segunda-feira, 29 de junho de 2020

[Dorama] Pornographer

Original: ポルノグラファー rr Porunogurafa
Direção e roteiro adaptado: Koichiro Miki
Ano: 2018
Episódios: 06
História original: Maki Marukido (manga)
País: Japão
Gênero: BL, Erótico, Romance
Elenco: Terunosuke Takezai - Rio Kijima
Kenta Izuka - Haruhiko Kuzumi
Munehiro Yoshida - Shiro Kido
Yusuke Ueda - Yusuke Yokota

Sinopse: Haruhiko Kuzumi (Kenta Izuka) é um estudante universitário. Um dia, ele causa um acidente de bicicleta. O acidente faz com que o romancista Rio Kijima (Terunosuke Takezai) quebre o braço dele. Haruhiko Kuzumi não tem seguro ou dinheiro para pagar o Rio Kijima por sua lesão.
Rio Kijima pede a Haruhiko Kuzumi para transcrever uma história que ele está escrevendo, que fica surpreso ao saber que a história é obscena.

Onde encontrar: Lianhua Fansubs, P'tieris Fansub

Eu vi esse drama só pela propaganda que o Lianhua estava fazendo hahaha. Como eu ainda não tinha visto nenhum BL japonês, acabei dando uma chance pra esse porque a premissa era interessante. A história conta sobre Kuzumi que um dia sem querer atropela um homem com sua bicicleta, esse homem acaba quebrando o braço e, por não ter dinheiro para pagar as despesas médicas, ele acaba aceitando trabalhar para ele por um tempo até que o braço dele se recupere.

Esse homem é Rio Kijima, um famoso escritor de livros pornográficos. De início, Kuzumi fica meio perdido e um tanto tímido, mas logo descobre uma espécie de magia envolvendo o processo de escrita e o poder das palavras em despertar imaginação e sinestesia. O que ele não podia imaginar era que o professor escondia dele um segredo que pode complicar o trabalho que ele fez nas últimas semanas e os sentimentos fortes que passaram a residir em seu coração.

É um drama super curtinho, cada episódio tem em torno de vinte minutos (acaba antes que você se anime kkkk), mas não é uma história rasa, sabe? As personagens são bem construídas e o drama é bem poético por assim dizer, tem uma história bonita por trás, além de ele tratar do erotismo de forma ora bem humorada, ora "elegante". 

A aproximação das personagens é gradual e a gente tem um pouco do panorama de um autor japonês. Achei bem legal e muito interessante a forma sensual e gradativa com que o Kijima e o Kuzumi vão se apaixonando, uma pena que o final seja aberto e deixe ali algumas dúvidas sobre o futuro da relação deles. Mas super recomendo.


[Drama] Sketch

Título Original: 스케치 rr seukaechi
Ano: 2018
País: Coréia do Sul
Direção:  Lim Tae-woo
Roteiro: Kang Hyun-sung
Gênero: Ação, Fantasia, Crime
Episódios: 16
Elenco: 
Jung Ji-hoon (Rain)
Lee Sun-bin
Lee Dong-gun
Jung Jin-young
Kang Shin-il

Sinopse: Sketch é um drama sobre pessoas que estão lutando para mudar seus destinos. Após ter sua noiva assassinada, o detetive Kang Dong Soo (interpretado por Rain), une forças com a detetive Yoo Shi Hyun (interpretada por Lee Sun Bin) que possui a habilidade de prever acontecimentos de três dias no futuro através de desenhos.

A premissa desse drama é muito boa, conta sobre uma detetive, Yoo Shi Hyun, que tem visões de crimes futuros e os retrata através de desenhos à caneta, em uma de suas "missões" para tentar impedir um crime ela acaba encontrando um detetive linha dura, Kang Dong Soo, que está atrás de um traficante e assassino. O encontro deles leva o detetive a pôr as mãos no caderno de skethes da detetive e ele faz conexões do desenho com vários crimes ocorridos nos últimos anos.

Quando vai atrás da garota tirar a história a limpo, ele descobre que existe uma organização especial com um policial de alta patente no comando apenas sobre investigações a partir dos desenhos da detetive. Essa pequena equipe também conta com a tenente Oh uma hacker sofisticada que faz a maior parte das pesquisas sobre os suspeitos e as pistas nos desenhos.

De início, claro, Dong Soo não acredita em nada daquilo, mas fica apreensivo quando sua noiva aparece morta em um dos desenhos. Um estuprador é solto da cadeia logo em seguida e o detetive fica a postos para proteger a noiva, que é promotora. Essa promotora, Min Ji, estava investigando um caso de corrupção no exército, ela marca então de se encontrar com um soldado recém saído de uma força tarefa especial e é a única testemunha que ela tem do caso que investiga.

A esposa desse soldado acaba sendo assassinada pelo cúmplice do estuprador por causa de Dong Soo, no fim a promotora também acaba sendo assassinada junto do serial killer pelo soldado. Começa então uma caçada de gato e rato por uma vingança cega pelas mulheres amadas enquanto eles tentam parar a visão de Shi Hyun e de outro vidente com um senso deturpado de justiça. Além disso, uma organização criminosa muito maior que tudo isso se esconde atrás da figura de um "ancião" e pode destruir para sempre todo o pais.

Como eu disse, a premissa do drama era muito interessante, inclusive, foi por isso que eu quis assistir, mas confesso que as coisas não saíram bem como eu imaginava. Primeiro começando pela descoberta super rápida do assassino da promotora, aí toda vez que o Dong Soo encontrava do Do Jin ficavam lutado como galos de briga e mesmo que no começo ficasse interessante depois se tornou tedioso. A Shi Hyun tinha hora que parecia uma criança cometendo atitudes idiotas e, por causa dela, outras pessoas ficavam em risco.

Mas quem me dava raiva mesmo era o Dong Soo, ele agia de maneira imprudente e colocava tudo a perder, uma atitude péssima para quem é policial. Tanto minha irmã quanto eu tínhamos maior raiva dessas idiotices que ele fazia. A desconstrução do "ancião" também foi super sem graça ao nosso ver. Sei lá, todo aquele plot do irmão da Shi Hyun e daquela organização corrupta não desceu bem. Além disso o final foi bem sem graça.

O drama começou bem, mas começou a enveredar por um caminho que acabou retrocedendo ao invés de progredir, ali pelo episódio sete a gente já estava ficando sem paciência. Não foi de longe o que a gente esperava dele e, se em alguns aspectos isso foi uma coisa boa, em outros não foi. Mas por um lado foi legal fugir um pouco da mesmice e ver algo diferente, eu estava mesmo querendo fugir um pouco da vibe romântica.

