quinta-feira, 19 de julho de 2018

[Livro] Noiva Sem Passado - Terri Brisbin

Título Original: The Norman's Bride
Série: Dumont #2
Ano: 2016
Páginas: 284

Sinopse: Ela não tinha passado e ele não poderia oferecer um futuro.
William “Royce” DeSeverin não consegue controlar o desejo que sente toda vez que olha para Isabel. Apesar do sofrimento que ocasionou a perda de memória, o espírito dela continua inabalado, fazendo William sonhar com o impossível: uma vida longe de seu passado obscuro... e com Isabel a seu lado. Durante uma tempestade, eles se entregam a uma paixão febril. Mas será que este amor conseguirá perseverar quando os segredos de ambos forem revelados?

Ao contrário do romance anterior desse box que comprei, A Noiva do Cavaleiro, eu gostei bem mais desse livro! É o segundo da série Dumont e quando descobri fiquei meio preocupada em não entender direito o que aconteceria na história, mas não é problema algum não ter lido o primeiro livro, dá para não apenas entender, mas mergulhar de cabeça nesse livro delicioso de ler. Com umas pesquisas pequenas descobri que o primeiro livro trata de uma personagem do passado do protagonista deste livro, então, apenas alguns pequenos fatos do passado dele ficam obscuros se você não leu o primeiro livro, mas dá para entender super bem.

O livro começa com William/Royce temendo pela vida de uma jovem mulher que ele encontrou nas mediações da choupana onde morava no reino de Silloth, ela estava a beira da morte e seus machucados violentos lhe diziam que alguém tentara assassiná-la. Por alguma razão, algo nela lhe fazia implorar a Deus por sua vida, mesmo que não entendesse o motivo, William queria saber o que acontecera a ela e, sobretudo, por que tentaram matá-la. Todavia, quando algumas semanas depois ela finalmente recobra a consciência ele descobre que ela perdeu a memória. Não se lembra seu nome ou o que aconteceu para que acabasse naquele estado.

Enquanto ela se recupera da sua perna quebrada, ele insiste com lorde Orrick, o dono das terras para quem trabalha, que ela fique em sua casa. Contudo, a esposa do lorde, lady Margaret, insiste que a jovem se mude para o castelo quando se restabelecer, para que fique sob a proteção deles. Porém, quanto mais conhece sua hóspede misteriosa, mais se vê encantado por ela, mesmo sabendo que ele não pode lhe oferecer nada por causa do seu passado. Porém, Isabel - nome que foi escolhido por uma amiga - sente que não pode ignorar seu desejo por Royce, mesmo que ele não queira falar sobre seu passado enquanto ela está ávida para descobrir mais sobre o seu.

Vivendo no castelo de lorde Orrick, as coisas não saem tão bem quanto ela esperava, principalmente porque, sem o abraço protetor de Royce, os pesadelos começam a assombrá-la e o enigma do seu passado começa a avolumar-se diante de si, contudo, quanto mais tentam se afastar, mais o destino os aproxima, mas será que Isabel conseguirá aceitar Royce e seu passado obscuro, sobretudo, será que ela é capaz de lidar com seu próprio passado?

Achei o livro fantástico, aquela carga de drama maravilhoso que eu simplesmente amo e uma ambientação magnífica por parte da Terri que nos transporta para o passado com todas as suas nuances pitorescas e sua brutalidade crua. Personagens maravilhosamente construídos e um enredo digno de um romance histórico. Dá pra fazer umas previsões para o final, mas isso não tira nem um pouco o brilho do livro, espero que o último volume desse box seja tão incrível quanto esse. Com certeza essa é uma das autoras cujos livros vão entrar na minha lista quando procurar um novo romance da harlequim! Um diferencial interessante nessa história é a quebra da mocinha virginal, achei isso não apenas interessante, mas muito pertinente e gostei pra caramba, além dos vários aspectos da Inglaterra medieval que tornam o livro um pouco de aula de história também. Mais que recomendado!

sábado, 14 de julho de 2018

[Livro] O Mensageiro - Lois Lowry [COM SPOILER]

Série: Doador de Memórias #3
Autora: Lois Lowry
Gênero: Ficção científica
Ano: 2012
Páginas: 160

Sinopse: Há seis anos, Matty chegou ao pacato Vilarejo. Sob os cuidados de Vidente, um cego que tem uma visão especial, ele amadureceu e se adaptou à nova vida. Agora, espera receber seu nome verdadeiro, que determinará seu valor ali, como ocorre com todos os habitantes. Contudo, algo nefasto está se infiltrando no Vilarejo, e os moradores, antes orgulhosos de receber forasteiros, passam a exigir que as fronteiras sejam fechadas para se protegerem. Por ser um hábil mensageiro, Matty é encarregado de avisar os outros povoados sobre o bloqueio. Sua missão também tem outro grande objetivo: buscar Kira, a filha de Vidente, antes que seja tarde demais. Ele é o único capaz de viajar pela Floresta, que já provocou algumas mortes. O problema é que ela também está se tornando um lugar perigoso para o garoto. Mas muitos dependem de Matty. Então, armado apenas de um poder recém-descoberto, ainda incompreensível e incontrolável, ele se arriscará a fazer o que talvez seja sua última viagem.

Pois é, vou logo avisando que vou spoilar adoidado aqui porque estou com muita raiva.  Quando li o primeiro livro dessa série (porque eu queria ler antes de ver o filme, ainda bem), fiquei muito empolgada e, ao mesmo tempo, decepcionada porque não tinha final e eu sabia que o segundo livro era uma história totalmente diferente. Contudo, lá vai eu querendo dar continuidade a série porque é muito boa, gente e a mulher escreve de um jeito que faz você viajar nas páginas enquanto lê!

O negócio é que a série não é linear, são vários pontos do mesmo universo e nenhum deles se fecha. Contudo, nesse terceiro livro pelo menos em parte os dois primeiros se complementam, embora ainda aconteça muita lacuna. O protagonista de O Mensageiro é Matty, o garotinho ajudado por Kira no livro dois, claro que a gente só descobre isso mais pra frente. Ele foi levado para o vilarejo do pai de Kira, Vidente, e criado pelo homem, agora é um jovem educado que vive num vilarejo unido e próspero liderado por Jonas, do primeiro livro, que adotou o nome de Líder. A coisa que mais orgulha Matty é que ele é o único que pode atravessar a floresta que divide o vilarejo dos outros, uma vez que aqueles que se atrevem a atravessá-la nem sempre são permitidos retornar.

O pai de Kira não podia entrar ali de novo. Quando saíra para visitar a filha e retornara para casa com Matty, o homem recebera o aviso da floresta de que não poderia voltar outra vez, ou seria morto. Por alguma razão, Matty é o único para quem a floresta sempre se abre e, por isso, ele é o encarregado de levar mensagens no vilarejo, principalmente quando essas mensagens precisam alcançar além da floresta. Contudo, a paz do lugar parece estar ameaçada e Matty começa a sentir as pessoas à sua volta - gente que ele conheceu durante a vida quase inteira - se tornando estranha e tomando atitudes que vão contra ao ideal coletivo de comunidade, bem comum e democracia instaurados por Jonas.

A primeira coisa que me perguntei nessa parte foi, okay, o Líder é Jonas, onde foi parar o bebê que ele quase morreu tentando salvar no primeiro livro? Não explica isso. Nem se menciona essa criança! Dei até uma pesquisada no quarto e último livro da série e, pelo que entendi, ela vai voltar ao vilarejo de Jonas (ou a um muito parecido com ele) no primeiro livro e contar uma história totalmente diferente que nada tem a ver com essas três até agora com exceção de se passar no mesmo mundo distópico. 

Bem, voltando a história, uma petição chega ao Líder para fechar as fronteiras do vilarejo e impedir que novos "refugiados" de outros lugares entrem, muito triste com a decisão, Jonas acaba tendo que honrar sua liderança democrática e aceitar a decisão da maioria, cabe a Matty atravessar a floresta e colar cartazes sobre a restrição de entrada, mas sua principal missão é levar Kira, a filha de Vidente, para morar com o pai. Nesse entremeio, Matty descobre do dom que tem de curar, mas Jonas o adverte que não deve desperdiçá-lo, pois precisará dele mais tarde. Inclusive, o próprio dom de Jonas é revelado nesse livro, no primeiro a gente sabe que ele tem a função de receber as memórias do doador, suportá-las e quando atravessa a barreira do lugar onde morava todas essas memórias são libertadas, mas não se falava sobre seu dom de "ver além".

Quando realiza sua entrada na floresta, Matty descobre de cara que tem algo diferente, ela está se fechando a sua volta, repelindo-o, sair dela pode até não ser impossível, mas voltar para casa provavelmente será e isso o preocupa. Ele descobre um pouco mais do dom de Kira, de "bordar o futuro", e se oferece para curar a perna dela, mas a jovem recusa. Na empreitada de volta ao vilarejo, a floresta parece ainda pior do que estava quando Matty a atravessou para chegar à Kira, Jonas sabe que o lugar não vai permitir que eles atravessem e sai do vilarejo para salvá-los, porém a floresta também começa a repeli-lo, vendo-se prestes a morrer, ele consegue alcançar Kira com sua mente e pede que ela diga a Matty para usar seu dom.

O menino já sem forças coloca as mãos na lama e começa a curar a floresta e todas as pessoas no seu vilarejo, mas o esforço exige demais dele por ser um lugar muito grande e muitas pessoas e ele morre no processo. Jonas consegue chegar a Kira e ao cadáver do garoto e dá a ele o que ele tanto queria, seu verdadeiro nome. Ponto. Não explica o que rolou na floresta, porque ela era "mágica", não diz nada sobre o bebê que Jonas salvou, não diz o que tava rolando naquela feira de troca que o povo começou a agir feito louco, mostra só um pouco do que aconteceu com as pessoas no vilarejo e pronto. Fim do livro e da minha sanidade. Sabe a sensação que dá com o final? A de que não tem esperança mais, sabe? Que não importa o quanto a gente tente construir uma sociedade igualitária que vise o bem comum, isso sempre vai acabar errado, sempre vai resultar na morte de gente inocente.

