domingo, 16 de março de 2014

Uma Viagem ao mundo das Fábulas

Então povo, essa resenha foi pedido de uma amiga muito estimada. Ela me passou o filme The Secret of Kells que no Brasil ficou Uma Viagem ao Mundo das Fábulas - Tipo, tudo a ver né? - e me intimou a fazer uma resenha sobre ele. Antes de ver o filme, que por sinal é bem pequenininho, eu pesquisei algo sobre ele na internet e vi que, na verdade, Kells realmente existiu. Portanto esse post será mais que minha humilde opinião sobre o filme e sobre o enredo, mas terá dados históricos reais sobre a história que se esconde por trás do verdadeiro Livro de Kells. Então, vamos nessa?

O Filme:
"As pessoas precisam de Livros para que possam ter esperança."
Até o filme sabe disso U.U'. Bem, de início vemos Brendam, o personagem central do filme, dentro da abadia de kells, perseguindo um ganso de cujas penas os monges precisam para escrever. O tio de Brendam é o abade de Kells e educa o menino de maneira rígida e pouco afetuosa. Temeroso com os ataques vikings aos lugares próximos, o abade se prepara construindo uma enorme muralha em torno de Kells a fim de proteger os monges e as pessoas que se refugiam lá dentro. Brendam nunca havia ultrapassado as construções da abadia, tendo-lhe dito que era altamente perigoso o mundo fora do muro, o garoto, de imaginação fértil demais para sua própria segurança, fantasiava todo tipo de atrocidade escondida entre as árvores da floresta. Mas quando um monge fugitivo da Abadia de Inona chega em Kells trazendo consigo um misterioso livro sagrado, Brendam é desafiado a vencer o seu medo de cruzar o muro a fim de ajudar na construção do livro e descobre que apenas em meio a escuridão e ao medo é possível ver-se milagres.
Na floresta ele conhece uma misteriosa garota, Aisling, que denomina-se dona da floresta, salva-lhe a vida e o leva ao seu destino, uma árvore que tem as frutinhas que ele precisa para produzir tinta para o livro sagrado. Aidan, o monge foragido, conta para Brendam que ele esta destinado a escrever a página mais importante do livro, mas descobre que perdeu o cristal magico que daria ao menino o poder de ver além do que os olhos poderiam ver, sua única esperança é conseguir o outro cristal que está na parte sombria da floresta de Aisling. Mas o seu tio o tranca no quarto, impedindo-o de voltar a ver Aidan ou qualquer outra pessoa, no meio da noite, Brendam é libertado por Aisling que com o auxilio da gatinha de Aidan consegue a chave para libertá-lo. Enquanto isso os vikings sedentos de sangue se aproximam da abadia de Kells. Brendam e Aisling vão até a floresta para conseguir o outro cristal, então o menino deverá enfrentar seus maiores medos para conseguir continuar o livro, ele acaba caindo em uma espécie de lago mítico dentro da caverna e é atacado por uma serpente, sua coragem e inteligência o ajudam a aprisionar a serpente dentro de um casulo que ele desenha com um giz e arrancar-lhe o olho, que é o cristal. Cega e presa a serpente começa a formar um uróboro devorando-se completamente. O uróboro é um símbolo representado por uma serpente, ou um dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego antigo: οὐρά (oura) significa "cauda" e βόρος (boros), que significa "devora". Assim, a palavra designa "aquele que devora a própria cauda". Sua representação simboliza a eternidade. Está relacionado com a alquimia, que é por vezes representado como dois animais míticos, mordendo o rabo um do outro. É possível que o símbolo matemático de infinito (∞) tenha tido sua origem a partir da imagem de dois ouroboros, lado a lado.  A abadia é finalmente ataca pelos vikings em busca de ouro e muitas pessoas são mortas cruelmente a sangue  frio, com a ajuda de Aidan, Brendam consegue fugir com o livro e ambos iniciam uma jornada juntos para continuar escrevendo as páginas sagradas, até o dia que Aidan morre deixando o livro aos cuidados de Brendam, já um homem feito, e incumbindo-o de levá-lo ao mundo e assim espalhar esperança em meio a escuridão sanguinária dos vikings.
Se olharmos por alguns ângulos e afastando o misticismo envolto no filme poderemos ver algumas fortes menções religiosas implícitas na história narrada no filme. Um livro sagrado que levaria esperança a humanidade em meio a escuridão, quando, na realidade o livro de Kells contém os quatro evangelhos do cristianismo nós podemos facilmente deduzir possíveis mensagens religiosas implícitas. O filme é incrível e muito bem feito, uma das mensagens que mais fica é que o pior inimigo que você pode ter é o seu medo, pois ele te aprisiona e te priva de ver muitos milagres e belezas. E que, a luz está dentro de nós, qualquer escuridão pode ser convertida em luz quando temos coragem para arriscar transformar, mas primeiro devemos converter a nossa própria escuridão antes de desejar iluminar o mundo.