[Relendo&Resenhando] Finale

Autora: Becca Fitzpatrick
Gêneros: Literatura fantástica, Ficção paranormal
Série: Hush Hush #4

Sinopse: Nora e Patch pensavam que seus problemas tinham ficado para trás. Hank estava morto, e seu desejo de vingança não precisava ser levado adiante. Na ausência do Mão Negra, porém, Nora foi forçada a se tornar líder do exército nefilim, e era seu dever terminar o que o pai começara — o que, essencialmente, significava destruir a raça dos anjos caídos. Destruir Patch. Nora nunca deixaria isso acontecer, então ela e Patch bolam um plano: os dois farão com que todo mundo acredite que não estão mais juntos, manipulando, dessa forma, seus respectivos grupos. Nora pretende convencer os nefilins de que a luta contra os anjos caídos é um erro, e Patch tentará descobrir tudo o que puder sobre o lado oposto. O objetivo deles é encerrar a guerra antes mesmo que ela venha a eclodir. Mas até mesmo os melhores planos podem dar errado. Quando as linhas do combate são finalmente traçadas, Nora e Patch precisam encarar suas diferenças ancestrais e decidir entre ignorá-las ou deixá-las destruir o amor pelo qual sempre lutaram.

Não tenho ideia de como minha mente funcionava com 23 anos, mas eu era muito tolinha para conseguir dar cinco estrelas nesse livro. Meu Deus, como Nora é irritante! Eu passei o livro todo desejando ou que ela morresse ou que levasse a surra que merecia, na moral. Personagem insuportável, credo!

Dessa vez, graças a promessa que ela fez a Hank Millar, Nora precisa ser a líder do exército nefilim se quiser que sua mãe sobreviva. Sua relação com Patch está ameaçada uma vez que os nefilins não confiam nela e, caso ela não seja aceita como líder, morrerá pelas ordens do pacto que fez com o pai. Então, com uma jogada de marketing ela aceita um namoro falso com Dante, um dos nefilins de alto escalão enquanto continua com Patch as escondidas.

A guerra se aproxima e ainda tem o problema da promessa feita aos arcanjos, tudo piora quando Nora descobre que as artes do mal não foram destruídas com Hank e ainda são produzidas por Blakely e usadas por Dante para se fortalecer. Enquanto treina para a guerra com o namorado falso, ela busca com Patch uma solução para não precisar lutar numa guerra onde com certeza os nefilins vão morrer. Não ajuda nada quando Marcie decide ir morar com ela e a mãe de Nora (que é tão chata quanto ela) acaba aceitando a inimiga da filha sob o mesmo teto.

Dante usa Dábria para despertar o ciúme de Nora para causar problemas com Patch e convencer a garota estúpida a ir à guerra. Um arcanjo chamado Pepper está atrás de Patch e Blakely infecta Nora com uma grande quantidade de artes do mal deixando-a viciada.

Com o tempo cada vez mais curto e os problemas crescendo de modo considerável, ela acaba descobrindo que confiança é algo frágil e pode perder tudo que ama por não saber agir com maturidade.

A experiência de reler essa série não foi nada boa. Achei Nora um saco sem fundo, infantil, estúpida e tinha hora que dava umas vergonhas alheias que meu Deus! Patch é aquele personagem fofo, mas que tem horas que toma umas atitudes que deixa a gente meio atenta. Uma coisa interessante nesse livro é que os anjos tem poderes bem específicos e limitados, essa criação da mitologia angélica foi um dos poucos acertos do livro.

Essa história de Vee ser uma nefilim foi outra coisa que pra mim não encaixou direito, mas eu relevei porque mesmo que ela fosse meio legalzinha, tinha hora que tomava umas atitudes bem idiotas que me deixavam irritada. Na verdade, quase todos os personagens desse livro me tiravam a paciência. Foi sofrível terminar e é uma experiência que eu não pretendo repetir.

terça-feira, 23 de junho de 2020

[Drama] YYY The Series

Original: YYY มันส์เว่อร์นะ
Direção: Cheewin Thanamin Wongskulphat
Ano: 2020
Gênero: Comédia, romance, fantasia, sitcom, BL
Episódios: 6
País: Tailândia
Elenco: Yoon Phusanu Wongsavanischakorn, Lay Talay Sanguandikun, Poppy Ratchapong Anomakiti, Scott Sattapong Hongkittikul, Peerawich Ploynumpol, Apple Lapisara Intarasut

Sinopse: Um inquilino convence a dona do apartamento, que é uma fujoshi, a não despejá-lo criando um namoro falso com outro rapaz. Com o tempo, sentimentos verdadeiros começam a surgir entre os dois garotos e esse namoro falso passa a não ser tão falso assim.

Quando desisti de Ice Fantasy quis procurar alguma coisa levinha para tirar o estresse e escolhi YYY porque, enquanto estava sendo lançado, era só comentário positivo nas páginas de BL que acompanho e por ter o Lay Talay que era a razão pela qual eu ia assistir My Engineer, mas desisti quando vi que o shipp com ele não fechou e ficou pra segunda temporada.

A premissa do drama é bem simples, Nott é um guri que conserta praticamente qualquer coisa e, após um acidente com seu amigo Om, ele acaba causando um curto circuito em todo o prédio onde eles moram. A dona do lugar, Porpla, estava assistindo Why R U? bem na hora do curto e fica furiosíssima, quando ela descobre que foi Nott que causou o estrago (embora tenha sido Om e não ele), ela está para despejá-lo e é bem nesse momento que surge Pun, um belíssimo jovem que está a procura de um quarto. Sabendo que Porpla é uma fujoshi incurável, Nott mente dizendo que é namorado de Pun e este, mesmo sem entender, acaba concordando com a mentira.

Os dois então passam a morar juntos e Pun vai conhecendo as pessoas loucas que vivem no prédio de Porpla (gente tão maluca quanto a própria kkkk), enquanto isso a relação dele com Nott vai evoluindo de uma forte amizade para sentimentos cada vez mais aprofundados pela convivência.

É um drama super curtinho e tem aquele tipo de humor apelativo e meio pastelão, sabe, mas rende umas boas risadas. As atuações são condizentes com o gênero, e até o episódio quatro as coisas são mesmo bem levinhas e nesse clima de diversão, mas a partir do episódio cinco as coisas parecem fugir um pouco do controle e o roteiro meio que não sabe para onde tá indo (se é que ele tava indo para algum lugar nos quatro primeiros episódios kkkk).

