domingo, 16 de janeiro de 2022

[Drama] You Are My Destiny

Título original: 你是我的命中注定

Diretor: Ding Ying Zhou

Gêneros: Comédia, Romance, Drama, Família

País: China

Ano: 2020

Episódios: 36

ElencoLiang Jie, Xing Zhao Lin, Fu Jing, Long Chang, Wang Qian

Sinopse: Chen Jia Xin (Liang Jie), uma editora de artes inexperiente, e Wang Xi Yi (Xing Zhao Lin), o herdeiro arrogante de um conglomerado, encontram-se pela primeira vez em um navio de cruzeiro com destino a Hungria. Eles imediatamente se apaixonam e se casam logo depois. Quando Jia Xin engravida, ela deixa o emprego para se tornar uma dona de casa, mas um aborto inesperado a deixa profundamente magoada. Jia Xin decide deixar o marido e vai para a Hungria para continuar seus estudos. Jia Xin e Xi Yi ainda terão uma segunda chance?

ONDE ACHAR: WEI FANSUB

E vamos de mais uma versão desse drama Taiwanês que, pelo visto, é amado em todos os países da Ásia. A China decidiu fazer sua versão de Fated to Love You depois da Coréia e Tailândia apresentarem suas versões do drama taiwanês de 2008 e para protagonizar a aposta, eles elencaram o casal magia da franquia The Eternal Love (que ainda não vi, mas pretendo) Liang Jie e Xing Zhao Lin o que, apesar de não ter assistido o primeiro drama deles juntos, achei muito acertado porque a química deles é excelente.

A premissa segue a mesma, em um cruzeiro onde pretendia pedir sua namorada em casamento, Wang Xiyi acaba encontrando Cheng Jia Xin, todavia, algumas circunstâncias são diferentes das versões anteriores, como o fato de Jia Xin conhecer Anna, a bailarina, antes de embarcar no navio e ter a mesma mala que Wang Xiyi, o que acaba fazendo-os trocar sem querer e é o mote que os aproxima. Anna acaba recebendo a proposta do balé de Paris para interpretar Odete no palco e abandona o noivo na viagem sozinho, ao passo que o namorado de Jiaxin, Gu Chi, começa a traí-la com outra mulher, Xiyi descobre isso antes dela e expõe o homem, ajudando Jiaxin a se vingar, nessa versão, em um jogo de bilhar. Outra diferença aqui é que, antes de irem para vingança, eles se divertem juntos e Xiyi a leva em várias partes do cruzeiro coisa que não acontece nas outras versões.

Após ajudá-lo a se livrar do constrangimento se passando por Anna e casando com ele no cruzeiro, Xiyi e Jiaxin acabam bebendo demais e passam a noite juntos o que acarreta na gravidez dela. Então a confusão começa quando Anna volta e Xiyi já está apaixonado pela esposa.

Até certo ponto as tramas são iguais, contudo a versão chinesa trouxe frescores diferentes á história original que, se acertaram em determinados momentos, também erraram feio em outros. Um dos pontos mais positivos sem dúvida é a personalidade do protagonista. Nas outras versões, o personagem principal era um babaca completo, idiota, com ares meio pateta e tratava a protagonista pior que um lixo, tudo bem que a versão tailandesa não foi totalmente horrível nesse ponto, mas ainda não se safou completamente. Todavia, Xiyi, mesmo não sendo um santo completo, foi construído de forma mais humana, ele é adorável, não trata Jiaxin como um pedaço de papel humilhando-a a cada cena e eu gostei muito disso, coisa que me fez afeiçoar muito ao personagem, ele se permite envolver com ela, conhecê-la, ajudá-la a se tornar mais confiante e quando escolhe ficar com ela, fica. Não dá rodeios ou enrola afirmando que não sabe o que fazer, ele deixa claro para a Anna que ama a Jiaxin e quer ficar com ela, amei isso, nas outras versões isso não rola. Além disso, o personagem consegue ser engraçado sem ficar apelando para a patetice.

Jiaxin também foi construída de forma melhor, ela se mantém como a personagem meio passiva e ingênua, mas pelo menos não é um pastel como suas outras versões, ela tem uma voz e a usa, por diversas vezes ela disse a Xiyi quem mandava e eu amava isso. Só o fato de ela ter colocado o ex-namorado no lugar dele na vingança já foi tudo. É legal como ela vai ganhando alguma confiança antes de viajar e não apenas depois que se torna escultora. E, se teve outra cena que tocou no fundo do coração, foi a cena da perda do bebê, chegou a ser dolorosa e os atores expressaram as emoções muito bem. Dylan, por sua vez, mantém aquele papel coadjuvante que nem ajuda nem atrapalha, pelo menos no começo. Primeira vez que não shippei a personagem com o friendzone, juro, eu torcia tanto pela Jiaxin e o Xiyi, sobretudo porque ele realmente gostava dela e lutou por ela com tudo que tinha ao contrário das suas outras versões. Nessa versão, ela viaja para Budapeste o que achei uma mudança muito bacana.

Mas nem tudo são flores. Anna e Dylan que no começo eram personagens muito bacanas, nos últimos episódios se tornam chatos pra caramba com o propósito patético de separar os dois. Anna se transforma de uma mulher forte e legal, em uma obsessiva sem autoestima, que vive pra ressuscitar um romance morto há muito tempo mesmo Xiyi dizendo que não gosta mais dela, os roteiristas criaram aquela perda de memória nada a ver, e mesmo que ela não tenha sido tão cruel quanto a versão original dando um contrato de aborto para Jiaxin, achei essa mudança súbita da personagem desnecessária, assim como Dylan, que ao descobrir que Anna era sua irmã, alimentou a obsessão dela pedindo a Jiaxin que se afastasse de Xiyi mesmo sabendo que os dois se amavam e só nos 42 do segundo tempo muda de ideia e ajuda os dois. Isso fez com que o final ficasse um amontoado de acontecimentos mal desenvolvidos. Foi insípido para dizer o mínimo, e isso acabou comprometendo a experiência de um projeto que tinha nas mãos tudo para ser a melhor versão dessa história, melhor, inclusive, que a original.

Ainda assim, só pela construção fantástica do Xiyi em comparação com as outras versões, eu super recomendo o drama. Dei um 9 nele.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

[Livro] Hamlet

Autor: William Shakespeare

Publicação: 1603

Gênero: Tragédia

Sinopse: A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, Hamlet, o rei, executado por Cláudio, seu irmão, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a rainha. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.


Não vou fazer nesta resenha uma pose de loquaz conhecedora e analisar as profundidades das camadas infinitas desta joia da literatura mundial, mas, recolhendo-me à minha insignificância de intelecto e reconhecendo minhas limitações, farei minhas observações sobre a história sem pretensões, visto que me faltam bases para discorrer de maneira profunda a um texto tão rico em análises de várias óticas. Dito isso, comecemos.

Embora, creio eu, todos conheçam alguma adaptação de Shakespeare por algum viés, ou ao menos já ouviu falar sobre sua obra mais difundida, Romeu e Julieta, poucos encaram o desafio de ler, factualmente, suas peças dada a complexidade de seu vocabulário. Não posso, de maneira alguma, censurar suas hesitações, encontro-me aqui, na casa dos "inta" e apenas agora dispus-me de coragem o bastante para encarar esta peça que, há muito me interessava, mas que julgava-me incapaz de ler e compreender em sua totalidade. Bem, não estava errada.

O que despertou em meu coração o real desejo de ler Hamlet e conhecer a história por trás de seu famoso discurso filosófico "ser ou não ser" foi a ópera. Sim. A adaptação de Ambroise Thomas que tocou-me o mais profundo dos sentidos e virou-me ao avesso a razão com a irretocável interpretação de Natalie Dessay dando vida à Ofélia, abandonada em sua loucura às margens do rio insano da perda e da rejeição. Infeliz Ofélia em cujo desvario desesperado encontrei poesia e empatia encarando as notas agonizantes de uma das maiores intérpretes do cenário erudito na modernidade, opinião pessoal desta humilde leitora. Tendo em vista que o libreto da peça é escrito em Francês, língua sobre a qual tenho parco conhecimento, me veio o desejo de entender mais profundamente os conflitos musicados em tela e a razão para o desfecho tão sombrio que se abateu sobre as personagens que, por duas horas inteiras, prenderam minha completa atenção na gênese de minha terceira década.

Vamos à história. Hamlet, nobre príncipe da Dinamarca, vê-se preso pelo luto da morte de seu pai, rei de mesmo nome, e atacado pela dúvida a respeito de sua morte em suspeitas circunstâncias. Acontece que seu tio, não tinha sequer dois meses da morte do irmão, reivindicou para si a coroa e a viúva, no que o jovem príncipe vitimado pelas auguras da dor, não raciocinava completamente, mas tecia em seu íntimo conjecturas a respeito. Deu-se que, próximo à meia noite, guardas de vigia em determinada área do castelo avistam sombra suspeita que assombrosamente assemelha-se ao finado rei em suas vestes marciais a vagar triste pelas terras antes pertencente a ele. Intrigados com o fenômeno, seguem até seu príncipe a fim de relatar o ocorrido e, tendo por testemunhas oculares os presentes, segue-os Hamlet para atestar por si mesmo os fatos.

Eis que surge a sombra e relata-lhe a verdade sobre a morte que cedo usurpou-lhe a felicidade de que desfrutava em nome da inveja e ganância de seu próprio sangue. Atordoado com a revelação, Hamlet jura ao pai que o vingará. A partir desse momento, determinado a atingir seu propósito, forja sua própria loucura e, um a um, afasta de si aqueles que dispunham outrora do seu afeto sincero, como Ofélia, filha do conselheiro real Polônio, e irmã de seu bom amigo Laertes, por quem antes demonstrava interesse, mas de quem se afasta em nome do seu propósito, ainda que soubesse ser recíproco o que sentia, afirmando que nunca a amara. 

Após convencer a todos da ausência de sua razão, Hamlet planeja uma forma de expor o usurpador do trono de seu pai e usa para isso uma peça de teatro. Seu tio e mãe, preocupados com seu estado, convocam à Dinamarca dois de seus amigos de estudos com o intuito de descobrir o que se passa com o príncipe, como maneira de alegrá-lo, os dois trazem uma trupe de atores e é nesse momento que a ideia surge, Hamlet conversa com um deles e lhe instrui a alterar uma famosa peça que deve ser apresentada com eloquência diante da corte. Ao ver seu crime exposto diante de si, o rei é traído por seu autocontrole e percebe que o sobrinho já sabe o verdadeiro motivo da morte do pai e, assim, precisa ser eliminado.

