terça-feira, 11 de dezembro de 2018

[Livro] Inesquecível Carnaval

Autor: Lene Gracce
Ano: 2018
Páginas: 240

Sinopse: Clara tinha toda a vida planejada: estagiar em um estúdio de fotografia, morar com o seu namorado e, juntos, iniciarem a faculdade. Até que uma ligação destruiu todos os seus planos. A jovem, antes submissa e dedicada aos seus objetivos, se vê pela primeira vez sem saber como prosseguir em seu futuro. 

Traída e abandonada da pior maneira possível, Clara mergulha em um mar de incertezas e mágoas, até que sua melhor amiga a obriga a reagir. Um carnaval regado a festas, bebedeiras e pegação parecia a solução perfeita para os seus problemas.

O que ela não esperava era que a viagem lhe trouxesse momentos que alternavam entre pânico e descobertas, mudando sua história para sempre. Confusa, a jovem precisa se libertar de suas amarras e enfrentar o seu passado para finalmente assumir o controle da sua vida.

Amizade, sexo, intrigas, mentiras, confusões e uma mescla de sentimentos intensos marcarão o seu inesquecível carnaval.

Eu estava determinada a não fazer resenha desse livro pelo simples fato que não gosto de "espancar" livros nacionais, principalmente porque sou autora nacional e não há pior saber que alguém não gostou do que você escreveu. Contudo, esses dias pesando os prós e os contras percebi que não tinha só críticas ruins ao livro, mas também algumas coisas que havia gostado no apanhado geral da leitura.

A história vai girar em torno de Clara, uma garota que tinha a vidinha planejada para se casar com o namorido Manuel. Ela era uma fotógrafa e o namorado estava em outra cidade para comemorar o carnaval, ela se juntaria a ele depois, mas, do nada, ele liga pra ela e decide terminar tudo por telefone (maduríssimo) porque conheceu outra guria e queria começar do zero. Clara fica bem furiosa pelo modo como o agora ex a tratou (e com razão, claro) e deprimidíssima com o fim (o que achei um exagero, mas okay). A melhor amiga dela, para ajudar, força-a a ir com ela para uma casa de veraneio da tia passar o carnaval.

Lá ela conhece Danilo, um cara boa pinta, surfista que se mostra muito interessado em consertar os caquinhos do coração quebrado de Clara. A atração entre os dois é imediata (quase instantânea por assim dizer), mas foge do "amor à primeira vista", pelo menos isso. Está mais para "desejo à primeira vista". O fato é que os dois ficam se paquerando até darem o braço a torcer e finalmente se entregarem um ao outro, ponto. A coisa é que Clara ainda fica muito "foco no ex" e isso meio que atrapalha o que tá começando a acontecer com Danilo, sem contar que, no começo, a irmã dele não facilita. Quando os dois finalmente decidem ficar juntos, eis que Manuel ressurge do inferno pra atrapalhar tudo e uma série de mal entendidos vai colocar Clara e Danilo numa prova de fogo.

Primeiro eu vou falar o que eu gostei no livro. Achei o Danilo muito bem construído, o plano de fundo dele tornou o personagem quase palpável, podia sentir a identidade dele enquanto lia e eu gosto muito quando isso acontece e, como ninguém, sei quão difícil é fazer. Particularmente não gosto de carnaval, eu odeio essa festa, na verdade, a única vantagem do carnaval pra mim são os três dias de feriado, apenas. Mas foi bacana ler um livro com a cara do Brasil. Outro ponto que me chamou muito a atenção foi a forma que ela construiu o plot twist da história, ficou muito bem construído e realmente surpreendeu quando veio a tona (bem, tapa na cara do leitor haha).

A escrita da Lene é muito simples, o que não é ruim porque meio que aproxima mais o leitor da história, principalmente aqueles desacostumados com a leitura constante que estranham livros com uma linguagem mais complexa, contudo senti falta de mais descrição de ambientes, sabe? Em especial porque não conheço essas regiões do país, seria legal dar uma visão mais panorâmica pra gente durante a leitura, mas é evidente que ninguém começa acertando tudo e, para ser o primeiro livro dela, achei que se saiu muito bem. Mas sendo bem franca, eu detestei a Clara. Não rolou qualquer tipo de empatia ou simpatia pela personagem, só ranço mesmo. Além de extremamente chata, achei ridícula aquela atitude dela de ficar de cama por causa do ex babaca, sério. Como se a vida dela tivesse acabado por causa do término daquela relação, desnecessário, apenas.

Entendo que ela possa ter ficado triste porque foram muitos anos juntos, mas foi um exagero sem tamanho. No lugar dela eu tinha era convidado as amigas pra tomar um sorvete e celebrar minha livração daquele encosto (por isso presumo que vou morrer solteira e.e). Além disso achei a personagem muito volúvel, às vezes parecia nem lembrar que o ex existia e logo depois freava seus sentimentos por causa dele (tipo wtf?). Muitas das atitudes dela e até mesmo dos amigos dela eu não concordei mesmo, mas o que mais me deixou possessa foi mesmo essa pose dela de não conseguir ser feliz consigo mesma, como muita amiga minha que precisa de homem pendurado no braço pra poder ser realizada, isso me irrita. Além do fato de ela parecer não ter quase nenhuma vontade própria porque simplesmente "acatava ordens" e ponto. E ela me passou justamente essa impressão o livro inteiro. Fora o ranço da protagonista, achei que tiveram umas coisas que podia ser mais show, don't tell, mas isso acontece mesmo quando a gente tá no comecinho, eu já devo ter escrito uns quarenta livros e ainda faço isso. Sem contar que não atrapalha em nada a narrativa.

As cenas de sexo foram até bem feitas e, tirando algumas coisas, não ficaram vulgares. Gostei disso. Não sei por que sexo tem que ser vulgar, sério. Talvez por ser virgem eu ainda tenha essa mentalidade meio romântica do momento, mas não consigo entender mesmo porque sempre que alguns escritores, principalmente de literatura erótica (não pornô porque hoje em dia a literatura pornô tá muito na moda) da atualidade ainda insistem em exagerar no palavreado quando vão escrever essas cenas. Acho desnecessário. Dá pra criar algo bonito e sensual sem precisar apelar. A Lene conseguiu ser bem equilibrada pelo que me lembro (faz um tempo já que terminei de ler), as cenas ficaram quentes, mas não apelativas. Ainda assim não classificaria esse livro como erótico. 

Num cômputo geral, quando peso minha experiência de leitura, vejo que Inesquecível Carnaval é um livro que eu indicaria, sim, para algumas amigas que curtem o gênero, principalmente aquelas que ainda não estão lá muito habituadas com leituras mais complexas. Ele aborda temas bacanas, ainda que pra mim pudessem ter sido melhores explorados (e que acredito ela o fará se não em edições posteriores da história, em seus próximos livros) e tem uma história de amor até bonita. Me lembrou um pouquinho aqueles livros da Harlequim, mas com a cara do Brasil. Deu pra perceber que ela tem um grande potencial e que, com a ajuda certa, pode levar a literatura brasileira feminina para outro patamar muito em breve.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

[Drama] Meet Me At 1006

Título Original: 1006的房客 pinying Yīlínglíngliù de Fángkè lit. inquilinos em 1006
Ano: 2018
Direção: Chen Ronghui
Roteiro: Fei Gongyi
Chen Xuan
Fang Jie
País: Taiwan
Episódios: 26
Gênero: romance, mistério, investigação, suspense, fantasia
Elenco: Lego Lee
Nikki Hsieh
Ken Hsieh
Tender Huang
Aggie Hsieh
Greg Han
Onde Baixar: Kingdom Fansub

Sinopse: Ke Zhen Yu é advogado. Charmoso, bonito e bem-sucedido, ele nunca perdeu um caso, até o momento. Quando perde um dos casos mais importantes, a carreira dele despenca. Após perder tudo, o advogado se muda para um apartamento misterioso e barato. Lá, ele conhece um novo tipo de colega de apartamento. Cheng Jia Le é repórter. Ela mora no mesmo apartamento que Ke Zhen Yu e o encontra todos os dias às 22h06min. Porém, eles não vivem na mesma realidade. Os dois se encontram através de um portal sobrenatural e não fazem ideia do que fazer. Ke Zhen Yu e Cheng Jia Le percebem que há algo muito errado acontecendo e que a única forma de solucionar o problema é trabalhando em equipe. Para fazerem isso, eles precisam ficar se encontrando todas as noites às 22h06min.

QUE DRAMA INCRÍVEL!

Gente, eu não ficava empolgada assim com um drama desde Ten Miles *U* que emoçãozinha boa aquele frio na barriga de nervoso com a história, a ansiedade de ir logo pro próximo capítulo, os milhões de deduções e acertos, nossa! Meet me veio para abrilhantar ainda mais minha lista de dramas desse péssimo ano.

