quinta-feira, 21 de abril de 2016

[Tag #Escrita] Erotismo X Pornografia: O desafio das cenas de sexo

Bom dia, blogueiros! Estamos aqui para mais uma tag escrita e hoje vamos conversar sobre um assunto que está meio banalizado, mas que ainda faz muita gente quebrar a cabeça: a intimidade entre as personagens.
Não é de hoje que sexo seja em uma conversa informal ou na literatura ainda deixa muita gente "desconfortável", e a maneira como esses momentos são escritos nos livros faz sim toda a diferença e demonstra a segurança do autor com relação a sua personagem e à sua escrita. O assunto, por incrível que pareça, ainda é tabu para muitas pessoas e, por um longo tempo, também foi para mim, mas eu sou da década de 90, né, pessoas! Tenho uma mentalidade bem diferente da de hoje. Então, eu vou compartilhar com vocês a minha experiência e alguns truques que podem ajudar a não quebrar a cabeça quando os personagens precisarem "se atracar".
Meu primeiro contato com um livro dessa "magnitude", foi A História de Amor de Fernando e Isaura do Ariano Suassuna, eu devia ter de uns doze para treze anos e acreditem, a menção da palavra seios no livro me deixou chocada! Mas, como eu disse, fui criada em uma época diferente. Veja o trecho:
a primeira coisa que ele fez foi abraçá-la e beijá-la, o que deixou Isaura mais uma vez incapaz de qualquer resistência a seu desejo. Abraçado a ela, ele tombou na cama, arrastando-a. E ela, tonta de amor, ouvindo um pedido murmurado por Fernando, concordou em abaixar o vestido para deixar o busto descoberto. Ele começou a beijar-lhe os seios, a princípio com delicadeza infinita, pois era, talvez, esta, aparte de seu corpo que mais o encantava. (SUASSUNA 1994)
Considerando que o livro foi escrito quatro anos depois que nasci e que, na minha época, pais não conversavam com os filhos sobre isso de maneira clara, embora minha mãe tenha feito um bom trabalho com a gente. Bem, a partir daí, ainda levou um tempo até eu conseguir encarar esse momento como algo natural entre as pessoas, com crenças religiosas meio deturpadas e o grande tabu que envolvia o assunto eu via o sexo como algo sujo, algo que minhas personagens não podiam fazer. Então, veio meu primeiro livro daquelas antigas séries Bianca, Sabrina e Júlia, quem nunca leu um desses não sabe o que é erotismo adolescente! O primeiro foi Amor Sublime Amor da Janice Sims, que eu aluguei na biblioteca pensando, pelo título, se tratar de uma meiga história de amor. Engano meu. O livro era muito pior que o de Ariano com um capítulo inteiro dedicado ao tal momento íntimo e lembro-me que mesmo bastante desconfortável, não consegui parar de ler até o final. Desse sucederam outros livros da série como Ardiloso Sedutor da Linny Graham, Sonhos do Passado da Penny Jordan entre outros. Com o contato constante desses livros eu acabei perdendo um pouco a inibição da intimidade literária e eles foram lapidando as bases da minha primeira cena de sexo, acontecida em 2009 na primeira versão de Um Novo Começo. Apesar de ser uma cena bem tímida e nem um pouco detalhada, como eram nos livros das americanas que eu lia, foi o meu primeiro passo na construção dessas cenas, já em 2010 consegui melhorar a performance com Prove to Me e Folhas Mortas. 
A questão é, o que faz um bom autor é mais do que a experiência. Ela rende muito na escrita? Sem dúvida! Quando você fala sobre coisas que já experimentou consegue passar muito mais vivacidade, emoção e transparência na sua escrita, mas uma boa base literária e imaginação podem, em muitos casos, dispensar a experiência. Já me perguntaram inúmeras vezes se eu era realmente virgem por causa de alguma cena mais quente que coloquei em um livro, sim, jovens, eu sou virgem. Mas já li muitos livros que trazem essas cenas de diversas maneiras, nunca li um livro pornô como 50 tons de cinza, e é aí que entra a diferença entre os dois conceitos, muitas pessoas pensam que erotismo e pornografia é a mesma coisa e não é.
erotismo é o estímulo sexual sem apresentar o sexo em forma explícita, que é o que diferencia de pornografia. O erotismo (do francês érotisme, "desejo sexual") designa, de modo geral, não apenas um estado de excitação sexual, mas também a exaltação do sexo no âmbito das artes, como na literatura e na pintura, por exemplo. É através desse apelo artístico que o conteúdo erótico se distingue, nalguma medida, da pornografia, na qual tende a haver uma maior preocupação sexual do que estética. Nas palavras do professor Sebastião Costa Andrade, professor titular na Universidade Estadual da Paraíba e pesquisador sobre a sexualidade, a distinção entre erotismo e pornografia é problemática :
Cquote1.svgEsta não é uma questão fácil de responder. Esses conceitos são complexos e de sentidos e significados múltiplos. Demarcar o território do erotismo e da pornografia é uma tarefa arriscada. Vou tentar mirar apenas nos fenômenos do erotismo e pornografia, já que incluir o amor e a sexualidade demandaria muito espaço. Podemos dizer, em linhas gerais, que há alguns traços singulares entre o erotismo e a pornografia que nos possibilitam estabelecer uma diferenciação razoavelmente aceitável. Uma das diferenças mais comuns diz respeito ao "teor" mais nobre do erotismo, em contraposição com o caráter "vulgar" da pornografia. O que confere esse grau de nobreza ao erotismo é o fato dele não se vincular diretamente ao sexo, enquanto que a pornografia encontra no sexo e na sexualidade seu espaço privilegiado. Dessa forma, o erotismo estaria mais próximo do sexo implícito (portanto aceitável) e a pornografia do sexo obsceno, direto, explícito e comercializável. Porém, distinções desta natureza podem nos conduzir a práticas preconceituosas! Afinal de contas, erótico ou pornográfico, depende dos contextos histórico, cultural ou moral onde esses fenômenos estão inseridos.Cquote2.svg
— Prof. Sebastião Costa Andrade

