terça-feira, 25 de agosto de 2026

[Livro] Presença de Anita

 Autor: Mario Donato

Ano:  1948

Gênero: Perversão

Sinopse:  Neste livro é narrada a história de um pacto de morte entre dois amantes - Anita, uma ninfeta de 17 anos, linda e sardônica, despertando para os prazeres do sexo, e Eduardo, um quarentão, casado, pai de dois filhos.

 

Na primeira parte do livro a gente já tem o Eduardo e a Anita juntos no sótão onde ela mora e ela está instigando ele a seguir com o plano que os dois tinham discutido antes sobre a ideia do Eduardo de morrerem juntos. Ele parece relutar, ela começa a dizer que ele não a ama de verdade e começa a fazer birra, os dois acabam fazendo sexo e ela pede que ele a mate. O Eduardo manda ela se vestir e depois atira no peito da Anita e então na própria cabeça. Isso nem é spoiler, já tá no começo do livro. A trama então volta para o passado, logo quando Anita se mudou para aquele sótão e antes do Eduardo a conhecer. Ele costumava comprar cigarros em uma venda que ficava perto do sótão onde ela morava e é assim que ele descobre que o lugar foi alugado por uma jovem pintora. Leva um tempo até eles finalmente se verem, de início só de longe, e mais alguns dias até se falarem pela primeira vez.

Anita não se faz de rogada e já convida ele pra sua casa. Ele descobre que ela não é pintora, na verdade não faz nada, e em nenhum momento se diz como Anita consegue sobreviver pagando aluguel. Eles começam a se conhecer e então a Anita acaba se tornando amante do Eduardo. Desde o início ele diz a ela que é casado e tem dois filhos, ela não parece gostar muito da notícia, mas tampouco reluta em se tornar amante dele. A história vai e volta no tempo de modo bem confuso e é difícil separar as linhas temporais com o que é devaneio do Eduardo e o que é a linha do tempo da história dele com a Anita. A coisa é que, na adolescência, o Eduardo desenhou uma mulher, mocinha, com um corpo voluptuoso do jeito que ele queria e deu a esse desenho o nome de Cíntia. Ele sempre ficou obcecado com essa persona que a Cíntia representava e com o início do relacionamento dele com a Anita, ele começou a projetar essa ideia dele nela.

 Nessa primeira parte do livro em nenhum momento se menciona a idade que a Anita tem, mas pelo comportamento dela, suas atitudes, fica evidente que não se trata de uma mulher adulta. Eduardo então descobre uma pintura que ela mantinha escondida na última gaveta da cômoda do quarto e a interroga a respeito do pintor. De início ela não conta nada por mais que ele insista e isso acaba causando algumas discussões entre eles, muito tempo depois ela finalmente conta que conheceu aquele pintor quando tinha quatorze anos. A Anita vem de uma família desestruturada, o pai abandonou a esposa por outra mulher e tinha problemas com álcool, a mãe não se importava com a filha (isso na versão dela, claro) e vivia batendo nela por qualquer coisa. E de início Anita começa uma "amizade" muito estranha com esse pintor que a convence a ser pintada nua por ele.

Ele viaja e passa um ano fora, quando volta, Anita tem quase quinze anos dá a entender que ele chega poucas semanas antes disso. E agora a Anita já tem certo "conhecimento" sobre intimidade, é uma adolescente descobrindo o próprio corpo e quer a ajuda do pintor nessa descoberta. O homem tem cinquenta anos. Ele recusa terminantemente todas as investidas dela até que um dia ele finalmente cede e a estupra. Ela não conta o que acontece depois disso, a história termina aí. Depois tem o episódio que a Anita diz que tá grávida e o Eduardo não quer nem pensar nisso, arruma um médico e manda ela abortar. No começo ela diz que não quer, ele fica com raiva e vai viajar depois de deixar claro que é pra ela se livrar do "problema". Ela viaja atrás dele e diz que vai ter o bebê e depois vai embora com ele, o Eduardo não acredita e mesmo sem gostar daquela ideia sabe que não tem o que fazer, mas a Anita acaba dizendo que não tem gravidez nenhuma e depois tem um acesso de choro que o Eduardo não liga porque tá aliviado demais.

A Anita passa a ser cada vez mais obsessiva e possessiva com o Eduardo chegando a escrever uma carta para a esposa dele mandando que ela o deixe. A essa altura a esposa do Eduardo, Lúcia, já sabia que o marido estava tendo um caso, mas aceitou por causa dos filhos apenas começou a recusá-lo e tratá-lo como um estranho (e ele ainda tem a cara de pau de ficar com raiva dela!), ele inclusive chega a perguntar se ele quer o divórcio e ela diz que só não aceita pelos filhos, mas pede que ele guarde a sujeira dele direito. Com isso o Eduardo fica irritado e não volta a ver a Anita por um tempo e ela insiste em ligar e em procurar por ele, mas ele não cede. A essa altura a Lúcia tá cuidando da casa e dos filhos sozinha porque o Eduardo simplesmente não ajuda mais em nada, o casamento deles nem existe mais porque eles mal se falam e é nesse impasse que termina a primeira parte da história e a essa altura tudo que a gente quer é abandonar esse circo de horrores.

Dando sequência (porque eu sou brasileira e não desisto) a segunda parte do livro começa com Eduardo sobrevivendo ao tiro. Ele acorda após um mês em coma e a situação dele, como explica o médico, não é boa. De início tudo é muito turvo, ele ainda está se readaptando à realidade, mas uma coisa fica muito clara: o alívio de ter sobrevivido. No fim das contas, ele não queria morrer, mas era fato que agora era um assassino, havia matado Anita. Um advogado o procura dizendo que a polícia está atrás dele pelo assassinato de Anita, mas que será muito fácil provar que foi um duplo suicídio, tudo que Eduardo precisará fazer é colocar a culpa na falecida como idealizadora do fato e afirmar que ela atirou em si mesma. Eduardo, ainda grogue, está consciente de que aquilo é mentira, ele atirou em Anita, mas sabe que se falar a verdade será preso e condenado a muitos anos de prisão.

Assim, ele começa a sustentar a história criada pelo advogado e passa a trabalhar na sua absolvição independente da culpa que carrega por estar maculando a imagem de Anita (não que ela fosse uma santa). Quando volta para casa, a família toda da esposa dele se reúne para celebrar sua recuperação (o cara é um traidor, mentiroso, infiel, assassino e covarde, mas pra eles é um heroi sobrevivente!) e essa cena é tão nojenta quanto todo o livro, eles tratam Eduardo como o heroi romântico que sobreviveu a um teste de amor, inclusive, uma das cunhadas dele que sempre o odiou com todas as forças, Diana, declara na descarada que agora ele é o heroi dela, o Romeu renascido dos seus sonhos. E isso dá a entender que ela tem uns vinte anos a menos que ele. A coisa é que o Donato é um cretino esperto, ele nunca revela de verdade a idade dos personagens, a gente não sabe qual a idade real de Anita além da parte dela com o pintor que ela tinha quatorze anos, mas não se sabe quanto tempo se passou entre esse tempo e a mudança dela para o sótão. Eduardo, por outro lado, em algum momento menciona que fará quarenta anos dali alguns anos, isso na terceira parte da história, mas na primeira ele sempre assume que é muito mais velho que Anita.

O julgamento de Eduardo começa. O advogado faz todo um complô para pôr o cliente de vítima, chegando a solicitar que a família viaje para não comparecer ao julgamento e que Lúcia dê entrada no divórcio. Só que assim, o comportamento de Lúcia... eu nem tenho palavras para descrever. Eu realmente não sei o que tem na cabeça dessa mulher. Na verdade todo mundo nesse livro precisava mesmo era de uma terapia braba e um bom psiquiatra. Depois de tudo que ele fez e ela sabe cada coisa, a mulher defende o marido como se fosse o homem mais íntegro do mundo. Esse livro se passa ali nos anos 40 pelo que dá a entender, mas eu apenas não consigo engolir a postura dessa mulher, ou é a explicitação da visão machista desse autor infeliz, ou ela tem sérios problemas de autoestima. Não é possível. Mas okay, a família concorda, Lúcia quase aos prantos, só que Diana que, digo mais, tinha um noivo na época, não está muito disposta a cumprir as exigências. Ela enfiou na cabeça que quer o cunhado e ela vai ter o cunhado.

Na noite antes do julgamento, a menina simplesmente vai para o  hotel onde Eduardo estava hospedado e dá em cima dele na cara dura. Ele tenta resistir a ela, diz que aquilo é um absurdo, só um capricho dela, mas a menina tá completamente maluca e "estupra" o cunhado, eu não sei se essa é a expressão correta, mas vamos colocar assim porque ele não participou muito ativamente do coito. Ele manda ela embora dizendo que não importa o que ela faça, ele nunca vai torná-la amante dele. E é isso que ela quer viu? Ser amante do cunhado no mesmo sótão onde ele se encontrava com Anita. A mulher maluca chega a dizer que nasceu pra ser amante dele! Desmiolada, só pode. Essa criatura quase carregou as alianças do casamento dele quando era criança! Assim, quando a gente pensa que não pode piorar, piora.

Eduardo vai à júri, a promotoria está convencida de que ele matou Anita e aquele teatro todo é só invenção (e não estavam nada errados), apresentam suas provas acerca da participação dele na morte dela, mas a defesa dele é muito esperta e consegue reverter o caso. No fim, o infeliz sai absolvido por maioria de votos do júri, apenas um deles o considerou culpado. Diana dá um ultimato para ele, ou larga a irmã para ficar com ela ou ela vai embora, Eduardo a dispensa e ela vai para o exterior.

Na terceira parte do livro, algum tempo se passou desde a morte de Anita. O cretino do Eduardo segue vivendo a vida normalmente, fingindo ser um bom marido, os filhos agora estão em um internato, seu negócio é reformulado e alcança sucesso, ele e Lúcia estão em bons termos, a vida parece fácil. Fácil demais. A memória de Anita é quase uma pedra no sapato da sua mente que ele procura ignorar. E, assim, essa parte da história tenta muito convencer a gente que ele é um homem regenerado tentando se reconstruir, mas, fala sério, depois daquela nojeira toda claro que ninguém compra mais essa ideia. Ele não teve mais coragem de voltar ao sótão onde tudo aconteceu, mas começou a encasquetar com o jurado que o condenou. Ele vai até o advogado para tentar conseguir descobrir quem foi.

