quinta-feira, 8 de setembro de 2022

[Anime] Fantasy Bishoujo Juniko Ojisan To

Título Original: 異世界美少女受肉おじさんと

Inglês: Life with an Ordinary Guy who Reincarnated into a Total Fantasy Knockout (é um livro, mds!)

Episódios: 12

Gêneros: Aventura , Comédia , Fantasia

Ano: 2022

Sinopse: Desde seus dias de estudante, Tsukasa Jinguuji teve uma sorte incrível com as mulheres devido à sua boa aparência; Hinata Tachibana quase não teve, ofuscada pelo brilho de Jinguuji. No entanto, enquanto Jinguuji nunca demonstrou interesse pelo sexo oposto, Tachibana está sempre desesperado por uma namorada. Apesar de suas diferenças polares, eles continuam sendo melhores amigos mesmo na casa dos trinta como assalariados.


Uma noite, os dois estão voltando para casa de um mixer onde Jinguuji era o centro das atenções, como de costume. Em seus passeios bêbados, um frustrado Tachibana inadvertidamente deseja se tornar uma linda garota com um charme irresistível. Como se os céus estivessem ouvindo, uma deusa de repente se mostra diante de Jinguuji e Tachibana, transportando-os para outro mundo para derrotar o Lorde Demônio e simultaneamente conceder o desejo de Tachibana.

Tachibana - agora no corpo de uma mulher impossivelmente perfeita - tornou-se tão atraente que até Jinguuji é cativado. Além disso, Tachibana fica ciente da aparência impressionante de Jinguuji, finalmente entendendo sua popularidade. Antes de se apaixonarem, a dupla deve completar sua missão ou arriscar permanecer prisioneiros de suas paixões para sempre.

Nossa, desde Horimiya eu não conseguia achar nenhum anime que me prendesse até que esbarrei com esse e fui ver por pura curiosidade em um dia de tédio onde não queria fazer nada útil. Geralmente não sou muito chegada em animes isekai (onde o personagem viaja para outro mundo), já vi alguns, mas não é um gênero que eu procuro para assistir. 

Nesse a gente acompanha Tachibana e Jinguuji, dois amigos de infância muito próximos. Eles trabalham na mesma empresa, mas o contraste entre ambos é gigante. Enquanto Tachibana é sociável e aberto a novidades, Jinguuji é fechado, antissocial e reprime seus sentimentos. Além do mais, não está nem um pouco interessado em mulheres porque as acha todas iguais e nenhuma desperta seu interesse não importa em quantos encontros em grupo Tachibana o arraste a ir. Curiosamente, por causa da sua aparência, ele é muito popular entre as mulheres, algo que irrita muito Tachibana cujos interesses românticos sempre ficam interessadas no amigo e nunca nele.

Após uma noite de bebedeira, Tachibana acaba desmaiando no rua e começa a chorar seus infortúnios, culpando o amigo de tirar dele suas pretendentes quando não está interessado em nenhuma delas. Ele diz que quer ser uma linda mulher para ser popular e se livrar do ostracismo. Nisso, uma deusa aparece e concede a ele esse desejo, transportando-os para um outro mundo. E não qualquer mundo, mas um que tem o mesmo esquema dos jogos de MMORPG no qual os personagens precisam cumprir missões.
Nesse mundo, a beleza de Tachibana começa a se tornar, ao mesmo tempo, um artifício e um problema. Mas a pior parte são os sentimentos confusos que ele começa a ter por Jinguuji e este por ele. Para desfazer a maldição e trazer o amigo para o seu gênero de origem, os dois precisam encontrar e derrotar o lorde demônio. No meio do caminho, vão encontrando outros componentes daquele mundo que se tornam seus aliados na jornada, a amizade deles é colocada à prova assim como seus sentimentos um pelo outro. 

Embora o anime tenha a maior cara de BL, não é. A gente torce muito pelo casal, mas acaba não acontecendo. Não sei se a série foi renovada, mas o final é aberto e dá todo o gancho para continuação. É um anime de comédia e funciona muito, ri horrores durante todos os episódios, se você procura algo pequeno e divertido, é uma boa pedida. 



quarta-feira, 7 de setembro de 2022

[Relendo] A mediadora — O que mudou?

Li uma vez em algum lugar que a gente nunca lia o mesmo livro duas vezes, porque quando revisitamos uma história depois de um tempo, não somos a mesma pessoa que o leu a primeira vez e, por estarmos diferentes, se torna a primeira vez que estamos lendo aquele livro. Isso é a mais pura verdade. Quando decidi fazer, anos atrás, o projeto de releitura com livros que já tinha lido, mas não tinha resenhado por alguma razão, percebi isso. Notas que eu dei antes caíram, personagens que eu amava antes se tornaram irritantes, porque eu não era a mesma pessoa de antes, minha visão de mundo ampliou-se, aprendi novas coisas, conheci histórias mais exigentes e isso tornava livros que antes eram fascinantes apenas comuns ou irritantes.

Finalizei minha meta de leitura em julho, ao todo foram 40 livros o que, a meu ver, não torna 2022 um completo fracasso, afinal. Então, como Agosto pareceu o mês amaldiçoado, decidi reler livros que gostei muito e já fazia muito tempo desde a primeira leitura. Li essa série a primeira vez em 2014, na época eu tinha 24 anos, oito anos depois a revisito e minhas impressões mudaram muito com relação à primeira leitura. A mesma coisa aconteceu quando visitei nessa fase da vida livros da L.J. Smith como Diários do Vampiro e O Círculo Secreto cuja série, inclusive, devorei toda numa madrugada anos atrás. A coisa é que os livros conversam com a mentalidade que temos no momento e, por eu não ter mais 16 anos, essas personagens não conversam mais comigo e isso acaba me afastando da série e tornando a leitura chata. Isso não quer dizer, de forma alguma, que o livro é ruim, tanto que eu super indicaria para as primas que nunca leram nada além da lista de supermercado.

Só dando uma leve contextualizada para alguém que eventualmente não conheça a série de Meg Cabot, são seis livros que acompanham a história de Suzannah, uma adolescente de 16 anos que é capaz de ver fantasmas. A missão dela é fazê-los atravessar para o “outro lado”. Quando a mãe dela se casa de novo, Suzannah se muda de Nova Iorque para a Califórnia o que ela não contava era em morar numa casa antiga da época da fundação da cidade. E casas antigas significam fantasmas. E há um na sua casa nova, ele mora bem no seu quarto. Inicialmente, os dois não se dão nada bem, mas ela acaba fazendo amizade com ele, cujo nome é Jesse. A partir disso, Suzannah começa a vasculhar o passado em busca de descobrir como Jesse morreu para assim ajudá-lo a fazer a passagem, enquanto as respostas não vem, ele se torna seu parceiro de exorcismo e, ainda mais, seu primeiro inusitado amor.

A primeira coisa que precisamos entender é que Meg Cabot escreve para adolescentes — e tem a péssima mania de pegar temas em voga de outros autores para dar uma de “faço melhor” e na maior parte das vezes não faz! — então, esse é aquele tipo de livro com uma personagem que só está preocupada com o look do dia, com quão gato é o fantasma do seu quarto ou em quando ela vai conseguir dar o primeiro beijo. A festa da semana seguinte, enfim, toda a futilidade dos hormônios em frenesi. E embora Suzannah tenha essa particularidade de ver fantasmas, a história ser narrada pelo seu ponto de vista e, ainda mais, a forma como a autora decidiu fazer isso, não tornam mais fácil para alguns públicos fora de faixa sentir empatia por ela. Do nada você está lendo e a personagem solta no meio da narração “Vou ter de te explicar” ou “Veja bem” como naqueles filmes quando o personagem olha para a câmera e fala com o expectador.

Já li vários livros em primeira pessoa e sei que há maneiras mais adequadas de construir isso de maneira a aproximar o leitor do personagem sem soar forçado. Mas já notei que Meg Cabot é isso, a necessidade doente de mostrar que é a melhor. Li outro livro dela e senti a mesma coisa. Suzannah é irritante, apenas isso, ela é fútil, chata, em alguns momentos até mesmo idiota. E se há uma razão pela qual a gente consegue chegar até o sexto livro esta é Jesse. Talvez por ele ser de outra época, embora tenha morrido jovem, o comportamento dele é fascinante e nos mantêm presos a descobrir o que aconteceu no seu passado, mesmo que tenhamos de aguentar Suzannah e sua tagarelice irritante no processo. Basicamente, você lê esse livro aos 15 anos e diz “te entendo”, lê aos 30 e diz “cresce guria!”.  Não sei se isso também acontece com vocês, mas foi o que houve comigo e, apesar de reiterar que o livro não é ruim, quanto maior a carga literária, menos você se vê propenso a comprar a narrativa da autora. Além disso, uma coisa que queria salientar aqui é a tradução. A minha coleção é o vira-vira da Best Bolso, e eu gosto muito dos livros dessa editora, minha coleção inteira da Jane Austen é deles, mas nesse livro da Mediadora eles erram feio! A edição está cheia de erros grotescos de ortografia e pontuação. Quase não acreditei. Cadê os revisores desse negócio, gente?

Enfim, oito anos depois, a nota desse livro caiu de 5 para 3 e estou sendo gentil por causa do Jesse. 

[BL] KinnPorsche The Series - Como a Tailândia tá "ozada"!

Título original: คินน์ พอร์ช เดอะซีรีส์

Também conhecido como: KinnPorsche The Series

País: Tailândia

Episódios: 14

Diretor: Kongkiat Khomsiri, Pepsi Banchorn Vorasataree

Roteirista: Pongset Laksamipong, Ning Bhanbhassa Dhubthien

Roteirista e Diretor: Pond Kritsada Wittayakachondej

Gêneros: Ação, Romance, Crime, Drama

PG: +18 (sexo, violência, palavrão, tortura)

Sinopse: Kinn a escapar. Devido às suas impressionantes habilidades de combate, Kinn quer contratar Porsche para ser seu guarda-costas pessoal.

Porsche se opôs e rejeitou Kinn, que faria qualquer coisa para conseguir o que queria. Depois de ser aterrorizado pelos inimigos de Kinn e pelo próprio Kinn, ele não teve escolha a não ser concordar. Porsche não queria fazer parte deste mundo perigoso porque tinha medo de que a única pessoa que amava, seu irmão Porchay Pitchaya, se machucasse. Porsche aceita os acordos absurdos de Kinn e vai morar com ele.

Ainda há um mistério que  Porsche tem que enfrentar com alguns eventos muito inesperados. Além disso, a intimidade com Kinn cria um sentimento turbulento em seus corações que começa a estremecê-lo e a se tornar amor. Esse caminho não será fácil por causa dos muitos problemas e muitos obstáculos que virão para testar seu amor - ele deverá se levantar para suportar todos os problemas que enfrentará.