O drama todo é meio louco, mas até então a loucura tinha um certo sentido, uma direção (não muito clara, mas tinha), só que nos dois últimos episódios fugiu muito da proposta e soou muito forçado apenas para ganhar uma sequência, sabe? Quebrou o clima formado para entregar um final sem qualquer sentido e um pouco tosco e isso desagradou tanto a minha irmã quanto a mim. 

[Livro] O Bom Filho

Original: 종의기원 rr: jong-uigiwon lit. origem
Autora: You-Jeong Jeong
Ano: 2016
Gênero: Thriller, Suspense, Mistério
Páginas: 288

Sinopse: Jovem nadador com um futuro brilhante, Yu-jin vê sua carreira interrompida pela epilepsia. Numa manhã qualquer desperta sentindo cheiro de sangue. Tudo indica que tenha sofrido um ataque epiléptico, mas, ao percorrer o apartamento, encontra o corpo da mãe. Aos poucos, sua memória vai voltando, e ele lembra de tê-la ouvido chamar seu nome, embora não saiba se ela pedia ajuda ou se tentava salvar a própria vida. Começa assim a busca desesperada para esclarecer o que ocorreu, mas o passado esconde armadilhas mais tenebrosas do que ele pode prever.

A história é narrada por Yu Jin, um nadador promissor cuja carreira foi interrompida pela epilepsia, não sendo o bastante (porque quando a vida escolhe bater, ela garante que você não levante por um bom tempo) seu pai e seu irmão mais velho morreram de uma forma que, a princípio, não sabemos. Yu Jin era muito apegado ao irmão, Yu Min, e agora, aos 25 anos, ele luta contra sua condição para se livrar dos grilhões superprotetores de sua mãe.

Há vezes em que ele para a medicação  para "sentir a mente agir em seu instinto primitivo", logo, fica claro que não é apenas epilepsia o problema que o jovem precisa lidar. Ele é atendido pela tia que é psiquiatra e, pela sua narração, é bem na cara que ele tem algum desvio de personalidade.

O livro começa com ele acordando coberto de sangue e sem lembrar nada do que aconteceu nas últimas horas. Há manchas de sangue pelo corredor, suas roupas, o colchão e meias estão duros de sangue seco. Investigando a casa, Yu Jin descobre que sua mãe foi brutalmente assassinada. Ela está no chão da cozinha com a garganta horrendamente aberta.

De início, o choque o deixa irracional, em especial porque ele não lembra de nada que aconteceu, então passa a criar teorias a espeito, até encontrar a arma do crime em seu próprio quarto: uma navalha que pertencera ao seu pai. As memórias do ocorrido retornam à sua mente e Yu Jin descobre da pior forma o que aconteceu.

Desesperado, ele debate por longo tempo sobre o que deve fazer, mesmo que se lembre do que houve, não sabe o que levou sua mãe a agir daquela forma então, decidido a encontrar as respostas, ele esconde o cadáver dela antes de seu irmão adotivo chegar em casa e corre atrás das respostas.

Yu Jin consegue despistar o irmão adotivo e a tia a respeito do paradeiro da mãe, dizendo que ela saíra em um retiro espiritual (a mãe dele era católica) então começa a emergir numa espécie de paranoia entorpecida enquanto se desfaz dos últimos vestígios do ocorrido. No quarto da mãe, ele encontra uma espécie de diário no qual ela estava registrando o seu comportamento desde que ele começara a tomar a medicação para epilepsia (e nesse ponto a gente começa a duvidar se ele tem essa doença mesmo). Conforme revisita alguns acontecimentos no diário da mãe, começa a levantar teorias e descortinar sua memória para os eventos que culminaram naquele macabro desfecho.

Entre a cruz e a espada, o jovem não sabe que decisão tomar para lidar com as descobertas que faz, se foge ou se entrega. Ele admite para si mesmo que uma parte de si sempre soube que era "diferente" e apenas flertava com o perigo porque era a única coisa que lhe proporcionava algum sentimento, já que a maior parte do tempo Yu Jin não sente nada. É totalmente apático.

Mesmo sendo um relato em primeira pessoa (e por isso não totalmente confiável) a autora tenta nos manter numa linha que demonstra a veracidade no relato do menino (e talvez não sobre tudo), iniciamos o relato tão no escuro quanto ele e é junto com ele que vamos desvendando os horrores do passado e a construção e desconstrução do seu mundo, vivenciando as experiências sob a ótica de sua mente perturbada. Nesse ponto, a narrativa enfatiza a questão da natureza psicopata, eles nascem assim e não tem reversão. Yu Jin nasceu em uma boa família, tinha uma vida estável, nada justificava seu comportamento e isso vinha desde sempre, arraigado em sua natureza, como no caso da morte do avô de seu irmão adotivo no qual ele revela não ter sentido nada, ou mesmo numa ida ao cinema em uma cena de massacre sangrento ele gargalhar por achar aquilo divertido e, pior, achar esse sentimento normal.

A maneira magistral como o livro foi montada o transforma em um thriller frenético e aterrorizante no qual imergimos no lado mais sombrio e perverso da mente humana, subjugada pelos instintos mais primitivos de um predador e, ao longo desse processo, refletimos sobre diversas coisas tanto a respeito do comportamento humano em si, mas sob a legislação que vigora no mundo em que essa condição não é tratada como um distúrbio mental e vemos tantos psicopatas livres de seus crimes em poucos anos ou nunca sendo pegos. O final do livro é meio revoltante, mas ainda assim a gente compreende que foi um fim bem realista, infelizmente, na maioria dos casos é exatamente aquilo que acontece.

Esse meu primeiro contato com a literatura coreana foi intenso, interessante e marcante. Num modo geral eu gostei bastante do livro, ele mantem a gente preso do início ao fim e seu personagem principal é monstruoso, mas ao mesmo tempo é fascinante mergulhar na mente de uma pessoa dessa. Descobrir todas as nuances e total ausência de moralidade. Se isso virasse um filme eu jamais assistiria, a experiência de ler já foi bem grotesca, mas super recomendo para os amantes de thrillers bem construídos e de tirar o fôlego. É interessante como, durante o processo, mesmo sabendo que ele está super errado, a gente consegue sentir a tensão que nos impulsiona a fugir, nosso instinto de sobrevivência pulsa conforme ele tece uma teia de possibilidades que podem levá-lo à cadeia na constante luta para não ser pego. Achei isso bem interessante (e bizarro), mas acho que as boas leituras são assim.





[Drama] Ice Fantasy (Spoilers do livro e da série!)