De início, ele trama com os dois amigos do príncipe para escoltá-lo até a Inglaterra onde, sob suas ordens, ele deverá ser executado pelo rei inglês. A mãe de Hamlet manda chamá-lo após o espetáculo armado pelo filho que encolerizou seu esposo, ele então a acusa de incesto e desonra à memória de seu pai. Polônio, que estava escondido no quarto para escutar a conversa e relatá-la ao seu soberano, acaba denunciando sua presença e sendo morto por Hamlet que, diante de tal crime, decide adiar por hora a vingança e aceita o exílio na Inglaterra, pelo menos até descobrir o que seu tio tinha planejado para seu futuro.

Ofélia, diante da morte do pai e da partida do amado, enlouquece, declamando poemas antigos e canções folclóricas, ela demonstra saber a real natureza da morte de seu pai e o rei teme que venha à tona. Nesse entremeio, Laertes retorna ao reino, enfurecido e clamando o sangue daquele que ceifou a vida de seu pai, o rei lhe conta a verdade e constrói cruel plano para que ele concretize sua vingança. Hamlet, que envia os falsos amigos à Inglaterra com uma falsa carta que garantiria suas execuções quando lá aportassem, retorna ao reino para vingar-se de seu ardiloso parente, qual surpresa lhe assola quando descobre a morte de Ofélia e, resignado à amargura e culpa, aceita não ter mais nada a perder e, num trágico conflito, encara seu inimigo.

"Recordar-me de ti? Sim, sombra infeliz, enquanto a memória não me abandonar este meu cérebro desordenado. (...) quero varrer da minha memória todas as recordações frívolas, todas as máximas colhidas nos livros, todos os vestígios, todas as impressões do passado, tudo quanto a juventude e a observação coordenaram, e em sua vez dar só lugar, sem rivais, juro-o pelo céu, aos teus preceitos."- Ato I, Cena V

Como já bem dizia o  filósofo Seu Madruga "A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena." pode-se dizer que este livro é a demonstração clara desse provérbio, perdido na obsessão de sua vingança, Hamlet destrói a si mesmo e a todos à sua volta. A revelação da morte do seu pai o faz refletir sobre várias coisas enquanto, lentamente, sua loucura fingida converte-se em insanidade cega pelo ódio.

No início, por ser escrito em forma de peça, achei que demoraria a me entrosar na história, que seria difícil até entender os acontecimentos, mas a estranheza durou muito pouco, anda no começo do primeiro ato percebi que embora o estilo fosse diferente ao qual me habituara, a compreensão não era, de forma alguma, comprometida. E se algo veio a dificultar minha compreensão em alguns momentos foi a linguagem arcaica da tradução portuguesa desta edição. Todavia, não tive tempo de procurar uma edição brasileira confiável da obra. Ainda assim, não há como não ficar encantada pela lírica espetacular de Shakespeare, a profundidade magistral de suas personagens e a complexidade de sua trama que abarca reflexões sobre a vida, a morte, a conduta humana e a espiritualidade.

"Quem se resignaria a suportar gemendo o peso de uma vida importuna, se não fosse o receio de alguma coisa além da morte, esse ignoto país do qual jamais viajante regressou? (...) Que vantagem haverá, pois, que seres como eu se rojem como repteis entre o céu e a terra? Todos somos infames, não te fies em nenhum homem;" - Ato III, Cena I

Hamlet, com sua intelectual loucura vingativa, pode ser descrito como uma espécie de anti-herói, um predecessor menos tirano, mais loquaz e sagaz de Heathcliff. Apesar de tudo, a gente se vê torcendo para que sua empreitada dê certo conforme a personalidade corrupta de seu tio se descortina diante de nós. O final, como é de conhecimento quase geral, é a tragédia, resultado dos arroubos cegos de uma alma dominada pela mágoa e desejosa de vingança. Ofélia, por sua vez, representa o arquétipo da donzela romântica trágica que, ao contrário de outras heroínas de Shakespeare, tem pouco protagonismo além do padecer da loucura apaixonada que a leva ao fim sombrio.

"Neste mundo corrompido, a iniquidade pode a preço de ouro desviar o curso da justiça, e com o produto do crime comprar a impunidade, mas o céu é justo, todo o subterfúgio é inútil; ali os nossos atos são justamente avaliados e os nossos crimes conhecidos."  Ato III, Cena III

"(...) neste mundo sórdido e venal a virtude deve implorar o perdão do vício e pedir o favor de fazer o bem." Ato III, Cena IV

Apesar de ter sido escrito em aproximadamente 1600, Hamlet segue atual como nunca, explorando a corrupção, a sede de poder e a superficialidade das relações humanas que se fiam em benefícios e não sinceridade. É um livro que te leva a questionar sobre o que nos torna o que somos, como nossas ações refletem no mundo ao nosso redor, qual o sentido de estarmos aqui? Como disse no começo, não vou entrar no mérito de tentar buscar referências filosóficas, psicológicas ou psicanalíticas no livro, pois me falta embasamento científico e teórico para tal. Ainda assim, é uma história fascinante para os amantes de um bom romance histórico, para os pensadores e estudiosos da psique humana e para todos que gostam de uma história bem montada com personagens fascinantes. Mais que recomendado!

A Ópera

Compositor: Ambroise Thomas

Libretto: Michel Carré

Ano: 1868

baseada na adaptação francesa de Alexandre Dumas e Paul Meurice da peça original.

Como disse antes, foi a peça de ópera que despertou em mim o desejo de ler esse livro, mais precisamente a apresentação no Théâtre du Châtelet, em junho de 2000 com direção musical de Michel Plasson contando com Thomas Hampson (Hamlet), José van Dam (Claudius), Natalie Dessay (Ophélie), Michelle de Young (Gertrude) nos papéis principais.

Para a composição dessa ópera, foi usada a adaptação francesa da peça porque era o que estava mais em alta na França daquela época, além disso, para adaptar uma peça em ópera deve-se fazer vários cortes devido ao tamanho, uma ópera muito comprida fazia os espectadores perderem o interesse, desse modo, na adaptação, as subtramas foram tiradas e a peça foca-se exclusivamente no romance entre Hamlet e Ofélia, além das consequências do crime de Cláudio sob o príncipe da Dinamarca.

A peça de cinco atos foi apresentada pela primeira vez na Ópera de Paris em 9 de março de 1868. Ao contrário das outras óperas que, em geral, vi duas ou três versões da peça com diferentes sopranos, nesta vi apenas duas versões com Natalie no papel de Ofélia, mas a versão de 2000 segue sendo sua melhor performance, essencialmente por ela estar no seu auge e, posteriormente, próxima de largar o mundo da ópera por causa de problemas na voz, ela não entregou uma performance tão potente na sua despedida do papel em 2011.

Embora o cunho da ópera seja mais romântico que o intuito real da obra original, vale muito a pena assistir, além do final ser diferente da peça de Shakespeare, me vi completamente fascinada pela ópera, as interpretações espetaculares, principalmente de Natalie na mad ária do quarto ato, uma interpretação irretocável e a melhor da cantora desde sua estreia na opinião desta leitora. A ópera está disponível completa no Youtube.



sábado, 8 de janeiro de 2022

[Livro] Sedução e Poder

 

Feliz ano novo, pessoas! Espero que tenham tido boas festas e que esse 2022 seja mais generoso conosco.

Começando as resenhas do ano, quis iniciar por uma coisa mais levinha, boba até, porque esse mês vai ser um pouco puxado, então na primeira semana procurei dar uma aliviada, mas meu cronograma ainda saiu um pouco do eixo. Não sei por que ainda me dou ao trabalho de comprar livros de romance contemporâneo dessa editora, sério, juro para vocês que são todos iguais, se tu for analisar a narrativa tu vê que é um casal que se conhece previamente ou tem aquele boom sexual instantâneo e que, por causa da maldita ausência de diálogo, fica num vai e volta sem sentido até no fim se resolverem do nada ou a guria descobrir que está grávida e se acertar com o cara numa boa quando ele ou foi idiota a maior parte do livro (o que é mais comum) ou fez aquela pose de CEO inflexível e frio.

Um conjunto de protagonistas femininas que quer muito acreditar que é forte e independente, dona de si e não se abaixa para ninguém, mas basta o boy tirar a camisa e elas param de raciocinar. Pelamor. Os históricos, pelo menos, tem a vantagem dos cenários e das protagonistas que se destacam em um contexto onde mulheres não tinham voz nem vez, apesar de boa parte deles seguir a mesma fórmula dos modernos. Talvez tenha me tornado uma velha chata, não descarto essa possibilidade, mas esse tipo de enredo perdeu a graça para mim, conforme as páginas iam passando a única coisa que eu sentia era raiva porque ficava nítido que se aquelas duas pessoas sentassem e conversassem sobre o que estava errado entre elas, as coisas se resolveriam em 50 páginas. A segunda protagonista desse livro, pelo menos, tem esse mérito no currículo. 

Palácio da Sedução

Após ter seu apartamento invadido por um stalker que devaneia ser namorado dela, Tess Jones fica traumatizada e em constante estado de alerta, lutando contra si mesma para não vestir a pele de vítima. Sua mãe, uma política que adora holofotes não tem uma relação muito próxima com a filha apesar de as duas manterem bons termos, Tess ainda foge da mãe quando tem a chance. Contudo, agora que está com um resfriado que mal a deixa enxergar o próprio reflexo no espelho pela febre tão alta, ela queria mais que nunca ter uma mãe normal ao seu lado. 

Sem leite para o chá, ela decide sair para comprar mais um pouco, mas tem a brilhante ideia de contrariar todos os conselhos que a polícia deu a ela para evitar seu perseguidor e se vê encurralada em um beco escuro por ele sem qualquer força para se defender. É quando um homem misterioso aparece em seu socorro e a leva de volta para casa. Em seu estado deplorável ela não tem muita força para conhecê-lo melhor, mas ele acaba lhe dando um cartão e oferecendo a ela um emprego temporário como acompanhante de sua irmã na Itália.

Danilo Raphael não consegue superar a culpa pelo acidente que vitimou seus pais e deixou sua irmã mais nova, Natália, em uma cadeira de rodas. A obsessão de sua vida é fazer Natália voltar a andar e ele não mede esforços, investimentos e esperança nesse propósito, por isso, seu instinto protetor vive à flor da pele e, quando vê Tess em apuros num beco escuro é incapaz de ignorar vendo nela a própria irmã frágil. Mas aquela mulher fraca com um humor ácido e rosto pálido não é a mesma estonteante e altiva que aparece em sua casa dias depois para acompanhar sua irmã Natalia.