Onde encontrar: P'Tieris Fansub, Meow Fansub, Pi Fansub

Depois de um tempão sem ver BL (sem ver nada, na verdade) decidi dar uma passeada no que andava acontecendo nesse mundo dos yaois, claro que já tinha ouvido falar de KinnPorsche, mas na época não fiquei muito inclinada a assistir, estava procurando por coisas mais fofinhas e também não estava na vibe de BL. Contudo, diante do meu desânimo, acabei optando por ver algo diferente e ver se animava as coisas, além do mais, há alguns rostinhos conhecidos em tela como Tong Thanayut (TarnType, Second Chance), Jeff Satur (Love Area, He She It) que também contribui com uma música linda pra OST, Perth Stewart (My Engineer) e o tiozão Kob Songsit (Until We Meet Again, Don't Say No).

A história segue Porsche, um jovem bonito que trabalha como barman além de fazer outros bicos para conseguir dinheiro para o irmão mais novo, Porchay que está na escola, e para quita a enorme dívida que os pais contraíram com a máfia (na Tailândia, agiota é mafioso). Um dia, em uma de suas pausas no trabalho, ele acaba topando com Kinn que lhe pede ajuda, pois está sendo perseguido por vários homens armados. Porsche aceita ajudá-lo por uma determinada quantia em dinheiro e as habilidades de luta dele acabam chamando a atenção de Kinn, o sucessor da mais poderosa família da máfia. Ele tenta recrutar Porsche para ser seu guarda-costas, mas por detestar a máfia, o rapaz recusa. Kinn então da a Porsche seu relógio super caro como pagamento por ele ter ajudado.

Em casa, Porsche dá o relógio para o tio vender e quitar a dívida que eles têm, mas não contava que o homem ia apostar todo o dinheiro no jogo e perder, colocando o garoto e seu irmão em problemas. Com isso, Porsche é obrigado a mentir para Porchay que vai trabalhar em um resort particular como barman e não poderá entrar em contato, mas enviará dinheiro para as mensalidades dele e despesas. Assim, ele é forçado a aceitar trabalhar para Kinn como seu guarda-costas. Claro que no começo isso não dá  muito certo, a pose rebelde dele atrai a ira dos demais guarda-costas e a predileção de Kinn por ele — no começo até um pouco sádica — só serve para irritar os outros ainda mais. Porsche também conhece o irmão mais velho de Kinn que, após ser sequestrado, ficou um pouco afetado (na falta de uma palavra melhor). 

Conforme se aproxima de Kinn, ele descobre que fora Kim (o irmão mais novo que não mora na mansão) ele é o que melhor trata seus homens e se preocupa de verdade com eles. Aos poucos, Porsche faz amizade com Pete com quem divide um apartamento no alojamento dos guarda-costas e vai se inteirando das rixas entre as chamadas famílias, a primeira comandada por Korn, pai de Kinn, e a segunda por Gun irmão de Korn. Gun tem um filho chamado Vegas, em um leilão onde Kinn devia conseguir um caríssimo diamante para o pai, ele sequestra Porsche para atacar o primo, drogando sua bebida, mas antes de conseguir abusar dele, é alertado por seus homens que o primo está chegando.

Por estar muito bêbado, Porsche acaba provocando Kinn e os dois acabam dormindo juntos (novamente uma cena de um personagem dormindo com outro sem estar plenamente consciente muito errado), no dia seguinte, ele fica muito furioso com Kinn pelo que aconteceu (com razão). Uma série de eventos leva os dois a se aproximarem, especialmente quando são sequestrados e ficam perdidos em uma floresta. Kinn dá a Porsche a liberdade e manda ele ir embora, afirmando que dirá a todos que ele morreu, assim poderá ter uma vida tranquila longe de tudo aquilo, mas quando Kinn é atacado por assassinos, Porsche volta para salvá-lo e os dois ficam juntos. Contudo, segredos do passado de Porsche podem estar ligados à família de seu novo namorado, colocando a prova sua lealdade com Kinn.

Enquanto isso, Pete se envolve em um relacionamento pior que Chernobyl com Vegas e Kim se aproxima de Porchay. 

KinnPorsche é produzido pela rede One 31 e distribuído, ironicamente, pela rede chinesa  iQIYI (ironicamente considerando que a China baniu, recentemente, as produções LGBT do país). Vou te contar, para quem procura um BL diferente essa é a melhor pedida, nada de garotos de engenharia. Acredito que esse, além da qualidade da produção, foi um dos motivos da série ter virado uma febre durante sua exibição e ela já era muito aguardada. O livro que adaptou a série foi finalizado ano passado. Aqui temos o melhor estilo poderoso chefão: tiro, porrada e bomba, literalmente falando. Há alívios cômicos pontuais e uma cenas hot que, gente... não conhecia esse lado da Tailândia não hahaha.

A química dos atores foi incrível, mas acabei vendo que eles se conhecem a 10 anos então esse conforto que sentem um com o outro transbordou na tela e entregou um casal convincente pra gente. Os personagens foram bem construídos, a história em si é bem montada e as atuações são incrivelmente boas para um drama tailandês (nem sempre eles acertam, vamos combinar!). Appo, o ator que faz o Porsche, foi fabuloso e brilhou na produção, eu conseguia ler tudo na expressão dele, a raiva, o medo, a tristeza, a dor. Sério, que ator fantástico.

Uma coisa que me incomodou e não passo pano de jeito nenhum foi a relação absurda de Vegas e Pete, gente, vamos parar de romantizar psicopatas, não tem graça isso. Eu fiquei indignada que eles acabaram juntos. Não interessa o histórico do Vegas, nada justifica o sadismo dele. As atitudes dele foram horrendas, o Pete merecia coisa melhor. O único casal injustiçado nesse drama — e também o único "inocente" hahaha — foi o Kim e o Porchay. Shippei, sofri e eles não fecharam, magoou. E por falar em Kim, aplausos para o Jeff Satur, vou procurar outros dramas dele, outro ator que brilhou no pouco tempo de tela que teve e que voz LINDA! A música dele para a OST foi parar no meu celular com certeza (em inglês, porque ainda não atingi o nível de ouvir música em tailandês hahaha).

No fim, não esperava muita coisa, mas acabei me surpreendendo pelo lado bom. O final não me agradou muito, as ambiguidades que rolaram me deixaram um pouco chateada, ainda assim, é um drama muito bom e vale a conferida (se você não tiver problema com tiros e facadas, claro). É um BL diferente como Manner of Death, para quem quer fugir um pouco dos universitários problemáticos ou dos dramas de escritório. Vou finalizar com a OST do Jeff que, gente, linda demais.




domingo, 31 de julho de 2022

[Livro] Tian Guan Ci Fu (Heaven Official's Blessing) #5 — Bênção Oficial do Céu

Original: 天官赐福

Autor: Mo Xian Tong Xiu

Série: TGCF #4

Ano: 2018

Páginas: 400

Capítulos: 18

Gênero: Fantasia, romance, histórico, ficção

Sinopse: Oitocentos anos atrás, Xie Lian era o príncipe herdeiro do reino de Xian Le. Ele era amado por seus cidadãos e considerado o queridinho do mundo. Ele ascendeu aos céus em uma idade jovem; no entanto, devido a circunstâncias infelizes, foi rapidamente banido de volta ao reino mortal. Anos depois, ele ascende novamente - apenas para ser banido novamente alguns minutos após sua ascensão.

Agora, oitocentos anos depois, Xie Lian ascende aos Céus pela terceira vez como motivo de chacota entre os três reinos. Em sua primeira tarefa como um deus três vezes ascendido, ele encontra um fantasma misterioso que governa os fantasmas e aterroriza os céus, mas, sem o conhecimento de Xie Lian, este rei fantasma tem prestado atenção nele há muito, muito tempo.

Após ser trancado no forno sozinho com Bai Wuxiang, tudo em que Xie Lian pode pensar é em como vai conseguir sair, uma vez que ele não é capaz de derrotá-lo (e não por falta de habilidade, mas porque o fdp colocou aquele grilhão amaldiçoado nele) e em Hua Cheng do lado de fora. Mas, num lampejo, ele vê algo dentro da montanha que seu inimigo não percebeu e usa isso para sair. Era uma estátua sagrada sua de proporções assustadoras que, obviamente, foi esculpida por Hua Cheng. Embora Xie Lian saiba que ela não é capaz de deter o demônio, ao menos é capaz de ajudá-lo a fugir. Tão logo do lado de fora, ele procura por San Lan (ai, gente não tenho estruturas!) e é abraçado por trás por um Hua Cheng muito aflito. Acontece que a estátua de proporções gigantescas exige muito poder espiritual para se mover e, por isso, ele precisa emprestar de Hua Cheng que, claro, não se incomoda nem um pouco com isso (hahaha eu sempre surto nessas partes).

Furioso com seus planos frustrados, Bai Wuxiang usa os espíritos ressentidos de Wuyong para disseminar uma nova onda da doença da face humana, para tentar impedi-lo, Xie Lian e Hua Cheng fazem com que Pei Ming, Mu Qing, Fang Xing e a deusa da chuva se fundam para formar uma espada, já que a estátua não tem uma e, desse modo, eles conseguem sair do monte tonglu, mas não conseguem impedir a nuvem da doença de se espalhar. Jun Wu desde para ajudar a lidar com a situação e divide os deuses para onde as nuvens se dissiparam como uma maneira de contê-las. Hua Cheng e Xie Lian vão para a capital imperial, lá eles reencontram o antigo deus do vento e, com a ajuda dele, reúnem um grande grupo de pessoas para formar uma matriz que conterá a nuvem da doença impedindo-a de se espalhar pela cidade. O sacerdote de Xian Le aparece e Xie Lian retorna ao reino celestial para interrogá-lo.

Contudo, diante de todos os deuses marciais reunidos, o sacerdote expõe a verdade sobre Jun Wu usando Hongjin a espada de Fang Xing que revela a verdadeira forma de fantasmas. Xie Lian descobre que o imperador em que ele tanto confiava era, na verdade, Bai Wuxiang que estava ao lado dele o tempo todo! Ao ser desmascarado, ele ataca todos os deuses e usa seu poder para isolar o céu, trancando-os em seus palácios para usá-los à sua vontade contra Xie Lian. Além disso, ele reintegra Lin Wen como seu braço direito e solta todos os fantasmas transformando a corte celestial em um caos completo. Xie Lian é trancado em seu palácio e forçado a conversar com Hua Cheng na presença de Bai Wuxiang como uma forma de tranquilizá-lo para que ele não suba.