Original: 幻城 pinyin: Huànchéng
Ano: 2016
Direção: Ju Jue Liang, Zou Ji Cheng
Roteiro: Shen Zhi Ning
Gênero: Fantasia, Ação, Romance, Drama
País: China
Episódios: 62
Elenco: Feng Shaofeng
Victoria Song
Ma Tianyu
Zhang Meng

Sinopse: Quando o segundo príncipe da tribo do fogo, Xin Jue (Jiang Chao), foi misteriosamente morto durante sua visita à Tribo do Gelo para a cerimônia de maioridade de Ka Suo, o Rei do Fogo Huo Yi (Hu Bing) usa isso como desculpa para iniciar uma segunda guerra entre a Tribo do Fogo e a Tribo do Gelo. Com seus pais capturados e irmãos mais velhos mortos, os dois Príncipes do Gelo Ka Suo (Feng Shaofeng) e Ying Kong Shi (Ma Tianyu) fogem para o mundo dos mortais e buscam ajuda do guardião Li Luo (Victoria Song) para ajudar a obter cristais de gelo. de seis tribos para restaurar a Muralha de Gelo, para que a Tribo do Gelo possa ser salva.

Depois que a Tribo do Fogo foi derrotada com a Deicide Sword, Ka Suo relutantemente luta com seu irmão pelo trono, mas ele não quer nada mais do que a liberdade de estar com seu amante Li Luo. Ying Kong Shi faz de tudo para tirar o trono de Ka Suo, para garantir que Ka Suo tenha sua liberdade, enquanto Yan Da (Zhang Meng), a Princesa do Fogo, está disposta a desistir de tudo por Shi. Então, os entes queridos de Ka Suo morrem um por um sob as conspirações de Yuan Ji (Yan Yikuan) e Lian Ji (Kim Hee-sol), e ele está determinado a encontrar o lendário "lótus velado". Uma guerra entre o Ice e Fire Tribe começa novamente, com Li Tian Jin se juntando à Tribo do Fogo para se vingar de Ka Suo.

Onde encontrar: Kingdom Fansubs (completo) temporada 1 e Yumeko Fansubs (completo) temporadas 1 e 2

Eu disse que já tinha começado a ver esse drama antes, de fato eu assisti aos quatro primeiros capítulos, foi na época que a Jan começou a traduzir o livro e parei de assistir com o intuito de ler, mas minha irmã reclamou tanto do final que acabei deixando de lado. Contudo, esse ano acabei retomando a leitura enquanto revisava o livro para a Jan, o final, como vocês viram na resenha, é frustrante, então já que ao que parece eu tenho tendências masoquistas, decidi ver o drama também para sofrer tudo de uma vez e ter raiva com o final porque eu sei que é isso que vai acontecer.

Logo que o drama começou (e reviveu o que vi na minha memória porque eu comecei a ver em 2016 quando ele estava sendo lançado) eu fiquei tipo "de onde diabos está saindo tudo isso?!" Quem leu o livro sabe que não tem nada dessa coisa de cristal de gelo, Deicida ou, sim, Yan Da. A princesa do fogo não existe no livro. Toda aquela coisa de Li Luo como Guardiã do Equilíbrio foi tipo "hã?" e minha irmã já me adiantou do monte de clãs que existem no drama e não existem no livro. Toda essa parafernália de ursos, curandeiros e tals, no livro é resumido a astrólogos, música xamânica, gelo e fogo (se bem me lembro acho que era só esses mesmo) e mesmo alguns deles fazem parte da tribo do gelo.

Talvez eles quiseram dar mais profundidade às personagens e construir todo um universo em cima do criado no livro, indo um pouco além. Bem, foram além demais. Em alguns pontos, inclusive, os roteiristas do drama foram até cruéis e nesse ponto em específico saliento Ying Kong Shi e Yan Da, no livro além dela não existir, eles a criaram aqui com o claro intuito de fazer um amor unilateral com o príncipe apenas para ter mais um final trágico pra listinha já interminável da história, achei desnecessário. Além disso, a personalidade de Shi foi completamente mudada, não apenas no que diz respeito ao seu caráter, mas o fundo que deram às suas atitudes. Ao contrário do livro, onde o personagem morre logo nos primeiros capítulos e revela uma personagem bem mais fria que no drama, aqui eles resolveram apelar para o lado emocional tanto com relação ao amor devoto que ele tem por Ka Suo como na insinuação de sua atração por Lan Sang e a relação dele com Lian Ji que, no livro, é inexistente.

Inclusive, se você leu a resenha do livro sabe que Lian Ji é a grande vilã na história, mas aqui não é exatamente. Ela tem um amor devoto pelo filho enquanto no livro Shi foi apenas criado por ela a partir de flor de cerejeira, magia e outra coisa que esqueci. Ele era uma peça no grande tabuleiro de xadrez do mundo que ela criou para sair do tédio. Outra coisa foi fazer Ka Suo casar com Li Luo apenas para ela morrer nesse mesmo dia. Desnecessário. No livro ela também é assassinada pelo pai de Ka Suo logo nos primeiros capítulos e não dá nem tempo se apegar à personagem.

Todo o universo no drama ficou bacana como um material à parte. Mas, se comparado ao livro, foi uma encheção de linguiça sem tamanho, especialmente por eles terem arrumado mil rotas alternativas, criado mil mundos distintos apenas para copiar o final podre da história. Cara, se era pra mudar, mudasse logo tudo e fizesse um final mais decente. Mas não, eles conseguiram, inclusive, piorar de forma considerável as coisas no drama, especialmente toda aquela coisa da roda do destino em que um morre enquanto o outro vive, isso foi muito nada a ver. O Drama, para mim, soou como um grande manual de como colocar linguiça em um livro de 180 páginas.

Acabou que perdi a paciência (que até então já não era muita) ali pelo capítulo 40 e acabei desistindo do drama. Depois que se lê o livro fica meio que automático comparar os dois e o ranço pelo que fizeram com as personagens se torna mais forte, em especial porque o resultado culmina no mesmo (embora o drama seja bem pior de alguma forma). Ali pelo capítulo 41 ele começa a seguir a linha do livro, da metade para o final, mas claro que tem muita linguiça que no livro não tinha, analisando como um material separado, o drama é razoável para quem curte história trágica (e vocês sabem que eu não sou dessas), mas sei lá, acho que se era para criar todo um universo em cima de outro, que fizessem o trabalho completo e alterassem o final também. Se esse drama fosse seguir o livro ia terminar ali em no máximo 20 episódios (com umas licenças poéticas).