A atração entre eles é imediata (claaaro), e enquanto Tess está mais que disposta a viver a aventura enquanto durar, Danilo não conseguirá jamais alcançá-la enquanto tiver de se manter no controle de tudo por achar que sua irmã e todas as mulheres no mundo precisam ser sufocadas em proteção.


Dívida de Paixão

Addie Farrell não vê o marido há cinco anos desde que o abandonara após o casamento após descobrir que ele mentira para ela, mas ele ainda é o principal mantenedor da sua instituição de caridade. Contudo, quando recebe uma carta anunciando o corte da doação, ela fica furiosa pelo fato do marido - de quem nunca se divorciou - colocar o próprio orgulho na frente da necessidade de crianças que dependiam da instituição dela. A fúria a leva a ligar para ele pela primeira vez depois de todo esse tempo e, irredutível, ele a faz se encontrar com ele pessoalmente.

Malachi King teve seu orgulho ferido quando foi abandonado por Addie, mas, sobretudo, teve sua vida virada do avesso por não conseguir desejar nenhuma outra mulher como a deseja. Quando a vê de novo após tanto tempo, ainda mais estonteante e sedutora que nunca, todos os seus instintos mais predatórios afloram e ele decide que não é o momento de deixá-la escapar. Sem pensar muito, ele propõe um acordo, ela lhe dará a lua de mel que ficou lhe devendo cinco anos atrás, se tornará amante dele por um mês em troca do dinheiro para sua instituição.

Chocada por uma proposta tão ofensiva, Addie o manda para o inferno, mas é encurralada pelo desejo que ainda sente pelo marido e que sobreviveu apesar de todo o sofrimento que ele a fez passar. Tentada pelo sexo e pensando no bem-estar da sua instituição, ela acaba cedendo ficar um mês com ele em sua ilha particular. De início, está determinada a não deixar Malachi dobrá-la à sua vontade, mas quando começa a descobrir a verdade sobre o marido e seu passado pesado, seu coração traiçoeiro pode acabar lhe traindo, mas como poderá alcançar o amor de Malachi quando ele mesmo desconhece o que é esse sentimento?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

[BL] Kieta Hatsukoi

Título original: 消えた初恋

Roteirista: Kuroiwa Tsutomu

Diretor: Kusano Shogo, Horai Tadaaki

Gêneros: Comédia, Romance, Vida, Escola

País: Japão

Episódios: 10

Ano: 2021

Sinopse: Aoki tem um crush em Hashimoto, sua colega de classe. Ao pegar emprestado a borracha dela, ele nota que há o nome de outro garoto - Ida - escrito. Por acaso, Ida vê Aoki segurando a borracha, e logo pensa que Aoki gosta dele!

Onde Encontrar: Meow Fansub, Pi Fansub, P'tieris, Lianhua

E vamos de BL fofo para fechar o ano com chave de ouro!

Aoki tem uma queda por Hashimoto, mas nunca teve coragem de dizer isso a ela. Durante uma prova, ele percebe que esqueceu sua borracha e pede a de Akkun, seu melhor amigo, emprestada, mas ele recusa. Hashimoto acaba emprestando a dela, mas ao tirar a capinha, ele vê o nome de Ida, o garoto que senta na frente dele, junto de um coração. É quando Aoki percebe que seu crush na verdade gosta de outra pessoa. Para piorar ainda mais, ele acaba deixando a borracha cair no chão e Ida é quem pega vendo seu nome com o coração na borracha e achando que é de Aoki.

Hashimoto pede que Aoki guarde segredo sobre seu crush e, decepcionado e frustrado, mas sempre muito prestativo com todo mundo que pede sua ajuda, ele assente. Para se explicar a Ida, como não tem muito o que fazer, ele acaba dando a entender que tem sentimentos por ele, mas Ida é um completo zero em QE (quociente emocional) e não entende nada sobre se apaixonar, mas é gentil o bastante para dizer a Aoki que vai se empenhar em pensar sobre sua confissão.

Se vendo no meio daquela confusão e sem saber como sair, ele acaba se aproximando de Ida sem querer, a gentileza e o caráter do garoto, mesmo sem ser muito eficiente nos assuntos de coração, começam a mexer com os sentimentos de Aoki que se vê perdido ao se ver começando a gostar de um homem e, pior, do homem por quem a sua crush está apaixonada. O que vai acontecer agora?

Confesso que sempre fico um pouco apreensiva com os BLs japoneses depois que tive algumas experiências bem traumáticas para dizer o mínimo, quem conseguiu me arrancar disso foi Cherry Magic e, mesmo assim, ainda tenho um pé atrás com as produções japonesas do gênero. Mas não tive como ignorar esse draminha e me vi presa na sua divertida, confusa e fofa história. As personagens não podiam ser mais carismáticas, a gente torce, chora e ri junto, quando menos espera não tem mais episódios. E acho que esse é o único defeito desse drama.

Mais que recomendado!



[Não concorda comigo? É um direito seu. Mas, por favor, discorde nos comentários de maneira educada, sem ataques e sem histeria. Nem todo mundo pensa como você e nem por isso merece ser desrespeitado. Obrigada.]

[Dorama] 3 nin no papa

Título original: 3人のパパ

Roteirista: Koyama Shota

Diretor: Okamoto Shingo

Gêneros: Amizade, Comédia, Família

País: Japão

Episódios: 10

Ano: 2017

Elenco: Arata Horii, Yuki Yamada, Ryo Mitsuya, Airi Matsui, Itsuki Sagara, Ren Ishiduka, Mari Hamada

Sinopse: Hirabayashi Takuto (Horii Arata) divide uma casa com dois amigos, Hano Kyohei (Yamada Yuki) e Okayama Hajime (Mitsuya Ryo). Eles se conhecem desde o colegial e agora os três ocupam seu tempo trabalhando. Após voltarem para casa, os rapazes são surpreendidos por um bebê dormindo na casa. Junto dele, eles encontram um bilhete que diz: "O bebê é seu". Quem será o pai da criança?

Onde encontrar: Mahal Dramas

Takuto, Kyohei e Hajime dividem um apartamento cuja principal regra é não se meter nos problemas dos outros. Kyohei é um impecável funcionário de uma multinacional japonesa, Hajime é um talentoso estilista e assistente de modelagem, enquanto Takuto é um atrapalhado funcionário de escritório. A vida dos três seguia na rotina de sempre até que um dia, na volta para casa, Takuto se depara com um bebê no meio da cozinha, junto da criança havia um bilhete da mãe, que não se identificou, pedindo que ele cuidasse do neném por um tempo, pois era seu filho.

Os três debatem incansavelmente para saber quem é o verdadeiro pai da criança e seus segredos mais íntimos começam a vir à tona, para piorar, Kyohei tem uma noiva extremamente ciumenta. A ideia de entregar a criança para a polícia e a de fazer o teste de DNA são descartadas por Takuto que insiste em cuidar do bebê e convence os amigos, que não sabem se são ou não pais dele, a acompanhá-los. Ele nomeia o neném de Haruto e as confusões de três marmanjos sem experiência para cuidar de uma criança começa.

Hana, uma amiga de escola dos três, começa a trabalhar na creche da empresa de Takuto e, inventando que ele é filho de um parente distante, ele começa a levar Haruto para a empresa deixando-o aos cuidados dela. Aos poucos, Hana acaba descobrindo a verdade e sendo de grande ajuda na criação do bebê, assim como Minako, a síndica, e mesmo Rui, noiva de Kyohei que termina com ele quando descobre da criança.

Haruto une os três jovens que antes eram apenas companheiros de habitação, tornando-os verdadeiros amigos e pais, cada um a seu modo supera seu próprio trauma por causa do neném e aprende a dar o melhor de si para educá-lo e amá-lo. Mas o que acontece quando Kyohei recebe uma irrecusável proposta de ir para a filial de sua empresa em Los Angeles e a mãe de Haruto surge de repente?

Esse é um daqueles dramas que evoca Três Solteirões e um bebê de 1987 que me lembro de ter visto em algum momento da minha infância na sessão da tarde. Levinho e engraçado, somos arrebatados pelas confusões dos três tentando cuidar do Haruto e se dando mais mal do que bem. É muito legal assistir a evolução deles como pessoa e como pais enquanto adotam a responsabilidade por um inocente que depende completamente deles. O drama consegue ser, ao mesmo tempo, sensível, engraçado e fofo na medida certa, com plot twists inesperados e com personagens bem construídas com um bom desenvolvimento para um drama de dez episódios.

Para aqueles que procuram um drama rápido, levinho e com boas lições de vida, esse é ideal! Recomendo!


[Não concorda comigo? É um direito seu. Mas, por favor, discorde nos comentários de maneira educada, sem ataques e sem histeria. Nem todo mundo pensa como você e nem por isso merece ser desrespeitado. Obrigada.]

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

[Livro] A Bela e a Fera

 

Original: La Belle et la Bête

Autor:  Madame de Beaumont, Madame de Villeneuve

Sinopse: A versão original do clássico que inspirou o novo filme da Disney, estrelado por Emma Watson

Adaptado, filmado e encenado inúmeras vezes, o enredo de A Bela e a Fera vai muito além da jovem obrigada a casar com uma horrenda Fera que no final se revela um lindo príncipe preso sob um feitiço. Nessa edição bolso de luxo da coleção Clássicos Zahar você encontra reunidas duas variantes da história.

A versão clássica, escrita por Madame de Beaumont em 1756, vem embalando gerações e inspirou quase todos os filmes, peças, composições e adaptações que hoje conhecemos. A versão original, que Madame de Villeneuve publicara em 1740, é de uma riqueza espantosa, que entre outras coisas traz as histórias pregressas da Fera e da Bela e dá voz ao monstro para que ele mesmo narre seu destino.

Comprei esse livro já tem um tempo como um material de pesquisa para a minha futura própria versão do conto, tal como A Fera em Mim, resenhado recentemente no blog. Todavia, confesso que me surpreendi não tão positivamente com as versões originais do conto francês. Claro que, levando em conta a época em que foram escritos e a natureza das histórias antigas, relevei algumas coisas, mas não deu para ignorar aquela pontinha de "esperava mais" me incomodando especialmente durante a segunda versão da história, esta maior que a primeira sendo quase uma novela e não um conto. 

Essa resenha terá SPOILER das duas versões, então leia por sua conta em risco.

Bem, no conto de Madame Beumont, a gente acompanha um rico comerciante que tinha seis filhos entre eles uma se destacava, a caçula que era tão bondosa e bonita, além de extremamente inteligente sendo chamada, desde bebê, de Bela, nome que foi lhe dado despertando a inveja de suas duas irmãs fúteis que viviam de ostentar sua riqueza enquanto a caçula se dedicava integralmente a ler livros. Contudo, o rico comerciante acaba perdendo todo seu dinheiro e se vendo obrigado a se isolar com a família longe da cidade. Todos os "amigos" viraram-lhes as costas e os homens que antes viviam atrás de desposar as irmãs lhes abandonaram.