Todavia, percebendo que havia algo errado, Hua Cheng ainda encontra uma maneira de chegar à corte celestial com a ajuda da mestra da chuva. Ele e Xie Lian interrogam o sacerdote e descobrem a verdade por trás de Bai Wuxiang e do reino de Wu Yong. Agora, eles vão precisar de todas as chances que conseguirem para tirar todos os deuses da corte celestial e encontrar uma forma de deter a calamidade de branco.

Jun Wu começa a coagir os oficiais celestiais a destruir a matriz que Xie Lian criou para conter a doença da face humana, mas todos os oficiais se recusam, com a ajuda de Hua Cheng, o príncipe consegue soltar Lan Qian Qiu e o envia para soltar os outros oficiais presos, Jun Wu incendeia o reino celestial inteiro e com a ajuda da enorme estátua divina de Xie Lian que Hua Cheng trouxe de Tong Lu, ele consegue levar os demais deuses para a terra. Menos Pei Ming que fica para lutar contra Jun Wu. Furioso, Bai Wuxiang foge com o reino celestial inteiro atrás deles perseguindo-os até o covil do Água Negra, mas a batalha acaba com vários oficiais muito feridos e sem vitória de nenhum lado. No fim, ele foge para Tong Lu novamente e Xie Lian, junto com Hua Cheng, o sacerdote e Mu Qing vão atrás dele.

Lá eles encontram Feng Xing desacordado e ele acusa Mu Qing de tê-lo atacado, recomeça a desconfiança de não saber se um deles é um disfarce de Bai Wuxiang, já que o monte Tong Lu é seu território e ele fica  mais poderoso lá. Após um tempo, Hua Cheng e o sacerdote desaparecem, o rei fantasma reencontra Xie Lian pouco depois em um arsenal onde fica preso com Feng Xing e Mu Qing, mas são levados por um rio de lava que quase acaba com a vida de Mu Qing, embora Xie Lian consiga salvá-lo logo depois, ele acaba sendo pego por Bai Wuxiang que o puxa para o mar de lava abaixo, Hua Cheng pulando logo atrás deles.

Quando acorda, Xie Lian está sozinho com Mu Qing, não há nenhum sinal de Hua Cheng. Ele descobre que os dois estão na ponte que levava ao céu, Feng Xing aparece logo depois e ajuda os dois a chegar ao topo da ponte onde finalmente após tanta preocupação, Xie Lian vê que Hua Cheng está bem e em um duelo contra Bai Wuxiang. Os dois começam a lutar juntos, mas por causa dos grilhões amaldiçoados, Xie Lian não consegue atingir todo seu poder e, quando ele começa a desacreditar em si mesmo por causa de Bai Wuxiang, Hua Cheng lhe dá todo seu poder espiritual conseguindo quebrar os dois grilhões, assim, Xie Lian finalmente consegue derrotar seu inimigo, contudo, o preço alto para isso é o esgotamento de Hua Cheng que o leva a desaparecer no maior estilo Goblin.

Nesse momento, que quase arranca lágrimas e sangue do nosso coração, qualquer um que não prestou atenção duvidaria do final feliz da novel, mas gente, lógico que nosso rei fantasma não ia morrer, ele só poderia se dissipar se alguém destruísse suas cinzas, ele apenas se esgotou como Xie Lian quando foi apunhalado pelas cem espadas e levou meses para se regenerar. Embora fique deprimido, Xie Lian tem certeza que seu amado vai voltar, não importa o quê e enquanto todos reconstroem a capital celestial, ele fica no mundo mortal esperando por Hua Cheng. Um ano depois, os dois finalmente se reencontram para nunca mais precisar se separarem de novo. Para alguém que esperou oitocentos anos por ele, um aninho não custa muito para Xie Lian, né?

Para dar um acréscimo à nossa felicidade limitada a praticamente um capítulo, há doze extras do nosso casalzão juntinho, apaixonado e travesso hahaha. Xie Lian praticamente se muda para o templo Qiandeng e vive com o maridão, os aldeões reconstroem seu templo Pu Qi tornando-o majestoso, vários adoradores do príncipe da coroa de Xian Le começam a surgir tornando Xie Lian um deus poderosos novamente, agora livre dos grilhões, ele voltou a ser forte e sem restrições, embora continue azarado como sempre o que não entendi já que o grilhão que tirava sua sorte foi removido por Hua Cheng.

Achei um desfecho bom para a história, tivemos um bom vislumbre da vida do casal junto, passamos por alguns pequenos perrengues que divertiam e preocupavam ao mesmo tempo, mas o final feliz compensou de fato todo o sofrimento que a gente passou nos livros 3 e 4, sério. Só de Bai Wuxiang, embora não morto como eu gostaria, mas selado, e Qi Rong praticamente reduzido a uma chama de lamparina, já fiquei parcialmente satisfeita. HuaLian é o tipo de casal que faz até os mais céticos acreditarem no amor de novo, história super linda e super pesada, foi uma senhora jornada e, embora eu continue cadelinha de mdzs, mais que recomendo Tian Guan Ci Fu, é uma história linda que nos leva a refletir sobre várias coisas e com uma das histórias de amor mais amorzinho que já vi em meus mais de 25 anos de leitora. 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

[Relendo&Resenhando] Lua Nova

Original: New Moon

Autor: Stephenie Meyer

Série: Crepúsculo #2

Gênero: Fantasia, Romance, Drama

Ano: 2006

Páginas: 347 (ed. econômica)

Sinopse: Para Bella Swan, há um coisa mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Mas estar apaixonada por um vampiro é ainda mais perigoso do que ela poderia ter imaginado. Edward, já resgatara Bella, das garras de um monstro cruel, mas agora, quando o relacionamento ousado do casal ameaça tudo o que lhes é próximo e querido, eles percebem que seus problemas podem estar apenas começando...

Doze anos depois, revisito Lua Nova. A sensação que me deu foi de ler pela primeira vez e isso foi muito bacana, consegui pescar coisas que me passaram quando li lá aos 20 anos sob a esmagadora loucura dos filmes que estavam por toda a parte. 

Na sequência de Crepúsculo, Bella e Edward estão presos em seu mundinho particular de amor depois dos eventos quase fatais com James. O livro começa no dia do aniversário de 18 anos de Bella, seu trauma ansioso por estar mais velha que o namorado vampiro começa a incomodá-la ao ponto de ela ter pesadelos de uma versão idosa de si mesma ao lado do imutável Edward Cullen. Alice, contrariando todos os protestos, prepara uma super festa de aniversário para ela e conta com o irmão para arrastá-la para lá, mas os eventos saem do controle quando Bella acaba cortando o dedo e Jasper sai de controle tentando atacá-la.

Sentindo-se culpado e ainda mais preocupado com o bem estar da amada, Edward decide ir embora e dar à Bella a chance de viver uma vida normal, longe do seu mundo obscuro e perigoso. Assim, junto com sua família, ele deixa Forks e uma Bella deprimida e desesperada para trás. Afundando em melancolia e solidão, Bella se afasta dos amigos da escola, não consegue mais dormir, comer, ouvir música, sequer mencionar o nome dos Cullen. Preocupado com ela, Charlie começa a pensar em mandá-la de volta para a mãe porque não sabe como lidar com a depressão da filha, mas ela recusa-se a ir embora.

Para despistar o pai, Bella começa a fingir que está voltando ao normal, retorna ao trabalho, começa a se forçar a sair com os amigos e descobre que, sempre que coloca sua vida em risco, consegue ouvir a voz de Edward. Por mais masoquista que pareça, ela começa a testar sua teoria e, ao comprar duas motos velhas, lembra-se de Jacob Black que é um bom mecânico. Assim, ela se reaproxima dele e surpreende-se com quão fácil Jacob consegue fazê-la sentir-se confortável. A amizade dos dois funciona como uma espécie de band-aid na ferida deixada por Edward, embora Bella ainda insista em fazer coisas suicidas para conseguir ouvir a voz dele.

Ela sabe que Jacob se sente diferente em relação a ela, mas deixa claro que não pode retribuir os sentimentos, especialmente porque a amizade dele é o que a mantém respirando. Porém, as coisas começam a ficar estranhas quando Jacob também se afasta dela sem dar nenhuma razão, Bella fica pensando que ele foi "recrutado" pela "gangue" de Sam Uley da qual o garoto já havia falado antes, mas acaba descobrindo que, na verdade, ele é um lobisomen. Ela também descobre que Victória está atrás dela quando Laurent tenta matá-la, mas é impedido pelos lobos. 

Sozinha mais uma vez, Bella começa a sucumbir e agora que Jacob tem suas incumbências como membro da matilha de Sam, não pode mais ficar com ela como antes, além disso, o humor dele não é mais o mesmo. Em um momento de fraqueza, Bella começa a pensar se conseguiria se apaixonar por ele ou mesmo tornar o sentimento de amizade que os une em algo mais profundo. Mas a visita de Alice muda suas convicções.

A vampira aparece após Bella ter pulado de um penhasco em busca da voz de Edward e quase se afogar, ela explica que não fez aquilo na intenção de se matar, mas por "diversão". Ela implora que a Cullen fique com ela mais um tempo, ao que Alice cede, mas o jogo vira quando Rosalie conta a Edward sobre a visão e, acreditando que Bella está morta, ele decide ir à Itália para se matar. Aterrorizada, a garota segue Alice até Volterra para impedir o amado de cometer o ato insano e, mesmo chegando a tempo, entra na mira dos Volturi, seu futuro com Edward tão nublado quanto antes.

Olha, uma das coisas que mais me pegou nessa releitura foi a depressão de Bella, ela era bem menos ruim do que me lembrava que falavam na época. Não digo que ela não teve intensidade, mas não foi aquela chatice toda divulgada na época pela galera e mostrada na adaptação de forma tão exagerada. Muita gente acha um livro chato de ler, eu não achei. Consegui entender a situação da personagem e a forma como ela se sentia o que não quer dizer, claro, que concordo com a postura dela diante do término. Ainda que dentro da situação em si o isolamento de Bella e Edward seja crível, a maneira como ela é dependente dele não parece saudável.

Mas assim, está se falando de uma adolescente de dezoito anos, ainda que a Meyer tente vender a personagem como madura, e em muitos aspectos ela o seja, ainda é uma adolescente imediatista, impulsiva e com os sentimentos à flor da pele. E, pelo menos, a autora mantem essa obsessão sólida por todos os livros, torna o amor crível de alguma forma. Nunca fui do tipo que compra esse triângulo amoroso, por mais que Bella tenha chegado a considerar um relacionamento com Jacob, ela descarta a hipótese e, durante toda a leitura, fica bem claro que o que há entre os dois é amizade. Jacob tem a ilusão do que ele queria que Bella fosse, de algo que ele sabe ser inalcançável e, por isso, é tão desejado.