De início, o advogado manda ele esquecer o assunto, muito tempo se passou, ele está livre, é melhor deixar aquilo de lado, mas ele insiste e o homem acaba conseguindo a lista de jurados, mas só consegue contactar 4 sobrando 3 para Eduardo procurar. Ele consegue, enfim, descobrir o voto dos três e achar qual deles o condenou, era um professor comum. Eduardo escreve para ele, mas acaba amarelando e não vai ao encontro. Só que o professor está prestes a se mudar para o exterior, então o homem finalmente cria coragem e vai atrás dele. Ele quer saber por que o professor o condenou, ele responde que sabe que ele matou a garota, mas só votou contra em favor da sua consciência porque sabia que os demais votariam a favor. Do contrário, o teria absolvido, caso houvesse um impasse que o colocasse em condenação.

De alguma forma, essa resposta deixa Eduardo leve. Como se ele tivesse sido absolvido de toda culpa por ter matado Anita. Na boa, esse cara é nojento. E ele começa a ver a vida com outro brilho, tudo parece felicidade e ele se sente um homem novo. É quando Diana, a cunhada louca dele, volta para a história. Ela está na capital e eles acabam se encontrando. E por mais que ele finja que não quer nada com ela, encasquetou que ela é a maldita Cíntia que Anita nunca foi e os dois acabam se envolvendo e não fosse horrível o suficiente, ele ainda promete largar a esposa, mudar o negócio para capital para viver com ela. Assim, a essa altura a gente que já não esperava mais nada desse livro nem se choca mais.

Mas aí vem o pior. Eduardo volta pra cidade dele, há alguns flashbacks no meio e em um deles a gente acaba descobrindo que Anita, em um período curto em que ele não esteve com ela, simplesmente perverteu um garotinho que era entregador. E sim, estamos falando de uma CRIANÇA! A desmiolada simplesmente coagiu (na falta de uma palavra melhor) uma criança a fazer sexo com ela. Não é explicitada a idade do menino, eu calculo ali uns 10 a 12 anos. Quando a gente pensa que a coisa não pode ficar mais nojenta do que já era, o autor vem com o plot twist: sempre pode piorar, meus amores. O garoto morreu dias depois atropelado e Anita custeou todo o funeral. 

Aí Eduardo, se preparando para ir embora, colocando os negócios em ordem e tudo mais, ajeitando o espírito para falar com a esposa, começa a ver o fantasma de Anita. Assim, a coisa já não fazia muito sentido até aqui, tudo doido, um monte de personagem sem um pingo de bom senso, então ele acho que era de muito bom tom colocar um toque sobrenatural na bagaceira. A essa altura eu só ficava me perguntando por que eu ainda tava lendo essa droga (mas é pra xingar com propriedade, claro). E Anita fica acusando ele de tê-la traído, chamando ele para ir até ela, dizendo que o amava e o perdoava. E eu tô fazendo um resumo bem grosseiro porque nesse ponto eu já estava zero paciência. O Eduardo então fala com a esposa que "precisa ir embora ou vai enlouquecer", mas no fim ela sabia exatamente que ele estava indo embora por causa da irmã dela.

Com tudo em ordem, depois de ser perseguido pela Anita por dias e ficado até com medo de sair de casa, o Eduardo finalmente está pronto para ir embora. O médico dele vai jantar na casa dele nesse último dia e o acompanha até a estação. No caminho, Eduardo decide voltar ao sótão, o médico o acompanha porque sozinho ele não teria coragem de ir. Lá chegando, depois de quase não conseguir subir as escadas, ele entra no sótão e começa a visualizar Anita ali dentro, com o menino que ela desvirginou! E essa parte é bizarra pra dizer o mínimo, eu nem vou entrar em detalhes. No fim, ele quebra uma estátua que tinha na casa e que, na cabeça dele, ia destruir o fantasma da finada, e vai embora, o médico se separa indo na outra direção e Eduardo segue pra estação, mas é atacado de novo pelo fantasma da Anita que está desesperado e pede pra ele ir com ela, diz que ele a traiu, tenta se jogar em cima dele, mas no fim de tudo o Eduardo consegue fugir incólume de tudo que fez e a Anita desaparece.

Assim, desnecessário depois de tudo isso falar que eu acho esse livro uma abominação. O tipo de coisa que um autor de determinada época escreve só pra colocar o nome na mídia por meio do choque porque eu não vejo um único motivo pra um livro desse existir. Muita gente compara isso com Lolita do Nabokov, eu nunca li e nem pretendo ler esse então não posso dizer que tem algo a ver e também não faço ideia de porque o autor russo escreveu essa nojeira. Toda o plano de fundo da Anita com a família disfuncional não foi de longe uma justificativa para torná-la uma devassa sem escrúpulos. O Eduardo era um cretino (pra dizer o mínimo) que se achava o garanhão e as mulheres dessa história só podiam ter sido escritas por um homem mesmo. E homens, em sua grande maioria, muito pouco entendem de mulheres. Foi um dos piores livros que eu já li, não recomendo nem para o meu maior desafeto e o que eu sinto mesmo foi que eu perdi meu tempo lendo essas duzentas e poucas páginas. Não vi a série, não vou ver. Quero mesmo é deletar essa história da minha cabeça.

[Livro] Jack, o estripador: rastro de sangue

Original: Haunting Jack, the riper

Autor: Kerri Maniscalco

Ano: 2018

Gênero: Suspense, mistério, crime

Sinopse: Audrey Rose não é a típica donzela inglesa do século XIX. Quando ninguém está vendo, a jovem realiza autópsias no laboratório de seu tio, contrariando a vontade de seu pai e todas as expectativas da sociedade. Ela pode não saber fazer um penteado elaborado, mas faz uma incisão em Y num cadáver como ninguém.Seus estudos em medicina forense a levam na trilha do misterioso Jack, cujos assassinatos brutais derivados de uma terrível sede de sangue amedrontam a cidade. E Audrey Rose, empoderada desde o berço, quer fazer justiça às vítimas - mulheres sem voz e marginalizadas por uma sociedade extremamente sexista.Na companhia de Tomas Cresswell, o aprendiz convencido e irritante de seu tio, ela decide seguir seus instintos e os rastros de sangue do notório assassino. Afinal, nenhum homem foi capaz de descobrir sua identidade. Esse é um trabalho para uma mulher.

 

Audrey Rose é a filha de um nobre inglês que, desde a morte da esposa, tem como passatempo se afundar no ópio e superproteger a filha de todas as doenças existentes na humanidade. E o que ela quer fazer? Ser legista. Seu tio, Jonathan, é um médico que se especializou na área forense embora, para a época, isso ainda fosse impensável e ele fosse visto como um profanador de cadáveres. Audrey é sua pupila assim como Thomas a quem ela conhece quando vai vestida de homem para uma das aulas do tio na universidade.

Quando a primeira vítima de Jack, o estripador, conhecido no início como avental de couro, aparece a brutalidade do crime choca todos e Audrey e o tio tem a chance de examinar o cadáver. Ela passa a ter que sair escondida de casa com a ajuda do irmão, Nathaniel, que inventa desculpas para ela ou de mentiras ditas ao pai sobre tomar chá na casa do tio. Por causa da morte da mãe de Audrey, o pai dela e o tio não se falam e nem se dão bem, além do fato do pai dela não concordar em nada com o trabalho do tio. 

Não há nenhuma pista sobre o assassino e quando a segunda vítima aparece, morta de forma ainda mais brutal, Audrey e Thomas tentam traçar um perfil do assassino, mas não chegam muito longe. Então ela descobre que algumas vítimas tinham alguma ligação com seu pai e começa a desconfiar dele, mas conforme os corpos vão surgindo, seu tio é acusado de ser o criminoso e o cerco se fecha à sua volta, Audrey e Thomas vão descobrir que Jack está mais perto do que eles poderiam imaginar.

O que eu posso dizer? Não gostei. O livro não era nada do que eu estava esperando, imaginei a gênese da ciência forense, as investigações da época, até um pouco de fantasia era aceitável, mas o que eu recebi foi uma protagonista irritante que quer ser a frente do seu tempo flertando com um guri egocêntrico no meio do caos enquanto tenta bancar a detetive com o raciocínio de um rato. Porque quem faz todo o trabalho dedutivo é ele e mesmo assim só acontece quando é conveniente pra trama. Pra ficar pior, aquela revelação de Jack não colou nem um pouco comigo. Antes ela tivesse deixado ele sem identidade mesmo! Eu dei três estrelas porque tanto a parte da "autópsia" das vítimas quanto a parte da construção narrativa foi legal. Não estou dizendo que o livro é ruim, estou dizendo que para mim, enquanto leitora, ele não funcionou. Demorei horrores pra terminar porque eu simplesmente não tinha vontade de ler, e essa ideia de deixar a protagonista feminista me soou bem forçada. Mas é isso. Zero pretensão de ler os outros dois. 

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

[Livro] O Iluminado

 Original: The Shining

Autor: Stephen King

Ano: 1977

Gênero: Terror, suspense, drama 

Sinopse:  Em O iluminado, quando Jack Torrance consegue o emprego de zelador no velho hotel, todos os problemas da família parecem estar solucionados. Não mais o desemprego e as noites de bebedeiras. Não mais o sofrimento da esposa, Wendy. Tranquilidade e ar puro para o pequeno Danny livrar-se das convulsões que assustam a família. Só que o Overlook não é um hotel comum. O tempo esqueceu-se de enterrar velhos ódios e de cicatrizar antigas feridas, e espíritos malignos ainda residem nos corredores. O hotel é uma chaga aberta de ressentimento e desejo de vingança. É uma sentença de morte. E somente os poderes de Danny podem fazer frente à disseminação do mal.

 

Jack Torrance após algumas desventuras causadas tanto pelo seu gênio difícil, quanto pelo seu vício em álcool, consegue, com a ajuda de um amigo, um trabalho de zelador em um antigo hotel no alto do Colorado. Sua missão seria manter o hotel em perfeito estado durante os meses de inverno para que sua reabertura acontecesse sem problemas no início de Maio. Assim, Jack se mudaria para o hotel com a esposa e o filho pequeno durante esse período. O problema é que o próprio hotel testemunha contra si mesmo, o antigo zelador, que ficou hospedado com a família na última temporada, assassinou as próprias filhas e a esposa e depois se suicidou, além dos inúmeros assassinatos e mortes que ocorreram no hotel ao longo de sua extensa história.

