domingo, 25 de outubro de 2015

Trilogia do Mago Negro - O Clã dos Magos [Livro 1]: Trudi Canavan

Informações:

Título Original: Magicians' Guild
Título no Brasil: O Clã dos Magos
Autor: Trudi Canavan
Ano de Pulicação: 2012
Série: Trilogia do Mago Negro #1
País de origem: Austrália
Gênero: Fantasia, Aventura
Páginas: 446

Sinopse: Todos os anos, os magos de Imardin reúnem-se para purificar as ruas da cidade dos pedintes, criminosos e vagabundos. Mestres das disciplinas de magia, sabem que ninguém pode opor-se a eles. No entanto, seu escudo protetor não é tão impenetrável quanto acreditam.

Enquanto a multidão é expurgada da cidade, uma jovem garota de rua, furiosa com o tratamento dispensado pelas autoridades a sua família e amigos, atira uma pedra ao escudo protetor, colocando nisso toda a raiva que sente. Para o espanto de todos que testemunham a ação, a pedra atravessa sem dificuldades a barreira e deixa um dos mágicos inconsciente.
Trata-se de um ato inconcebível, e o maior medo da Clã de repente se concretiza: uma maga não treinada está à solta pelas ruas. Ela deve ser encontrada, e rápido, antes que seus poderes fiquem fora de controle e destruam a todos.


Enredo: Em, O Clã dos Magos, primeiro livro da trilogia, acompanhamos duas realidades diferentes, a de Sonea, uma jovem plebéia que vive nas favelas, aglomerações de pessoas muito pobres que moram na parte externa das cidades, e o temido de clã de magos, uma organização a serviço do rei que vive dentro das imediações do palácio. Há uma rixa muito forte entre a população mais carente e os magos, nada ajuda quando, em uma das purificações (expulsão em massa de mendigos e pessoas pobres da cidade) Sonea descobre algo terrível: ela tem, dentro de si, magia. No momento em que consegue quebrar o bloqueio dos guardas, ela atinge com uma pedrada, Lorde Fergun, o pior dos magos! Corrupto, vingativo, que tem total repulsa pelas pessoas das favelas. Sonea não consegue acreditar que os magos tenham outro objetivo além de matá-la, então pede ajuda aos seus amigos Cery e Harrin, que a escondem como pedem, mas as coisas se complicam quando os magos oferecem uma recompensa pela captura dela, assim, sem alternativa, Sonea tem que pedir a proteção dos ladrões. Por outro lado, dentro do clã, Lorde Rothen está realmente preocupado com o bem estar de Sonea, ele sabe que se ela não aprender a controlar o poder dentro de si vai acabar se destruindo, em contrapartida, sua entrada no clã - devido a sua origem - pode se tornar um problema pelo fato de que Fergun quer suas guarda como aprendiz quando ela for capturada. Sem saber em quem confiar, Sonea se vê em um beco sem saída correndo contra o tempo para fugir dos magos não importa o preço que pague por isso.
Mas sempre parece que ela não tem como se esconder, sempre que usa magia, Sonea descobre que os magos conseguem rastreá-la e logo o até então esconderijo na cidade subterrânea dos ladrões não é mais seguro. Com a ajuda de Cery, Sonea embrenha-se em uma nova fuga rumo às cidades, e enfia-se justamente onde o clã não pensaria em procurá-la: na casa dos magos. A floresta que fica nos arredores do clã, é justamente onde ela descobre um episódio curioso acerca do Lorde Supremo o que só aumenta seu pavor pelos magos, por alguma razão, a jovem aprendiz sente como se o poderoso líder pudesse senti-la e não gosta nada daquilo. Enquanto tenta desenvolver seus poderes na busca quase desenfreada de controlá-los, Sonea não percebe que está cada segundo mais próxima de se tornar um deles. Seus poderes estão cada dia mais descontrolados, Sonea começa a produzir magia completamente fora de controle, o que leva os magos cada vez mais perto, em sua última fuga, eles a acabam rastreando e ela se vê sem saída, lutando com todas as forças para escapar, mas cada vez mais sente-se perdendo o controle sobre si mesma, Rothen se aproxima dela na tentativa de pará-la, sem escapatória e com medo de machucar mais alguém, ela acaba cedendo e aceitando a ajuda dele, percebe a dimensão do seu poder quando abre os olhos e vê tudo à sua volta reduzido a entulhos, e percebe também que entrara justamente no último lugar no qual queria estar quando, horas depois, acorda zonza dentro do clã.
Mesmo ainda mantendo sua desconfiança, Sonea acaba se adaptando à presença de Rothen, não vendo mais o mago como uma ameaça, embora ainda tenha em mente que ele é seu inimigo. Conforme vai aprendendo mais coisas sobre o mundo da magia, e entendendo a dimensão do poder que traz consigo, ela acaba sendo fascinada por aquele mundo desconhecido e outrora assustador, vai aprendendo mais sobre si mesma e o que é capaz de fazer, mas Fergun não vai deixar as coisas muito fáceis para Rothen e acaba tentando enganar Sonea, nessa hora, nós imploramos que ela não seja idiota (sem sucesso, por sinal), Cery vai atrás dela na esperança de libertá-la, mas acaba nas garras de Fergun aprisionado em uma prisão mágica, enquanto isso, alheia a toda situação, Sonea vive o dilema de dever ou não acreditar em Fergun e aceitar sua tutela, ou confiar em Rothen e seguir seu caminho. Mas quando descobre que Cery é prisioneiro do cruel mago Fergun ela não vê outra saída além de aceitar suas imposições na tentativa de salvar o amigo, mas Dannyl e Rothen não vão permitir que ela se sacrifique daquela forma, atada de vez nas garras do clã, Sonea vai descobrir que dentro ou fora das muralhas ela nunca vai estar a salvo do perigo.

