segunda-feira, 12 de novembro de 2018

[Livro] Cão Raivoso

Tìtulo Original: Cujo
Autor: Stephen King
Ano: 1981
Páginas: 332

Sinopse: O livro conta a história da família Trenton, de classe-média. Mundana conjugal e as dificuldades financeiras desgraçaram a vida de Vic Trenton e sua esposa, Donna. Seus problemas domésticos são aumentados pelo perigo mortal quando Donna e seu filho de quatro anos, Tad, são aterrorizados por um cão da raça São Bernardo chamado Cujo. O livro foi adaptado em 1983 para um filme homônimo.

Peguei esse livro em uma das minhas idas à biblioteca do SESC da minha cidade. Às vezes gosto de ir para lá estudar, me proporciona uma refrescante mudança de ares e ajuda a manter uma concentração maior pela ausência completa de sons. Em decorrência do Halloween, eles estavam expondo uma grande coleção de Stephen King. Sempre tive muita vontade de ler alguma coisa do autor, mas nunca comprei nada dele por causa dos valores sempre altos dos seus livros. Minha intenção era alugar O Iluminado, mas não tinha então, em meio aos títulos disponíveis, acabei pegando esse só pra me introduzir no estilo do autor mesmo (coisa que ao terminar fiquei me pensando ter sido uma meia má ideia. O próprio autor disse que escreveu o livro no ápice do abuso de drogas e álcool, o que é notável se olharmos o tipo de coisa que tem aqui dentro kkkk).

A premissa é simples, mas não rasa. Nós acompanhamos, basicamente, a história de dois núcleos de personagens que se interligam, os Trenton, uma família de Nova Iorque que se mudou para Castle Rock por causa dos negócios do chefe da família, Victor (Vic). E os Camber, a família dona do cão Cujo que mora numa espécie de fazenda. Obviamente aparecem muitas outras personagens que se atrelam à trama, mas não acho que sejam realmente principais. Então, o casamento de Vic e Donna Treton está indo ladeira abaixo desde que se mudaram para aquele fim de mundo, Castle Rock é uma cidadela no Maine que não oferece muita coisa, pra terminar de piorar, a empresa do marido está enfrentando sérias dificuldades quando uma das marcas para quem trabalhavam foi processada por contaminação. Vic está com uma viagem agendada para algumas semanas em Boston, mas receia deixar a mulher e o filho de quatro anos, Tad, sozinhos principalmente quando seu casamento está passando por aquela crise.

Quando o carro de Vic dá problema, recomendam que ele o leve até o mecânico Joe Camber que é eficiente e não costuma cobrar caro pelos serviços. Junto à mulher e o filho, ele vai até a fazenda do mecânico onde conhecem sua mulher, Charity, o filho de dez anos, Brett e o animal de estimação, um são bernardo de nome Cujo que adora crianças. Tad fica encantado com o cachorro para desespero dos pais que, considerando o tamanho do animal, pensam que pode comê-lo em duas bocadas sem dificuldade. Somos então introduzidos à família de Joe Camber, um homem rude e alcoolatra que espanca a mulher, esta por sua vez vê-se incapaz de deixá-lo seja pela sua disposição fraca ou por motivos financeiros.

Por vezes, somos levados aos pensamentos de Cujo, um cão como qualquer outro que leva uma vida despreocupada com pensamentos igualmente livres. Um dia, ao perseguir um coelho, ele acaba ficando entalado em um buraco cheio de morcegos com raiva, um deles acaba mordendo o focinho do cachorro e infectando-o, contudo, seus donos não percebem isso e a doença vai piorando a cada dia até o cão se tornar uma besta feroz com sede de sangue.

Mais perto de sua viagem, Vic descobre que Donna o traiu com um restaurador de móveis e o casamento que já não ia muito bem desmorona de vez. Magoado e desconfiado, ele decide ignorar seus sentidos e viajar para se afastar da mulher e decidir o que fazer com seu casamento. O carro de Donna começa a dar problemas, mas ela fica protelando sem querer realmente levá-lo até a fazenda de Joe. Enquanto isso, Charity enfrenta o marido para viajar até Connectcut em visita à sua irmã Holly, coisa que o marido inicialmente recusa sob ameaças, mas ela lhe propõe um acordo e os dois chegam a um consenso. Ela viaja com Brett e Joe planeja fazer o mesmo sem que ela saiba, para gastar o dinheiro que ela ganhara na loteria com jogos, bebidas e prostitutas. Para isso, ele fala com seu vizinho e único amigo Gary, um "heroi" da segunda guerra alcoolatra e tão ignorante quanto Camber.

A doença de Cujo vai piorando até chegar ao ponto de quase matar Brett, mas o cão consegue uma última gota de razão e foge, deixando o menino preocupado. Ele vai até a fazenda de Gary, mais abaixo, em loucura por causa da raiva, acaba estripando o homem sem dó. Joe deixa a mulher e o filho na rodoviária e, ao voltar pra casa e planejar a viagem, acaba se deparando com o dilema de quem vai alimentar o cachorro durante sua ausência. Decide ir até a casa do amigo debater a questão e, lá chegando, encontra-o morto e logo junta os detalhes e descobre que fora seu cachorro que o fizera. Tomado de terror, ele tenta pedir ajuda, mas é atacado pelo cão e assassinado do mesmo modo. 

Donna decide levar o carro até a casa de Joe, junto com Tad sob o escaldante verão de Castle Rock, rezando para que o carro não enguice no meio do caminho. O que vem a acontecer quando chegam à casa do mecânico. Ela e o filho são encurralados por Cujo dentro do carro abafado em três dias de tensão, terror e nenhuma esperança.

Acho que o grande mérito de King nesse livro, além do fato de pegar uma coisa tão simples como um cachorro e transformá-lo numa besta, é a construção de personagens tipicamente americanos de verdade que demonstram o lado mais podre da sociedade normalmente retratada como "perfeita" além de abordar alguns temas interessantes como o abuso doméstico, a infidelidade e a baixa autoestima. No começo o livro é bem arrastado, ele vai detalhando e contextualizando a vida de cada personagem o que chega a ser um pouco maçante, mas válido porque nos ajuda a entendê-los melhor e, mesmo que isso não nos cause qualquer tipo de empatia por eles, pelo menos nos ajuda a imaginar em tal nível que esquecemos que estamos lendo uma ficção.

Não posso dizer que odiei o livro, mas também não digo que amei. Achei a leitura válida até certo ponto, mas confesso que por causa do "endeusamento" de King, esperava um pouco mais. Talvez tenha sido o livro escolhido (e por isso vou programar outras leituras), mas realmente cumpre o propósito de ser um livro de terror, grotesco e atemorizante. Nisso não há dúvidas. Uma adaptação foi feita dele, mas não cheguei a assistir pela pura falta de coragem mesmo kkkk se adaptaram bem, pelo menos as mortes, é algo que eu realmente não quero testemunhar. Mas vou deixando o trailer aí pros interessados.


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