Jack, por sua vez, não parece ver problema nisso. Ele garante ao gerente que ficará bem e, embora o contratante não esteja satisfeito com ele, o acordo de trabalho é firmado. No fim da temporada, Jack e a família se mudam para o hotel e recebem as últimas recomendações para passar o inverno com segurança. Tanto Wendy, a esposa, quando Danny, o filho, estão inseguros com aquele lugar, mas se mantêm firmes por saberem quão importante é aquele emprego para o pai desde que ele foi demitido de seu último trabalho em uma escola de elite por agredir um aluno.

O filho de cinco anos do casal, Danny, é o que se chama de iluminado. Pessoas com a capacidade de ver e prever coisas que pessoas normais não conseguem. O cozinheiro do hotel, Halloran, o adverte a não entrar em um certo quarto e a ficar longe da topiaria onde há arbustos em formato de animais. Ele não explica o exato motivo da advertência, mas faz o menino prometer que evitará esses lugares e o menino promete. 

O começo do inverno da família no hotel acontece normalmente. Jack cumpre suas funções e, no meio de caixas no porão, acaba encontrando registros antigos do hotel e sua história ao longo do tempo e quanto mais mergulha nessa história, mais ele começa a ser suado para o próprio passado com um pai abusivo e a ser dominado por uma devoção doentia ao hotel, fixado na ideia de escrever um livro sobre sua história. Os pensamentos de Jack começam a se misturar à história do hotel, a vontade de beber cresce mais ao longo do tempo e tanto Wendy quanto Danny começam a ter medo dele.

A atmosfera do lugar passa lentamente a corromper a mente do zelador que é envolvido em seu baile de máscaras acontecido muitos anos antes no hotel onde ele finalmente pode beber outra vez, mesmo que apenas na sua imaginação. E ele conhece Grandy, o antigo zelador que matou a família no ano anterior. Ele diz a Jack que o hotel quer o menino e ele precisa levá-lo para ele. Jack concorda, já enlouquecido pelo lugar e uma caçada começa onde Wendy e o filho precisarão lutar pela própria vida.

Olha, sendo bem franca, eu esperava mais. Não que o livro seja ruim, não é, mas sei lá, não foi exatamente o que eu imaginava. Tenho percebido que tenho certo problema com livros escritos por homens, em geral eu sempre gosto mais de livros escritos por mulheres. Não sei exatamente o motivo. Entendo que todo o contexto tanto acerca do passado de Jack quanto da sua infância com um pai abusivo e uma mãe omissa são importantes, mas eu achei tão enrolado. Ok, as informações ajudam a gente a ter uma visão mais profunda do personagem, mas isso podia ser feito de maneira mais "enxuta". Esse é meu terceiro livro de King e os personagens dele me irritam muito, eles são abominavelmente humanos no pior sentido da palavra. Jack é um babaca egoísta, Wendy é uma lerda idiota, Danny é a típica criança que só sabe se meter em problema.

Ainda assim, não posso dizer que odiei a história, não, até curti, embora ela tenha me causado mais repulsa que medo propriamente dito. Ainda não li um livro do King que me causasse realmente medo. Em geral até agora minhas experiências foram de raiva dos personagens e repulsa mesmo. Mas é inegável que ele consegue envolver a gente na história e com certeza pretendo ler outros livros dele. Ele criou aquele hotel amaldiçoado de forma tão perfeita que a gente chega a acreditar que ele existe de verdade. O final me pegou um pouco de surpresa, não esperava aquele desfecho, mas acho que naquelas circunstâncias foi o melhor. Não vou ter coragem de ver o filme que fizeram desse livro por motivos de ser covarde demais para ver sangue hahahaha. Se tem algo que eu posso realmente elogiar no King é sua capacidade de criar personagens que representam o pior da espécie humana.

domingo, 2 de agosto de 2026

[Drama] Komi Can't Communicate

Original: 古見さんは、コミュ症です。

Ano: 2021

Direção: Ruto Toichiro, Ishii Koji

Roteiro: Mizuhashi Fumie

Gênero: Comédia, Vida, Juventude

País: Japão

Episódios: 8 

Sinopse:  Hitohito Tadano (Takahisa Masuda) tornou-se agora um estudante do ensino médio. Em seu primeiro dia como estudante do ensino médio, ele conhece sua linda colega de classe Shoko Komi (Elaiza Ikeda) e diz oi para ela, mas ela não responde a ele. Hitohito Tadano se pergunta se ele fez algo errado com ela e, em seguida, percebe algo sobre ela. A razão pela qual Shoko Komi não respondeu a ele é que ela tem dificuldade em se comunicar com as pessoas. 

Como eu já resenhei o anime, vou me ater a falar apenas o que não funcionou nesse drama.

Pra começar, eles adaptaram o enredo todo então não tem nada a ver com o material original, criaram novos personagens, mudaram a personalidade de outros e mexeram em todo o esqueleto que faz a história de Komi ser o que ela é. Enquanto o anime consegue dosar de forma equilibrada o drama da personagem com a comédia, o drama fica exclusivamente com a carga dramática. Najimi, que além da própria Komi era o centro de diversão da história aqui passa a ser uma simples personagem secundária sem quase nenhum peso narrativo. E, enquanto no anime a gente nunca sabe de verdade se ela é um menino ou uma menina (e desconfia que é menino pelas memórias da infância e por algumas situações) aqui ela é apenas um garoto de saia. Ponto.

O drama pendeu mais pro lado de Kimi Ni Todoke, e falando francamente, um anime como Komi que tem uma comédia baseada em coisas que não dá pra adaptar num Live Action obviamente não foi feito para ser adaptado. Grande parte da fofura do anime funciona pelas expressões da Komi, e aquilo é impossível de reproduzir com atores de verdade, o tempo todo a atriz só parecia travada ou indiferente, a gente não conseguia ver que ela estava com medo ou nervosa. Os outros personagens do anime praticamente sumiram, restando apenas o Naruse, a Najimi e o Tadano além da própria Komi, os personagens novos do drama são o típico clichê colegial de dramas japoneses que não agregam muito na narrativa. 

O drama não tem nem um quarto do brilho do anime, não é divertido, não é fofo, e mesmo que tente aprofundar um pouco mais a Komi isso fica tão superficial que quase não faz diferença. Além do mais, o tempo foi curto demais para desenvolver a história direito. Achei fraco demais se comparado com o anime. Não recomendo. 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

[Anime] Komi Can't Communicate

Original: 古見さんは、コミュ症です。

Direção: Ayumu Watanabe (chefe), Kazuki Kawagoe 

Roteiro: Deko Akao

Ano: 2021-2022

Episódios: 24

Temporadas: 2

Sinopse: Komi é linda, mas é extremamente tímida e tem muita dificuldade para interagir com outras pessoas. Na escola, ela conta com a ajuda de Tadano para lidar com esse problema. O garoto estabelece uma meta ambiciosa: ele quer ajudá-la a fazer 100 amigos.  

Komi é uma bela garota que chama atenção por onde passa, mas, independente do quanto ela deseje se comunicar com as pessoas, ela apenas não consegue por causa da sua grave ansiedade social. No primeiro dia de aula, ela é cumprimentada por Tadano, seu colega de classe, mas por mais que deseje responder, ela simplesmente trava e foge. Tadano nota que há algo errado, mas como ele não é conhecido por ser popular, apenas acha que foi ignorado. Até ele tentar falar com Komi de novo, dessa vez na sala de aula, e vendo que ela realmente não consegue falar, ele sugere que eles conversem no quadro negro. É quando ele descobre que ela tem problema para se comunicar e por fim decide se tornar seu primeiro amigo.

O maior desejo de Komi é fazer cem amigos e Tadano se propõe a ajudá-la a alcançar esse sonho. Mas ele sabe que isso vai ser um problema porque ele próprio não tem amigos e é ignorado por todo mundo. De fato, quando tenta sondar amigos para Komi recebe apenas indiferença e palavras duras, é quando decide usar sua única arma: Najimi. Najimi é um menino/menina que conhece praticamente todo mundo e, inclusive, conheceu Komi no fundamental, mas não conseguiu ser amiga dela. Tadano convence Najimi a ajudar Komi e, aos poucos, conforme convivem e aprendem a lidar com a ansiedade social de Komi eles iniciam sua jornada para fazer cem amigos.

Amei esse anime, achei muito fofo. Embora não tenha ficado clara a origem da ansiedade social de Komi, me identifiquei bastante com ela, embora a minha não seja tão severa. Há várias partes muito engraçadas, shippei horrores a Komi com o Tadano, mas infelizmente o casal não fecha. Por algum motivo, me lembrou Kimi Ni Todoke, mas ao contrário, porque enquanto todo mundo tinha medo da Sawako, aqui todo mundo endeusa a Komi só por ela ser bonita. Não sei qual é o público do anime, mas a sexualização excessiva das garotas e alguns diálogos bem ambíguos especialmente da Yamai me deixaram meio pensativa e, sendo bem franca, eu achei sem necessidade desse tipo de humor quando a própria Komi era uma comédia ambulante.

É bacana que mesmo pouca ela tem uma evolução, antes ela não falava de jeito nenhum, agora ela consegue falar com o Tadano, seja por telefone ou mesmo pessoalmente, embora seja raro. Ela começa a se permitir ser do jeito que ela é e mesmo com medo se relacionar com as pessoas, mediar conflitos, acolher e fazer com que quem é importante para ela seja respeitado. E gostava disso principalmente pelo Tadano que era ignorado por todo mundo, mas Komi sempre fazia questão de deixá-lo confortável. As interações dele eram muito fofas, eu amei a construção do Tadano porque ele é inteligente emocionalmente, sabe cuidar dela sem ser invasivo e respeita os limites dela sempre. Ele vem pra somar. Super recomendo esse anime, com certeza verei de novo. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Livro] Indo de Mal à Amor

 Autor: H.R. Freitas

Ano: 2023

Gênero: Romance 

Páginas: 352

Sinopse: A maior qualidade de Megan, ou defeito, era sempre dar prioridade ao bem-estar das pessoas em vez do seu. Foi assim em toda trajetória de sua vida. Seu maior desafio, porém, foi afastar-se para que Soo Hyun e Madison, seus dois melhores amigos, pudessem ficar juntos, mesmo que ela o tivesse conhecido primeiro e o amasse perdidamente.

Megan conseguiu seguir sua vida apesar de sentir a ausência do amigo e achou que estivesse tudo bem. De fato, estava, até entrar na Universidade…

Em um dia qualquer recebeu a visita inesperada de Soo Hyun em seu dormitório. Ele queria sua ajuda, pois o namoro dele com Madison, que durava um bom tempo, fora rompido. Megan aceita, como já era esperado.