A coisa bacana dessa série é que o mundo nela é um espelho do nosso, nos apresenta possibilidades e furos nessas possibilidades que a gente imagina do "mundo perfeito", uma vez que o problema não é o mundo, mas nós. Ela nos leva a refletir sobre o nosso papel na sociedade, na vida das outras pessoas, o significado real de coisas como liberdade, diversidade, democracia, entre tantos outros, mas o sentimento de desesperança desse livro me tirou até a vontade de ler o próximo.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

[Chinês] Negação dos Verbos no Gerúndio

大家好!

A aulinha de hoje é rapidinha, na última a gente aprendeu a usar o gerúndio, agora vamos ver como negar o gerúndio, ou seja, a negação de 在/正在 que é 没在。

Assim, a estrutura para a frase fica:

SUJEITO + 没在 + VERBO +OBJETO/COMPLEMENTO

Ex: 我没在跑步。(wo3 mei2zai4 pao3bu4)

Eu não estou correndo.

Vale assinalar que a negação 没在 só funciona para 在 quando este tem função de marcador do gerúndio, como verbo estar sua negação continua sendo feita com 不. Ex: 我在家。Eu não estou em casa.

Vocabulário:

电话 (Diànhuà) - telefone
游戏 (yóuxì) - jogo
打 (dǎ) - telefonar/acertar
玩 (wán) - jogar

Ideogramas desta lição:


 huà - dialeto; palavras; falar

xì - jogar; drama; espetáculo

wán - brincar, jogar

Pratique!

Usando os conteúdos já aprendidos e o novo vocabulário, traduza as sentenças abaixo para fixar a gramática e exercitar o vocabulário!

  1. 他在打电话。Tā zài dǎ diànhuà.
  2. 我们没在玩游戏。Wǒmen méi zài wán yóuxì.
  3. 你在干什么?Nǐ zài gànshénme?
  4. 你在上网吗?Nǐ zài shàngwǎng ma?
  5. 现在你正在干什么?Xiànzài nǐ zhèngzài gànshénme?
  6. Eu não estou telefonando.
  7. Telefonar
  8. Não está chovendo lá fora agora.
  9. Nós não estamos conversando.
  10. O que você está fazendo agora?
11. - O que você está fazendo?
      - Estou telefonando.

As aulas de mandarim estão em um ritmo mais lento por causa das "férias", estou fazendo algumas revisões e colocando meu caderno em dia, por isso não tenho trazido conteúdo novo, mas não suspendi não ^^

[Livro] Fortaleza Impossível - Jason Rekulak

Título Original: The Impossible Fortress
Ano: 2017
Gênero: Ficção, romance
Sinopse: Até maio de 1987, Billy Marvin - um garoto de 14 anos que mora numa pequena cidade em Nova Jersey - é definitivamente um nerd feliz.

Ele e seus amigos inseparáveis, Alf e Clark, passam as noites se empanturrando de biscoitos e milk-shakes diante da TV, assistindo filmes e conversando sobre música, cinema e seriados. Com a mãe trabalhando no horário norturno e a casa toda para si, Billy vara a madrugada fazendo aquilo que mais ama: programando videogames em seu computador.

Mas então a Playboy publica as fotos escandalosas de Vanna White, a famosa apresentadora de TV por quem os três são fascinados. Como ainda não são maiores de idade para comprar a revista, eles planejam um ousado assalto para roubá-la. É quando Billy conhece a brilhante, enigmática e também nerd Mary Zelinsky, e tudo começa a mudar...

Então, assim como O Livro dos Espelhos já resenhado aqui, esse foi um daqueles livros que eu não fazia ideia da existência e que trouxe pra casa das Americanas numa tarde marota com a minha irmã. Não li nenhuma resenha desse livro antes de ler pra criar minhas próprias conclusões, principalmente por ser um autor que não conhecia ainda. E, sendo bem sincera, pra mim foi como um "livro neutro", nem gostei, nem desgostei.
Vanna White

Bem, a história é narrada por Will/Billy um garoto de 14 anos que sonha em ser programador de jogos. Ele e seus melhores amigos Clark e Alf ficam em polvorosa quando sai uma revista Playboy com fotos de Vanna White, uma apresentadora de um show de sucesso nos anos 80 (que eu tive que pesquisar sobre porque não conhecia), acontece que, mesmo querendo desesperadamente ver as fotos, eles não podem comprar a revista porque são menores de idade. O único lugar onde vende exemplares perto de onde moram é na loja do senhor Zelinsky que vende máquinas de escrever e artigos de escritório.

Em uma primeira empreitada para conseguir a revista, eles pagam para um carinha qualquer entrar e comprar a revista para eles, mas acabam calculando mal e sendo roubados. Contudo, o ladrãozinho dá a eles uma ideia até interessante, a de vender as fotos da revista para os outros alunos da escola e, assim, conseguir dinheiro. Alf, o "empreendedor" da turma acaba achando a ideia o máximo e, tendo em vista que ainda precisam pegar a revista, investem no plano 2 (que, sem me permitem, é bem idiota!) eles se vestem com roupas de "gente grande" e entram na loja para pegar coisas estúpidas que não precisam e, na hora de pagar, pedir a playboy despreocupadamente como quem pede chiclete (saudade dessa inocência haha), mas esse plano é frustrado por Mary, a filha do dono da loja.

Mary Zelinsky era uma garota genial e Will percebeu isso desde o primeiro momento que a viu. Os dois engataram em uma conversa interessante sobre programações e as coisas que ela conseguia fazer com as músicas do Phil Collins em um Commodore 64, ele lhe conta sobre o jogo que tentou fazer e ela acaba lhe mostrando uma grande oportunidade de participar de um concurso de programadores e conhecer o dono da Digital Artists, além de conseguir o prêmio de um computador "avançadíssimo" com vinte megabytes de memória! Isso coloca abaixo os planos dos três garotos de conseguir a revista, mas abre portas para um novo plano mais audacioso.

A tarefa de Will é seduzir Mary para conseguir o código do alarme da loja e, assim, conseguir roubar a revista, quem auxilia nesse plano genial é Tyler, um jovem problemático que, aparentemente, conhece Mary bem o bastante. Will sabe desde o início que o plano não vai dar certo então tenta ganhar tempo para trabalhar com Mary no jogo e enviá-lo a tempo ao concurso, mas o que fazer quando se quer ajudar seus amigos, mas acaba se apegando às pessoas que tem que enganar?

Commodore 64
O grande mérito de Fortaleza Impossível é ser aquele livro escrito de forma tão simples que a gente voa pelas páginas e nem percebe. Não é um livro que se destaca no seu gênero, mas ele é montado de uma maneira que consegue deixar a gente preso à história.

Não tive muita identificação com a história com exceção das fitas, eu sou da geração 90 e só vim pegar num computador no início dos anos 2000 na época do Windows XP, quando o word tinha aqueles assistentes fofos (saudades). Então não passei por essa fase de digitar comandos e não era muito de jogar, acho que só comecei a jogar no nintendo quando Mortal Kombat estava em auge.

Outra coisa foram as personagens. Me lembro bem pouco da minha adolescência (a maior parte eu deletei por motivos de autopreservação) então não consigo me lembrar muito como é agir como um idiota, coisa que Will se formou com louvor. Ele tomava cada decisão que era digna de uma estupidez por 25 anos e não 14, a pior parte é que em algumas delas ele tinha plena consciência que ia dar errado e fazia mesmo assim. Era irritante. Alf para mim foi o pior de todos, além de ser um puta de um bully babaca, nem vou entrar nas questões religiosas porque não quero me estender em discussões paralelas. Clark é aquele tipo "maria vai com as outras" por causa da sua baixa estima causada por uma deficiência física na mão. Mary foi a única que pareceu ser um pouco legal, mas ainda assim não convenceu muito, sabe?

Como disse, num cômputo geral, o livro nem foi bom e nem foi ruim, para mim a leitura fluiu quase que entorpecente, é uma história boa, ainda que não seja muito original, mas escrita de uma maneira realmente indutiva que não deixa a gente parar e nem perceber que as páginas estão passando depressa. O fato de os capítulos não serem longos também é outro fator que ajuda muito. É uma história sobre escolhas, amizade e sonhos, poder-se-ia dizer, meio como aqueles filmes americanos de sessão da tarde, sabe? Como história mesmo, não me cativou muito, achei bem simples, na verdade, ainda que simples não queira dizer raso. Mas como construção textual sim acho que tem muito a acrescer, a forma de induzir o leitor a ir para a próxima página, os ganchos entre um capítulo e outro, a montagem da história, acho que tudo isso agrega bastante em um estudo de narrativa. 3/5 é a minha nota final.

Um detalhe bem bacana é que o jogo que eles criam no livro realmente existe e dá para jogar de graça (e é mais difícil do que parece) no site do autor! Então é só entrar e boa sorte: The Impossible Fortress

sábado, 7 de julho de 2018

ATUALIZADO [Livro] Boneco de Neve - Jo Nesbø (+ Filme)

Título Original: Snømannen
Autor: Jo Nesbø
Gênero: Ficção policial
Ano: 2007 (original)
País: Noruega
Páginas: 420

Sinopse: No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras; O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. No caso mais desafiador da sua carreira, Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.


"Somos capazes de entender que alguém precisa soltar uma bomba atômica sobre uma cidade de civis inocentes, mas não que outros tenham que retalhar prostitutas que espalham doenças e decadência moral pelos bairros pobres de Londres. Dessa forma, chamamos a primeira situação de realismo, e a segunda, de loucura." 

