Autor: Bárbara Simões
Gênero: Literatura comparada
Sinopse: Entre neste livro e sinta-se em casa! Já no primeiro capítulo, abre-se a porta do hall de todas as casas assombradas de Angola, do Brasil e dos Estados Unidos, moradas onde a escravidão gerou o trauma que os autores do século XX não puderam esquecer. Assombradas, essas nações, no tempo contemporâneo, buscam lidar com seus fantasmas, e a memória traumática permanece, questionando a ideia de identidades nacionais construídas na supressão de diferenças e relendo uma versão tradicional da História desses países onde a escravidão deixou marcas. Em Angola, a escravidão, como chaga aberta, é rediscutida em Arnaldo Santos, em A casa velha das margens, livro que retoma o fim do século XIX e o momento em que os filhos do país tentam entender seu lugar naquele mundo de contradições. No Brasil, uma das chaves para o entendimento do país que se fundou sob o patriarcalismo e a escravidão pode ser a ponte quebrada entre senzala e casa grande, assim como a rachadura em que se inscrevem as relações raciais no país que é desenhada por Cornélio Penna em A menina morta. Finalmente, em Beloved, a violência do infanticídio, fragmento da história, notícia de uma folha de jornal velha de um arquivo, transforma-se em ficção pelas mãos de Toni Morrison, e o fantasma de todos os negros mortos pela violência da escravidão assombra o progresso estadunidense. No entrecruzamento das três narrativas, situa-se a narrativa de Bárbara Simões, que abre as portas das casas-nações assombradas e convida o ruído que faz o indesejado estranho nessas obras criar uma outra história, que se desenvolve em busca de perguntas, questionando o “seguir sempre em frente” de nações cujo passado não ficou para trás.
Eu estava esperando uma ficção, mas acabei num trabalho de literatura comparada, mas no fim de tudo não foi ruim, até interessante. O livro trata da comparação entre três obras, uma angolana, uma americana e uma brasileira, dentro dessas obras são abordados tópicos relacionados à escravidão, opressão, apagamento e outras questões pertinente às feridas causadas pelo negro período escravocrata e como essas cicatrizes perduram até hoje.
A autora entra em diversos tópicos diferentes como aspectos psicológicos e não apenas sociológicos, compara personagens dentro de óticas como dissociação, traumas causados pela escravidão entre outros. Em alguns momentos, no meu ponto de vista, ela se perdia um pouco e começava a entrar em linhas de raciocínio que não combinavam muito com o tema proposto no capítulo, mas, no fim, acabava retornando ao ponto.
Achei no MEC Livros, não foi tão rápido de ler, especialmente pelo formato, mas foi interessante ver esses aspectos dentro da literatura e como isso se espelha ainda hoje na nossa sociedade.
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