Pôster do Filme de 2009
Uma coisa que senti muita falta na adaptação foi essa vida cotidiana da Bella, esses pequenos momentos "normais" entre ela e o pai e entre ela e Edward que tornam o relacionamento deles um pouco menos obsessivo, inclusive, as brigas deles são muito legais e algumas bem engraçadas. O filme ficou bem mais no estado catatônico dela, numa tentativa de empurrar o romance com Jacob mesmo quando não é cogitável e, sobretudo, mudou muito a personalidade do personagem como uma forma de agradar o publico que não leu o livro e, mesmo que Taylor Lautner tenha feito o melhor que pôde com o papel, a personalidade do personagem é muito mais natural no livro.

O livro tem muitas cenas lindas que ficaram aguadas no filme, especialmente o diálogo entre Edward e Bella no final do livro, os cortes feitos na adaptação reforçam muito a crítica de que o relacionamento deles não é saudável e, sobretudo, ficou muito superficial se comparada com o momento doce e da troca sensível de palavras na conversa deles no quarto. Além disso, o monte de cenas que não existem no livro como uma forma de contextualizar situações (e é bem desnecessário), além da elipse de personagens (não que Lauren seja importante, Jessica cumpre o papel das duas).

Alguns contextos que foram cortados prejudicaram a intensidade das cenas correlacionadas, como no caso da cena da floresta em que Edward vai embora. Outros recursos, entretanto, serviram como suporte para a lacuna narrativa que não daria para representar em cena, como os emails narrados por Bella para Alice que cumprem a função de mostrar os sentimentos da personagens narrados no livro, claro que, no livro isso se torna muito mais pungente e intenso que na tela. Mas o recurso de mostrar o tempo pela janela enquanto a personagem está catatônica serviu muito bem como um apoio visual para a situação dela.

A coisa é que, quem leu o livro percebe que muitos pontos da história ficaram... rasos no filme, porque estavam desprovidos de contexto, outros ficaram forçados como aquela briga no pátio dos Volturi que nunca existiu (e isso se repetiu em Amanhecer parte 2) uma forma de surpreender um público que não conhece a história, mas encher linguiça para um que já conhecia. Além disso, muitas cenas cortadas fizeram falta e a mudança de tempo em outras cortou o clímax oferecendo um desfecho de gancho completamente desnecessário considerando que a história em si já deixa uma ponta solta para a continuação. Sem contar que o filme aborda muito mais o lado dramático da história perdendo excelentes oportunidades de explorar o lado cômico do livro que é um alívio mais que necessário e se perde em todas as adaptações (eclipse foi a mais gritante depois de crepúsculo).

Todavia, não desconsidero o filme, ainda que ele não explore a história com o potencial que ela tinha, acho uma resumo aceitável do "grosso" dos fatos. E, obviamente, isso é opinião minha. Super entendo que nem tudo cabe numa adaptação, mas é evidente que a troca de algumas cenas e o anticlímax podiam sim ter sido melhorados em um enredo mais fiel ao livro. Contudo, não entendo de roteiro então fico com esse sentimento de leitora sem qualquer tipo de embasamento técnico no gênero.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

[Livro] Tian Guan Ci Fu (Heaven Official's Blessing) #4 — A Calamidade Vestida de Branco

 Original: 天官赐福

Autor: Mo Xian Tong Xiu

Série: TGCF #4

Ano: 2018

Páginas: 400

Capítulos: 18

Gênero: Fantasia, romance, histórico, ficção

Sinopse: Oitocentos anos atrás, Xie Lian era o príncipe herdeiro do reino de Xian Le. Ele era amado por seus cidadãos e considerado o queridinho do mundo. Ele ascendeu aos céus em uma idade jovem; no entanto, devido a circunstâncias infelizes, foi rapidamente banido de volta ao reino mortal. Anos depois, ele ascende novamente - apenas para ser banido novamente alguns minutos após sua ascensão.

Agora, oitocentos anos depois, Xie Lian ascende aos Céus pela terceira vez como motivo de chacota entre os três reinos. Em sua primeira tarefa como um deus três vezes ascendido, ele encontra um fantasma misterioso que governa os fantasmas e aterroriza os céus, mas, sem o conhecimento de Xie Lian, este rei fantasma tem prestado atenção nele há muito, muito tempo.

Meu Deus, que livro difícil... se eu tinha achado o terceiro volume violento, esse foi brutal. Brutal de uma maneira cruel, indigesta e difícil de ler.

Aqui, a volta no tempo se dá para pouco depois do segundo volume, após a queda de Xie Lian. Junto com os pais, Feng Xing e Mu Qin, ele está fugindo do exército de YongAn que está atrás deles. As coisas são ainda mais difíceis porque eles têm de trabalhar para ganhar o sustento, Xie Lian não pode mostrar sua identidade e seus pais precisam ficar escondidos. Eles passam por muitas provações e, para piorar, o rei está doente. Todos desprezam o antigo príncipe da coroa a quem chamam de deus do infortúnio, escarnecem com suas estátuas sagradas e o repudiam como o causador de toda a calamidade que caiu sobre Xian Le (algo que nos revolta, porque sabemos que não foi culpa dele!).

Mesmo apesar de tudo isso, Xie Lian segue com seu bom coração e senso de justiça, mas os conflitos entre Mu Qin e Feng Xing parecem só aumentar até o ponto que Mu Qin decide ir embora, para desgosto do príncipe e ultraje de Feng Xing que passa a odiá-lo ainda mais. É também nessa fase que Xie Lian tem seu primeiro encontro com Hua Cheng desde que ele "desapareceu" na guerra (agora sabemos que ele foi dispensado por Mu Qin e lutou mesmo assim), em uma noite, ele encontra um viajante que vende lanternas cuja luz vem de fantasmas que ele capturou no campo de batalha de Xian Le e prendeu aos objetos. Irritado, o príncipe discute com ele e compra todas as lanternas, dentro de uma delas estava o espírito de Hua Cheng que continuava procurando por ele e continua seguindo-o depois de ser libertado junto aos demais.

Xie Lian a essa altura não acredita mais em ninguém e nem em si mesmo. Está perdido e sentindo-se miserável. Além de todos os problemas, o abandono de Mu Qin causou ainda mais problemas e o príncipe de Xian Le percebe que ele era alguém que não sabia lidar com a vida. E não fosse tudo isso suficiente, ainda havia a pressão dos pais e de Feng Xing para que ele cultivasse e ascendesse outra vez, mas o tempo passava e ele se sentia ainda menos inclinado a ascender, sua mente chegando ao fundo do abismo. É quando ele está enlouquecendo que encontra pela segunda vez Bai Wuxiang. Aterrorizado, ele começa a acreditar que está louco. Para conseguir dinheiro, junto a Feng Xing ele começa a se apresentar nas ruas e penhora suas últimas posses, Xie Lian tem medo que o único amigo que lhe resta também o abandone.

No ápice do desespero, Xie Lian tenta roubar para conseguir o remédio do pai. Ele falha e é humilhado por deuses baixos. Envergonhado e destruído, ele tenta buscar o caminho da cultivação outra vez, ascender é a única maneira de conseguir ajudar os pais e Feng Xing, mas é novamente humilhado e dessa vez também por Mu Qin que conseguiu ascender outra vez. Cansado e mentalmente fragilizado, ele é novamente atacado por Bai Wuxiang que o força ao ponto de mesmo seus pais e Feng Xing acharem que ele está perdendo a sanidade. Sozinho, Xie Lian é capturado pelo monstro e torturado física e psicologicamente no capítulo mais indigesto e cruel que eu já li na minha vida. E como se isso não fosse ruim o bastante, Hua Cheng, um pequeno fogo fantasma impotente, é obrigado por Bai Wuxiang a presenciar tudo. No abismo do desespero, ele acaba por explodir e queimar todos que machucaram seu deus.

Após isso, sem qualquer fé ou esperança restando dentro de si, Xie Lian desiste. Ele dispensa Feng Xing, começa a roubar itens valiosos de casas ricas e, no limite da sua insensibilidade, perde seus dois pais e tenta se matar, não conseguindo por causa de Ruo Ye, e é aqui que descobrimos tanto a história dela como a história de Hua Cheng, ou pelo menos uma parte dela. Entorpecido pela dor, ele se deixa vencer pelo ódio e atacar YongAn, matando todos aqueles que causaram o desastre que sua existência se tornou. É quando ele reencontra Hua Cheng, dessa vez personificado em fantasma usando uma máscara sorrindo. Xie Lian lhe nomeia Wu Ming uma vez que ele afirma não ter nome.

Contudo, sensibilizado por uma única pessoa que ainda mostra ter bondade em seu coração, ele volta a se sacrificar para impedir que a maldição de Bai Wuxiang recaia sobre os inocentes e, incapaz de permitir que seu deus sofra outro horror, Hua Cheng sacrifica sua existência para salvá-lo, desesperando Xie Lian e fazendo essa culpa oprimir seu coração. Após isso, ele recusa sua segunda ascensão e permanece na terra aceitando todas as espécies de infortúnio que se abatem sobre si. 

Te contar, foi um livro difícil de ler. Ele não é apenas triste, é cruel de uma maneira indizível. Foi inevitável comparar Hua Cheng com Lan Zhan, mas embora ambos tenham sofrido a dor de ver a pessoa que amavam sofrendo os piores horrores, Hua Cheng passou por um sofrimento muito pior porque o que Xie Lian sofreu foi muito mais brutal que Wei Ying. Toda a superproteção dele e o desprezo que ele tem pelas pessoas falsas que cercam Xie Lian é mais que compreensível.  A senhora Mo parece ter guardado todo o seu sadismo para esse livro, meu Deus!

Isso só reforça ainda mais o amor que sentimos por HuaLian, os sacrifícios que o Hua Cheng passou pelo Xie Lian, toda a dor que o Xie passou, a angústia e as perdas que ele enfrentou, chegando ao limite do suportável e ultrapassando. Só faz com que a gente deseje ainda mais que ele se assuma com o Hua Cheng e dê todo o amor que ele merece, recebeno em troca na mesma proporção. Mas é lógico que eu estou mais que consciente do fato de ainda rolar muito desespero e crueldade até isso acontecer...


domingo, 17 de julho de 2022

[Livro] Iaiá Garcia

 Autor: Machado de Assis

Ano: 1878

Gênero: Romance

Páginas: 172

Sinopse: Iaiá Garcia foi publicado entre março e janeiro de 1878 em folhetins para o periódico O Cruzeiro. É a última das obras da chamada fase romântica de Machado de Assis. O Brasil à época se recuperava dos efeitos da Guerra do Paraguai, transcorrida entre 1864 e 1870, e inclusive o romance se passa concomitantemente à guerra.

