Título original: Белые ночи
Autor: Fiódor Dostoiévski
Ano: 1848
Gênero: romance, drama, conto
Páginas: 80
Sinopse: Livro mais romântico da obra de Dostoiévski, Noites brancas traz como tema central o encontro entre uma jovem desiludida e um sonhador, aquele que narra os eventos ocorridos ao longo de poucas noites, durante um período muito especial do ano em São Petersburgo
O livro é narrado pelo personagem O Sonhador, um homem na casa dos vinte anos que vive em um quarto alugado em São Petersburgo. Ele é solitário, não tem amigos e nem família, mas conforme passeia pelas ruas da cidade se familiariza com as construções que parecem falar com ele e registra o fluxo das pessoas de quem nunca se aproxima. Até o dia em que, voltando para casa, encontra uma jovem chorando, ele tenciona falar com ela, mas não consegue. Ao notar a presença dele, ela vai embora, mas é abordada por um homem bêbado e o sonhador acaba salvando-a e, assim, os dois se conhecem.
O nome da menina é Nástienka, ela tem dezessete anos e vive com uma avó e uma empregada surda. Eles combinam de se encontrar no dia seguinte para se conhecerem melhor apesar do primeiro contato muito afoito e cheio de sentimentalismo. Sonhador conta para ela suas desventuras e a solidão que o cerca, ela conta sobre a vida reclusa com a avó que a mantém "presa" em casa. E lhe conta sobre o inquilino por quem se apaixonou. A partir daí, a amizade dos dois se consolida e Sonhador vai se apaixonando por Nástienka sem esperança de ser correspondido.
O tom do livro é bem melancólico, até um pouco pessimista. A história acontece em quatro noites nas quais os dois se encontram e conversam sobre suas auguras. Nástienka é só uma adolescente, com isso está condicionada a ser instável, imediatista e facilmente ludibriada, a convivência fechada com a avó tirou dela a experiência necessária para se imunizar ante as perversidades do mundo. O Sonhador, por sua vez, parece ter tido mais experiência na vida, julgando a época e o fato de ser homem é explicável. Todavia, ele carrega em si um certo niilismo e pessimismo pungentes.
Sob uma ótica muito próxima do romantismo, o autor russo mergulha em temas como espera, solidão, amor platônico e efemeridade. Diante do romance frustrado fica a pergunta, aquelas quatro noites de felicidade, que podem ser resumidas em um minuto, compensam uma vida inteira de amargura? Isso me deixou pensando por um tempo, especialmente porque, nos momentos de angústia, tendemos a apagar da nossa mente qualquer memória de felicidade, por menor que seja. A gente pende a esquecer que nossa vida é um sopro, que a felicidade é construída com nossas ações diárias e não deve depender de ninguém além de nós mesmos. Da nossa busca constante por sermos melhores e fazer o mundo melhor.
É um livro muito curto, mas muito denso. Gostei bastante, para quem nunca leu nada do autor acho que essa é uma excelente porta de entrada.

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