segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

[Livro] Quem era ela

Original: The Girl Before
Autor: JP Delaney
Gêneros: Suspense, Romance psicológico
Ano: 2016

Sinopse: É preciso responder a uma série de perguntas, passar por um criterioso processo de seleção e se comprometer a seguir inúmeras regras para morar no nº 1 da Folgate Street, uma casa linda e minimalista, obra-prima da arquitetura em Londres. Mas há um preço a se pagar para viver no lugar perfeito. Mesmo em condições tão peculiares, a casa atrai inúmeros interessados, entre eles Jane, uma mulher que, depois de uma terrível perda, busca um ponto de recomeço.
Jane é incapaz de resistir aos encantos da casa, mas pouco depois de se mudar descobre a morte trágica da inquilina anterior. Há muitos segredos por trás daquelas paredes claras e imaculadas. Com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador.
Enquanto tenta descobrir quem era aquela mulher que habitou o mesmo espaço que o seu, Jane vê sua vida se entrelaçar à da outra garota e sente que precisa se apressar para descobrir a verdade ou corre o risco de ter o mesmo destino. Com um suspense de tirar o fôlego e um clima de tensão do início ao fim, JP Delaney constrói um thriller brilhante repleto de reviravoltas até a última página. Uma história de duplicidade, morte e mentiras.

Peguei esse livro ano passado por indicação de um colega de skoob (obrigada, Victor!), não tinha ouvido falar dele o que é uma pena, teria lido antes se tivesse, mas acho que é um daqueles casos de livros muito bons que passam longe do hype e a gente acaba sem ouvir falar de tanto bombardeio que sofremos com o "último best seller" do momento. Foi a minha indicação para a leitura do Clube do Livro em Janeiro e acabei tendo a sorte de ser sorteada!

A história segue duas mulheres em dois períodos distintos, no passado Emma e seu namorado Simon estão na companhia de um corretor de imóveis em busca de um apartamento, de primeira impressão, vemos que Emma é uma mulher voluntariosa e meio mimada e de cara já não gostei muito dela. O apartamento em que eles moravam foi invadido por bandidos e ela foi assaltada, desde então sofre com TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) e faz terapia com Carol para superar o trauma. No presente, Jane também está na companhia de uma corretora em busca de um novo apartamento após passar pela dor de ter dado à luz a uma criança morta, ela busca um lugar onde possa recomeçar, livre das memórias dolorosas da perda da filha.

As duas mulheres são apresentadas por seus corretores a um estranho apartamento projetado por um famoso arquiteto excêntrico chamado Edward Monkford que está para alugar, mas cujos requisitos do contrato são de tal forma exigentes (e alguns bizarros) que até então ninguém aceitou ou foi aprovado pelo dono do lugar para habitar. Ambas as mulheres aceitam visitar o local e ficam impressionadas com a austeridade de Folgate Street nº1 à primeira vista, decidindo se candidatar para viver ali. Simon, namorado de Emma, fica relutante não apenas por não gostar do lugar, mas por uma das exigências ser a completa organização, total oposto da parceira que é uma bagunceira nata. Esse não é o problema para Jane que até certo ponto é organizada.

Enquanto no presente Jane se envolve aos poucos com Edward Monkford, no passado Emma e Simon enfrentam problemas no relacionamento quando ela descobre que na noite em que foi assaltada, Simon estava em um bar de strippers. Para piorar ainda mais, ele se sente impotente com ela quando descobre que ela foi violentada no assalto, assim a relação dos dois termina e Edward Monkford entra em cena deixando claro com todas as letras que quer levá-la para a cama. Em paralelo, Jane descobre a existência de Emma quando Simon deixa flores em frente à sua casa, é assim que ela toma conhecimento do fato de que, anos atrás, Emma Matthews morreu no apartamento em que agora ela mora sob circunstâncias suspeitas, não se sabe se fora suicídio ou assassinato e a autópsia fora inconclusiva.

Assim, a relação das duas mulheres com o arquiteto é narrada sob a ótica delas e, cada uma a seu modo, vão descrevendo as excentricidades da personalidade perfeccionista e dominadora de Edward conscientes total ou parcialmente de viverem um relacionamento abusivo. Fatos estranhos acerca das moradoras anteriores da casa, incluindo a própria esposa morta do arquiteto começam a levantar suspeita tanto em Emma quanto em Jane que começam a perceber que o perfeito Edward Monkford pode não ser tão perfeito assim, ainda que Jane se recuse a enxergar esse fato e tente de todas as formas provar que está errada. Emma, entretanto, não liga que ele seja abusivo e até mesmo gosta. Contudo, verdades obscuras podem acabar com o relacionamento que as duas mulheres tem com o arquiteto e um final trágico iminente parece ser o único desfecho disponível para todas que residem em Folgate Street nº1.

Esse livro foi uma mistura interessante de Harlan Coben com Agatha Christie, a narrativa é construída de forma gradual, mas sem nunca se tornar lenta ou monótona, os capítulos são fluidos e expressam tão bem o caráter de suas narradoras que ao passo que detestamos uma passamos a sentir certa simpatia pela outra, um thriller psicológico tão bem construído que todo mundo é suspeito até mesmo o moderno apartamento, deixando-nos paranoicos e tão confusos quanto Jane. Igualmente, somos pegos de surpresa ao descobrir o que, de fato, provocou a morte de Emma Matthews e confesso que não esperava mesmo por aquilo. O final do livro é bem agridoce, ainda que não seja ruim de nenhum modo, mas dá aquela sensação de ciclo, sabe?

Tendo como cenário a aristocrática Londres, o livro traz discussões sobre autoimagem, relações abusivas, transtornos mentais e luto, nos fazendo refletir acerca de várias questões e ainda provocando uma pequena discussão sobre o aborto e síndrome de Dawn. As personagens são vívidas e saltam das páginas, Edward é controlador, beira ao TOC e concordo com a terapeuta quando diz que ele tem tendências sociopatas. Emma é manipuladora, falsa, mentirosa compulsiva e narcisista. Simon é bajulador, fraco e obsessivo. Jane é uma mulher forte até certo ponto, independente e dona de si mesma, sabe o que quer e lida com o luto como acredito que qualquer mulher na situação dela faria, contudo em alguns momentos a cegueira dela em relação a Edward me irritava. É o tipo de situação que você sabe que está errado, mas fica se dado pretextos para fingir que está certo. Quem curte o gênero, fica aqui minha recomendação de uma história muito boa bem estilo A Mulher na Janela, Não Conte a Ninguém e A Casa no Penhasco.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

[Livro] Audácia

Original: Impulse
Autor: Candace Camp
Páginas: 320
Gênero: Romance histórico
Ano: 1997

Sinopse: Ela ousava amar de verdade...

Angela Stanhope acreditava no amor. Após ser arrancada dos braços de Cameron Monroe,
o homem a quem confiara seu coração, ela foi jogada às garras do cruel e impiedoso lorde Dunstan, o escolhido de seu avô para desposá-la. Decidida a fazer valer seus sentimentos e não os desejos insanos do patriarca dos Stanhope, ela o desafiou, mas cedeu a uma ardilosa chantagem para proteger seu amado.

 Ele estava decidido a duelar com o destino...

Cameron jamais se esqueceu da humilhação que sofreu. Após 13 anos, ele retorna à propriedade
dos Stanhope para um ajuste de contas. Afinal, tornou-se um homem rico e poderoso, com recursos ilimitados para destruir a família que o renegou. E ele tem somente uma exigência: que Angela se torne sua esposa.

Mas será que a paixão de Angela e Cameron resistirá a terríveis revelações?

Segunda resenha literária de 2020!

Não me recordo onde vi Audácia, acho que foi enquanto pesquisava sobre algum livro e ele veio como um relacionado, a coisa é que me chamou a atenção (não era essa capa que eu postei, era outra que eu vou colocar mais embaixo) e acabei me interessando e pegando para ler. Como a maioria dos livros que pus na meta de leitura eram livros digitais que estavam mofando no meu tablet e no kindle há eras, acabei ficando só com ebooks para janeiro e ao que parece vai ser assim o ano todo!

Audácia acompanha o romance entre Angela Stanhope, uma nobre inglesa neta de um conde e Cameron Monroe um cavalariço que trabalha para a família de Angela e a conhece desde que ela tinha oito anos. Ela é apaixonada por ele desde criança, perdendo o pai cedo e com uma mãe hipocondríaca, Angela cresceu criada pelos rigorosos avós que pouco faziam para lhe dar afeição e deixavam-lhe a cargo da inflexível governanta. Ela amara Cam desde que o vira pela primeira vez, não apenas por ser o único que lhe dava atenção, mas por ser o único que a entendia de verdade.

Quando Cam finalmente admitiu seus sentimentos por Angela, esta estava no auge de sua juventude, mas prometida ao cruel Lorde Dunstan por quem não nutria qualquer sentimento além de indiferença. Ela planejava fugir com Cam para a América onde poderiam se casar sem a pressão da diferença de classes ou as imposições da família, mas o avô dela acaba flagrando os dois em um momento íntimo e tranca Angela no quarto, dando uma surra em Cam e expulsando-o das suas terras. Como os Stanhope passavam por um momento de muitas dívidas, ele força Angela a casar com Dunstan para salvar a família ameaçando que, caso ela recusasse, ele acusaria Cam de roubo e faria com que ele passasse o resto da vida na prisão.

Desesperada para salvar o amado, Angela aceita o casamento forçado sem nem fazer ideia do pesadelo que sua vida se tornaria por esta escolha. Cam, acreditando que ela se casara por dinheiro, fora embora sozinho da Inglaterra odiando-a sem permitir que ela mesmo lhe desse uma explicação da sua atitude, desse modo, ela vive seu pesadelo solitária com a única consolação de que o amado, mesmo odiando-a, pelo menos teve a chance de construir para si um futuro.

Treze anos se passam e Angela mora sob a proteção do irmão Jeremy, agora Conde Stanhope no lugar do avô, ela fugira de casa com a ajuda de sua criada Kate e pedira o divórcio a Dunstan, contudo, o infame lorde conseguiu virar o jogo contra ela acusando-a de adultério, tirando todo o seu dinheiro, mas apesar de estar dependente do irmão, a paz de estar longe do ex-marido era tudo para Angela que vivia sob a sombra do medo e jurara nunca mais se casar. Porém, por um jogo cruel do destino, Jeremy aparece em Bridbury com um estranho homem e afirma estar com a corda no pescoço.