Ke Zhen Yu é um advogado brilhante que está com todo o foco do país sobre si por causa do caso envolvendo sua melhor amiga, Wu Ji Rou, acusada de assassinar o marido Jian Cheng Hao. Quando apresenta uma prova falsa no tribunal, ele é acusado de fraude e tem a licença de advogado suspensa, além de enfrentar um futuro processo graças ao promotor Mu Si Ming, um ex-colega de faculdade que guarda rancores dele. Ao sair do tribunal, ele vê alguém sendo colocado em uma maca dentro de uma ambulância, essa pessoa deixa cair um origami de cavalo alado, Zhen Yu pega e leva para eu escritório.

Forçado a sair da sua luxuosa casa, ele se muda para um apartamento em um bairro mais simples, por seu orgulho acredita ter chegado ao fundo do poço e decide beber. Às 22:06, enquanto cochila no sofá, tem a sensação de ter companhia em seu apartamento, é quando descobre uma jovem mulher "perambulando" pela casa. No dia seguinte, à mesma hora, ela aparece sobre ele na cama e os dois acordam assustados. Logo, Zhe Yu percebe que a fantasma não é tão fantasma assim, mas que seu apartamento está se fundindo no tempo, por 46 minutos, com o da inquilina de quatro meses atrás.

No início, nenhum dos dois entende o que está acontecendo, por mais que procure por ela, Zhe Yu não consegue encontrar nada a respeito da inquilina misteriosa de quatro meses atrás, até stalkear a conta dela no facebook e descobrir o estranho fato de que ambos já haviam se encontrado antes e mais, que ela era próxima do falecido marido de Ji Rou. Vendo nisso a oportunidade perfeita de mudar o passado e reverter seu decadente futuro, Zhe Yu tenta fazer com que Cheng Jia Le, sua inconveniente colega de quarto judoca e violenta, coopere com ele para impedir o assassinato de Cheng Hao, mas o que antes se provava ser apenas uma chance de impedir sua melhor amiga de ir para a cadeira se torna uma sucessão de efeitos borboleta que passam a bagunçar o passado e o presente.

Conforme vai conhecendo Jia Le melhor, Zhen Yu passa a se importar com ela e por mais que tente se aproximar tudo no seu eu do passado começa a conspirar contra o do presente que ela conhece. Verdades desesperadoras vão por a prova o sentimento da jornalista obstinada e do advogado sem coração, ninguém é confiável e eles só poderão contar um com o outro para conseguir salvar suas vidas e seus corações de uma rede de crimes cometidos por pessoas em quem sempre confiaram.

Ação, suspense, drama, fantasia, comédia, romance e plot twists de tirar o fôlego é o que aguarda o expectador em Meet Me at 1006! Os dramas taiwaneses estão com tudo no meu coração viu, confesso que dos poucos que vi até agora não fui decepcionada com nenhum. Amei, surtei e sofri com cada episódio desse drama maravilhoso que eu mais que recomendo assistir! Não contei nenhum spoiler, mas se você prestar atenção enquanto vê, vai, como eu, matar muitas das charadas logo de cara. E gente, vale tanto a pena que eu nem tenho palavras suficientes para recomendar.

Personagens Centrais

Ke Zhen Yu - nosso advogado é um homem escroto ao extremo da palavra (okay, não tanto assim). Irritante, cheio de si, arrogante, rude, meio machista, entre outros novecentos defeitos que depoem contra ele. Contudo, não dá nem tempo de pegar ranço dele por causa do carisma de Lego Lee que nos entrega um personagem humano, capaz de se aperfeiçoar como pessoa e ser altamente engraçado e carismático aquém de todos os seus defeitos. A evolução do Zhen Yu é de tal forma bem atuada que a gente acaba torcendo por ele nos apaixonando no processo mesmo quando ele age de maneira escrota.

Cheng Jia Le - nossa jornalista judoca estava a espera do seu lugarzinho ao sol quando surge a oportunidade de investigar um caso de assassinato. Jia Le é obstinada e um pouco irritante as vezes, parece no começo do drama que ela crucifica toda a raça masculina como uma igual e por isso deixa o pobre Zhe Yu vendo navios o drama quase todo (porra, né, Jia Le!). Contudo, o lado fofo e sempre otimista dela acaba equilibrando as coisas e mesmo que nos irrite conseguimos entender as confusões que ela passa. Sem contar na ótima atuação dessa atriz que não conheço e já amo.

Wu Ji Rou - Essa é aquele tipo de personagem que você não sabe com certeza o que te desperta. Tem horas que é empatia, tem hora que é raiva, noutras nojinho e noutras suspeita. Melhor amiga de Zhe Yu (porque quem somos quase trollados que estão apaixonados. Quase) ela é acusada de matar o marido, Chen Hao, que era o melhor amigo de Jia Le. A personagem vai mudando muito conforme a trama avança, em determinado momento um plot twist maravilhoso vira a mesa e a gente fica com aquela sensação maravilhosa de "não sabia, mas suspeitei". Amo!

Wu Hen Wen - Irmão mais velho de Ji Rou, esse cara tem aquela aura estranha desde que a gente o vê na primeira cena dele, apenas. Logo de cara eu desconfiei que tinha alguma coisa muito errada com o modo que ele protegia a irmã dele até descobrir aquele plot twist noooooossa, amo! Maaaas, as coisas se mostram muito mais complicadas do que parecem a princípio e o personagem se transforma em alguém que nos inspira apreensão e, ao mesmo tempo, raivinha.

Dou Da Jun - É o melhor amigo de Zhe Yu. Esse é aquele tipo de personagem que tá na trama como quem não quer nada, só pra ocupar espaço, sabe, mas de repente vira o jogo e te deixa mas oqueeeee? Claro que, não fosse por um pequeno spoiler que peguei quando tava fuçando a page do kingdom, eu nunca ia desconfiar que esse cara era o cara, ou um deles pelo menos. Ainda assim, as razões que lhe tornaram o que é são quase (QUASE) plausíveis, mas não o justificam, pelo menos pra mim.

Mu Si Ming - E pra fechar a lista, temos o promotor certinho que ainda não entendeu que em todos os cantos do mundo a lei é limitada em oitenta por cento dos casos, não dá pra levar justiça pra todo mundo principalmente quando se tem dinheiro envolvido. Mas okay, pra mim, Si Ming foi aquele tipo de personagem que tava ali pra complicar a vida do Zhen Yu porque, apesar da leve relevância dele na história, eu não via mesmo uma razão pra ele existir, na boa, não shippei ele em momento nenhum com a Jia Le e achei ele putamente sem sal. Mas okay. Cumpriu seu papel no mundo, obrigada.

Se ainda resta alguma dúvida de que esse drama é maravilhoso fique com esse vídeo dos melhores momentos do drama (pode ter spoiler) e com a opening divosa dele!



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

[Filme] Principal | Call Boy (shonen)

Título Original: プリンシパル 恋する私はヒロインですか? Título (romaji): Purinshiparu Koi Suru Watashi wa Hiroin Desuka?
Direção: Tetsuo Shinohara
Roteiro: Yukiko Mochiji
Lançamento: 03 de Março de 2018
Gênero: Romance, Escola, Drama, Amizade, Live Action
Elenco: Yuina Kuroshima - Shima Sumitomo
Nozomu Kotaki - Gen Tatebayashi
Mahiro Takasugi - Wao Sakurai
Rina Kawaei - Haruka Kunishige
Mizuki Tanimura - Yumi Tatebayashi
Tomohiro Ichikawa - Yudai Kanezawa

Sinopse: Depois que seus pais se divorciaram, Shima Sumitomo morou com a mãe. Ela se sentia desconfortável vivendo com seu padrasto e não conseguia fazer amizade com as pessoas em sua escola. Shima Sumitomo decide se mudar para Hokkaido, onde seu pai mora. Em sua nova escola em Hokkaido, ela conhece o colega de turma Gen Tatebayashi e Wao Sakurai. Eles são os dois meninos mais populares da escola. 
Um princípio de sua escola é que "Gen e Wao são para todos". Se alguém quebrar a regra, essa pessoa será banida. Shima Sumitomo se aproxima de Gen e Wao.

Nota: Baseado no mangá "Principal" de Ryo Ikuemi.
Onde baixar: Movie Asian Fansub

Tá aí um filme que me trollou bonito! Quando li a sinopse de Principal eu pensei que era aqueles romances escolares fofos e clichês que todas amamos, mas nada disso, de fofo e clichê ele tem é nada, na verdade, me faltam palavras para definir quão confuso esse filme foi pra mim.

Shima vivia com a mãe e o quarto marido. Contudo, por não ser muito boa em se enturmar, acaba sozinha na escola, coisa que lhe deprimia muito, quando chegou ao extremo de não querer mais sair do quarto, a mãe dela ligou para o pai e ela se mudou para a casa dele. O pai de Shima é tradutor e, assim, tem relativamente mais tempo para a filha.No primeiro dia de aula, ela é aparentemente bem recebida pelos demais, menos Gen Tatebayyashi que age com uma extrema ignorância apenas porque ela se sentou no assento de Wao Sakurai, ausente naquele dia. Shima o enfrenta para surpresa de todos, inclusive o proprio Gen.

