segunda-feira, 8 de junho de 2015

O Cortiço - Aluísio Azevedo

Título: O Cortiço
Autor: Aluísio Azevedo
Ano de Publicação: 1980
Editora: B.L. Garnier
Gênero: Romance, Realismo, Naturalismo, Social

E aí, pessoas? Como estão? Eu na verdade não muito bem, então, o livro da vez é da nossa terra, assim como Dom Casmurro que eu falei no post passado que eu precisei ler pra um trabalho na Faculdade, também este teve a mesma finalidade. Vocês viram que eu comecei a ler Julieta, mas parei porque o livro realmente não ajuda (mas vou terminar, tá? É só eu ter um tempo.) e depois comecei a ler O assassinato de Acroyd de Agatha, mas precisei parar justamente em razão desse monte de trabalho infernal da faculdade, eu vou terminar ele primeiro antes de voltar para Julieta. Então, vamos começar a falar um pouco desse livro, O Cortiço, do Aluísio Azevedo que é um retrato do Brasil no finalzinho do século XIX, em que se retrata a vida em um cortiço, o que eu imagino que hoje seria mais ou menos como uma favela ou uma vila "like Chaves", em que se moravam pessoas pobres, portugueses que vieram tentar a sorte no Brasil em busca de melhores condições de vida e negros alforriados ou fugitivos mesmo.
Começamos conhecendo a história do personagem principal da trama, João Romão (principal se contarmos que ele é o "pai" do cortiço no fim das contas) e sua sede por tornar-se um homem rico, e também, logo no início vemos sua relação com a escrava Bertoleza a quem ele compra com uma lsa carta de alforria sob o pretexto de deixá-la livre que, na realidade, não acontece. Bertoleza passa a ser companheira de João Romão e é quem lhe ajuda a começar o que será mais tarde seu Cortiço, por meios não honestos, porque uma das principais características desse livro é retratar personagens isentos de qualquer fantasia ligada ao romantismo e, se por um lado expõe-se aqui ou ali uma qualidade, seus defeitos são mais e mais evidenciados. A sede de dinheiro de João Romão é sem precedentes, e logo que seu cortiço vai tomando forma, chega na vizinhança o rico Miranda, que compra um sobrado próximo ao Cortiço desde sempre um inveja algo no outro e ao longo do livro essa inveja mútua vai se tornando uma competição entre os dois, um querendo superar o outro, um querendo mais e mais sobressair-se e nós vamos imergindo no dia a dia dos personagens sofridos do cortiço, com suas vidas duras que começam junto com o sol, homens que vão para a pedreira de João Romão, mulheres que lavam roupa para fora afim de sustentar seus filhos, e alguns personagens que foram parar ali por simples acaso do destino, como acontece com Pombinha e sua mãe que, a espera da "regra" da filha chegar para enfim casa-la com seu protegido e tirar ambas de seu estado de miséria, vivem em meio à promiscuidade e libertinagem do cortiço e, aos poucos, vão sendo inevitavelmente "contaminados" por ela. Essa é a grande deixa do livro, que tem caráter determinista e tenta mostrar de forma clara, através dos personagens Pombinha e Jerônimo que o meio influencia sim o homem guiando suas ações e toldando seu pensamento. A primeira antes retida e centrada, a partir do momento em que começa a adentrar no mundo daquelas pessoas, pois era quem redigia as cartas dos inquilinos, começa a mudar seus pensamentos e suas atitudes chegando, inclusive, a ser alvo de uma prostituta como "sua". O segundo, português cheio de costumes rígidos, honesto, batalhador e fiel às suas raizes, encontrou na sensualidade da mulata Rita Baiana o caminho para a perdição brasileira, deixando de lado, inclusive, as coisas de sua terra e adequando-se totalmente a vida libertina, adúltera e despreocupada do cortiço, para desespero de sua pobre esposa que não sabe como salvar seu casamento. 
Outra coisa que me marcou muito nesse livro foi o apreço que todos no cortiço tem pela personagem Léonie, uma prostituta a quem todos os habitantes do cortiço exaltavam como uma estrela. A filha do casal Alexandre e Augusta era afilhada dela e era criada pela cortesã, sem a menor preocupação por parte deles de a filha crescer em meio ao ambiente imoral da madrinha, mas ao contrário, agradecendo infinitamente pela sorte abastada da filha em ter tal amadrinhamento. É o mais presente no cortiço, personagens que se entregam aos sentimentos de momento, esposas cansadas de seus casamentos que encontram no adultério a falta para o vazio que tem em casa, ou mesmo mulheres que livres por seu instinto ou para conquistar algo que desejam, entregam o corpo. Homens cheios de cobiça que não se importam em passar por cima de qualquer um para chegarem onde querem chegar, uma vida dura e explorada principalmente por João Romão que em seus momentos de cólera, pela inveja aguda que sente do vizinho Miranda, maltrata os moradores e trabalhadores que lhe sustentam. Nisso, se desenrolam no cortiço várias tramas de diferentes qualidades e de inesperados desfechos, o surgimento de um novo cortiço "rival" ao de João Romão vem para apimentar ainda mais a história, Jerônimo se desgraça de vez por causa de Rita Baiana, Pombinha, após ser desejada por Leónie e viver em meio a contaminação do cortiço, tem um desfecho surpreendente e promete repetir na filha de Piedade e Jerônimo o seu destino, morte, traição, ironias de revirar o estômago, crueldade e ambição sem precedentes é o que traz essa obra naturalista que retrata a vida carioca em finais do século XIX, A pergunta que fica é: Será mesmo que o meio que você vive determina o seu caráter? Será que você é suscetível a tal ponto a adaptação, passando por cima de ideais e personalidade?  As pessoas do cortiço são sofridas, ganham o pão às custas, maridos abandonam esposas e filhos por amantes, matam-se homens por cobiça, perdem-se força de vontade e senso por abandono, uma coisa muito marcante pra mim durante a história foi a escrava Bertoleza, ficou ao lado de João Romão desde o início, paciente, serviente, dando seu sangue pela prosperidade do homem para, no final, ser brutalmente traída por ele que lhe virou as costas sem a menor hesitação, de todos os personagens que conheci até hoje, sem dúvida, João Romão é o retrato vivo de uma coisa que não pode ser considerada humana, é de um ambição e frieza cegas que dá nos nervos e nos leva a vários questionamentos também, quando imagino que há pessoas como ele no mundo fico cada vez mais assustada.
O cortiço foi um livro de certa forma interessante, eu que não costumo ler clássicos brasileiros com frequência me vi perdida naquele mundo estranho e promíscuo cheio de violência, exploração e crueldade, indignada com alguns personagens, penalizada por outros e vendo o retrato de um Brasil que, desde muito antes, já cresce banhado em corrupção. Se você não conhece, vale a pena conferir.

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