Está aqui um livro que eu quis pegar antes de sonhar em ver o filme porque o trailer do filme me chamou muito a atenção, mesmo que eu não curta essa pegada grotesca de filme policial cheio de sangue. Contudo, depois que li o livro reconsiderei a ideia de ver o filme, não apenas por saber que ele vai ser muito mal feito, mas porque tenho medo de que pelo menos as mortes sejam sombriamente fiéis ao livro.

Boneco de Neve apresenta várias tramas distintas que são costuradas à trama principal de Harry Hole, um inspetor da Homicídios que tenta vencer o vício do álcool e é o único policial da Noruega que já prendeu um serial killer. Hole tem um passado meio obscuro podemos dizer e, pelo que pude entender, esse livro é o sétimo de uma série de dez, portanto, apesar de ser um caso totalmente diferente, esse personagem já foi construído nos livros anteriores da série o que torna nosso primeiro encontro - desvinculado dos demais - um pouco nublado. Sabemos que ele ainda é apaixonado pela ex, Rakel, que agora está em outra com um médico e pretende morar junto

Harry ainda é muito próximo de Oleg, o filho de Rakel, que considera tudo que ele diz e não parece ter a mesma proximidade com Mathias, o médico que promete ser seu futuro padrasto. Quando mulheres começam a desaparecer misteriosamente sem deixar qualquer vestígio, Harry se vê envolvido no que parece ser o assassinato perfeito, e apenas quando a cabeça de uma delas é encontrada sombriamente em um boneco de neve que as coisas começam a caminhar a passos lentos. Ao lado de Katrine Bratt, uma detetive obstinada e inteligente que esconde um passado sombrio, o caso das mulheres desaparecidas começam a se ligar ao sumiço de um ex-policial anos atrás, mas cada vez que Harry parece chegar perto do assassino este se esquiva das suas investidas e derrete como a neve com a chegada da primavera.

As investigações vão avançando e notei um padrão entre as mulheres que, a primeira vista, Harry deixou passar: todas elas eram infiéis aos seus maridos. Contudo, mais para frente ele consegue chegar a esse ponto ao determinar que tanto as gêmeas de uma das vítimas quanto o filho da outra não eram filhos de seus maridos, mas de um outro personagem da trama. Porém, as pistas que ligam esse personagem aos crimes também se mostram falsas e o verdadeiro assassino continua a matança brincando com Harry de gato e rato.

O livro é um verdadeiro quebra-cabeças cheio de personagens complexos que se interligam em algum ponto para formar um desfecho realmente inesperado e toda essa colcha de retalhos é tão bem costurada por Nesbø que nos vemos roendo as unhas em cada gancho que ele deixa de um pulo para outro no enredo. Sempre que pensamos ter pego o boneco de neve, sentimos a frustração de ter nossas especulações dissolvidas pela genialidade da trama criada pelo autor e, confesso, fui pega totalmente de surpresa no plot twist porque em nenhum momento desconfiamos desse personagem. Até mesmo o prólogo do livro parece inocente a primeira vista e somente quando o revisitamos é que conseguimos entender o tom sombrio que se esconde nas entrelinhas.

As personagens de Nesbø são bem atuais, gente com uma personalidade que se encaixa no vizinho do lado, no amigo de fim de semana, no criminoso do jornal. Além de trazer muitos planos de fundo históricos e curiosidades verdadeiramente interessantes (como o fato de apenas uma em cada cem pessoas ter sangue B negativo), ele cria um assassino serial inteligente, meticuloso, com um nível de habilidade digno do light de death note! E que, não fosse um insight de Harry em determinada situação, teria saído ileso dos seus crimes. Sem contar que tem muitas questões sociais implícitas que são secundariamente pré-debatidas no enredo como o abandono paterno e o aborto, além do liberalismo sexual feminino.

Em certos momentos achava a trama um pouco "seca", como se a história estivesse sendo contada por um apresentador de telejornal, mas já percebi que isso é muito recorrente comigo quando leio livros narrados por homens e escritos por homens (não sei a razão ainda), em algumas situações a narrativa é bem crua, mas o modo como a história é montado mantem o leitor preso nas páginas até o desfecho que, mesmo surpreendente e fechadinho, não supriu totalmente as minhas expectativas, todavia, do mesmo modo de Reconstruindo Amélia, Boneco de Neve é uma verdadeira aula de como escrever uma ficção policial magistral, bem montada e com personagens tão bem desenvolvidos que chegam a ser palpáveis. Mais que recomendado.

Título Original:  The Snowman
Data de lançamento: 23 de novembro de 2017 (Brasil)
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: Hossein Amini, Søren Sveistrup, Peter Straughan
Elenco: Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg

Da mesma forma que os coreanos não deviam adaptar obras chinesas e japonesas, os americanos deviam parar de adaptar livros que fogem da sua ossada hollywoodiana estereotipada, porque eles simplesmente não conseguem e acaba saindo isso. Gente, que filme é esse? Estou até agora tentando entender como essas 4 pessoas aí de cima conseguiram destruir uma coisa arduamente construída em 420 páginas de puro suspense e pesquisa extensiva.

Boneco de Neve não é apenas ruim, acho que o que descreve melhor o filme é realmente mal feito. Houve um desleixo tão grande na construção desse filme que a impressão que eu tive é que os roteiristas leram um resumo mal feito na internet para saber do que o livro se tratava e criaram o resto. Nada aqui faz sentido ou tem um mínimo da originalidade, do trabalho de montagem ou da genialidade do livro, é só um monte de cenas jogadas loucamente na tela de modo a preencher quase duas horas de um roteiro raso que não aproveita o potencial de nenhum dos personagens da obra que pensou adaptar.

A primeira coisa é que o trailer vende um filme que não existe, metade daquelas cenas (que realmente estavam no livro) nem existe no filme, foi cortada ou refilmada de uma maneira muito mais tosca. Gênero e profissão de personagens foram trocados, abortos que não existiam aconteceram, gente que não morria, morreu, personagens que no livro são brilhantes, no filme se tornam medíocres e rasos, coisas que no livro não acontecem e no filme mostram como normais, tudo isso piorado com uma montagem que não te explica nada e ainda confunde o pouco que você entendeu com o decorrer do longa. Já no prólogo do filme eu me perguntava o que é que estava vendo, porque Boneco de Neve não era.

Uma das mudanças mais bruscas no meu ponto de vista foi o assassino. Não apenas a sua motivação foi idiotamente mudada, mas a explicação que nunca veio também, o roteiro desse filme foi tão cagado que a gente termina de ver com doze mil perguntas que nem o livro responde porque um não tem nada a ver com o outro. Até minha irmã que não leu o livro detestou o filme. E sinceramente, usar esse filme pra promover o livro é um desfavor enorme porque além de ser uma péssima adaptação, muita gente pode não querer ler por achar que o livro é tão sem pé nem cabeça quanto o filme.

Gente, eu não sei nada sobre roteiro, sou leiguíssima do assunto (com a licença do neologismo), entendo que a construção de um filme depende de diversas coisas como tempo de filmagem, produção, pré-produção, pós-produção, orçamento, entendo que tem coisas que realmente não dá para levar pra tela, okay, mas sério, lendo esse livro e comparando com o filme você percebe que dava sim para fazer um trabalho com mais fidelidade ainda que não total, mas pelo menos quase total porque o livro fornece subsídios mais que suficientes pra isso, são personagens bem construídos, uma trama mais que bem montada e uma história intrigante que ficou totalmente perdida nessa adaptação estapafúrdia. Se não conhece a obra, não recomendo o filme e se conhece e ainda não viu, não assista.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

[Anime] Strike the Blood

Título Original: ストライク・ザ・ブラッド, RR: Sutoraiku za Buraddo
Gênero Ação, shounen, ecchi, sobrenatural
Autor: Gakuto Mikumo
Direção: Hideyo Yamamoto
Episódios: 24 (+ 8 OVAs)
Ano: 2013-2014

Sinopse: A história de fantasia e ação escolar de Strike the Blood gira em torno de Akatsuki Kojou, um garoto considerado o vampiro mais perigoso do mundo (que pensavam existir apenas em mitos e lendas), e Himeragi Yukina, uma garota que recebeu a missão de ficar de olho no vampiro e, se preciso, eliminá-lo.

Assim como aconteceu com o último anime que vi, no começo não estava dando muito em Strike the blood não, mas com o passar dos episódios me via mais curiosa e mais ávida por novos episódios.

Com a descoberta de demônios e seres sobrenaturais vivendo entre os humanos, como medida preventiva foi criado uma ilha totalmente projetada com magia para abrigar, pacificamente, essas criaturas. Um tratado criado por três criaturas chamadas progenitores, possibilitou a harmonia entre humanos e seres mágicos que coabitam na ilha. Akatsuki Kojou é o quarto progenitor, um humano que conseguiu absorver uma vampira chamada Avrora, se tornando assim um vampiro poderosíssimo que, tecnicamente, não deveria existir. É por isso que Himragi Yukina é enviada da organização Leão - aparentemente uma organização de deuses - para vigiá-lo e, caso ele se mostre perigoso, matá-lo.

Todavia, a única coisa que Kojou quer é viver no anonimato quanto à sua identidade, principalmente porque sua irmã mais nova, Nagisa, tem fobia de demônios e vampiros depois de um acidente que sofreu na infância no qual quase foi morta. Por isso fora Yaze Motoki, seu melhor amigo, ninguém mais sabe que ele é um vampiro, embora o próprio Kojou também não saiba que seu melhor amigo não é humano como ele pensa. Com a chegada de Yukina, vários inimigos aparecem ameaçando a paz na ilha e, sobretudo, almejando destruir o quarto progenitor para ganhar seu poder. Yukina ao descobrir a verdadeira natureza de Kojou, torna-se sua aliada e principal parceira na luta contra as forças demoníacas que surgem cada vez mais fortes.