O que ambos não sabiam era que a reaproximação, não só traria o passado de volta ao presente, mas também os sentimentos que achavam não existir mais. 

Madison e Soo Hyung eram os melhores amigos do mundo. Quando os pais dele estavam no complicado processo de divórcio, ela esteve ao lado dele, os dois compartilhavam a mesma alma e o mesmo neurônio. Mas tudo mudou no ensino médio quando Madison, a melhor amiga de Megan, se apaixonou por Soo Hyung. Como melhor amiga, Megan se esforçou para aproximar os dois e acabou se afastando do seu melhor amigo achando estar fazendo um bem para o relacionamento dos dois. E foi assim por anos.

Quando Soo Hyung aparece no dormitório da universidade depois de todo esse tempo afastados e pede ajuda para se reaproximar de Madison, Megan não consegue recusar. O amor secreto que ela nutria por ele no passado retorna com toda a força, mas ela continua escondendo isso. Seu ex-namorado, Killan, também reaparece, rodeado pelo perigo, mas incapaz de permanecer afastado dela. Enquanto dá o seu melhor para reaproximar seu casal de amigos, Megan se vê lutando contra os próprios sentimentos envolta por uma teia de complicações que vai testar sua amizade com os dois e as perspectivas que ela tinha em relação à própria vida.

 Vamos de resenha sincera? Vamos.

Quero começar dizendo que a autora tem muito potencial, de verdade, mas ainda é uma escrita que precisa de lapidação, a gente nota que é uma escrita iniciante, com alguns vícios típicos de autores novos, um planejamento fraco e uma história com estrutura frágil demais. Ela teve uma ideia muito boa, mas não desenvolveu com o potencial que ela merecia. E isso é bom, a gente aprende com a tentativa e erro, a escrita não é diferente de nada. Com a orientação certa ela pode ir muito longe. Comparada com outros nacionais que eu já li ela tá muito adiantada no processo.

Por que a história não funcionou pra mim? E digo pra mim porque vi que tem muita gente que gosta dela, mas infelizmente comigo não funcionou e é um dos meus tropes favoritos: friends to lovers. O enredo, como eu disse, é muito bom, mas o desenvolvimento não foi. A história poderia acabar tranquilamente em 150 páginas se os personagens simplesmente conversassem francamente uns com os outros. As motivações que ela escolheu para afastá-los simplesmente não convencia. Eram amigos de infância que se gostavam, por que não diziam? Medo de estragar a amizade? Medo da rejeição? Isso não fica claro e, depois, quando eles apenas confessam o que sentem, eles escondem da ex dele por que? Pra ela não se magoar? Que tipo de motivação é essa? Não é forte, não faz sentido. E se a gente pensar ela ia se machucar muito mais se descobrisse sozinha.

O ex da Megan, Killan, aparece do nada, fica naquele chove e não molha, ela nem dispensa logo ele e nada, fica com aquela atitude cheia de ambiguidade quando ela já decidiu que gostava do Soo Hyung. Esse tipo de atitude não colabora a favor dela. O Soo Hyung também, não gosta mais da Madison, tem certeza do que sente pela Megan, mas ainda assim aceita um relacionamento aberto, fica dormindo com a ex e dá em cima da Megan como se fosse natural. Não é. A Madison é outra que precisa de terapia, ela deu um tempo com o Soo Hyung porque estava de rolo com o professor da faculdade, depois volta pro Soo Hyung no fim das contas nem ela mesmo sabe o que ela quer! 

O jeito como a autora desenvolveu a história também não foi favorável ao enredo, os capítulos alternando passado e presente foram mal distribuídos, muitas vezes deixando a trama confusa, o timing da descoberta do Soo Hyung sobre os sentimentos da Megan foi péssimo. Aquele pedido de casamento ficou muito mal colocado. No fim, a organização da história ficou meio caótica, como se os capítulos estivessem ali aleatoriamente, sem uma preocupação real com a linha central da trama. As motivações dos personagens não ficaram claras, o desenvolvimento deles foi muito abaixo do esperado, quer dizer, quem chega pra um completo estranho e sai contando todos os seus problemas de cara? A menos que seja seu terapeuta isso soou muito estranho. A história do Killan também, podia ter sido melhor desenvolvida, não foi, como muitas outras subtramas ficaram esquecidas no churrasco no meio do livro.

Algumas coisas não eram desenvolvidas de modo adequado, os personagens eram jogados na cena sem um propósito real, alguns apareciam e não voltavam mais, as atitudes dos personagens nem sempre refletiam as crenças que eles nos deixavam subtender que tinham, aquela gravidez da Madison foi despropositada e muito mal encaixada na trama e o fato da autora ter usado ela como vilã nos 45 do segundo tempo foi uma jogada péssima. Toda aquela ideia de ir para Seoul e a romantização dos coreanos é bem utópica e despropositada, a realidade, sinto muito, é muito mais feia do que o dorama mostra. Assim, eu vejo um enredo que tinha um potencial absurdo que foi desperdiçado pelo que eu julgo ser inexperiência. Não conheço outros trabalhos dela, esse foi o primeiro livro que eu li, mas foi a visão que ele me passou.

Achei uma pena, queria ter gostado. Faltou edição, faltou planejamento, entregou um material com muito excesso. Mas, volto a dizer, com a orientação certa ela consegue chegar muito longe. 

[Filme] Minha Culpa

Original: Culpa Mía

País: Espanha

Ano: 2023

 Direção: Domingo González

Sinopse: Baseado na trilogia best-seller de Mercedes Ron, Minha Culpa segue a história da jovem Noah (Nicole Wallace), que deve deixar sua cidade, namorado e amigos para se mudar para a mansão de William Leister (Iván Sánchez), o novo e rico novo marido de sua mãe. Aos 17 anos, orgulhosa e independente, Noah reluta em viver cercada de luxo, mas tudo começa a mudar quando ela conhece Nick (Gabriel Guevara), seu novo meio-irmão, com quem ela se desentende constantemente devido às suas personalidades fortes. Não demora muito para Noah descobrir que por trás de sua imagem de filho modelo, Nick esconde uma vida de luta, jogos de azar e corridas de carros ilegais. Apesar do abismo que os separa, ambos começam a sentir uma atração irresistível que logo se transformará em puro fogo e paixão desenfreada.  

 Muito contrariada, Noah precisa deixar o namorado, os amigos e a vida que construiu para trás quando a mãe se casa com um milionário. E de quebra ela ainda recebe um novo irmão: Nick, com quem de cara não se dá nada bem. Ela tem raiva daquele mundo fútil e de tudo que o novo marido da mãe representa e não pretende se encaixar ali. Mas tudo muda numa noite quando ela descobre que Nick não é o filho perfeito que o pai acredita que ele é. Envolvido em festas onde tudo é permitido e em corridas clandestinas, ele faz parte de uma gangue e se envolve com gente perigosa. E Noah acaba, de algum modo, entrando nesse mundo também.

Quanto mais se aproxima de Nick e descobre suas feridas, mais a tensão entre os dois se torna inevitável e eles se veem cada vez menos como membros da mesma família e mais como potenciais amantes. Noah não gosta de tudo no mundo de Nick, mas não pode evitar se envolver com ele, assim como não pode evitar a atração intensa que a puxa em sua direção e quanto mais isso avança mais a família perfeita idealizada por sua mãe entra em risco no mundo que sobrevive baseado em aparências. Além disso, um fantasma do seu passado começa a dar sinais de vida e  Noah pode estar em mais perigo do que imagina.

É um filme espanhol, mas tem sabor de filme hollywoodiano. Bem mais do mesmo, aquilo que a gente já esperava e não traz nenhuma novidade. Eu fui ver esse filme porque tenho zero vontade de ler o livro, mas estava curiosa sobre o que se tratava e agora que vi estou com mais ainda zero vontade de ler o livro e de acompanhar os outros dois filmes.

Foi ruim? Não. Mas foi bem aquilo que a gente tá acostumado no meio YA, badboy, menina não tão mocinha assim, rachas, brigas clandestinas, casal com química, a autora não tenta reinventar a roda, mas tampouco traz alguma novidade real. O filme é bem dirigido, boa fotografia, figurino duvidoso, atuações boas, constrói bem a tensão sexual antes do ato em si, cenas de ação até bem coreografadas e é isso. O que não me entra na cabeça é essa objeção dos pais no namorico deles, eles não são irmãos de verdade, não vejo nada que impeça os dois de se relacionar. Não faz o menor sentido essa pirraça da mãe dela.

Pelo pouco que eu li sobre os outros filmes a coisa vai parecer girar em torno da DR dos dois e eu sinceramente não tenho paciência pra isso. Felicidades para quem curte os livros e amou os filmes, pra mim não fez diferença nenhuma. Mas pelo menos deu pra me entreter por uma hora enquanto comia pipoca. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

[Livro] Contos Russos

 Autores: Nikolai Leskov, Ivan Turguêniev

Ano: 2020

Sinopse: reúne duas novelas clássicas do século XIX que exploram as vertentes realista e naturalista da literatura russa. As obras presentes no volume são "O Primeiro Amor", de Ivan Turguênev, e "Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk", de Nikolai Leskov.

 Em primeiro amor, um grupo de amigos está reunido após um jantar e começam a contar histórias sobre seus primeiros amores. Um deles, Vladimir, pede para escrever sua história prometendo contá-la no dia seguinte. Eles então se reúnem para ouvi-la e, quando tinha dezesseis anos, mudou-se para perto da chácara onde morava, uma velha princesa e sua filha, agora relegadas a uma vida decadente. A jovem princesa, Zinaída, era de beleza estonteante e não demorou para que Vladimir se enamorasse dela. Porém, na fila para isso havia outros rapazes com quem a princesa brincava livremente usando seus sentimentos para benefício próprio.

Voluntariosa, volúvel e egoísta, Zinaída brincava com os sentimentos de Vladimir sem remorso. Ele, um jovem nos arroubos de sua adolescência, deixava-se levar pelas migalhas de afeto que ela lhe dispensava. Contudo, o envolvimento duvidoso da jovem princesa com o pai de Vladimir poria a história em um rumo permeado pela tragédia.

