segunda-feira, 19 de julho de 2021

[Livro] O livro do cemiterio


Título Original: The Graveyard Book

Autor: Neil Gaiman

Ano: 2008

Páginas: 336

Sinopse: Para Ninguém Owens, criado desde bebê por fantasmas e seres de outro mundo, a morte é apenas a morte e o perigo está na vida, do outro lado dos portões do cemitério. Lidar com os vivos é a lição mais difícil que o menino terá de aprender. Tão difícil quanto crescer.

"As coisas florescem no tempo devido. Elas brotam e dão botões, florescem e desaparecem. Tudo em sua hora."

Em uma noite tenebrosa, a família de um garotinho é brutalmente assassinada por um homem chamado Jack (que na hora eu pensei que era o estripador, mas não era hahaha). Contudo, o destino encarrega-se de salvar um dos membros, um menininho de um ano que acaba saindo do seu berço e, contrariando o perigo, sai caminhando pela noite escura até um velho cemitério considerado patrimônio da cidade. Lá dentro, na companhia dos fantasmas de eras esquecidas, ele é acolhido e salvo da morte por um casal de idosos de sobrenome Owens e um misterioso homem que ludibria seu assassino e o tira do cemitério após a súplica desesperada do fantasma de sua mãe.

Sem saber o nome do menino (porque a mãe dele não disse), ao lhe conceder a liberdade do cemitério, sua nova família inumana lhe nomeia Ninguém Owens. Silas, o estranho homem, se dispõe a ser seu guardião e todos no cemitério o adotam como uma parte da família fora do comum que habita ali. Conforme vai crescendo, Nin, como passa a ser chamado, é instruído por seu guardião e os demais fantasmas habilitados, em línguas, história e assuntos de fantasmas, lhe é ensinado coisas como desaparecer (literalmente), ver no escuro, atravessar coisas, mas nunca, sob hipótese alguma, ele pode deixar as dependências do cemitério.

Nin foi crescendo como uma criança quase normal, fazendo perguntas sobre tudo, desconhecendo o seu passado e, cada vez mais perto da morte, apreciando cada momento da vida. Contudo, um dia, Scarlett acontece.  Ela era uma menininha de cinco anos que havia se mudado com os pais que eram professores universitários. Os dois se tornam amigos e, em uma de suas brincadeiras, vão explorar um túmulo muito antigo e afastado no topo de uma colina, mas algo acaba dando errado e os pais de Scarlett, mortos de preocupação, a proíbem de voltar ao cemitério e logo saem da cidade.

A perda da amiga tem um pequeno impacto sobre Nin que, conforme vai crescendo, com ele aguça a curiosidade sobre o mundo além do cemitério e os segredos que permeiam seu passado. Silas, notando que o conhecimento do cemitério já não satisfaz seu pupulo, decide então que ele está pronto para ir à escola regular, mas o adverte a não chamar atenção para si mesmo e passar o tempo inteiro despercebido. Mas a natureza corajosa e generosa de Nin se sobressai quando ele descobre que um casal de encrenqueiros está intimidando as crianças pequenas da escola e uma enorme confusão recai sobre ele, sobrando para Silas ajudá-lo a escapar do foco das pessoas, com isso, a aventura na escola termina.

O assassino de sua família ainda está a solta, Nin está ávido por respostas e a volta de Scarlett à cidade pode acabar sendo o estopim para um confronto final entre os antigos inimigos. Uma organização de assassinos está disposta a pôr um fim na vida de Nin que precisará mais do que nunca da liberdade e do conhecimento do cemitério para conseguir salvar a si mesmo - e à Scarlett - do mesmo fim que sua família teve.

Quando você começa a ler esse livro ele parece ser um tenso suspense policial. Contudo, logo depois das quatro primeiras páginas, ele ganha um ar de conto dos Grimm. A narrativa é muito pesada, tem uma atmosfera tenebrosa e o mais impressionante é a maneira como Gaiman consegue fazer isso soar... mágico, na ausência de uma palavra melhor. Em nenhum momento somos realmente chocados com nada, e a fantasia é tão sutil que por vezes esquecemos que ela está lá. 

A história é dividida em oito partes que acompanha diferentes estágios da vida de Nin e, conforme ele vai crescendo e se desenvolvendo, nós vamos igualmente crescendo com ele, aprendendo juntos sobre a vida e o passado daquele cemitério e seus habitantes, enquanto somos interconectados com os mistérios que cercam o passado de Nin, as razões de ele estar sendo caçado e igualmente a aura curiosa que cerca seu tutor, Silas, uma criatura que o autor vai nos dando pistas sem nunca revelar claramente o que ele é (e cheguei a conclusão que ele é um vampiro).

Mas é claro que, como um livro de Gaiman, a história vai muito além do que mostra a superfície e é cheia de referências, metáforas e morais. Minha favorita, dentre todas, foi a referência à Danse Macabre  uma alegoria da Idade Média sobre a universalidade da morte, ela me remeteu imediatamente à composição maravilhosa do compositor Camille de Saint Saëns de mesmo nome e li esse capítulo enquanto ouvia essa peça. Outra coisa muito legal é que lemos uma história inteira sobre morte sem ter uma carga pesada em torno dela, com a sutileza, leveza e delicadeza que apenas Gaiman podia empregar.

O livro do cemitério é uma história sobre a vida, a morte, a amizade e, sobretudo, a força inerente em todos nós, como somos autores do nosso destino e não vítima deles, a forma como as nossas escolhas moldam nosso caráter e, até mesmo, um pouco de determinismo implícito ali no meio. Achei o livro fantástico e, ainda que seu final seja um tanto agridoce, foi muito pertinente com toda a situação criada, deixando apenas aquele gosto de saudade da jornada de Nin que, ao contrário da sua família adotiva, estava apenas no começo. É um livro de fantasia que não parece fantasia e uma verdadeira aula de escrita criativa dada por esse mago das palavras que é Neil Gaiman. Maravilhoso!



terça-feira, 29 de junho de 2021

[Filme] Vanguard

Original: 急先锋
Ano: 2020
Direção e roteiro: Stanley Tong
País: China
Gênero: Ação, comédia
Elenco: Jackie Chan
Yang Yang
Ai Lun
Miya Muqi

Sinopse: Tang Huating é o chefe de uma agência de segurança chinesa que precisa se unir com autoridades de Dubai para capturar o grupo de mercenários mais fatal do mundo. O objetivo é salvar o homem que o contratou, e alvo dos criminosos.

Onde encontrar: Movie Asian Fansub

Na época que esse filme foi anunciado eu ainda acompanhava obsessivamente o Yang Yang, então fiquei bem animada, tinha visto Kung Fu Yoga com o Jackie e como não amar Jackie Chan? Ele fez parte de praticamente toda a minha vida, via filmes dele na infância, adolescência e juventude, não podia perder de ter um pedacinho dele na minha vida adulta também e é inconfundível o jeito dele criar comédia com ação ou mesmo tornar a ação cômica. Mesmo diante de coisas realmente perigosas e que deveriam nos assustar, a gente consegue dar boas gargalhadas e isso equilibra muito a experiência dos filmes dele.