Aparentemente um estranho comprou mais da metade da mina que subsistia a família e todas as dívidas de Jeremy deixando-o entre a cruz e a espada. Para sair da situação, o estranho exige que Angela se case com ela para salvar a família. Claro que ela se recusa, afirmando ao irmão que não pode se submeter ao horror que passou em seu último casamento, mas mesmo que o irmão compreenda, pede que ela dê pelo menos a chance de conhecer o misterioso pretendente antes de recusar uma vez que o futuro de todos eles depende disso.

Para a surpresa dela (e não a nossa porque acredito que qualquer pessoa versada nesses livros já adivinharia isso) o homem que quer se casar com ela é Cam, agora sob o sobrenome de Moroc, é um homem de enorme fortuna e dono de tudo que a família de Angela tem. Ele deixa claro desde o início que o casamento é uma forma de vingança e Angela, que se recusa a submeter-se a um homem novamente, expressa seu desprezo e sua recusa convicta em casar-se com ele, mas Jeremy acaba se vendo com um escândalo pronto para arruinar de vez sua vida e a de toda a família o que deixa Angela entre a cruz e a espada. Tudo piora quando Dunstan reaparece para atormentá-la jurando trazê-la de volta para sua casa.

Desesperada, ela faz um acordo com Cam, aceitará se casar com ele se ele prometer que não a tocará. Pensando ser por causa do desprezo que agora os une, ele aceita dando sua palavra que não encostará um dedo nela. Porém, a química entre eles é explosiva e os velhos sentimentos ameaçam toda hora bater de novo à sua porta. Ambos são incapazes de esquecer o amor que os manteve vivos durante todos os anos de separação, mas Angela está ferida demais para se abrir novamente ao amor e Cam, desconhecendo os sacrifícios dela, imerso demais no ódio para enxergar os próprios sentimentos.

É Kate, a criada de Angela, que revela para Cam o motivo de ela ter se casado com Dunstan e, arrependido, ele tenta se reaproximar dela jurando que conquistará não apenas seu perdão, mas sua afeição novamente. Assim, os dois imergem em uma amizade profunda, mas mesmo que Angela demonstre reagir às investidas sensuais de Cam, ela não consegue se entregar a ele e Cam começa a pensar que é algo de errado com ele próprio e o fato de sua origem.

Aterrorizada, Angela se recusa a contar os horrores que ocorreram em seu casamento, a dor da vergonha e a culpa lhe corroem a alma. Cabe a Cam descobrir o que se esconde atrás do medo que ela sente de abrir outra vez o coração enquanto tenta, ao mesmo tempo, desenterrar suas origens e conhecer o passado que sua mãe se empenhou em esconder até sua morte.

Esse foi um daqueles livros que eu não estava dando muito quando comecei, pensei que era só mais "um harlequim histórico", contudo acabei tendo uma boa surpresa. Não apenas as personagens são bem interessantes quanto o contexto histórico abordado no livro reflete um passado cruel com as mulheres que eram tratadas como objetos ao bel prazer de seus maridos inescrupulosos e cruéis. E o livro vai além, mostrando um pouco da homossexualidade em uma rígida sociedade inglesa moldada nos padrões religiosos que ditavam as regras. Ainda que este último tema não seja desenvolvido como deveria na história, o que é uma pena, foi muito interessante e acrescentou à narrativa. 

O que mais gostei, contudo, foi o método de Cam para "destravar" a esposa com medo irracional da intimidade hahaha. Em uma época onde a psicologia não tinha voz, ele soube contornar a situação de uma maneira inteligente usando de recursos práticos que mostraram funcionar, entendendo o problema de Angela e aceitando o seu tempo de lidar com a situação, permitindo que ela alcançasse autonomia para superar o próprio problema com o apoio dele sem nunca pressioná-la. Foi muito fofo. Para quem gosta, o livro ainda conta com uma dose de erotismo bem... apimentada para meus padrões, mas que couberam na narrativa sem deixá-la apelativa e funcionando como um recurso de desenvolvimento do relacionamento das personagens e não como um padrão de livro erótico.

Achei que Dunstan teve um final muito fácil. Particularmente queria vê-lo sofrer mais, pagar pelos seus crimes talvez, ainda assim, como a autora deixou para resolver tudo no último capítulo, compreendi a escolha de resolução e não ficou de todo má também. É um livro fofo, quente na dose certa, bem ambientado e que traz à tona com fidelidade um passado que infelizmente ainda se repete muito nos dias atuais. Mais que recomendado!

domingo, 12 de janeiro de 2020

[Livro] Pássaros Viajantes

Original: Birds of Passage
Autor: Elizabeth Lane
Ano: 1992
Gênero: Romance histórico

Sinopse: Inglaterra, 1702

Angustiada, Mavis Whitney firmou a mão com dificuldade e assinou o contrato de servidão que o capitão James Forrester lhe entregava. Quando o navio zarpasse rumo à América, deixaria para trás os problemas que a obrigavam a fugir do país.

A passagem custara caro: sua liberdade. Nos próximos 5 anos, seia considerada apenas um objeto, uma escrava! A idéia era exasperante. Como criada de Célia Pomeroy, a noiva do capitão, seria testemunha silenciosa da intimidade, das risadas, da felicidade de Célia e James. Agora só restavam poucos dias de liberdade a bordo do navio. Dias em que Mavis iria sonhar que era um pássaro viajante, livre para ir aonde quisesse, livre para amar um homem poderoso como James Forrester.

Retrato de uma época dramática, em que pessoas livres sujeitavam-se à escravidão para conseguir sobreviver!

Se bem me lembro, Pássaros Viajantes foi o primeiro romance histórico que li, ainda na escola, quando descobri (em uma estante bem escondida) os livros de banca Bianca, Sabrina e Júlia. Não me recordo a idade na época, mas o livro me impactou ao ponto de nunca esquecê-lo e foi com uma alegria enorme que consegui encontrá-lo em PDF para ler muitos anos depois da primeira vez. Acho super interessante como as histórias nos impactam de maneiras diferentes quando as pegamos em momentos distintos da nossa trajetória, mais experiência, mais conhecimento e uma cabeça diferente daquela com que os lemos pela primeira vez, o projeto de releitura tem me mostrado isso com ainda mais força.

A história segue Mavis Withney, a filha de um guarda-caça que cresceu como um espírito livre até a morte de seu pai quando ela se viu criada de Lorde Dunsmoore, para quem seu pai trabalhara, e vítima do assédio do filho deste que herdara a posição do pai. Para escapar de um estupro, Mavis deforma o rosto do homem com chá quente e foge em busca de um navio que possa levá-la de Londres para a América onde, no novo mundo, ela será serva de alguém pelo tempo que durar seu contrato e então encontrará a liberdade em uma terra onde ninguém mais poderá machucá-la.

É no Pégasos que ela encontra sua esperança, o capitão James Forrester apesar de não ser o mais gentil dos homens lhe oferece um contrato de servidão de cinco anos para sua noiva, Célia Pomeroy, que procura uma pessoa para cuidar da contabilidade e de convites sociais para seus assuntos. Por saber ler e fazer contas, mesmo não sendo o homem que James procurava, ele a contrata quando vê o desespero da jovem para fugir de Lorde Dunsmoore e, mesmo um homem brusco do mar, tem horror a tipos devassos como Percy Dunsmoore.

James se encarrega da proteção de Mavis, tentando negar para si mesmo o encanto que a garota exerce sobre ele. A postura altiva e a força da garota mexem com ele, além de sua beleza despertar nele desejos tão fortes que mal consegue se conter perto dela. Ainda assim, tanto ele quanto ela reprimem seus sentimentos em nome do compromisso dele com Célia, mesmo com o coração partido, Mavis sabe que só lhe resta aceitar que será uma testemunha da felicidade do homem que ama com outra mulher. Ela aproveita bem seus últimos dias de liberdade a bordo do navio, enquanto vai conhecendo melhor o taciturno capitão e seu passado tortuoso.

Na Virgínia (e quem lembrou da música de Pocahontas dá um salve kkkk) ela se vê a mercê de Célia, uma mulher frívola, vingativa, fútil e cruel. A pior parte, entretanto, é suportar as visitas de James à noiva, mesmo quando ele visivelmente não está apaixonado por Célia, mas por ela. James tenta de todas as formas comprar o contrato de Mavis para libertá-la, mas a vingativa Célia não pretende entregar os pontos tão facilmente e vai fazer tudo ao seu alcance para destruir Mavis e garantir que a vida de James seja um inferno mesmo que isso signifique se aliar aos piores tipos de gente como Percy Dunsmoore.

Eu ainda me lembrava de boa parte da história, mas muito estava nublado na minha mente e pude reviver cada momento dessa narrativa sofrida e o retrato de uma época cruel. Por incrível que possa parecer, Mavis foi uma das poucas personagens femininas que não me encheu o saco, ela se manteve forte e inteligente o livro todo, James, longe de ser o personagem perfeito, me deu um pouco mais de dor de cabeça com algumas decisões, mas pelo menos dava para entender pelo contexto no qual ele estava inserido. Pássaros Viajantes é uma história forte, que marca a gente e me causou, ainda que de forma mais branda, as mesmas sensações da primeira vez que li. Recomendo.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

[Anime] The Ancient Magus' Bride

Original: 魔法使いの嫁, ''Mahōtsukai no Yome''
Autora: Kore Yamazaki
Gêneros: Fantasia sombria, Mistério, Ficção sobrenatural
Roteiro: Aya Takaha
Direção: Norihiro Naganuma
Ano: 2017-2018
Episódios: 24 (+4 OVA)

Sinopse: Chise Hatori tem apenas 16 anos, mas ela já perdeu muito mais do que a maioria. Parece que todas as portas estão fechadas para ela, que não tem mais família ou esperança. Mas um encontro casual fez girar novamente as rodas enferrujadas do destino. Elias Ainsworth, um mago misterioso, aparece para Chise e oferece a ela a chance de ser sua aprendiz em um mundo de fadas e dragões. Antes que Chise se acostume com essa ideia, ela descobre que seu destino é ser mais do que a aprendiz de Elias, mas sim ser sua noiva. Este mago, que parece mais com um demônio do que um humano, pode trazê-la à luz que ela procura desesperadamente ou afogá-la nas sombras cada vez mais profundas.