Na volta para casa ela conhece Wao, que é seu vizinho, ao contrário de Gen, Wao é simpático e doce o que a leva a gostar dele de cara, algo que aborrece muito Gen. Contudo, a popularidade dos dois a impede de ser próxima deles uma vez que as meninas da escola não toleram que nenhuma garota receba atenção exclusiva dos dois garotos e, por isso, Shima reluta no início em falar com Wao na escola. Ela descobre por Haruka que Wao e Gen são melhores amigos desde a infância e se conhecem como ninguém, ela é uma das garotas "mais próximas" dos dois e fica muito irritada quando Shima consegue de imediato a atenção de Wao.

O pai de Shima tem uma queda pela mãe de Wao que é solteira, os dois acabam se casando o que aproxima mais Wao e Shima (não do jeito romântico), mas Gen demora um pouco a aceitar. Ela acaba descobrindo que Wao é apaixonado pela irmã de Gen, que é professora de música na escola deles, mas pela diferença de idade ela nunca dá uma resposta aos sentimentos do garoto. Enquanto isso, Gen e Haruka finalmente começam a namorar e a menina acaba arrumando um namorado para Shima o que parece despertar ciúmes em Gen que não liga muito pra namorada.

Durante um acampamento, ao ver Haruka beijar Gen, Shima fica triste e acaba correndo floresta adentro e se perdendo, além de torcer o tornozelo o que a impedia de caminhar. Desesperado, Gen vai atrás dela com Wao e acaba encontrando-a. Os dois caminham para a aceitação de seus sentimentos e para o desfecho de filme mais sem graça do planeta japonês.

Sério, gente, teve uma hora que eu me perguntei o que diabos estava acontecendo nesse filme e o que eu havia perdido porque do nada essa guria começa a gostar de Gen e a gente fica vendo miragens no deserto enquanto tenta entender o que foi aquilo. Deve ter sido um apaixonar muito sutil porque eu não notei e minha irmã muito menos. e teve uma conversa entre Gen e Wao que a gente também ficou brisando. Concluo que o filme foi feito para quem leu o mangá, provavelmente muita coisa foi cortada e isso acabou gerando lacunas que apenas quem conhece a obra pode preencher. Achei o final chatíssimo e fiquei o tempo todo esperando as tretas que nunca vieram deu até vontade de escrever fanfic com esse filme Principal: como devia ter sido



Título Original: 娼年 (Shonen)
Direção e roteiro: Daisuke Miura
Ano: 2018
Gênero: drama, erótico
Elenco: Tori Matsuzaka
Sei Matobu
Ami Tomite
Kenta Izuka
Yuki Sakurai
Yu Koyanagi
Erika Mabuchi
Yuri Ogino
Kokone Sasaki
Mai Ohtani
Ruri Shinato
Tokuma Nishioka
Kyoko Enami
Onde baixar: Movie Asian Fansub

Sinopse: Ryo Morinaka é um estudante universitário e trabalha meio período em um bar. Ele está entediado com sua vida diária. Um dia, seu amigo Shinya Tajima leva a proprietária de um clube para o local onde Ryo Morinaka trabalha. Shizuka Mido é a dona de um clube de garotos de programas. Logo, Ryo Morinaka começa a trabalhar para o Shizuka Mido. Ele se sente constrangido inicialmente, mas preenche os desejos das mulheres e desenvolve um objetivo.

Nunca imaginei que um dia viria aqui recomendar um filme +18 e aqui estamos hahaha. O primeiro filme +18 que eu assisti foi o coreano Step Brother e foi pela temática incesto mesmo porque vocês sabem, né? O que mais me chamou atenção no filme foi que mostra tudo enquanto não mostra nada, entendem? Call Boy segue essa mesma linha, por isso é erótico e não pornô, vale salientar essa diferença porque há quem ache que é tudo a mesma coisa e não é. Particularmente, não curto pornografia, tinha 24 anos quando vi o primeiro hentai propriamente dito e não achei a menor graça, imagino que a pornografia em geral deve ser similar, não há exatamente uma história por trás e só ver "as enfianças" como dizia meu professor de literatura brasileira, não me desperta o menor interesse.

Bom, mas voltando ao filme, Call Boy vai contar a história de Ryo, um garoto que tem o que podemos chamar de "complexo de mãe", ela morreu quando ele tinha dez anos e, desde então, ele desenvolveu um interesse particular por mulheres mais velhas. A coisa é que, na sua vida monótona, Ryo não encontra qualquer tipo de sentido e, para ele, sexo é apenas uma atividade natural que se cumpre sem qualquer emoção ou envolvimento, apenas por satisfação física. Ele trabalha meio período como barman (ao que parece no período da madrugada), e é quando Mido Shizuka entra no bar que sua vida muda completamente. Quando ela percebe o desinteresse de Ryo pelas mulheres (não no sentido sexual, mas no sentido de conhecer o sexo feminino a fundo) por achá-las "chatas" ela o convida para sua casa.

Acanhado, ele percebe que ela quer que ele transe com a filha dela, Sakura, enquanto ela assiste a performance dele, o garoto hesita apenas por um momento e cumpre o que foi fazer mesmo que não entenda bem a razão daquilo. No final, Shizuka o repreende dizendo que ele não tem qualquer respeito pelos sinais da parceira e não se entrega na relação o que torna seu desempenho desinteressante, ao passo que Sakura o salva aprovando sua performance. Shizuka, assim, oferece para ele emprego na sua agência, o Clube Passion, onde garotos jovens (dentro da lei de idade, logicamente) oferecem companhia para mulheres mais velhas (e por mais velhas eu quero dizer desde as mulheres nos 30/40 até uma senhora nos 60, pode acreditar!). Ryo aceita a proposta e se torna um novato no empreendimento do sexo, mas descobre que muito mais que oferecer satisfação, seu trabalho envolve conhecer mais o universo das mulheres e oferecer a elas exatamente o que precisam de acordo com suas necessidades.

Apesar de ser um filme erótico, vale salientar que Call Boy não é um filme genérico sobre sexo. É um filme sobre relações interpessoais. Sobre entender o outro em sua totalidade e buscar oferecer aquilo que ele precisa para se tornar melhor, mais feliz. O filme aborda temas como o casamento japonês que "acaba" quando a mulher se torna mãe, algo muito recorrente no Japão onde os homens perdem interesse na esposa depois que elas têm filhos e passam a enxergá-la apenas como 'mãe' e não mais como mulher o que os leva a ter casos extraconjugais (uma verdade podre, mas real). A solidão de mulheres que não se casam até os trinta anos e são vistas como "casos perdidos na sociedade", ou, por mais inacreditável que pareça, velhas demais (aos 30 anos, sério!). Mas também aborda umas bizarrices muito loucas, como um casal que finge que o homem está nas últimas e paga alguém pra deitar com a esposa enquanto ele grava (bizarro), uma mulher que paga homens para ver ela urinar (eu fiquei tipo: wtf?) ou um cara que é masoquista no extremo da palavra (sério, no extremo mesmo!) além de uma questão quase não abordada que é a prostituição masculina. Colocada de maneira tão interessante que se torna um atrativo a mais no filme.

Se Call Boy fosse um anime seria classificado como aqueles ecchis mais pesados no estilo AkiSora e Yosuga no Sora, uma vez que as cenas de sexo foram maravilhosamente coreografadas de uma maneira que nada se mostra (quando digo isso me refiro aos órgãos sexuais), o diretor optou por um jogo de luz e sombras escuros que, ao mesmo tempo em que mostra a ação, oculta os órgãos de modo a dar a entender o que acontece sem mostrar, os posicionamentos de câmera abordam todos os ângulos sem focar "nos importantes" ao mesmo tempo que frisando as cenas, deixando um efeito quente, bonito e refletindo toda a sensualidade do ato de acordo com o background de cada personagem que Ryo conhece. Realmente uma direção magistral de Daisuke Miura também responsável pelo roteiro adaptado de um livro de mesmo nome. Ah, sim, vale mencionar que tem uma cena de yaoi que, bem, apesar de não ser explícita, pode ser um pouco impactante à primeira vista, em todos os sentidos, para quem não está acostumado (like me). 

Outra coisa que vale muito frisar é o pano de fundo do enredo. Como disse, apesar de ser um filme erótico e mostrar cenas de sexo, obviamente, o longa não foca apenas nisso, as personagens não se encontram apenas para transar, elas têm uma história que nos é mostrada, são bem construídas e inseridas em uma série de contextos que as levaram até ali, acompanhar isso é o que torna Call Boy fascinante, Ryo realmente se interessa por elas, deseja descobrir seus desejos escondidos e seu contexto de modo a oferecer o que cada uma precisa ao seu próprio modo. A evolução dele durante o filme é muito bacana de assistir, e as personagens são de tal modo bem feitas que se tornam reais, saltam da tela e nos fazem quase esquecer que estamos vendo um filme. 

