sexta-feira, 1 de junho de 2018

[Anime] ERASED (+ Live Action + Série)


Título original: 僕だけがいない街 RR Boku Dake ga Inai Machi 
lit. A cidade onde só eu não existo
Gênero: Fantasia, mistério, suspense
Episódios: 12
Ano: 2016
Direção: Tomohiko Itō
Roteiro: Taku Kishimoto
Música Yuki Kajiura *U*

Sinopse: Satoru Fujinuma, 29 anos e aspirante a mangaká, volta no tempo sempre quando acontece uma tragédia em especial, é um fenômeno conhecido como "revival". Certo dia, sua mãe nota e suspeita a presença de um sequestrador - um assassino em série que cometeu crimes contra alguns colegas de infância de Satoru - por ela perceber e ter a mente aguçada, foi assassinada pelo meliante a facadas de forma fria. O incidente despertou o "Revival", fazendo-o regressar 18 anos no tempo. Não apenas para salvar a mãe, como também seus amigos. A história se passa em 2006 e em 1988, quando viaja 18 anos para trás.

A principal razão de eu ter demorado tanto a ver esse anime é pura e simplesmente porque eu estava com medo, admito. A temática do anime não era para qualquer momento, precisava encontrar o ponto certo onde eu estivesse equilibrada o bastante para ver, contudo, acabei me surpreendendo por ele ser bem leve graficamente apesar de se tratar de temas bem pesados como abuso, assassinato e sequestro de crianças. 

Com trilha sonora da maravilhosa Yuki Kajiura (gente, eu amo o trabalho dessa mulher!) e uma ending cantada pela Sayuri, a mesma que fez a abertura fantástica de Kuzu no Honkai, Erased ou Boku Dake ga Inai Machi conta a história de Satoru, um mangaká que não consegue engatar na carreira pelo simples fato de não conseguir passar sua "alma" na sua obra e, por isso, o editor não aceita seus trabalhos por acreditarem que não são vendáveis. Ele trabalha em uma pizzaria como entregador junto de Airi, sua colega de trabalho que sempre o provoca com a mesma 'piada' quando ele sai para uma entrega.

Contudo, Satoru não é uma pessoa normal, ele passa por um fenômeno chamado revival, sempre que alguma coisa trágica está para acontecer, ele tem a capacidade de voltar no tempo para impedir, e é em um desses momentos que ele acaba sofrendo um grave acidente e é internado no hospital. Assim, sua mãe viaja do interior para passar um tempo com ele enquanto se recupera completamente para ficar sozinho de novo. Um dia, enquanto fazem compras, a mãe dele presencia uma tentativa de sequestro de criança e reconhece o sequestrador como uma pessoa de anos atrás, por causa disso ela é assassinada e Satoru, ao achá-la, acaba sendo culpado por sua morte.

Ele então volta em um revival dezoito anos atrás para tentar resolver o caso que mataria sua mãe anos mais tarde, o ano em que Kayo Hinazuki foi assassinada. Satoru precisa encontrar e prender o assassino e evitar que tanto Kayo quanto as outras duas crianças sejam pegas e mortas, mas qual o preço a pagar por mudar o passado?

Vou confessar que esse anime me surpreendeu um pouco, mas não de um jeito totalmente bom. Os temas dos quais ele trata são realmente muito fortes e na minha opinião mereciam ter tido uma abordagem um pouco mais densa, a impressão que dá é que tentaram aliviar um pouco as coisas para não ficar um clima demasiado pesado apesar do tema pedir isso. A violência gráfica, por outro lado, eu gostei muito, é bem higiênica então para as pessoas como eu que se impressionam com facilidade dá para ver tranquilo. O clima de tensão é muito bem construído deixando a gente tenso em cada final de episódio e se um obra visual pode ensinar alguém a fazer ganchos, essa é com certeza uma!

Porém, a coisa perde um pouco o foco quando parte para os personagens, Satoru deixa passar muitas pistas e coisas realmente importantes na sua busca, ele fica tão focado em livrar Kayo e os outros do assassino que esquece de procurar o assassino e salvar sua mãe no futuro. A coisa do revival não ser explicado não me incomodou muito apesar de comprometer um pouco a lógica da narrativa, achei um detalhe que deu para passar. Contudo, as escolhas dos personagens e sua inteligência não me convenceram muito, mesmo que justifiquem-se que Satoru é uma criança de onze anos, ele tem um revival com uma mente de 29, não justifica sua dispersão de raciocínio.

O final do anime, entretanto, carrega um pouco de tensão sim, mas confesso que dá pra desconfiar do assassino bem de cara, e muitas coisas no final ficaram um pouco previsíveis, eliminando um pouco o elemento surpresa. Contudo alguns fatos foram um pouco surpreendentes para mim, como o andamento do Satoru depois dos eventos do episódio 11. Gostei muito disso, por sinal, além do fato de ele ter um final fechadinho. Por isso, elenquei ele como o mangá que lerei após O Livro dos Espelhos. Quero ver a fidelidade com o anime e as demais produções. Inclusive, esse mangá só tem 8 volumes dos quais 5 estão traduzidos em português, os outros vou ter que me virar em inglês mesmo.

Direção: Yūichirō Hirakawa
Roteiro: Noriko Gotō
Ano: 2016
Elenco: Tatsuya Fujiwara (28/29 anos), Tsubasa Nakagawa (10/11 anos) como Satoru Fujinuma 
Kasumi Arimura como Airi Katagiri 
Rio Suzuki como Kayo Hinazuki 
Yuriko Ishida como Sachiko Fujinuma 
Seiji Fukushi como Kenya Kobayashi 
Kento Hayashi como Jun Shiratori
Onde achar: Mahal Dramas Fansub

No mesmo ano do anime (e parece um pouco com Kuzu no Honkai que lançaram tudo de uma vez!) lançaram um filme live action protagonizado por Tatsuya Fujiwara (Death Note) e Kasumi Arimura (Strobe Edge) nos papéis principais (quer dizer, ela quase, né?). Confesso pra vocês que achei o Tatsuya um pouco velhinho pra fazer um cara de 29, ele não pareceu sei lá, convincente, mas okay.

Quando eu terminei de ver esse filme agora eu fiquei tipo WTF? Logicamente como a maioria das adaptações em filme eu esperava sim algumas mudanças e, em boa parte do longa, eles foram levemente fiéis ao anime, enxugando para exibir apenas as partes que eram realmente importantes (ou nem tanto), mas o final foi muito nada a ver, e é por isso que eu não recomendo esse filme, em um ponto da história ele simplesmente se perde e começa a seguir um rumo próprio que não leva a lugar nenhum, não sei se porque na época o mangá ainda não tivesse terminado ou se porque o autor se recusou a dizer o final. Contudo, é crível que o final do anime é mais aceitável aquém de todas as circunstâncias.

Senti que o longa focou bem mais na Kayo e na relação do Satoru com a Airi, que no fim das contas não resultou em nada. SPOILER: Sério, gente, o que foi aquela conversa no telhado? E aquela facada no pescoço depois daquela briga ridícula? FIM DO SPOILER. As atuações também não me convenceram muito, Yuriko Ishida (Maijo Saiban) é a que se sustenta melhor ao lado das crianças que para mim foram muito bem, tirando um pouco a Kayo que algumas vezes parecia meio forçada. Não é por nada, mas estou começando a ficar com receio de todo e qualquer filme que o Fujiwara faça, parece que ele tem o dedo ruim para aceitar papéis em roteiros que vão "fracassar". Dá para entender a quase nenhuma repercussão do longa (eu mesma não ouvi falar na época).

Direção: Ten Shimoyama
Roteiro: Kei Sambe
Ano: 2017
Episódios: 12
Elenco: Yuki Furukawa
Tomoka Kurotani
Reo Uchikaw
Brenda Joan

Então, provavelmente motivados pelo fiasco que foi o filme, a netflix decidiu investir numa série live action de 12 episódios que abarcaria a obra e teria o final original do mangá. Yuki Furukawa (Itazura na Kiss) foi uma escolha mais que acertada da direção para o papel de Satoru Fujinuma, além de ser um excelente ator ele parece muito com o personagem retratado no anime! (Sério, parece mesmo!).

Assim como no anime o desenvolvimento de personagens foi muito melhor que no filme, inicialmente o garoto que interpretou o Satoru, Reo Uchikaw, não me convenceu muito (inclusive, ele me lembra um primo meu quando criança), mas aos poucos fui me acostumando com ele. Os demais personagens estão em atuações incríveis, li que o dorama foi mais fiel ao mangá, vou atestar isso quando terminar de ler, contudo gostei enormemente do desenrolar das coisas e até mesmo das divergências entre o dorama e o anime nos episódios finais, achei que deu uma veracidade muito maior à história.

Uma das coisas que eu mais gostei é que apesar de se tratar de temas pesados, o dorama não apela para cenas grotescas, mas consegue ser um pouco mais sério que o anime uma vez que este dá bem mais pistas a respeito do assassino, acho que quem só assistir o dorama vai ser pego de surpresa. Ouvi muita gente dizendo que o dorama superou o anime, eu não digo isso, para mim os dois se complementam, o dorama perdeu muito do alívio cômico do anime e senti falta disso, mas o desenrolar das coisas faz mais sentido com a realidade e esse é um ponto forte. Eu recomendo fortemente essa adaptação, achei não apenas incrivelmente bem feita, mas de uma fidelidade que é uma delícia de assistir. Vale muito a pena!

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