O segundo conto, Lady Macbeth, conta a história de Katerina, uma jovem de vinte e quatro anos casada há cinco anos com um abastado comerciante. Não havia amor no seu casamento, ela aceitou-o apenas para sair da sua vida de limitações. Entediada com a sua vida, ela encontra nos braços de Sergei, um dos homens que trabalhavam para seu marido, a diversão e o calor que faltava em seu casamento. O homem a manipula à seu bel prazer, tornando Katerina, cega e doente de paixão, em uma assassina fria e inclemente. Seu rastro de sangue, contudo, tem um desfecho trágico ainda mais quando ela descobre que seu amante só a estava usando.

Olha, confesso que eu esperava outra coisa. Quando comprei esse livro eu esperava contos russos, algo do folclore, dos contos de fadas, contos populares ou crenças. Não estava esperando duas novelas trágicas. Como composição literária são dois contos impecáveis, embora pela extensão eu os chamasse de novelas, mas tudo bem. Escrita erudita, personagens vívidos e composições dolorosamente poéticas em sua tragédia. O primeiro conto explora os sentimentos humanos em sua forma mais primitiva e como a adolescência, fatalista e imediatista, pode ser traiçoeira. O segundo foca no meio e em como as influências podem transformar uma pessoa. Enquanto a Lady Macbeth de Shakespeare matou por ambição, essa daqui mata pela paixão cega.

Pra quem nunca leu nada de literatura russa, eu não aconselharia entrar por aqui. O primeiro livro que eu li foi Crime e Castigo, mas como o tamanho e a complexidade da trama podem afastar, eu indicaria começar pelo tomo I dessa trilogia, não o li, mas pela sinopse dele parece ser mais acessível que esse arsenal de tragédia do tomo II. Porém, para quem gosta de histórias mais realistas e sem muito floreio e enfeite essa pode ser uma boa pedida sim. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

[Anime] I Want to End this Love Game

Original: 愛してるゲームを終わらせたい

Ano: 2026

Episódios: 12

Gênero: comédia, romance, escolar

Autor: Yuki Domoto

Direção: Azuma Tani 

Roteiro: Keiichirō Ōchi  

Sinopse:  Yukiya Asagi e Miku Sakura são amigos de infância que começaram uma brincadeira na qual ambos devem dizer ''Eu te amo'' um para o outro, e quem ficar sem jeito perde. Quatro anos depois, a brincadeira continua até o ensino médio. Os dois desenvolvem sentimentos secretos.

Tudo começou quando Miku perdeu a avó na infância. Sem ter quem cuidasse dela, a mãe de Miku recorre à sua vizinha para olhá-la enquanto trabalha no hospital. É assim que ela conhece Yukiya e os dois se tornam amigos. Ainda na infância, Miku desafia Yukiya para o jogo do amor, cujo objetivo é fazer o outro ter reações intensas ao ouvir "eu te amo", e essa brincadeira se estende ao longo do crescimento deles. Agora, adolescentes, eles continuam brincando, mas o jogo já deixou de ser apenas uma coisa de criança e agora serve para esconder sentimentos reais que nasceram ao longo da proximidade.

Ambos estão apaixonados um pelo outro, mas simplesmente não conseguem falar. A ideia é fazer o outro desistir ou perder o jogo primeiro para, enfim, se declarar. Só que ambos são teimosos e determinados e quanto mais o jogo do amor se torna intenso e cheio de atitudes perigosas, mais os sentimentos que eles escondem explodem em seus corações.

Eu esperava bem mais desse anime, sinceramente. Comecei ele porque Frieren tava me deixando deprimida hahaha, então decidi mudar pra algo mais levinho, engraçado e com romance que eu amo. Só que o negócio aqui começou promissor e terminou frustrante! De início eu tentei relevar, adolescente tem dessas mesmo, fazer c* doce é o mínimo, e quanto mais eles avançavam nas "brincadeiras" mais óbvio ficava que o negócio tinha escalado pra algo maior, mas por algum motivo eles fingiam não ver. O negócio escalou pra eles se beijarem, muitas vezes por sinal, e ainda assim nenhum era capaz de abrir a maldita boca e dizer a verdade. 

Aí chega os últimos episódios e a pessoa tem certeza que não tem como aquilo terminar bem e não termina, de fato. O final é aberto e igual ao começo. Doze episódios de pura enrolação para acabar em nada. Eu fiquei tão frustrada que quase abri o word e escrevi uma fanfic dessa bagaça só pra aliviar minha raiva. Gente, que palhaçada! Eu sei que o mangá não tá completo ainda, mas poxa, dava um final alternativo pra essa m****! Terminar do mesmo jeito que começou é safadeza. E o pior é que eu nem posso dizer que não gostei porque o plot é muito bom, amigos de infância que se apaixonam está entre minhas tropes favoritas! Só que o final desse negócio me deixou puta de raiva. 

[Livro] Contos de Assombração

 Autores: vários

Gênero: antologia, terror, folclore

Ano: 1987

Páginas: 96

Sinopse: Coletânea de contos de horror escritos por vários autores latino-americanos.

 Li esse livro na biblioteca da escola quando tinha dez anos, lembro que, na época, dois contos realmente me assustaram: as lágrimas do sombreirão e Maria Angula. Nunca esqueci esses dois e sempre tive vontade de ler esse livro de novo. 26 anos depois, graças a minha irmã, tive a oportunidade de revisitá-lo. E como nossa noção de medo muda com o passar dos anos e com as referências que a gente adquire com a idade. Na minha releitura o livro continuou bom, mas pareceu bem menos assustador e os outros contos bem menos interessantes também. São contos de países da América Latina (e acho que deviam ter excluído a Argentina) que englobam o folclore e a crença desses países, alguns são bem interessantes, outros nem tanto, mas medo mesmo acho que só Maria Angula eu consideraria macabro, embora o conto da Marimonda também seja bem sinistro. É bem legal conhecer mais sobre diferenças crenças e folclores, foi uma revisita muito bacana.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

[Livro] Os Lobos dentro das Paredes

 Original: The wolves in the walls

Autor:  Neil Gaiman

Ano: 2003

Gênero:  Livro ilustrado, Literatura infantil, Ficção

Sinopse:  Em Os lobos dentro das paredes, Lucy escuta ruídos "furtivos, rastejantes e amarrotados" vindo de dentro das paredes de sua casa. Ela tem certeza de que existem lobos vivendo ali, mas a família não acredita nela: "Você deve estar ouvindo camundongos", diz a mãe; "Morcegos", berra o irmão; "Malditos ratos", resmunga o pai. E todos são unânimes em dizer: "Se os lobos saírem de dentro das paredes, está tudo acabado." "O que está acabado?", pergunta Lucy. "Tudo", diz a mãe. "Todo mundo sabe disso", completa. Pobre Lucy. Os ruídos continuam, cada vez mais apressados e alvoroçados. E, numa noite, as tais criaturas realmente aparecem. Mas, na realidade, Lucy descobre que nem tudo está perdido. Pelo contrário, quando os lobos saem, sua batalha está apenas começando. Exilada no quintal, a família tenta encontrar uma solução, enquanto os lobos assistem à sua televisão, comem a sua comida e dançam "danças lupinas" pela casa, até que a menina tem uma idéia: "Tem um monte de espaço nas paredes da casa. E pelo menos não é frio lá.", diz ela. E a partir daí, foi a família de Lucy que rastejou pelas paredes rumo a um final surpreendente.  

Lucy é uma garotinha que vive em um velho casarão e sempre escuta ruídos dentro das paredes da casa, ela sabe que são lobos e tenta avisar aos pais e ao irmão, mas eles não acreditam nela. Até uma noite os lobos saem de dentro das paredes e invadem a casa obrigando a família a fugir para o jardim. Eles começam a fazer planos para se mudar porque "se os lobos saem das paredes tudo acaba", mas Lucy só quer voltar para casa e não pretende deixar os lobos mantê-la de fora.

Sabe, achei um conto bem infantil sem reais segundas intenções acerca de mensagens inspiradoras ou coisa assim. Só uma historinha pra criança mesmo. Refletindo um pouco eu poderia dizer que é uma questão de percepção, tanto quanto a família de Lucy se sentiu ameaçada com os lobos, eles se sentiram ameaçados quando a família quis retomar a casa e isso me faz pensar que a nossa percepção de "fim" é proporcional ao nosso esforço de mudar a situação em que nos encontramos. Enquanto a família se conformou que a invasão dos lobos era o "fim de tudo", Lucy foi prática e agiu para mudar a situação. Os lobos aqui não representam um perigo, mas um problema. Algo que domina a vida da família e que ela apenas aceita ao invés de enfrentar. Pelo menos foi como encarei. Curtinho, dá pra ler nuns 20 minutos e levou um 2,5 de 5. 

[Livro] Eu não sou Jessica Chen

Original: I am not Jessica Chen

Autor:   Ann Liang

Ano: 2025

Gênero:  Ficção juvenil, Romance de amor

Páginas: 304

Sinopse: Aos dezessete anos, Jenna Chen passou a vida à sombra da prima impecável. Jessica Chen é tão inteligente que tira nota máxima em todas as provas. Tão bonita que as pessoas param no corredor para admirá-la. Tão perfeita que foi aceita em Harvard — o sonho que Jenna viu escapar por entre os dedos. Então, após uma série de rejeições universitárias e sentindo que decepcionou todos ao seu redor, Jenna faz um pedido desesperado: “quero ser Jessica Chen”. E, para sua surpresa, o desejo se torna realidade. Literalmente. Presa no corpo de Jessica e com acesso aos seus diários e segredos mais íntimos da prima, Jenna logo descobre que a perfeição tem um preço e ser a melhor aluna do prestigioso colégio Havenwood não é exatamente como ela imaginava. Pior ainda, conforme todos — inclusive seus próprios pais e Aaron Cai, o garoto que ela sempre amou — começam a esquecer que Jenna Chen um dia existiu, ela precisa decidir até onde está disposta a ir para sustentar a perfeição.  

Para Jenna, a vida de sua prima Jessica é perfeita. Ela é a melhor aluna, a mais bonita, a filha perfeita que mora num palácio perfeito e tem tudo que quer ao alcance da mão. A única coisa com a qual Jenna pode contar é com a esperança do e-mail de aprovação em Harvard. Mas o que recebe é uma negativa. Ela não é boa o bastante para entrar. Ao contrário de Jessica que conseguiu. E se não fosse ruim o bastante ela ainda precisa lidar com Aaron, o garoto que a rejeitou um ano atrás e foi embora para Paris, agora de volta para ver de camarote a decadência de Jenna. Ela deseja com todas as forças do seu peito ser a prima.