Bela, contudo, não se intimidou na pobreza e, determinada a ajudar o pai e os irmãos, se esforçou em manter a pequena casa em que moravam limpa e cozinhar, cuidando assim das tarefas domésticas e aturando o péssimo humor das irmãs que a criticavam por agir daquela maneira. Com a notícia que um dos seus navios havia conseguido atracar, o comerciante partiu em uma esperançosa viagem na tentativa de recuperar seus bens, mas acabou descobrindo que continuava tão pobre quanto antes. Na volta para casa, ele foi pego por uma tempestade violenta que o forçou a se abrigar em um castelo misterioso no meio do caminho.

Ali, ele foi bem recebido, alimentado e tratado. Não vendo em nenhum momento seu anfitrião, acabou por convencer-se que havia sido uma fada que o tratara e agradeceu pela hospitalidade. Ao sair, contudo, lembrou-se do pedido singelo de sua filha caçula que, ao contrário das demais cujos pedidos eram riquezas, havia lhe pedido uma rosa. Mas, ao colhê-la, foi surpreendido por um terrível monstro furioso que o acusa de tê-lo roubado e o faz prometer que, num prazo de três meses, retornará ao castelo sozinho ou com uma das filhas que se comprometa a morrer no seu lugar. Ele lhe dá uma grande fortuna para sua família em compensação pela perda da vida do patriarca ou da irmã e manda o comerciante embora.

Ao descobrir as consequências do seu pedido, Bela se compromete a tomar o lugar do pai e ser morta em seu lugar. Com pesar, vendo que não seria capaz de demover a filha daquela decisão, ele acaba por aceitar e a leva ao castelo. Lá, Bela é surpreendida não com a morte, mas com o título de senhora do castelo cuja única desvantagem era ter de suportar a companhia da fera todos os dias na hora do jantar. E todos os dias recusar a mesma proposta "Quer ser minha mulher, Bela?" ela surpreendia-se com a sua gentileza e com o respeito que lhe dispensava, mas não conseguia oferecer-lhe nada mais que sua amizade sincera.

Conforme a amizade deles se estreita, ela pede a ele para visitar sua família por oito dias, mas ele afirma que se ela passar desse prazo, ele morrerá e ela promete que cumprirá o prazo, contudo, suas invejosas irmãs revoltadas por ela ser mais bem tratada que elas, então planejam prendê-la em casa além do prazo para que assim a fera morra e ela sofra. Porém, Bela volta a si e retorna ao castelo após ter um pesadelo em que via a fera morrendo por sua causa, ela se dá conta dos seus sentimentos e, ao assumi-los, liberta-o da maldição.

Já a versão de Madame Villeneuve, um pouco mais elaborada, trata quase da mesma premissa, dessa vez, contudo, o comerciante tinha doze filhos, acontece tudo quase do mesmo jeito, a diferença essencial está no desenrolar da história em si. Nessa história, Bela apesar de ser uma garota com qualidades, é descrita de maneira mais fútil e menos inteligente que a garota de Beaument, há também certas condições na maldição que a fera deve seguir como o fato de esconder sua inteligência. Essa versão também conta com duas fadas, uma boa e outra má que tem ligação direta com Bela e o príncipe amaldiçoado.

Aqui, Bela é fruto do relacionamento proibido entre uma fada e um rei mortal. Outra fada que se apaixonou por esse rei, tramou para matar a menina e aprisionar sua mãe, assim, a irmã bondosa da mãe de Bela salvou a menina e a trocou pelo bebê doente do mercador. Desde a infância, Bela e o príncipe estavam destinados a ser um casal, já que o rei era irmão da mãe do príncipe. Não tendo sucesso com o rei, a fada má - que era tutora do príncipe - se aproveita de uma situação delicada em seu reino e impõe que eles se casem, mas com a recusa do mesmo, ainda uma criança, e a objeção da sua mãe no enlace, ela joga nele uma maldição que o transforma em uma fera.

A fada boa, vendo nisso uma oportunidade de ajudar a irmã e a sobrinha, bola todo um plano para colocar Bela no caminho do primo e a história se desenrola quase da mesma maneira do primeiro conto. As diferenças mais gritantes, além dessas citadas, são que o castelo inteiro é encantado e faz parte de uma terra mágica específica. Bela, nessa versão, é mais próxima das produções artísticas como o teatro, a ópera e o balé do que os livros propriamente e o tom da fera muda um pouco de "quer ser minha mulher" para algo mais agressivo como "quer dividir o leito comigo", mesmo que ele não tenha em nenhum momento sido realmente invasivo com ela (apesar de ficar observando ela dormir) achei isso meio... "oi?"

Outra diferença bem pontual da primeira versão é o fato do príncipe, em sua aparência verdadeira, aparecer nos sonhos de Bela graças a magia da fada boa que também aparece em seus sonhos advertindo a sobrinha a seguir seu coração e não se fiar na aparência. Ela, contudo, acaba se apaixonando pelo príncipe em seus sonhos o que dificulta muito seus sentimentos pela fera. O prazo que ela pede para ficar em casa são dois meses e, mais uma vez, as irmãs armam um plano para atrasá-la e a própria Bela fica tentada a permanecer com a família. Contudo, após um pesadelo onde vê a fera morrendo, ela decide voltar para o castelo e o desenrolar é quase o mesmo. O diferencial está que temos a história da fera e a revelação da origem de Bela, além do reencontro dela com seus pais.

Mesmo essa segunda versão sendo maior e com mais detalhes, foi a que gostei menos, não só pelo caráter de Bela que eu achei fraco, um tanto fútil e o próprio desenvolvimento da história que, por vezes, me parecia maçante. Além de ter achado essa origem da Bela bem inusitada o que foi, ao mesmo tempo, uma surpresa boa e ruim.

Num cômputo geral, mesmo eu não tendo gostado tanto quanto esperava, é inegável a qualidade estética do texto e a genialidade por trás da ideia. Sobretudo, a edição da Zahar conta com um prefácio maravilhoso que nos situa na gênese do conto (possivelmente inspirada em um mito grego) e seu desenvolvimento ao longo do tempo. Para os curiosos ou apaixonados por versões originais, indico.

Adaptações

Dava para fazer um post inteiro só com as adaptações da Bela e a Fera, são inúmeras, nem todas elas, contudo, boas. Já escrevi um post aqui com todas as adaptações que vi da Bela Adormecida, mas nesse post vou me ater apenas a algumas adaptações pontuais desse conto.

Começando com a clássica versão da Disney de 1991 e provavelmente o primeiro contato de todo mundo com essa obra, as diferenças no enredo original são bem pontuais, a empresa de animação deu seu "toque mágico" na trama criando não apenas uma das melhores protagonistas femininas - e já prenunciando uma sequência de futuras princesas empoderadas -, mas uma série de personagens marcantes que sobreviveram no imaginário e dão até hoje a sensação gostosa de infância.

O longa de 1h e 24min, conta com personagens que não aparecem nas versões originais como Gaston, Lefou, Madame Samová, Morloch e Lumiére, além de dar um significado simbólico e certo protagonismo para a rosa que, nas versões originais era apenas um gatilho de clímax para a problemática central. Além de ser recheado de canções originais, as personagens são dotadas de personalidades marcantes e planos de fundo bem desenvolvidos. Não vou comentar nada sobre o Live Action lançado pela empresa porque realmente não gostei nada.



No ano seguinte a Wester Animation lançou sua versão do conto este já mais voltado para as versões originais, uma mescla dos dois contos. A animação dura 48min e embora não tenha o mesmo encanto da Disney, com suas personagens carismáticas e canções que grudam na cabeça, se fiam mais no conto originário.

Nesse, O caixeiro tem cinco filhos e, ao ser enganado pelos homens a quem confiou seus negócios, se vê cheio de dívidas. Os três navios que podiam ser sua salvação foram vitimados por um tufão nos mares da Ásia, assim, sem nada, a família acaba tendo de se isolar em uma casinha no campo que era tudo que lhes restava. 

Ao contrário de suas irmãs fúteis, Bela que sempre foi simples e otimista, se põe a ajudar o pai e os irmãos no recomeço da vida, mas o encontro do pai com a fera para atender a um pedido seu vai mudar todo o rumo da história. Influenciada por uma fada má, Bela vai precisar confiar nos seus instintos sobre a verdadeira natureza do seu benfeitor.

Em 2010, a American World Pictures lançou a "versão sombria" do conto, bem, pelo menos era a intenção. Eu só vi esse filme uma vez há muito tempo então não vou lembrar exatamente de todos os detalhes, mas a premissa é, se não me engano, um rei que está nas últimas e seus filhos que anseiam pelo trono. Um deles, para consegui-lo, mata o mais jovem e se alia a uma bruxa para amaldiçoar o verdadeiro herdeiro mergulhando o reino em uma era de sadismo e caos.

No vilarejo do reino vive Bela, uma jovem aprendiz de herbologista (antigo boticário, médico, como queira chamar) muito competente e cobiçada por todos os homens. Várias mortes brutais começam a acontecer no vilarejo e um monstro que vive na floresta é acusado dos crimes, mas ao salvar a vida da jovem, ela acaba desconfiando disso e decide ajudá-lo a revelar a verdade.

Com uns efeitos especiais bem ruins para 2010, muito gore mal feito e uma Bela sexualizada desnecessariamente, essa versão é completamente dispensável para os fãs do conto, pelo menos no meu ponto de vista. Mas caso bata a curiosidade, você pode encontrar essa pérola cinematográfica na internet. Tem maior cara de filme dos anos 80 então saudosistas podem acabar gostando.


Em 2014 a Pathé Distribution lançou a versão baseada no conto de Villeneuve com algumas distintas modificações. Lembro que vi esse filme legendado pouco depois de sua estreia e antes de ele chegar ao Brasil (na época me recordo que muita gente criticou a dublagem da Paola Oliveira, mas como não cheguei a ver o filme dublado não vou opinar). Mesma coisa do anterior, eu só assisti uma vez, então não me recordo bem dos detalhes. O elenco traz  Vincent Cassel (Cisne Negro) como o príncipe amaldiçoado e Léa Seydoux (Azul é a cor mais quente) como Bela.

Um rei de um reino próspero vivia com sua bela esposa, sua maior felicidade, além dela, era a caça. Todavia, sem saber a verdadeira natureza de sua rainha, ele não ouviu um dia quando ela lhe pediu para não ir caçar e acabou matando uma bela corça dourara apenas para vir a descobrir depois que este era sua esposa. O deus da floresta, furioso com a morte de sua filha, amaldiçoa o rei a tornar-se a besta que ele era por dentro.