Para piorar, tem uma segunda temporada completamente desnecessária apenas para copiar o final da primeira! Mesma coisa que foi com Scarlet Heart que viajaram na maionese com aquela segunda temporada não sei pra quê. Pelo menos a segunda temporada tem umas tiradas cômicas (para não dizer satíricas) que aliviam um pouco o peso, mas ainda assim não salvam a produção. No meu ponto de vista foi feita mesmo pra ganhar mais dinheiro em cima da primeira que, como bons chineses fãs de ver personagens se ferrando e tendo fins péssimos, foi um total sucesso.

Eu poderia ficar aqui por uma boa hora só discorrendo as discrepâncias entre ambas as mídias (livro e drama) só com os 40 episódios que vi, mas vou me abster de passar essa raiva ainda mais do que já passei. Então fico por aqui e deixo vocês verem por sua conta em risco.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

[Livro] O Inferno de Gabriel

Original: Gabriel's Inferno
Autor: Sylvain Reynard
Gêneros: Romance, Literatura erótica, Ficção, Romance de amor
Ano: 2011

Sinopse: O enigmático e sedutor professor Gabriel Emerson é um reputado especialista na obra de Dante. Mas à noite dedica-se a uma vida de prazer sem limites, não hesitando em usar a sua beleza de cortar a respiração para manipular as mulheres a satisfazerem cada capricho seu. Talvez por isso se sinta torturado pelo passado e consumido pela crença de que está para lá de qualquer salvação. Quando a jovem Julia Mitchell se inscreve como sua aluna de pós-graduação, Gabriel não consegue ficar indiferente. Ela é linda, deliciosamente inocente, um diamante em bruto para ele polir. Sempre que Julia se apercebe do olhar de predador dele, espera sentir receio, mas o que verdadeiramente sente é uma estranha luxúria que a assusta. Desejando desesperadamente possuí-la, Gabriel põe em perigo não só a sua carreira, como ameaça desenterrar segredos de um passado que preferia manter oculto.

Todo meu respeito a quem gosta desse livro, mas eu achei ele um saco.

A história segue Julia Mitchel, uma garota de 23 anos que está fazendo pós-graduação especializada em Dante no Canadá. Ela é aluna do especialista em Dante Gabriel Emerson, um homem arrogante, exigente e escroto pra c*****. Eles tem uma história do passado da qual Gabriel esqueceu junto do bom senso pelo visto. Depois de ser humilhada em plena sala de aula e em particular, ela descobre sobre a morte de Grace, mãe adotiva dele e a mulher que a criou como filha quando ela foi morar com o pai na Filadelfia.

Julia tem um histórico de relação abusiva que anulou sua autoestima (tal como sua capacidade de raciocínio, energia e qualquer resquício de atitude), ela pensa que está prestes a ser expulsa do curso e, com isso, não conseguirá o doutorado, mas é surpreendida por Gabriel que diz não poder se tornar seu orientador, mas indicando-a para uma renomada perita em Dante de Oxford e o livro vai basicamente inteiro nessa interação professor-aluna que não podem ficar juntos, segredos do passado que eles escondem um do outro e na impossibilidade de ele levar ela para cama.

Sério, achei um tédio. Quando cheguei no capítulo sete já queria abandonar o livro, mas decidi dar uma chance porque já abandonei três livros esse ano, só que foi sofrível ler, sério mesmo. Julia é chata, infantil, sonsa e tinha hora que era ativa como um pudim quente! Dava raiva! Eu ficava pensando minha filha, abra a p**** dessa boca! Gabriel era um babaca de primeira qualidade, escroto ao ponto que sua "redençãozinha" de meia tigela não me comoveu nadinha.

Ouvi em algum lugar que esse livro era, originalmente, uma fanfic de Crepúsculo. Por aí eu já devia ter tirado que ia ser daquele jeito, visto que 50 tons de cinza é o que é. Não entendo porque quando vão criar fanfic da saga tiram o pior lado das personagens, transformam Bella numa sonsa patética e submissa com uma pseudo-atitude pra enganar os trouxas e Edward num babaca escroto, controlador e abusivo. Na boa, não tem necessidade.

Pelo menos, ao contrário de 50 tons de cinza, O Inferno de Gabriel é bem escrito. Tem uma reimaginação de parábolas bíblicas como O Filho Pródigo, mexe com um subtexto do Inferno de Dante, faz alusões à mitologia grega e aqui e ali dá uma acertada na trilha sonora contando com Sogno de Andrea Abocelli, Madame Butterfly de Puccini e Réquiem de Mozart. 

As personagens não são mal construídas, mas eu não consegui simpatizar com nenhuma delas. O jeito que Gabriel descrevia Julia me irritava a maior parte do tempo, a história passada deles até justifica algumas atitudes, mas a escrotice de Gabriel em boa parte do livro foi desnecessária e totalmente injustificada tal como muitas das atitudes que ele teve com ela ao longo da história e o que me irritava mais era que a imbecil engolia tudo e a autora tentava fazer isso soar bonito, mas não era. Sem contar que tudo era marca, irritante! Se o personagem sentasse numa maldita cadeira ela provavelmente havia sido feita por algum artista famoso. Bolsa de marca, acessório de marca, tinha hora que o livro parecia uma maldita vitrine de shopping de grife!

Não sei se foi o momento errado para ler ou se o livro não é pra mim mesmo. Mas eu não gostei. Foi um inferno a experiência e eu quero distância das continuações pelo menos por agora.

[Dorama] Where Your Eyes Linger e Long Time No See

Título Original: 너의 시선이 머무는 곳에 / neoui siseoni meomun eungose
Ano: 2020
Episódios: 8
Gênero: Romance, escolar, BL
Elenco:  Jeon Jae Yeong, Han Gi-Chan, Eui-soo Jang

Sinopse: Este BL conta a história de Tae Joo, o único sucessor de 18 anos do GRUPO TB. Ele é abençoado com uma família rica, boa aparência e sem problemas para se preocupar, muitas vezes descritos como um cara bonito no centro das atenções.

Seu guarda-costas de 18 anos, Goo Koo, foi treinado em todos os diferentes tipos de artes marciais e é fisicamente treinado para ter um corpo forte. Ele também é muito atencioso, e Tae Joo é seu único amigo, enquanto Goo Koo é a única pessoa que Tae Joo sente como se pudesse confiar, e se sente aliviado ao seu redor.

Completei esses dois mini dramas recentemente. Logo que saíram as primeiras imagens de Where Your Eyes Linger eu já fiquei super interessada, tanto por não ter assistido nenhum BL coreano ainda, quanto pelo plot que parecia muito bom. Bem, não fui decepcionada em nada. O dorama é um amorzinho só e seu único defeito é ser pequeno demais!