Eu tinha visto esse anime sem querer no banco de séries há uns anos, acho que foi no começo de 2017, mas ainda faltava muito pra ele lançar então eu acabei esquecendo e me lembrei dele ano passado, mas como já estava com a meta fechada, acabei deixando pra esse ano. Tinha gostado da sinopse, parecia prometer muito e, até certo ponto, não estava errada.

A história acompanha Hatori Chise, uma adolescente que assina um contrato de escravidão, no início, pelo que podemos entender, tudo que Chise deseja é um lar, alguém que a acolha e goste dela pelo menos um pouco, mesmo que isso signifique ser uma escrava. Porém, o "leilão" no qual ela é vendida não é comum, mas aparentemente um leilão sobrenatural e ela é comprada por um estranho mago com cabeça de osso. O que mais a surpreende, entretanto, é o fato dele não a tratar como uma escrava, mas uma aprendiz e logo ela descobre que ele também pretende fazer dela sua noiva.

Chise se descobre como uma rara espécie de maga chamada sleying Begy (pelo que me lembro, não sei se escreve assim mesmo, mas é um nome estranho assim mesmo), dando uma explicação por alto porque é um troço meio complexo, ela é altamente poderosa e capaz de transformar magia de qualquer coisa, porém seu corpo é fraco demais para seu poder, o que quer dizer que ela vai morrer muito cedo. Elias, o mago que a comprou, diz que não permitirá que aconteça e se compromete a encontrar uma maneira de impedir que a vida de Chise se abrevie.

Na casa dele ela conhece Silky (fofaaaaaa! *U*) uma banshee que cuida da casa e cozinha. Conforme vai aprendendo mais sobre Elias ela se vê acolhida como membro de uma nova família e tem a chance de recomeçar e se reconstruir, mas para isso precisa enfrentar as "maldições" que atormentam sua mente e fazem parte de dores do passado que ela carrega consigo. Chise não tem força própria, é totalmente dependente de Elias e teme mais que qualquer coisa ser abandonada. 

Ela começa a estudar magia e vai conhecendo pessoas que estão à volta de Elias. O reverendo da cidade que tem de ficar de olho nele, mas que mais o ajuda que qualquer outra coisa, Angélica, uma maga que trabalha como "mecânica mágica" para outros magos, o rei e a rainha das fadas, Linder o guardião dos dragões e mentor de Elias,  além de outros personagens que aparecem conforme Chise ajuda o mago a resolver questões. Porém, quando um inimigo poderoso, o feiticeiro Cataphilus, aparece colocando muitas vidas em xeque, Chise pode acabar abreviando ainda mais a sua existência no desejo desmedido de salvar Elias e os amigos que conquistou.

Gostei muito do anime, não supriu totalmente as minhas expectativas, quando eu li a sinopse imaginei uma coisa totalmente diferente, mas foi uma surpresa boa em sua maior parte. Gostei da OST que é linda, a animação também é muito boa embora tenha CGI em algumas partes é tão sutil que não atrapalha. Uma das coisas que me chamou atenção foi o fato de Elias não ser o mocinho e, ao mesmo tempo, não ser o vilão. Como uma existência inumana (ou metade humana, não fica muito clara a origem dele) ele não tem qualquer tipo de discernimento acerca das sensações humanas, embora conforme vá se aproximando de Chise comece a desenvolver sentimentos como inveja, ciúmes, solidão, carinho, preocupação, medo, etc. 

Chise, como toda adolescente, comete umas estupidezes conforme vai ganhando mais confiança e umas a gente até perdoa e tenta entender dado o histórico da guria. Mas tem outras que dava vontade de afundar o crânio dela com tanto cascudo pra ver se ela acordava pra vida (u.u). Das demais personagens eu curti muito o Linder e a Angélica foram meus favoritos. Recomendo demais o anime, é uma dark fantasy muito interessante e bem diferente, apesar de ter umas cenas meio gore que me deixaram desconfortáveis, não é nada nível Another, e quando há momentos de "tortura" por assim dizer, são sempre com câmeras em outros ângulos, de modo que não tem nada realmente impactante coisa ótima para gente de estômago fraco como eu.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Esperanças para 2020


大家好,新年快乐!

Se você está lendo isso é com a maior alegria que eu te desejo um ano cheio de paz, saúde e realizações. 2019 não foi um ano fácil em nenhum sentido, muitas perdas, dificuldades e tristezas, são tão poucas as coisas boas que posso contabilizar daquele ano que mesmo que tentasse focar apenas nelas talvez não fosse suficiente para aplacar dentro de mim a vontade de que ele acabasse logo (e pareceu levar uma eternidade até o dia 31!).

2020 começou, temos novos 365 dias para recomeçar, para tentar algo diferente, para ser diferente, porque nada muda se nós não mudarmos. No início dos anos é sempre aquela empolgação que vai morrendo conforme os dias passam, mas esse ano eu realmente desejo que possamos manter esse fogo da mudança aceso ao longo de todos os dias porque é esse fogo que nos dará coragem para realmente fazer algo em prol de nós mesmo e, a partir disso, das pessoas à nossa volta.

Em novembro passado eu fui hospitalizada com uma dor muito forte, só naquele momento me dei conta de que estava ficando velha e que minha saúde não ia pedir socorro por muito tempo. Isso me fez entender que às vezes a gente precisa passar por um sofrimento grande para acordar e mudar. 2019, creio, foi um sofrimento para a maioria das pessoas, seja no âmbito político, social, pessoal... mas ele serviu para nos fazer refletir acerca de nossas escolhas e estabelecer novos rumos para esse 2020, me tornei mais consciente de que preciso mudar hábitos com ainda mais afinco e me propus a manter uma rotina mais firme este ano.

Muitas das metas que me estabeleci ano passado, infelizmente, por algum motivo não consegui cumprir. Os projetos Hanadan e Itazura na Kiss não foram para frente porque não consegui encontrar todas as versões disponíveis, talvez não fosse para ser. Contudo, em contrapartida, o projeto de releitura foi muito bem e continuará esse ano que contemplará as sagas Fallen  e Hush Hush. Talvez eu não seja tão ativa no blog quanto gostaria, estou com uma rotina bem apertada graças aos novos hábitos, preciso regular o meu sono acima de qualquer outra coisa, então espero que compreendam.

Vou tentar usar o famoso caderno de leituras, já fiz minha modesta lista de livros deste ano e espero que consiga levá-la adiante e adicionar mais leituras. As resenhas literárias permanecerão. Minha lista de doramas também foi feita, o que não acho que vá aparecer muito são animes, não consegui fazer uma seleção deles para ver, no momento só tenho um em mente. Como tenho me dedicado mais à música clássica, talvez os posts sobre música não aconteçam, não sei ao certo, mas é uma possibilidade.

Quero agradecer a todos que me acompanharam em 2019 e espero continuar com vocês ao longo deste 2020! Vão surgir novas histórias, se Deus quiser, e tentarei manter atualizada todas as novidades. Um grande abraço e os votos de um ano realmente diferente e maravilhoso!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

[Drama] Martial Universe temp. 1

Original: 武动乾坤 (Wǔ dòng qiánkūn) lit. artes marciais
Ano: 2018
Episódios: 40 (1ª temporada)
Gêneros: Fantasia, Filme de aventura, Romance

Sinopse: Um talismã mágico muda o destino de um jovem para sempre.

Lin Dong (Yang Yang) é abandonado por seu próprio clã. No entanto, quando ele se depara com um talismã de pedra com poderes mágicos, sua vida nunca mais será a mesma. Enquanto viaja pelo mundo, suas muitas aventuras o ajudam a aperfeiçoar suas habilidades nas artes marciais. Ele também conhece duas mulheres muito diferentes, Ying Huan Huan (Zhang Tian Ai) e Ling Qing Zhu (Wang Li Kun), que não apenas fisgam seu coração como também o ajudam a lutar para impedir que uma seita demoníaca domine o mundo.

Será que o despretensioso Lin Dong vai se tornar o grande herói mundial das artes marciais?

Eu confesso, só vi esse drama por causa do Yang Yang, mas só tive raiva o drama praticamente todo! A história acompanha Lin Dong o filho de um homem que era considerado muito poderoso, mas que depois de ter sido gravemente ferido por seu filho adotivo ficou aleijado e nunca mais pôde lutar. Em um mundo onde o cultivo da força e o poder da luta é o que predomina e divide homens, Lin Dong é considerado um fracassado por não se importar em cultivar, apenas tenta conseguir o remédio do seu pai e garantir a segurança da sua irmã mais nova, Tin Tang.

Contudo, as coisas mudam quando após um pequeno acidente ele acaba encontrando uma pedra que lhe concede um determinado nível de poder. Logo, o garoto comum e aparentemente sem talento acaba se tornando o guardião do emblema ancestral, destinado a livrar o mundo de uma ameaça sombria chamada Yimo. Mas o caminho que leva até se tornar o protetor do emblema é tortuoso e Lin Dong vai descobrir que precisa de muito mais que coragem, mas terá de enfrentar a perda, suportar a solidão e descobrir que a lealdade é algo que se dá, mas nem sempre se recebe de volta.

Ele se encanta a primeira vista por Ling Qing Zhu, uma integante do palácio da pureza cujo pai traiu a causa para se aliar aos Yimo. Mas no seu caminho também aparece Ying Huan Huan a princesa da seita Dao que se apaixona por ele de modo ardente e desprendido enquanto Qing Zhu sequer o nota. A missão de Lin Dong é reunir os demais protetores dos emblemas ancestrais e em sua jornada ele enfrentará Lin Lang Tian, o homem que feriu seu pai, além de se tornar o centro das armações do Yimo que usa a ganância de Lin Lang Tian para se apossar dos emblemas.