Nestas páginas, o leitor acompanhará a história de Lina, a filha de Luís Garcia, que a apelidou carinhosamente de Iaiá. A pedido de Valéria, o bondoso e gentil Luís convence o lho dela, Jorge, a alistar-se na Guerra do Paraguai, tudo isso para que Valéria pudesse evitar que ele mantivesse sua relação com Estela. É claro que estes personagens irão se encontrar e desencontrar ao longo do romance, como em todo bom folhetim.

Que nostalgia gostosa poder reler esse livro tantos anos depois! Esse foi meu primeiro contato com Machado de Assis de quem, inclusive, eu ainda nem tinha ouvido falar por não ter aulas de literatura que só viriam a acontecer no ensino médio. Eu estava no começo da adolescência e era uma frequentadora assídua da biblioteca, tanto para descobrir histórias novas quanto para fugir do meu assustador professor de geografia (que Deus o tenha consigo). Peguei o livro por pura curiosidade mesmo, achei a capa bonita, na época era uma versão adaptada que tinha uma pintura bem chamativa na capa. Lembro nitidamente como a prosa poética e sedutora de Machado luziu aos meus olhos e não demorou muito para que eu ficasse apaixonada e virasse o livro inteiro num dia, incapaz de parar de ler. 

A história começa quando Luis Garcia, um homem taciturno e frio, recebe um bilhete de uma rica mulher que lhe pede que vá vê-la para pedir ajuda em algo. Quando sai do trabalho (que não é explicitado qual é) ele vai até a casa da mulher que lhe conta os problemas que está tendo com seu filho Jorge, rapaz que parece estar apaixonado por uma mulher que ela desaprova como sua esposa. Assim, tendo se encerrado todas as chances de afastá-lo dela, Valéria, a mãe de Jorge, pede a Luis que lhe ajude a convencer o filho a aceitar se alistar no exército, nesse período acontecia a guerra do Paraguai e, mesmo diante da possibilidade da morte do jovem, a mulher se mostra irredutível.

O objeto de tal amor é Estela, uma jovem que fora acolhida por Valéria já que o pai é um tanto quanto inadequado para sua formação e, tendo falecido a mãe, lhe faltava orientação feminina adequada que um velho de intencionalidade duvidosa e tendência a adulação não tinha. Moça ajuizada, orgulhosa e impassível tanto quanto implacável, Estela era a companhia de Valéria a quem escutava e atendia com filial solicitude e sem nunca esperar nada em retorno. Consciente de sua posição — tanto social quanto na família da sua benfeitora —, não tinha quaisquer ambições ou pretensões que alçassem sua mente a um lugar além do seu merecimento. Por isso, ao saber dos sentimentos de Jorge, não apenas saiu da casa de Valéria, como prontamente o recusou de imediato, separados pela diferença social e pelo orgulho que não era capaz de aceitar nada que não viesse de seu próprio esforço e escala.

Magoado com a recusa dela, Jorge aceita a proposta da mãe de se alistar como uma maneira de provar seu amor à Estela e faz confidência desse sentimento à Luis Garcia, sem, contudo, revelar a identidade do objeto de seu desejo. Parte então o jovem para os horrores da guerra, mais determinado a findar sua existência que a retornar com glória ao lar. Nesse entremeio somos apresentados à Lina, a filha única de Luís Garcia que, carinhosamente, apelidou-lhe Iaiá. Sendo não somente sua única herança da esposa, a quem não amava, mas por quem tinha especial estima, Iaiá era a luz dos olhos de Luís que procurava mimá-la dentro e fora das suas possibilidades. A moçoila estudava em um internato e vinha para casa nos fins de semana alegrar a vida do pai que esperava ansioso por esses dias.

As artimanhas do destino colocam Iaiá no caminho de Estela que, com a partida de Jorge, voltou a frequentar a casa de Valéria, esta disposta a casá-la vê como positivo o interesse da jovem por Luís Garcia e, o apreço por sua filha é o arremate para a disposição do homem, já não mais tão jovem, a aceitar dar nova chance ao matrimônio. Como na primeira vez, não foi o amor, mas a conveniência e o apreço mútuo que levou Estela e Luís ao altar, ambos não apenas cientes, mas confortáveis na situação uma vez que o amor era uma impossibilidade para uma e um desconforto para o outro. Iaiá, extremamente satisfeita com o enlace, tinha em Estela uma irmã e uma mãe postiça por quem tinha respeito e carinho genuínos. Valéria, após contrair doença, acaba por falecer antes do retorno do filho que recebe nos campos de batalha a triste notícia da perda de sua mãe e do casamento de Estela com seu confidente.

Quatro anos depois, Jorge retorna ao Rio de Janeiro com todas as honrarias da guerra adornando sua farda, mas nenhuma paz no espírito. As modificações de caráter e os golpes recebidos nos campos de batalha não puseram fim ao amor obsessivo que remanescia contrariando todas as suas expectativas, mas refrearam-no dada às condições que agora se encontravam. Estela era para ele inatingível e, não fosse sua estima e amizade por Luís Garcia, seus caminhos jamais tornariam a se cruzar. É nessa reaproximação com o antigo amigo da família, que ele conhece Iaiá, ainda sem molde pelas últimas reminiscências da infância cobrindo os primeiros anos da adolescência e, moldados pelo gênio mimado de sua criação, eram provocador do sufocar da beleza conferida pela vida e a genética.

Todavia, a mente afiada de Iaiá começa a suspeitar que há algo estranho entre Jorge e Estela embora a inocuidade pueril lhe impeça de distinguir o que exatamente. Aliado a isso, o ciúmes do pai com o homem a levam a detestá-lo em especial por ele lhe parecer indiferente e a frieza dela desconcerta o rapaz que não tem ideia da razão de ter despertado nela tamanha aversão. Quanto mais a desconfiança de Iaiá aumenta, mais a proximidade dela com Jorge se torna um artifício para atingir a verdade e, nesse percurso, o rumo de seus sentimentos também se transforma. Mas o segredo do passado intrincado no pequeno meio pacífico do seu círculo pode ameaçar esse novo sentimento.

Revisitar essa obra tantos anos depois me deu a gostosa sensação de ler ela pela primeira vez e, nessa ocasião, pude ter acesso ao texto integral o que foi melhor ainda, pois desfrutei da história com todos os pormenores e particularidades da poética e ágil prosa machadiana. Depois de ter já lido alguns livros de Machado depois de adulta, sempre volto à opinião que, independente de quão magistral seja Don Casmurro, Iaiá Garcia sempre será meu eleito. A história simples, cotidiana e dramática desse livro consegue mexer comigo em todos os sentidos e despertam o lado romântico que muitas vezes até chego a esquecer que possuo (por não usar hahaha). É um livro de 1878, mas se aplicaria tão bem ao momento presente quanto uma divertida e intrigante história de Jane Austen.

Iaiá é uma adolescente chata, imediatista e voluntariosa como são todos os adolescentes na idade dela e, talvez por isso, na época em que o li pela primeira vez, tenha sido, para mim, uma identificação tão imediata que me levou a outro livro dele que me tocou de uma maneira diferente: Helena. E me levou a buscar outros autores clássicos ainda naquela época como José de Alencar de quem lembro que não gostei (provavelmente voltarei a dar uma chance a ele agora adulta para ver se minha opinião muda). Fico me perguntando se, ao invés das complexidades de Don Casmurro, livros como Iaiá Garcia não seriam uma leitura mais aceitável para apresentar Machado a adolescentes, e só então avançar para leituras mais exigentes. Contudo é apenas uma visão minha. 

Todavia, embora a premissa de Iaiá pareça simples, sua construção de todo não é. Temos um complicado triângulo amoroso que se desmonta com boas doses de suspense sobre o futuro dos personagens, especialmente dado o comportamento imaturo da personagem título e o olhar que recai sobre o texto e a conduta desses personagens varia de acordo com o momento da vida em que lemos a história. Minha visão aos 14 anos não é a mesma que agora na casa dos "inta". Se você nunca leu Machado, eis uma boa maneira de começar. Iaiá Garcia não é complexo e, de maneira alguma, enfadonho, mas a ausência de complexidade e seu tom dramático puxado para a tragédia não diminui, em nenhum aspecto, a bela construção de suas personagens e o enredo bem articulado, fluido e sedutor que Machado, e apenas Machado, tem.

domingo, 10 de julho de 2022

[Livro] Tian Guan Ci Fu (Heaven Official's Blessing) #3 - Nenhum Caminho está Atado

 Original: 天官赐福

Autor: Mo Xian Tong Xiu

Série: TGCF #3

Ano: 2018

Páginas: 1128

Capítulos: 92

Gênero: Fantasia, romance, histórico, ficção

Sinopse: Oitocentos anos atrás, Xie Lian era o príncipe herdeiro do reino de Xian Le. Ele era amado por seus cidadãos e considerado o queridinho do mundo. Ele ascendeu aos céus em uma idade jovem; no entanto, devido a circunstâncias infelizes, foi rapidamente banido de volta ao reino mortal. Anos depois, ele ascende novamente - apenas para ser banido novamente alguns minutos após sua ascensão.

Agora, oitocentos anos depois, Xie Lian ascende aos Céus pela terceira vez como motivo de chacota entre os três reinos. Em sua primeira tarefa como um deus três vezes ascendido, ele encontra um fantasma misterioso que governa os fantasmas e aterroriza os céus, mas, sem o conhecimento de Xie Lian, este rei fantasma tem prestado atenção nele há muito, muito tempo.

"Claro! Só depois de conhecer você foi que eu descobri que é uma coisa tão simples ser feliz, hahaha..." 

O livro do exposed!

Meu Deus, aconteceu tanta coisa nesse livro que é até difícil enumerar tudo! Vou fazer o melhor que puder para elencar pelo menos os eventos mais importantes deste que foi o maior livro da série com 92 capítulos em que a autora decidiu lavar a roupa suja e colocou todos os personagens na berlinda, nem Hua Cheng escapou haha.

Após aquela pausa no segundo livro para rememorar a trajetória de Xie Lian em sua primeira ascensão e queda, ela retoma o fio da meada a partir do final do segundo livro enquanto Xie Lian tenta lidar com Qi Rong que está possuindo o corpo de um humano e se recusa a sair, para piorar, este humano tem um filho pequeno que não entende que aquele não é mais o seu pai. Tendo que lidar com isso, ele cuida do filho do homem e mantêm o primo preso até encontrar uma maneira de tirá-lo do corpo mortal sem ferir o ser humano. 

