domingo, 11 de outubro de 2026

[Livro] As três Irmãs / O Jardim das Cerejeiras

 Original: Три сестры /  Вишнёвый сад

Autor: Anton Tchekhov

Ano: 1901 e 1904

Gênero: Peça Teatral

Sinopse: 1. Acompanha as irmãs Olga, Masha e Irina Prósorov, além do irmão Andrei, que vivem em uma sonolenta cidade de província na Rússia. Elas nutrem o sonho constante de retornar a Moscou, onde passaram a infância feliz. 2.  Retrata a aristocrata Liubov Ranevskaia, que retorna à sua propriedade rural (famosa por um imenso e belo pomar de cerejeiras) na iminência de o local ser leiloado por dívidas hipotecárias.

Esse foi meu primeiro contato com Tchekhov, eu tinha ouvido falar dele em um curso de contos que fiz ano passado. Não sou versada em literatura russa, então foi um livro um pouco difícil de ler, precisei de contexto pra entender. No geral, é uma obra bem parada, focada no cotidiano e, diria mais, bem pessimista.

Segue a história de três irmãs e um irmão que, após a morte do pai, vivem em prol do desejo de se mudar para Moscou. Trabalhando principalmente o tema do tédio conforme os personagens interagem entre si (e a gente sente esse tédio o tempo todo) vamos acompanhando o declínio dessa família que vê, aos poucos, o sonho da mudança tão esperada desmoronar. Permeada de certo pessimismo, a peça apresenta personagens comuns discutindo sobre o futuro, a morte, o trabalho e suas auguras enquanto as irmãs lidam com o irmão viciado em jogo para lidar com a esposa paranoica. No fim, as três irmãs terminam estagnadas e falidas, com uma vida mergulhada no trabalho e na melancolia.

A segunda peça trata da abolição da escravidão na Rússia, pelo que eu pesquisei, Tchekhov viveu nessa época e acompanhou as mudanças de perto. Com a libertação dos escravos, os senhores de terra se viram com problemas e é esse o caso da protagonista da peça, que está voltando para Rússia a fim de lidar com os problemas da casa hipotecada. Ela foi embora depois que seu filho morreu afogado na propriedade e fugiu para França onde viveu por alguns anos. Agora, resta pensar em como vai lidar com as dívidas uma vez que não tem dinheiro por ser uma esbanjadora. A peça vai trabalhando esse tema enquanto os personagens discutem o seu destino se confiando em uma rica parenta que é a única capaz de ajudá-los, mas que demonstra pouco interesse nisso. Enfim, a propriedade é leiloada para um empresário cuja família foi escrava naquela mesma casa.

Confesso que, como dramaturgo, eu não gostei muito de Tchekhov, vou tentar ler alguns contos dele para ver se simpatizo mais. Nem foi a estranheza do formato porque eu estou acostumada com as peças de Shakespeare, foi o conteúdo mesmo que não conseguiu me prender. 


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