Claro que não é aquele filme que você vai ver com a mãe ou a irmã do lado, e há quem só o veja pelas cenas picantes mesmo, mas pra mim foi uma experiência ímpar, é um filme altamente artístico que mostra a relação entre as pessoas e um lado do sexo do qual não se fala muito. Precisa, logicamente, de atenção para absorver esses detalhes e entender não apenas a visão japonesa do sexo e da prostituição, mas o enredo além, por trás de cada personagem. Vale muito a pena mesmo (óbvio, eu não recomendaria se não fosse bom, né?). Não vou pôr o trailer dele aqui por questões práticas mesmo hahaha, mas vocês podem conferir nesse link AQUI

sábado, 1 de dezembro de 2018

[Livro] Peter Pan | Mestre Gil de Ham

Original: Farmer Giles of Ham
Autor: J. R. R. Tolkien
Ano: 1949
País: Reino Unido
Gêneros: Literatura infantil, Fantasia

Sinopse: Esta divertida história, escrita pelo autor de O Hobbit, é ambientada no vale do Tâmisa, na Inglaterra, num passado maravilhoso e distante, quando ainda existiam gigantes e dragões. Seu herói, Mestre Gil, é na realidade um fazendeiro totalmente desprovido de heroísmo, mas que, graças à boa sorte e à ajuda do cachorro Garm, da égua cinzenta e da espada mágica Caudimordax (ou Morde-cauda), amansa o dragão Chrysophylax e ganha enorme fortuna. 

Minha irmã comprou esse livro, junto de outros dois Boxes numa promoção do submarino. Verdade seja dita, ela só comprou por causa do dragão, ela sequer sabia quem era Tolkien (hahaha) e já estava com um pé atrás sobre o livro antes mesmo de pô-lo no carrinho, mas como o preço estava muito barato (certa de seis reais) ela acabou comprando junto, até porque não sabemos quando vamos poder comprar livros de novo.

Bem, peguei-o para ler quando minha meta de leitura do ano havia acabado e adicionei-o, junto à Peter Pan para completar 40 livros. Vou passar dezembro lendo alguns dos ebooks que tenho, mas estou satisfeita com a meta de 2018 apesar de ter sido um ano horrível. Bem, o livro é apenas um conto curtíssimo que, não fosse o trabalho e nanowrimo, teria lido de uma vez em meia hora numa tarde qualquer. E a história é bem simples, havia um fazendeiro rabugento chamado Aegidius Ahenobarbus Julius Agrícola de Hammo, ou só mestre Gil que é muito mais prático, que vivia tranquilo em sua vididnha no vilarejo com seu cachorro covarde (não, não é o Coragem) Garm e a esposa.

Bacamarte (FONTE: Wikipédia)
Certa noite, um gigante perdido e muito pouco inteligente (além de surdo e meio cego) acabou entrando nas terras de Gil que, furioso, conseguiu enganá-lo e atirar nele com seu bacamarte que tinha uma boca enorme o bastante para ele colocar de bolas a panelas. Depois disso, graças a Garm que acordou a cidade inteira pra ver seu mestre lutando contra o "temível gigante", mestre Gil passou a receber um tratamento de heroi na cidade e os boatos a seu respeito eram de tal forma que chegaram aos ouvidos do rei fazendo com que seu feito fosse reconhecido com uma espada velha que havia no arsenal (e de cuja existência o monarca sequer lembrava) junto a uma carta com todos os dez nomes do rei em tinta vermelha.

Quando mestre Gil estava com a bola cheia, eis que surge o obstáculo para pôr a prova sua valentia e esse obstáculo vem na forma do dragão Chrysophylax, o mais rico de sua espécime que, enganado pelo gigante, foi em busca de terras com comida em abundância e sem nenhum caçador. Logo que as notícias a respeito do dragão começam a se espalhar, tal qual os detalhes de sua destruição, todo o povo começa a ficar apavorado e apelam a mestre Gil que os salve. O próprio rei ordena que o fazendeiro vá caçar o dragão uma vez que este aparecera no meio de festividades importantes e seus cavaleiros estão impossibilitados de deixar suas atividades.

É claro que de início o fazendeiro se recusa, pelo menos até descobrir que a espada que recebera do rei era a lendária morde-cauda, uma matadora exímia de dragões. Com uma armadura improvisada, o cachorro e sua égua, Gil parte em busca de Chrysophylax, mas, ao encontrá-lo as coisas não saem bem com planejando e usando a espada e sua pouca sagacidade, Gil consegue entrar em um acordo com o dragão, ele deve trazer à cidade todo o seu tesouro e dividi-lo entre os habitantes do contrário o fazendeiro iria matá-lo. Contudo, ao descobrir a façanha, o rei reivindica o tesouro que o dragão não está disposto a dar a ninguém e a partir daí um desfecho interessante segue.

Esse foi meu primeiro contato com Tolkien e confesso que se por um lado me surpreendi com o tom infantil e até simpático de sua escrita, por outro foi um pouco desapontador não poder ter um pouco mais do requinte que tanto falam em O Senhor dos Anéis, embora saiba que esse é um conto infantil. O livrinho é divertido até, a gente se entretém com as peripécias do fazendeiro que, por sua pura sorte, consegue grandes feitos e até mesmo uma amizade improvável. Gostei e fica aí minha recomendação de leitura leve e rápida.

Peter Pan e Adaptações (1953, 2003 e 2015)


Ano: 1911
Autor: J.M. Barrie
Páginas: 253
Gênero: Fantasia

Sinopse: Estranhas folhas de árvore no chão do quarto das crianças, um menino, vestido de folhas e de limo, que aparece subitamente… Bem que a intuição da senhora Darlin lhe dizia que algo estava para acontecer. Logo, seus filhos estariam envolvidos numa incrível viagem à Terra do Nunca, onde os adultos não entram e de onde muitas crianças não voltam jamais!

Peter Pan foi uma surpresa muito boa para mim. Creio que foi um dos últimos filmes da Disney que assisti na época dos VHS's verdes. Quando minha irmã comprou o box (que não brilha nada no escuro) pela bagatela de 42 dinheiros eu quase não acreditei nela até ver o boleto. E como já havia lido antes tanto Alice quanto O Mágico de Oz, esse foi o escolhido para finalizar minha meta de leitura de 2018.

Como fazia muito tempo que havia visto o filme da Disney e a adaptação de 2003 eu tinha apenas uma vaga lembrança da história o que foi muito bom, pois me permitiu aproveitar melhor as surpresas que vieram dentro do livro e uma das primeiras coisas que percebi foi como as adaptações iniciais amenizaram e muito as coisas.

Basicamente, o livro gira em torno da família Darling, cujo pai se preocupa em como vão cuidar dos filhos com um orçamento tão baixo quanto o deles. Ainda assim, a senhora Darling faz de tudo para que o marido não se desfaça dos filhos e eles se tornam uma família feliz com as três crianças e Naná, a cadela "babá". Sempre que dormem e a senhora Darling vai "organizar suas mentes" (sim, isso mesmo) ela acaba percebendo as várias menções a Peter Pan embora não faça ideia de quem ele é. Pelo menos até vê-lo pela primeira vez no quarto de seus filhos à noite. No susto ela acaba fechando a sombra do menino dentro de casa e ela é "cortada" dele quando foge pela janela.

Com a ajuda de sininho, uma fadinha minúscula e desaforada, Peter volta à casa dos Darling para pegar sua sombra de volta e é quando está tentando colá-la de volta em si mesmo que ele conhece Wendy. A menina acorda ao vê-lo chorando por não conseguir pregar de novo a sombra no seu corpo e o ajuda costurando-a (literalmente) no pé do menino. Ele começa a lhe conta que vai ali todas as noites para ouvir as histórias da mãe dela e também lhe diz as maravilhas da terra do nunca onde vive despertando em Wendy o desejo de ir para lá.

Ela e os dois irmãos são levados por Peter e Sininhos (altamente contrariada) até o lar dos meninos perdidos, uma ilha cheia de perigos e belezas além da imaginação. Por dias eles voam a esmo pelo céu seguindo Peter que, por vezes, desaparecia e esquecia-se deles. Mas finalmente conseguem chegar e muito enciumada Sininho quase faz com que Wendy seja morta pelos meninos o que causa a fúria de Peter. Acompanhamos então as aventuras deles na ilha, os conflitos que existem entre as feras, os índios e os piratas, como Peter age de forma diplomática com todos eles (exceto os piratas, claro) e como a realidade e o faz de contra se entrelaçam.

Contudo, quanto mais tempo passam na terra do nunca, mais Wendy e os irmãos começam a esquecer da sua vida antiga, que parece pertencer a um passado longínquo. A menina faz o que pode para não deixar os mais novos esquecerem-se dos pais quando eles começam a acreditar que ela é mesmo mãe deles. Então, é decidido que é hora de ir para casa. Mas nem Gancho nem Peter tem a pretensão de deixar Wendy voltar pra casa.