O anime tem um ritmo muito bacana, algumas coisas no final ficaram um pouco meio explicadas, mas no geral é um anime bem fechadinho o que é uma surpresa uma vez que nem a light novel nem o mangá estão finalizados. Percebi que tenho visto muitos animes seinen ultimamente haha! Strike The Blood segue aquela mesma linha de anime cujo protagonista vai se desenvolvendo com o passar dos episódios, mas acho que o principal diferencial é como esses personagens são apresentados pra gente. Apesar de ser um vampiro, Kojou nunca experimentou sangue humano, até conhecer Yukina e, em uma situação de risco, precisa beber o sangue dela para ser capaz de controlar seu primeiro familiar. Não tinha prestado atenção antes que era um anime de ecchi, mas apesar disso, não achei que foi uma coisa realmente incômoda, sabem? Tirando alguns closes meio sem noção em poucos episódios, quase não dá para sentir que tem esse gênero.

Mais que as cenas de ação muito empolgantes, o anime também tem um timing cômico muito bom! Kojou passa por pervertido mesmo quando não está sendo pervertido, embora algumas vezes isso soe um pouco apelativo, nem sempre acontece e funciona muito bem na trama. Gostei muito não apenas do desenvolvimento, mas da animação em si, o enredo é interessante e, mesmo com o harém típico de animes ecchi, os dois protagonistas principais ficam "juntos", pus entre aspas porque é mais um dar a entender do que um mostrar como nós gostaríamos, contudo, até por causa do gênero mesmo, romance não é o foco. Então fica a minha recomendação.

O dorama que vou começar a assitir agora é bem grande, então pode ser que a tag dorama e anime demore pra aparecer de novo, mas vou tentar voltar com as outras assim que possível, é que as coisas estão meio bagunçadas aqui (de novo!). Quase finalizando o livro da vez, em breve tem resenha! Ainda não escolhi nenhum mangá, então por enquanto essa tag vai ficar um pouco quieta. A tag chinês volta em breve também. 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

[Livro] A Guerra que salvou a minha vida

Título Original: The war that saved my life
Autor: Kimberly Brubaker Bradley
Ano: 2017
Páginas: 240
Gênero: Ficção histórica, guerra, drama

Sinopse: Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

Ainda da série livros emprestados, terminei hoje  A Guerra que salvou minha vida, há um tempão tinha lido uma resenha dele em um blog literário por aí e ficara interessada em ler mesmo que fosse outro livro ambientado na segunda guerra. Esse é o quarto livro que leio com essa temática, se não estiver enganada. Não que eu goste, não gosto, mas ler a situação dessas pessoas por alguma razão faz a gente repensar e dar valor às coisas que temos e que, em geral, não paramos para nos imaginar sem ou mesmo de onde elas vêm.

Contudo, esse livro não é exatamente sobre a segunda guerra, é um livro mais sobre a construção da autoestima, da coragem de enfrentar nossos medos, sobre superar nossos limites e valorizar o que tem real importância. Em boa parte da leitura lembrei-me daqueles filmes de professor que faziam a gente assistir no magistério, com alunos complicados vencidos por um professor inspirado e carinhoso que procurava entender o contexto deles, like Escritores da Liberdade, de alguma forma, Ada é uma autora da própria liberdade e da liberdade do seu irmão mais novo.

Às vésperas da fase crítica da segunda guerra mundial, Ada vive com seu irmão Jamie e a Mãe em um apartamento fétido numa travessa de Londres. Ela tem um problema no pé que nasceu torto e não recebeu tratamento, por isso, a Mãe a despreza, deixando-a com sobras de comida e dizendo-lhe palavras cruéis todos os dias, maus tratos, sem prestar qualquer assistência à filha. Seu irmão Jamie é o único que lhe dá carinho de verdade, divide com ela a comida (apesar de Ada lhe dar sempre a maior parte) e conta tudo que ela não consegue ver da janela do apartamento, uma vez que a Mãe lhe proíbe de sair. Quando todas as crianças são evacuadas de Londres para o interior, ela não recebe permissão da Mãe para ir, esta só planejava embarcar Jamie e deixaria a menina sozinha, pois não se importava se ela morresse. Para não deixar o irmão sozinho, Ada aproveita que a mãe dorme o dia inteiro e, bem cedo, foge com o menino para a escola de onde partiriam para a estação.

Quando chegam no interior, ela recebe os olhares de desprezo das pessoas que lhes deixam sem um abrigo, uma das mulheres do exército inglês leva-os para a casa de uma jovem solteira carrancuda que, inicialmente, se recusa a aceitá-los. A verdade é que essa mulher, chamada Susan Smith, tem depressão desde a perda de sua melhor amiga, Becky, falecida anos antes, temendo negligenciar as crianças durante o período em que o luto pela melhor amiga volta. Contudo, acaba ficando com eles e, ao ver seu estado, percebe horrorizada que as crianças viviam, anteriormente, em uma guerra muito diferente das bombas, principalmente Ada que é arredia e sempre se encolhe quando ela se aproxima.

A convivência inicialmente não é nem um pouco fácil, apesar de Ada estar amando a sua nova vida, não precisa se esconder das pessoas, não precisa ficar trancada em casa e, sobretudo, pode montar Manteiga, o pônei de Becky. em contrapartida, Susan está apenas no início dos problemas para cuidar das crianças, quanto mais descobre sobre eles, mais sente que precisa dar tudo aquilo que mais precisam: amor e compreensão. Principalmente para Ada que sente nojo e vergonha de si mesma, as palavras da Mãe diariamente ecoando em sua mente, todavia, ela vai percebendo que Susan não tem vergonha dela, não a culpa por coisas que não são sua culpa, não a maltrata e só devolve suas malcriações com carinho e compreensão.

Ada aprende a ler, a escrever, aprende mais sobre o mundo e sobre si mesma, compreende que a vida é maior que o apartamento onde era trancada e que ela tem o direito de vivê-la com tudo que ela oferece. Enquanto Susan dá-se a chance de abrir-se para o novo, dia a dia vai superando a perda de Becky e percebe que a lembrança da amiga permanecerá para sempre independente de ela viver a vida ou não, abre-se para novas pessoas e sua vida isolada e triste de antes enche-se de ternura e amigos que a aquecem e se preocupam com ela. As crianças são salvas de uma vida de maus tratos e privações e Susan é salva de sua tristeza, no fim acho que é isso que resume o livro, as guerras diárias que vivemos, a guerra de Ada era sua mãe e esse é um ponto bacana do livro porque ela sempre se refere a ela como a Mãe indicando um distanciamento entre elas, claramente explicitando a ausência de afeto, com Susan inicialmente acontece a mesma coisa, porém conforme a mulher vai conquistando o afeto e o respeito da menina, aos poucos deixa de ser a senhorita Smith para ser Susan.

A guerra de Susan era sua própria mente. Ela não conseguia superar a morte da melhor amiga e, mais, a distância dos próprios pais que não aprovavam suas decisões, conforme a convivência com as crianças a fazia questionar sobre o modo como vivia ela passou a racionalizar acerca da sua vida e perceber que tinha direito à felicidade. Ada não precisava se esconder como Ane Frank por causa de sua origem e, ainda assim, vivia presa apenas por ser como era, sua mãe ao ser obrigada a lidar com uma maternidade que não queria e, logo, ver-se responsável por duas crianças que nunca pediu e um marido morto na guerra, descontava em Ada toda a sua frustração e o ódio que sentia da vida. Então, mesmo que não fosse uma judia na mira nazista, Ada era uma refugiada na mira do ódio da mãe.

As descobertas dela sobre o mundo que a cerca é o que dão esse toque sensível ao livro, percebemos o valor real das coisas, começamos a nos questionar sobre diversas verdades que construímos e desconstruímos ao longo da vida, aprendemos, sobretudo, o cerne de conceitos que ainda hoje são tão abstratos no coração das pessoas como solidariedade, amor, respeito, empatia, felicidade e liberdade. Mesmo que, ao contrário de muitas pessoas que o leram, eu não tenha chorado com ele, achei um livro maravilhoso que mostra o poder das palavras na vida de uma pessoa, principalmente uma criança, da força que o amor e paciência têm, da superação da maior guerra que enfrentamos todos os dias: a guerra contra nós mesmos. Mais que recomendado!

quarta-feira, 27 de junho de 2018

[Dorama] Thousand Years of Love

Título Original: Hangul: 천년지애; RR: Cheonnyeon Ji-ae / Hanja: 千年之爱 pinyin: Qiān nián zhī ài Lit. Amor de mil anos/ Mil anos amor
Gênero: Romance, Drama, Time travel
Direção: Lee Kwan-hee
Roteiro: Lee Sun-mi, Kim Ki-ho
Ano: 2003
País: Coréia do Sul
Episódios: 20
Elenco: Sung Yu-ri
So Ji-sub
Kim Nam-jin

Sinopse: Mais de mil anos atrás desde o presente, Puyeoju é a princesa do Imperador Baek Jae. Ao contrário de outras princesas, ela é ativa e habilitada nas artes e nos esportes. Quando o Império Baek Jae se desmorona devido a um espião, Kum-hwa, ela foge com o guarda-costas do general Guishil Ari e se apaixona por ele enquanto isso. O novo conquistador Kim Yu-suk também está apaixonado pela princesa, mas só recebe ódio em troca. Em uma tentativa desesperada de conquistá-la, ele mata Ari, mas a princesa foge e sai de um penhasco para se matar. Ao cair, ela viaja mais de mil anos para o futuro, que é o nosso momento atual de 2003. Somente ela continua a ser quem ela era, e ela encontra Ari para ser um estilista sem objetivo Kang In-chul com um coração quente e Mau humor.

