sábado, 1 de abril de 2017

Kuzu no Honkai [Mangá, Anime, Live Action]

Título Original: クズの本懐 (kuzu no honkai)
Título em Inglês: Scum's wish (desejo da escória)
Volumes: 8
Episódios 12 (mangá e live action)
Gênero: seinen, drama, romance, escolar
Ano: 2012 (mangá) 2017 (anime/live)
Autor: Mengo Yokoyari
Direção: Masaomi Ando (anime)/Shogo Miyaki
Shunsuke Shinada (live action).
Nota: ***

Sinopse: Mugi Awaya e Hanabi Yasuraoka, de 17 anos, parecem ser o casal ideal. Ambos são bastante populares, e eles parecem se adequar bem uns aos outros. No entanto, as outras pessoas não sabem do segredo que compartilham. Tanto Mugi e Hanabi têm uma paixão não correspondida por outra pessoa, e eles estão apenas namorando uns aos outros para acalmar sua solidão. Mugi está apaixonado por Akane Minagawa, uma jovem professora que costumava ser sua tutora em casa. Hanabi também está apaixonada por um professor, um jovem que é amigo da família desde pequena. Em um ao outro, eles encontram um lugar onde podem sofrer por aqueles que não podem ter, e compartilham a intimidade física conduzida pela solidão. As coisas ficarão assim para eles para sempre?

ENREDO

Vamos falar de Kuzu no Honkai o anime/live action que deu o que falar esse ano. A coisa louca é que apesar de ter sido lançado em 2012, com a produção simultânea do anime e do live action esse ano muita gente (como eu) meio que conheceu o mangá esse ano também, aí ficou uma coisa muito doida lendo e assistindo tudo de uma vez. Kuzu no Honkai foi o primeiro mangá que eu li, mas o modo como conheci a obra foi por meio do dorama lançado pelo Mahal Fansub com legenda em PT. A proposta da obra era tão atraente e interessante que eu fui logo atrás do mangá, havia, na época, sete volumes lançados, dos quais até o capítulo 32 estava em português, o resto eu fui lendo pelo MangaFox em inglês mesmo, agradecendo imensamente o fato de ter uma linguagem bem fácil de entender e gente, verdade seja dita, todo mundo foi atrás dessa obra pelo teor safadinho dela, uma produção, inclusive, que achei bem liberal para os japoneses principalmente no live action. 
A premissa é que Mugi e Hanabi gostam de seus professores desde sempre. Mugi é apaixonado por Akane, sua professora de música que, anteriormente, foi sua tutora particular e Hanabi é apaixonada por Kanae, que a conhece desde que ela era criança e era como um irmão para ela. Até aí tudo bem, tudo ficaria tranquilo se Kanae não se apaixonasse por Akane fazendo com que Mugi e Hana se conhecessem e fizessem o estranho pacto de confortar um ao outro fingindo que eram as pessoas que eles gostavam. Ambos se sentiam sozinhos, ambos queriam carinho e consolo para seus corações partidos, ambos queriam ser tocados pelas pessoas que amavam, então, Mugi fingia ser Kanae e Hana fingia ser Akane e assim uma relação suja começou a nascer entre eles: sem sentimentos, sem envolvimento, apenas satisfação mútua.
É quando entra em cena a personalidade podre de Akane, uma mulher vazia que tem como hobby para sua vida entediante dormir com todo e qualquer homem que a deseje. Mas, não é isso que a torna desprezível e sim o fato de ela querer, principalmente, o desejo de homens que tem o afeto de alguém do seu círculo. Ela não se interessou por Kanae até descobrir que Hanabi estava apaixonada por ele, e é disso que ela gosta, magoar a outra. Tomar o que é dela e vê-la sofrer por isso. Mugi sabe disso e, pasmem, é o que faz ele gostar ainda mais dela. Concordamos, então, que ele tem sérios problemas mentais. O anime segue então Hanabi, furiosa por descobrir a verdade sobre a professora, dividindo-se entre o desejo de tomar o que é dela - e assim tornar-se igual a ela - e o de conseguir livrar o seu amado professor das garras podres dela enquanto satisfaz seus desejos com Mugi e envolve no seu círculo de sujeita Ecchan, sua única amiga que ela vem a descobrir ser apaixonada por ela e que não se importa nem um pouco em dividi-la com Mugi, que, por sinal, quase dá uma de pedófilo com Noriko, uma amiga de infância que é apaixonada por ele (mais na cabeça dela que na realidade).
Vou te dizer, Kuzu no Honkai é realmente uma obra que faz jus ao nome, ninguém nessa obra presta. Ainda assim, torna-se meio automático você começar a torcer pela Hana e o Mugi, eu queria que eles ficassem juntos e assistia cada capítulo mais ansiosa pelo desenrolar da trama. Chega uma hora que eles começam a se envolver de verdade um com o outro, como era de se esperar, Hanabi começa a ficar nervosa na frente de Mugi, para ambos se torna impossível imaginar os professores e eles passam a se desejar de verdade. Por isso achei o final tão sem lógica, eles ignoraram esse fato.


RELAÇÃO MANGÁ-ANIME-LIVE ACTION

Se você ler o mangá, o anime vai te desestimular um pouco porque a obra é tão fiel ao mangá que tira de você qualquer tipo de surpresa. Você já sabe o que vai acontecer antes que aconteça e isso torna o anime menos interessante, é legal para ver as coisas animadas, mas só até certo ponto, o ponto em que você considera a obra boa, a partir do momento que ela começa a ficar "desesperançosa" você meio que começa a torcer para que o anime tome um rumo diferente, mesmo sabendo que não vai acontecer. E quando eu digo fiel é fiel mesmo, o que você ler no mangá vai ser animado, eles vão mudar, no máximo, algo pequeno no diálogo, mas todo o resto é cem por cento fiel ao mangá. No caso do live action as coisas mudam muito pouco, há uma discrepância de tempo - inclusive o live action ainda não terminou - entre ele e o anime, sinto que o live se foca mais na relação Mugi/Hana e na relação deles com os professores. Mas, aquém dessa disparidade cronológica, os acontecimentos são conectados ao cerne do mangá e do anime o que tira da gente as esperanças do mesmo jeito. Alguns personagens, como a Noriko, apareceram tardiamente e mais como uma participação rápida no dorama o que por um lado ficou bem bacana (principalmente porque essa fedelha é um pé no saco). Alguns acontecimentos também se modificam levemente no dorama, mas no geral ele é até bem fiel ao anime e as cenas quentes ficaram muito boas, tanto que foram cortadas na televisão japonesa.
Uma das mudanças mais significativas que eu achei do mangá para a adaptação tem a ver com a Hanabi, na obra ela é muito popular entre os garotos da escola, todos querem sair com ela embora ela não dê atenção a nenhum deles, no anime ela parece mais à margem, como se passasse meio despercebida, a adaptação deu apenas a entender bem sutilmente que ela era popular.

PERSONAGENS

Uma das coisas mais interessantes nessa obra são as personagens. Temos dois personagens principais e quatro personagens de apoio que sustentam uma trama cheia de traição, luxúria e a busca do autoconhecimento. O modo como as personagens foram desenvolvidas caiu feito luva na premissa da obra, temos Mugi, um cara que, apesar de demonstrar sua autoconfiança para a Hana, no fundo é um garoto um pouco inseguro, que não entende bem a si mesmo e tem certo receio de ficar sozinho. Hanabi é uma garota um pouco fria, depois da partida do pai ela meio que criou um distúrbio de relacionamentos, fico me perguntando se grande parte da afeição que ela tem pelo Kanae não está 
ligada ao fato de ele ter representado a principal figura masculina da sua vida durante seu desenvolvimento. E falando em Kanae ele com certeza se apaixonou pela Akane porque, bizarramente, ela lhe lembra sua mãe falecida. Acho que na mente dele, ele acredita que ela ocuparia sim um bom lugar de esposa como sua mãe tinha feito com seu pai (ledo engano!) tanto é que ele não se importa nem um pouco com o hobby dela de dormir com qualquer homem excitado que aparecer. Akane é uma vadia. Ponto. Ela quer dormir com todo mundo, ela quer ser desejada por todo mundo e ela sente satisfação em seduzir quem quer que seja, principalmente se tiver um coração partido em potencial para deleitá-la ainda mais. Ela se compraz em ser o que é, narcisista e competitiva, sem vergonha e cínica. 
Uma das coisas que, para mim, foi mais interessantes nesse quesito da obra foi a evolução da Hanabi. Inicialmente, pela raiva, ela deseja pagar Akane na mesma moeda e, para isso, começa a tomar atitudes estúpidas que só fazem com que ela se torne tão baixa quanto a professora que odeia, no fim, ela acaba percebendo isso e conservando a única coisa boa que ainda restou nela. 
As personagens dessa obra estão em busca do tal "amor verdadeiro", eles querem desesperadamente sentir isso, e na impaciência acabam se satisfazendo com a simples  necessidade fisica momentânea para, só então entender que não é o bastante, que é preciso mais que toque e prazer para satisfazer o coração. Pelo menos foi essa a ideia que eu tive.
Ainda assim, não achei que o final de Kuzu no Honkai foi satisfatório pra mim, pelo menos não foi o que eu esperava e sei que muita gente ficou tão furiosa quanto eu. Apesar de condizer com as imperfeições das personagens ressaltadas ao longo da obra, a autora deu a entender que o envolvimento do Mugi com a Hanabi havia evoluído de maneira definitiva e simplesmente desconstruiu isso abruptamente. As coisas foram tomando um rumo não muito justo, ainda assim, sabemos que na realidade o bem nem sempre vence o mal e acho que o intuito dessa obra foi se aproximar muito da realidade.

Eu recomendo Kuzu no Honkai se você é daqueles que quer ver um drama erótico leve, com personagens bem próximas da realidade que vivemos, com uma trama intensa, mas sem se apegar a nenhum personagem e sem torcer por nenhum casal. Não recomendo se você é dos meus, com coração sensível, romântico incurável que torce pelo casal, que quer justiça e final feliz.  Mas se abro um parêntese aqui é com os beijos do dorama, são realmente muito dignos! Os da Hana e o Mugi então, paixão pura!

Onde encontrar:
Dorama:  MAHAL DRAMAS (necessário cadastro)
Anime: ANIMAKAI
Mangá: MangáHost (em andamento) / MangáFox (inglês) completo faltando apenas o 47.

Pessoinhas, eu estou adoentada, por isso não atualizei a leitura ainda, sem vontade de fazer nadaaa. Vou ver se assisto algum anime por hora, estou acompanhando dois doramas simultaneamente. Volto assim que possível! Se houver qualquer errata com o enredo eu volto aqui pra atualizar, tá?

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