Com Vanguard não foi diferente. Na trama, Jackie é o CEO de uma companhia especializada em proteção, eles são chamados para salvar um homem e sua esposa que estão na mira de perigosos traficantes de arma, eles chegam a tempo de salvar o casal, mas acabam se tornando alvos dos bandidos. O homem contrata a empresa para resgatar a filha dele que é uma ativista na África. A Vanguard vai atrás da garota bem quando os traficantes encontram-na e, na fuga, ela acaba sendo capturada junto a Lei, um dos mais jovens soldados.

Empenhado em salvar seu agente e a garota que não tem culpa dos planos do pai, eles montam uma elaborada operação que os levará até o oriente médio e de lá para Dubai. O lema da Vanguard é "ninguém fica para trás" e eles estão dispostos a pagar o preço de salvar vidas.

Vanguard veio em um momento que eu não estava muito no clima de assistir romance, eu vi dois outros filmes antes desse a umas semanas atrás, mas não gostei muito por isso nem trouxe pra cá. Talvez eu resenhe eles depois. A ação misturada com comédia funciona muito bem nos mantendo presos em uma narrativa super simples que, sem esses elementos ia se tornar muito entediante. Tirando a atuação bem sem sal da Ruohan Xu, não tenho do que reclamar do resto do elenco, Yang Yang como sempre muito competente, Jackie nem precisa de comentários, gostei muito da Miya Muqi, ela sabe entregar uma agente badass sem perder a feminilidade e sem apelar pra uma sensualidade desnecessária.

Acho que esse foi o problema da Freeda, ela era muito "princesinha" "me salve" e apesar disso condizer com a situação dela em parte, mas, pelo amor de Deus, a guria tava na África lutando contra caça ilegal! Como diabos ela não sabia nem usar uma arma de tranquilizante ou conhecer o mínimo de defesa pessoal? Mas enfim, é um filme bem levinho que dá para ver em um domingo com a família (se assistirem filme legendado, claro) e vale muito a pena.

Quero, inclusive, deixar aqui uma fala no filme que eu gostei muito, acho que ela é bastante pertinente também.

Clica pra ampliar

Eu dei um berro quando o Yang Yang falou isso hahaha tudo bem que ele lidou com as consequências depois, mas, sério, que fora mais lindo!

Fica aí minha recomendação pra encher seu fim de semana. Vanguard tem uma premissa bem simples, mas conta com um bom elenco, umas cenas de ação muito boas e vai conseguir te distrair por uma horinha e meia sem problemas, além de render umas boas risadas.





domingo, 13 de junho de 2021

[Relendo e Resenhando] A Marca de Uma Lágrima

Data da primeira publicação: 1985
Autor: Pedro Bandeira
Série: Paixão sem Fim
Páginas: 122
Gênero: Romance, Suspense, Mistério

Sinopse: O livro retrata a vida de Isabel, menina que se achava feia e gorda, apaixonada pelo seu primo Cristiano. Na festa de Cristiano conhece Fernando que logo se tornaria seu amigo. Em meio a confusões entre Isabel e Rosana, a Isabel parece ter se metido em uma confusão onde descobre que é testemunha de um assassinato. Ela vai tentar acabar com o mistério e ao mesmo tempo ajudar seus amigos.

Minha história com Pedro Bandeira é saudosa e começa ali nos primeiros livros da minha iniciada jornada literária. Minha mãe comprou meus primeiros livros ao perceber que eu me inclinava para a leitura desde que aprendera a ler incentivada pelas minhas madrinhas. Desse modo, entre as primeiras aquisições, estava ali com sua capinha salmon, As Cores de Laurinha (1996) com lindas ilustrações de Walter Ono e ainda está disponível esse livrinho com carinho aqui na minha estante em sua primeira edição. 

Não vou dizer que foi Pedro Bandeira que me ensinou a gostar de ler, mas sem dúvida foi ele que me ensinou a gostar de contar histórias. Enquanto lia para minha irmã as desventuras e aventuras da pequena Laurinha que desenhava, chorava e conversava com seus lápis para concretizar o sonho de comprar um presente especial para sua mãe, me via encantada não apenas pela dinâmica adorável da história e suas personagens bem construídas, mas pelo anseio de, tal como Laurinha, construir também eu as imagens que povoavam os recônditos da minha mente e, como não sabia desenhar, eram as palavras que formavam esses desenhos.

Desse modo, em uma das minhas idas diárias à biblioteca da escola, eis que me deparo com A Marca de Uma Lágrima, na época, confesso, não me dei conta que era do mesmo autor do livro que marcara minha infância ali por volta dos seis, sete anos. Eu emprestei esse livro pelo título, nos primeiros sintomas de uma depressão que prenunciava o tortuoso caminho que tinha pela frente, me vi inclinada a descobrir uma história que potencialmente conversaria com meus sentimentos e esse se tornou um dos livros que mais emprestei na escola durante o fundamental e ensino médio. Nunca me cansava de relê-lo e, por vezes, havia mesmo decorado passagens.

Na história, conhecemos Isabel, uma adolescente de 14 anos que, nos arroubos da puberdade - a famigerada fase da vida onde tudo é muito intenso e a emoção sobrepõe-se à razão - se vê prisioneira de uma autoimagem deturpada, com pais divorciados, vive com uma mãe muito mais preocupada consigo mesma e sua eterna enxaqueca (muito provavelmente causada pela traição do ex-marido) infinita e sua autocomiseração para se preocupar com o estado psicológico frágil da filha que, na maioria das vezes, age como a adulta na casa.

Logo no começo do livro, Isabel é "intimada" a comparecer à festa de seu primo Cristiano, filho da tia Adelaide que está finalmente de volta à cidade e é pintado pela mãe como um jovem inteligente e o melhor da escola. Ele vai começar, inclusive, a frequentar o mesmo colégio que Isabel que lembra muito pouco dele da infância, mas definitivamente não quer ir à festa dele. Para evitar o sofrimento maior, ela acaba convidando Rosana, sua melhor amiga, para ir com ela e assim se privar de ficar sozinha.

Acontece que ela acaba descobrindo que, ao contrário do seu pré-julgamento, Cristiano não é mais um molecote e se tornou um belíssimo jovem de 16 anos, tão logo olha para ele sob as luzes estroboscópicas e a música alta, Isabel se apaixona. Mas é para Rosana que os olhos apaixonados do primo se direcionam. Rosana que é mais bonita que Isabel. Rosana que é sempre o centro das atenções por ser magra também. Desiludida, Isabel busca refúgio no jardim da casa da tia para fugir da festa cheia onde foi abandonada sozinha pela melhor amiga que levou com ela seu sonho.

Contudo, o refrigerante batizado acaba deixando a menina bêbada e ela conhece Fernando, um carismático jovem que demonstra interesse particular nela, mas ciente da sua aparência, Isabel não lhe dá qualquer crédito e acaba desmaiando na grama do jardim onde alguém, que ela acredita com todas as forças ser Cristiano, lhe beija ardentemente. E assim inicia o suplício de Isabel.