Ainda estou aqui me perguntando o que foi esse dorama?! Eu o dividi em duas semanas para poder terminar esse mês, mas já estava tão sem paciência que comecei a ver de três a quatro episódios de uma vez só pra terminar logo. Baixei por causa do Ji Sub, verdade seja dita, mas os MVs me prometeram uma coisa totalmente diferente do que ele é de verdade, tipo aquele trailer de filme que você acha muito foda e quando vai ver o filme em si é uma droga.

A história começa no passado, durante a dinastia Baekje onde Puyeoju  é a princesa herdeira, uma jovem inteligente, versada nas artes marciais e muito segura de si. Para entender direito a história, fiz umas pesquisas por fora porque senão, apesar de entender o enredo como um todo, a gente fica meio perdido por não ser versado em história coreana. Baekje era um dos três reinos da Coréia antiga (muito antes de Joseon e Goreyo) junto com Silla e  Goguryeo. Baekje alternou entre hostilidade e aliança com Goguryeo e Silla conforme os três reinos expandiram sobre a península. No seu apogeu no Séc.IV, Baekje controlava algumas colónias na China e uma grande parte do sudeste da Península Coreana, como o distante norte de Pyongyang. Se tornou uma potencia marítima regional, com relações politicas e mercantis com a China e Japão.

Então, é nessa hostilidade com Silla que a história se passa, pelos anos 660, quando um Kim Yu Sook, um dos sobreviventes de uma invasão de Baekje a Silla, se une a dinastia Tang da China para tomar Baekje. Dessa forma, o general Ari guarda costas da princesa, começa a tomar providências para proteger o castelo, mas acaba falhando e os rebeldes invadem o castelo e começam a matar guardas e empregados, violentar mulheres e saquear riquezas. O rei Baek Je fugiu do palácio deixando todos os idosos e mulheres, incluindo a própria filha, para morrer. O irmão da princesa Puyeoju, que era casado numa família japonesa do antigo reino de Wa, participou indiretamente do ataque sem que ela soubesse.

Puyeoju é levada por Ari para um castelo de sua família chamado Sabi, onde seria seguro e teria soldados que conseguiram escapar do ataque de Silla, lá ela poderia escrever para o irmão e a tia no Japão pedindo reforços para tirar os invasores de Baekje. Contudo, Yu Sook ataca o local e leva Ari como refém para manter Puyeoju sob seu controle, mesmo ele estando apaixonado por ela, a princesa deixa bem claro que nunca vai retribuir seus sentimentos e que não sente por ele nada mais que repulsa. Ari consegue fugir e levar a princesa com ele, mas Yu Sook vai atrás dos dois e mata Ari para ficar com a princesa. Desesperada e triste, ela se atira de um penhasco para morrer com seu amado, mas acaba atravessando uma fenda do tempo que a trás para 2003 onde é achada por uma gangue e levada para um hotel.

Quando acorda, ela se depara com seu "salvador" e por ele ter o mesmo rosto do rei de Silla, acaba levando uma surra sem tamanho dela, assim como seus demais homens, Puyeoju consegue fugir e se vê perdida na cidade, acabando por quase ser atropelada por Kang Yin Chul que é a reencarnação de Ari no presente. Acreditando que acabara de reencontrar seu amado general, ela é levada por ele ao hospital e, depois de várias confusões, acaba na casa dele que acha que ela é louca. O que acontece é que, além de muito mal humorado, In Chul não passa de um designer de moda falido que ganha a vida vendendo roupas para dançarinas de boate.

Enquanto isso, no Japão, após dar problemas novamente, o herdeiro da corporação Fujiwara, Tatsuji, é enviado pela mãe à Coréia para que o pai não descubra as dores de cabeça que ele anda dando. Quando está arrumando suas coisas, ele acaba encontrando um retrato antigo que, mil anos antes, seu ancestral roubou do castelo de Baekje, era o retrato de Puyeoju, ele se apaixona por ela à primeira olhada. Na Coréia, o destino se encarrega de colocar os dois frente à frente, ainda assim, como aconteceu com seu ancestral, ela também não demonstra qualquer afeto inicial por Tatsuji, ainda que, com o tempo, passe a vê-lo como um amigo. Porém a mãe dele no Japão ao descobrir a existência dela, passa a persegui-la em busca do colar da princesa e uma forma de conseguir benefícios para sua família japonesa no passado e no presente.

A premissa do dorama até que é boa, mas o desenvolvimento não ajuda. Primeiro começa com o tratamento que In Chul dá a Puyeoju, no começo até gosto da maneira como ela se defende e tals, mas ele irrita muito até bem metade do dorama, depois vem aqueles problemas que seriam facilmente resolvidos se usassem o maldito diálogo, outra coisa que me irritava muito era que a princesa era toda foda na luta, mas quando realmente precisava que ela se mexesse ela simplesmente ficava parada vendo os outros apanharem, parece que ela só é foda nas artes marciais conforme o roteiro quer. Além disso, a submissão dela ao Tatsuji algumas vezes me irritava profundamente, em alguns casos até dava pra entender, mas em outros, meu Deus, eu teria dado na cara dele sem pensar duas vezes.

Não consegui me apegar aos personagens, na verdade tinha hora que me enchia tanto o saco o rumo das coisas que eu só torcia mesmo era para acabar logo. E olha que eu gosto pra caramba de drama histórico! Toda aquela coisa de Rooftop Prince de equilibrar o drama com a comédia não aconteceu aqui, e o final... meus amigos, eu fiquei realmente revoltada com aquele final, na boa. Quando chegou o final eu fiquei me perguntando como cargas d'água aquilo aconteceu, fala sério! Odiei! Desssa vez eu teria até preferido um final trágico, teria sido melhor.

sábado, 23 de junho de 2018

[Livro] Em Algum Lugar das Estrelas - Claire Vanderpool

Título Original: Navigating Early
País: EUA
Autora: Clare Vanderpool
Gêneros: Ficção, Ficção de aventura
Páginas: 288

Sinopse: Em Algum Lugar nas Estrelas é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor. Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam para casa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta – ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz.

Peguei esse liro emprestado de uma amiga, fiquei curiosa a respeito dele e quando a Beatriz Paludetto o indicou fiquei ainda mais curiosa para ler, não me arrependi nem um pouco, a história é tão cativante e fofa que você se vê preso a ela até mesmo quando não está lendo. A história acompanha Jack Baker, um garoto que perdeu a mãe para um aneurisma e se viu sozinho com um pai militar que lhe era praticamente um desconhecido. Ele é levado para um colégio interno e sente como se o mundo estivesse conspirando para seu desaparecimento uma vez que insiste em mostrar que ele é um peso inútil sobre a terra, e é exatamente aí que ele conhece Early Auden.

Aquele menino estranho chama a atenção de Jack de uma maneira quase irresistível, Early parece viver em um mundo só seu, um mundo que não admite convidados e, mesmo assim, Jack sente-se curioso a respeito do mundo em que o menino que não assiste quase nenhuma aula vive. Enquanto tenta se acostumar com a escola e se enturmar com as outras crianças - sem muito sucesso - Jack acaba sendo colocado no caminho do peculiar Early e descobre um pouco da sua cabeça extraordinária que não aceita, sob nenhuma hipótese, a finitude do número pi. Para Early, pi é o personagem de uma história fantástica que, na jornada para conquistar seu nome, acabou se perdendo bem no momento que os números parecem tender a sumir segundo um renomado matemático que atesta a teoria de que o número é, portanto, finito.

Mesmo achando que Early está inventando aquilo tudo, Jack não consegue deixar de se fascinar pela genialidade do garoto em ler uma história nos intermináveis algarismos de pi e, sobretudo, em saber tantas coisas sobre praticamente tudo. Os dois se aproximam, mas, cegado pela sua visão nublada do mundo, Jack acaba tratando Early com certo descaso e o magoa, ainda assim é salvo pelo garoto bem a tempo de perceber que agira como um tolo. A coisa é que, assim como Pi, Jack também estava perdido e é o que torna Em Algum Lugar nas Estrelas um livro fascinante, a história lida pelo garotinho autista nos números de pi se encaixam com perfeição como uma metáfora para ele mesmo e para Jack.

Quando seu pai "fura" com ele nas férias, Jack decide acompanhar Early em uma aventura na busca por Fisher, seu irmão e é quando o garoto percebe que a história de Pi é uma metáfora para o desaparecimento do irmão do garotinho que, foi-lhe dito, morrera como heroi de guerra. Mesmo sabendo o resultado frustrante, não havia como argumentar com Early, tampouco Jack queria passar as férias inteiras sozinho na escola. Assim, a bordo do maine, os dois partem numa aventura que, aos poucos, mostra-se muito similar à história de Pi e seus intermináveis números.

Em Algum Lugar nas Estrelas é um livro sobre perda, sobre encontrar coragem em si mesmo e sobre amadurecimento. Talvez o fato de duas crianças passando por toda essa odisseia de acontecimentos torne tudo um pouco mais sensível, ainda assim é impossível não se colocar no lugar deles, seus modos de pensar e de encarar as provações impostas pela vida. O fato de Early ser autista torna tudo ainda mais fascinante, é o primeiro livro que leio com um personagem que tem essa condição e gostei muito da maneira como ele foi retratado - tirando a parte de ser chamado de estranho, mas como a própria autora explicou, na época em que a história se passa o conhecimento sobre o autismo ainda não era acessível - a maneira como ela mesclou a história de Pi contada por Early ao enredo principal, transformando a jornada do número em uma metáfora que se encaixava na perda do menino e, ao mesmo tempo, servia como uma lição para Jack, foi simplesmente magistral.

