Ano: 2023
Autor: Kim Ho-yeon
Gênero: Ficção
Sinopse: Dok-go mora na Estação Seul e passa seus dias olhando para a mesma loja de conveniência. Ele não tem lembranças do seu passado, mas sabe que daria tudo para beber uma dose de soju. Quando acha uma bolsinha com documentos e uma carteira, ele não faz a menor ideia de que sua vida está prestes a mudar. A senhora Yeom, uma professora de história aposentada, perdeu sua bolsinha na estação. Mas graças ao bom Deus que sempre a protege, assim que deu falta dos seus pertences, recebeu uma ligação de um telefone público informando que tinham sido encontrados. Ela fica tão grata que resolve levar Dok-go até sua loja de conveniência para lhe dar de comer. Ao ver a felicidade estampada em seu rosto, ela diz que ele pode passar lá todo dia e pegar uma marmita. Por uma reviravolva do destino, Dok-go acaba salvando a loja de um assalto. E, mesmo que os funcionários não confiem tanto assim nele, a senhora Yeom oferece ao homem com aparência de urso a vaga do turno da noite. Aos poucos, Dok-go surpreende a todos e cativa as pessoas ao seu redor. O problema é que o filho imprestável da senhora Yeom tem outros planos para o lugar. Ele quer vender a loja e, nesse ínterim, contrata um detetive para descobrir o que Dok-go vem tentando a todo custo esquecer.
Já no trem, a Senhora Yeom descobre que sua bolsinha com dinheiro e documentos não está na bolsa. Não importa o quanto tente se lembrar, ela não sabe onde pode tê-la perdido. Então seu celular toca e ela recebe a notícia de que um homem a encontrou, ele pede uma confirmação de que ela é realmente a dona do objeto e diz que ficará na estação de Seul esperando para devolver. Pouco tempo depois ele liga de novo perguntando se pode comprar uma marmita em uma loja de conveniência perto da estação, a Senhora Yeom autoriza.
Quando ela chega ao destino, encontra o homem sendo espancado por três outros moradores de rua enquanto protege com todas as forças a sua bolsinha de dinheiro. Ela espanta os sujeitos e quando se aproxima, ele devolve o pertence dela, lamentando sua refeição perdida. A senhora Yeom o leva até sua própria loja de conveniência e lhe oferece uma marmita dizendo que ele pode ir até lá sempre que estiver com fome. Ela pergunta o nome dele, mas ele diz que não sabe, fala que ela pode chamá-lo de Dok-go.
A loja de conveniência da senhora Yeom tem três funcionários, Shi-hyeon que trabalha no turno da manhã, a senhora Oh que trabalha no turno da tarde e Seong-pil no turno da noite. Shi-hyeon está estudando para um concurso público e a Senhora Yeom espera que em breve ela possa deixar a loja por um emprego realmente melhor. Seong-pil informa que vai precisar pedir demissão, a senhora Yeom sabe que o turno da noite é o mais difícil de conseguir funcionário e embora esteja feliz que o funcionário conseguiu algo melhor, já prevê o problema de conseguir alguém para substituí-lo.
Sem alternativa, ela assume o posto noturno até encontrar alguém. Em uma noite, um grupo de adolescentes problemáticos entra na loja e começa a causar confusão, é nesse momento que Dok-go aparece e resolve a situação por ela, já tendo chamado a polícia quando viu de longe tudo acontecendo. Então a senhora Yeom tem a ideia de fazer daquele morador de rua seu funcionário, ele teria um lugar para passar a noite no inverno frio, comida e receberia um salário. Em troca disso ele além de trabalhar precisaria parar de beber. E Dok-go aceita.
Assim começa a jornada de Dok-go na loja de conveniência, ele começa a lidar com os funcionários, que têm certo preconceito contra ele, e com os diversos clientes. Mas seu jeito único começa a mudar vidas sem que ele faça mais esforço do que ouvir e tentar entender. Enquanto reconstrói as vidas à sua volta, lentamente Dok-go vai se redescobrindo e reencontrando.
Esse livro quase segue a vibe da ficção de cura de outros que já resenhei, mas a diferença é que a história centra mais no próprio Dok-go cujo nome verdadeiro não descobrimos, apesar de, no final do livro, descobrirmos que ele já recuperou a memória. Do sei jeito, às vezes até sem perceber, ele dá norte para a vida das pessoas quando não consegue nem dar rumo na própria história. Ele deu um ideia que mudou a vida de Shi-hyeon, ajudou a senhora Oh com o filho, colocou os clientes impertinentes no seu lugar, fez uma autora travada voltar a escrever e deu esperança a um pai de família sem rumo. O grande mistério do livro é descobrirmos o passado dele, algo que acontece em partes no último capítulo, talvez por ter continuação a gente tem um final aberto, ainda assim, é impossível não se emocionar com o jeito tocante com que Dok-go interfere em situações.
A figura dele também me levantou uma reflexão profunda sobre uma habilidade que, com o tempo e o avanço da tecnologia, a maioria das pessoas está perdendo: a habilidade de escutar. Todo mundo está ocupado demais com os próprios problemas, com o tempo que nunca é suficiente, com as telas, para conseguir escutar de verdade um amigo que precisa, uma pessoa passando por um momento difícil, nunca se falou tanto sobre saúde mental e se compreendeu tão pouco sobre o assunto. Na maioria das vezes uma visão de fora é capaz de mudar todo um roteiro negativo que a mente de alguém já criou. Dok-go é bom em ler pessoas porque ele presta atenção, hoje a nossa atenção está sempre presa. Gostei muito desse livro, é uma mensagem sobre segundas chances, sobre aprender com os erros e sobre nunca parar de tentar não importa quão difícil seja a situação.

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