Em busca de conseguir algum dinheiro, Xie Lian acaba indo parar na casa de um rico homem cuja esposa grávida está muito doente e nenhum médico conseguiu curá-la. Se oferecendo para investigar, não demora muito para que ele perceba algo errado com a criança e, dando instruções muito específicas ao homem, se veste de mulher mais uma vez e fica no quarto da mulher para tentar descobrir a origem da energia maligna na casa. Ele acaba por se deparar com um agressivo fantasma de um feto cuja gravidez foi interrompida em função de um ritual maligno. Contudo, o procedimento dá um pouco errado e Xie Lian, ao ser atacado pelo espírito do feto, acaba quase se afogando e é salvo por Hua Cheng, descobrindo em seguida que acabou indo parar na cidade fantasma.

Investigando a origem do bebê com a ajuda de Hua Cheng, Xie Lian dá Qi Rong a ele para que descubra uma maneira de arrancá-lo de dentro do corpo do homem. Enquanto isso, uma fantasma é apontada como mãe do feto e Xie Lian a leva para a corte celestial a fim de descobrir quem é o pai. Fina no ar uma suspeita que Mu Qing pode ser o pai ou o responsável pela morte do bebê, já que havia uma sinistra maneira proibida de ascender. A investigação fica por conta da corte e Xie Lian volta ao reino mortal onde encontra-se com Hua Cheng.

Ele recebe a visita do mestre do vento e do mestre da terra pedindo ajuda para lidar com o Reverendo das palavras vazias, uma entidade poderosa que estava grudada no mestre do vento Qin Xuan e como seu irmão Shi Wu Du, mestre da água, estava prestes a passar por uma calamidade celestial, o jovem e alegre mestre do vento não queria pedir ajuda a ele. Xie Lian, claro, logo concorda em ajudar já tendo lidado com aquele tipo de entidade antes ele não se intimida mais e, junto com Hua Cheng, os quatro partem em busca de respostas, tendo de mergulhar no passado mortal do mestre do vento para poder entender a razão de tal entidade ter grudado nele.

A empreitada não dá muito certo e, mesmo com Xie Lian enfrentando a criatura, o mestre do vento acaba sendo pego e resgatado momentos depois pelo irmão furioso. Como a atitude de Shi Wu Du é muito estranha, Xie Lian acaba indo ao reino celestial investigar e descobre que o mestre do vento é mantido preso e perdeu todos os seus poderes de deus se tornando nada mais que um mortal comum. Com a ajuda de Ming Yi, mestre da terra e de Qi Ying, Xie Lian consegue tirar Qin Xuan do reino celestial, mas em vista da calamidade de Shi Wu Du, eles acabam indo atrás dele.

No percurso, eles acabam indo parar no covil da segunda calamidade, o Água Negra que Afunda Navios, onde Xie Lian descobre a verdade acerca do passado sombrio de Shi Wu Du e de como ele usou artifícios para fazer o irmão ascender, prejudicando outras pessoas. Vendo Xie Lian em perigo, Hua Cheng o ajuda, mas o mestre da água acaba assassinado e Qin Xuan desaparece. Desolado, não resta a Xie Lian outro caminho além de aceitar as coisas que estão além do seu controle. Ele e Hua Cheng acabam se separando.

Com a proximidade da abertura do monte Tong Lu, onde nascem os supremos reis fantasmas, Xie Lian é convocado a procurar o Brocado Imortal que escapou das prisões celestiais junto com mais um bando de fantasmas que estava preso. Com isso, vem à tona o passado de Ling Wen, a mais eficiente deusa civil e seu crime passado cai por terra chocando Xie Lian. Esse crime envolve também Pei Ming e Qing Yi. Sem alternativa e vendo que o poder da abertura do monte está prejudicando Hua Cheng, Xie Lian se oferece para ir até lá impedir a saída do próximo supremo. Mesmo um pouco debilitado, claro que Hua Cheng nunca o deixaria ir sozinho até lá, especialmente por conhecer como ninguém cada pedaço daquele monte.

Já no monte, antigas figuras emergem como Xuan Ji, a noiva fantasma ressentida, Ke Mo e Ban Yue, os personagens da tragédia de Yong An, também outro personagem do passado sórdido de Pei Ming e o mestre da chuva que finalmente mostra seu rosto. Fu Yao e Nan Fang também retornam e o grande grupo segue para o monte principal para impedir o próximo rei fantasma. Todavia, partes do passado de Hua Cheng são reveladas na Caverna dos mil deuses e sentimentos são encarados por Xie Lian mesmo que seus dois oficiais tentem impedir. Porém o perigo real se mostra na forma de Bai Wuxiang, a calamidade vestida de branco, o maior terror de Xie Lian. Agora, ao lado de seu mais fiel devoto, o príncipe da coroa de Xian Le vai precisar enfrentar seu maior pesadelo para sair vivo do monte Tong Lu.

Isso é um resumo bem simplório do monte de coisa que acontece no livro, sério. É cada escorregão que quando a gente menos espera está chorando de rir numa página e chorando de nervoso na próxima. Muitas das nossas percepções sobre alguns personagens cai por terra nesse volume e algumas mortes foram bem chocantes, além de inesperadas. Já ouvi muita gente dizendo que essa era a obra mais "levinha" e fofa da tia Mo, sou obrigada a discordar. Embora ela tenha sim momentos muito adoráveis entre HuaLian, não é de longe uma obra leve. É muito mais gore, inclusive, que Mo Dao Zushi, faz a saga de Wei Ying parecer um conto de princesas! 

Não só a violência física muito mais intensa, mas a psicológica também vem com sadismo redobrado em Tian Guan Ci Fu. Acredito que da mesma forma que ela não se conteve no fanservice de MDZS, ela abriu a mão na violência cruel dessa série. Tiveram partes realmente indigestas nesse terceiro volume que já me deixaram de cabelo em pé e receio de ler o próximo. Por isso decidi dar uma pausa para ler algo mais levinho e depois retomar. Todavia, a maneira como tudo se encaixa e as histórias se interligam, além do texto super fluído da autora (algumas parcas vezes enganchado pela tradutora? Sim. Mas isso é o de menos) ajudam muito a voar pelos capítulos sem nem perceber.

Óbvio que a série está mais que recomendada para quem tem estômago para isso hahaha. Apesar de ainda preferir MDZS, não tem como não se encantar com HuaLian, esses dois são a coisa mais adorável que já vi e um romance tão lindo quando WangXian. 


quinta-feira, 30 de junho de 2022

[Livro] Histórias de Fadas

 Autor: Oscar Wilde

Gênero: Fábula, conto

Resenha vai ser curtinha, primeiro porque não tem muito o que falar, segundo porque eu não curti tanto o livro quanto achei.

Meu primeiro contato com o Wilde e não fiquei nem um pouco arrebatada. Nove historinhas que tem a cara dos Grimm, mas não tem o carisma dos contos deles (mesmo os mais ou menos). Os dois primeiros são os mais simpáticos, alguns chegam a ser enfadonhos com descrições longas e desnecessárias como acontece com O Aniversário da Infanta. Algo interessante é que boa parte deles, de certo modo, tem um cunho religioso em sua moral, o primeiro dá a entender, nas entrelinhas, que é meio que uma fábula homossexual embora não se possa afirmar. Na maior parte das vezes, a moral das histórias é mais interessante que as histórias em si, embora ele exponha as problemáticas humanas de modo fiel como em O Amigo Dedicado e O Foguete Notável. São contos que falam sobre egoísmo, superficialidade, falsidade, arrogância e tantas outras emoções humanas, só que de uma maneira até certo ponto bem lúdica. Talvez eu esperasse um pouco demais pelo fato de ele ser um autor clássico, ou talvez eu tenha  lido os contos fora do contexto dele, já que não conheço muito a vida do autor.

Contudo, se por um lado não achei a prosa incrível, ela é, sem dúvida, necessária e fica minha recomendação. Tentei ler Folhas de Relva esse mês também, mas acabei abandonando e, por enquanto, não estou muito na vibe de assistir nada, então não estou vendo nenhum drama. Junho foi um mês mais ou menos, espero que Julho seja melhor. Nesse mês que é meu aniversário vou ler os três livros restantes de Tian Guan Ci Fu.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

[Filme] Liar X Liar | Honey Lemon Soda

Título Original: ライアー×ライアー

Ano: 2021

Roteirista: Tokunaga Yuichi

Diretor: Yakumo Saiji

Gênero: Romance, Comédia

País: Japão

Elenco: Matsumura Hokuto, Mori Nana, Koseki Yuta, Hotta Mayu

Sinopse: Minato é um estudante universitário e tem medo de germes.  Ela não está interessada em ficar bonita.  Ela mora com seu meio-irmão Toru, que é seu meio-irmão do segundo casamento de sua mãe.  Enquanto isso, toru é bonito e joga com as garotas.  Ele não resiste a uma mulher que vem para ele e também não impede que as mulheres o deixem.  Minato se sente desconfortável com toru e seus modos com as mulheres.  Eles têm a mesma idade e frequentam a mesma universidade.  Eles têm um acordo, onde Toru não se aproximará de Minato dentro de 2 metros quando eles estiverem fora.  Um dia, devido ao pedido de suas amigas, Minato se maquiou e vestiu o uniforme do colégio de suas amigas.  Enquanto ela está caminhando em público, ela encontra Toru.  Ela inesperadamente mente para ele sobre sua identidade e diz a ele que é uma estudante.  Toru se apaixona por ela à primeira vista.


Minato é uma jovem universitária que mora com a mãe, o padrasto e o filho dele, Toru que tem a mesma idade que ela. Os dois se conheceram na infância quando seus pais estavam namorando e eram amigos até que seus pais se casaram e eles passaram a viver juntos. Toru passou a se comportar de maneira estranha e afastar Minato que, com o tempo, não só passou a detestá-lo como adquiriu misofobia após determinado incidente. Ela é o tipo de garota que não liga muito para a aparência desde que se sinta confortável com o que usa e consigo mesma, e se irrita com o fato de Toru ser um mulherengo artificial que se deixa levar pela aparência pulando de uma garota para outra sem considerar os sentimentos dela.

Um dia, para ajudar sua amiga fotógrafa, Minato se veste de colegial e coloca uma peruca, mas o destino acaba colocando Toru no seu caminho e para fugir do problema, ela finge ser outra pessoa. Só não contava que seu meio-irmão ia se apaixonar perdidamente por ela lhe colocando numa tremenda saia justa. No início, Minato deseja se vingar dele por todos os perrengues que ele lhe fez passar no fundamental e por tratar as garotas com frieza, mas conforme seu plano avança seus sentimentos vão mudando e ela vai conhecendo uma faceta do irmão que nem seus pais conheciam o que pode mudar sua vida para sempre.