A trama segue Gook, um garoto pobre que atua como guarda-costas de Tae Joo, o herdeiro de um chaebol exigente que mantém o filho longe dos holofotes. Os dois são amigos desde criança, não é especificado o que aconteceu com os pais de Gook, mas ao que entendemos a mãe de Tae Joo morreu e não era muito amada pelo pai dele.

Tae Joo é doce, generoso, extrovertido e meio mulherengo. Pelo menos até uma garota se interessar por Gook e ele começar a se questionar a razão dos seus sentimentos conflitantes em relação ao melhor amigo.

Uma coisa que vi num site quando pesquisava informações sobre esse BL foi que, como eu, muita gente não entendeu porque este está sendo chamado de primeiro BL da Coréia quando já haviam lançado Long Time No See, eu não tinha assistido a esse último ainda, de modo que baixei, pedi à minha irmã para dar uma cortada nele (o drama tem algumas cenas de violência com arma branca e vocês sabem que eu sou traumatizada com isso. Aliás, eu sou frouxa com qualquer tipo de violência explícita) e quando eu assisti, realmente, não entendo porque não o consideram um BL.

Em alguns sites, é dito que Long Time No See é um "Gay Love" e eu fiquei tipo "Qual a diferença, irmão?!" só porque ele tem algumas cenas um pouco mais apimentadas? Não acho que seja uma justificativa plausível, se fosse desse jeito Why R U? deveria ser considerado um "gay love" e não um BL, ridículo isso, apenas.

As atuações são maravilhosas, os atores são belíssimos  especialmente esse que faz o Tae Joo, para ser o primeiro BL dele foi absurdamente brilhante. Ótimas atuações, uma história fofinha de autodescoberta e, ao contrário do que boa parte acreditava, teve um beijinho super doce sim! Mais que recomendado. A OST desse drama é magnífica, gente! Na boa, ouçam que vale muito a pena! Deixo aqui minha favorita:



Título: 롱 타임 노씨
Direção: Kang Woo
Ano: 2017
Gênero: Romance, BL, Drama
Elenco:
Tak Woo Suk
Yeon Seung Ho
Kim Myung Hwan
Ra Sun Young
Won Tae San
Sinopse: O famoso hitman, 'Flying Dagger', bateu em 'Wild Dog', que é um assassino contratado pelo mafioso 'Black Leopard'. Enquanto ambos tentam ser incógnitos, eles não conseguem deixar de se apaixonar. No entanto, 'Wild Dog' tem um segredo que ele não pode confiar em 'Flying Dagger'. Afinal, 'Flying Dagger' e 'Wild Dog' revelam suas identidades secretas um ao outro durante a luta liderada por seus chefes. Eles correm grande perigo enquanto os gangsteres marcam eles como traidores. Será que eles poderão superar os obstáculos e manter seu amor?

E falando agora do primeiro BL coreano porque sim, Long Time No See conta a história de Flying Dagger, um assassino treinado e criado por Black Rose para se tornar o mercenário perfeito. Contudo, ele não gosta desse ofício e, quando está livre, escreve ficção na internet. Seu maior fã é Wild Dog, com quem ele troca mensagens ansiando pelo dia em que finalmente vão se encontrar.

Um dia, em uma loja de conveniência, ele esbarra em um belo jovem por quem sente certa atração. Os dois voltam a se encontrar em um restaurante que ele gosta de frequentar e ele descobre que o belo jovem é irmão da dona e seu leitor número um. Os dois imergem em um ardente romance até Flying Dagger descobrir que Wild Dog foi enviado por Black Leopard, o inimigo de Black Rose, para matá-lo.

Apesar de não ser fofinho como o anterior (e minha irmã precisar ter editado pra eu poder assistir kkkk) eu gostei da história, bem construída, cenas de luta bem coreografadas (dentro da proposta porque isso aqui não é filme do Bruce Lee), o casal principal teve química, as cenas deles jutos ficaram bonitas e a direção fez um trabalho ótimo e ousado para um país ainda preconceituoso como a Coréia.

Boas atuações e tal como WYEL o que atrapalha é ser tão pequenininho, aí eles acabam não desenvolvendo a história e as personagens como elas merecem. Esperando o dia em que teremos um drama completo coreano nesse gênero, porque criatividade e boas histórias eles mostraram que sabem fazer. Mais que recomendado!

sexta-feira, 12 de junho de 2020

[Livro] Corte de Espinhos e Rosas (Contem leves spoilers!)

Autora: Sarah J. Maas
Gêneros: Romance, Literatura fantástica, Alta fantasia
Publicação: 2015 (original)
Série: Corte de Espinhos e Rosas #1
Páginas: 434
Minha nota: 4/5

Sinopse: Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Depois de ouvir tanta gente recomendando com todas as forças de suas veias leitoras essa série, optei, por curiosidade, ler o primeiro livro para tirar minhas próprias impressões. Não é de hoje que amigas me recomendam Trono de Vidro (eu vou ler, juro!), mas como A Bela e a Fera é meu conto favorito depois da Bela Adormecida, optei por ler esse primeiro. 

A história segue a jovem Feyre de 19 anos. Depois que seu pai perdeu toda a fortuna e ainda teve a perna praticamente destruída por credores violentos, a família se abriga em um casebre e precisa lutar pela sobrevivência, ou pelo menos Feyre precisa lutar para que eles não morram de fome. Sua mãe era uma mulher fútil e vazia que nada ensinou a ela e deixou-lhe com um par de irmãs em que uma vivia m constante utopia mental e a outra era a encarnação da amargura (embora, aquém de todos os defeitos de Nestha, eu me identifiquei pra caramba com ela).

No meio do inverno, quando as garras da fome e da escassez ameaçam com mais voracidade que nunca sua pobre família sem posses, Feyre sai para caçar mais uma vez, com sorte teria carne para a semana e algo que pudesse vender na vila. A sorte parece lhe sorrir quando avista um animal, mas à espreita um enorme lobo parecia também estar atrás da presa. Após um breve debate mental, a garota abate o lobo cuja pele lhe renderia um bom dinheiro.

O que ela não podia imaginar é que o troféu da sua caçada lhe custaria a liberdade. Dias depois de matar o lobo, um feérico bestial irrompe na sua casa acusando-a de assassinato. Há muitos anos, os feéricos (que eu deduzo serem algum tipo de fada pelo nome) dominavam a terra e escravizavam os humanos. Uma guerra sangrenta sucedeu entre eles e um tratado foi feito com humanos vivendo nas terras ao sul e os feéricos nas terras ao norte, separados por uma barreira invisível. Desde então, histórias sombrias envolvendo as criaturas do outro lado da barreira circundam pelo mundo humano.