A partir daí, temos a história do conto original. Um rico comerciante perde tudo quando seus navios afundam em uma tempestade e se vê com todos os seus bens confiscados pelos credores. Para fugir da vergonha, a família se instala em uma propriedade no campo e, apesar das dificuldades no início, se esforçam para se adaptar à nova situação. Dos filhos do comerciante, Bela, a caçula, é uma jovem inteligente, impetuosa, com coração bondoso e personalidade forte. Suas duas irmãs são cabeças de vento fúteis e, no que se refere aos irmãos, o mais velho é um encrenqueiro arrogante, o do meio um escritor fracassado e o mais jovem um garoto de bom coração e coragem.

Quando recebe a notícia que seu barco havia aportado ileso com todos os seus tesouros a salvo, a família comemora, o comerciante parte com o filho mais velho para a cidade a fim de reclamar seu tesouro, mas acaba descobrindo que tudo também foi confiscado pelos seus credores graças a promissórias que ele havia assinado antes. Furioso, o filho mais velho acaba se separando dele. Ao procurá-lo, o homem é perseguido por bandidos perigosos a quem o filho está devendo muito dinheiro, fugindo em desespero e preocupado com o filho, o comerciante se perde na floresta por causa de uma intensa tempestade de neve e acaba sofrendo um acidente que o leva para o castelo encantado da fera.

No castelo, ele é recebido e alimentado, além de receber como presente arcas com todas as futilidades pedidas pelas filhas, exceto, contudo, a rosa de Bela. No caminho de volta, ele vê uma árvore gigantesca com belíssimas rosas, mas ao arrancar uma é atacado pela criatura que diz que ele tem um dia para se despedir da família e voltar ou ele matará a todos. O comerciante volta para casa muito triste e conta a história para os filhos que não acreditam muito nele. Contudo, Bela se sente responsável pelo que aconteceu e tranca o pai no quarto fugindo a cavalo para se oferecer a fera no lugar dele.

Chegando lá ela é bem recebida e tratada, contudo, ao contrário do conto original, a fera aqui é rude, machista e bem mal educada no começo, mas Bela não deixa por menos sendo imponente, desafiadora e dizendo o que pensa sem medir as palavras. Apesar disso, ela explora o castelo sendo sempre tratada com os mais belos vestidos e joias, até hoje me pergunto por que esse filme não ganhou nem um prêmio por figurino, é um espetáculo o figurino! A fotografia também não perde nada. Na sua estada no castelo, ela começa a ter estranhos sonhos com uma princesa que é casada com um apaixonado príncipe cujo maior prazer é a caça e em suas explorações ela acaba por descobrir que seus sonhos talvez não sejam fruto da sua imaginação.

Aproveitando a leve proximidade entre eles, a fera permite que ela volte para casa por um dia para se despedir da família, mas seu irmão mais velho arma um plano para levar os bandidos a quem deve para saquear o castelo enquanto a irmã visita o pai. Bela corre para salvar o amado e impedir que ele mate seus irmãos (apesar do mais velho merecer), mas um dos bandidos acaba ferindo o monstro que por bem pouco não morre sendo salvo pela magia da ninfa da floresta que um dia foi sua esposa, e pelas lágrimas de Bela. 

Esse filme, apesar de ser descrito como uma adaptação do conto de Villeneuve, tem alguns elementos do conto de Beumont também. Os efeitos especiais são muito bons, ele flerta ali com o dark também, e apesar de haver a magia ela não é o mote, mas um acessório na trama o que é muito interessante. Gosto muito dessa versão,  acho, inclusive, um live action muito melhor que o da própria Disney (novamente, opinião minha) embora não ache Vincent Cassel nada principesco,  ele cumpre bem o papel de príncipe arrogante, rude e machista da era medieval. Acho que vale muito a pena conferir essa versão.

E é isso, fico por aqui com essa resenha, ainda tenho mais duas para fazer antes do ano acabar. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

[BL] Don't Say No


Título original: เมื่อหัวใจใกล้กัน

Diretor: Pique Passawut

Gêneros: Romance, Drama, Família, Esportes

País: Tailândia

Episódios: 12 [+ 2 especiais]

Classificação do Conteúdo: 15+ 

Sinopse: De amigo a amante. Como será esse relacionamento, quando um é cara bom mas o outro é um menino mau. É possível transformar um cara mau em um amante?

Onde encontrar: Meow Fansub, Pitieris, Lianhua, Pi Fansub

Leo e Fiat são melhores amigos desde a infância. Com a família conturbada de Fiat, após a separação dos pais e o novo casamento, o menino praticamente cresceu na casa de Leo, sendo acolhido por sua família e amado como um filho. Após isso, a relação de Fiat com o pai nunca mais foi a mesma e ambos mal podem dividir o mesmo espaço sem acabar em uma violenta discussão. Da mesma forma, por mais que a madrasta dele se esforce em conquistá-lo, ele não dá a ela qualquer abertura para se aproximar conseguindo, no processo, o ódio da irmã Fah.

Por causa do seu histórico, Fiat sofre com a baixa auto-estima, ele acredita que, além de Leo, ninguém mais é capaz de aceitá-lo por quem ele é. Os dois são apaixonados um pelo outro desde sempre, mas enquanto Leo é covarde demais para revelar a verdade pensando que não será correspondido, Fiat vive com vários namorados diferentes na tentativa de despertar ciúmes em Leo e fazê-lo admitir sentimentos por ele, mas isso nunca acontece o que acaba deixando o garoto com uma fama ruim além de frustração. De sua parte, ele não revela seus sentimentos pelo melhor amigo porque teme que, caso o faça, Leo acabe abandonando-o assim como seu pai e todas as outras pessoas que ele amava.

Mas tudo muda quando Fiat começa a demonstrar uma obsessão por Type, seu fisioterapeuta, quando ele lhe diz uma frase que, muitos anos atrás, Leo havia lhe dito. Frustrado com as reações inertes do amigo às suas várias aventuras amorosas, ele acaba vendo em Type um possível substituto para o melhor amigo. Todavia, como bem sabemos, Type só tem olhos para seu marido Tharn, o que torna a obsessão de Fiat ainda maior e mais perigosa, isso acaba aproximando-o involuntariamente de Leo, desesperado para fazer o juízo voltar para a cabeça do homem que ama (um trabalho meio perdido, mas né?) e, assim, em meio ao desespero da situação, os dois acabam revelando a verdade sobre seus sentimentos um ao outro e, por fim, começam a namorar.

Contudo, a primeira vez dos dois namorando não é muito fácil já que, tal como Leo, mesmo tendo tido muitos namorados antes, Fiat nunca namorou sério antes e fica sem saber como agir diante de Leo. Embora os dois se conheçam como as palmas de suas mãos desde a infância, ainda passam pela fase de tentar impressionar o outro, além do fato de Fiat viver se segurando para não demonstrar seu desejo intenso de dormir outra vez com o namorado o que acaba gerando boatos infundados pela faculdade.

Superada essa fase, o passado de Fiat começa a se interpor entre eles quando antigos affairs do garoto passam a ameaçá-lo e a provocar Leo. Nesse momento, acabamos descobrindo que as investidas de Fiat nem sempre eram por devassidão na maioria dos casos e novamente seu amor por Leo é testado. Enquanto isso, descortina-se seu passado familiar quando sua mãe inesperadamente reaparece desbloqueando memórias traumáticas que o menino havia reprimido. Para ajudar o namorado e protegê-lo, Leo vai precisar entender a origem do problema de Fiat e assim conseguir alcançá-lo, mas poderá seus sentimentos serem mais fortes que os problemas sérios que terão de enfrentar juntos?

Em segundo plano, Leon, o irmão mais novo de Leo, está de volta à Tailândia e acaba causando na faculdade por causa da sua beleza. Todavia, acaba por perder seu coração para Pob, um aluno de Ciências Sociais que não lhe dá qualquer bola, quando este o ajuda indiretamente após ele levar um belo tapa de uma das suas ficantes. Contudo, conquistar o coração de Pob não vai ser tão fácil quanto Leon imaginava e isso vai ajudá-lo a se tornar uma pessoa melhor, mas quanto espaço na vida do jovem assistente social ele vai conseguir?

Uma das coisas que eu mais gostei nesse BL (fora não ter nenhum engenheiro hahaha) foi a construção dos personagens, eles são tão bem retratados e com vidas tão distintas que é impossível não torcer por eles. O mais legal é que eles fizeram um especial de introdução para Leo e Fiat que dispensa assistir a segunda temporada de Tharn Type para entender a história (eu até quero assistir, mas ainda não estou no clima para todo aquele termina-volta), e para mim, ver esse drama de maneira desvinculada do papel antagônico de Fiat no meu primeiro casal BL me ajudou a entender o personagem por ele mesmo sem qualquer tipo de pré-julgamento ou imagem ruim dele, de modo que pude torcer muito por ele e pelo Leo.

Embora o Fiat parecesse meio mimado às vezes e o Leo bem possessivo em alguns momentos, difícil não passar pano pra esse casal que esbanjou química nas telinhas e no meu coração. Nunca tinha visto nada com o First (que por sinal achei bem bonitão) e fiquei surpresa com o potencial de atuação desse garoto, ele chora e expressa emoções de maneira tão natural que eu aplaudia boa parte das cenas dele! O Ja eu conhecia de Until We Meet Again apesar de ele ter um papel secundário lá, a atuação dele não me deu boas impressões, contudo aqui, aquém de algumas pequenas marcas que eu acho fazerem parte do próprio ator, ele se mostrou competente em assumir um protagonismo, apesar de ser ofuscado pelo First no quesito mostrar emoções com naturalidade.

O Leon e o Pob fazem aquele típico casal secundário fofinho comum em BLs com um casal protagonista mais pimenta como Tharn Type, ou isso é marca da MAME ou é do gênero em si, não sei. Confesso que de início eu não torci muito por eles, mas conforme fui acompanhando a evolução pessoal do Leon passei a vibrar com cada nova conquista dele no terreno do Pob. Esse casal, inclusive, teve uma reviravolta bem interessante que no geral é aplicada ao casal principal, esse foi um diferencial bacana, embora no meu ver tenha sido um tanto desnecessário.