Fazia muito tempo que eu não via um filme amorzinho assim, embora no começo não tenha dado muita coisa nele, o desenrolar da história foi muito engraçado e com boas doses de fofura, o casal "incesto" que vocês já sabem que eu amo ajudou muito no desenvolvimento que me lembrou um pouco Marmelade Boy. Super indico para o fim de semana com uma pipoca doce com as amigas.


Título Original: ハニーレモンソーダ

Diretor: Shintoku Kouji

Roteirista: Yoshikawa Nami

Gêneros: Romance, Escola, Juventude

País: Japão

Ano: 2021

Elenco: Murakami Maito Raul, Yoshikawa Ai, Hotta Mayu, Hamada Tatsuomi, Bando Ryota e Okamoto Matsumi

Sinopse: Ishimori Uka é muito tímida e tem dificuldade em fazer amigos. Quando ela era uma estudante do ensino médio, os alunos zombavam dela chamando-a de "pedra". Por volta dessa época, ela conheceu Miura Kai com cabelo cor de limão. Por causa dele, ela entrou na mesma escola. Uka agora quer superar sua timidez e ter amigos. Kai é um estudante popular na escola, mas não fala muito ou parece interessado nos outros. Ele não sabe por quê, mas se preocupa com Uka. Uka admirava Kai e agora ela sente algo por ele.

Toda vez que o Japão lançar um filme com "Honey" no título, eu vou assistir!

Ishimori sofre bullying por causa de seu comportamento tímido, ela não consegue interagir com as pessoas e, por isso, ganhou o apelido de pedra. Embora queira mudar, ela não sabe como e acaba se conformando em ser uma pedra, dessa forma, ela finge que não se machuca. Até o dia em que ela conhece Kai, um misterioso e belo garoto que começa a mudar seu modo de encarar a si mesma.

Eles acabam indo para a mesma escola e ficando na mesma sala, contudo não interagem, ela não interage com ninguém, mas está determinada a tentar mudar isso. Sabendo que seria difícil para ela dar o primeiro passo sozinha, Kai a estimula incentivando-a a começar a se comunicar com os demais alunos da sala. Sabendo que ela continua sofrendo bullying por parte de alunos de outra sala, ele a defende e, lentamente, os dois se tornam amigos e Ishimori vai se abrindo para as pessoas, tomando coragem de fazer amigos.

Contudo, seus sentimentos por Kai vão mudando conforme os dois se aproximam, mas além de não ter confiança suficiente em si mesma para ficar ao lado dele, Ishimori ainda tem de enfrentar os sentimentos de sua amiga Serina, ex-namorada de Kai que ainda nutre sentimentos por ele. Além disso, Kai parece esconder um segredo que o impede de ser completamente aberto com ela.

Ah, que saudades desses romancinhos colegiais com beijinhos que mal encostam e fofura por take! Uma das coisas mais legais nesse filme — além de ver um mestiço em tela, algo que não vi muito nos meus aninhos vendo produções japonesas — é que o relacionamento do Kai e da Ishimori é super saudável, sabe? Em nenhum momento ele pressiona ou coage ela, mas ao contrário, dá tempo para ela agir e deixa que ela evolua por si mesma só interferindo quando é realmente necessário e, simultaneamente ao progresso dela, vamos também acompanhando o progresso dele. 

Embora, ao contrário do anterior, esse filme não tenha uma carga cômica latente e seja mais voltado para o drama, é muito adorável e vale a pena cada segundinho se você quer ver uma coisa mais açuquinha e suspirante. Também ótima pedida para um domingão na festa do pijama com muito chocolate. Recomendo demais!

domingo, 12 de junho de 2022

[Livro] O Príncipe

Original: The Prince

Autor: Nicolau Maquiavel

Ano: 1532

Gênero: Ciência política

País: Itália

Páginas: 224

Sinopse: Àqueles que chegam desavisados ao texto límpido e elegante de Nicolau Maquiavel pode parecer que o autor escreveu, na Florença do século XVI, um manual abstrato para a conduta de um mandatário. Entretanto, esta obra clássica da filosofia moderna, fundadora da ciência política, é fruto da época em que foi concebida. Em 1513, depois da dissolução do governo republicano de Florença e do retorno da família Médici ao poder, Maquiavel é preso, acusado de conspiração. Perdoado pelo papa Leão X, ele se exila e passa a escrever suas grandes obras. O príncipe, publicado postumamente, em 1532, é uma esplêndida meditação sobre a conduta do governante e sobre o funcionamento do Estado, produzida num momento da história ocidental em que o direito ao poder já não depende apenas da hereditariedade e dos laços de sangue. Mais que um tratado sobre as condições concretas do jogo político, O príncipe é um estudo sobre as oportunidades oferecidas pela fortuna, sobre as virtudes e os vícios intrínsecos ao comportamento dos governantes, com sugestões sobre moralidade, ética e organização urbana que, apesar da inspiração histórica, permanecem espantosamente atuais. (Via: Amazon)

"O desejo de conquistar é uma coisa muito natural e comum, e sempre que têm a possibilidade, os homens que o fazem são mais louvados que censurados."

Se há uma coisa que aprendi em todos os meus anos de leitura — que compreendem a maior parte das minhas três décadas de vida — foi a aceitar minhas limitações ou completa ignorância acerca de determinados assuntos e, sobretudo, a não me envergonhar disso. E aprendi com a filosofia que a ignorância culmina em perguntas, cujas respostas podem mudar o mundo interno de alguém. Mas minha razão para ler Maquiavel não foi, de forma alguma, a busca de respostas. Houve uma época da minha vida em que busquei respostas para meus questionamentos internos, sobretudo na adolescência quando meu mundo se descortinava em um futuro aterrador que se mostrou real e muito pior do que minha frágil imaginação foi capaz de alcançar, essa experiência me ensinou sobre o erro de buscar respostas e, então, passei a desejar fazer as perguntas certas, assim, de acordo com minha própria diligência, seria capaz de encontrar as respostas e isso está longe do conceito meritocrático.

Minha curiosidade sobre Maquiavel, além do puro desejo de embarcar por leituras diferentes que me são apenas agora acessíveis — e não sei, infelizmente, por quanto tempo —, foi o de pesquisar para uma história que desejo escrever. Apesar do desejo primordial não ter sido atendido de maneira completa, ao didático a leitura encaixou com alguma validade. Meu conhecimento de política é ridículo para não dizer inexistente, culpa minha mesma por nunca ter desejado ir a fundo no assunto desmotivada por uma série de fatores que não cabem aqui. Assim, antes de abrir as páginas de O Príncipe, tinha em mente o pré-conceito de um texto desafiador e difícil como costumam ser os textos de filosofia que geralmente pedem uma base pouco fornecida pela escola. Mas, curiosamente, acabei me surpreendendo.

Embora não tenha lido A Arte da Guerra, já ouvi falar muito sobre esse livro e vi diversas resenhas a respeito, por esse motivo quando cheguei próximo ao quarto capítulo de O Príncipe comecei a encará-lo como uma versão italiana do clássico chinês. Maquiavel discorre em suas páginas sobre os diversos tipos de principados e impérios, seus pontos fortes e fracos, dá conselhos aos príncipes que legam pela hereditariedade seus tronos e para aqueles que desejam erguer-se a esta posição por outros meios (nem todos eles assumidos pela honestidade). Não vou tentar discorrer nessa resenha sobre conhecimentos profundos e leituras de entrelinhas a respeito da obra porque não tenho qualquer base de ciência política e encarei a leitura, inicialmente, como ela se apresentou aos meus olhos: um manual. Escrever um texto cheio de firulas sobre coisas que não compreendo de nada me serviria mais tarde quando fosse consultar essa resenha outra vez e tampouco para outros leigos que, como eu, desejassem ler este livro para satisfazer suas curiosidades clássicas ou por obrigação da faculdade (da qual me livrei, talvez, pelo curso de modo que o li por escolha e não obrigatoriedade acadêmica).

Talvez seja simplório resumir o livro dessa maneira, mas é como ele acabou soando para mim durante esta semana de leitura: um manual de como conquistar e se manter no poder. Usando exemplos de sua época e de impérios e reinos anteriores ao seu tempo, Maquiavel traça um percurso para todos os príncipes que um dia chegarão ao trono pelo "mérito" e para aqueles que o conseguirão pela força, seja ela da violência ou da astúcia. Discorre, assim, sobre os tipos de principado, os tipos de exércitos e as falhas e vantagens de cada um, além do perfil de príncipe que seria capaz de se manter no poder em cada uma das ocasiões em que ascendeu ao poder. 

Algo que me chamou atenção até aqui é que ele não julga ou condena nenhum tipo de meio para atingir o propósito. Seja pelos meios pacíficos, violentos, legais ou ilegais, segundo seu "manual", qualquer viés é válido desde que se alcance o fim desejado. Todavia, uma vez atingido o fim independente dos meios, ele afirma que só é possível mantê-lo agindo com justiça e elucida, em diversos pontos do livro, que um príncipe só é capaz de reinar com plenitude se seu povo estiver de acordo com seu governo.

"O príncipe que tem o povo por inimigo dificilmente estará em segurança devudo ao seu grande número, enquanto, ao contrário, a hostilidade dos grandes não o fará estremecer, por serem poucos."

Essa consciência do poder público é tão necessária, especialmente em países como o Brasil, que se fosse universal acredito que nenhuma nação viveria aprisionada pelos governos ditatoriais, opressores e corruptos. Todavia, de acordo com meu entendimento da leitura, o autor se faz controverso por diversas vezes, sobretudo quando defende a conquista pela força e, dessa forma, a aniquilação de todo modo de oposição. Então, o livro pode ser entendido de diversas maneiras de acordo com o conhecimento e posicionamento de quem lê, por vezes, o julguei até subversivo em alguns aspectos, mas são impressões minhas que podem não condizer com a intenção do texto. 

Mas minha surpresa veio meio no último capítulo. Isso pode soar como um spoiler, embora não acredito muito nisso, mas por via das dúvidas, pule esse parágrafo. Todo esse estudo empreendido na formação e manutenção de um principado culmina em um apelo! Sim, o livro todo é como uma espécie de manual para o papa Leão X da casa dos Médices com o claro intuito que, pelos meios certos, ele conseguisse assumir e reunificar a Itália da época. Coisa que, segundo o índice cronológico no fim do livro, não aconteceu uma vez que os Médices foram expulsos de Florença em 1527, mesmo ano da morte de Maquiavel. Ou seja, o livro todo é um grande pedido de socorro que não foi ouvido.