É muito difícil entender como é a mente fantástica de um autista, o fato de Early ver uma história, cores e texturas em uma cadeia de números para mim foi ainda mais incrível (principalmente porque a única reação que tenho a muitos números juntos é desespero!), as particularidades do autismo ficaram implícitas nas atitudes do garoto de uma maneira muito clara e sem precisar de nenhuma nomenclatura para distingui-lo, amei ainda mais esse toque lógico digno de Sherlock Holmes que ela aplicou em Early, capaz de fazê-lo compreender a lógica de coisas que, para pessoas como nós, pareciam completamente inexplicáveis a primeira vista. O modo como as histórias se fecham também foi maravilhoso, me peguei dando risadas, sorrindo como boba e angustiada em diversos momentos. Com certeza recomendo fortemente a leitura!


segunda-feira, 18 de junho de 2018

[Anime] Charlotte

Título Original: シャーロット (RR Shārotto)
Criador: Jun Maeda
Direção: Yoshiyuki Asai
Gênero: Comédia dramática, sobrenatural
Episódios: 13

Sinopse: Num mundo alternativo, uma pequena percentagem de crianças são capazes de manifestar seus superpoderes ao atingir a puberdade. A história é ambientada na Academia Hoshinoumi e acompanha os membros do conselho estudantil, que ajudam os outros alunos com problemas decorrentes das suas habilidades. Yuu Otosaka utiliza seu poder sem ter conhecimento deles, vivendo seu cotidiano normalmente. No entanto, depois que ele conhece uma garota misteriosa chamada Nao Tomori, o destino do usuários especiais com poderes poderá ser exposto.

Quando comecei a assistir Charlotte pensei que ia dropar o anime no primeiro episódio porque eu simplesmente não gostei. Tanto é que parei de ver e fui assistir Erased. 

A trama segue Otosaka Yu, um adolescente de quinze anos que tem o poder de possuir outras pessoas por um curto período de tempo. Ele usa seu poder para trapacear nas provas e para causar discórdia entre pessoas que praticam atos ruins, isso até ser descoberto por Nao Tomori, a presidente do conselho estudantil de uma escola especializada em adolescentes que tem habilidades especiais. Ela explica a Yu que seu poder só dura o período da sua puberdade e, então, desaparecem, e o adverte que se ele continuar utilizando-os de forma errônea será capturado por cientistas e virará rato de laboratório como aconteceu com o irmão mais velho dela.

Assim, Yu e a irmã mais nova vão para um condomínio especial que fica próximo da nova escola onde ele terá que estudar e não apenas isso, mas fazer parte do conselho estudantil e ajudar a capturar pessoas que tem habilidades e instruí-las a não usar. Contudo, conforme a história avança, pedaços do passado de Yu vão se desenrolando e ele acaba se vendo preso em lembranças de um período sombrio da sua vida. Com a morte de Yumi em um acidente envolvendo o poder dela que despertara da pior maneira possível, Yu acaba conhecendo seu irmão mais velho do qual não tem qualquer lembrança.

Esse encontro lhe dá não apenas a possibilidade de salvar sua irmã Yumi como de descobrir seu verdadeiro poder que é, na verdade, roubar o poder de outras pessoas transformando-as em humanos normais. Mais ou menos como a vampira, a diferença é que Yu se apropria do poder da pessoa e ela fica sem. Assim, uma nova história é escrita, mas a descoberta desse poder pode acarretar em um futuro ainda mais sombrio do que Yu ou qualquer um de seus amigos poderia imaginar.

O começo do anime realmente desestimula, mas conforme os capítulos vão avançando me vi presa na trama a coisa é que nos três últimos capítulos tudo começa a desandar, talvez porque o mangá não está finalizado então eles meio que improvisaram a coisa toda, mas a sensação que dá no último episódio é que eles resumiram 10 episódios a mais em um só, ficou muito desesperançado o negócio todo, e a magia que foi construída a partir do segundo episódio meio que desapareceu.

Então, minha nota pro anime acabou sendo de 5,5 de 10. Sério, magoou mesmo, pricipalmente a morte de um personagem no penúltimo episódio que eu achei muito desnecessária. Porém, se tem uma coisa que é realmente 10 nesse anime é a trilha sonora secundária da banda ZHIEND criada para a série. Meio que como aconteceu com o Egoist criado para o Guilty Crown, o ZHIEND cuja vocalista e compositora é cega, faz muito sucesso no japão e fora dele e a Nao aprendeu a gostar por causa do seu irmão. Achei o CD inteiro da banda no youtube, tem a versão em inglês e em japonês, ouvi a versão japonesa e gostei muito, recomendo!


[Mangá] Boku Dake Ga Inai Machi (Erased)

Título Original: 僕だけがいない街 lit. "A cidade onde só eu não existo"
Gênero: Fantasia, mistério, suspense
Volumes: 08
Público Alvo: Seinen

Sinopse: Satoru Fujinuma, 29 anos e aspirante a mangaká, volta no tempo sempre quando acontece uma tragédia em especial (sequestro / morte): é um fenômeno conhecido como "revival". Certo dia, sua mãe nota e suspeita a presença de um sequestrador - um assassino em série que cometeu crimes contra alguns colegas de infância de Satoru - por ela perceber e ter a mente aguçada, foi assassinada pelo meliante a facadas de forma fria. O incidente despertou o "Revival", fazendo-o regressar 18 anos no tempo. Não apenas para salvar a mãe, como também seus amigos. A história se passa em 2006 e em 1988, quando viaja 18 anos para trás.

Assim que terminei de assistir o anime e o dorama de Erased, precisava ler o mangá porque tinha que saber como a história era no original, sabe? Aproveitei que o mangá era relativamente curto e comecei, mas por causa do período final de faculdade, começaram a surgir trabalho em cima de trabalho e a leitura acabou atrasando um pouco.

Mas bem, como já falei aqui das três adaptações do mangá, vou me limitar as principais diferenças entre elas porque a história em si vocês já conhecem se leram a resenha das adaptações. Posso dizer que até mais ou menos o quinto volume o anime e o dorama fizeram um bom trabalho, na verdade ficou quase um Kuzu No Honkai, tudo que tem no mangá foi reproduzido em tela, mas foi um quase, muitas coisas não entraram, acredito que até hoje Kuzu no Honkai é a obra mais bem adaptada que tem porque se você ler o mangá antes de ver o anime consegue prever o que vem em cada quadro sem problemas.

Porém, o anime meio que se perde um pouco a partir do final do volume cinco e a semelhança com o mangá vai diminuindo consideravelmente ainda que ambas estejam sincronizadas por assim dizer. Mas o dorama não, ele segue quase inteiramente à risca o mangá, com mudanças muito sutis a nível de adaptação mesmo, principalmente no final que acredito ser a diferença mais gritante se comparar o mangá com o anime e o filme. O dorama conseguiu adaptar o final do mangá quase que fielmente em totalidade.

Uma das coisas que mais gostei em Erased sem dúvida foi a evolução do Satoru, apesar de todo o mistério que envolve as mortes e o assassino, na minha concepção o foco da obra não é esse, mas sim sobre a importância das nossas relações interpessoais, do modo como tratamos as pessoas à nossa volta e da significância que elas podem ter na nossa vida. Satoru só se deu conta do valor verdadeiro da sua mãe quando ela morreu e ele começou a repensar toda a vida que ela lhe proporcionou o amor e dedicação que ela lhe deu. Do mesmo modo ele percebeu como fora um amigo vazio para Hiromi e os outros, uma vez que só estava na turma por estar, para não ficar sozinho, ele não se importava de verdade. Do mesmo modo aconteceu com Hinazuki Kayo. 

A primeira vez que Satoru tentou salvar Kayo ele falhou simplesmente porque não parou para pensar nela realmente, mas estava focado em impedir a morte da mãe 18 anos a frente. Apenas quando ele voltou e começou a pensar nela, em como ela se sentia e a se importar com isso ele conseguiu prever os passos do assassino e salvar Kayo e Hiromi do seu destino trágico. Do mesmo modo sua relação com Ken'ya e a mãe foi retrabalhado e ele começou a confiar nas pessoas, a dar o valor que elas mereciam e a se importar de verdade com elas e, desse modo, conseguiu salvá-las ao mesmo tempo em que salvava a si mesmo.

Na sua trajetória no passado, Satoru não salvou apenas os amigos e a mãe de morrer, mas ele percebeu e se salvou de uma vida solitária e apática, do medo que sentia de enfrentar a si mesmo por simplesmente não querer lembrar da sua covardia e negligência iniciais. A mesma covardia e negligência que o deixou sozinho no futuro, sem espaço para novas amizades e sem contato com as antigas porque elas não tinham raízes, eram simplesmente convenções sociais. E, com certeza, um ponto que para mim marcou muito foi a relação que o Satoru reconstrói com a mãe, Sachiko que não desistiu do filho quando todo mundo desistiu, um amor tão perfeito e profundo desses é inacreditável e lindo.

Valeu muito a pena ler Boku dake ga inai machi e eu recomendo muito, principalmente para quem não viu o anime ou o dorama, leia o mangá primeiro que o dorama e o anime serão experiências muito mais prazerosas. Para mim foi meio que um complemento uma vez que eu já sabia quem era o assassino. 

Os cinco primeiros volumes (até o capítulo 30) você acha em português no Union Mangás. Os três últimos volumes só em inglês por enquanto.

[Livro] Harry Potter e a Câmara Secreta (+Filme)

Título Original: Harry Potter and the Chamber of Secrets
Ano: 1998 (Inglaterra) 2000 (Brasil)
Páginas: 252 (ed. ao lado)
Série: Harry Potter #2
País de Origem: Inglaterra
Gênero: Fantasia, ficção, aventura, bildungsroman

Sinopse: O segundo ano de Harry na escola de Hogwarts está cheio de novos perigos e horrores, incluindo um professor totalmente metido chamado Gilderoy Lockhart, o espírito de uma garota chamada Murta que Geme, que assombra o banheiro das meninas, e a embaraçosa atenção da irmãzinha caçula de Rony, Gina.
Mas tudo isso parece pequeno quando um problema de verdade aparece e alguém - ou alguma coisa - começa a petrificar os alunos de Hogwarts. Será que foi Draco Malfoy, que anda mais venenoso que o normal? Será que foi Hagrid, cujo passado misterioso começa a vir à tona? Talvez tenha sido o suspeito número um de toda a escola... o próprio Harry Potter!