No dia seguinte, já na escola, Cristiano vem lhe falar que está apaixonado por Rosana e ainda mais: pede que Isabel seja madrinha do namoro deles, agindo como ponte um com outro. Sem sequer imaginar que a própria prima está perdida em uma paixão febril por ele, ela concorda em ajudá-lo a marcar um encontro com Rosana. Desiludida, magoada e sentindo-se humilhada, ela se esconde na segurança da escuridão do laboratório e testemunha quando uma silhueta aparece e mexe em um dos frascos da cristaleira. Um frasco chamado linamarina.

Inicialmente, cega pela sua própria dor, Isabel não dá muita importância ao fato, especialmente por não conhecer a substância ou seu uso, e para ela aquele frasco com nome de mulher só pode funcionar como uma metáfora para sua própria desilusão. Além disso, ainda tem de lidar com Fernando que tem o dom de aparecer quando ela quer ficar sozinha e a enche de palavras sem sentido. Mas tudo em que Isabel consegue se concentrar é no desprezo de Cristiano.

Quando a diretora da escola, Dona Albertina, é encontrada morta em sua sala, Isabel passa a se questionar se é, como a polícia acredita, realmente um suicídio. Contudo, sua mente esta tão focada na dor de alimentar o relacionamento de Cristiano e Rosana com suas próprias cartas que ela não consegue se atentar aos detalhes e, enquanto inevitavelmente se aproxima de Fernando, verdades ocultas podem acabar colocando em risco sua vida e seu coração.

Não sei precisar quantas vezes reli esse livro ao longo da vida, mas já tinha uns bons anos que não pegava nele e, hoje, decidi relembrar, afinal ultimamente eu não tenho conseguido ler nada e, com sorte, consigo sair dessa ressaca literária com ele. Abandonei A Canção da Órfã porque, sendo franca, estava sem paciência para os personagens, fiquei bem decepcionada com aquele livro, então preferi abandonar e, talvez, retome a leitura em outro momento.

Passar a tarde com esse livro, além de me dar essa sensação gostosa de nostalgia, me fez realmente imergir na leitura, desconectar da realidade e eu precisava muito disso. Ademais, consegui também perceber algumas nuances que me passavam despercebidas em leituras anteriores, fosse pela pouca experiência ou mesmo pela própria ingenuidade que é quebrada pela vida gradualmente enquanto crescemos. E aquele gostinho de revisitar a história depois de tanto tempo não deixava de ser, de alguma forma, como lê-la pela primeira vez de novo, mas com outros olhos e já sabendo alguns detalhes.

O exagero de Isabel ao ver Cristiano, nessa releitura, me soou até um pouco cômico (apesar de claramente essa não ser a intenção). Mas muito disso se deve a essa "idealização à primeira vista" na qual me via muito na idade dela. Em nenhum momento Isabel amou de fato o primo, ela amava a ideia que tinha dele e a crença de que fora ele que a beijara no jardim.  Lembro também que me identificava bastante com o fato da personagem gostar de escrever, apesar de, hoje, achar algumas atitudes dela um tanto inverossímeis para a idade, contudo, devido a certas circunstâncias atenuantes, isso não invalida a personagem.

Há algumas partes no livro, inclusive, que podem soar um tanto quanto eróticas, mas, confiando na inocência infanto-juvenil da época provavelmente, isso passa despercebido. Entretanto, isso é mais uma percepção minha mesmo, por exemplo, em alguns momentos fica implícito no texto como se Isabel estivesse se masturbando enquanto pensa em Cristiano. Isso, claro, é interpretativo e, na época em que li as primeiras vezes, não me apercebi desse fato. Contudo, quanto mais vamos lendo e ampliando nosso olhar, mais esse tipo de coisa acaba sobressaindo e acabamos por aprender a ler o que não está escrito.

Gosto muito da concepção poética desse livro, são textos muito bons que me acompanharam em boa parte da vida. Além disso, a própria construção, desconstrução e reconstrução de Isabel ao longo das páginas é muito interessante de acompanhar, especialmente o modo como ela lida com a autoimagem e como isso nos é apresentado no livro, sem descrição da personagem além de alguns parcos elementos. De longe, Fernando é meu personagem favorito, gosto muito do jeito dele, não me recordo se foi só agora ou antes também era assim, mas o casalzinho Cristiano e Rosana me soava bem irritante. 

No geral, esse livro é encantador para o público de qualquer idade. Capaz de prender a gente na narrativa e oferecer uma boa dose do drama adolescente de uma forma elegante que não soa ridícula (e ao mesmo tempo soa rsrs). E isso é muito legal. Me sinto animada para a minha próxima leitura. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

[Drama] Taxi Driver

Título original: 모범택시

Roteirista: Oh Sang Ho, Lee Ji Hyun

Diretor: Park Joon Woo

Gêneros: Ação, Suspense, Thriller, Mistério, Crime, Drama

Ano: 2021

País: Coreia do Sul

Episódios: 16

Classificação do Conteúdo: 18+ Restrito (violência e palavrões)

Sinopse: A história de um misterioso serviço de táxi que se vinga em nome de vítimas que não conseguem obter justiça da lei.

Kim Do Ki é um motorista misterioso de uma empresa de táxi cuja mãe foi assassinada. Kang Ha Na é um advogado apaixonado.

Go Eun é especialista em TI, enquanto outros a consideram uma hacker. Junto com Kim Do Ki, ela trabalha como parte da Rainbow Taxi Company para resolver os problemas das pessoas.

(Fonte: Soompi)

A frota de táxis Arco-Íris aparenta ser uma empresa comum no serviço de locomoção de aluguel e seu proprietário, um senhor que também é presidente de uma instituição de caridade focada em ajudar pessoas que sofreram traumas relacionados a crimes violentos sem punição, está fora de qualquer tipo de suspeita. Além disso, trabalha diretamente dentro do departamento de polícia e é amigo próximo do superintendente da promotoria. O que se esconde nos túneis secretos da companhia de táxi é o serviço de táxi de luxo que visa nas sombras levar justiça às vítimas esquecidas pela lei.

Kim Do Ki é um taxista dessa companhia, quando sua mãe foi assassinada por um serial killer que acabou se suicidando na cadeia, a vida do jovem ficou completamente sem propósito, especialmente pela sensação de impunidade que ele sentia, mesmo que o culpado houvesse sido preso e condenado. Ele é o motorista do táxi de luxo e executor direto das vinganças, além do braço direito da mente por trás de toda a companhia, Jang Sung Chul. Ao seu lado trabalham Go Eum, uma especialista em TI que comanda as operações e cuida de todos os aparatos tecnológicos envolvidos na comunicação, envolvimento técnico e hakers. A dupla Choi Kyung Goo e Park Jin Eon completam a equipe como engenheiros mecânicos responsáveis pela manutenção do táxi e seus aperfeiçoamentos.

Contudo, quando um assassino pedófilo sai da cadeia e é pego pelo táxi de luxo, a companhia de táxi arco-íris entra na mira de Kang Ha Na, uma obstinada promotora de justiça cega pela lei. Ao lado de seu assistente e melhor amigo Wang Min Ho, ela começa a perseguir os rastros de Kim Do Ki (embora ele não deixe praticamente nenhum haha) na busca dos criminosos que, a seu ver, deveriam receber punição pela lei. Ela é incapaz de entender o lado das vítimas, trancada em sua ótica limitada de justiça. Mas mesmo chegando a Do Ki, ela não consegue provas de que ele ou os seus estão envolvidos nos casos, sobretudo por causa de Go Eum e do senhor Jang.