E seu desejo é atendido. Ela acorda no dia seguinte no corpo de Jessica. No começo, tudo parece estranho e confuso, os pais de Jessica como sempre trabalhando muito e com nenhum tempo para ela deixando a vida dela cheia de uma liberdade perigosa, o quarto perfeito e organizado de Jessica, a vida com a qual ela sempre sonhou ao alcance da sua mão. E ela aproveita, sabe que vai precisar entrar na pele da prima e agir como ela, mas ela não é tão próxima de Jessica então acaba sendo um pouco difícil.

Em uma visita à casa de seus pais, Jenna no corpo de Jessica conversa com a mãe para saber onde ela está. Mas a mãe diz que Jenna viajou e não lembra para onde ela foi. No seu quarto, tudo está como ela deixou, seu celular está na gaveta, suas roupas no armário, a pintura atacada com tinta no mesmo lugar, é como se ela tivesse desaparecido sem levar nada e onde Jessica poderia estar? De qualquer forma, por mais que estivesse preocupada com o paradeiro da prima, ela não podia deixar de sentir a euforia e o desejo realizado de finalmente poder ser Jessica.

Só que ser Jessica não é tão fácil. Ela precisa lidar com a pressão das notas perfeitas da prima que ela jamais conseguiu alcançar, com matérias que nunca sonharia em fazer e que são difíceis demais, ela fica com medo de acabar destruindo a vida de Jessica e, se isso não fosse ruim o bastante, ainda tem que lidar com Aaron querendo saber onde Jenna está. Em determinado ponto, Jenna começa a perceber que as pessoas estão esquecendo quem ela é. Primeiro, os professores dizem que ela está ausente até segunda ordem, depois, sequer lembram que ela é. Aaron parece ser a única pessoa que ainda a procura.

Ela decide contar a verdade para ele. Sabe que pode confiar em Aaron, ele não acredita no começo, mas depois acaba percebendo que é verdade, porque ninguém conhece Jenna melhor que ele. Aaron quer reverter aquilo, ele precisa trazer Jenna de volta ao próprio corpo, mas não é isso que ela quer, finalmente ela tem a vida perfeita, finalmente ela é elogiada, vista, adorada, ela não quer voltar à sua antiga vida apagada e derrotada, ela quer que sua eu antiga desapareça. E isso começa a acontecer. Ao mesmo tempo, Jenna começa a descobrir que a perfeição de Jessica tem um preço muito alto e, contrariando todas as expectativas, ela precisa decidir entre voltar para a própria vida ou ser a prima para sempre.

Olha, comparado ao livro que eu li da autora em Janeiro achei esse bem lento. Jenna é mimada, invejosa e volúvel, mas eu preciso perdoar porque ninguém é racional na adolescência. Tinha horas que eu perdia tanto a paciência com ela que ameaçava abandonar o livro. Ela sempre quis ser Jessica, mas não fazia um pingo de esforço real para assumir as responsabilidades que Jessica carregava nos ombros. A questão apontada por Aaron era bem real, ela queria as coisas e quando conseguia a euforia passava e ela começava a querer outra coisa. Ela nunca estava grata pelo que tinha, a típica visão da grama do vizinho ser mais verde.

O livro é o tipo de plot bem previsível, ela consegue viver a vida da prima para descobrir que era feliz na própria vida. E tirando o fato da quase total ausência dos pais e da pressão que sofria o tempo todo, a vida de Jessica era bem perfeita mesmo o que me surpreendeu, eu pensei que ela ia descobrir algum podre ou segredo ruim sobre a prima, mas no fim foi só um plágio numa redação. Algo tão besta. Não achei o livro incrível ou revolucionário sobre a questão da identidade e tudo mais, pra mim foi só um livro sobre aprender a ser grato pelo que tem porque senão você nunca vai ser grato com o que quer. Esse era o problema de Jenna desde o começo. 

Algo que se retrata muito bem é a pressão que as famílias chinesas colocam nos filhos. Isso não é ficção, é muito real. Os pais de Jessica a pressionam a sempre ser impecável, os pais de Jenna a pressionam a ser como Jessica. Ela sempre precisa ser comparada com a melhor e nada do que ela faz é suficiente. E isso é muito triste. Não é como se ela não se esforçasse quando estava no próprio corpo, mas as vezes as habilidades de uma pessoa estão concentradas em outras áreas. No fim, o que eu realmente gostei foi a confissão do Aaron e, sendo bem franca, se a Jenna finalmente conseguiu acordar e voltar pra própria vida foi por causa dele. Mas fiquei bem frustrada por não ter tido um desdobramento melhor do romance dos dois. Ainda assim, o livro é bom. 

domingo, 19 de julho de 2026

[Filme] 1408

 Original: 1408

Ano: 2007

Direção:  Mikael Håfström

Gênero:  Terror, Suspense, Terror psicológico, Drama, Fantasia, Mistério

Roteiro: Matt Greenberg, Larry Karaszewski, Scott Alexander

Sinopse:  Mike é um famoso escritor de livros sobre lugares mal-assombrados. Ele resolve explorar o quarto 1408 do hotel Dolphin, local em que ninguém coloca os pés há muito tempo. Sem dar atenção às advertências do gerente, ele descobre o verdadeiro significado do terror quando passa uma noite no misterioso recinto.

Mike é um escritor desiludido tentando lidar com a perda de sua filha Kate, falecida por um câncer. Ele larga sua carreira como escritor de romances inspiradores e mergulha no mundo da escrita paranormal visitando lugares com fama de assombrados para tentar documentar em tempo real e provar a existência de fantasmas como um intuito de, talvez, conseguir um contato com a sua filha. Porém, não importa por quantos lugares passe não encontra evidências reais de vida após a morte ou assombrações. Como bom cético que é, Mike afunda cada vez mais em desilusão, descrença e começa a sentir tédio.

Sua carreira não anda muito bem, seus livros vendem muito mal, ninguém comparece as suas noites de autógrafo, ele está, lentamente, chegando ao fundo do poço. Enquanto checa sua correspondência ele recebe um cartão postal do hotel Dolphin dizendo para não se hospedar no quarto 1408. Em suas pesquisas, ele descobre que várias mortes aconteceram dentro do quarto considerado muito mal assombrado, ele tenta fazer uma reserva no hotel, mas não consegue, dizem a ele que o quarto está indisponível. Ele liga então para seu editor no jornal de Nova York e finalmente consegue reservar o quarto.

Quando chega ao hotel, o gerente tenta convencê-lo a não ficar no quarto usando todos os argumentos possíveis, mas Mike se mostra irredutível e é enfim colocado no quarto junto ao arquivo de todas as pessoas que morreram lá. De início parece tudo bem, mas ele logo vai descobrindo que se não há fantasmas dentro daquele quarto, aquela força obscura que se esconde naquelas paredes tampouco pretende deixá-lo sair.

Eu devo ter visto esse filme pela primeira vez em meados de 2008 a 2010, não lembro bem, mas marcou na época e, agora que revi, marcou de novo. Ele tem aquele tipo de terror psicológico que não precisa apelar para dar medo, o terror está nos detalhes, na atmosfera sufocante do quarto, na maneira como o lugar mexe na mente de Mike a ponto dele esquecer completamente quem é. E talvez o terror mais eficiente seja exatamente esse, o mental. Nossa mente é frágil e não precisa de muito para quebrá-la em fragmentos. Mike entrou no quarto como um cético e saiu de lá com a certeza que o mal existe e não precisa ter uma forma.

Acho que o ponto forte da produção não é nem o terror, mas a maneira como o personagem vai evoluindo devagar, começando a acreditar de novo porque, pela primeira vez, ele se deparou com algo que não pode explicar e que, ao mesmo tempo, lhe mostra  que a dor, independente da intensidade e da compreensão, passa quando é entendida, permitida, vivida. O luto não é pra sempre e a filha dele permanecia viva para sempre dentro dele, o quarto usou sua maior dor para trazer sua maior libertação. Ele foi o único que saiu vivo do 1408, mas não saiu como entrou. Recomendo demais, filmão. Sei que é um conto do Stephen King e com certeza planejo ler.

 

sábado, 18 de julho de 2026

[Livro] A Arte da Guerra

 Original: 孫子兵法

Ano: Aproximadamente V a.C

Autor: Sun Tzu

Sinopse:  O livro contém uma explicação detalhada e análise das forças armadas chinesas do século V a.C. de armas, condições ambientais e estratégia para classificação e disciplina. Sun Tzu também enfatizou a importância dos agentes de inteligência e espionagem para o esforço de guerra. Considerado um dos melhores estrategistas e analistas militares da história, seus ensinamentos e estratégias formaram a base do treinamento militar avançado por milênios. (Wikipédia)

 Fazia ANOS que eu queria ler esse livro, no começo eu não tinha recursos e quando consegui recursos fiquei sem coragem hahaha, mas enfim coloquei na meta desse ano e confesso que ele foi bem o que eu esperava dele. Olha, longe de mim achar passagens inspiradoras e filosóficas num livro de estratégia militar, pra mim ele foi o que era para ser: um manual de batalha. E foi muito eficiente nisso.

A decisão de ler foi apenas para adquirir conhecimento para um futuro livro medieval que eu quero escrever e ter conhecimento militar pelo menos no mínimo é muito bom para escrever batalhas e esse livro é realmente útil nisso. A coisa toda é uma espécie de guia para um bom general, com estratégias e ensinamentos para sair vencedor de uma guerra, o mais interessante, contudo, é que Sun Tzu não era um ativista das batalhas sangrentas a menos que elas se fizessem estritamente necessárias, uma guerra, segundo ele, se ganha primeiro com inteligência. Inclusive, um bom general sabia reduzir ao máximo o período de conflito porque isso custava dinheiro ao estado e as famílias que pagavam tributos a esse estado.

E é basicamente isso, mesmo, ele discorre sobre locações para acampamentos, importância das bandeiras, melhores lugares para as batalhas, a importância de, antes de qualquer coisa, se conhecer profundamente o seu oponente, pois a chave de tudo está em saber prever os passos dele para se adiantar as suas ações e se tem algo que esse livro ensina de verdade além de toda a base militar é que sem disciplina, uma rede de apoio confiável e uma formação sólida ninguém vai pra lugar nenhum. Os soldados de um general não vão saber respeitá-lo se ele não souber impor limites e, ao mesmo tempo, demonstrar afeto. O mesmo acontece com as nossas relações interpessoais, a gente tem que saber impor limites sem precisar ser indiferente.