A câmara secreta é o filme da saga que mais gosto, quebra totalmente os paradigmas do segundo livro odiado.  Sério, todos os segundos livros de série costumam ser chatos até doer. Quando minha irmã comprou o box da Rocco contendo todos os livros, coloquei logo A Câmara Secreta na meta de leitura porque queria muito saber se, assim como o primeiro livro, o segundo filme era também tão fiel.

No segundo ano de Harry na escola de magia e bruxaria, as coisas parecem fadadas a dar muito errado para ele, não bastasse o péssimo tratamento que seus tios davam a ele, um elfo doméstico chamado Dobby parece disposto a impedi-lo de ir à escola aquele ano sob o pretexto de que algo terrível irá acontecer em Hogwarts, embora não queira sob nenhuma hipótese dizer ao garoto o que é. Após ser salvo por Rony e os gêmeos da casa do tio, nada poderia dar mais errado do que não conseguir passar pela coluna à plataforma 9 3/4 e quase ser assassinado por uma árvore ao finalmente pousar no castelo. Pelo menos era o que o menino pensava.

Um dos suplícios de Harry em seu segundo ano tinha nome e sobrenome: Gilderoy Lockhart. O metido novo professor de defesa contra as artes das trevas era um panaca que falava mais do que fazia, pode-se equiparar seu grau de insuportabilidade com o do diabo rosa em A Ordem da Fênix. Não bastasse isso, o homem parece querer usar Harry como um gancho para crescer sua fama e destacar-se entre os alunos. E não bastasse isso, uma voz estranha ronda os corredores do castelo prometendo matar alguém, mas parece que apenas Harry pode ouvi-la, e é quando alunos nascidos trouxas começam a aparecer petrificados que a fama do famoso Potter ser o herdeiro de Sonserina se espalha como uma doença, ajudada pelo poltergeist Pirraça.

Enquanto investigam os acontecimentos tentando provar a inocência do amigo, Hermione também acaba sendo atacada deixando Harry e Rony sozinhos para resolver o mistério. Sua habilidade de ofidioglota não tona a fama de Harry muito melhor e a convivência na escola aos poucos se transforma em um sufocante pesadelo. Um misterioso livro surge no banheiro das meninas ao ser jogado no fantasma da Murta que Geme, o livro - que o garoto descobre ser um diário - contém pistas do incidente que ocorrera cinquenta anos antes quando a câmara do herdeiro de Sonserina foi aberta pela primeira vez e ao que parece, fora Hagrid que a abrira.

Um novo ataque coloca o amigo guarda-caça dos garotos em uma saia justa, até mesmo Dumboldore é afastado da escola e Harry se vê sem tempo quando a irmã caçula de Rony, Gina, é levada para a câmara. Cercados por monstros, com a fraude que é Lockhart e sem a ajuda de Hermione, Rony e Harry descem à câmara em busca de Gina, contudo, é o próprio Potter que precisa encarar mais uma vez o perigo mortal que se esconde atrás da porta de serpentes e seu velho inimigo declarado de sempre.

Acho que uma das coisas que mais me atrai nesse livro é o tom sombrio que ele tem, não sei os outros livros porque não li, mas dos filmes posso falar, nenhum deles consegue chegar perto da carga de terror que esse chega. E o mais irônico é que eu não gosto de filmes de terror! O tom mais pesado da Câmara Secreta e até mesmo as inferências que a gente pode fazer sobre crítica ao preconceito racial e econômico, à escravidão (que ainda existe mesmo após a abolição), a corrupção personificada em Draco e seu pai Lúcio, tornam esse meu livro favorito da série. A carga cômica foi bem diminuída, mas ainda assim os gêmeos e, claro, Rony não podiam deixar de nos divertir nos momentos certos.

Em 2002 saiu a adaptação cinematográfica do livro contendo o mesmo elenco sob a direção de Chris Columbus e roteiro de Steve Kloves, apesar de ser sim uma boa adaptação não considero que tenha ficado tão fiel quanto o primeiro livro.

Há algumas coisas que consigo entender não terem dado para adaptar seja por questões orçamentárias ou quaisquer outras, como, por exemplo, a festa de haloween que Harry e os amigos não participam para ir ao aniversário de Nick quase sem cabeça, ou mesmo Pirraça que não aparece nos filmes, mas tiveram outras coisas que eles mudaram muito drasticamente como a enrolação na luta contra o basilisco e até mesmo o jogo de quadribol em que Harry quebra o braço.

Creio que pelo tamanho do livro, que se equipara ao primeiro, daria sim para ter feito uma adaptação mais fiel, todavia é impossível desgostar desse filme que continua sendo meu favorito da franquia ainda que muito simples em comparação ao livro. Para mim, Harry Potter só teve graça até aqui, por isso não é provável que eu vá continuar lendo a saga, vi todos os filmes e a partir do terceiro não gostei de mais nenhum. Contudo, pode ser que qualquer dia me bata a louca e eu continue lendo. Nunca se sabe.

domingo, 10 de junho de 2018

[Dorama] Scholar Who Walks in The Night

Informações:
Título Original: 밤을 걷는 선비; rr: Bameul Geotneun Seonbi
País: Coréia do Sul
Gênero: Fantasia, histórico, drama, romance
Criador: Jang Hyun-joo
Direção: Lee Sung-joon
Ano: 2015
Episódios: 20
Elenco: Lee Joon-gi
Shim Chang-min
Lee Soo-hyuk
Lee Yu-bi
Kim So-eun

Sinopse: Jo Yang-sun é a filha de um nobre cuja família perde tudo quando seu pai é acusado de traição. Para fazer face às despesas, Yang-sol começa cross-dressing como um livreiro do sexo masculino, e se encontra com o erudito belo e misterioso Kim Sung-yeol, que trabalha na Hongmungwan. Sung-Yeol é um vampiro, e ele continua a ser assombrado pela morte de longa atrás de seu primeiro amor Lee Myung-hee, especialmente quando ele conhece o doppelgänger atual de Myung-hee, Choi Hye-ryung, a filha de um nobre distante. Enquanto isso, o mal de vampiro Gwi reside no palácio real e usa seus poderes e maquinações políticas para evitar que o príncipe herdeiro de subir ao trono.

Posso dizer Ufa! Finalmente terminei esse dorama. Quando comecei a assisti-lo com a minha irmã ela desistiu dele no primeiro episódio então eu deixei ele de lado para ver outra coisa com ela e decidi assisti-lo sozinha. Olhando os comentários sobre ele vi que a galera ficou bem dividida na época em que ele foi transmitido, mas já sabia que não deveria esperar um grande final e não esperei.

A história gira em torno de, basicamente, Kim Sung Yeol o melhor amigo do príncipe herdeiro Jung Hyun, um jovem rapaz cheio de ideais e energia que esconde-se atrás do pseudônimo de Estudante Sensual para denunciar em seus livros de ficção a existência de um vampiro cruel chamado Gwi, que tem governado o país durante anos sem que ninguém soubesse. Por ter descoberto um jeito de matar o vampiro e se voltado contra ele, tanto o príncipe quanto o rei foram mortos e Sung Yeol transformado em vampiro por um outro guardião cuja missão era destruir Gwi. Porém, durante o tempo que dura sua transformação, sua família é acusada de traição e seu pai assassinado, sua irmã com quem ele ia se casar (sim, exatamente, foi por causa dessa parte do incesto que quis ver haha, gente, isso é meio inédito em dramas coreanos, já havia visto em japoneses, mas coreanos nunca!), é levada pelo vampiro para "se divertir".

Sung Yeol chega a tempo de encontrá-la viva, mas não de salvá-la e, fraco por não ter se alimentado quando acordou como vampiro, acaba sendo forçado a beber o sangue da sua irmã até a morte desta. Devastado pela dor e a culpa, ele jura viver sua nova condição em prol de encontrar o diário do príncipe Jung Hyun e executar o plano de destruir Gwi. 

Jo Yang Sun é uma mulher que se veste de homem para vender livros e ajudar a família que, após ser acusada de traição, perdeu não somente o status, mas o pai ganhou uma lesão na perna e não pode mais trabalhar ativamente. Ela é especialista em encontrar livros perdidos e proibidos e o fato de se vestir de homem permite não apenas que se encaixe em qualquer conversa, mas que entre em qualquer lugar (sabemos como a sociedade medieval de uma maneira geral é machista, né? E não só ela, a atual não é muito diferente, mas antes era pior) coisa de que ela gosta bastante. Ela é chamada por Sung Yeol para encontrar o diário do príncipe morto há 210 anos, o que não esperava era ficar absolutamente hipnotizada pela figura bela e enigmática dele. 

Nessa mesma noite ela conhece por acaso o príncipe herdeiro Lee Yoon, logicamente disfarçado de nobre comum. O pai dele foi acusado de traição e assassinado por Gwi, ele no entanto foi salvo pelo avô a quem aprendeu a desprezar conforme crescia. Imediatamente, Yoon fica encantado com Yang Sun porque ela lhe lembra Seo Jin, seu melhor amigo de infância e assim eles acabam se tornando amigos. Contudo, a caçada ao diário do príncipe herdeiro leva Gwi ao rastro de Yang Sun e, para protegê-la, Sung Yeol precisa se tornar mais e mais próximo dela o que começa a mexer com seus sentimentos, conforme se aproximam mais do diário, segredos do passado de Yang Sun a ligam ao príncipe herdeiro e ao vampiro que matou seu pai e ela pode acabar se tornando a próxima presa de Gwi assim como a chave para destruí-lo.