Apenas quando seu assistente é brutamente assassinado por um criminoso envolvido em tráfico de órgãos, Kang Ha Na, agora na posição de vítima, consegue enxergar a realidade da lei que tanto defende e é incapaz de condenar o homem que matou Min Ho. Psicologicamente exausta e cega pela dor, ela acaba recorrendo ao serviço de táxi para se vingar e conseguir pôr as mãos no assassino do seu melhor amigo. Assim, ela começa a se inteirar do mundo real além dos muros da promotoria, lugares onde a sua justiça não é capaz de alcançar e pessoas que ela não consegue proteger. E, de inimiga, ela finda por se tonar defensora de Kim Do Ki.

Em uma trama de relações onde não se pode confiar em ninguém, o que Kim Do Ki pode fazer quando sua equipe é traída e passa a ficar por um fio? Além disso, o trabalho dos táxis é descoberto e ele se torna o principal suspeito de ser cúmplice de uma das mulheres mais perigosas da Coréia. Poderá Kan Ha Na ajudá-los a se isentar da culpa e continuar seu trabalho como os heróis silenciosos da noite ou é o fim do serviço de táxi da vingança?

Confessar que comecei a ver esse drama ali bem no comecinho, quando tinham apenas quatro episódios lançados. Eu não curto acompanhar dramas em andamento, mas estou numa crise séria de começar séries e não conseguir terminar pela pura falta de motivação mesmo, nada mais tem conseguido me prender, então a premissa de Taxi Driver aliada à beleza de Lee Je Hoon e sequências de ação muito bem coreografadas era o que eu estava precisando para me manter atenta nas quartas feiras que não havia nada mais me prendendo. É sério, eu tenho tipo uns sete dramas faltando poucos capítulos para terminar, mas a vontade de continuar é nenhuma.

Quando você pensa que não pode se surpreender com a criatividade dos asiáticos eis que a Coréia nos aparece com um plot desse, um serviço de táxi que se vinga pelo cliente! Não poderia ser mais inusitado e mais atraente em uma mistura de drama policial com ação em que os personagens principais são os mocinhos na margem da lei. E sim, é muito difícil não ficar ao lado deles apesar de seus modos nada ortodoxos de fazer justiça.

Durante o drama somos apresentados a pequenas histórias que vão se desenrolando nos capítulos atreladas as histórias dos próprios membros da equipe de táxi arco-íris. Apontando falhas severas na lei coreana, como acontece em boa parte dos dramas desse gênero, reafirmo que a Coréia sabe como criar vilões odiosos. Esse drama tem um catálogo do pior tipo deles e tudo que você deseja conforme Kim Do Ki inicia sua vingança é que eles apanhem, muito! Por tratar de temas pesados e ter violência, mesmo não abertamente explícita (e se esse drama fosse da OCN eu não teria conseguido passar do capítulo 2!) o drama é considerado +18 para a lei coreana, mas aqui caberia bem um +14 ou +16 já que não considero ele tão chocante visualmente (se eu consegui assistir qualquer um consegue!)

As histórias são peças maravilhosamente bem criadas e encaixadas no quebra-cabeça que forma táxi driver e se convergem com maestria nos últimos episódios. Confesso que, ali pelo capítulo dez, comecei a acreditar que o final desse drama ia ser bem ruim e já estava me preparando para abandoná-lo, contudo fui muito surpreendida (apesar dos quatro capítulos de inferno que tive de aguentar até o desfecho) tirando algumas pequenas coisas que considerei um tanto injustas, o final é satisfatório, muito bom e deixa abertura para uma segunda temporada que eu torço muito que tenha! Especialmente pelo meu shipp Go Eum e Do Ki que quero muito ver fechadinho!

Se você está procurando um drama com uma vibe diferente, recheado de ação e com histórias marcantes, além de uma penca de personagens incrivelmente bem construídas, mais que recomendado Táxi Driver!

Onde Achar: DramaFansubs, Kingdom Fansubs

domingo, 30 de maio de 2021

[BL] HIStory 4 - Close to You

Título original: HIStory4-近距離愛上你

Roteirista: Shao Hui Ting

Diretor: Nancy Chen

Gêneros: Comédia, Romance

País: Taiwan

Episódios: 20

Ano: 2021

Classificação do Conteúdo: 15+ - 15 anos ou mais (Insinuação sexual)

Sinopse: Xiao Licheng (Shancun) é o gerente do departamento comercial de uma empresa e busca conquistar Liu Meifang (XinLing), uma garota fujoshi que é o seu primeiro amor. Por conta disso, ele se junta a Teng Muren (Li’an) para formar um casal BL falso e chamar a atenção dela.Mas ele acaba se apaixonando por Mu Ren.

Fu Yong Jie é um estudante de medicina que tem duas faces - uma para o público e outra privada, especialmente para com seu meio-irmão mais velho, que é inocente e afetuoso. Vamos vê-los se apaixonar.

No começo eu não ia ver esse drama, pelo menos não estava nos planos haha, mas eu ando com tanta dificuldade de me prender em alguma coisa que acabei indo ver por curiosidade e maratonei! Por aí vocês tiram quão bom ele é.

Xiao Licheng, Teng Muren e Ye Xing Si são conhecidos como o trio de ferro da empresa de casamentos na qual trabalham, eles são diretores de setores importantes da empresa além de muito bonitos. Mesmo sendo sociável, lindo e carismático, Licheng não consegue superar a beleza de Teng Muran quando o assunto é atenção feminina, toda a empresa é louca por ele, mas o jovem diretor é fechado, frio e sempre muito direto, apesar de esconder um coração sensível. Eles são três melhores amigos que compartilham uma casa e uma relação fraternal invejável. 

Quando Liu Meifang vem trabalhar no setor de design da empresa, Xiao Licheng tem um colapso ao reconhecê-la como seu primeiro amor de infância. Não demora muito para que peça ajuda aos amigos a fim de se aproximar dela. Ele não contava que, devido a sua imaturidade na infâcia, ela guarde muitas mágoas a seu respeito e mine qualquer tentativa sua de se aproximar.

Frustrado, Licheng começa a observá-la e percebe que ela ficou muito próxima de uma das funcionárias e setor, então decide sondar a mulher e acaba por descobrir que Meifang é uma aficionada por BL. Sem saber o que é, ele se passa por fã também para poder se aproximar dela e ter assunto para conversar, o negócio é que ele não fazia ideia do que era BL (kkkkkkk) e descobrir não ajudou muito a situação.

Como saída, ele acabou mentindo para ela dizendo que estava interessado em Teng Muren quando ela percebeu que a proximidade deles era muito grande e os dois se completavam muito bem. Mas o amigo não ficou nada satisfeito quando descobriu sobre o plano, ainda assim aceitou ajudar e se passar por namorado falso de Licheng.

O problema é que, quanto mais o fingimento aumentava, mais os sentimentos de ambos se tornavam confusos. Será possível a amizade evoluir para algo mais?