Entenderam a diferença? No erotismo as coisas são mostradas de maneira velada, subtende-se o que está acontecendo, mas o leitor mergulha mais em sensações, poesia e em palavras usadas de maneira estratégica para estimular a emoção e os sentidos. Na pornografia é tudo mostrado de maneira vulgar, com palavras de baixo calão e, na literatura, demonstram um autor com vocabulário pobre.
Não há dúvidas que 50 tons de cinza trouxe à tona a total explosão do romance erótico, embora eu não o classifique como tal, junto com ele eclodiram sagas como Toda Sua da Silvia Day e uma verdadeira horda de autoras "eróticas" no wattpad. O sexo tornou-se banalizado e deixou de ser uma ponte de aproximação entre duas pessoas, um ato de troca, para ser um momento qualquer, uma dose de satisfação, uma coisa viciosa que enche a cabeça e o tempo de crianças e adolescentes que, cada vez mais cedo, deixam de lado a verdadeira significância da fase em prol de um crescimento psicológico não natural e prejudicial, pelo menos na minha opinião. Acho que cada fase da vida deve ser vivida no seu próprio tempo e com o que lhes apetece.
Como esse é um tema bem polêmico, quero enfatizar aqui que essa é minha opinião. Vale erotismo na literatura? Vale, desde que ele seja bem escrito. Vale pornografia? Vale, se você quer atingir a um público que não lê pela qualidade, mas pela distração momentânea da libido despertada. Particularmente eu não acho positiva esse tipo novo de literatura do sexo, um livro inteiro totalmente voltado para esse assunto como se a vida da personagem fosse só isso. Acho que tudo tem que girar em torno de algo mais, de outros conflitos e não de uma história quase sem fundamento em que o leitor só espera a hora da próxima pegação, e mesmo quando tem alguma história por trás (e vejam que eu disse quando) ela é despercebida ou ignorada em prol da hora do "vamos ver".
Os livros distintos de uma literatura mais voltada para a personagem, para o romance e para a reflexão, têm sido deixados de lado em prol dos livros "pornô" que tem dominado as estantes do wattpad, publique um livro de romance e espere um mês para pelo menos 50 leituras, coloque um casal seminu (ou nu) na capa e tenha 60 mil em uma semana. É não apenas um reflexo da mentalidade pequena e pouco seletiva das pessoas, mas a ignorância total a livros bons que não tem o sexo como foco e, por isso, são deixadas de lado ou pouco valorizadas. Essa é a realidade na qual estamos. Nem por isso vou mudar meu foco literário para satisfazer leitores, acho que cada um trabalha com o que se identifica.
Não quero com isso crucificar as escritoras "eróticas", mas acho que a literatura é bem mais do que palavrões, gemidos e "estocadas".  Infelizmente, os leitores de hoje não pensam igual.