O Real Livro de Kells:

O Livro de Kells é o mais ilustre representante de um grupo de manuscritos conhecido por estilo insular produzidos entre o final do século VI e o início do IX, nos monastérios da Irlanda, Escócia e do norte da Inglaterra. Estão entre eles o Cathach de São Columba, o Ambrosiana Orosius, um fragmento de evangelho na biblioteca da catedral de Durham (todos do início do século VII), e o Livro de Durrow (da segunda metade do século VII). No começo do século VIII foram produzidos os Evangelhos de Durham, os Evangelhos de Echternach, os Evangelhos de Lindisfarne e os Evangelhos de Lichfield. Todos estes manuscritos apresentam semelhanças do ponto de vista do estilo artístico, da escrita e das tradições escritas, as quais têm possibilitado reagrupá-los na mesma família. O estilo plenamente conseguido das colorações coloca o Livro de Kells entre as obras mais tardias desta série, por volta do final do século VIII ou início do IX, ou seja, na mesma época do Livro de Armagh. A obra respeita a maioria das normas iconográficas e estilísticas presentes nestes escritos mais antigos: por exemplo, a forma das letras decoradas que iniciam cada um dos quatro Evangelhos é muito semelhante entre todos os manuscritos das Ilhas Britânicas compostos nesta época. Compare a página introdutória do Evangelho segundo Mateus nos Evangelhos de Lindisfarne com a do Livro de Kells. Ambas possuem intrincados desenhos decorativos no interior dos contornos das letras iniciais do texto.

A Abadia de Kells
A abadia de Kells.
O Livro de Kells deve seu nome à abadia de Kells, situada em Kells, no condado de Meath, Irlanda. A abadia, onde conservou-se o manuscrito por um grande período da Idade Média, foi fundada no início do século IX, na época das invasões vikings. Os monges eram originários do monastério de Iona, localizado numa das ilhas Hébridas situada em frente à costa oeste da Escócia. Iona possuía uma das comunidades monásticas mais importantes da região desde que São Columba, o grande evangelizador da Escócia, que a havia tornado seu principal centro de irradiação no século VI. Quando a multiplicação das incursões vikings acabou tornando a ilha de Iona demasiado perigosa, a maioria dos monges partiram para Kells, que converteu-se assim no novo centro das comunidades fundadas por Columba.
A determinação exata do lugar e da data da produção do manuscrito tem sido fonte de inúmeros debates. Segundo a tradição, o livro data da época de São Columba (também conhecido por São Columcille), talvez escrito por ele mesmo em pessoa. Contudo, estudos paleográficos têm demonstrado que esta hipótese não é verdadeira, uma vez que o estilo caligráfico usado no Livro de Kells desenvolveu-se posteriormente à morte de Columba. Evidências mostram que o Livro de Kells foi escrito por volta do ano 800.3 Há uma outra tradição, com maior aceitação pelos estudiosos irlandeses, que sugere ele ter sido criado por ocasião do aniversário de 200 anos da morte do santo.
Produziram-se, pelo menos, cinco teorias diferentes sobre a origem geográfica do manuscrito. Na primeira, o livro poderia ter sido escrito em Iona e trazido às pressas para Kells, o que explicaria a razão dele nunca ter sido concluído.