De longe, a coisa que mais gostei em DSN foi o retrato do problema psicológico do Fiat acarretado por sua mãe. Não sou psicóloga então nem vou arriscar que tipo de problema ela pode ter (apesar de ter ficado super curiosa com o quadro), mas é nítido como uma família disfuncional afetou o menino e, sobretudo, o abuso psicológico da mãe dele na infância foi decisivo na construção do caráter frágil, inseguro e sempre em modo de defesa dele, algo muito bem interpretado pelo First, a propósito. Além disso, a série ainda salienta de modo muito sutil o problema da saúde mental na Ásia, cada vez mais complicado e menos eficiente.

Leo e Fiat são praticamente uma inovação nos casais BL da Tailândia. Eles conversam de verdade para buscar soluções para os problemas, algo difícil nas produções que já vi onde geralmente uma das partes omite os pensamentos gerando confusão e até mesmo rompimentos desnecessários que podiam ter sido resolvidos com diálogo. Gostei pra caramba disso. No começo, a relação dos dois parece bem mais como uma "amizade de benefícios" considerado a disparidade das personalidades, mas conforme eles vão evoluindo como pessoa tudo que a gente mais deseja é que eles continuem juntos e, sobretudo, começa a sonhar em encontrar um Leo também. Volto a aplaudir a química desse casal, não perde em nada para Mew e Gulf na frente de uma câmera!

Entrou na lista dos melhores dramas que vi esse ano sem dúvida e está mais que recomendado!


[Não concorda comigo? É um direito seu. Mas, por favor, discorde nos comentários de maneira educada, sem ataques e sem histeria. Nem todo mundo pensa como você e nem por isso merece ser desrespeitado. Obrigada.]

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

[Livro] O Guerreiro (Príncipe Cativo #2)

Original: Prince's Gambit

Autor: C. S. Pacat

Ano: 2013

Gênero: Fantasia, LGBT, Romance, Histórico

Páginas: 400

Sinopse: As intrigas políticas entre os reinos de Vere e Akielos continuam intensas. E as marcas do passado ainda perseguem Damen, que, para sobreviver, é forçado a manter sua verdadeira identidade em segredo.Paralelamente, Laurent tem agora 20 anos e está bem próximo de reivindicar o trono. Mas seu tio, o regente de Vere, não tem intenção de renunciar ao poder e fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que o sobrinho alcance seu objetivo.Ambos, Laurent e Damen, são herdeiros legítimos de seus respectivos reinos; no entanto, eles precisam unir forças para formar uma aliança um tanto improvável, e tentar impedir um plano letal. Mas, à medida que a confiança entre eles aumenta, uma relação ardente e intensa também se fortalece.Será que Damen e Laurent serão capazes de salvar a si mesmos e aos seus reinos?

Na sequência de O Escravo, Damen acompanha Laurent até a fronteira de Vere a mando do regente, mas está muito claro para o akielon que aquela viagem tem muito mais por trás que uma mera formalidade, o tio do príncipe quer eliminá-lo para continuar no trono e o que mais surpreende o estrangeiro é o anseio em seu peito de manter Laurent seguro. Durante todo o tempo em que sofreu todos os tipos de humilhação sob a corrente do príncipe veretiano, parecia que os dois haviam finalmente chegado a um acordo, embora Damen não fosse capaz de esquecer tudo pelo que passara desde que fora dado de presnte à Laurent, ele tampouco podia ignorar os sentimentos cada vez mais contraditórios em seu peito que o atraíam para o frio herdeiro do trono inimigo. 

A empreitada, liderada por um capitão incompetente e com um séquito igualmente desordeiro, se mostrava cada vez mais difícil e era insuportável para o guerreiro ter de aturar as insinuações sórdidas dos homens sobre Laurent, eles não o respeitavam como príncipe e, desse modo, não estariam dispostos a lutar de verdade por ele. Laurent, contudo, parecia não apenas ciente disso, mas fazia seus preparativos para estar sempre um passo a frente e, mesmo mantendo o guerreiro em uma distância relativamente segura, ouvia seus conselhos a respeito da campanha e o mantinha integrado nas suas missões. A viagem lentamente começa a aproximá-los e Damen se vê cada vez mais próximo da liberdade, está mais próximo de casa do que nunca, por mais que sinta dor ao imaginar deixar o príncipe para trás, está comprometido a assegurar a segurança de Laurent antes de ir embora.

Contudo, as coisas parecem estar se complicando ainda mais conforme a viagem avança e Damen se vê dividido entre voltar para casa, deixando Laurent à própria sorte contra o tio, e ficar em Vere ao lado dele lutando contra o regente. Quando a armadilha se mostra real e inevitável, o guerreiro descobre que sua lealdade esconde mais sentimentos que patriotismo. Ficar ao lado do príncipe veretiano a quem aprendeu a admirar e amar não parece mais uma escolha, mas o que vai acontecer quando Laurent descobrir que o homem por quem nutre sentimentos tão profundos pela primeira vez é o mesmo homem que matou seu idolatrado irmão Auguste? A identidade de Damen está cada vez mais por um fio de ser revelada, traidores são apontados, Laurent começa a perder o controle e as teias do regente se mostram muito mais amplas do que o guerreiro podia imaginar. Haverá um futuro feliz para o sentimento proibido entre o akielon e o veretiano?

Confessar que li esse livro bem mais rápido do que planejava. Nem parece que ele tem 400 páginas, sério! Cada página que passava me via mais ávida pela aproximação de Damen e Laurent e, ao mesmo tempo, desejando que não acontecesse o que era bizarro. Não vou entrar no mérito da problemática do livro cheio de gatilhos, em um contexto medieval como esse, infelizmente, esse tipo de coisa era frequente e real, qualquer pessoa com conhecimento básico de história do mundo sabe disso, de modo que, quando comecei a ler O Escravo, nem fiquei realmente chocada. O ser humano é podre desde o início dos tempos. A coisa é que, ao mesmo tempo que a aproximação de Damen e Laurent se torna evidente, mais ficamos divididos entre torcer por eles e contra eles, o que "ajuda" se é que pode dizer assim, é a forma como o príncipe de Vere começa a tratar Damen aqui, uma espécie de trégua da crueldade por assim dizer, mas isso não implica que ela nunca aconteceu e tanto nós quanto o guerreiro lembramos disso.

Enquanto lia, notava o crescimento real da tensão sexual que a autora criava entre Damen e Laurent, embora ela existisse no primeiro livro era algo mais em segundo plano, evidenciando mais a situação do príncipe de Akielos e sua "adaptação" à corte Veretiana, um tanto quanto bárbara e despudorada podemos dizer. Todavia, com a nova situação, essa tensão no segundo livro é gradualmente maior e em cada página que ocorria me pegava imaginando que, no momento que extravasasse, ela seria nuclear. Mas não estava esperando que isso ocorresse ainda nesse livro, mas no terceiro. Qual não foi minha surpresa quando mais próximo do fim do volume veio a inesperada explosão. Uma das coisas que gostei foi que ela não deu detalhes desnecessários e conseguiu construir um cenário completamente erótico e de acordo com a tensão sexual que ela engatilhou nas páginas até ali. Uma coisa que me incomodava muito no livro eram os palavrões, achava desnecessário, foi uma grata surpresa esse momento entre Damen e Laurent ser tratado, em sua maior parte, de maneira mais velada. Foi uma cena bonita de ler e, ao mesmo tempo, quente na medida certa. Gostei. BL não precisa ser putaria. Na verdade, romance nenhum precisa disso, sou do time que acredita que histórias de amor são mais que cenas de cama e a dualidade das personagens se encaixando nesse momento foi realmente sublime de ler.

Os plot twists do livro em boa parte me pegaram de surpresa mesmo, alguns eu não consegui prever, especialmente esse do final. Fiquei bem chocada e foi muito bom. Gostei como a relação de Damen e Laurent evoluiu devagar conforme eles foram se conhecendo melhor e conforme Damen percebia que Laurent não seria um governante pautado no ódio pelo seu país apenas por rixas antigas. Mas mesmo essa proximidade que prometia um futuro pacífico para os dois reinos seguia sempre ameaçada pelo segredo do akielon e isso não deixava a 'peteca da tensão' cair nunca além de nos deixar claramente preparado para um desenvolvimento trágico mais à frente. Por mais que os sentimentos entre eles tenha evoluído para algo mais... "profundo", não acredito que Laurent vá ceder tão facilmente quando descobrir a verdade sobre Damen e desconfio que o próprio regente vai usar isso a seu favor e isso mina nossas chances de um final feliz, mas deixa uma saída verossímil para um final agridoce ou trágico.

Gostei muito do desenrolar dessa história, estou ainda mais curiosa para ler o último volume e indico para aqueles que tem estômago forte e não se incomodam muito com palavras de baixo calão. Esse livro é uma verdadeira aula de como escrever um livro erótico sem cair nas armadilhas da apelação e uma verdadeira aula de construir personagens. Amei.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

[Livro] A Fera em Mim

Original: The Beast Within: A Tale of Beauty's Prince

Autor: Serena Valentino

Gênero: Ficção, Infantil

Linha: Disney

Ano de Publicação: 2016

Número de páginas: 192 (Ed. normal) 235 (Ed. econômica)

Sinopse: Um príncipe amaldiçoado se isola em seu castelo. Poucos o viram, mas aqueles que conseguiram tal proeza afirmam que seus pelos são exagerados e suas garras são afiadas – como as de uma fera!

No entanto, o que levou esse príncipe, que já foi encantador e amado por seu povo, a se tornar um monstro tão retraído e amargo? Será que ele conseguirá encontrar o amor verdadeiro e pôr um fim à maldição que lhe foi lançada?

Esse foi o primeiro livro da série que eu comprei e deixei para ler por último porque tinha altas expectativas com ele. Expectativas essas que ficaram ainda maiores depois de ler A Mais Bela de Todas que, para mim, foi o melhor da franquia até agora. Negócio é que eu fiquei ansiosa demais e acabei encarando uma leve decepção quando fui ler de fato.

Cronologicamente, ao que parece, esse é o primeiro livro (contando dos outros da série que eu li e ficava perdida numas partes), a autora interligou o mundo da história com as personagens criadas por ela e modificou algumas coisas da linha original. A ideia de Gaston ser o melhor amigo do Príncipe (que, não sei porque cargas d'água ela não chamava pelo nome dele, Adam) foi, ao mesmo tempo, legal e esquisito. Na verdade, a mescla de personagens aqui não caiu tão bem ao meu ver como nas outras histórias, foi a mesma sensação de ler Úrsula e ver a bruxa do mar como irmã de Tritão, simplesmente não fazia o menor sentido na minha cabeça.

