domingo, 18 de dezembro de 2016

A Garota no Trem [Livro e Filme]

Capa: imagens do google
Título Original: The Girl on The Train
Autor: Paula Hawkins
Ano: 2015
Gênero: Thriller, mistério, drama
Editora: Galera Record

Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes - a quem chama de Jess e Janson -, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess - na verdade Megan - está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.

O livro alterna entre três personagens que tem um ponto em comum, é claro que você não vai enxergar isso de cara. A primeira delas é Rachel, uma alcoolatra depressiva que vive de favor na casa da amiga Cath e perdeu o emprego ha um tempo por aparecer embriagada e fazer a empresa perder um cliente importante. Olha, vou ser bem sincera com vocês, entendo gente deprimida porque eu lido com esse problema, fiz tratamento três vezes e sei como é perder o gosto por tudo, a sensação de angústia e vazio constantes, o medo, a ansiedade, a apatia total. Uma das coisas principais sobre isso é que não nos damos conta de que aquilo é um estado, não nos damos conta (na maioria das vezes não queremos aceitar) que temos um problema que tem solução, tem ajuda. Mas Rachel é diferente. Ela sabe do problema dela com álcool e ainda assim ela não se esforça nem um pouco pra pedir ajuda. Achei ela altamente irritante. Mas vamos para os atenuantes, ela foi casada com um imbecil que tinha uma vadia como amante, ela não sabia disso e começou a beber desenfreadamente quando descobriu que era estéril, não sei como é a sensação de querer ter um filho, mas imagino que deva ser algo como querer enxergar e ser cego. Então, ela descobriu o caso do marido e pior: que a amante estava grávida. Ele largou ela - sem teto diga-se de passagem - para afundar sozinha e assumiu a amante. Se eu já odiei ela por não demonstrar nem um pingo de força de vontade por si mesma em relação à bebida, odiei ainda mais ao descobrir que foi por causa de um homem. NENHUM homem merece isso, esse sofrimento e essa apatia. NENHUM. Então, ela fez exatamente o que ele queria, afundou na bebida e perdeu completamente a vergonha na cara e o amor próprio.
Cath não sabe que Rachel perdeu o emprego, por isso, todos os dias, ela sai de casa na hora e finge que vai trabalhar quando na realidade fica atoa em Londres, hora nas ruas, hora na biblioteca. Mas sua principal atividade é observar, quando o trem faz uma parada nos trilhos, a casa 15 do outro lado da rua onde vive um casal. Rachel fantasia a vida deles, imaginando suas profissões e seus nomes, quase obcecada com a ideia de quem são e o que fazem, mas em sua mente, o casamento deles é perfeito. Ao contrário do seu próprio ex-casamento, um fracasso causado pela bebedeira dela. Pelo menos, é nisso que ela acredita. (E não deixa de ter um fundo de verdade.)
A segunda narradora na história é Megan. A melhor palavra para descrever essa personagem é: VADIA. Ela é uma mulher jovem, casada com um homem possessivo e controlador, mas que ela acredita ser em nome do amor que ele sente. Ainda assim, apesar de toda comodidade da sua vida, ela não se conforma com o que tem, vive buscando coisas para aplacar o seu vazio interior e essas coisas são amantes. A ocupação de Megan (que já foi dona de uma galeria de arte) é transar com qualquer indivíduo disposto a cair no seu joguinho, e a vítima da vez foi seu terapeuta, Kamal Abdic, um homem maduro que tem traços indianos, mas na verdade é muçulmano, o diferencial desse caso de Megan é que ele não dá muito espaço para ela, até tenta de todas as formas terminar a relação sórdida deles em nome do seu emprego. O passado de Megan - que é mostrado mais adiante - pode até ser uma meia justificativa para parte do seu comportamento, mas não muda sua péssima conduta e fraqueza de caráter. (#minha opinião)
A terceira narradora é Anna, a destruidora de lares. Ela assumiu a casa de Rachel e vive com o marido dela e a filha, Evie, de alguns meses no que acha ser o casamento perfeito. Esposinha devotada que vive para cozinhar, esperar o maridão chegar e passa o dia cuidando do bebê, bem estilo anos 50 (argh!), mas também vive sob a paranoia do medo da ex do marido, que bebe muito e se torna inconveniente na maioria das vezes, chegando até a invadir a casa deles e pegar a menina. Anna é meio egocêntrica, vive se comparando com Rachael - no sentido de se achar superior a ela - e não se arrepende nem um pouco do que fez, ao contrário, ela achava incrível ser a outra e chega a mencionar que sente falta disso. 