A abadia de Iona.

Na segunda, sua redação poderia ter-se iniciado em Iona antes de ser continuada em Kells, onde teria sido interrompida por algum motivo ignorado. Outros pesquisadores aventuram que o manuscrito poderia ter sido totalmente escrito na scriptoria de Kells. Uma quarta hipótese situa a criação original da obra no norte da Inglaterra, possivelmente em Lindisfarne, antes de ser levada até Iona e depois para Kells. O Livro de Kells, finalmente, poderia ter sido produzido em um monastério desconhecido na Escócia. Embora a questão da exata localização da produção do livro provavelmente nunca seja respondida de maneira conclusiva, a segunda teoria baseada na dupla origem de Kells e Iona é atualmente a mais amplamente aceita. Por outro lado, sem querer determinar qual a hipótese correta, o certo é que o Livro de Kells foi produzido por monges pertencentes a uma das comunidades de São Columba, que mantinham estreitas relações com o monastério de Iona.

O Livro de Kells contém os quatro Evangelhos constitutivos do cristianismo, precedidos de prólogos, resumos e transições entre certas passagens. Está redigido em maiúsculas com um estilo tipográfico tipicamente insular, com tinta preta, vermelha, violeta ou amarela. O manuscrito consta atualmente de 340 folhas em pergaminho, chamadas fólios. A maioria destes fólios era na realidade parte de folhas maiores, os bifólios, que se dobravam em dois para formar dois fólios. Vários destes bifólios são agrupados e costurados, para obterem-se os cadernos. Pode acontecer de um fólio não fazer parte de um bifólio mas seja uma simples folha solta inserida em um caderno.
Estima-se que cerca de trinta fólios foram perdidos, uma vez que em 1621, James Ussher ao examinar a obra contou 344 páginas. As folhas existentes estão agrupadas em trinta e oito cadernos, cada um deles contém de quatro a doze folhas (de dois a seis bifólios); o mais comum é encontrar cadernos de dez folhas. Alguns fólios são folhas únicas. As páginas mais decoradas geralmente são encontradas em folhas soltas. Os fólios tinham linhas traçadas sobre eles, às vezes dos dois lados, para facilitar o trabalho de escrita dos textos pelos monges: os furos feitos com agulha e os traços podem ainda ser vistos em alguns lugares. O pergaminho é de boa qualidade, apesar de ser trabalhado de maneira desigual: algumas folhas têm uma espessura semelhante ao couro, enquanto que outras são muito finas, quase transparentes. O manuscrito tem 33 cm de comprimento por 25 cm de largura, sendo este um tamanho padrão, apesar de estas dimensões serem posteriores ao século XVIII, período em que as folhas tiveram uma pequena redução durante um processo de reencadernação. A área do texto cobre aproximadamente 25 cm de comprimento por 17 cm de largura, e cada página de texto contém entre dezesseis e dezoito linhas. Contudo, o livro parece estar inacabado, na medida em que algumas ilustrações parecem simples esboços.
No seu estado actual, o Livro de Kells apresenta, depois de alguns textos introdutórios, o texto integral dos Evangelhos segundo Mateus, segundo Marcos e segundo Lucas. Em relação ao Evangelho segundo João, está reproduzido até o versículo 17:13. O restante deste Evangelho, assim como uma parte dos escritos preliminares, são impossíveis de encontrar. Provavelmente perderam-se devido ao roubo do manuscrito no século IX. O que resta dos escritos preliminares faz parte dos fragmentos de listas de nomes hebreus contidos nos Evangelhos, os Breves causae e os Argumenta dos quatro Evangelhos e finalmente as tábuas canónicas de Eusébio de Cesareia. É bastante provável, como no caso dos Evangelhos de Lindisfarne ou do Livro de Durrow, que uma parte dos textos perdidos inclua a carta de São Jerónimo ao Papa Dâmaso I, designada Novum opus (obra nova), na qual Jerónimo justificava a tradução da Bíblia em latim. Pode supor-se também, embora com algumas reservas, que os textos continham a carta de Eusébio, chamada Plures fuisse, onde o teólogo ensina o uso correcto das tábuas canónicas. De todos os evangelhos insulares, apenas o de Lindisfarne contém esta carta.
Existem dois fragmentos de listas contendo nomes hebreus: um deles está no anverso do primeiro fólio e o outro, no vigésimo sexto, está no final dos textos introdutórios do Evangelho segundo João. O primeiro fragmento contém o final da lista destinada ao Evangelho segundo Mateus, tendo em conta que o início da lista devia ocupar outras duas folhas, que hoje estão desaparecidas. O segundo fragmento mostra a quarta parte da lista para o Evangelho segundo Lucas; certamente as três quartas partes restantes deviam ocupar outras três folhas. A estrutura do caderno em questão torna altamente improvável a ideia de poderem estar faltando três folhas entre os fólios 26 e 27, o que induz a pensar que o segundo fragmento não está no seu local original. Não existem vestígios das listas dos Evangelhos de Marcos e João.