É para esse lugar envolto por mitos que Feyre vai em uma tentativa de salvar sua família. Instalada na Corte Primaveril, ela se descobre "refém" do Grão Senhor Tamlin e seu subordinado Lucien. Uma praga estranha amaldiçoou todos na corte a usar máscaras e está se alastrando por toda Prytian, terra dos feéricos. Quanto mais convive com aquele poderoso e bestial feérico, mais Feyre se vê atraída pelo mundo que sempre temeu e odiou sem conhecer. Seu coração e mesmo seus sentimentos - moldados pelas relações familiares conturbadas que lhe criaram uma autorrejeição  - passam a se desfazer conforme ela se redescobre parte daquele povo que lhe acolheu e lhe deu um lar.

Mas há segredos obscuros nas entranhas daquela corte, algo que nem Tamlin nem Lucien estão lhe contando e que os demais se recusam a lhe dizer. Feyre vai precisar atravessar o inferno para desvendar o poder atrás da maldição da Corte Primaveril e libertar o Grão Senhor que aprendeu a amar e todo o povo com quem passou a se importar. Mal qual seria o preço a ser pago por contrariar sua natureza?

O livro tem seus méritos, ele apresenta uma personagem feminina forte e nada pura e virginal como se costuma ver (embora ela seja chata pra caramba, mas okay), a concepção do mundo foi feita de forma muito interessante e embora a alusão à Bela e a Fera seja bem sutil, a releitura conta com personagens interessantes e uma trama intrincada de romance, cenas grotescas, macabras, divisões políticas e guerras, como li em algum lugar é uma mistura de A Bela e a Fera com Game of Thrones. Eu fui atrás de spoilers do resto da série, gente, como assim a personagem passou esse inferno todo por um cara e vai acabar com outro?! Meio que foi como se esse livro todo não tivesse nada a ver.

A coisa é que o livro é muito bom, como todo mundo fala, aliás. Mesmo tendo achado a personagem bem chata, rola uma simpatia por ela e sua situação e mesmo a ignorância dela e as atitudes estúpidas, às vezes (e é só às vezes mesmo) podiam ser relevadas pelo fato de ela estar meio alheia ao mundo novo que a circundava e do qual ela só ouvira histórias que se provavam, em boa parte, fantasiosas e cobertas de preconceito. Mas não engoli muito essa proximidade que a autora tentou empurrar pra mim com Rhysand, a apatia de Feyre quando se tornou uma feérica ou mesmo o amor que ela literalmente morreu para provar por Tamlin para depois terminar com outro cara. Isso meio que me tirou a vontade de ler o resto da série.

Outra coisa que eu não curti foi a rapidez com que Amarantha morreu. A mulher tocou o terror geral, fez e aconteceu, obrigou a guria a matar gente inocente, pra no final não dar tempo nem ficar com medo da morte e ter uma espada enfiada na cabeça. Pode ser sadismo meu, mas queria que ela tivesse sofrido mais, não é como se não merecesse. 

Uma observação que quero fazer aqui é sobre a conduta de Tamlin. Enquanto lia o livro vi alguns comentários de gente que condenava a conduta dele e diziam que desgostaram dele no final desse livro. Quando eu li Mo Dao Zushi pude sentir na pele o que é uma personagem impotente. Pode não transparecer, mas são as que sofrem mais. Pode até ser que a conduta dele mude nos demais livros, não sei porque não li, mas falando especificamente deste, não querer e não poder fazer algo são coisas diferentes e, na situação dele, vi algo do que Lan Zhan passou conforme via Wei Ying sofrer todas as desgraças do mundo sem poder fazer praticamente nada. Então, quando ele estava com aquela postura impassível e fria, não encarei como uma pessoa que não se importava. Lan Zhan me ensinou isso, a não julgar a conduta de alguém quando não se sabe quais são seus verdadeiros sentimentos. Sem contar que a história é narrada no ponto de vista da Feyre, então a visão dela da situação não pode ser a verdade absoluta daquele mundo e daquelas pessoas, especialmente se levar em conta que ninguém, por mais próximo que seja, conhece ninguém de verdade.

Pesando os prós e contras, gostei de como a personagem foi construída, forte, mas sem abrir mão das suas fragilidades e dos seus medos, o que só tornava a coragem dela ainda mais inspiradora, a dualidade das demais personagens com pontos fortes e fracos bem definidos que, por vezes, nos colocavam em dúvida sobre suas intenções ou caráter foi uma jogada bacana, mas do meio pro fim do livro ficava sempre com aquela sensação de que a história estava me jogando para um desfecho que eu não ia gostar, quando peguei os spoilers a desconstrução do que foi construído nesse primeiro livro meio que me deixou com a sensação de ler tudo isso pra nada. Vou pensar com calma se vou continuar a série, mas recomendo para quem gosta de fantasia com um quê mais sombrio.

sábado, 6 de junho de 2020

[Livro] Coração de Tinta (+Filme)

Original: TINTENHERZ
Autora: Cornelia Funke
Gêneros: Romance, Literatura infantil, Fantasia, Mistério, Bildungsroman, Literatura fantástica, Ficção de aventura
Páginas: 456

Sinopse: Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.

É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

Não lembro a razão de ter me interessado em ler Coração de Tinta, assisti o filme na sessão da tarde faz mais de dez anos porque eu até esqueci quando parei de ver televisão! Mas surgiu a curiosidade de lê-lo e dei uma chance para Cornelia Funke, não lembro nada do filme além do fato que é com o Brendan Fraser, então a leitura foi bem desprendida e livre para que imaginasse cada detalhe sem referências.

O livro acompanha Meggie, uma adolescente de doze anos que vive com o pai, Mortimer (carinhosamente apelidado de Mo) um encadernador de livros. Sua mãe foi embora quando ela tinha três anos, de modo que a menina não lembra praticamente nada sobre ela além das coisas que o pai lhe conta. Em alguns momentos, Maggie chega a desconfiar se a mulher que o pai lhe descreve realmente existiu. Eles se mudam com frequência e, no momento, estão vivendo um uma espécie de sítio e tudo vai bem até, certa noite, a menina ver um homem estranho parado do lado de fora da casa sob uma pesada chuva.

Assustada, ela vai até o quarto do pai e lhe conta sobre o que vira, Mo ordena que ela volte para a cama e desce para receber o estranho. Claro que a garota não obedece ao pai tendo desde já um pressentimento ruim com relação àquele homem, ao espiar ela escuta Mo chamá-lo de Dedo Empoeirado enquanto este o chama de Língua Encantada, sem entender nada ela se empenha em ouvir o que eles dizem, mas não obtêm sucesso e ainda naquela madrugada o pai decide que os dois precisam ir embora.