Em resumo é isso aí, não vou me estender muito porque não to com paciência nem pra falar desse dorama. Se você quer ver a jornada do herói na prática esse drama é PERFEITO pra você. Uma verdadeira aula do assunto de modo dinâmico e sem precisar de explicações. Mas o mérito de Martial Universe acaba aí. Pelo menos pra mim. No começo do drama achava Lin Dong um chato, Ting Tan parecia fadada a fazer estupidez (e isso se provou mais que certo), Ling Qing Zhu era arrogante e egoísta, a única personagem que eu realmente gostei apesar de ser meio mimada foi Ying Huan Huan, além de dedicada totalmente ao seu sentimento por Lin Dong ela por vezes desistiu ou arriscou a própria vida por causa dele e tudo que recebia em troca era a boca babada dele por Ling Qing Zhu que nem dava bola.

Isso me deixava possessa, na boa. Aí ela passa o drama todo sofrendo calada por essa anta, recusa, inclusive, ser guardiã do emblema do gelo porque isso ia significar precisar deixar de amá-lo, tudo pra esse imbecil só se dar conta dela quando ela tá praticamente a beira da morte. A vá! Lin Lang Tian é a definição de boy lixo escroto, o drama todo eu só queria que ele morresse mesmo. Tin Tang nem se fala, guria burra do caramba, eu não sabia se ela era cega ou fingia, ficava se queixando que era um fardo e blá blá blá, mas tudo que fazia só a tornava um fardo mais pesado ainda!

Enfim, não gostei mesmo. Nem quero saber da segunda temporada, se tivesse a opção desver eu usaria. Não digo que recomendo ou não recomendo, vou deixar vocês por sua conta em risco.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

[Livro] Temporada dos Ossos

Original: The Bone Season
Autor: Samantha Shannon
Ano: 2000
Páginas: 448
Gênero: Distopia, fantasia

Sinopse: 2059. Paige Mahoney tem dezanove anos e trabalha no submundo do crime da Londres de Scion, na zona dos Sete Quadrantes, para Jaxon Hall. O seu trabalho consiste em procurar informações invadindo a mente de outras pessoas. Paige é uma caminhante de sonhos, uma clarividente - e, no seu mundo, no mundo de Scion, comete traição pelo simples facto de respirar. Está a chover no dia em que a sua vida muda para sempre. Atacada, drogada e raptada, Paige é levada para Oxford - uma cidade mantida em segredo há duzentos anos e controlada por uma raça poderosa, vinda de outro mundo, os Refaim. Paige é atribuída ao Guardião, um Refaíta com motivações misteriosas. Ele é o seu mestre. O seu professor. O seu inimigo natural. Mas, para Paige recuperar a sua liberdade, tem de se deixar reabilitar naquela prisão onde tem por destino morrer.

Creio que devo ter mesmo problemas com distopias. Não importava o quanto eu tentasse, não conseguia gostar desse livro e ele parecia não acabar nunca! Sendo bem sincera eu não fui muito feliz na escolha de livros esses últimos meses...

Aqui seguimos Paige uma guria bem chatinha que vive em uma Londres futurística onde existem clarividentes e humanos comuns. Há uma perseguição severa ao primeiro grupo então tal qual a sociedade se junta para caçá-los, eles se organizam em gangues comandadas pelo que se chamam de mime lordes. O mime-lorde da gangue de Paige é Jaxon Hall, um homem sombrio e ganancioso que não pensa duas vezes antes de conseguir o que quer e não tem quaisquer escrúpulos para atingir seus objetivos.

Paige é uma andarilha onírica, uma pessoa que consegue sair do seu corpo em espírito e entrar no "plano espiritual" de outra pessoa, por assim dizer. Ela não tem uma dimensão real do poder que tem e é treinada por Jaxon há anos. Contudo, sua vida até então tranquila, dentro da possibilidade de uma sociedade que não lhe aceitava, muda completamente quando ela acaba sendo atacada por dois guardas da DVN (uma espécie de guarda noturna) e acaba matando os dois guardas com seu poder e acaba sendo capturada e levada para uma prisão fora de Londres.

Após acordar junto  de outros  prisioneiros como ela, Paige descobre que está em uma espécie de cidade fantasma erguida por um tipo de raça alienígena que aparentemente deu origem aos clarividentes. Ela se torna protegida de Arcturus Mersantim, o noivo de Nashira a mandachuva do lugar. Enquanto procura uma maneira de escapar dali, Paige faz alguns amigos e acaba se aproximando mesmo contrariada do seu "mestre", em especial quando descobre que ele é diferente dos demais de sua espécie.

Conforme ela começa a treinar e desenvolver suas habilidades passa a descobrir mais sobre aquela cidade, as ameaças que ela abriga e a raça complexa que comanda o país inteiro. Em meio a reviravoltas ela descobre que a lealdade tem um preço muito alto e que confiança é algo que pode se encontrar no lugar que menos se espera, tal qual os sentimentos.

Achei o livro chato, não consegui me apegar às personagens, mesmo achando válida a analogia utilizada com a perseguição e a sociedade tão espelhada na nossa, além de uma cultura e evolução que despertam alguma curiosidade, para mim a leitura foi arrastada, não torci por nenhum personagem, achei a Paige chata e muitas vezes infantil. Não consegui gostar.

domingo, 29 de dezembro de 2019

[Livro] A Rainha Vermelha

Original: Red Queen
Ano: 2015
Autora: Victoria Aveyard
páginas: 388 (242 ebook)
Gêneros: Romance, Fantasia, Ficção juvenil, Distopia

Sinopse: Nesta fantasia repleta de ação, romance e muitas reviravoltas, a ordem da sociedade é ameaçada quando Mare Barrow, uma jovem comum de sangue vermelho, descobre que tem um poder até então exclusivo à elite de sangue prateado. O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso... Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.

Uns anos atrás todo mundo só falava desse livro e da série trono de vidro, mas não gosto muito de dar ouvidos aos hypes então deixei passar apesar de ter me chamado atenção. Esse ano, entretanto, decidi adicionar na meta de leitura para ver o que achava, depois que todo o hype passou e eu podia ler mais tranquilamente (coisa que não vou fazer tão cedo com o trono de vidro que é bem grande). 

A história segue Mare Barrow, uma adolescente que vive em uma sociedade distópica dividida pela cor do sangue, os que tem sangue vermelho e os que tem sangue prateado. Estes últimos lideram a sociedade por serem dotados de poderes e subjugam os vermelhos com mão de ferro aprisionando-os em uma escravidão eterna onde já nascem destinados a passar fome e servir na guerra sem propósito contra um reino vizinho. Mare sabe que, tal como seus irmãos, ela também está destinada a ir para a guerra porque ao contrário de sua irmã Gisa, não tem qualquer talento para nada. Ela é, na verdade, boa na arte de furtar e o faz todos os dias com seu amigo Kilorn que é aprendiz de um pescador e assim livrou-se de ser convocado para o exército.

Contudo, sua vida inteira muda quando Kilorn perde o mestre e tem sua convocação para a guerra por certa. Mare sabe que se o amigo for convocado nunca mais irá vê-lo, pois ele vai morrer. Desesperada para salvá-lo, ela faz um acordo com Farley que aceita transportar o amigo dela para um lugar seguro em troca de uma exorbitante quantia. Para conseguir o dinheiro ela pede ajuda a Gisa que é uma bordadeira famosa, e parte para a cidade dos prateados para conseguir o dinheiro que precisa, porém, o plano não dá certo e na fuga Gisa acaba com a mão quebrada o que impedirá de trabalhar. Ao tentar roubar homens de um bar fora do vilarejo, Mare acaba sedo surpreendida por um estranho jovem que além de não entregá-la aos guardas prateados, ainda lhe dá dinheiro e parece muito interessado em sua família, diz se chamar Cal.

No dia seguinte, ela é levada por empregados do palácio e descobre que conseguiu um emprego no castelo como serviçal, bem no dia que as filhas das grandes casas vão competir pela mão do príncipe herdeiro. Mare não apenas descobre um pouco mais sobre a família real como também descobre que não é tão comum quanto achou que fosse ao cair na arena sem querer e despertar dentro de si um forte poder elétrico. Impedidos de matá-la já que demonstrou poder em público diante de todas as casas prateadas, o rei Thiberias e a Rainha Elara junto aos seus filhos Maven e Cal decidem tratar Mare como uma herdeira perdida de uma das casas sem descendente. Para salvar sua família e Kilorn, ela aceita a mentira e passa a ter de viver como uma prateada sem nunca derramar seu sangue vermelho, além disso, se torna noiva do príncipe Maven ainda que, mesmo sendo impossível, nutra algum sentimento por Cal.

Quanto mais adentra no gélido mundo prateado, mais Mare odeia. Não apenas porque tem que fingir que odeia sua própria raça, mas por descobrir a tamanha desigualdade que separa vermelhos e prateados, uma injustiça sem precedentes. Assim, indignada e enojada, ela se alia à guarda escarlate um grupo de rebeldes vermelhos que quer mudar a sociedade. Com a ajuda de Julian, o tio de Cal e irmão da falecida primeira esposa do rei, Mare não apenas descobre que existem outros como ela, vermelhos com poderes de prateados e muito mais fortes que eles, mas que a confiança é algo frágil que não se deve dar a ninguém. Com o coração e a lealdade dividida, a vermelha vai precisar lutar com todas as forças para alcançar a justiça que deseja.

Confesso que gostei da história até certa parte, a verdade é que achei Mare irritante em boa parte do livro, tinha hora que tudo que eu queria era dar na cara dela. Não sou chegada a distopias, mas o livro conseguiu me prender, os ganchos dos capítulos são muito eficientes e ele é uma verdadeira aula de narratologia. Sem contar que a história em si carrega uma poderosa reflexão social que cria uma analogia muito válida na nossa realidade em que as massas são subjugadas pelas minorias, não apenas através da lavagem cerebral, mas pela "venda" de mentiras que se aproveitam de mentes acríticas para continuar manipulando e mantendo a parte mais forte da sociedade presa em uma névoa de ilusões e mentiras que os mantém obedientes e solícitos.