Por outro lado, Ye Xing Si esconde de todos sua orientação sexual com medo de não ser aceito, inclusive pelos amigos. Porém, quando Teng Muren é atacado por um garoto misterioso, ele vem a descobrir que seu irmão Fu Yonjie bateu no seu amigo por ciúmes dele. Mesmo não tendo relação de sangue e serem irmãos apenas por causa do casamento de seus pais viúvos, a tensão de sentimentos entre eles se torna cada vez mais difícil de controlar, mas como dizer a verdade aos pais e, sobretudo, aceitar os sentimentos pelo seu irmão caçula?

Conheci a franquia HIStory por acaso, não são todos os arcos que curtos, o obsessed, my hero, por exemplo, são arcos que não curti muito. Até então, meu arco favorito era o Crossing The Line porque eu achava muito amorzinho, até gostei do Trapped, mas não ao ponto de achar o melhor arco.

Contudo, esse quarto arco da franquia parece ter reunido as melhores partes dos melhores arcos de maneira dez mil vezes melhorada porque aqui além de uma dose de comédia equilibrada com pontos de drama bem distribuídos e personagens cativantes além de maravilhosamente construído tem um plot que eu super amo que é amigos que se apaixonam!

Logo que o Tan Muren e o Xiao Licheng apareceram de cara a interação deles não me fez shippar e isso é muito bom, porque você vai se apaixonando com eles conforme a relação dos dois evolui, é uma experiência maravilhosa e tão intensa que eu queria esquecer o drama para ver de novo e sentir novamente. Certo que tem aquela questão da possessividade bem comum nos BLs que gera discussão e divide opiniões e mesmo que o Licheng se mostre algumas vezes um pouco além do limite, eu não senti exatamente um lado perigoso nesse ponto. E shippei horrores os dois. 

A química entre esses dois foi explosiva chegando, a meu ver, a superar trapped. Quando eles apareciam roubavam a cena, não apenas com uma atuação excelente que representava com maestria suas personagens, mas a interação dos dois que era realista, consistente e muito, MUITO FOFA! Enquanto Teng Mure tinha aquela fachada fria e séria, mas no fundo era um coração mole muito docinho (apesar de ter uma fase de eu querer dar na cara dele), Xiao Licheng começou parecendo um galinha, mas se mostrou o homem mais fofo dos BLs, ele era uma mistura de P'Dean com Tharn e um toque de Tang Yi que, mano! Sem falar naquele sorrisinho adorável que ele tinha.

Já o mesmo eu não posso dizer de Ye Xing e Yonjie. Não shippei, achava o Yonjie até mesmo um tanto sociopata e manipulador. Aquela cena de ele embebear o irmão e dormir com ele foi o estopim pra estragar de vez o casal. O fato de eles serem "irmãos" nem me incomodou tanto já que não havia qualquer tipo ou suspeita de laço sanguíneo, então eles eram praticamente estranhos acoplados por casamento na mesma casa. Não vi problema real em relação a isso, foi o mesmo caso de Ani Ni Aisaresugitte Komattemasu. 

A coisa é que eles realmente não tinham tempero. Era uma relação tão morna que só o que segurava eles em cena era o conflito familiar mesmo. Teng Muren e Xiao Licheng levaram esse drama nas costas. Isso, claro, é o meu ponto de vista. 

E o que me deixou ainda mais satisfeita com o arco foi o final bonitinho e redondinho dele. Deu aquela sensação de conclusão ao mesmo tempo que deixou aquele gostinho de querer mais sem qualquer sombra de frustração. AMEI. Mais que recomendo!

sexta-feira, 28 de maio de 2021

[Anime] The Demonic King Who Chases His Wife (Xie Wang Zhui Qi) 1ª Temporada

 

Título Original: 邪王追妻

Ano: 2019

País: China

Episódios: 13

Gêneros: Ação , Comédia , Drama , Romance , Artes Marciais , Fantasia

Classificação: PG-13 (violência)

Sinopse: Ela, uma assassina renomada do século 21, na verdade atravessou para se tornar a mais inútil quarta miss inútil da Manor Su Manor. 

Ele, a alteza imperial do Império Jin, era um tirano demoníaco dominador de emoções com talento inigualável. 

Todos sabiam que ela era e inútil e a intimidavam como quisessem. Mas só ele, o tirano arrogante com o olho criterioso, não a deixaria ir, mesmo que sua vida dependesse disso. 

Por enquanto, vamos ver como o teimoso versus teimoso se choca e joga neste bom show do caçador e do perseguido.

Su Luo é a ladra mais talentosa de sua corporação. Contudo, o mundo perigoso em que vive não lhe permite viver o amor que sente por seu parceiro de crime, Qi Yun. Mas isso está prestes a mudar quando eles são incumbidos de roubar um artefato antigo, depois disso ela tinha esperança que conseguiriam sair da corporação e viver suas vidas longe de tudo aquilo, o que não esperava era ser traída por Qi Yun.

Quando fogem com o anel, ele a apunhala no estômago para conseguir a joia e se consolidar como o maior nome dentro da corporação, mas ele tampouco contava com a inteligência de Su Luo que, furiosa e magoada, pulou com o anel no mar. Nenhum deles sabia que o anel era mágico e, ao morrer no século XXI, ela foi transportada para o passado no corpo de uma jovem de baixa nobreza prometida ao príncipe herdeiro do império Jin.

 O negócio é que ela ela renasceu como a Quarta Dama mais inútil da Residência Su dentro da Terra Bi Luo, desprezada por todos incluindo a própria família. Além disso, ela tem uma irmã que é amante do príncipe herdeiro - que, deixo registrado aqui, é um babaca - e quer a todo custo tirar a irmã do jogo para poder ficar com o príncipe para ela.

A única pessoa que parece apoiá-la é o príncipe Jin, irmão do herdeiro. Ele é um tanto quanto arrogante e adora implicar com ela, mas parece ser sua única saída além de ser um dos únicos que está realmente disposto a guiá-la para atingir seu máximo potencial como uma mestre do espaço-tempo, um poder há muito adormecido naquele mundo. 

Enquanto os dois convivem naquele mundo em busca do despertar de Su Luo, seus sentimentos também vão evoluindo, mas será que o segredo que Jin Wang carrega consigo poderá manter a fé que Su Luo constrói nele?

Esse foi um daqueles animes que me venderam como uma coisa e no fim eram outra, eu vi ele num MV não lembro se no tiktok ou no instagram, mas super fui achando que era uma super fantasia e acabei ganhando um romance meio... né? Aquele começo meio Bu Bu Jin Xin foi muito "oi?" e o fato dos capítulos serem muito curtos dão a impressão que a história é mal desenvolvida.

A personagem principal tem seus pontos fortes, mas em boa parte eu achava ela muito chata. O relacionamento dela com Jin Wang é até bonitinho aquele lance de provocação e companheirismo e você começa gradualmente a ver que ele se importa com ela, mas né... 

Tiveram umas partes muito pesadas nesse primeiro arco, a tortura da criada dela foi de revirar o estômago, eu me lembrei muito de Corpse Party naquela cena, foi indigesta e cruel, além disso não achei que os pais ou a irmã dela - que mereciam uma punição - receberam o que lhes cabia, fiquei indignada. 