Ela vai desenrolando os fatos de maneira até bacana, mostrando o dia do castelo antes de Bela e antes da maldição e constrói o caráter fútil de Adam de maneira coerente com a maldição que ele recebeu e acho que de toda história essa foi a única parte que, a meu ver, ficou realmente legal, a maneira como ela tornou a maldição algo gradual e psicológico, em determinado momento da história tu não sabia se Adam estava realmente desfigurado ou era apenas a maneira como as pessoas o viam, o externar do seu interior horrível. Contudo, aquilo de ele não ser capaz de ver os criados dele também não encaixou bem.

O livro é bom, não tanto como A Rainha Má que, para mim, foi a melhor experiência da franquia até agora, mas não consegui deixar aquela ponta de decepção, mesmo sendo uma leitura bem rápida, não conquistou ou impactou tanto quanto a história podia e merecia. Havia tantos espaços sombrios e fantásticos que podiam ter sido aproveitados dentro dessa obra e ela ou tratou de modo superficial ou ignorou que me deixou bem desapontada.

Como falar muito pode acabar dando spoiler, vou parar por aqui. A recomendação fica por sua conta em risco.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

[BL] Love with benefits

Original: Love With Benefits

País: Tailândia

Episódios: 5

Gêneros: Romance

Elenco: Folk Jakkarin, Gameplay Garnpaphon, Best Vittawin (Check out the series)

Sinopse: First, Play e Pluto ficarão sob o mesmo teto por 10 dias. Quais seriam os benefícios de ficarmos juntos?

Onde achar: Pi Fansub (completo), Lianhua (em andamento)

Comecei a ver esse drama por causa de alguns GIFs no instagram, fiquei feliz por ele ser curtinho apesar de cada episódio ter quase uma hora, não foi tão difícil terminar e a história é, até certo ponto, interessante. Confesso que ando tendo alguns problemas com BL, não ando encontrando nenhum que queira realmente ver até o final, as últimas aquisições que estou acompanhando são Kieta Hatsukoi que gostei por ter aquela vibe Cherry Magic, e Bad Burry que fugiu da engenharia/medicina e trouxe o Ohm Pawat de novo, impossível não ver porque ele é lindo e um excelente ator. Além, claro, do maravilhoso Don't Say No que eu ainda não terminei de ver porque não queria que acabasse hahahaha, mas vou resenhar ele ainda esse ano.

Não tem como falar muito desse drama sem dar spoiler, então vou tentar ser breve e cuidadosa para não estragar a experiência de ninguém. A história segue um par de atores que foi escalado como casal em um drama BL que está para ser começado a gravar. Para a preparação, eles são confinados em uma casa por dez dias onde terão que interagir para se aproximar e contarão com aulas de interpretação para entrar no papel. First é um excelente ator, mas não se dá muito bem com Play, seu par na trama, apesar de se sentir muito atraído por ele e adorar provocá-lo.

Como nos workshops onde a gerência participa, Play não está indo bem na atuação por sempre ser provocado por First e ficar irritado demais para conseguir simular um par romântico com ele, a empresa decide chamar Pluto, um bem sucedido ator teen para ficar com eles na casa e se entrosar com Play como um possível par romântico para a série. O que ninguém sabe é que Pluto tem um segredo que envolveu Play. O ciúmes faz com que First comece a investir mais pesado nos sentimentos que carrega pelo colega de elenco, mas quem conseguirá no final ser o ator principal do coração de Play?

Em nenhum site foi mencionado o diretor ou o roteirista dessa série, apenas que é produzida pela mesma empresa que vai lançar o BL check out ano que vem, talvez por isso haja a presença de Best no elenco já que o piloto especial da série rendeu bons comentários na mídia. Como é só um episódio, apesar de ter assistido não fiz resenha aqui porque não tinha como tirar conclusões da história só por ali. Só posso dizer que o potencial é bom. No caso de Love with Benefits, apesar da história ser legal, a gente pode ver os bastidores de um drama antes mesmo de ele começar a ser lançado e achei isso muito legal, há alguns probleminhas na produção que podem incomodar alguns.

Por ser um drama curto, o ritmo pode parecer um pouco lento em alguns momentos e acelerar do nada em outros. Há muitas cenas em que os personagens simplesmente ficam calados por tempo demais, apesar de algumas dessas cenas servirem como tensão entre os atores que, saliento, tiveram uma química muito boa, em outros momentos é completamente desnecessário e podiam ter sido editadas. Algumas atuações soam um pouco forçadas, mas é recorrente em dramas da Tailândia, já percebi, por isso quando vejo um bom ator vou atrás de tudo que ele fez. Mas não posso reclamar do entrosamento dos atores principais, o Folk tem um estilo que lembra muito o Mean (Love by Chance), tanto nas expressões quanto na forma de falar. O Gameplay, mesmo entregando uma atuação mais ou menos, brilhava quando interagia com o colega de elenco, apesar do personagem dele ser bem infantil na maior parte do tempo.

Não tenho certeza se pelo tamanho da série, mas senti falta de um desenvolvimento melhor do casal e dos próprios personagens em si. Já vi a Tailândia fazer dramas menores com uma qualidade construtiva muito melhor, então nem é desculpa o formato. Ainda assim, aquém de tudo isso, vale a pena ver sim, tem uns beijos no melhor estilo TharnType e uma bed scene que te contar, deu até calor! 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

[Livro] Dilúvio (Resenha COM SPOILERS)

 

Título Original: Waterfall

Autor: Lauren Kate

Ano: 2015 

Páginas: 308

Sinopse: Com apenas uma lágrima, Eureka inundou o mundo e deu início à ascensão de Atlântida. Se derramar mais duas, nada impedirá o maligno rei Atlas. Herdeira da Linhagem da Lágrima, ela é a única capaz de detê-lo, e precisará atravessar o oceano para encontrar Solon, um Semeador foragido que sabe como enfrentar o rei.

Mas a revelação que o amor de Ander e Eureka faz o menino envelhecer mais rapidamente a faz se sentir ainda mais incapaz de vencer Atlas. Se continuarem juntos, ele morrerá em breve.

Agora Eureka precisa se reconciliar consigo mesma e com o que seu sofrimento causou ao mundo. E um segredo sobre a Linhagem da Lágrima pode mudar tudo... passado, presente e futuro. Com esse conhecimento, ela é capaz de conseguir a chave para derrotar Atlas. Mas seu coração partido pode pôr tudo a perder.

Esse ano tive por meta não ter meta. Queria ler aleatoriamente livros que me dessem vontade e sem me preocupar com atualizações ou prazos. Já tinha um tempo que eu percebera estar lendo por certa "obrigação" e não pela real vontade de desfrutar de um livro. Contudo, meu plano parece não ter dado muito certo, apesar de só ter escolhido realmente o que me deu na telha e passado por algumas ótimas experiências, das 27 leituras de 2021, grande parte das páginas foram sofríveis de ler. Acho que funciono melhor fazendo cronogramas como fazia até então, depois de velha talvez tenha aprendido a valorizar organização.

Dilúvio foi uma decepção sem precedentes, minha segunda com a Kate esse ano, a primeira foi A Canção da Órfã que abandonei quase na metade, este, porém, ainda pretendo dar outra chance, talvez tenha pego em um mau momento ou não ser adulta suficiente para entender para entender a proposta do "livro adulto" da autora. Mas Essa duologia da lágrima não dá para salvar não. Me forcei a ler Teardrop de novo esse ano, pois havia lido pela primeira vez em 2013 se não me engano e já boa parte da história havia sido esquecida em detalhes. O primeiro livro, aquém de alguns problemas, não é de todo ruim, traz uma boa proposta que, infelizmente, não é aproveitada nessa sequência sofrível. Concordo completamente com uma leitora no Skoob que diz que "a autora se perdeu completamente. Nada faz sentido, nada se conecta, a autora parece que esqueceu o que escreveu no primeiro livro." É um fato.

Já começamos pela problemática que comentei na releitura do primeiro livro, esse romance descabido de Eureka com Ander que não tem qualquer base. É muito história da Disney, sabe? Ela não conviveu com ele, não o conhece, não sabe praticamente nada dele, mas acha que o ama com tudo que tem. Se isso fosse uma crítica à frugalidade e impulsividade adolescente eu super concordaria, mas a autora parece levar realmente a sério que os dois estão apaixonados quando ela passou trezentas páginas no primeiro livro sem oferecer base nenhuma para esse suposto sentimento. Eles se amam por quê? Por que estão ligados pela maldição dos seus ancestrais? Gente, não dá. Eles trocam dez diálogos o livro todo e estou chutando alto, para ela vir dizer que se amam, pelo amor de Deus!

O segundo volume começa de onde o primeiro terminou, Eureka, o pai, Ander, Cat e os gêmeos, ainda por causa do aerólito, estão submersos tentando encontrar a localização de Solon, o semeador que pode ajudá-los a parar a bagunça que ela começou e lutar contra Atlas que está no corpo de Brooks. Entra em cena as bruxas que mantêm a caverna de Solon protegida com feitiços para impedir que os outros semeadores o encontrem em troca de borboletas que ele cria e é forçado a dar elas por pagamento. Esse ponto me lembra muito aquela série da Serena Valentino com aquelas irmãs bruxas que, sendo franca, eu acho um pé no saco, mas não vem ao caso aqui. Essas também são irmãs, chatas e falam por enigmas. Fazendo um resumo bem básico, quando chegam à superfície, Eureka se separa dos demais e o pai acaba sendo gravemente ferido, o mundo virou um mar salgado que acabou com tudo e as poucas pessoas que sobreviveram não tem recursos, nem comida, nada.

Solon, em sua caverna, trabalha com dois assistentes que fazem parte de uma comunidade miserável de sobreviventes. Contudo, ele tem secretamente um estoque de comida, pois vinha se preparando há anos para o novo dilúvio. Com a ajuda das bruxas, Eureka e os outros conseguem chegar à caverna dele só para descobrir que ele é um babaca (nada de novo no reino da Dinamarca), mas acaba aceitando ajudá-los. Nesse entremeio, Eureka descobre que Atlas anda rondando a caverna, mas ao invés de ficar longe ela, contrariando todos os conselhos e na ilusão ridícula que Brooks pode ser salvo, insiste em mantê-lo por perto. Sério, o romance entre ela e o melhor amigo soa mais verossímil que esse amor sem fundamento por Ander. Para piorar, ela ainda descobre que o "amor" que une Ander a ela o faz envelhecer, então ele vai ficar velho mais rápido, sofrer todas as dores da idade muito avançada sem nunca morrer de fato e o único jeito de parar isso é deixando de amá-la ou ela morrendo.