É um tipo de plot bem batido no gênero, mas Aveyard consegue trazer, até certo ponto, inovação e personagens interessantes, embora grande parte delas bem irritante. Muitas das coisas que eram para ser surpresa eu consegui deduzir bem antes como o fato de Cal ser um príncipe herdeiro (acho que isso tava na cara pra qualquer pessoa que gosta de conto de fada ou realezas modernas) e o de Maven não ser nem um pouco confiável apesar da autora tentar com vigor nos enganar com a fachada de doçura revolucionária e solicitude dele (com uma mãe daquela? A vá!) ou mesmo o fato do irmão dela, Shade, não estar morto como ela pensava (isso foi mais intuição mesmo). Não terminei a leitura com aquele desespero literário de saber o que acontece depois, mas planejo sim ler os demais livros da série. Acho uma indicação muito válida, especialmente para fãs de séries como A Seleção já que o livro segue uma vibe bem similar.

Esses dois últimos meses foram bem complicados para mim, acabou que precisei pegar alguns trabalhos que consumiram muito do meu tempo e não tive como nem andar as leituras em curso nem completar o dorama a tempo, vou completar tudo em cima da hora... mas a saúde pede e a gente tem que dar um jeito de conseguir dinheiro pra médico e exame já que não dá pra contar com saúde pública (não aqui pelo menos). Espero que me desculpem. Se eu conseguir, ainda planejo uma postagem sobre o ano de 2019 como um todo e o que eu tenho em mente para 2020. Mas primeiro vou tentar finalizar o livro 50 da minha meta e o dorama que estou vendo a tempo do dia 31!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

[Anime] Ghost Hunt

Original:  ゴーストハント
Ano: 2006-2007
Gênero: Suspense, terror, comédia, drama
Direção: Mano, Akira

Sinopse: O Instituto de Pesquisa Psíquica Shibuya é um escritório dirigido por Shibuya Kazuya, ou Naru, e estuda casos paranormais. Seu trabalho é investigar cientifica e minuciosamente fenômenos psíquicos a pedido de clientes. Um dia, Taniyama Mai, aluna do ensino médio, causa um acidente e Lin, assistente de Naru, se machuca. A partir daí, Mai começa a trabalhar no escritório como a nova assistente de Naru; apesar de não se entender nem um pouco com ele. Fantasmas, espíritos, maldições e exorcismos em massa… Nesse misto autêntico de horror e mistério, os membros do Instituto e seus mais novos ajudantes: a sacerdotisa Matsuzaki Ayako, a médium Hara Masako, o padre John Brown e o monge Takigawa Houshou, irão resolver inúmeros casos incrivelmente bizarros com muita reza e muito bom humor.

Tem vidas que eu terminei esse anime e não achava tempo (nem animo) para vir resenhar. Gente, a coisa tá difícil aqui, meu rendimento tá péssimo, desculpem.

De todos os animes que eu coloquei na meta desse ano, só um não deu pra assistir e foi jigoku shoujo (ou hell girl), então, provável que Ghost Hunt seja a última resenha de anime desse ano. E te dizer, fechei com chave de ouro. Eu não curto o gênero terror visual, vocês bem sabem, até hoje me pergunto como eu tive estômago e psicológico para assistir Another (um anime ótimo, por sinal!) e é exatamente o que torna Ghost Hunt um prato cheio para pessoas "sensíveis" como eu, ele consegue assustar (muito) sem gore.

No começo confesso que não tava dando muito nele não, a história começa meio tímida, parecendo bem genérica, mas conforme os capítulos vão avançando a gente vai imergindo e tem alguns que a espinha chega a gelar, uma coisa difícil em um anime de terror que não apela para o gráfico gore como boa parte das produções do gênero. E conforme os arquivos vão passando as histórias ficam bem mais sombrias o que só anima a gente pelo desfecho.

Baseado em uma série de mangá, Ghost Hunt conta a história de Taniyama Mai, uma adolescente do colegial que gosta de contar história de fantasmas com suas duas amigas depois das aulas. No prédio vizinho à escola dela há outro de uma escola antiga (bem estilo Tasogare otome). Enquanto conta histórias de fantasma um dia, elas são interrompidas por um estranho adolescente que não é da escola delas e lhes dá um bom susto bem na conclusão do último conto, as amigas de Mai ficam embasbacadas com a beleza do estranho, mas ela não consegue se prender só nisso e desconfia que ele não é o que parece.

Influenciada pelo que ouviu nas histórias do dia anterior, na manhã seguinte ela decide entrar na escola antiga para dar uma conferida e sanar sua curiosidade, é quando ela vê uma câmera de vídeo posicionada bem na entrada. Quando chega perto dela ouve um barulho e é impedida por um homem que briga para ela não tocar no aparelho, bem nesse momento o armário de sapatos cai e Mai é salva pelo homem, que se machuca. Logo ela descobre que o homem machucado é secretário do garoto que interrompeu seu conto de terror no dia anterior. Shibuya Kazuya, seu nome. Ele tem dezessete anos e trabalha em sua própria empresa.

Como punição pela camera quebrada e a ausência do assistente, ela se vê forçada a tomar o lugar de Lin, que se machucou, como assistente de Naru (que ela apelidou assim como um diminutivo de Narcisista). Naru é dono do centro de pesquisa sobrenatural, ele é um caçador de fantasmas sendo mais específico, o diretor da escola de Mai o contratou para averiguar os eventos estranhos na escola antiga. É aí que conhecemos os personagens que vão acompanhar o anime inteiro: Bou, um monge budista "moderninho", Ayako, uma sacerdotisa também "moderninha", Masako, uma médium capaz de ver fantasmas e ser possuída para que eles se comuniquem e John um jovem padre estrangeiro que esta passando pelo Japão.

O anime é divido em arquivos que variam de três a quatro partes cada um, dando um total de oito arquivos (que são os casos), o primeiro é bem bobinho, mas a medida que vão avançando eles se tornam mais obscuros inclusive os dois últimos que são os mais pesados. Muitos mistérios envolvem não apenas os casos, mas os próprios personagens, descobrimos que Mai não é uma humana comum, mas tem algum tipo de poder sobrenatural que lhe concede uma habilidade próxima da projeção astral. Naru tem um poder que só é revelado no último capítulo, assim como Lin que não é nada o que parece.

Eu gostei muito do anime, não apenas por ele ser divertido e prender a gente na história, mas por ser equilibrado, explorar bem as personagens e assustar na medida certa. Mai me fazia raiva algumas vezes, tinha hora que eu realmente queria bater nela, assim como Masako era meio chata. Ainda assim, isso não atrapalha em nada o seguimento de Ghost Hunt que é envolvente, cheio de suspense, confere uns bons sustos e é muito bem construído. Não sei até que volume do mangá foi adaptado, mas a história, apesar de não ter um final fechadinho, se conclui bem e eu gostei bastante. Recomendo!

sábado, 7 de dezembro de 2019

[Livro] Todas as Pequenas Luzes

Original: All The Little Lights
Autor: Jamie McGuire
Gênero: YA
Ano: 2018
Páginas: 348

Sinopse: Quando Elliott Youngblood vê Catherine Calhoun pela primeira vez, ele é apenas um garoto com uma câmera nas mãos que nunca viu algo tão triste e tão belo. Os dois se sentem excluídos e logo se tornam amigos. Porém, no momento em que Catherine mais precisa dele, Elliott é forçado a sair da cidade. Alguns anos depois, Elliott finalmente retorna, mas ele e Catherine agora são pessoas diferentes. Ele é um atleta bem-sucedido, e ela passa todo o tempo livre trabalhando na misteriosa pousada de sua mãe. Catherine ainda não perdoou Elliott por abandoná-la num momento difícil, mas ele está determinado a reconquistar a amizade dela — e a ganhar seu coração. Bem quando Catherine está pronta para confiar outra vez em Elliott, ele se torna o principal suspeito em uma tragédia local. Apesar da desconfiança de todos na cidade, Catherine se agarra ao seu amor por Elliott. Mas um segredo devastador que ela esconde pode destruir qualquer chance de felicidade que os dois ainda têm.

Primeira leitura de Dezembro e 48ª do ano, não posso reclamar de não ter sido produtiva esse ano no que se refere a ler apesar de todos os percalços. Minha irmã me deu esse livro há um tempo, mas ainda não tinha tido vibe para ler, decidi dar uma chance para ele esse mês e foi uma grata surpresa para mim! 

A história gira em torno de Catherine Calhoun (minha xará haha) e Elliot Youngblood (também conhecido como personagem que me faria casar se existisse de verdade). Quando criança, Elliot, de férias na casa de seus tios em Oak Creek queria tirar uma bonita foto do pôr do sol e para isso subiu no carvalho da casa de Catherine quando ela e o pai saíram de casa carregando uma trouxa. A proximidade entre eles e o rosto triste de Catherine chamaram a atenção de Elliot, curioso e incapaz de se mexer ele observou enquanto ela e o pai enterravam o cachorro da família, a aura de mistério que envolvia aquela menina e sua beleza singular chamaram a atenção do garoto de uma forma que ele não conseguia pôr em palavras (literalmente porque é ele que começa narrando o livro e depois alterna com o ponto de vista de Catherine que conta praticamente a história toda.) então o verão acabou deixando a única certeza de que ele um dia falaria com ela, porque algo dentro dele lhe dizia que ele precisava fazer isso.

Passam-se alguns anos e a situação na casa de Elliot pioram com as constantes brigas dos seus pais, quando abre suas malas na casa dos tios ele sabe que não vai passar apenas o verão ali, mas que vai ficar por um bom tempo coisa que ele não sente, de forma alguma, ser ruim. A calma da casa dos tios e a sensação de lar que impera entre o tio John e a tia Leigh funcionam para ele muito melhor do que a residência conturbada de um pai abusador e uma mãe infantil que continua insistindo nele apesar de todas as influências negativas que isso traz para o filho e Elliot não entende, tampouco aceita, o comportamento da mãe. Dos dois ele é muito mais adulto que ela. Por ser descendente de uma tribo indígena, Kay, a mãe dele, sempre sofreu muito preconceito em Oak Creek, por isso ela odeia a cidade e a ideia do seu filho morar lá é inaceitável para ela.