Como disse, confesso que esse livro me surpreendeu de muitas formas, principalmente pelas inúmeras interpretações que a gente pode tirar de vários aspectos do enredo. A começar pela concepção do personagem, Barrie o idealizou em homenagem ao seu irmão que morrera de traumatismo craniano após a queda de um patins, só esse fato já torna a nossa visão da personagem outra, além disso tem questões como a insistência em permanecer criança pelo medo das responsabilidades adultas (prazer, eu) que, contudo, se contrapõe ao papel de Peter durante toda a narrativa uma vez que além de todo o faz de conta e diversão, ele assume responsabilidade pelas crianças e por Wendy uma vez que decide protegê-la.Tanto é que essas responsabilidades acabam confundindo-o em determinado momento do livro a ponto de ele não saber mais se é real ou ficção:

" Eu estava pensando  disse ele, com um pouco de medo.  É só faz de conta, não é, que eu sou o pai deles?
 É, sim  Disse Wendy, um pouco chateada. 
 Sabe o que é?  continuou Peter, num tom de quem pede desculpas.  É que, seu eu fosse o pai deles de verdade, isso ia me fazer parecer tão velho.
 Mas eles são nossos, Peter. Meus e seus.
 Mas não de verdade, não é, Wendy?  perguntou ele, ansioso."
(BARRIE, 1911 p. 154)

Essa questão de debater-se sobre crescer ou não talvez nem fosse exatamente o foco planejado pelo autor, na mente dele aquele menino era apenas como seu irmão que nunca cresceu, o que e leva a outro foco do livro: a terra do nunca. Não havia como eu não encará-la como um mundo além do faz de conta, na minha concepção enquanto lia a história ela parecia com algo como o purgatório ou o submundo como quiser chamar, um lugar para onde os mortos iam. Eu cheguei até a cogitar em algo como o Éden, mas com todas aquelas disputas e sangue vertendo, acabei descartando a possibilidade. E essa é outra questão que me surpreendeu muito: a violência. Crianças matando pessoas, nos últimos capítulos foi nítido Peter esfaqueando piratas, além da batalha dos piratas contra os pele vermelhas que me remeteu muito ao massacre dos índios americanos durante as expedições inglesas à América.

O fato de voar me remeteu como uma alusão à imaginação e à inocência. Os adultos não conseguem voar porque perdem ambos quando crescem, por isso só crianças que tem esse olhar esperançoso e inocente para o mundo, além do poder de imaginar e recriar tudo, conseguem voar e alcançar a terra do nunca. E, ali nas entrelinhas, implícito, está o despertar da sexualidade presentes em Wendy e Sininho ambas apaixonadas por Peter que ainda é inocente demais para entender tudo aquilo. Não sou entendida do assunto, mas acho que dava um bom trabalho sob a luz de Freud essa questão da sexualidade presente nessa história. Inclusive, há um diálogo entre Peter e Wendy que ilustra bem essa questão:

"(...)Peter disse Wendy, tentando falar com firmeza ―, o que exatamente você sente por mim?
― Eu sou como se fosse seu filho, Wendy.
― Foi o que pensei ― disse ela.
E Wendy foi sentar sozinha na outra ponta da sala.
― Você é tão esquisita ― disse Peter, sem entender nada. ― E a princesa Tigrinha é igual. Ela quer ser alguma coisa minha, mas diz que não quer ser minha mãe.
― Aposto que não! ― retrucou Wendy com muita ênfase.
(...) ―Então ela quer ser o quê?
―Uma dama não fala dessas coisas."
(BARRIE, 1911 p. 155)

 Enfim, gostei muito de Peter Pan, além de todas essas e outras interpretações que fiz enquanto lia, essas questões mais adultas na história me pegaram um pouco de surpresa, mas ainda assim foi de um jeito bom. Especialmente porque uma criança nunca as notaria (e nesse ponto me sinto triste por ter crescido). Peter Pan te dá aquela nostalgia da infância de mundos imaginários e aventuras sem sair do lugar, te faz pensar sobre si mesmo e sobre quem você se tornou de um modo amplo e muito interessante. Vale muito a pena a leitura.

Adaptações

Há muitas adaptações de Peter Pan, tano no teatro quanto no cinema. No entanto, na minha resenha, vou me ater as três que conheço e já vi.

Disney (1953)
Direção: Clyde Geronimi, Hamilton Luske, Wilfred Jackson, Jack Kinney
Autores: J. M. Barrie, Bill Peet, Ted Sears, Winston Hibler, Erdman Penner, William Cottrell, Joe Rinaldi, Ralph Wright, Milt Banta

O filme da Disney é, até certo ponto, fiel à obra original, apesar do espaço-tempo ser divergente do livro (o filme passa tudo como se fosse um dia) a animação cobre alguns dos principais eventos do livro. Claro que toda a violência expressa no livro é muito amenizada na animação (até porque é a Disney, né?) e o desenho tem um quê mais infantil que o livro, focando mais na comédia e, por incrível que pareça, com menos elementos fantásticos dos que são apresentados na obra original.

A caracterização das personagens está fofinha, em contraponto, alguns aspectos de suas personalidades foi modificado, mas de uma forma que não descaracteriza os personagens. Senti falta de algumas cenas que poderiam ser interessantes, mas em compensação o desenho nos dá uma prova doce do livro e se torna um deleite extra para quem já conhece a obra.

Peter Pan (2003)
Direção: P. J. Hogan
Roteiro: P. J. Hogan, Michael Goldenberg
Elenco: Jeremy Sumpter
Ludivine Sagnier
Rachel Hurd-Wood
Jason Isaacs

Nostalgia de sessão da tarde! Não sei quantas vezes esse filme passou na televisão durante minha infância e pré-adolescência, mas com quase certeza eu assisti todas elas. Aquele primeiro shipp que a gente nunca esquece e sofre pra sempre de nunca ter se concretizado (ah se eu soubesse a existência das fanfics naquela época! ai ai)

Se comparado ao da Disney, essa adaptação é muito mais fiel ao livro, tanto em cronologia quanto em detalhes. Claro que teve ali aquela licença poética pra mudar uns diálogos, cortar umas ceninhas e acrescentar algumas coisas que não acontecem na obra original, mas isso só aumentou mais a magia do filme, sem dúvida minha adaptação preferida de Pan.

Ao contrário do filme da Disney esse foca um pouco mais no lado romântico de Peter e Wendy que não acontece no livro, inclusive, até mesmo o envolvimento de tigrinha no "quadrado amoroso" Peter-Wendy-Sininho-Tigrinha foi cortado aqui o que, por um lado, ficou bem interessante. Esse filme consegue ser fiel ao livro e ao mesmo tempo te oferecer elementos novos que acrescentam na narrativa sem descaracterizá-la (um feito que poucos roteiristas conseguem, obrigada). Se tivesse que eleger a melhor adaptação do livro essa com certeza seria a vencedora!

Pan (2015)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Jason Fuchs
Elenco: Levi Miller
Hugh Jackman
Garrett Hedlund
Rooney Mara
Amanda Seyfried

Bom, esse filme é, na verdade, um reboot do livro. A ideia era se passar anos antes de Pan e Hook serem inimigos e contar o passado de Peter. O problema com isso é que o roteiro acaba "viajando na paçoca" e entregando uma história que não faz o menor sentido como princípio do início do livro.

Como uma produção independente, alheia à história original, o filme é até bacana, não sei como se diz isso no cinema, mas pra mim eu encarei como uma "fanfic" de Peter Pan e não uma adaptação do livro ou a tal "história não contada". Mesmo as boas atuações não conseguiram tornar o filme memorável como o de 2003 ou mesmo mágico apesar dos efeitos especiais.

Enfim, dá pra entreter, mas deixa muitos furos para casar com a história que ele pensou iniciar. Qualquer pessoa que leu o livro sabe que não daria para encaixar esse roteiro como " a história não contada" ou como "o início", mas valeu a intenção.

domingo, 25 de novembro de 2018

[Drama] Behind Your Smile

Título Original: 浮士德的微笑; pinyin: Fúshìdé de wéixiào lit: o sorriso de Fausto
Gênero: Romance, Melodrama, Mystério
Roteiro Du Xinyi, Wang Yuqi
Direção: Chen Ronghui
Ano: 2016-2017
Episódios: 19
País: Taiwan
Elenco: Marcus Chang
Eugenie Liu
Sean Lee
Hongshi
Esther Yang

Sinopse: Zhao Yi Ting (Marcus Chang) é um homem consumido pela ganância e amargura por causa das coisas que a vida tem jogado nele. A vida de Yi Ting torna-se fria e sem sentido. Mas quando ele conhece Lei Xin Yu (Eugenie Liu), uma jovem mulher cuja família rica tem caído em tempos difíceis, tudo muda. Ele a detesta no início, mas depois é atraído para Xin Yu de uma forma que ele não sentiu em muito tempo. Será que Yi Ting descobrir uma nova concessão de vida através de Xin Yu?

Lei Xinyu volta de viagem dos Estados Unidos para fazer uma surpresa para a mãe, mas é recebida por uma multidão furiosa que exige que Lin Man, agora foragida, pague a todos os salários atrasados. Enquanto tenta fugir após ser agredida e deixar seus pertences para trás, ela entra num carro estranho que aparece e se esconde. Acontece que dentro desse carro está Zhao Yiting, CEO de uma empresa concorrente da Leisheng, empresa da mãe de Xinyu. Ele a ajuda e lhe solta numa estrada deserta.