O DESAFIO DE ESCREVER CENAS DE SEXO
Bem, saindo agora um pouco da explanação do gênero e da realidade que vivemos, vamos falar um pouco sobre a aplicação do erotismo na prática. Antes, vamos analisar uma cena de pornografia e erotismo para exemplificar a diferença em ambos os textos. Como exemplo vou colocar um trecho de 50 tons de cinza, não li o livro então os créditos do trecho vão para o blog Menina Má que disponibilizou esse trecho que me serviu como gota d'água para não querer passar nem perto desse livro.

"Ele chupa gentilmente um mamilo, desliza uma mão ao outro seio e com o polegar rodeia muito devagar o outro mamilo, alongando-o. Gemo e sinto uma doce sensação descer até a minha virilha. Estou muito úmida. Oh, por favor, suplico internamente, agarrando com força o lençol. Seus lábios fecham ao redor de meu outro mamilo, quando o lambe, quase sinto uma convulsão.
— Vamos ver se conseguimos que você goze assim — ele sussurra-me, e segue com sua lenta e sensual incursão. Meus mamilos sentem seus hábeis dedos e seus lábios, que acendem minhas terminações nervosas até o ponto em que todo o meu corpo geme em uma doce agonia.
Ele não se detém.
— Oh... por favor, — suplico-lhe, jogo a cabeça para trás, com a boca aberta e gemo, sinto minhas pernas endurecerem. Maldição, o que está acontecendo comigo?
— Deixe vir, querida, — ele murmura. Aperta-me um mamilo com os dentes, com o polegar e o indicador aperta forte o outro, me deixo cair em suas mãos, meu corpo convulsiona e estala em mil pedaços. Ele beija-me, profundamente, colocando a língua na minha boca para absorver meus gritos.
Meu deus! Isso foi fantástico. Agora eu sei que todo o alarido é sobre a minha reação. Ele me olha com um sorriso satisfeito, embora esteja segura de que não é mais que gratidão e admiração por mim.
— É muito receptiva, — Ele respira. — Terá que aprender a controlá-lo, e será muito divertido te ensinar como. — Ele me beija outra vez.
Minha respiração ainda está irregular, enquanto me recupero do orgasmo. Desliza uma mão até minha cintura, meus quadris, para as minhas partes íntimas... caramba. Introduz um dedo pela renda e lentamente começa a riscar círculos ao redor do meu... lá. Ele fecha os olhos por um instante e contém a respiração.
Você está tão deliciosamente úmida. Deus, quanto eu te desejo. — Introduz um dedo dentro de mim e eu grito, enquanto o tira e volta a colocá-lo. Esfrega-me o clitóris com a palma da mão, e grito de novo. Segue me introduzindo o dedo, cada vez com mais força. Gemo.
De repente se senta, tira-me a calcinha e a joga no chão. Ele tira também sua cueca e libera sua ereção. Minha nossa! Estica o braço até a mesinha da cama, agarra um pacotinho prateado e se move entre minhas pernas para que se abram. Ajoelha-se e desliza a camisinha por seu membro enorme. Oh, não... Será que vai? Como?
— Não se preocupe, — sussurra, me olhando nos olhos. — Você também se dilatará. — Inclina-se apoiando as mãos a ambos os lados de minha cabeça, de modo que fica suspenso sobre mim. Olha-me nos olhos com a mandíbula apertada e os olhos ardentes. Neste momento me dou conta de que ainda está vestindo a camisa.
— Tem certeza que quer fazê-lo? — pergunta-me em voz baixa.
— Por favor, — suplico-lhe.
— Levante os joelhos, — ordena-me em tom suave e obedeço imediatamente. — Agora vou fodê-la, senhorita Steele... — murmura colocando a ponta de seu membro ereto na entrada de meu sexoDuro, — ele sussurra e me penetra bruscamente.
— Aaai! — eu grito, ao sentir uma sensação de aperto dentro de mim, enquanto ele rasga através da minha virgindade. Ele fica imóvel e me observa com olhos brilhantes com triunfo, em êxtase.
Tem a boca ligeiramente aberta e lhe custa respirar. Ele geme.
— É muito apertada. Está bem?
Concordo, com meus olhos arregalados e me agarrando a seus braços. Sinto-me tão cheia. Ele continua imóvel para que me acostume com a invasiva e entristecedora sensação de tê-lo dentro de mim.
— Vou mover-me, querida, — sussurra-me um momento depois, em tom firme.
Oh.

Ele retrocede com deliciosa lentidão. Fecha os olhos, geme e volta a me penetrar. Grito pela segunda vez e ele se detém.
— Mais? — sussurra-me com voz selvagem.
— Sim, — respondo-lhe. Ele volta a me penetrar e a deter-se.
Gemo. Meu corpo o aceita... Oh, quero que continue.
— Outra vez? — pergunta-me.
— Sim. - respondo-lhe em tom de súplica.