Depois disso ela tem um surto e começa a afastá-lo da forma mais infantil. Nesse ponto do livro eu já não tinha paciência para a página seguinte que dirá o capítulo. Um dos assistentes de Solon descobre que ele tem comida escondida, rouba um pouco e leva para a aldeia onde conta para todo mundo. A caverna é então invadida por uma multidão furiosa e faminta que destrói tudo e a anciã da aldeia acaba por matar o pai de Eureka na frente dela, a menina tem outro surto e mata a velha espancada (literalmente com as próprias mãos). Uma cena bárbara que, apesar do possível propósito da autora, achei desnecessária. A partir disso ela começa a encher linguiça com uma protagonista sem foco, sem objetivo claro que parece não ir a lugar nenhum  e não ter outro motivo para existir além de testar nossa paciência.

A mitologia de Atlântida é mal explorada tanto quanto as próprias personagens, não explicada praticamente nada de Atlas, muitas perguntas sem resposta e um desfecho que pelo amor de Deus, foi ridículo de tão absurdo. Chamar o fim desse livro de deus ex-machina seria um elogio. O que foi aquilo de os gêmeos ficarem sob os cuidados de Esme (uma das bruxas) após perderem os pais de forma brutal na frente deles duas vezes, Cat vira uma bruxa quando no começo tudo que ela queria era saber o que aconteceu com família, mas depois se conforma tão rápido que não fez o menor sentido, a morte do Poeta não influiu, contribuiu ou emocionou em nada; mas principalmente o destino de Eureka e Brooks que morrem e vão viver felizes como se nada tivesse acontecido. Terminei me sentindo uma palhaça, sendo honesta com vocês. Tudo se resolve muito rápido depois de ela encher linguiça no livro inteiro deixando um meio enorme, cheio de sub-plots mal desenvolvidos e, a meu ver, desnecessários, numa prosa maçante, sem saber para onde vai.

Eu fiquei tão frustrada depois desse livro que não consegui ler mais nada. Tanto é que terminei em outubro, mas só estou fazendo a resenha agora e de lá para cá não li nada. Cansativo, estressante e me mostrando mais uma vez que não vale a pena insistir em leituras que não fluem, muito melhor abandonar o livro. Acho que foi a pressão que fez Lauren Kate desperdiçar uma ideia tão boa dessa maneira esdrúxula. Me recuso a acreditar que ela escolheu escrever algo tão ruim. Claro que esse é apenas meu ponto de vista, não é uma declaração mundial que a obra é ruim, e ainda há rumores que virá um terceiro livro, me pergunto "por que diabos ela ainda esticaria isso?" Não quero nem passar perto de mais páginas dessa história. Quem gostou da história, tenha meu respeito, ou eu li o livro errado ou não sou empática o bastante para gostar desses personagens.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

[Drama] My Love from The Star (Filipino)

País: Filipinas

Idioma: Tagalo

Episódios: 31

Gênero: Fantasia romântica; Comédia dramática

Baseado em: My Love from the Star (2013) por Park Ji-eun

Roteiro: Des Garbes-Severino; Vendas Onay; Kutz Enriquez

Direção: Joyce E. Bernal

Elenco: Jennylyn Mercado; Gil Cuerva

Sinopse: 400 anos atrás, a nave espacial de Matteo pousou na Terra. Desde então, ele vive na Terra enquanto espera ansiosamente por seres de seu planeta para levá-lo de volta para casa. Três meses antes de sua esperada partida da Terra, ele encontra Steffi. No início, eles não se dão bem, mas eventualmente terão sentimentos um pelo outro e se apaixonarão.

Onde encontrar: Em breve no Mahal Dramas Fansub

Esse também pode ser chamado como "drama do Jacob Black filipino".

Não vi a versão coreana (e original) desse projeto, de modo que minha visão aqui vai ser voltada apenas para essa adaptação sem comparativos.

Steffi Chavez é a maior estrela das filipinas, uma talentosa atriz amada por todo o país, contudo, inteligência não é o forte dela que conta mais com a sua beleza e talento para incorporar papéis que com sua bagagem intelectual. Em uma postagem nas redes sociais onde ela faz um comentário infame, acaba se tornando chacota de todo o país sendo chamada de burra. Isso faz com que a empresa que a representa, como forma de preservar a imagem dela, a obrigue a voltar para a escola. Enquanto todo caos se desenrola, ela está se mudando para um condomínio novo e, ao chegar, se depara com um jovem rapaz no elevador. Narcisista como é, ela o confunde com um fã seu e o acusa de a estar perseguindo, o rapaz não rebate as acusações nem dá muita bola para ela, só então Steffi descobre que ele é, na verdade, seu vizinho e mais tarde, também seu professor de história, Matteo Domingo.

Tentando conciliar a vida de artista com a de estudante, Steffi não se sai muito bem, especialmente porque Matteo não dá folga para ela e nem facilita sua vida como ela gostaria. Ao lado dela, além de seu assistente, está sua melhor amiga Lucy e seu amigo e pretendente Winston. Lucy também é atriz, mas só consegue papéis coadjuvantes sendo sempre ofuscada por Steffi, ela nutre um amor secreto por Winston desde a escola, mas o jovem herdeiro sempre teve olhos apenas para Steffi que nunca lhe deu bola. Isso faz com que Lucy guarde um rancor também secreto da amiga que sempre a tratou com carinho e sinceridade. A mãe de Steffi é uma mulher arrogante, ambiciosa, fútil e usa a carreira da filha para aparecer, ela sempre coloca Steffi para baixo, diminuindo-a e criticando-a, mesmo seu irmão, Yuan, é distante apesar de gostar muito dela.

Na adolescência, Steffi foi salva da morte por um misterioso homem cujo rosto ela não se lembra, mas sonha em um dia reencontrá-lo. Em contrapartida esse homem, que é Matteo, traz em seu coração uma jovem que conheceu durante a ocupação espanhola nas Filipinas e que foi morta tentando salvá-lo. Ele não sabe, a princípio, que Steffi é a "reencarnação" dessa garota. Quando ele tem uma visão que ela sofrerá um sério acidente em um barco, tenta de tudo para que ela não vá a uma festa de casamento que ocorrerá em um cruzeiro, mas seus planos dão errado. Nesse cruzeiro, Rachel, uma rival de Steffi na indústria, acaba desaparecendo e é encontrada morta, a culpa do assassinato - julgado como suicídio no começo - recai sobre Steffi que começa a ganhar o ódio nacional e perde seus patrocínios. Sua carreira afunda completamente e, de repente, ela se vê sozinha.

Sua relação com Matteo se estreita quando ela é forçada a se esconder na casa dele por causa de um grupo de repórteres que acampa na frente do seu apartamento. Mesmo contrariado, ele decide ajudá-la e apesar da convivência dos dois não ser boa no começo, ele passa a se preocupar com ela. Winston, ao contrário de todos os outros, é a única pessoa que permanece ao lado dela e lhe oferece apoio e conforto. Lucy aproveita a oportunidade da queda da amiga para fazer sua carreira decolar e ocupar o lugar que antes pertencia a Steffi. Com isso, ela acha que conseguiria também a atenção de Winston, mas não é o que acontece, ele se torna ainda mais devotado da amiga. A investigação da morte de Rachel avança em passos lentos, a vida de Steffi começa a correr perigo e Matteo acaba se tornando uma espécie de guarda-costas para protegê-la. Mas seus dias na terra estão contados, ele precisa voltar para seu planeta ou vai acabar morrendo, qual será o destino de Steffi?

Confessar pra vocês que eu não vi a versão original desse drama, no caso a coreana, porque minha irmã assistiu e não gostou do final, então acabei tirando da minha lista. Contar para vocês que se assistir 16 episódios foi sofrível para minha irmã, ver 31 para mim foi suplicioso. Tenho de admitir que a Jennylyn Mercado é uma boa atriz, ela sabe fazer cenas dramáticas bem e apesar da parte de comédia parecer mais um pastelão vergonha alheia que algo realmente engraçado, ela encarna bem a personagem, o mesmo não pode ser dito do Gil Cuerva que, a meu ver, parecia um tanto robótico a maior parte do drama, como se estivesse desconfortável. Ele não tinha a menor química com a atriz e o roteiro não contribuiu em nada com isso. Vendo esse drama me remeti muito aos doramas que assistia no começo da minha vida dorameira, aqueles triângulos amorosos irritantes em que a protagonista sempre escolhia o cara chato ao invés de ficar com aquele que a tratava bem. Nunca consegui entender isso.

Por mais que o roteiro insista naquela ideia de que a Steffi gosta do Matteo desde que ele a salvou e que o Matteo passa a gostar da Steffi quando se inteira do mundo dela, gente, não colou comigo. Sério, ele passa a série toda sendo rude ou ambíguo com ela, o tempo todo a pessoa lá dando apoio e se mostrando verdadeiramente amigo dela é o Winston. Em determinado momento do drama, eu tava shippando ela mais com ele do que com o Mateo, de verdade. Por mais que as interações dela com o Matteo tentassem soar fofas, elas só vieram acontecer de fato perto do final do drama de maneira real e já quando ele estava com um pé na lua ou seja lá onde ele morava. Então mesmo que os roteiristas tentassem fazer a gente comprar o casal, eles não foram desenvolvidos como tal, parecia bem mais uma espécie de obsessão do que de fato amor. Uma construção notável foi a do Jackson, o antagonista, o ator encarnou tão bem o papel que ele era mesmo asqueroso, dava nojo olhar pra ele.

Gostava muito do Winston, apesar de no começo da narrativa ele ter sido um pouco chato, com o passar da trama ele evolui muito e a lealdade dele à Steffi além do sofrimento que ele passa ao descobrir as coisas horríveis que Jackson fez, me despertaram real empatia pelo personagem, tanto que por isso eu não queria mesmo que ele ficasse com a Lucy, ela não merecia ele, era uma falsa, cínica e duas caras. Por vezes, a narrativa se mostrava um pouco arrastada e dava a impressão que o drama não ia terminar nunca. Algumas atuações eram ainda piores que a do Matteo, como a mãe do Winston, sério, em alguns momentos eu chegava a rir de quão péssima a atriz era. Não sei se era a personagem ou a atriz, mas a Lucy mesmo sendo boa nas lágrimas era insípida. O campanga de Jackson, tal como o Gil, era meio robótico também. Os efeitos especiais desse drama são bem... rústicos, coloquemos assim, o que só mostra que as Filipinas não estavam prontas para um projeto desse porte.

Como falei, não posso fazer comparações com o original, descobri que há a versão tailandesa desse drama, mas não consigo suportar mais um segundo dessa história, sério. O final foi agridoce, segundo conversei com a minha irmã, foi até melhor que o original por mostrar alguns detalhes extras como um casamento. Contudo, não foi inteiramente feliz e quem viu o coreano deve saber. Num cômputo geral, eu dou um 6/10 para o drama e estou sendo gentil.