Catherine leva uma vida difícil desde que a família perdeu tudo e luta para sobreviver. Sua mãe, Mavis, continua instável e parece só piorar e é seu pai que funciona como âncora da casa e da sua vida. Ela ama o pai mais do que a si mesma e qualquer pessoa no mundo, então, ao descobrir que ele perdeu o emprego sabe que as coisas com a mãe dela vão ficar impossíveis e não quer estar lá para ver. É em um dia como esse que ela conhece Elliot Youngblood socando sua árvore com uma fúria assassina. O primeiro encontro dos dois poderia ser inusitado, mas contrariando a aparência de adolescente (e qualquer um sabe que ninguém é bonito nessa fase da vida) de quinze anos, o carisma e a personalidade forte de Elliot chamam atenção de Catherine o suficiente para ela aceitar seu convite para sair quando seus pais começam a gritar em casa. Apenas quando ele a defende de Presley Brubaker e suas clones é que ela tem certeza que quer ser amiga daquele garoto estranho que parece conhecê-la.

A amizade, como se imaginaria, vai evoluindo aos poucos junto com o verão. E do mesmo modo evolui os problemas na casa de Catherine e as complicações na família de Elliot. Quando o pai dela passa mal tudo que ele queria era estar ao lado dela e segurar sua mão, mas a mãe dele não está disposta a deixar o filho mais um segundo sequer naquela cidade, especialmente pelo fato de o sentimento por Catherine dar a ela a certeza que ele ficaria ali para sempre (algo que ela nunca permitiria.) Desesperado sem notícias dela e sem poder se despedir, Elliot é levado embora justamente no momento que a vida de Catherine queima e as cinzas voam ao vento sem que ela possa contar com ninguém.

Dois anos se passam e ela tem certeza não apenas que Elliot a abandonou, mas que sua vida não poderia estar pior. A sua casa virou uma pousada, a saúde da sua mãe está definhando cada dia mais ao ponto de assustá-la e os hóspedes a fazem trabalhar como escrava do dia a noite. Catherine ainda precisa lidar com o bullying na escola, com o ódio dos dois únicos amigos que ela tinha e precisou afastar e, agora, com o retorno de Elliot e sua insistência em ficar ao lado dela. Contudo, ela sabe que permitir que ele se aproxime (mesmo precisando desesperadamente dele e da sua proteção) implica colocá-lo em perigo porque dentro da sua casa gelada e sombria não é seguro e arrastá-lo para sua vida seria destruí-lo. Mas Elliot não está disposto a desistir do coração dela.

Quando Presley desaparece e Elliot se torna o principal suspeito (mais por racismo da polícia que por indícios de que ele fez alguma coisa) o segredo de Catherine é ameaçado e ela precisará fazer uma escolha entre salvar o amor de sua vida ou continuar mantendo preso o fardo secreto que guardou por dois anos na parede do velho casarão que guarda as sombras do seu passado.

Esse livro me surpreendeu muito, não apenas pelos personagens carismáticos e bem construídos, mas pela trama envolvente e bem amarrada. Catherine é meio irritante (e acho que é um traço de pessoas com esse nome porque até hoje nunca li um livro em que a personagem com esse nome não fosse irritante, instável e problemática), muitas vezes me irritava com a passividade dela, em especial com relação à mãe, entendo que há um vínculo forte entre a mãe e os filhos (quando se cresce em um lar minimamente saudável o que não é bem o caso dela, mas okay), contudo, a cegueira, passividade, egoísmo dela me tiravam do sério, se ela tivesse feito a coisa certa desde o início podia ter evitado muita coisa. Tentei olhar pela ótica de uma pessoa que perdeu o pai, a base racional da casa e pessoa que mais amava, o trauma e se ver apenas com a mãe como sua única família, mas nem assim consegui me colocar no lugar dela ao ponto de sentir empatia.

Desde o início as atitudes da mãe dela me irritavam. Ela mesma não parecia gostar muito da "mamãe" de quem não foi muito próxima. Fica claro no início do livro que Mavis passava por problemas psicológicos decorridos de uma infância de abuso por parte do pai, mas a forma como Catherine parecia alimentar o estado da mãe ao invés de procurar ajuda para ela e para si mesma apenas não entrava na minha cabeça. Tinha horas que eu apenas queria segurar a personagem pelos ombros e fazer ela cair na real. Muito do que ela passa nesse livro eu não teria suportado caladinha como ela fazia não. Nunca. Ia ser matar ou morrer e eu não estava nem aí.

Elliot é de longe o melhor desse livro. Claro que ele não é perfeito, acho que esse foi um dos pontos que mais gostei nele, era imperfeito ao ponto de ser muito real. Dentro do contexto familiar dele, só o fato de ele tentar tanto não ser como o pai já o deixava a coisa mais fofa desse planeta, a maneira como ele cuidava da Catherine e o jeito que ele demonstrava seus sentimentos sem precisar dizer eram as coisas que mais me encantavam. Ele tinha uma personalidade forte e mesmo sendo um pouco assustador a forma como em alguns momentos ele parecia obcecado por ela, não considerei uma relação abusiva, especialmente porque ele respeitava as escolhas dela mesmo sem concordar e nunca se cansava de tentar abrir os olhos da maldita personagem para uma verdade que estava diante do nariz dela.

O plot twist do livro me pegou de jeito. A autora pode até ter dado pistas, mas eu nunca suspeitaria daquele desfecho, não do jeito que foi. Sabia que tinha algo a ver com a pousada e com o que acontecia lá dentro, mas não imaginava que era exatamente aquele ponto. Acompanhar a evolução (lenta como uma lesma) da Catherine foi muito legal, mesmo com um final fechadinho e lindo, o livro dá a ideia do processo que é reprogramar sua mente gradualmente para se libertar dos grilhões de medo, indecisão e erros familiares que a prenderam no que ela é. Amei isso. A ideia de um começo novo e de esperança. Super recomendo!

sábado, 30 de novembro de 2019

[Dorama] Coffee and Vanilla

Original: コーヒー&バニラ
Direção: Smith
Ano: 2019
Roteiro: Yuko Shimoda
País: Japão
Episódios: 10
Gênero: Romance
Elenco: Haruka Fukuhara, Sakurada Dori, Mario Kuroba, Yuuki Ogoe, Shogo Hama e Noa Kita

Sinopse: Risa Shiroki com vinte anos de idade, chega a Tóquio de sua cidade natal no interior para frequentar a universidade. Bonita e popular entre os estudantes do sexo masculino, ela nunca teve um namorado e sonha em ter um lindo romance (aqueles tipos que só existe em mangás e dramas... coitada, que nem a gente.. kk)
Um dia, Hiroto Fukami (tal homem que vai fazer a gente suspirar a cada cena...), de trinta anos, aparece em sua frente. Ele é um homem de negócios que parece ser gentil e parece perfeito.
E enquanto o romance floresce entre eles, Risa vai descobrindo um passado sombrio de Hiroto.

Que dorama mais fofo, gente! É tão curtinho que se juntasse os dez episódios dava um filme. Fiquei, inclusive, interessada no mangá, infelizmente, em inglês só tem seis dos doze volumes traduzidos. Confesso que só assisti por causa do Sakurada Dori, amo esse ator desde Kuzu no Honkai e ele leva o maior jeito em enlouquecer a gente sem muito esforço. Só que aqui eu vi um lado diferente dele, tanto em Kuzu no Honkai quanto em Perfect Crime ele fazia o estilo frio, não me importo muito e era mais o apelo sexual que caracterizava sua personagem, contudo, em Coffee and Vanilla foi um viés totalmente novo, ele encarnou com perfeição um personagem doce, protetor (até um pouco possessivo hahaha) e apaixonado, deixando a gente não apenas morrendo de calor, mas ainda mais apaixonadas por ele.

Risa é uma jovem universitária que tem extrema dificuldade em conversar com garotos. Ela sempre arruma desculpas quando a convidam para sair, não consegue olhá-los nos olhos ou manter uma conversa. Ainda assim, sua beleza a torna popular entre os homens onde quer que ela vá. Um dia, ao ir até seu café favorito, ela é abordada por um rapaz e tenta fugir, mas ele insiste, é quando entra em cena um belo homem que finge ser seu namorado e a "salva" do jovem insistente. Impressionada com ele, ela aceita seu convite para jantar e descobre que ele tem trinta anos. Inebriada pelo interesse que ele demonstra nela, após beber Risa acaba acordando na casa dele, preocupada se algo aconteceu.

O homem, Fukami Hiroto, diz que ela apenas desmaiou no restaurante por causa do vinho e ele a levou para casa por não saber onde ela morava. Assim, ele confessa estar apaixonado por ela e a convida para sair com ele. Sem acreditar que alguém como ele lhe olharia, mas fascinada por ele, Risa acaba aceitando. Assim, não demora muito para que eles comecem a namorar e logo ela descobrir que Hiroto é, na verdade, o CEO de uma grande empresa. Ela descobre quando ele vai dar uma palestra em sua sala na faculdade e mais, diz na frente de todo mundo, quando perguntado, que tem namorada referindo-se a ela.

Porém, no início, tudo parece bom demais para ser verdade e, aos poucos, vão surgindo dificuldades em seu caminho que começam a mostrar a Risa que é preciso mais que amor para permanecer ao lado de Hiroto, além de se tornar mais forte, precisa acreditar em si mesma e nos sentimentos que um nutre pelo outro, mas será que ela consegue ser forte para enfrentar o que o destino ainda lhe reserva?

Achei o draminha super adorável, logo no início eu ficava pensando que havia algo muito errado com o Hiroto, ele era perfeito demais hahahaha aí ficava sempre esperando a hora que ele ia se revelar um tirano sádico hahahaha, mas não acontecia, ao contrário, ele só ficava mais fofo e ia derretendo a gente igual manteiga na torrada quente, gente, que amor! A forma como ele sempre protegia ela, o jeito como ele lidava com as situações e a estimulava a ser mais firme. A Risa me fez um pouco de raiva, não gostava muito do jeito que ela era passiva às vezes, ainda assim torci muito por eles. O final é fofo e redondinho, sem deixar brechas e sem aquelas passagens de tempo insuportáveis. Amei ter assistido e espero que concluam a tradução do mangá logo pra eu ler! Super recomendado!