Ele não explica para a filha do que estão fugindo e nem quem é aquele estranho. Contudo, a fuga não dá certo porque Dedo Empoeirado os surpreende e acaba indo de carona. Ele conta a Meggie sobre um ser chamado Capricórnio que persegue o pai dela por alguma razão - talvez o livro que ele mantêm escondido dela -, mas Mo não permite que ele entre em muitos detalhes. Eles partem juntos então para a casa de Elinor que é uma tia da mãe de Meggie.

A mulher, uma apaixonada por livros antissocial e praticamente eremita, não gosta muito de crianças e de cara não gosta nada de Dedo Empoeirado. Mo se hospeda com ela sob a incumbência de cuidar de seus livros raros necessitados de reparo. O fato de Elinor morar em uma propriedade privada afastada de tudo era só um detalhe. Porém, as coisas não saem como o esperado e os homens de Capricórnio, com a ajuda de Dedo Empoeirado, capturam Mo e o levam da casa.

Determinada a encontrar o pai, Meggie e Elinor partem, junto com Dedo Empoeirado, rumo à vila de Capricórnio para recuperar Mo usando o livro que ele achava que havia levado, mas que Elinor mantivera consigo. Meggie se inteira de toda a história envolvendo o pai e o sumiço de sua mãe, além das estranhas figuras que parecem ter saído do misterioso exemplar de Coração de Tinta, mas para vencer Capricórnio eles vão precisar de muito mais que coragem e, depois de conseguir buscar Mo, eles vão em busca de Fenóglio, o criador do livro.

Dedo Empoeirado quer voltar para seu livro, Mo quer a esposa de volta, Meggie quer o pai em seguraça, Elinor quer vingança pelos seus livros e Fenóglio quer conhecer suas criaturas, quando ler um livro pode se tornar uma armadilha mortal, eles vão juntar forças para derrotar o que poderia ser um dos vilões mais cruéis já criados em sua literatura.

O livro foi bem diferente do que eu imaginava, mas a surpresa foi boa. Funke escreve de uma forma que é difícil parar de ler. Mesmo nas partes que os capítulos parecem se arrastar você se vê mergulhada no livro sem conseguir tirar a cabeça do que poderá vir na página seguinte. É um livro para descobrir o prazer pela leitura e a curiosidade pela escrita, todo o processo de um livro é mostrado de forma implícita o que torna Coração de Tinta quase um manual para escrever uma boa trama.

Em alguns pontos a história me lembrou o drama W - Dois Mundos que pode sim ter sido inspirada nesse livro. As personagens são interessantes e apesar de ter achado Meggie meio chata achava a relação dela com o pai um amorzinho. A personagem que mais gostei certamente foi Elinor, além de ser muito bacana ver como o dom da garota vai se desenvolvendo aos poucos, era com Elinor que eu tinha as partes mais engraçadas e me identificava mais na história.

Uma das coisas muito bacanas nesse livro é que ele responde o grande "e se" de muitos leitores quando se imaginam dentro de seus livros favoritos ou quando imaginam como seria trazer um de seus personagens à vida, além de mostrar o ponto de vista dessas personagens de uma forma muito interessante. Embora seja considerado um livro infantil, não sou muito de acordo ler isso para uma criança, mesmo usando de uma violência velada tem umas partes realmente sinistras na  história. Além do fato de ser um livro bem grande (não sei se porque eu li em ebook ou se porque ele é grande mesmo).

Concluindo, gostei muito da história em si, de todas as reviravoltas de suas personagens cheias de camadas, das reflexões que ele nos incute tanto sobre a natureza humana em si quanto sobre o processo da criação literária. Mais que recomendado para aqueles que amam os livros, para os que desejam se aventurar a criá-los e para os que ainda não descobriram a magia por dentro de suas capas.


Adaptação Cinematográfica

Original: Inkheart
Direção: Iain Softley
Ano: 2008 (Brasil)
Roteiro: DAVID LINDSAY-ABAIRE

Sinopse: Mo Folchart (Brendan Fraser) e sua filha Meggie (Eliza Bennett), de 12 anos, são apaixonados por livros. Desde pequena Meggie teve o hábito de leitura estimulado pelo pai, que trabalha como encadernador de livros. Além disto eles têm o poder de trazer à vida personagens dos livros caso o leia em voz alta, só que sempre que isto acontece uma pessoa real é inserida nos livros. Até que um dia, ao passear por um sebo, Mo ouve vozes de "Coração de Tinta", um livro que não lhe traz boas recordações. Sua história possui castelos medievais e estranhas criaturas, com este universo tendo aprisionado a mãe de Meggie quando ela tinha apenas três anos. Mo sempre desejou encontrar o livro e salvar a esposa, mas agora precisa lidar também com o sequestro de Meggie por Capricórnio (Andy Serkis), que deseja dar vida a diversas criaturas malignas.

Como era de se esperar de uma adaptação cinematográfica, já fui rever com a consciência de que seria bem pouco fiel à obra original o que, nesse caso, não é de um todo verdade. Apesar de ter muita coisa que foge do livro, Inkheart até que se mantem fiel ao seu livro, claro, os eventos precisaram ser bem reduzidos porque afinal é um livro de quase quinhentas páginas espremido em uma adaptação de uma hora e pouco, então algumas personagens foram cortadas tal como alguns eventos, outros foram suprimidos em um evento só, mas as cenas principais continuam lá.

No que diz respeito às personagens não achei que houve uma mudança muito brusca na personalidade deles, a história de Dedo Empoeirado talvez tenha sido a que sofreu mais modificações, Brendan Fraser entra muito bem no papel de Mortman e Andy Serkins oferece um Capricórnio meio caricato, mas ainda assim crível. Não vou me estender muito porque eu não entendo nada de cinema para ficar dando pitaco. Algumas cenas foram completamente criadas para o livro como o torado do Mágico de Oz e o aparecimento de Totó (já que no livro quem Meggie tira das páginas é Sininho).

O final de ambos também é diferente, acredito que por não existirem planos de produzir a continuação, já que é uma trilogia, eles decidiram dar um final fechado para as personagens, desse modo, temos dois desfechos o que eu achei bacana, teria sido meio que uma resposta para o "e se terminasse no primeiro livro?". Dessa forma, acho que Inkheart é um bom entretenimento sim e funciona como um resumão de sua obra, mas com um fim original.