócios em ordem e tudo mais, ajeitando o espírito para falar com a esposa, começa a ver o fantasma de Anita. Assim, a coisa já não fazia muito sentido até aqui, tudo doido, um monte de personagem sem um pingo de bom senso, então ele acho que era de muito bom tom colocar um toque sobrenatural na bagaceira. A essa altura eu só ficava me perguntando por que eu ainda tava lendo essa droga (mas é pra xingar com propriedade, claro). E Anita fica acusando ele de tê-la traído, chamando ele para ir até ela, dizendo que o amava e o perdoava. E eu tô fazendo um resumo bem grosseiro porque nesse ponto eu já estava zero paciência. O Eduardo então fala com a esposa que "precisa ir embora ou vai enlouquecer", mas no fim ela sabia exatamente que ele estava indo embora por causa da irmã dela.
Com tudo em ordem, depois de ser perseguido pela Anita por dias e ficado até com medo de sair de casa, o Eduardo finalmente está pronto para ir embora. O médico dele vai jantar na casa dele nesse último dia e o acompanha até a estação. No caminho, Eduardo decide voltar ao sótão, o médico o acompanha porque sozinho ele não teria coragem de ir. Lá chegando, depois de quase não conseguir subir as escadas, ele entra no sótão e começa a visualizar Anita ali dentro, com o menino que ela desvirginou! E essa parte é bizarra pra dizer o mínimo, eu nem vou entrar em detalhes. No fim, ele quebra uma estátua que tinha na casa e que, na cabeça dele, ia destruir o fantasma da finada, e vai embora, o médico se separa indo na outra direção e Eduardo segue pra estação, mas é atacado de novo pelo fantasma da Anita que está desesperado e pede pra ele ir com ela, diz que ele a traiu, tenta se jogar em cima dele, mas no fim de tudo o Eduardo consegue fugir incólume de tudo que fez e a Anita desaparece.
Assim, desnecessário depois de tudo isso falar que eu acho esse livro uma abominação. O tipo de coisa que um autor de determinada época escreve só pra colocar o nome na mídia por meio do choque porque eu não vejo um único motivo pra um livro desse existir. Muita gente compara isso com Lolita do Nabokov, eu nunca li e nem pretendo ler esse então não posso dizer que tem algo a ver e também não faço ideia de porque o autor russo escreveu essa nojeira. Toda o plano de fundo da Anita com a família disfuncional não foi de longe uma justificativa para torná-la uma devassa sem escrúpulos. O Eduardo era um cretino (pra dizer o mínimo) que se achava o garanhão e as mulheres dessa história só podiam ter sido escritas por um homem mesmo. E homens, em sua grande maioria, muito pouco entendem de mulheres. Foi um dos piores livros que eu já li, não recomendo nem para o meu maior desafeto e o que eu sinto mesmo foi que eu perdi meu tempo lendo essas duzentas e poucas páginas. Não vi a série, não vou ver. Quero mesmo é deletar essa história da minha cabeça.


