O problema maior com esse livro são as personagens. Normalmente, você vê uma personagem próxima de você, ela é equilibrada, tem defeitos e qualidades, mas nesse caso, acho que a autora se empenhou tanto em aproximar as personagens da realidade que esqueceu a parte das qualidades. Sério, não dá pra você achar uma única coisa que salve qualquer um dos personagens desse livro. Rachel é uma infeliz, idiota, revoltada e sem vida, que ao invés de dar a volta por cima e mostrar ao marido que não precisava mais dele decide, simplesmente, afundar na bebida e viver a mercê da culpa ridícula de não poder ter dado um filho a ele e nunca ter conseguido suprir as expectativas que ele tinha com ela. Fala sério! Ela não tem uma gota de amor próprio, vive em busca da aprovação de um homem que não presta, que a traiu e deixou claro que ela nunca foi importante pra ele. Sem contar que o problema dela com a gravidez podia ser muito bem resolvido com adoção, então nem dá pra usar isso de desculpa, só acho. Cada capítulo que eu lia dela não conseguia nem ter pena, só tinha raiva mesmo. Megan é uma vagabunda, não há mais o que ser dito. Para ela nada é suficiente, e ela age como se aquilo fizesse parte dela, como se aquele comportamento fosse imutável, ela tem, basicamente, fogo no rabo. Anna é uma vaca. Construiu um mundinho fantasioso em cima da miséria de outra pessoa e ainda se gaba por isso, vive com um marido cretino que dá uma de bom pai e acha que ser uma inútil boa esposa e dona de casa é suficiente, resumindo, o filho findou a vida dela. Temos três mulheres inúteis, sem objetivos firmes na vida e sem nenhuma qualidade real que nos faça querer defendê-las. As outras personagens são o psicólogo, Abdic, sem a menor ética profissional, se envolve sexualmente com a paciente e vem dar uma de consciente depois de pegar ela até cansar. Tom, ex-marido de Rachel, falso, mentiroso, mau caráter, isso pra dizer o mínimo. E Scott, marido de Megan, violento, stalker, obssessivo e impulsivo. Sem contar aquela detetive Riley, insuportável. Pense numa mulher chata, arrogante e metida a juíza.
Imagem do google
O mistério do livro gira em torno do desaparecimento de Megan, tudo que se sabe é que, em uma noite, Rachel bebeu mais além do que podia e acabou indo atrás de Tom (mais ridículo que isso impossível), ela viu alguma coisa no túnel abaixo dos trilhos, mas estava tão infamemente bêbada que não consegue se lembrar de nada. Aí ela começa a se perguntar se ela fez alguma coisa com Megan, depois, evocando memórias de antes do desaparecimento, ela se lembra de um detalhe mínimo que pode ajudar na investigação, mas acaba metendo os pés pelas mãos em um assunto que não é da conta dela, fica tão obcecada com o que aconteceu e com quem é o culpado daquilo que quer a todo custo entrar na vida deles, fazer parte daquela investigação como se fosse uma detetive. Então, as peças vão se juntando (e a raiva também) até você descobrir o ponto que une as três mulheres. Confesso, é muito improvável que você descubra antes por mais atenção que preste, o livro te joga, primeiro contra o psicologo, depois contra o marido, mas você deixa o verdadeiro assassino passar despercebido seja por ele ser infeliz e nojento demais para merecer atenção, seja porque você está com muita raiva de Rachel para isso. Só digo que, o segredo para descobrir está nas narrações de Rachel, elas se encaixam lentamente como um quebra cabeça e você consegue descobrir, uns cinco capítulos antes do final, quem é o culpado. Ainda assim, não é um livro que eu recomendaria, do mesmo modo que aconteceu com a famigerada série Os Imortais, as três personagens desse livro são tão detestáveis que a leitura se torna cansativa e você passa a maior parte do tempo querendo matar ou estapear uma delas, o que salva o livro é o mistério de saber o que aconteceu com a "vadea" da Megan e por que, provavelmente é a única coisa que consegue fazer você se esforçar para continuar lendo.

Lançamento: 4 de novembro de 2016 (Brasil)
Direção: Tate Taylor
Elenco: Emily Blunt as Rachel Watson
Haley Bennett as Megan
Rebecca Ferguson as Anna
Luke Evans as Scott
Justin Theroux as Tom

Aí você lê a descrição da personagem como uma mulher na casa dos 30, gorda, alcoolatra e desajeitada e o que Holywood te dá? Emily Blunt. Sério, eles tem que parar de fazer essa "padronização" de beleza, é irritante! O filme se passa mais ou menos como é mostrado no livro, em capítulos, alternando as narrações entre as três mulheres, claro que, como esperávamos, eles cortaram 85% da história então, não vemos tudo que está no livro, entretanto, vemos o principal. Pode-se dizer que é um resumo até razoável do livro sim, ao contrário de outras adaptações que deixam você puto de ódio, essa não me deixou muito frustrada, quem leu o livro vai conseguir sacar as pegadas deixadas pelo animal. Ainda assim, houve muitas mudanças de enredo, como, por exemplo, a Rachel do filme não vai para Londres, vai para Nova Iorque, nada a ver.
Assim como no livro, Rachel (Emily Blunt) é uma mulher sem vida, vive de favor na casa de uma amiga, foi demitida do trabalho por aparecer bêbada, sua ocupação é fantasiar a vida de um casal por cuja casa ela passa todos os dias. Ela é obcecada por esse casal. Megan (Haley Bennett) é uma mulher insatisfeita com tudo na sua vida, entediada com sua vida de casada, entediada com tudo e busca no psicólogo uma saída para sua vida limitada de desocupada. Anna (Rebecca Ferguson) é a mulher que acha que tem a vidinha perfeita depois de ter sido a outra e engravidado. Vive para o marido e a filha e sua maior ocupação depois da menina era se ocupar se comparando com a ex gorda e alcoólatra do seu marido. Tudo muda quando Rachel passa da conta na bebida (o que é comum) e vai até a casa do ex para encher o saco, ela acaba vendo uma mulher no túnel e acha que é a nova esposa de Tom, seu marido, grita para ela chamando-a de vadia, depois disso ela apaga e acorda em casa sem lembrar de nada que aconteceu. No outro dia, Megan sumiu.
Rachel não se lembra do que fez e começa a desconfiar de que pode ter feito alguma coisa com ela, principalmente quando é confrontada pela polícia sobre onde estava e o que estava fazendo naquela noite. Começa então uma loucura de investigação com uma alcoólatra inútil tentando se meter onde não era chamada e mentindo para Deus e o mundo para chegar a uma conclusão que ela só não lembra porque para variar estava bêbada demais como uma imbecil sem vida e amor próprio. O filme joga mais rápido que o livro, de modo que entrega um pouco mais fácil quem é o assassino, principalmente se você leu o livro. Enfim, é razoável. E detalhe, muitas cenas que passam no trailer não aconteceram no filme.

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