Sem saber que tudo que estava acontecendo era, na verdade, obra do próprio Yiting, Xinyu tem seu primeiro contato com Qianren, ou Xiaomao, irmão de Yiting que estava voltando para a fazenda onde morava e a encontra vagando sozinha e faminta na estrada. Gentil e atencioso, ele a ajuda como pode e ganha a gratidão da garota. Mais tarde, após ser quase sequestrada e forçada a trabalhar em um bordel, Xinyu, novamente salva por Yiting, continua vagando pelas ruas até conhecer Xiaoyue, outra peça dos planos de Yiting para se vingar de Lin Man. Xiaoyue leva Xinyu para casa e lhe consegue emprego num restaurante.

O restaurante em questão pertence a Tang Qianni, uma ex-colega de escola de Xinyu que a odeia desde sempre (inveja) e vê aí sua chance de se vingar, humilhando a garota de todas as maneiras. É trabalhando lá que ela descobre que Yiting é, na verdade, noivo de Qianni que não fica nada feliz em saber que o "namorado" está ajudando a garota e sendo atencioso. Yiting, que não sente nada por Qianni, continua ajudando Xinyu e quanto mais ela se mostra inocente e gentil, mais seus planos de destruir a mãe dela são abalados.

A sede de vingança começa a competir com o amor que cresce no coração de Yiting, Xinyu consegue ganhar o carinho de toda a família dele mesmo enfrentando o inicial desprezo por causa do que sua mãe fez e, a própria Xinyu, tenta reparar um pouco do mal que a mãe causou à família de Yiting, em especial a mãe dele que ficou gravemente doente por causa de tudo que acontecera. A guerra de sentimentos se incia e quando Xinyu começa a descobrir os planos daquele que ela achou que a amava, resta saber se é o amor ou a vingança que irá prevalecer.

No começo, até o capítulo três mais ou menos, eu não tava dando muito nesse drama não. Mas quando insisti em continuar, comecei a me apegar aos personagens e a torcer por Yiting e Xinyu. A trama realmente é muito bem montada e cheia de plot twists, quando você pensa que sabe de alguma coisa vem uma revelação que te deixa de queixo no chão. As atuações são realmente muito boas, foi meu primeiro trabalho com o Marcus Chang e eu realmente vou procurar outros dramas dele porque eu gostei muito, em especial dramas que ele sorria mais porque eita sorriso lindo, viu! 

Além de toda a discussão do "politicamente correto", o drama levanta várias questões meio filosóficas como a vingança e a justiça que podem ter uma linha muito tênue separando-as. O psicológico das personagens é construído de uma maneira muito interessante também, de modo que seus conflitos acabam se tornando nossos conflitos também, mas a Xinyu é definitivamente uma espécie em extinção, acho que alguém assim eu só vi em A Usurpadora, e assistir a evolução dela de uma pessoa totalmente crente em tudo e em todos para alguém de fato "humana" que reflete sobre atitudes e sabe pôr os outros no seu lugar foi muito bacana de assistir.

Apesar de não fugir de alguns clichês (que todos amamos, obrigada), Behind Your Smile consegue ser singular à sua própria forma nos mostrando uma história de amor linda se construindo aos poucos como manda o figurino. O final, apesar de fechadinho, deixou um pouco a desejar por não mostrar o que houve com os demais personagens, ainda assim, valeu muito a pena ver. Enfim, fica aqui minha super recomendação para ver esse ótimo drama taiwanês que tem também uma trilha sonora fantástica (e quase toda da ShiShi kkkk acho que ela deve ser uma espécie de Jane Zhang de Taiwan)! Vou deixar lá embaixo uma das minhas favoritas!

Personagens centrais:

Lei Xinyu (Eugenie Liu): As ações inconsequentes da sua mãe tornaram Xinyu alvo de todos os trabalhadores irritados e de Yiting que quer usá-la para encontrar Lin Man e mandá-la para a cadeia. Mas com seu espírito bondoso, sua gentileza e doçura, ela acaba conquistando a todos e abrandando o ódio que sentiam da mãe dela, a quem segue sendo muito leal. Aos poucos, também consegue conquistar o coração do frio e insensível Zhao Yiting por quem se apaixona perdidamente.

Zhao Yiting (Marcus Chang): Esse senhor "o sorriso mais lindo desse drama é meu", perdeu o pai por causa da trama feita por Lin Man para conseguir as terras dele. Tudo para Yiting se resume à vingança contra ela e a limpar o nome do seu pai. No começo, ele planeja tudo para vigiar Lei Xinyu com a certeza de que ela lhe levará até Lin Man, mas conforme vai conhecendo-a mais, ele começa a redescobrir coisas que o ódio lhe fez esquecer e se apaixona por ela colocando em teste a vingança que planejou toda a vida.

Tang Qianni (Hongshi): Essa vaca, ah, desculpe, essa guria fresca, mimada, voluntariosa e falsa, é a noiva de Zhao Yiting por pura conveniência do pai dela e capricho dela mesma. Em oito anos, ele nunca demonstrou qualquer tipo de sentimento em relação a ela, ainda assim, Qianni insiste em tê-lo. Ela odeia Lei Xinyu porque além de ser boa em tudo, ela era adorada por todo mundo enquanto Qianni tinha que "comprar" sua atenção. É filha do homem que tramou contra o pai de Zhao Yiting e uma personagem insuportável que a gente só quer ver quebrar a cara mesmo.

Jang Xiaoyue (Esther Yang): Abandonada pelos pais desde a adolescência, Xiaoyue encontrou Yiting quando estava sendo perseguida pelos agiotas. Ele a salva e a chantageia para que espione Lei Xinyu para ele, de início a garota apenas segue as ordens, mas ao conhecer melhor a menina que precisa trair, começa a construir uma amizade sincera e passa a odiar Yiting por ter de mentir para ela. Xiaoyue não sabe como dar o carinho que nunca recebeu, por isso a convivência com Xinyu lhe é muito benéfica.

Zhong Qianren/Xiaomao (Sean Lee ): O irmão mais novo de Zhao Yiting é um homem doce, gentil e prestativo que cuidou da mãe arduamente quando Yiting deixou a fazenda. Não aprova a conduta do irmão em relação a vingança nem a Xinyu. Conforme vai conhecendo ela melhor, Xiaomao se apaixona por ela, mas ao notar que ela tem sentimentos por Yiting, toma seu partido repreendendo o irmão por machucá-la. É aquele típico cara legal que a gente torce pra se dar bem, embora apesar de toda a sacanagem de Yiting com Xinyu ainda fazer a gente shippar os dois.

Trilha Sonora

A trilha do drama foi quase toda da ShiShi, uma cantora taiwanesa que conheci por causa da música de abertura e que gostei muito. Além da opening desse drama ser ótima, ela tem mais duas músicas na trilha que valem a pena ser conferidas, estou deixando aqui a opening e minha segunda favorita!


terça-feira, 20 de novembro de 2018

[Livro] O vale do Terror

Original: The Valley of Fear
Ano: 1915
Autor: Arthur Conan Doyle
Páginas: 205

Sinopse: O personagem ficcional Sherlock Holmes tornou-se lendário e ainda hoje possui uma legião de admiradores. As histórias de Conan Doyle tiveram inúmeras adaptações no cinema e no teatro.Publicado pela primeira vez na Strand Magazine em 1914, e em livro no início de 1915, O Vale do Terror é uma das quatro aventuras longas escrita por Conan Doyle, junto com Um estudo em vermelho, O signo dos quatro e O cão dos Baskervilles.O centro da história se passa nos Estados Unidos, num vale inóspito do Leste, onde uma sociedade secreta implacável comete uma série de crimes e espalha terror na região. A narração tomou como base os Molly Maguires, uma organização que realmente existiu nos Estados Unidos.

Sherlock Holmes recebe um telegrama com um código enviado de um provável informante que trabalha com o professor Moriarty, a maior mente criminosa da Inglaterra. Contudo, quando a chave para o código - que deveria ser entregue por outro carteiro - não chega porque o informante teme que o chefe esteja vigiando-o, ele e Watson decidem tentar desvendar o código sozinhos e descobrem uma ameaça a um rico senhor chamado Douglas que vive num vilarejo do condado de Sussex. Porém, antes mesmo que sonhe em intervir no caso, recebe a notícia de que o homem foi encontrado morto com um tiro no rosto em uma casa onde ninguém poderia ter entrado. Assim, nós imergimos num dos casos mais fabulosos criados por Doyle.

Como em todos os livros de detetive, todos são suspeitos para nós e para a polícia, menos para Sherlock que, com uma rápida análise, consegue reconstituir todos os fatos de maneira assombrosa. Contudo, como sempre, ele não revela seus segredos a ninguém e a investigação envereda em saber como o assassino conseguiu entrar numa casa fechada por uma ponte levadiça e fosso. Além disso, há a questão da suposta traição da esposa com o melhor amigo do falecido, teriam eles conspirado para matar o homem? Num desfecho de cair o queixo e uma verdadeira jogada de mestre, somos envolvidos em uma trama de detetive que, arrisco dizer, foi a melhor que já li.