[Livro] Enquanto Bela Dormia

Autor: Elizabeth Blackwell
Gêneros: Conto de fadas, Romance de amor, Ficção gótica
Ano: 2014
Páginas: 368

Sinopse: Ambientada em meio ao luxo e às agruras de um reino medieval, esta releitura de A Bela Adormecida consegue ser fiel ao clássico ao mesmo tempo que constrói uma narrativa recheada de elementos contemporâneos. Nessa mescla, os dramas de seus personagens – um casal infértil, uma jovem que não aceita viver em uma redoma e uma família despedaçada pela inveja – tornam-se atemporais. Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original. Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.

Essa foi a escolha do clube do livro esse mês e fui eu mesma que indiquei, baseada em resenhas dizendo que esse livro era excelente e como sou apaixonada pelo conto e quero consumir todas as releituras já feitas acabei optando por ler porque, das que conheço, só estava faltando essa... mas te dizer, pensa em um livro difícil de ler. Não digo difícil por nada específico como a escolha de palavras ou a complexidade do enredo, nada disso, difícil no sentido de ele ser maçante mesmo.

A primeira coisa a ser dita sobre esse livro é que o título não faz o menor sentido. Sério. Nós acompanhamos Elise, que também é a narradora da história, ela começa o livro como uma senhora idosa ouvindo sua bisneta Raimy contando aos irmãos a história da Bela Adormecida, por ser uma conhecedora da história, ela sabe a verdade por trás do conto fantasioso contado por menestréis e repetido por sua bisneta, assim, decide relatar-lhe a verdade por trás da fantasia.

Elise cresceu em uma pequena fazenda com seus cinco irmãos, uma mãe amorosa  e um pai que a odiava - e ela não tinha ideia da razão. Em um dia comum, no mercado com sua mãe, ela acaba ouvindo um grupo de pessoas comentarem que ela era uma bastarda e, mesmo tendo sido educada pela mãe a saber ler e escrever, Elise não sabia o que aquela palavra significava. Ao indagar a mãe a respeito foi recebida com certa brutalidade e descobriu, neste dia, que não era filha do homem que acreditou ser seu pai. Sua mãe, entretanto, não quis entrar em detalhes sobre seu verdadeiro pai além do fato de ele ser um homem sem honra e de como o atual marido lhe salvara a honra e lhe salvara da miséria ainda que Elise soubesse pela história que tudo que o homem queria era uma parideira de filhos para ajudá-lo na fazenda.

Quando um surto de varíola assola a região, a família de Elise que mal conseguia se manter adoece e ela consegue, após longo sofrimento, escapar da doença, mas apenas para descobrir que quatro dos seus cinco irmãos morreram, um outro está muito doente e sua mãe em estágio final de vida. A mãe, em seus últimos momentos, confidencia a filha um futuro no palácio e da-lhe um nome e algum dinheiro que escondeu durante tempos para ela. Assim, logo que o irmão se recupera e a mãe é enterrada, ela deixa a casa na fazenda e parte para procurar Agna, a rica irmã de sua mãe que pode lhe mostrar o caminho para a vida no palácio.

Ao contrário do que esperava, Elise é bem recebida pela tia que lhe dá teto, roupa e sapatos apropriados para sua entrada no castelo, é na compra deste último item que ela conhece Marcus, o filho do sapateiro. Há certo encanto no ar entre os dois, mas a timidez do rapaz e seu próprio desconhecimento sobre a intensidade de sentimentos abafa a proximidade entre eles. O pai do rapaz se oferece para levar Elise ao castelo e ela é orientada por Agna a procurar a senhora Tewkes que vem a descobrir ser a chefe da criadagem do castelo. A mulher, que foi amiga de sua mãe, contrata Elise como criada de quarto no lugar de Petra, uma criada mais experiente que passará a servir mesas enquanto treina Elise em seus afazeres.

Por saber ler, logo Elise se torna criada da rainha Lenore, uma mulher apática e triste que acabara de voltar de uma viagem de peregrinação. Elise acaba descobrindo a desolação da bela mulher por não ter podido dar um filho ao rei cujo trono passaria para o terrível irmão Bowen, um homem cruel, ambicioso e sem escrúpulos. Há também outra figura que intriga a criada, a tia do rei, Millicent, uma mulher imponente com certa aura sombria e de quem o rei Ranolf parece não gostar. Quando o príncipe Bowen chega ao palácio para ser anunciado como herdeiro do trono um acontecimento inesperado ocorre durante a nomeação humilhando-o em público por sua arrogância e crueldade, a gravidez da rainha Lenore é anunciada.

Como a criada da rainha está para se casar com o braço direito de Bowen, Lenore nomeia Elise como sua nova criada pessoal, elevando-a de cargo e demonstrando com isso grande carinho pela menina. Assim, nasce uma relação de amizade sincera entre as duas, embora Elise sempre se ressinta do laço inquebrável entre a rainha e sua antiga criada. Conforme a gravidez avança, Millicent parece querer dominar completamente Lenore sobre tudo, chegando inclusive a confiná-la no quarto. Elise fica paciente ao lado de sua senhora fazendo o que pode para confortá-la e quando finalmente nasce uma menina, o desespero da mulher por não ser um príncipe não podia ser descrito, mas a ternura demonstrada pelo rei em relação a menina amolece o coração de Elise e da própria rainha e assim, Rosa é nomeada oficialmente a herdeira do trono de Ranolf.

Por seu comportamento inconcebível, Millicent é banida do reino, mas aparece no batizado de Rosa apenas para instaurar o terror em todos, condenando os pais da menina a uma existência de medo pela sua vida. A rainha é a mais afetada, ficando noites sem dormir por temer a morte da filha e impedindo a própria menina de ter um sono decente ao ficar acordando-a para ter certeza que ela está viva. Elise assiste a tudo impotente, fazendo o melhor que pode para conforto de mãe e filha. Quando Rosa cresce transformando-se em uma menininha saudável e curiosa, a criada reencontra Marcus, reafirmando o amor que outrora aflorara silencioso entre os dois. Contudo, Elise, agora uma jovem adulta, não está pronta para deixar a rainha e a criança de lado, especialmente quando a vida de Rosa tornou-se algo frágil pela "maldição" de Millicent.

Assim termina seu relacionamento com Marcus, vitimado pelo seu egoísmo em ser incapaz de ver as necessidades do outro e pensar apena nas suas próprias mascaradas por um altruísmo que na verdade não existe. Rosa cresce e se torna uma bela jovenzinha desde os três anos prometida a um príncipe que nunca a visitara e com quem ela não queria se casar. Ansiosa por liberdade, por vezes ela foge do castelo para visitar o vilarejo (bem no estilo a princesa e a plebéia), os anos provocaram mudanças em todos, Elise se tornara uma mulher, recatada e totalmente devotada a rainha e Rosa, Marcus se casara assim como Petra que, arruinada por Dorian o maior don Juan da corte do rei Ranolf, precisou buscar no casamento uma chance de não ser condenada à miséria uma vez que o trabalho na corte não era garantia eterna de moradia.

"As mulheres se uniam em matrimônio para garantir um teto sobre suas cabeças e comida na mesa. Casavam-se por precisarem de um protetor ou desejarem filhos. Todas estas eram razões perfeitamente sensatas, e nenhuma tinha a ver com amor."

Os caminhos de Elise e Dorian se cruzam quando ele solicita a rainha sua mão em casamento, algo pelo qual a jovem não esperava e tampouco conseguia entender. Mas o destino da criada promete ser muito mais sombrio e furioso que um casamento com um homem que ela não ama, quando a peste ameaça voltar na figura de Millicent, a vida de Rosa pode estar nas mãos dela e o desfecho da história da princesa corre o risco de não ter um final feliz.

Como disse no começo, o título desse livro não faz o menor sentido porque não ocorre o período de sono da princesa, durante a história está mais para o contrário, ela não dorme, seja porque está com a cabeça cheia de minhocas, seja porque é assombrada por pesadelos, seja porque está doente ou escrevendo como uma maluca compulsiva. Além disso, a história é maçante, Elise é uma personagem irritante com a sua indecisão, a maneira como ela chega a manipular Marcus, o modo como ela age quase sempre de maneira imprudente, não consegui gostar dela. Na verdade, esse é aquele tipo de livro cujos personagens nao despertam qualquer empatia ou simpatia com o leitor, pelo menos foi o que aconteceu comigo e com as meninas do clube.

Se eu fosse classificar esse livro, não diria que era uma ficção histórica, parece mais um livro de história mesmo, como se uma professora estivesse dando aula.Se existe um ponto minimamente favorável a ele foi o desfecho que acabou se mostrado de certa forma uma surpresa, ainda assim não forte o bastante para compensar o infortúnio da nossa leitura. Os capítulos são grandes demais de modo que se tornam cansativos, a autora tem boa técnica, mas parece não saber usá-la, exagerando em descrições desnecessárias, as personagens se empenham tanto em parecer verossímeis que acabam sendo só chatas mesmo. Foi uma unanimidade no clube o fato de não gostarmos da leitura e não indicarmos. Mesmo eu sendo fã do conto Bela Adormecida, elejo essa como a adaptação mais chata já escrita da história.

[Relendo&Resenhando] Romeu Imortal

Autor: Stacey Jay
Gênero: Romance de amor
Ano: 2012
Páginas: 320


Sinopse: Amaldiçoado a viver por toda a eternidade em seu espectro, Romeu, conhecido por seus modos rudes e assassinos, recebe uma chance de se redimir viajando de volta no tempo para salvar a vida de Ariel Dragland. Sem saber, Ariel é importante para os dois lados, os Mercenários e os Embaixadores, e tem o destino do mundo nas mãos. Romeu deve ganhar seu coração e fazê-la acreditar no amor, levando-a contra seu potencial obscuro antes de ser descoberto pelos Mercenários. Enquanto sua sedução se inicia como outra mentira, logo ela se torna sua única verdade. Romeu jura proteger Ariel de todo o mal, e fazer qualquer coisa que for preciso para ganhar seu coração e sua alma. Mas quando Ariel se decepciona com ele, ela fica vulnerável à manipulação dos Mercenários, e sua escuridão interna poderá separá-los para sempre.