E sempre, sempre estudar. Não só pra conhecer nossos oponentes porque nem sempre eles são pessoas, digo mais, o pior oponente contra o qual a gente luta todo dia é a nossa própria mente. Mas estudar para não permitir que as táticas dos oponentes nos ludibriem. Quanto mais crítico o nosso pensamento, quanto mais conhecimento adquirimos, mais fortes ficamos. Precisamos ser curiosos, sedentos para sempre saber mais, essa é a nossa principal blindagem. Gostei bastante do livro, salvei um monte de notas para futuras referências em cenas e recomendo a leitura demais. 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

[Drama] Dekite mo, Dekinakute mo

 Original: できても、できなくても

 Roteirista: Kato Ayako, Matsushita Saaya

Diretor: Tomita Mira, Takahashi Natsuki

Gêneros: Romance, Drama 

Ano: 2025

 País: Japão

Episódios: 10

Sinopse:  Mono Sui, a protagonista que tende a priorizar os outros, descobre durante um exame de saúde pré-marital que é infértil. A revelação leva seu namorado de sete anos a terminar o relacionamento, e logo o boato se espalha pelo ambiente de trabalho, forçando-a a pedir demissão.

Emocionalmente e fisicamente esgotada, ela conhece um belo rapaz, Tsukidome Mao, que a salva de um sujeito insistente na rua. Para escapar do vazio que a consome, Sui faz uma proposta inesperada a Mao — alguém que ela acabou de conhecer...!?

Após descobrir sua infertilidade, Sui fica devastada. Ela ainda não tinha pensado na possibilidade de ter filhos, mas saber da impossibilidade lhe afetou mais do que ela esperava. Para piorar, seu noivo cancela o casamento após a notícia, pois seus pais não podiam permitir que ele se casasse com uma mulher incapaz de gerar um herdeiro. Ela é então demitida do trabalho, pois trabalhava na empresa do noivo, e ainda tem que aguentar os julgamentos de todos os colegas de trabalho, pois a notícia da sua condição se espalha rapidamente pela empresa.

Na "festa" de despedida da empresa, sua colega de trabalho Takizawa a incentiva a beber além da conta. Sui fica bêbada e com os nervos aflorados e na ida para casa é abordada por um sujeito que percebendo sua condição tenta dar em cima dela, mas logo um rapaz aparece e a salva. Ele a leva para um hotel e eles passam a noite juntos. No dia seguinte, ao acordar, ela fica envergonhada e vai embora dizendo para ele esquecer o que aconteceu.

Com a ajuda de sua melhor amiga Erika, Sui consegue emprego em outra empresa, e como sua irmã mais nova RIn está grávida, ela decide se mudar para o alojamento oferecido pela empresa e deixar a casa para a irmã e o marido. Para sua surpresa, o garoto que a salvou na noite anterior é seu novo vizinho e colega de trabalho, Mao. Sui fica muito constrangida, mas ele não comenta nada sobre a noite que compartilharam e a recebe bem no trabalho. Ela logo se habitua ao novo ambiente, mas a proximidade com Mao começa a despertar sentimentos intensos no seu coração que jurou nunca mais se apaixonar, enquanto seu ex-noivo e Takizawa prometem não deixá-la esquecer sua condição.

Fazia um tempo já que eu não via um drama japonês, acho que me desabituei com esse tipo de produção, especialmente no fato de como as protagonistas são passivas. Em vários momentos eu me imaginei dando na cara da Takizawa que claramente precisava de um psiquiatra. A forma como a Sui não lidava com o noivo dela também me irritava profundamente, o homem era claramente um lixo e ela parecia ser incapaz de dar um basta na insistência dele. 

Para serem dez episódios tinha história demais pra desenvolver, os arcos ficaram rasos, os relacionamentos não se aprofundaram e o antagonismo perdeu força se tornando muitas vezes risível. Acho um plot interessante porque toca num ponto cultural do Japão: a necessidade da família. A visão que a mulher precisa obrigatoriamente casar e ter filhos e o estigma que recai sobre aquelas que não conseguem. Mas no meu ponto de vista o drama passa muito superficialmente por esses conflitos deixando as tramas apenas parcialmente resolvidas e com uma conclusão muito apressada. Talvez valesse a pena aumentar os episódios e desenvolver melhor a trama central e as subtramas.

Não desgostei, mas não gostei também, levou um 5 de 10. Não é um drama que eu veria de novo. Atuações bem japonesas, sem muito vigor, mas isso era esperado.  

[Livro] Príncipe dos Pesadelos

Original: Prince of Thorns and Nightmares

Autor:   Linsey Miller

Ano: 2025

Gênero: Ficção, contos de fadas, romance

Sinopse:  Desde muito jovem, o Príncipe Phillip já sabia que seu destino já havia sido decidido por ele: sua missão é se casar com uma completa desconhecida, a Princesa Aurora, que tinha sido amaldiçoada. Então, ele passaria o restante da vida protegendo a princesa de Malévola, a Rainha do Mal, que certamente viria em busca de vingança. Todavia, semanas antes do casamento, Phillip experimenta uma estranha explosão de magia, e três fadas lhe informam que ele tem uma chance de derrotar Malévola de uma vez por todas. De repente, Phillip sente como se tivesse escolha – e talvez a magia possa ser a liberdade que ele procurava.

No entanto, para conseguir derrotar a bruxa, ele terá de lidar com uma misteriosa aparição toda vez que cai no sono: sempre que dorme, Rosa e sua personalidade zombeteira surgem em seus sonhos. Só que não demora muito para Phillip perceber que ele e Rosa não são tão diferentes assim, e que os dois talvez possam mudar o destino de ambos, um sonho de cada vez.

 A última coisa que Phillip  deseja é concretizar o desejo do pai para sua vida. Desde criança ele sabia que precisaria se casar com a princesa Aurora e protegê-la da maldição de Malévola, mas ninguém parou para perguntar se era isso que ele queria. Com a proximidade do aniversário de 16 anos da princesa, ele precisa viajar para Ald Tor, mas não está com nenhuma pressa de se casar com aquela desconhecida, ele e sua escudeira, Joana, embarcam em uma última jornada de liberdade. Mas nem nos seus sonhos ele tem paz, porque precisa lidar com a misteriosa garota com quem sonha desde a infância, mas com quem nunca conseguiu falar.

No início da sua jornada, ele encontra três fadas que dizem que ele tem magia e é o único capaz de derrotar Malévola. Para isso ele precisa roubar o escudo da virtude e a espada da verdade, mas só será capaz de fazer isso se dominar sua magia em tempo recorde antes do aniversário da princesa. De início, Phillip não concorda com aquilo, ele pouco se importa com a princesa e com aquele casamento, o que ele queria de verdade era a liberdade de escolher seu próprio caminho. Mas as fadas acabam vencendo a discussão e seu treinamento começa. 

Porém, a estrada da magia se mostra mais complicada e perigosa do que ele imaginou, além disso, os sonhos com a garota misteriosa também mudam e agora ele pode falar com ela. Mas os dois não se dão muito bem a princípio. Enquanto luta contra o tempo para conseguir dominar sua força e enfrentar a rainha do mal, Phillip se vê cada vez mais próximo da liberdade que sempre desejou.

Quem me conhece sabe que eu sou a pessoa que quer tudo sobre A Bela Adormecida, era meu filme favorito na infância e eu li todos os livros que consegui sobre ele, além de todas as adaptações que achei. Assim, quando bati o olho nesse livro fiquei automaticamente louca para ler, afinal, Phillip foi meu primeiro crush na infância hahaha. Mas talvez as expectativas que eu tinha fossem altas demais.

Quem viu o filme pelo menos uma vez na vida não vai se perder nem um pouco dentro da narrativa, ela foi construída realmente dentro da produção da Disney, e faz bem em cobrir as lacunas deixadas pelo longa, mostrando um pouco da vida do príncipe enquanto Aurora crescia cuidada pelas fadas, sua amizade com a escudeira Joana sua companheira de viagens e os atritos com o rei Humberto que sempre colocou muita pressão no filho desde criança. 

No fim, Phillip é um jovem frustrado, preso a um compromisso que não quer com uma mulher que sequer conhece. Cresceu num lar sem afeto onde era cobrado para ser perfeito quando mal entendia o que tinha sobre os ombros. Também mostra um pouco da personalidade de Aurora que não aparece no filme, e confesso, tinha horas que eu visualizava ela como uma criança birrenta pela conversa deles. Mas perdoo porque eram praticamente dois adolescentes.

Uma coisa que travou minha leitura foi o uso dos pronomes neutros, eu não sou a maior ativista do uso deles e não gostei de ler. Ora parecia que o texto tava em francês, ora em italiano, além que eu acho muito feio. Me perdoem os usuários. De resto, não foi bem o que eu esperava, mas algumas coisas ficaram bastante coerentes, não comprei muito o romance de Phillip e Aurora, mas deu pra passar, foi bacana ver o outro lado da história, embora eu o tivesse imaginado muito diferente. Levou um 3 de 5. 

domingo, 5 de julho de 2026

[Anime] The Ramparts Of Ice

Original: 氷の城壁

Direção:  Mankyū

Roteiro:  Yasuhiro Nakanishi

Ano: 2026

Episódios: 14

Gênero: Slice of Life, comédia, escolar

Sinopse:  Koyuki Hikawa tem dificuldade em interagir com os outros, preferindo manter distância e passar seu tempo sozinha. No entanto, quando conhece Minato Amamiya, ele repentinamente começa a tentar diminuir a distância entre eles.

 

Hikawa nunca sentiu que se encaixava em lugar nenhum. No ensino fundamental ela até tentava ser aberta a socialização, tentava mostrar o melhor de si mesma, mas tudo que conseguiu com isso foi magoar pessoas e, sobretudo, a si mesma. Assim, no ensino médio, ela decide que não vai mais mostrar quem ela é, se ficar longe das pessoas vai poder viver em paz, sem as complicações que as relações interpessoais causam. Porém, seu jeito fechado acaba espalhando uma imagem de assustadora pela escola, e as pessoas passam de receio a medo de se aproximar dela isso lhe concede o título de A Rainha, alguém inalcançável e que se acha tão acima dos outros que apenas não se envolve.

Mas Miki sabe bem que Hikawa é gentil, engraçada e só mantem aquela pose fechada porque não quer repetir os mesmos problemas do ensino médio. Com ela, Hikawa é ela mesma, apesar de ser parte da sua natureza agir de forma reservada e quieta. Tudo muda, porém, quando Minato se aproxima dela. De início ela não entende bem o motivo de ele querer se aproximar, mas logo percebe que ele é gentil com todo mundo e capaz de conversar com qualquer um. Ela ainda fica um pouco receosa, mas não o repele completamente, contudo, fica muito próxima de Iota, um dos melhores amigos dele e de Miki.