Acho a leitura válida? Sim. Embora não tenha sido bem o que eu esperava o livro traz conscientizações que são muito importantes para nós leigos cidadãos e, sobretudo, para entender o funcionamento de uma sociedade como ela deveria ser (mas na prática nunca é), ele joga luz sobre alguns assuntos e levanta questionamentos sobre outros. E, surpreendentemente, não é uma linguagem inacessível, pelo menos não a edição que li. Talvez os pormenores políticos me tenham escapado por ignorância, mas no fim foi uma leitura interessante e leigos ou não em política, acho que todo mundo deveria ter uma opinião a respeito dos pensamentos "maquiavélicos" do autor sobre sociedade e poder.

terça-feira, 7 de junho de 2022

[Livro] Fábulas Chinesas

Autor: Sergio Capparelli 

Ano: 2012

Páginas: 64

Sinopse: O fabuloso mundo das fábulas

A fábula é um dos tesouros dos primórdios da humanidade. Gênero literário popular, tem origem em histórias transmitidas oralmente, de geração a geração — até que um ou mais escritores decidem registrá-las e dar-lhes uma forma definitiva. O presente livro reúne fábulas de diversos períodos da civilização chinesa — as mais antigas datando de antes da Era Cristã. São histórias de vários estilos, registradas por diversos autores que eram também poetas, mandarins, historiadores, sábios em geral, nas quais se evidenciam traços da cultura da China e uma sabedoria popular milenar.

"O sábio deve se apoiar na sabedoria da natureza, e não na inteligência dos homens."

Um recorte da milenar sabedoria chinesa em contos simples, cotidianos e, alguns, com metáforas bem elaboradas sobre política. Essas trinta fábulas são um retrato da sociedade chinesa antiga, todos com cunho moral e filosófico, alguns, inclusive, que vi referências em novels como Ashes of Love e Mo Dao Zushi, o que demonstra que é um conhecimento que continua a ser passado pelas gerações.

Os que mais me chamaram a atenção foram:

O homem que queria mover as montanhas, ele demonstra a perserverança que contagia todos e perdura nas gerações futuras se bem ensinada. Não há nenhum problema que dure eternamente e não possa ser resolvido com resiliência.

Esperando um coelho eu lembrei de ter visto em MDZS, inclusive, comecei a rir assim que iniciei a leitura. Fala sobre a preguiça, um homem morre de inanição por contar com a sorte de um coelho morrer ao se chocar com uma árvore ao invés de trabalhar para conseguir seu sustento.

Há também o do homem que sonhou que era uma borboleta e, ao acordar, começou a indagar-se se ele havia sonhado ser uma borboleta ou se a borboleta havia sonhado que era ele. Essa é mais uma fábula filosófica e existencial, inclusive, o anime Kuroshitsuji faz alusão a esse conto em um de seus episódios.

O lobo de Zhongshan conta sobre um monge maoísta que salva um lobo de ser assassinado por um oficial, mas depois acaba sendo ameaçado pelo próprio lobo que salvou, fala sobre ingratidão.

A direção errada é outro muito interessante que conta sobre um homem desejando invadir o estado de Chu, armado com um poderoso exército e riquezas, ele estava indo pela direção errada e um homem lhe diz que não importa o que ele faça ou tenha, nunca atingiria seu propósito se seguisse pelo caminho errado. É autoexplicativo.

Gostei muito, é uma maneira bacana de conhecer um pouco da fascinante cultura chinesa, embora quando comprei esperasse algo mais, valeu a pena. 

[Livro] O príncipe da Coroa que agradava a Deus (Tian Guan Ci Fu #2)

Título Original: 天官赐福 

Autor: 墨香铜臭

Ano: 2017

Série: 天官赐福 (Heaven Official's Blessing) #2

Gênero: Fantasia

Sinopse: Oitocentos anos atrás, Xie Lian era o príncipe herdeiro do reino de Xian Le. Ele era amado por seus cidadãos e considerado o queridinho do mundo. Ele ascendeu aos céus em uma idade jovem; no entanto, devido a circunstâncias infelizes, foi rapidamente banido de volta ao reino mortal. Anos depois, ele ascende novamente — apenas para ser banido novamente alguns minutos após sua ascensão.

Agora, oitocentos anos depois, Xie Lian ascende aos Céus pela terceira vez como motivo de chacota entre os três reinos. Em sua primeira tarefa como um deus três vezes ascendido, ele encontra um fantasma misterioso que governa os fantasmas e aterroriza os céus, mas, sem o conhecimento de Xie Lian, este rei fantasma tem prestado atenção nele há muito, muito tempo.


"Quando humanos ascendem, eles ainda são humanos; quando caem, eles ainda são, humanos."

Embora fosse o príncipe herdeiro do trono de Xian Le, Xie Lian não almejava o trono. Sua grande paixão era a cultivação, o caminho da sabedoria e da pureza e as artes marciais. Muito cedo, quando as primeiras desavenças com o pai começaram a surgir, ele se mudou para a montanha Tai Cang a fim de estudar cultivação, ficar longe do pai e, um dia, ascender mesmo que esta última possibilidade não fosse uma certeza.

Durante o Festival das Lanternas, Xie Lian deveria representar a divindade maior que destrói o mal, o desfile visava não apenas agraciar os céus, mas de trazer tempos de paz e prosperidade para o reino pelos próximos anos. Todavia, bem no meio do desfile, Xie Lian sai do seu personagem para salvar uma criança que caíra de cima de um prédio, interrompendo o desfile antes do previsto e, ainda mais, sua máscara cai revelando seu rosto, até então incógnito, para todos do reino presentes.

Ele é repreendido pelo seu mestre que afirma que aqueles acontecimentos prenunciavam um mal sobre a nação de Xian Le, mas o príncipe herdeiro estava preocupado somente com a criança que, aparentemente estava bem. Ele incumbe um de seus funcionários a levar o menino em segurança para fora do palácio e apesar de todos estarem preocupados com os maus agouros que poderiam vir, o príncipe da coroa não parecia abalado pelo que havia acontecido, apenas orgulhoso de si mesmo por conseguir salvar a criança. Seu mestre, entretanto, diz a ele para se desculpar publicamente com o reino pelo que aconteceu, mas Xie Lian se recusa, alegando que não fez nada errado para se desculpar.

Dias depois, quando está prestes a voltar para a montanha, ele vai pela cidade para que um dos seus funcionários possa visitar a mãe, é quando ele reencontra o mesmo menino que salvou sendo torturado por seu primo Qi Rong. Enfurecido, Xie Lian manda prender o rapaz e leva o garotinho às pressas para os médicos reais. Embora bastante ferido, o menino ainda tem força o bastante para impedir que o príncipe veja o lado direito do seu rosto e para se posicionar contra aqueles que o acusam. Temendo deixar o garoto no castelo e ele se tornar vítima de Qi Rong outra vez, Xie Lian opta por levá-lo contigo para a montanha Tai Cang.

Como um lugar sagrado, a montanha comportava pavilhões dos mais diversos tipos, por isso, ao levar o pequeno menino até lá, algo extraordinário acontece, os pavilhões que selavam espíritos malignos têm suas barreiras desfeitas e todos os monstros são soltos na montanha indo na direção do garoto e queimando o lugar onde Xie Lian morava. Contudo, o príncipe da coroa parecendo um bom discípulo maoísta, não se importava com nada daquilo, apenas com a criança e seus oficiais dentro do palácio. O sacerdote maior da montanha arguiu o garoto para ler sua sorte e descobriu que ele tinha uma data de nascimento obscura, destinado a trazer infortúnio para si mesmo e todos à sua volta.

Ouvindo isso, o garotinho, é claro, se opõe afirmando que nada daquilo era sua culpa e que ele não havia feito nada para atrair a escuridão dos espíritos até lá. Para surpresa de todos, Xie Lian concorda, ficando ao lado dele e tentando acalmá-lo. Naquele mesmo dia, o garotinho desaparece e o sacerdote diz a Xie Lian que ele tem todos os requisitos necessários para ascender, embora acredite não ser uma boa ideia em idade tão jovem.

E ele estava certo.

Xie Lian ascende aos dezessete anos, se tornando um dos mais adorados e poderosos deuses, mas mantendo a impulsividade e os ideais pouco embasados da adolescência. Quando seu reino começa a colapsar com a falta de água e uma estranha doença começa a varrer a região, ele contraria os céus e desce para ajudar o seu povo, o caos se espalha no reino de Xian Le e o príncipe da coroa, uma vez amado por todos, se vê duvidando de si mesmo e recebendo o desprezo do seu povo em resposta por não ser capaz de salvá-los. O pior ainda foi descobrir que a causa maior daquele infortúnio se deveu a ele mesmo, a partir do momento que impediu o curso do destino de agir, Xie Lian enterrou o futuro do seu reino já destinado a cair.

O segundo volume do quarteto joga luz sobre o passado de Xie Lian, elucidando alguns fatos do primeiro livro que ficaram um tanto obscuros para nós. Quando encontramos o personagem no primeiro livro já o vemos em uma versão muito mais madura e ignoramos completamente sua trajetória até esse estado, como todo mundo, Xie Lian passou pela rebeldia ao se virar contra os céus e os adultos e fazer o que ele achava que ela certo apesar das consequências, ele aprendeu da maneira mais difícil que nem sempre o bem de um é o bem geral e que nunca vai-se agradar a todos.

É um livro um tanto triste e até um pouco macabro em algumas partes. Mas a gênese da relação dele com Hua Cheng foi o ponto alto do volume sem dúvida!  A devoção genuína de Hua Cheng nasceu na infância e perdurou por toda a sua vida, mesmo durante a queda de Xie Lian, no momento que ele era desprezado por todos, Hua Cheng estava lá acreditando nele e isso foi lindo de ver, bem como aconteceu com nossos amados Lan Zhan e Wei Ying, mas de uma forma bem mais pura e intensa. E isso só aumenta mais nossa curiosidade a respeito do personagem, uma vez que a autora nos dá pouquíssimas pistas sobre seu passado. Sabemos que ele veio de uma família abusiva e negligente e vivia fugindo, era muito pobre.

Espero que os próximos livros contem mais a respeito dele e de como ele se tornou um fantasma. Um não, O fantasma! Hahaha. Apaixonadinha por eles. Como o terceiro livro é gigantão, eu vou quebrar um pouco a corrente, ao contrário do que fiz com Mo Dao Zushi e vou ler outras coisas. Outra coisa que me surpreendeu um pouco nesse livro, apesar de ele ser muito bom, como é, ao contrário de seu antecessor a gente consegue fazer pausas entre as leituras. Lembro que quando estava lendo MDZS eu simplesmente não conseguia fazer mais nada, só queria ler. TGCF está se mostrando uma experiência mais "leve".