Autor: Fabiana Botinha
Ano: 2024
Páginas: 190
Sinopse: Para Júlia, ele foi um labirinto de feridas e silêncios, marcado pela ausência de um pai e pelas dúvidas que moldaram sua identidade. Apesar de acreditar ter superado essas marcas, sua rotina é apenas um refúgio, um escudo contra os traumas do abandono. Para ela, o Natal é apenas mais uma data no calendário — um lembrete distante de sonhos infantis que há muito deixaram de existir. Mas uma revelação inesperada faz as antigas feridas voltarem à tona, forçando Júlia a embarcar em uma jornada de perdão e autodescoberta.
Benício é um homem de fé silencioso e gestos gentis. Após uma mudança repentina para Poços de Caldas, ele busca algo que traga sentido à sua vida — não apenas para ele, mas para os outros ao seu redor. Para Benício, o Natal é uma celebração de esperança, um momento em que até os corações mais feridos podem encontrar redenção. Sua presença carrega uma promessa de novos começos, algo que Júlia jamais imaginou querer ou precisar.
Sob as luzes mágicas de Poços de Caldas, os Caminhos de Júlia e Benício se cruzam, desafiando ambos a confrontar suas vulnerabilidades. Júlia, que há muito tempo deixou de acreditar no poder do perdão, e Benício, que aposta no amor como força transformadora, descobrem que a vida pode oferecer mais do que aquilo que estavam querendo a aceitar.
Julia, uma funcionária da prefeitura, em um balanço para um projeto acaba descobrindo que seu pai, que ela nunca conheceu, faleceu quatro anos atrás. Ela ainda tinha esperanças de encontrá-lo um dia e saber por que ele a abandonara, mas agora essa chance é tirada dela. Na festa de natal da cidade, ela acaba reencontrando Benício, um jovem que conheceu na sua época de faculdade e com quem manteve um contato leve ao longo dos anos. Ele a ajuda a passar por esse momento difícil e enfrentar os fantasmas do seu passado e todas as perguntas que agora nunca encontrarão respostas. Enquanto luta para superar os traumas tanto da perda quanto do abandono, Julia faz uma jornada de autodescoberta e perdão na tentativa de seguir com a sua vida sem as sombras do passado.
E sim, é só isso mesmo.
Eu peguei esse livro pelo título e pela capa. Ele me remeteu ao filme "Um Passado de Presente" e eu pensei que seria um romancinho sabe? Daqueles de deixar o coração quentinho, bem sessão da tarde. Mas acho que está mais pra uma novela de cura. E talvez o problema esteja exatamente aí. Antes de mais nada, vamos ser justos, é muito bem escrito apesar de algumas coisas que escaparam na revisão, tem uma prosa poética e inspiradora a autora é talentosa e a gente percebe isso enquanto lê. Contudo, e aqui vai meu olhar de autora e leitora, a composição do quadro a meu ver poderia ter sido melhor.
Antes de mais nada o livro não é ruim. Mas enquanto ficção, acho — e isso, volto a dizer, é minha estrita opinião — que poderia ter sido melhor trabalhado. Todo esse emocional de Julia e as consequências do abandono paterno poderiam ser mostradas ao invés de ditas, poderia estar impressa nas atitudes dela, na sua maneira de reagir, na sua forma de ver o mundo e de lidar com as pessoas. O livro tem repetições de descrições, de emoções, muito explícitas e as vezes até explicativas. Achei que houve pouco desenvolvimento de personagem, a gente passa a maior parte do tempo na cabeça da Julia, como se a ideia inicial fosse escrever um fluxo de consciência.
Além disso, tem muitas descrições, descrições que, eu acho, foram excessivas e acrescentaram muito pouco pra narrativa, mais beleza que composição propriamente. Há pouca dinâmica entre os personagens porque, como mencionei, a maior parte do enredo é dentro da cabeça da personagem, em certos momentos o livro parece um grande folheto do AAA. Explicações muito técnicas, dados, colocados de forma pouco lúdica e muito didática e mesmo tendo a ver com a narrativa, poderia ter sido inserido de outra forma ou mesmo como um apêndice. Tem algumas partes que ficaram em primeira pessoa, e esse provavelmente foi um erro de edição, quem sabe a proposta inicial era escrever em primeira pessoa e ela mudou para terceira depois.
Pra mim, faltou movimento. Literatura é, sobretudo, ação. É um personagem que quer alguma coisa e precisa passar por X obstáculos para isso. A história toda na mente da personagem, focada nas emoções e sensações dela não dá movimento pra história, há pouca interação entre os personagens, o romance não foi desenvolvido direito e ficou em segundo plano e tudo bem, a novela pode focar no desenvolvimento da personagem, mas nem isso fica com a sensação de caminhada. De ação. De movimento. É como se estivéssemos lendo um grande fluxo de consciência em terceira pessoa. O drama acaba perdendo força, se tornando repetitivo e o clímax esperado não tem o mesmo efeito que teria se ele fosse desenvolvido de outra forma.
Volto a dizer, o livro não é ruim, essas foram apenas as minhas impressões enquanto lia. Talvez não seja um livro para mim, provavelmente eu não sou o público alvo da obra, e tudo bem. Quem gosta de literatura de cura provavelmente vai gostar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Ao comentar seja sempre respeitoso à opinião do outro. Nem todo mundo pensa como você e a diversidade existe para isso. Exponha suas ideias sem ofender a crença ou a opinião de ninguém. Comentários com insultos ou discriminação de qualquer natureza serão excluídos.