O 5 °Fólio é uma das páginas dedicadas às tábuas canónicas de Eusébio de Cesareia.
Ao primeiro fragmento de lista seguem-se as tábuas canónicas de Eusébio de Cesareia. Estas tábuas, anteriores à tradução da Bíblia em língua latina (a Vulgata), foram criadas para comparar os quatro Evangelhos. Eusébio procedeu à divisão dos Evangelhos em capítulos e criou as tábuas que deviam permitir ao leitor situar um dado episódio da vida de Cristo em cada um dos quatro textos. Tornou-se hábito a inclusão das tábuas canónicas nos textos preliminares da maioria das cópias medievais da Vulgata. As tábuas do Livro de Kells revelaram-se inúteis visto que o amanuense as condensou de tal forma que se tornaram um amontoado confuso. Além disso, os números dos capítulos nunca foram colocados nas margens do texto, tornando assim impossível de se encontrar as respectivas secções às quais as tábuas fazem referência. As razões deste esquecimento permanecem obscuras, permitindo-nos colocar duas hipóteses: ou os monges podem ter decidido não numerar os capítulos até que as ilustrações estivessem terminadas, acabando isso por ser adiado sine die, ou a omissão da numeração poderá ter sido deliberada com o intuito da não alterar a beleza da obra.


O fólio 19 contém o início das Breves causae do Evangelho segundo Lucas.
As Breves causae e os Argumenta pertencem a uma tradição manuscrita anterior à Vulgata. As Breves causae são, de facto, resumos de antigas traduções em latim dos Evangelhos e estão divididas em capítulos numerados. Esta numeração, como no caso das tábuas canónicas, não foi feita no corpo do manuscrito. Trata-se desta vez duma decisão bastante compreensível, na medida em que os números dos capítulos correspondentes a velhas traduções foram difíceis de harmonizar com os textos da Vulgata. No caso dos Argumenta, trata-se de coleções de lendas dedicadas aos quatro evangelistas. O conjunto destes escritos está ordenado duma forma estranha: em primeiro lugar, encontram-se as Breves causae e os Argumenta sobre Mateus, seguidos dos de Marcos. Chegam então, de maneira bastante inesperada, os Argumenta de Lucas e João, após a continuação das Breves causae destes dois apóstolos. Esta ordem, pouco usual, é a mesma da adoptada no Livro de Durrow. Em outros manuscritos insulares, como nos Evangelhos de Lindisfarne, o Livro de Armagh ou os Evangelhos de Echternach, cada Evangelho é tratado separadamente e é precedido por todos os escritos introdutórios. Esta repetição fiel do esquema do Livro de Durrow levou o pesquisador T. K. Abbot a concluir que o amanuense de Kells devia ter nas suas mãos o manuscrito em questão, ou pelo menos um esquema comum.
[FONTE: Wikipédia]

Então é isso blogueiros, ai estão algumas informações do verdadeiro Livro de Kells. Espero que tenham curtido e se você ainda não assistiu, veja porque vale muito a pena! Super beijo pra vocês e até mais!

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