O background do personagem principal também foi interessantíssimo, a maneira que Doyle usou para nos fazer acreditar em algo e criar um plot twist que quase nos faz cair do sofá foi magistral. O melhor livro de Holmes que li até hoje e recomendo fortemente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

[Livro] Cão Raivoso

Tìtulo Original: Cujo
Autor: Stephen King
Ano: 1981
Páginas: 332

Sinopse: O livro conta a história da família Trenton, de classe-média. Mundana conjugal e as dificuldades financeiras desgraçaram a vida de Vic Trenton e sua esposa, Donna. Seus problemas domésticos são aumentados pelo perigo mortal quando Donna e seu filho de quatro anos, Tad, são aterrorizados por um cão da raça São Bernardo chamado Cujo. O livro foi adaptado em 1983 para um filme homônimo.

Peguei esse livro em uma das minhas idas à biblioteca do SESC da minha cidade. Às vezes gosto de ir para lá estudar, me proporciona uma refrescante mudança de ares e ajuda a manter uma concentração maior pela ausência completa de sons. Em decorrência do Halloween, eles estavam expondo uma grande coleção de Stephen King. Sempre tive muita vontade de ler alguma coisa do autor, mas nunca comprei nada dele por causa dos valores sempre altos dos seus livros. Minha intenção era alugar O Iluminado, mas não tinha então, em meio aos títulos disponíveis, acabei pegando esse só pra me introduzir no estilo do autor mesmo (coisa que ao terminar fiquei me pensando ter sido uma meia má ideia. O próprio autor disse que escreveu o livro no ápice do abuso de drogas e álcool, o que é notável se olharmos o tipo de coisa que tem aqui dentro kkkk).

A premissa é simples, mas não rasa. Nós acompanhamos, basicamente, a história de dois núcleos de personagens que se interligam, os Trenton, uma família de Nova Iorque que se mudou para Castle Rock por causa dos negócios do chefe da família, Victor (Vic). E os Camber, a família dona do cão Cujo que mora numa espécie de fazenda. Obviamente aparecem muitas outras personagens que se atrelam à trama, mas não acho que sejam realmente principais. Então, o casamento de Vic e Donna Treton está indo ladeira abaixo desde que se mudaram para aquele fim de mundo, Castle Rock é uma cidadela no Maine que não oferece muita coisa, pra terminar de piorar, a empresa do marido está enfrentando sérias dificuldades quando uma das marcas para quem trabalhavam foi processada por contaminação. Vic está com uma viagem agendada para algumas semanas em Boston, mas receia deixar a mulher e o filho de quatro anos, Tad, sozinhos principalmente quando seu casamento está passando por aquela crise.

Quando o carro de Vic dá problema, recomendam que ele o leve até o mecânico Joe Camber que é eficiente e não costuma cobrar caro pelos serviços. Junto à mulher e o filho, ele vai até a fazenda do mecânico onde conhecem sua mulher, Charity, o filho de dez anos, Brett e o animal de estimação, um são bernardo de nome Cujo que adora crianças. Tad fica encantado com o cachorro para desespero dos pais que, considerando o tamanho do animal, pensam que pode comê-lo em duas bocadas sem dificuldade. Somos então introduzidos à família de Joe Camber, um homem rude e alcoolatra que espanca a mulher, esta por sua vez vê-se incapaz de deixá-lo seja pela sua disposição fraca ou por motivos financeiros.

Por vezes, somos levados aos pensamentos de Cujo, um cão como qualquer outro que leva uma vida despreocupada com pensamentos igualmente livres. Um dia, ao perseguir um coelho, ele acaba ficando entalado em um buraco cheio de morcegos com raiva, um deles acaba mordendo o focinho do cachorro e infectando-o, contudo, seus donos não percebem isso e a doença vai piorando a cada dia até o cão se tornar uma besta feroz com sede de sangue.

Mais perto de sua viagem, Vic descobre que Donna o traiu com um restaurador de móveis e o casamento que já não ia muito bem desmorona de vez. Magoado e desconfiado, ele decide ignorar seus sentidos e viajar para se afastar da mulher e decidir o que fazer com seu casamento. O carro de Donna começa a dar problemas, mas ela fica protelando sem querer realmente levá-lo até a fazenda de Joe. Enquanto isso, Charity enfrenta o marido para viajar até Connectcut em visita à sua irmã Holly, coisa que o marido inicialmente recusa sob ameaças, mas ela lhe propõe um acordo e os dois chegam a um consenso. Ela viaja com Brett e Joe planeja fazer o mesmo sem que ela saiba, para gastar o dinheiro que ela ganhara na loteria com jogos, bebidas e prostitutas. Para isso, ele fala com seu vizinho e único amigo Gary, um "heroi" da segunda guerra alcoolatra e tão ignorante quanto Camber.

A doença de Cujo vai piorando até chegar ao ponto de quase matar Brett, mas o cão consegue uma última gota de razão e foge, deixando o menino preocupado. Ele vai até a fazenda de Gary, mais abaixo, em loucura por causa da raiva, acaba estripando o homem sem dó. Joe deixa a mulher e o filho na rodoviária e, ao voltar pra casa e planejar a viagem, acaba se deparando com o dilema de quem vai alimentar o cachorro durante sua ausência. Decide ir até a casa do amigo debater a questão e, lá chegando, encontra-o morto e logo junta os detalhes e descobre que fora seu cachorro que o fizera. Tomado de terror, ele tenta pedir ajuda, mas é atacado pelo cão e assassinado do mesmo modo. 

Donna decide levar o carro até a casa de Joe, junto com Tad sob o escaldante verão de Castle Rock, rezando para que o carro não enguice no meio do caminho. O que vem a acontecer quando chegam à casa do mecânico. Ela e o filho são encurralados por Cujo dentro do carro abafado em três dias de tensão, terror e nenhuma esperança.

Acho que o grande mérito de King nesse livro, além do fato de pegar uma coisa tão simples como um cachorro e transformá-lo numa besta, é a construção de personagens tipicamente americanos de verdade que demonstram o lado mais podre da sociedade normalmente retratada como "perfeita" além de abordar alguns temas interessantes como o abuso doméstico, a infidelidade e a baixa autoestima. No começo o livro é bem arrastado, ele vai detalhando e contextualizando a vida de cada personagem o que chega a ser um pouco maçante, mas válido porque nos ajuda a entendê-los melhor e, mesmo que isso não nos cause qualquer tipo de empatia por eles, pelo menos nos ajuda a imaginar em tal nível que esquecemos que estamos lendo uma ficção.

Não posso dizer que odiei o livro, mas também não digo que amei. Achei a leitura válida até certo ponto, mas confesso que por causa do "endeusamento" de King, esperava um pouco mais. Talvez tenha sido o livro escolhido (e por isso vou programar outras leituras), mas realmente cumpre o propósito de ser um livro de terror, grotesco e atemorizante. Nisso não há dúvidas. Uma adaptação foi feita dele, mas não cheguei a assistir pela pura falta de coragem mesmo kkkk se adaptaram bem, pelo menos as mortes, é algo que eu realmente não quero testemunhar. Mas vou deixando o trailer aí pros interessados.


[Filmes] Miseinen dakedo ja nai | P to JK

Original: 未成年だけどコドモじゃない
Direção:  Tsutomu Hanabusa
Roteiro:  Keiko Hokimoto
Gênero: Romance, comédia, escolar
Ano: 2017
Elenco: Kento Nakajima Yuna Taira Yuri Chinen

Sinopse: Oriyama Karin (Taira Yuna) é uma estudante rica e mimada. No dia do seu aniversário de 16 anos, ela fica sabendo que irá se casar! Karin fica furiosa ao receber a notícia de seu pai, mas muda de ideia ao descobrir que se casará com Tsurugi Nao (Nakajima Kento), um cara popular do colégio. Karin o ama verdadeiramente, mas Nao inicialmente só está interessado na riqueza de sua família. Seu casamento é mantido em sigilo, mas Ebina Isuzu (Chinen Yuri), que nutre sentimentos por Karin, acaba descobrindo o segredo. 


Outro filme fofoooooo! *-----*

Karin é uma princesinha do papai ricaço que acaba de completar 16 anos e descobre que foi prometida em casamento para Nao, o garoto mais popular da sua escola e mais bonito. Apesar da idade, Karin sonha com um príncipe encantado e Nao para ela é a personificação dos seus desejos de menina despreocupada com a vida. Seu pai está seguindo os conselhos do avô dela, já falecido, por isso, Karin se casa nessa idade e, para sua surpresa, é levada para viver em uma casa extremamente pobre e caindo aos pedaços com o marido.

Nao, por sua vez, apesar de conseguir enganá-la muito bem durante a cerimônia, mostra seu verdadeiro lado quando os dois se encontram sozinhos na casa contando toda a verdade sobre a união dos dois. Ele casou com ela para quitar a dívida do seu pai que os abandonou e, desde então, ele tem vivido com uma mãe que praticamente desconta nele todas as frustrações da sua vida. O pai de Karin é que tem pago a escola dele desde então, por isso o acordo fora feito. Porém, Karin é o perfeito estilo Kuronuma Sawako e não entende direito as coisas que ele diz, preocupando-se mais com o momento que ele vai começar a gostar dela.