No demais, não gostei muito não, vi que tem uma segunda temporada já lançada, mas não me sinto inclinada a ver.

sábado, 22 de maio de 2021

[BL] Manner of Death

Título original: พฤติการณ์ที่ตาย

Também conhecido como: Manner of Deathพฤติการณ์ที่ตาย , Manner of Death The Series , Manner of Death: A Série , Manner of Death , O Mistério dos Mortos

Diretor: Chookiat Sakveerakul, Aum Natthaphong Aroonnet

Roteirista: Nirattisai Ratphithak

Gêneros: Suspense, Mistério, Romance, Crime

País: Tailândia

Episódios: 14

Ano: 2020

Classificação do Conteúdo: 18+ Restrito (violência e palavrões)

Sinopse: O Dr. Bunnakit é um médico legista que trabalha em um hospital provincial. Um dia, após realizar uma autópsia no corpo de uma mulher que aparentemente se enforcou, o Dr. descarta o suicídio, pois suas descobertas apontam para homicídio. Sua conclusão de repente o torna alvo de alguém muito poderoso.

Quando um homem anônimo invade sua casa e o ameaça a mudar sua denúncia para suicídio, o Dr. Bunnakit decide não levar a sério a ameaça. Mas tudo muda quando um de seus amigos, um promotor público, desaparece de repente. O Dr. conduz, paralelamente,  sua própria investigação a fim de chegar à verdade. Todas as pistas levam a um suspeito, um homem chamado Tan, que nega qualquer envolvimento. Porém Tan convence o Dr. Bunnakit a unir-se a ele, a fim de encontrar o verdadeiro assassino.

Onde encontrar: P'Tieris Fansub, Meow Fansub, Lianhua Fansub, Kingdom Fansub

Está aí um BL perfeito para quem quer fugir do lugar comum e passear por um universo onde as personagens não estudam engenharia (ahaahaha). Manner of Death, ou causa da morte em português, é um BL tailandês  baseado em uma novel homônima que tem como estrelas o casalzinho queridinho das fujoshis Max e Tul (que recentemente foi devidamente quebrado pelo anuncio corajoso de namoro do Max).

A trama vai se passar em uma pequena cidade interiorana para onde o Dr. Bun (Tul) está regressando após muitos anos para ocupar o posto de médico legista. Tão logo ele chega a essa cidadela, ele reencontra Jane, sua melhor amiga, e é presenteado com o cadáver de uma jovem estudante - que por sinal é aluna de Jane - que ele descobre ter sido assassinada vítima de drogas e atividades sexuais envolvendo violência. Contudo, até um primeiro momento, parecia só mais uma garota vítima de um troglodita.

Saindo com os amigos para uma boate na cidade, o doutor Bun acaba bêbado e tropeça em Tan, um misterioso homem que é professor de biologia na mesma escola que Jane. Ele acaba beijando o homem sem muitas reservas e acorda com uma violenta ressaca na casa dele. O problema é quando em um evento da cidade ele encontra esse mesmo sujeito na companhia de Jane e acaba achando que os dois são namorados, bem nessa noite, Tan acaba se envolvendo em uma briga com o irmão Pued aparentemente por causa de Jane.

No dia seguinte, sua melhor amiga é encontrada morta.

Chocado, revoltado, triste, Bun é o responsável por fazer a autópsia dela e descobre os mesmos traços de violência da aluna de Jane em sua amiga, logo, apesar de tudo ter sido montado para forjar um suicídio, ele conclui que Jane foi assassinada. Com essa afirmação em mente, ele insiste em impedir que a polícia arquive o caso e isso o coloca na mira de pessoas perigosas que tem o intuito de silenciá-lo.

Enquanto isso, Sorawit nota que sua amiga Nam está agindo de modo estranho. Enquanto tenta investigar o que está acontecendo com ele acaba pedindo a ajuda de That, um subordinado de Tan. O Dr. Bun, ainda desconfiado que Tan tem alguma coisa a ver com a morte de sua melhor amiga começa a confrontá-lo, mas é ironicamente salvo por ele diversas vezes e os dois acabam unindo forças para descobrir a verdade. Seguindo o rastro de Nam e as pistas que Jane deixou para trás eles vão descobrir um submundo macabro na cidade manipulado pelos altos escalões de poder.

Sem poder confiar em ninguém e com suas vidas em risco, Bun e Tan terão como única arma a inteligência, suas poucas conexões e o amor um do outro para sobreviver.

Confessar que no início eu estava um tanto receosa de ver esse BL, eu já tinha visto Together With Me com esse casal e não curti muito, todavia, a premissa diferentona do drama acabou me atraindo e decidi dar uma chance. Ainda acho que Max e Tul não tem essa química toda em cena, fica claro que eles se sentem confortáveis um com o outro, mas de resto é só fan service mesmo. Desde TWM eu não acho esse calor deles nada genuíno então fica bem difícil comprar os dois como casal. Isso, claro, é opinião minha.

A história, porém, foi adaptada de modo tão bem feito (e eu não li a novel, então me refiro apenas a produção) que o romance dos dois se torna uma consequência e não o foco. Além do outro diferencial de ser um único casal em foco. A direção acertou em cheio colocando sempre planos frios que mergulham a gente naquele clima de tensão, suspense e melancolia, o jogo de personagens que não são o que parecem também foi trabalhado de forma excepcional. E os plot twists são de te deixar pasmo.

Tudo é bem encadeado e por mais que em determinado momento não pareça que vá ter, o final é sim feliz, com algumas pequenas coisas que deixam a gente meio frustrado como o final de alguns vilões. Todavia, vale muito a pena a experiência, é um suspense bem construído, com personagens bons, o elenco não é de todo ruim, dando boas interpretações, alguns soam bem artificiais, mas em geral a maioria se sai bem. 

Vale salientar que esse aviso de +18 não é em vão. Apesar de não ser um drama explícito, tal como acontece em Precisamos falar sobre Kevin, a violência está nos detalhes e é uma produção que fala de temas muito pesados como estupro, tráfico sexual, aborto ilegal, e tem algumas cenas de violência também. No caso dos palavrões eu não senti tanto talvez porque o pessoal que legendou amenizou a legenda (a propósito, obrigada por isso!). 

Eu gostei muito do drama, foge do lugar comum na maioria dos BLs, sabe trazer os temas de forma pertinente e encadeá-los de maneira adequada, mantêm a gente preso em clima constante de suspense e funciona muito bem como romance em segundo plano. Recomendo!

[Livro] História de 50 Metros

 

Autor: Luiz Henrique F. Cunha

Ano: 2015

Páginas: 133

Gênero: Antologia

Onde Encontrar: Amazon

1. Leia se puder, se não puder esqueça

Nesse conto somos convidados a compartilhar das ideias de uma personagem que não quer ser personagem, mas quer saltar das páginas e, por ser personagem e não autor, não sabe contar história, mas conta apenas o que vê, nisso nos provoca, provoca nossa existência e pensamento crítico numa sociedade cada vez mais automática. Com uma prosa poética e até mesmo filosófica, essa personagem sem forma e nome nos faz perceber aquilo que nos passa batido por manter os olhos sempre nas telas e não na realidade que nos cerca. Afinal, quanto em nós é humano e quanto já é máquina fria e sem empatia?