O que eu achei: De início o livro não te impressiona muito. É mais uma questão metafórica de classes sociais do que, propriamente, o que se espera quando se pega um livro com o nome O Clã dos Magos, a magia é tratada de maneira muito vaga sem um aprofundamento e demora-se muito até se acostumar com os neologismos da história. Somos levados por duas perspectivas: a de Sonea, protagonista da série, uma garota das favelas, muito pobre, que descobre através do seu ódio pelos magos que consegue usar magia. Ela teme os magos tanto quanto os abomina, assim como todos os habitantes da favela, eles representam um ameaça. E temos a perspectiva dos magos, sua sociedade fechada, com membros imersos em corrupção, como Fergun, e mistérios sombrios, como o Lorde Supremo. A partir dessas duas perspectivas, ficamos meio divididos sobre "onde está a razão" na história, do ponto de vista social, podemos entender o processo de formação da desigualdade e é impossível não fazer um paralelo com a realidade em que vivemos, ainda assim, não podemos relevar os pontos negativos que tornam essa desigualdade injusta. Em contrapartida, vemos o lado dos magos justos, que entendem sua posição e se não fazem nada para mudar a imagem que tem de si é pelas circunstâncias às quais são presos, mas também não podemos deixar de nos irritar com a sua inércia diante dos fatos. O mundo criado pela autora é sólido, quase real como Hogwarts ou a Terra Média, ainda que não tão ilustrado de encanto. Os personagens são individuais no despertar de emoções, Sonea não me despertou empatia. Cery mexeu um pouco comigo pelo romance em potencial que não foi muito fadado a acontecer como eu consegui prever. Harrin me cativou pela lealdade. Faren pela história de vida, Rothen pelo senso de justiça, Dannyl pela inteligência, coragem e honra. Do mesmo modo, Fergus me despertou nojo desde a primeira menção. O tal "Lorde Supremo" aversão. E nem preciso chegar ao terceiro livro para saber que esse cara é encrenca das feias. Tem horas que eu fiquei realmente furiosa com Sonea, mas acho que por eu ter uma visão onisciente do que acontecia ao redor dela, não levasse em consideração sua visão limitada dos acontecimentos, nesse ponto vi que ajudaria mais se o livro fosse narrado sob o ponto de vista dela, embora a riqueza de detalhes da terceira pessoa dê todo um ar a mais na narrativa, leva um tempo até a gente se acostumar com a história e logo após 60 páginas a história voa antes que percebamos, o primeiro volume não é muito grande, o segundo e o terceiro são bem maiores. O primeiro livro não aponta muita tensão e o clímax da história é um suspense leve (ainda que não menos angustiante), acabei gostando muito do livro e vou ler os outros dois sem dúvida. Para os amantes de fantasia, esse é um bom pedido na estante.
Um ponto que eu estranhei, só fazendo uma observação, foi a linguagem dos personagens. Não consegui identificar em que época a história se passa, embora seja claro que é em um período monárquico, mas achei a linguagem informal um pouco estranha pra época. Mas nada que comprometa a história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário