sábado, 8 de setembro de 2018

[Música] Entendendo a Letra: Reis e Princesas


Olá, gente! Como estão?

Esses dias estava pensando em voltar com essas postagens na tag música, simplesmente porque me deu vontade mesmo. Andei pensando nessa música do Rosa de Sarón, uma das que mais gosto da banda, no meio de uma crise política absurda e da alienação quase total da população, achei que seria pertinente trazê-la para cá. Claro que, obviamente, o intuito dessas postagens não é trazer qualquer "defesa política", eu apenas comento o que entendo da música, a interpreto do jeito que ela conversa comigo. Desde que comecei a fazê-lo com músicas do Evanescence, eram apenas minhas compreensões a respeito das letras e vocês sabem que arte é passível de diversas interpretações diversas. As bandas que curto não têm lançado nada novo, ouvi o último single do Monsta X, Livin' it up, gostei muito, mas não faria um post só com ela, vou esperar o álbum novo. A última lançada pelo BTS não me impressionou muito não, nem musicalmente nem visualmente, então decidi nem comentar. Bom, sem mais delongas, vamos lá.

Reis e Princesas

Composição: Guilherme de Sá

Eu não sei se eu sigo a ver navios
Ou se ponho neles os animais
E deixo pra nós o que nos cabe, porque
Se na briga entre dois elefantes
Quem se ferra é a grama
Diga-me: qual é o rato que irá apartar a nossa ira?
Antes que acabem minhas lágrimas
permita-me dizer
Eu tenho fé

Ao meu ver, essa música tem um cunho crítico político-social. Quando ele duvida a respeito de salvar a nação ou os animais está fazendo uma crítica à alienação que tomou conta das pessoas que pararam de agir como humanas para se tornar... nem sei mais o que, animais não porque até eles são mais conscientes. Então ele usa essa analogia dos elefantes para se referir aos poderes que regem a sociedade, eles têm sede pelo poder e quem se ferra no processo é a grama, que representa as massas, vítimas do descaso e derramadora de sangue nas guerras; o rato nesse caso, seria um  heroi que poderia se erguer para salvar essas massas da incapacidade dos poderosos antes que todo o mundo chore até perder as forças e a vida e nisso, ele tem fé. Acredito que essa última parte também tenha a ver um pouco com a religiosidade, a crença dele de que apenas Deus é capaz de intervir no caos que se instaurou no mundo.

Me tornei cego, surdo e mudo
Se isso não te acalma, então não sei o que!
Se você não entende o meu silêncio
Como entenderia as minhas palavras?
Minhas razões?

Essa é uma das minhas passagens favoritas! Na primeira estrofe ele critica a passividade da sociedade brasileira (e até mundial, diria) diante dos absurdos que somos submetidos, se nem isso acalma o poder, que continua nos ferindo e tirando tudo que podem de nós, então ele se vê sem saber o que fazer, uma vez que já nos tornamos cegos para seus crimes, surdos às suas falsas promessas e mudos à extorsão de valores e direitos que eles fazem. E diante disso, se ninguém entende o silêncio que nos cala como poderia entender os sentimentos?
Essas três últimas estrofes podem ser interpretadas de várias maneiras, tanto dentro desse contexto sócio político, quanto num contexto mais emocional. Uma pessoa que não consegue entender nosso silêncio, os momentos que nos retiramos por nós mesmos, como seria capaz de entender nossas palavras? Ela se torna surda às nossas necessidades. Conheço muita gente assim.

Já propus nossa paz
Já tentei uma trégua
Eu fui João, fui Felipe e não deu
Troquei o bairro
Mudei de cidade
E cá estou numa nação
Que sofre de câncer e se luta por dor de cotovelo
Onde não se sabe lidar com Reis e Princesas
Aqui só damos valor aos bobos da corte

Essas três primeiras estrofes são bem religiosas mesmo. Ainda que possam guardar alguma metáfora mais social, acho que se enquadra mais na religiosa. Felipe e João foram discipulos de Jesus. João, inclusive, é um dos evangelistas. Quando ele diz que já foi um deles quer dizer que tentou apregoar a paz e o amor para as nações, mas não deu certo. Tentou ser um discípulo falante numa nação de surdos e, tal como os apóstolos, trocou de cidade, mas só encontrou alienação, vergonha e pessoas que aplaudem idiotas como se fossem sábios. É, inclusive, uma crítica social bem colocada na nossa atual sociedade.

[Refrão]

Sei que as lágrimas são o sangue da alma
Deus as entende e eu as entrego
Enquanto formos maus aos outros
Seremos piores para nós mesmos
Tudo passa, difícil é saber o que sobra
O que restou de nós
Só o tempo irá dizer

Aqui, a música finaliza mais como uma reflexão, uma mensagem mesmo. Em meio a todo o caos e as tristezas que nos cercam, só podemos esperar em Deus para nos livrar e nos dar discernimento para viver em meio aos lobos. Enquanto continuarmos nos matando e nos odiando, nunca seremos capazes de encontrar paz, só vamos nos envenenar mais e mais. E nesse entremeio, pode não sobrar nada do que fomos e da história que construímos porque até isso teremos destruído.


Gosto muito dessa música, acho ela muito pertinente para a situação que vivemos nesse momento de crise política e de caráter. Espero que tenham gostado e, se tem alguma música que queira ver por aqui, comenta aí embaixo! Grande abraço a todos vocês, até o próximo post!

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