"Todos estão ocupados em ser protagonistas de uma história de sucesso, aventura, amor verdadeiro, desilusão plena ou comédia pura. Aceitam figurantes e coadjuvantes sem problemas."

Até onde estamos sendo verdadeiros autores da nossa história? Será que não estamos apenas sendo protagonistas de algo escrito por outra pessoa que sequer sabe nossos sonhos e ambições (se é que os temos)? Forçando-nos a nos encaixar em um estereótipo que nos torna aceitos, mas não autênticos? E, sobretudo, esse foco todo no 'eu' que despreza e ignora o outro, o 'nós' acaba nos tornando ferramentas de um mundo materialista e egocêntrico que culminará na aniquilação de nós por nós mesmos.

"Os olhos presos ao celular nos roubam vozes ao redor, paisagens, pessoas que não vimos há tempos. Mas não devemos julgar quem perde paisagens tão cinzas, pessoas tão repetidas e vozes que revelam almas vazias." 

Ao dizer que deseja ser esquecido - e afirmar que de fato o será - o personagem não deseja ser figura nesse mundo indiferente ao mesmo tempo em que deseja viver e, nesse paradoxo, nós começamos a nos questionar se estamos realmente lendo um personagem ou o personagem está nos lendo. Quem está de que lado? E até que ponto nossa indiferença está tornando dispensáveis pessoas, momentos, experiências em prol do mundo ilusório que criamos diante de nós nos displays?

2. História de 50 Metros

"E tentava responder a si mesmo o porquê de tantas lágrimas. Por mais que exagerasse no uso de palavras e enumerasse milhões de causas, no fim, "existir" parecia motivo suficiente."

Essa é uma prosa poética filosófica que usa de simbolismos para representar indagações humanas sem realmente respondê-las e, ao mesmo tempo, respondendo-as nos dando o caminho de encontrar nossas próprias resoluções. Uma personagem vai atravessando uma rua e se depara com um copo atrás de uma árvore, naqueles poucos metros que separam ela do objeto e do seu destino, ela cria uma história cheia de simbolismos imersa em filosofia que nos arremata em uma viagem na psique humana.

De início parece um tanto quanto desconexo e sem sentido, mas quando você começa a mergulhar no texto e entender suas nuances e os simbolismos nos apresentados, começa a perceber o turbilhão de emoções entre as linhas. Mais ou menos quando você se pega parado sem vontade de nada e começa a divagar sobre a vida e você mesmo. 

3. Crônicas

Engana-se quem pensa que escrever contos e crônicas é mais fácil que escrever um romance. Amigos, eu sou escritora, acredite em mim quando digo que escrever um conto exige muito mais de você que um romance de 500 páginas. São sete contos que abordam situações diversas e refletem sobre a vida, o eu, o nós, o mundo. Precisos, diretos, surpreendentes, com alguma dose de humor em determinadas partes e sem abrir mão da prosa poética envolvente do professor.

Gostei muito do livro como um todo, Uma viagem externa-interna que nos leva a levantar reflexões e nos força a pensar.


sábado, 15 de maio de 2021

[Livro] O Hobbit

 

Título Original: The Hobbit

Autor: J. R.R. Tolkien

Páginas: 400

Sinopse: Bilbo Bolseiro era um dos mais respeitáveis hobbits de todo o Condado até que, um dia, o mago Gandalf bate à sua porta. A partir de então, toda sua vida pacata e campestre soprando anéis de fumaça com seu belo cachimbo começa a mudar. Ele é convocado a participar de uma aventura por ninguém menos do que Thorin Escudo-de-Carvalho, um príncipe do poderoso povo dos Anãos.

Esta jornada fará Bilbo, Gandalf e 13 anãos atravessarem a Terra-média, passando por inúmeros perigos, sejam eles, os imensos trols, as Montanhas Nevoentas infestadas de gobelins ou a muito antiga e misteriosa Trevamata, até chegarem (se conseguirem) na Montanha Solitária. Lá está um incalculável tesouro, mas há um porém. Deitado em cima dele está Smaug, o Dourado, um dragão malicioso que... bem, você terá que ler e descobrir.

Bilbo Bolseiro estava feliz na sua pacífica vida no Vale em sua toca de hobbit até um belo dia receber a inconveniente visita de um mago que estava de passagem perguntando-lhe se ele estava disposto a ir em uma aventura. Claro que, na sua idade, o hobbit recusa o convite e diz que não está interessado, o que ele não podia esperar era que o mago aceitasse sua recusa e, ainda naquele fim de dia, uma verdadeira convenção de anões se formou na sua casa.

Em meio as conversas entre eles, Bilbo se via mais e mais interessado na jornada, a ideia era atravessar a terra média até a Montanha de Smaug, antigo lar dos anãos, onde estava escondido um enorme tesouro roubado que os anãos queriam de volta. A tarefa de Bilbo nessa jornada? Um ladrão. Para ele, deixar sua vida confortável e pacífica para se meter em uma empreitada sem segurança de retorno era improvável estava fora de cogitação, mas por alguma razão ele acaba no meio dessa jornada com a roupa do corpo e, pasmem, sem um lenço!

No percorrer do tortuoso caminho que fazem pelas florestas negras, vales povoados de trolls e elfos, gobelins e aranhas gigantes (entre outros perigos iguais ou piores), Bilbo começa não apenas a repensar sobre seu papel naquela aventura como a gostar dele (e desgostar algumas vezes) se vendo modificar conforme se torna o único capaz de ajudar os anãos em momentos de real necessidade e, no fim, sua recompensa não foi outra senão a própria evolução como pessoa e a expansão do seu mundo pessoal.

"Se mais de nós dessem valor à comida, à alegria e às canções acima do ouro entesourado, este seria um mundo mais feliz."

Confesso que O Hobbit foi um pouco diferente do que eu imaginava e em muitas partes do jeito bom. A primeira coisa que me encantou no livro foi a maneira como ele é narrado, de forma quase fabulesca, e de alguma forma essa não deixa de ser uma fábula para adultos, aquela fantasia com gosto de infância que carrega nas entrelinhas reflexões válidas sobre a vida e nossa postura diante dela.

Já começa que esse livro, apesar de ser uma verdadeira escola sobre a jornada do herói, não se trata, propriamente, de um herói, pelo menos não de um como geralmente nos vem à cabeça quando pensamos na palavra. E é justamente essa simplicidade e o estado perdido do Bilbo que é a jogada de mestre do autor, porque isso nos faz automaticamente traçar um paralelo com a nossa própria tragetória e o quanto evoluímos com ela.

Nós acompanhamos a jornada de um grupo para roubar um dragão sob aquela velha ideia que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão", e ainda mais, um grupo que está unicamente focado no tesouro ao seu alcance e não no obstáculo e certamente não nas pessoas que podem ser implicadas graças aos seus atos. Isso é claro e exemplificado ao longo de quase todo o livro. Isso torna o que a gente está lendo de alguma forma verossímil porque não estamos acompanhando os amiguinhos da justiça se é que se pode colocar dessa forma.