Conforme as relações se estreitam e uma amizade sincera nasce, eles vão enfrentar dilemas como identidade e autenticidade,  enquanto aprender a lidar com sentimentos novos e ferventes próprios da adolescência. 

Quem me indicou esse anime foi a minha irmã, confesso que foi bem diferente do que ela me falou, eu estava esperando mais uma versão clean de Kimi Ni Todoke, mas encontrei um slice of life daqueles bem comuns. Eu gosto da construção dos personagens, como eles são reais, vivendo seus próprios dilemas e lidando com a questão do eu, isso foi muito bem trabalhado, a Miki tentando mudar a si mesma pra se encaixar,  a Hikawa aprendendo que ser ela mesma é suficiente e, aos poucos, ela pode acabar parando de odiar a si mesma. O Minato aprendendo a respeitar o espaço das pessoas, nem todo mundo vai ser tão simples de "destravar" e algumas pessoas tem o seu próprio ritmo. O Iota aprendendo que não precisa guardar tudo pra si mesmo, ele pode confiar em alguém.

Como narrativa, é típico do gênero ser meio paradinho, mais introspectivo, MAS POXA PODIA FECHAR MEU CASAL, NÉ? Dizem as más línguas que já tem uma segunda temporada em desenvolvimento e eu ainda estou me devendo ler o mangá de Ganbare, Nakamura-kun!! Então sei não... mas fiquei bem frustrada por ter tido declaração de um casal e o casal que eu torci ficado esquecido no churrasco. E assim, aparecer aquela falsiane de meia tigela nos últimos episódios me deu um ódio! Ainda assim pra quem curte o gênero é uma pedida muito boa, traz questões importantes não só pra adolescência, mas pra muitos adultos que ainda não se revolveram consigo mesmos.  

segunda-feira, 29 de junho de 2026

[Drama] The Proper Way to Write Love

Título Original: 恋愛ルビの正しいふりかた

País: Japão

Episódios: 8

Gênero: Romance

Ano: 2025

Sinopse:  De volta ao ensino médio, Hiro Suzuki, conhecido simplesmente como Hiro, era um membro tranquilo e esquecível do clube de jardinagem. Natsuo Washizawa, que descaradamente forçou a vida de Hiro, tornou -se parte de um passado que Hiro prefere esquecer. Anos depois, tendo deixado seu antigo eu para trás, Hiro renasce como um cabeleireiro de sucesso. Por acaso, ele corre para Natsuo novamente. Hiro está abalado, mas Natsuo o reconhecerá?

 Hiro estudava em uma escola cheia de delinquentes no ensino médio, solitário e certinho, não tinha nenhum amigo com quem pudesse conversar, suas únicas companhias eram as flores do pátio que ele cuidava com carinho. Até o dia que Natsuo apareceu na sua vida e começou a bagunçar tudo. Hiro achava que ele era um delinquente também, alguém apenas tirando sarro da cara dele e querendo provocá-lo. Ainda assim, foi o único a se aproximar dele naqueles dias na escola.

Pelo menos até o dia que Natsuo o chamou no terraço da escola prestes a lhe dizer alguma coisa, mas os amigos dele aparecem e Hiro é humilhado. Depois disso ele sai da escola. Hiro decide mudar a si mesmo, ele frequenta uma escola de beleza e aprende sobre cabelos, se especializando como cabeleireiro.  E dá muito certo, ele muda de vida e se torna um dos profissionais mais solicitados no salão onde trabalha. Até o dia em que o passado decide bater na sua porta outra vez quando Natsuo aparece no salão.

De início ele não reconhece Hiro, que o atende como se fosse um cliente comum. Mas é surpreendido quando ele volta no dia seguinte e pede para sair com ele. Chocado, Hiro pensa que é outra brincadeira, mas quando percebe que ele está falando sério, diz que aceita. O plano é simples, fazê-lo se apaixonar e descartá-lo como lixo um mês depois. Só que as coisas começam a desandar porque quanto mais Hiro se aproxima de Natsuo, mais envolvido começa a ficar e seu plano se torna secundário, quase esquecido.

Enquanto os sentimentos crescem e a relação se aprofunda, será Hiro capaz de dizer a verdade?

Depois de tentar assistir uns dois dramas e não avançar, decidi procurar um BL porque eles geralmente são mais curtos e menos enrolados. Esse tava na minha lista, mas ainda não tinha dado chance a ele, não é ruim, história bem construída dentro da limitação de tempo, personagens bem construídos, mas sei lá, pra mim faltou sal. Não sei se é porque estou muito acostumada com BL tailandês que explode química (em boa parte dos casos, claro) ou o BL coreano que tende a ser mais fofinho, esse me soou meio fraco. O plot é bacana, mas não houve catarse sabe? O clímax foi mais ou menos, não tinha empolgação. Ganhou pontos por não ser apelativo, quando o momento acontece é apropriado e dentro do contexto, isso tem me incomodado muito em BLs atuais que estão apelando muito para cenas de sexo e deixando o conteúdo mais fraco por isso passei tanto tempo sem assistir. Pra quem curte o gênero e procura algo levinho pra assistir num domingo preguiçoso é uma pedida boa. 

[Livro] O Passado de Presente

Autor: Fabiana Botinha

Ano: 2024

Páginas: 190

Sinopse: Para Júlia, ele foi um labirinto de feridas e silêncios, marcado pela ausência de um pai e pelas dúvidas que moldaram sua identidade. Apesar de acreditar ter superado essas marcas, sua rotina é apenas um refúgio, um escudo contra os traumas do abandono. Para ela, o Natal é apenas mais uma data no calendário — um lembrete distante de sonhos infantis que há muito deixaram de existir. Mas uma revelação inesperada faz as antigas feridas voltarem à tona, forçando Júlia a embarcar em uma jornada de perdão e autodescoberta.
Benício é um homem de fé silencioso e gestos gentis. Após uma mudança repentina para Poços de Caldas, ele busca algo que traga sentido à sua vida — não apenas para ele, mas para os outros ao seu redor. Para Benício, o Natal é uma celebração de esperança, um momento em que até os corações mais feridos podem encontrar redenção. Sua presença carrega uma promessa de novos começos, algo que Júlia jamais imaginou querer ou precisar.
Sob as luzes mágicas de Poços de Caldas, os Caminhos de Júlia e Benício se cruzam, desafiando ambos a confrontar suas vulnerabilidades. Júlia, que há muito tempo deixou de acreditar no poder do perdão, e Benício, que aposta no amor como força transformadora, descobrem que a vida pode oferecer mais do que aquilo que estavam querendo a aceitar.

 

Julia, uma funcionária da prefeitura, em um balanço para um projeto acaba descobrindo que seu pai, que ela nunca conheceu, faleceu quatro anos atrás. Ela ainda tinha esperanças de encontrá-lo um dia e saber por que ele a abandonara, mas agora essa chance é tirada dela. Na festa de natal da cidade, ela acaba reencontrando Benício, um jovem que conheceu na sua época de faculdade e com quem manteve um contato leve ao longo dos anos. Ele a ajuda a passar por esse momento difícil e enfrentar os fantasmas do seu passado e todas as perguntas que agora nunca encontrarão respostas. Enquanto luta para superar os traumas tanto da perda quanto do abandono, Julia faz uma jornada de autodescoberta e perdão na tentativa de seguir com a sua vida sem as sombras do passado.

E sim, é só isso mesmo.

Eu peguei esse livro pelo título e pela capa. Ele me remeteu ao filme "Um Passado de Presente" e eu pensei que seria um romancinho sabe? Daqueles de deixar o coração quentinho, bem sessão da tarde. Mas acho que está mais pra uma novela de cura. E talvez o problema esteja exatamente aí. Antes de mais nada, vamos ser justos, é muito bem escrito apesar de algumas coisas que escaparam na revisão, tem uma prosa poética e inspiradora a autora é talentosa e a gente percebe isso enquanto lê. Contudo, e aqui vai meu olhar de autora e leitora, a composição do quadro a meu ver poderia ter sido melhor.

Antes de mais nada o livro não é ruim. Mas enquanto ficção, acho — e isso, volto a dizer, é minha estrita opinião — que poderia ter sido melhor trabalhado. Todo esse emocional de Julia e as consequências do abandono paterno poderiam ser mostradas ao invés de ditas, poderia estar impressa nas atitudes dela, na sua maneira de reagir, na sua forma de ver o mundo e de lidar com as pessoas. O livro tem repetições de descrições, de emoções, muito explícitas e as vezes até explicativas. Achei que houve pouco desenvolvimento de personagem, a gente passa a maior parte do tempo na cabeça da Julia, como se a ideia inicial fosse escrever um fluxo de consciência. 

Além disso, tem muitas descrições, descrições que, eu acho, foram excessivas e acrescentaram muito pouco pra narrativa, mais beleza que composição propriamente. Há pouca dinâmica entre os personagens porque, como mencionei, a maior parte do enredo é dentro da cabeça da personagem, em certos momentos o livro parece um grande folheto do AAA. Explicações muito técnicas, dados, colocados de forma pouco lúdica e muito didática e mesmo tendo a ver com a narrativa, poderia ter sido inserido de outra forma ou mesmo como um apêndice. Tem algumas partes que ficaram em primeira pessoa, e esse provavelmente foi um erro de edição, quem sabe a proposta inicial era escrever em primeira pessoa e ela mudou para terceira depois.

Pra mim, faltou movimento. Literatura é, sobretudo, ação. É um personagem que quer alguma coisa e precisa passar por X obstáculos para isso. A história toda na mente da personagem, focada nas emoções e sensações dela não dá movimento pra história, há pouca interação entre os personagens, o romance não foi desenvolvido direito e ficou em segundo plano e tudo bem, a novela pode focar no desenvolvimento da personagem, mas nem isso fica com a sensação de caminhada. De ação. De movimento. É como se estivéssemos lendo um grande fluxo de consciência em terceira pessoa. O drama acaba perdendo força, se tornando repetitivo e o clímax esperado não tem o mesmo efeito que teria se ele fosse desenvolvido de outra forma.

Volto a dizer, o livro não é ruim, essas foram apenas as minhas impressões enquanto lia. Talvez não seja um livro para mim, provavelmente eu não sou o público alvo da obra, e tudo bem. Quem gosta de literatura de cura provavelmente vai gostar.