A minha média pra esse drama foi 6,9 no Banco de Séries não apenas porque eu achei o enredo meio arrastado, mas porque o final deixou muito a desejar. Achei as atuações realmente boas, mas tirando a Yang Sun não consegui me ligar realmente aos personagens e mesmo achando a história até legal tanto essa falta de vínculo quanto a enrolação no enredo não me permitiram apreciar o dorama completamente. O príncipe herdeiro que deseja se impor ao vampiro, mas acaba se deixando influenciar por qualquer um, o vampiro que não tem exatamente uma razão para manipular os reis uma vez que não quer governar, mas ao mesmo tempo continua enchendo o saco. O pai da Yang Sun foi outro que me tirou do sério, na boa, teve uns dois episódios que eu torci pra ele morrer mesmo, assim como o pai da Hye Ryung.

Só se safou a Yang Sun mesmo que eu achei, além de super divertida, bem diferente da maioria das personagens femininas em dramas históricos. Mas se teve algo que eu realmente amei foi a importância dada à literatura, é tão bacana ver nesses dramas históricos como eles tinham uma sociedade voltada ao conhecimento, na maioria deles só vê isso em familias abastadas, mas nesse a Yang Sun ensina crianças plebeias a ler, a maior parte da população das cortesãs aos vendedores consomem livros e debatem sobre eles, isso é muito bacana de ver. Ah, e uma das partes que mais gostei foi ver as "editoras" coreanas de antigamente, o processo de reprodução de livros antigos totalmente manual, muito muito legal.  E, novamente, a adaptação que eles fazem dos vampiros, eu gosto muito dessa concepção deles da criatura, ficou muito bacana a mitologia usada no dorama mesmo em suas particularidades mais "universais" por assim dizer.

Então, é um drama que eu indico para quem gosta de ver ficção histórica com fantasia, mas só quer passar o tempo mesmo, sem algo realmente emocionante porque o enredo realmente demora a andar. Contudo, se você é daqueles que gosta de algo mais ligeiro como Rooftop Prince, por exemplo, ou mais "agitado" digamos como Arang and the Magistrate (que eu também não indico) esse drama pode te irritar um pouco. Ah, antes que esqueça, tem muitos beijinhos, então se você é daqueles que gosta de beijo em dorama, pense em investir tempo nesse. O final é um pouco decepcionante sim e deixou algumas coisas em aberto, deu aquela sensação que eles tentaram responder tudo em uma hora de episódio e meio que faltaram alguns elementos, nem mesmo o fato de ser um final bom (algo meio raro nos dramas de época da Ásia em peso, ao que parece) ajuda com a sensação de leve decepção que toma a gente com o desfecho. 

É isso. Não terminei de ler o mangá então vou emendar a leitura com a do livro da vez que vai ser o segundo de Harry Potter, esperem as resenhas, ando meio ocupada, por isso as coisas estão demorando mais. Vejo vocês no próximo post!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

[Escrita] Os 5 Fundamentos da Escrita Criativa

Estava assistindo uma palestra do autor e professor criativa Tiago Novaes em que ele falava, entre outras coisas, sobre o que é, de fato, ser escritor, e ele passou esses cindo passos preciosos do processo de escrita criativa que é o que vim trazer para vocês hoje.

Mas antes gostaria de abrir um pequeno parêntese aqui, eu fui "convidada" por uma menina que conheci no meu blog a "analisar" alguns de seus textos, gente, eu não sou nenhuma professora de escrita criativa ou especialista em texto, nada disso. Eu sou uma aprendiz, eu não sei nem metade do que é necessário para escrever uma boa história, tudo que eu escrevo nessa coluna tanto no meu blog quanto no Leitor Beta são meus estudos sobre o assunto, minha experiência pessoal com o processo o que eu acredito que é relevante para quem está começando agora no processo de criar uma história.

Vejam, quando eu comecei a escrever histórias, em 1997 (sim, pra vocês verem como faz tempo), não havia nada do que há hoje, eu não tinha acesso à internet, não tinha professores de escrita, não tinha ninguém que me guiasse no processo. Meus professores de português só ensinavam gramática, eles olhavam meus contos não pelo que eles eram, mas como eles eram escritos ortograficamente. Hoje em dia, apesar de o Brasil ainda ser muito fraco nessa questão, vocês tem a faca e o queijo na mão, galera! Há muito material ótimo de escrita criativa na internet, tudo que vocês precisam fazer é se dedicar a estudar. Eu digo isso porque eu passei por todo o "perrengue" de aprender as coisas na marra, de sofrer com as críticas cruéis de gente que só me colocava para baixo sem dizer onde eu precisava melhorar, o que eu precisava fazer, em que ponto eu tinha que estudar mais. Então, se você quer mesmo ser um bom contador de histórias, um romancista, um contista, um autor no sentido mais simbólico e literal da palavra, não coloque desculpas sobre não saber o que fazer ou por onde começar, está bem? Isso é hipocrisia.

Eu já disse aqui e repito: escrever não é um processo fácil. Criar uma boa história, personagens convincentes, um enredo bem estruturado, algo que realmente consiga prender um leitor é cada dia mais complicado, leva tempo e você precisa aprender a ser paciente para enfrentar a jornada, mas, sobretudo, corajoso o suficiente para enfrentar a batalha. Se você pode investir dinheiro nisso, investe, se não pode (como eu) então procura o que está disponível e tenta fazer o que melhor que tu podes com isso. Mas pare de continuar cometendo os mesmos erros por dizer que não tem quem te oriente a fazer o certo.

Dito isso, vamos aos cinco preciosos fundamentos da escrita criativa. Sério, anotem esses passos, eles são sua estrada de ouro para conseguir vencer a jornada do escritor.

1. Revisão

O primeiro é o princípio da revisão. Digamos que esse seja 70% do que um escritor faz. Sempre que você começa a revisar, o texto fica melhor. Por isso a primeira versão de um texto NUNCA é a definitiva. Não existe um escritor que não revisa, não existe como pular essa etapa de lapidação do texto, é preciso ser paciente e revisar quantas vezes forem necessárias e quando digo revisar não estou falando apenas de sair olhando os erros ortográficos do texto, revisar é muito mais que isso, é sair procurando o que está incoerente, o que pode ser mudado, o que precisa sair, o que se deve acrescer, etc. É um processo que melhora com a prática. E, repito, é fundamental.

2. Gêneros Literários

O segundo é o fundamento do conhecimento dos gêneros literários e não confundam com os gêneros textuais! Antes que um autor tenha a pretensão de criar hibridismos ou se aventurar por correlações, é preciso que se tenha uma noção do que significam cada um dos gêneros literários, as diferenças entre eles, suas características, a mecânica de linguagem que eles usam, etc. Entender os gêneros é uma forma de situar a si mesmo e a sua escrita no nosso tempo.

3. Fluência e Rigor

Quando deixamos o nosso texto "maturando" por assim dizer, durante a revisão nós o submetemos a todos os nossos lados (e sim, nós temos mais de um), o observamos sob todas as nossas óticas subjetivas, por isso, ao revisar, evite esses dois pensamentos:

  • "Isso está um lixo" "Não presta para nada" esse pensamento não vai te levar a nada, não te serve, principalmente se for fruto da sua autocrítica sem fundamento. 
  • "Está perfeito" "Maravilhoso" "Pronto" "Intocável", do mesmo jeito que o desânimo em excesso não é saída, o ego inflado menos ainda vai ajudar você a continuar. Acredite, eu conheço muita gente escrevendo como um estudante de segunda série que acha que é o próprio Stephen King. Não importa quão bom você ache que está seu texto, sempre há o que melhorar.
O processo de escrita está além desses dois pensamentos, não pode ser "8 ou 80" ache o equilíbrio entre a euforia e a autocrítica, entre a fluência e o rigor.

4. Estrutura Frasal

Esse fundamento meio que me derrubou da cadeira (risos), gente todo autor iniciante passa por isso. É preciso entender sim a estrutura de uma oração (lembra aquelas aulas de sintaxe que você cansou de prestar atenção? Pois bem, volte a revisar), sujeito, predicado, verbo, advérbio, adjetivo... Por quê? Porque isso vai ajudar a identificar como construímos orações e como podemos torná-las fluidas. 

Quer um exemplo bem claro? Abra o seu texto no programa que você usa para escrever e procure todos os adverbios terminados em "mente" no seu texto, exatamente, completamente, totalmente, extremamente... eu fiz isso com um texto antigo meu e me surpreendi, mesmo no meu livro atual apesar de a incidência não ter sido muito assustadora, foi um pouco preocupante. Isso é muito a cara de autores iniciantes, pessoas. Pode prestar atenção nos livros que você lê, há muito poucas ocorrências desse tipo de advérbio, quase nenhuma, porque a marca de um bom texto é você saber suprimir esses advérbios que cria um certo cacoete no seu texto. 

Outro exemplo é o uso dos adjetivos que também devem ser usados com equilíbrio, apesar de esta questão estar ligada com o estilo de escrita de cada autor é bom estar atento. E como a gente vê tudo isso? Adivinhem?! Sim, na revisão.

5. Contenção do Narrador

É importante que você esteja um pouco invisível no seu próprio texto, você já é o dono dele, o senhor, o autor. Por isso, deixe um espacinho para o leitor, ofereça lacunas, perguntas (não literalmente, claro) para que ele faça parte do processo, que ele interprete e co-crie a história junto com você. Um bom escritor é aquele que deixa espaço de criação para o leitor, por isso contenha o narrador dentro de você!

E é isso! Espero que tenham gostado e que esses fundamentos guiem seu caminho como autores a partir de agora. São dicas valiosíssimas que eu gostaria muito de ter tido quando comecei a criar minhas próprias histórias.
Grande abraço a todos vocês e até a próxima!