E ele se move, mas esta vez não se detém. Apoia-se nos cotovelos, de modo que sinto seu peso sobre mim, me aprisionando. A princípio se move devagar, entra e sai de meu corpo. E à medida que vou me acostumando à estranha sensação, começo a mover os quadris com os seus.
Ele acelera. Gemo e ele investe com força, cada vez mais depressa, sem piedade, a um ritmo implacável, eu mantenho o ritmo de suas investidas. Ele pega a minha cabeça com as mãos, beija-me bruscamente e volta a morder meu lábio inferior com os dentes. Ele mudou um pouco e sinto que algo cresce no mais profundo de mim, como antes. Vou me pondo esticada à medida que me penetra uma e outra vez. Meu corpo treme, arqueio-me, estou banhada em suor. Oh, meu Deus... Eu não sabia que iria me sentir assim... Não sabia que a sensação podia ser tão agradável. Meus pensamentos se dispersam... Não há mais que sensações... Só ele... Só eu... Oh, por favor... Meu corpo fica rígido.
Goze para mim, Ana, — ele sussurra sem fôlego e me deixo gozar assim que diz, explodindo ao seu redor com meu clímax e me dividindo em mil pedaços sob seu corpo. E enquanto ele também goza, grita meu nome, dá uma última investida e fica imóvel, como se tivesse se esvaziado dentro de mim."

Fiquem atentos às palavras em negrito, elas tornam o texto cru, sem poesia, a gente sabe na prática o que está havendo de uma forma vulgar, direta. Agora, acompanhem essa outra cena:

"Ele me beija de forma gentil, mas completa, sem pressa, esforçando-se para ser cuidadoso. E, mesmo sabendo que nosso tempo juntos é infinito, que estaremos sempre juntos, estou ávida por mais. Puxo seu suéter pela barra, arranco-o pela cabeça e o jogo de lado. Paro para explorar seu peito — as elevações sinuosas dos ombros, a depressão ondulada do abdome — até que meus dedos mergulham mais abaixo, abrem um botão, um zíper, passam por um elástico. Mesmo não sendo a primeira vez que o vejo, não consigo evitar que um suspiro escape de minha garganta. Não
consigo me impedir de consumir a incrível visão dele. Ele também tira minhas roupas. Os dedos se movem com destreza, habilidade, com muito mais prática que os meus. E não demora muito até que
não haja mais nada entre nós — nem físico nem místico. Somos apenas ele e eu. Sem barreira de nenhum tipo. Ele passa a perna sobre mim, a meu redor, até que seu corpo cobre omeu. Tudo dentro de mim vibra com o formigamento e o calor que ele me causa, enquanto fecho os olhos ao ardor de seu ser, de seu toque, erguendo de forma preguiçosa as pálpebras e encontrando seu olhar queimando o meu. Ambos somos levados pelo embalo hipnótico e pelo balanço um do outro, e não demora muito até que ele desça o corpo e nos tornemos um só." (NÖEL, 2011)

 Esse é um trecho do livro Infinito, sexto volume da série Os Imortais de Allyson Noel. Percebem a diferença brusca entre um e outro, a linguagem de Noel é mais velada, você sabe o que está acontecendo, mas não há nenhum tipo de palavriado vulgar ou diálogos inúteis. Esse é só um dos muitos exemplos literários de uma boa cena hot na literatura. 
A primeira coisa que você precisa para escrever uma cena assim é não temer o momento. Mesmo que, como eu, você seja virgem, tenha em mente que é algo normal e que suas personagens podem viver esse momento de acordo com o que o livro que você está escrevendo pede. Se quer algo mais detalhado, descrevendo as sensações e os toques opte por palavras mais significativas e menos vulgares. Em vermelho no trecho de 50 tons eu coloquei alguns dos exemplos que podem ser usados. Para tornar isso mais claro, vou reescrever TODOS os pedaços do trecho trocando as palavras em negrito por sinônimos velados:

"Ele toma gentilmente um mamilo nos lábios, desliza uma mão ao outro seio e com o polegar rodeia muito devagar o outro mamilo, alongando-o. Sussurro um gemido e sinto uma doce sensação descer até a minha virilha. Estou muito úmida. Oh, por favor, suplico internamente, agarrando com força o lençol. Seus lábios fecham ao redor de meu outro mamilo, quando o lambe, quase sinto uma convulsão.
— Vamos ver se conseguimos que você se satisfaça só assim — ele sussurra-me, e segue com sua lenta e sensual incursão."
"Minha respiração ainda está irregular, enquanto me recupero do clímax. Desliza uma mão até minha cintura, meus quadris, para as minhas partes íntimas... caramba. Introduz um dedo pela renda e toca-me no íntimo. Ele fecha os olhos por um instante e contém a respiração.
— Você está tão deliciosamente úmida. Deus, quanto eu te desejo. — Seu toque faz-me arder em desejo, sinto-me invadida por seus dedos, massageada sutilmente sem escrúpulos ou reservas, tomando-me com voracidade sou entregue a uma espécie de delírio enquanto arfo não tão baixo quanto gostaria."
"— Agora seremos um, senhorita Steele... — murmura e já posso sentir sua ereção próxima ao meu elo sensível. — Minha, — ele sussurra e nos fundimos em um."
"— Goze para mim, Ana, — ele sussurra sem fôlego e me sinto extasiar, explodindo ao seu redor com meu clímax e me dividindo em mil pedaços sob seu corpo. E enquanto ele também  atinge o cume do prazer, grita meu nome, dá uma última investida e fica imóvel, como se tivesse se esvaziado dentro de mim."

Viu como só isso já suaviza muito a cena? Ela deixa de ser algo cru e vulgar e passa a ser um momento íntimo entre um casal, ainda que, nela, eu ainda sinta a total falta de sentimento e entrosamento entre o casal. Na verdade, achei que foi realmente mal feita. Não que eu seja expert nesse tipo de coisa, mas não há emoção aí, só um ato de satisfação mútua, libido desenfreada e desejo. Nenhum sentimento. Mas, cada um procura o que acha que satisfaz. 
Se você é virgem e quer colocar essa experiência para suas personagens a dica que eu dou é:
  1.  Liberte-se dos seus grilhões; Encare isso como um momento natural.
  2.  Tenha uma base de leitura diversificada. Isso não significa incluir  romance pornô na lista. Mas erotismo quando bem escrito e se te agrada está valendo.
  3.  Use de linguagem velada que priorize mais as sensações das personagens que, propriamente, o contato físico em si.
  4.  Evite palavrões e palavras de baixo calão.
No final você terá uma cena bem feita que passe alguma emoção aos seus leitores. Sexo é bem mais que uma sequencia de toques e gritos, é um momento de troca entre duas pessoas que sentem uma pela outra algo forte e que demonstram isso em gestos no momento em que se tocam. Transforme esse momento como tal, não torne isso algo banal e sem sentido, vamos espalhar boa literatura por aí. Essa é a minha opinião. Nem todos os livros eróticos são ruins, embora que não seja leitora desse gênero, sei que há alguns bem escritos, encontre-os. Para finalizar, um último exemplo:

"Os lábios dele eram suaves, carinhosos e eu quase podia notar que ele travava uma guerra interna contra o seu desejo abrasador. Eu me sentia adorada, como se fosse algo frágil e precioso do qual ele cuidava, Bernardo media cada movimento e cada toque com tamanho cuidado que meus temores dissolveram-se no seu calor e tornaram-se inúteis, minha mente verteu-se nas sensações que ele me despertava, eu me sentia confortável e segura ali, ele me tomava para si com uma delicadeza que ainda conseguia me surpreender. Afastando-se minimamente ele sussurrou entre meus lábios:
- Não precisa ter medo, não vou machucar você. – Garantiu.
Acariciei seu rosto delicadamente olhando em seus olhos por um instante, deslizei-a pelos seus ombros tirando dele a camisa branca que ele jogou de lado. Podia sentir o calor da pele dele sobre o meu colo desnudo aquecendo-me, ele deslizou o vestido pelo meu corpo e eu arquejei quando ele pressionou-se contra mim, a dor foi rápida como a picada de uma agulha, aguda e intensa. Uma lágrima despencou pelo meu rosto e eu apertei sua pele sob meus dedos com toda a força, ele iniciou então sua dança voluptuosa dominando cada parte de mim completamente, era como se nos perdêssemos um no outro ao mesmo tempo em que nos encontrávamos. O mundo explodiu em cores, eu sentia que estava fora de mim ao mesmo tempo em que me completava; as sensações eram novas e tão intensas que era impossível descrever. Bernardo foi gentil, suave, apaixonado e assim nossas almas se fundiram e se entrelaçaram como uma só."

E como esse post já ficou enorme eu vou parando por aqui! Qualquer dúvida que tiverem já sabem, deixem nos comentários ou me mandem por email. Se precisarem de dicas extras com esse assunto ou quiserem que eu dê uma olhada na cena de vocês, só mandar!
Beijos e até a próxima!

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