Inicialmente, de maneira muito rude, Nao traça o espaço entre os dois e a proibe de dizer a qualquer um sobre o casamento. Ele não compreende Karin muito bem e graças a isso a garota passa por maus bocados. Quando se dá conta de que sua esposa não sabe nada a respeito da vida, ele acaba começando a ensiná-la como o mundo funciona e apegando-se a ela no processo. Algo que é realmente adorável de se ver. Porém, Ebina, melhor amigo de Karin, acaba descobrindo a união dos dois e coloca Nao contra a parede para que ele enfrente seus sentimentos verdadeiros pela garota. 

Achei esse filme tão amorzinho que ficava eu e a minha irmã tendo altos surtos de fofura e altas risadas enquanto assistíamos, a Karin é a criatura mais fofa desse universo, meu Deus! E o fato de ser a mesma atriz que fez Honey deu um toque a mais na trama, tanto na parte da comédia quanto no modo fofo de ser. Super recomendo esse filme pra todo mundo, gente, sério!


Original: PとJK
Direção: Ryuichi Hiroki
Roteiro:  Nami Yoshikawa
Ano: 2017
Gênero: romance, drama
Elenco: Kazuya Kamenashi Tao Tsuchiya Mahiro Takasugi Tina Tamashiro Daigo Nishihata

Sinopse: Kako Motoya (Tao Tsuchiya) está no 1º ano do ensino médio, e nunca teve um namorado. Um dia ela finge ser uma universitária e vai para um encontro em grupo às cegas. Lá ela conhece Kota Sagano (Kazuya Kamenashi), de 26 anos de idade. Kako e Kota se dão bem e sentem-se atraídos um pelo outro. Depois Kota descobre que Kako é uma colegial e começa a tratá-la de forma diferente. Na verdade, Kota é policial. Apesar de gostar dela, ele sabe que não podem namorar. Um dia Kako se machuca ao proteger Kota. Kota decide aceitá-la por quem ela é. Ele pede Kako em casamento, porque essa é a única maneira de ficar com ela e continuar sendo policial.

Esse eu já não curti tanto quanto o anterior, apesar de ser bonzinho. A história gira em torno de Kako, uma colegial que é convidada por uma amiga a sair sem saber que está indo a um gokkon (encontros em grupo para solteiros), lá ela acaba conhecendo Kota, um policial, que acaba ajudando ela e a amiga quando um par de caras bêbados tenta fazê-las beber. Logo de cara, os dois se sentem atraídos um pelo outro, mas tudo muda quando Kota descobre que Kako tem só 16 anos. Magoada com o tratamento brusco dele, ela acaba correndo a esmo e entra em um beco isolado onde se depara com um grupo de adolescentes "desgarrados" entre eles, Okami, um colega de classe seu.

Ela é atacada por eles, mas antes que algo ruim aconteça, Kota aparece para ajudá-la, contudo, ao tentar prender um dos garotos, Okami tenta atingi-lo com um skate e Kako o impede, acabando por ficar ferida. Sentindo-se responsável por isso, Kota decide pedi-la em casamento vendo nessa a única forma de viverem juntos sem que ele precise sair da polícia ou ser discriminado por todo mundo. De inicio, os pais dela não concordam com o pedido súbito, mas Kako está mais que disposta por ter sentimentos reais pelo policial acreditando que os motivos dele são tão fortes quanto os seus próprios.

Porém, apesar de sentir algum carinho por ela, Kota ainda a vê como uma criança e acaba machucando Kako várias vezes. Enquanto isso, ela acaba se aproximando de Okami de quem se torna amiga, começando a desconfiar que os machucados com que o menino aparece sempre na escola não são, como ela achava, de brigas na rua. Na sua casa, o casamento não anda muito bem quando Kota parece sempre estar ligado no "modo policial" e ela acaba não sentindo ter realmente importância para ele.

Quando Kako é sequestrada pelo ex-grupo de amigos de Okami, Kota começa a perceber seus sentimentos reais por ela, mas será que Kako consegue lidar com a verdade do seu casamento e, sobretudo, com o fato do risco que o trabalho do marido envolve todo dia?

Acho que o maior problema desse filme foi que tudo aconteceu de forma muito súbita. Não deu espaço pra gente se entrosar com as personagens ou com as relações entre elas. Numa noite o casal se conhece e é meio amor à primeira vista, na mesma noite ela sofre um ferimento e ainda nessa mesma noite é pedida em casamento. Não dá espaço pra gente torcer ou pra curtir a história deles. Aí acabou ficando um filme que não despertou aquele calorzinho no coração nem aquela torcida ferrenha pro final feliz. Ainda assim pra quem quer passar o tempo, é uma boa.


sábado, 10 de novembro de 2018

[Livro] Treze à mesa

Título Original: Lord Edgware Dies
Autor: Agatha Christie
Ano: 1933
País: Reino Unido
Páginas: 254 (edição da foto)
Gênero: policial, suspense, mistério

Sinopse: O célebre Lord Edgware é assassinado com uma facada pouco tempo depois de recusar o pedido de divórcio de sua esposa, Jane Wilkinson, e ser ameaçado de morte por ela. Obviamente, ela se torna a principal suspeita, e uma testemunha afirma tê-la visto na cena do crime. No entanto, no dia seguinte, um jornal publica um artigo sobre uma festa que contara com treze convidados, Jane Wilkinson entre eles, dando-lhe um álibi incontestável. Para complicar ainda mais o caso, descobre-se que o pedido de divórcio havia sido aceito antes do crime ocorrer, tirando de Jane o motivo para cometê-lo.

Com a ajuda de seu fiel amigo, Capitão Arthur Hastings, Poirot tenta decifrar mais um caso que parece impossível.

Esse foi um dos casos mais complicados dos livros que já li da Agatha. E também igualmente fascinante. Quando Jane Edgware diz ao famoso detetive que quer se livrar do marido a coisa levanta choque em alguns, risos em outros e preocupação em terceiros. Uma mulher voluntariosa, fútil e mimada a atriz tem pressa em conseguir o divórcio que o marido recusa para se casar com um conde. Pelo temperamento complicado de Lorde Edgware ninguém duvidaria que houvesse muitas pessoas querendo matá-lo, mesmo assim, Poirot e Hastings são os últimos a vê-lo com vida quando, na manhã seguinte, é encontrado morto em seu gabinete, apunhalado no pescoço.

Logo as suspeitas recaem sobre Jane, mas na hora do assassinato ela fora vista jantando na casa de um magnata. Poirot, contudo, está convencido de que a mulher é inocente ainda que seu temperamento deponha contra ela. A atriz deixa bem claro que não gostava do marido e, desse modo, não se ressente com sua morte, apenas mantem as aparências para que seu conde possa em breve desposá-la sem maiores alardes. O sobrinho do lorde, uma atriz de imitações, sua secretária e até mesmo sua filha são os suspeitos mais prováveis, além de um ator amigo de Jane que é apaixonado por ela e teria, assim, um motivo para vê-la enforcada.

Contudo, todos esses suspeitos parecem ter um álibi. Conforme o caso avança e as coisas começam a sair do controle do detetive belga, os suspeitos vão afundando numa teia de desconfiança e segredos. Poirot vai precisar, pela primeira vez, descartar seu julgamento em prol de impedir que um inocente tome o lugar do verdadeiro assassino, a última pessoa que ele pensava ser capaz de cometer tal atrocidade.

Com uma trama magnífica e engenhosa, Agatha constroi o que pra mim foi um dos seus casos mais complexos, apesar de ter acertado alguns palpites durante a leitura, não cheguei realmente a duvidar do verdadeiro assassino e, afirmo, de todos os livros que já li dela até hoje, esse crime foi o que mais se aproximou da perfeição. A astúcia do assassino era digna de nota ao ponto de, na resolução, quando ele esclarece os fatos, seus pequenos equívocos terem sido ridículos para a esperteza que demonstrou ao planejar e executar os crimes. Uma obra magistral dessa autora maravilhosa.

Em comparação, sua adaptação na série de filmes Poirot não fez juiz à excelência do caso. Aconteceu o que acontece em boa parte das adaptações, comprimiram muito a história e mudaram alguns detalhes que eu não gostei muito, como a personalidade das personagens. Eu realmente detesto quando mexem nisso. Algumas coisas que aparecem no filme não acontecem no livro, contudo,fazendo um balanço geral, pra quem leu o livro e sabe de todos os pormenores, o filme pode até ser razoável nem que seja pra reclamar ou só pra ver alguns acontecimentos em ação mesmo.

Gosto muito desse ator caracterizando o detetive belga, acho ele uma fofura, sabe retratar bem os pormenores e as esquisitices de Poirot, o resto do elenco eu achei bem fraquinho nesse filme, as atuações foram meio geladas e sem emoção. Ainda assim até curti pra passar o tempo. Contudo, não recomendo para aqueles que não leram ou querem conhecer a história.