terça-feira, 29 de maio de 2018

Era uma vez... Um pesadelo

"Find yourself dreaming your life
Do you truly feel alive?
Comprehend the sacred code
That makes your universe implodes"


O silêncio grita. O mundo desaparece. O universo explode, a realidade descarrega, os sonhos desaparecem. Mas eu permaneço aqui, quieta e letárgica, buscando no vazio dentro de mim uma razão mínima que seja para continuar respirando, para não desistir. 

Ainda há liberdade, mas me vejo cativa do medo que impera em minha mente, dos fantasmas sombrios que me perseguem na eterna noite do meu passado, das sombras que nublam o futuro que temo. E nada é imediato, nada é plausível, nada é real.

Dentro de mim impera a tempestade, varrendo qualquer sinal de coragem, de oportunidade, de vida. Como um vampiro sugando a vitalidade de um corpo, me vejo refém de mim mesma lutando por uma vida que não parece me pertencer, sonhando e prevendo um destino incerto, ansiando aquilo que mais temo.

A noite avança, não durmo, não me sinto viva, não me sinto humana. Mal percebo as lágrimas que caem num ímpeto de desespero em que minha alma fragmentada se agarra para continuar sobrevivendo aos dias negros, e o sonho desfaz-se no Armagedom da dor, demônios gritam do lado de fora, o vento uiva na janela, palpita no peito o coração quebrado e já não mais dói, já não mais sinto... 

Há um inverno congelante dentro de mim, cujas árvores mortas cobertas com o manto de gelo cintila na bruma do alvorecer, enquanto minhas lágrimas solidificam em fractais que se dissipam ao tocar o solo traiçoeiro, como os sonhos que na minha tenra idade infante, tão inocente mantinha, um tesouro precioso guardado no baú das ilusões de meus olhos inócuos, agora manchados pelo sangue da realidade.

Era uma vez uma garotinha cujo coração foi contaminado com a realidade, manchado com a impureza de um mundo afundando em desespero, gritando em dores partais e dissolvendo-se no arco da ignorância. Era uma vez um coração de carne que pertificou-se em gelo para se proteger do monstro do mundo que o engolia.

Era uma vez... Um pesadelo.


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