Após atirar em Ariel para salvar Julieta, Romeu foi condenado a vagar no espectro apodrecido de sua alma pela eternidade. Sem esperança, ele aceitou seu destino até a Embaixadora vir procurá-lo com uma oportunidade: trabalhar para a luz. Seu plano é conquistar o coração de Ariel fazendo-a acreditar no amor e, assim, salvando a humanidade do que ela poderá se tornar se for para as trevas. Porém, o que ele não contava era voltar no corpo de Dylan Stroud momentos antes do acidente que o matou com uma Ariel furiosa que o odeia. Pior, ele tem o ridículo espaço de tempo de 3 dias para conquistá-la e sabe que precisará de muito mais que lábia e as mentiras certas.

Enquanto isso, Julieta teve seu passado revogado com a volta de Romeu em uma realidade diferente. A jovem Capuleto que havia encontrado felicidade nos braços de Benvólio e tido seu final feliz em Julieta Imortal, acorda em sua tumba com todas as recordações de um passado de séculos lutando contra o homem que a traiu, sozinha poucas horas antes do momento em que foi enganada por Romeu para cometer suicídio, Julieta tenta se esconder do Frei que está possuído pelo mercenário e, ainda mais, descobre que pode ver em seus sonhos o que está acontecendo com seu marido traidor e Ariel no futuro, agora seu próprio destino depende do papel que Romeu desempenhará no plano de sua enfermeira.

Fazer Ariel se apaixonar, Romeu descobre, não vai ser nada fácil. Não apenas pelo fato de ela odiar Dylan - ainda que sinta uma inegável atração por ele -, mas por ela não acreditar em si mesma. A personalidade dela é totalmente diferente de Julieta, tornando-a irresistível para ele, com uma determinação invejável quando estimulada, uma veia irônica e sarcástica, uma natureza brilhante e uma inteligência sagaz, conforme tenta de todas as maneiras provar para ela que está sendo sincero, ele acaba se pegando fascinado pela beleza e força de caráter da doce e forte Ariel e isso só aumenta conforme ela vai ganhando mais coragem e acreditando mais em si mesma.

Porém, tanto os embaixadores da luz quanto os mercenários tem outros planos para o casal. Não importa se Romeu conseguir ou não o coração de Ariel, é apenas um plano para destruí-lo de uma vez por todas e trazer Julieta de volta como uma escrava da luz. Desesperado para salvar Ariel - e a si mesmo - Romeu decide contar a verdade a ela sobre quem é, seus coração já estão unidos de modo irrevogável, mas a embaixatriz da luz não vai permitir que Ariel tenha seu final feliz. Em meio a intrigas e mentiras, ela será instruída a destruir Romeu.

Julieta tenta salvar a própria vida ao ser torturada por Frei Lourenço, a Embaixatriz da Luz quer destruir Romeu para sempre, Benvólio surge sem qualquer lembrança do seu amor por Julieta e apenas Romeu pode devolver a ordem ao caos, mas será ele capaz de derrotar os mercenários e embaixadores para conseguir libertar a alma de Ariel? E Ariel nutrirá um amor forte o bastante para vencer o controle das mentiras que lhe disseram e salvar Romeu?

Apesar de todo mundo dizer que Romeu Imortal é melhor que Julieta Imortal eu ainda prefiro este último. Mesmo a história de Romeu sendo repleta não apenas de redenção, mas de ação, não há como competir com a fofura de Ben e Julieta, quando li a primeira vez esse foi um dos pontos que não me agradou muito, o "resetar" da história de Julieta, mas nessa releitura, já com um outro olhar, gostei da forma como o ponto de vista de Romeu acrescenta na história do primeiro livro, sobretudo pela própria reconstrução de Ariel como uma personagem destoada de Julieta. A história segue em geral um ritmo bom, como Julieta Imortal, mas peca em alguns pontos pelo excesso tornando-se um pouco maçante, por sorte ocorre poucas vezes. Sempre vou recomendar essa duologia, tanto para os fans da peça de Shakespeare quanto para os que nunca a leram.

domingo, 24 de novembro de 2019

[Livro] Malévola: A Rainha do Mal

Original: Mistress of all evil
Autora: Serena Valentino
Gênero: Literatura fantástica
Ano: 2018

Sinopse:  Era uma vez uma adorável e indefesa donzela que dorme profundamente anos a fio – vítima de uma maldição – antes de ser resgatada pelo belo e corajoso príncipe encantado. Mas essa é apenas a metade da história. E quanto à Fada das Trevas, Malévola? O que a levou de fato a sucumbir à maldade e ao ódio a ponto de desejar o mal de alguém? Por que ela amaldiçoa a princesa inocente? Este é um relato passado ao longo dos séculos. É uma história de amor e de traição, de magia e de fantasia, de perdão e de arrependimento. É a história da Rainha do Mal.

Aconteceu com esse livro o mesmo que houve com Úrsula, apesar de estar habituada já com o universo compartilhado que Valentino criou não consegui gostar das sequencias que li da série excetuando Rainha Má, cujas mudanças na história não só se encaixaram com perfeição, mas tinha uma dinâmica muito fácil de gostar, e também A Fera em Mim que eu ainda não li e desde já digo que tem ordem pra ler esses livros, porque eu pulei o livro da Fera e fiquei voando em um monte de questões nos outros livros. Malévola é, então, o quarto livro dessa série que reconta as histórias por trás dos "vilões" da Disney e digo reconta porque mexe em alguns pontos chave das tramas que conhecendo podendo trazer mudanças grandes, como o fato de Úrsula ser, na verdade, tia de Ariel.

Em Malévola não é´diferente, as circunstâncias que permearam o nascimento de Aurora foram, a meu ver, bem... como direi? Malucas. Na falta de uma palavra melhor. Se deu algum sentido para o ódio que a bruxa/fada teve da menina e dos pais dela, é, até que funcionou em certo ponto, mas achei a saída da versão live action mais lógica que a desse livro (quer dizer, Aurora filha da Malévola? Qual é?!) Os personagens dos demais livros retornam nesse e enquanto Bela dorme, conhecemos a origem de Malévola, sua trajetória para se tornar uma fada e como ela sofreu bullying feérico na escola, além de vermos o desfecho de Branca de Neve, agora com os filhos crescidos e com um artefato muito Once Upon a Time (sim, a série) que pode ter sido a causa de toda a bagunça do "reino encantado".

Rolou aquele CTRL C, CTRL V em algumas partes, da mesma forma que aconteceu com Úrsula, embora os "pontos cegos" do filme da Disney tenham sido preenchidos, como a ida de Aurora para o Mundo dos Sonhos que também ficou muito Once Upon a Time, mas okay. O livro ainda traz uma vibe mais contemporânea e apela até para filosofia em algumas passagens, ainda que isso funcione dentro do texto, ao meu ver ficou meio... não digo forçado, mas óbvio. É, óbvio cabe melhor. No que me diz respeito, fica lado a lado com o livro da Úrsula, não curti muito, mas não é de todo ruim.

"Você até poderia pensar que as fadas teriam planejado algo mais criativo. Praticamente toda princesa em perigo foi salva pelo Beijo do Amor Verdadeiro! Pelo amor de Deus, juntando-se bruxas e fadas não conseguimos pensar em alguma coisa mais original? Estou farta disso. Por que uma jovem precisa de um homem para salvá-la? Por que uma princesa não pode lutar pela própria vida, romper sua própria maldição? Por que tem sempre que ser um príncipe? Por Hades, quero matar o Felipe só por princípio, só para não termos mais um príncipe beijando uma garota adormecida e indefesa, fazendo com que ela sinta que deve se casar com ele por gratidão." 
Eu ri nessa parte.

domingo, 17 de novembro de 2019

[Anime] Rakshasa Street

Original: 镇魂街 Zhèn hún jiē
Direção: Hengyu Lu, Shujie Li
Ano: 2016
País: China
Gênero: Ação, Aventura, Drama, Fantasia

Sinopse: A Rua Réquiem é um local onde espíritos malignos e humanos coexistem. Mas nem todas as pessoas podem adentrar seus limites, apenas aqueles portadores de uma alma rara, os denominados guardiões. Xia Ling era uma recém-graduada a procura de emprego, mas uma noite ela recebeu uma misteriosa mensagem para comparecer a uma entrevista naquele lugar e o que seria uma simples reunião por acaso muda sua vida por completo.

Queria saber o problema dos chineses com histórias felizes. Meu Deus! Quando eu vi o drama desse anime, não imaginava nem de perto que a história era tão triste desse jeito...

O plot é praticamente o mesmo do dorama você pode ler mais informações AQUI, mas o anime oferece uma visão mais restritiva não apenas do início da jornada de Xia Ling, mas nos dá um pano de fundo de Cao Yan Bin e seu irmão Cao Xuan Liang, a dura trajetória deles depois que a rua Requiem é tomada por um cruel e sádico novo general, com os pais mortos eles se veem expulsos de casa, vendidos e, por Xuan Liang não ser um guardião de espírito ele é descartado enquanto Yan Bin faz de tudo para manter o irmão mais novo seguro. Paralelo a esse passado, vamos acompanhando o não progresso de Xia Ling que não consegue alcançar seu espírito guardião enquanto é caçada por uma organização criminosa que quer capturá-la.

Como o dorama saiu depois do anime, acho que funciona como um complemento, já que o drama faz um apanhado por algo dos eventos do anime, mas pelo que me lembro deixa a história dos irmãos de fora além de que o drama tem muitos personagens que não aparecem no anime. Mas achei o anime muito mais triste, a história dos irmãos e especialmente a puta descoberta no final quase me levaram às lágrimas! Nunca poderia imaginar algo daquele tipo. Os episódios são muito curtinhos, coisa de doze a quinze minutos, termina antes que a gente se empolgue hahaha. 

É isso gente, não tem muito o que dizer porque é muito curtinho e se você leu a resenha do drama conhece a história, a diferença principal é que o anime se concentra mais na história dos irmãos Cao e no começo da jornada de Xia Ling enquanto o drama vai um pouco mais além. E o anime é muito mais triste, com menos comédia e mais violência. Outra coisa que vale dizer é que a trilha sonora do anime é muito boa!