E as surpresas do livro não são mirabolantes plot twists, mas reflexos das próprias ações das personagens em prol dos próprios objetivos, é isso que torna o livro tão bom, ao mesmo tempo em que mostra a amizade, a lealdade e o senso de autopreservação de modo livre dos estereótipos perfeitos e encaixados dos livros que costumamos ler, isso dentro de um universo mágico. É simplesmente magistral. Caso eu não esteja me fazendo clara, vou exemplifcar, em determinado momento crítico, personagem X mesmo pensando no que precisa fazer pelos outros, tenta ver aquilo, antes, pela perspectiva do que é melhor para ele e do que lhe gera menos ou nenhum dano. Sem heroísmos altruístas. 

Além disso, a história levanta, de maneira muito sutil, várias reflexões a respeito da natureza humana e sua postura diante de algumas situações. Isso acaba te forçando a se posicionar a respeito, talvez graças a esses fatos reunidos, o Hobbit siga como um clássico atemporal da alta fantasia. Acompanhar a evolução de Bilbo ao longo das páginas é sentir dentro de nós alguma evolução também, do mesmo modo que ele não sai o mesmo de todas aquelas provações, nós igualmente somos mexidos quando fechamos as páginas de volta a casa da realidade.

Recebemos o convite de abrir a porta e experienciar a aventura de viver, expandir também o nosso mundo, escapar da bolha de conforto e sofrer provações, dificuldades, mas encará-las (mesmo com certa rabujice) como uma forma de crescer, de aprender, de nos expormos a ideias e universos diferentes do nosso modelo padrão e quadrado com apenas um tipo de certo e errado. Assim como Bilbo, somos chamados a pensar nos nossos obstáculos com inteligência e mesmo diante do esmorecer e do desânimo, continuar firmes na busca do nosso 'momento Eureka'.

Em relação aos filmes, eu sempre faço a resenha dos livros e linko as adaptações no mesmo post. A coisa é que não estou muito inclinada a assistir as adaptações desse livro. Sei lá, só pelo trailer eu já vi que mudaram muita coisa então ainda estou pensando o assunto. Caso acoteça, eu faço uma resenha separada dizendo o que achei!

sexta-feira, 14 de maio de 2021

[BL] The Wedding of Nobleman Yu

Título Original: 류선비의 혼례식

País: Coreia do Sul

Episódios: 8

Ano: 2021

Gêneros: Histórico, Comédia, Romance, Drama

Sinopse: Na noite de núpcias, Ryu descobre que na verdade se casou com Ki Wan, irmão de sua noiva, que fugiu. Ele quer anular o casamento, mas sua mãe o impede e  eles tem que sustentar a relação! Acontece que Tae-Ho, colega de Ryu, se apaixona por Ki Wan.

Por sorte, quando fui ver esse drama não estava com expectativas tão altas, simplesmente juntei minha irmã na frente do computador e começamos a assistir sem esperar demais. Temos alguns rostinhos conhecidos por aqui, o Jang Eui Soo de Where Your Eyes Linger faz uma aparição bem especial no drama que ainda conta com Kang In Soo (Wish You) e Lee Se Jin (Pacemaker for Him) o que mostra que a indústria do BL na Coréia está criando raízes e o que falta de verdade é coragem de criar produções que firmem de vez o gênero no país parando de fazer esses dramas de oito episódios que mal tem vinte minutos, obrigada.

Na história, nós acompanhamos Ki Wan, um jovem nobre cuja irmã estava prometida a Ryu, contudo, ela foge na noite anterior ao casamento e deixa o irmão em maus bocados. Conversando com o pai, Ki Wan não vê outra saída além de se passar pela irmã para não trazer ruína para a família. Assim, ele se veste de mulher e se casa com Ryu. Na noite de núpcias ele conta ao nobre que é um homem, mas de tão bêbado que está, Ryu não escuta e acaba pegando no sono. Quando acorda, depara-se com a realidade de que está casado com um homem.

Imediatamente ele pensa em cancelar o casamento, mas Ki Wan pede que o ajude a encontrar sua irmã e após isso tudo voltará ao normal, mesmo relutando inicialmente, ele acaba aceitando e os dois começam a fingir ser um casal enquanto investigam o que aconteceu com a irmã de Ki Wan. Em meio as adversidades que enfrenta fingindo ser uma mulher, Ki Wan precisa enfrentar o ciúme da irmã mais nova de Ryu que começa a fazer da sua vida um inferno, a se esconder de sua sogra e, sobretudo, despistar Tae Ho, um amigo de Ryu que se apaixona por ele.

Todavia, seu maior desafio é aceitar os sentimentos que começa a nutrir por Ryu e que este admite sentir por ele. Quando sua irmã finalmente volta para casa, qual será o destino dos dois?

Confesso que o drama não foi nada do que eu esperava. Na época, pela sinopse, eu achei que ia ser diferente, mas o fato de ter visto sem esperar muito acabou ajudando a não sair decepcionada. No quesito atuação continuamos mantendo um padrão muito bom, surpreendentemente teve beijinho e a história - que poderia ter sido melhor desenvolvida - foi bem feita e bem amarrada no tempo que lhe foi dado. 

É um draminha leve, tem suas partes engraçadas e apesar de não empolgar tanto quanto WYEL e Color Rush, tem seus méritos. Recomendo.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

[Livro] A Noite das Bruxas (+Filme)

Título Original: Hallowe'en Party

Autora: Agatha Christie

Ano de publicação: 1969

Gêneros: Romance, Mistério, Romance policial, História de detetives, Ficção policial

Sinopse: Em uma festa de Dia das Bruxas organizada por Mrs. Ariadne Oliver, Joyce, uma adolescente com o costume de mentir para chamar a atenção, revela já ter testemunhado um assassinato. Ninguém acredita nela, mas, poucas horas depois, seu corpo é encontrado afogado próximo a uma bacia cheia de maçãs. Diante de um caso tão tenebroso, Mrs. Oliver decide pedir ajuda para a única pessoa que considera capaz de encontrar o culpado: Hercule Poirot.

Minha relação com Agatha Christie começou na escola, havia alguns livros dela por lá e eu aluguei o primeiro, Os Quatro Grandes, por curiosidade e me vi encantada pela prosa misteriosa e surpreendentemente simples no que se refere à linguagem. Lembro que este foi um dos livros dela que mais gostei, contudo, como já tem um tempo considerável desde que deixei a escola, foi uma alegria maravilhosa revisitá-lo em idade adulta.

Na trama, nós somos levados aos preparativos de uma inocente festa de halloween para crianças, organizada pela rica e controladora Sra. Drake, ao que parece, a líder da pequena sociedade. Na festa enconta-se Ariadne Oliver, a autora de livros policiais amiga de Hercule Poirot e comedora assídua de maçãs. Enquanto organizam a casa para o evento que ocorrerá à noite, em uma tentativa de impressionar Ariadne, uma das meninas da festa, Joyce, afirma ter visto um assassinato. Por ser uma mentirosa compulsiva e todos saberem disso, ninguém dá atenção a ela no começo por mais que a menina afirme que fala a verdade.

Minutos mais tarde ela é encontrada morta. Afogada no balde onde a brincadeira de pescar maçãs com a boca foi realizada.

O choque afeta a todos, sobretudo Ariadne, que fica abalada com o ocorrido e resolve chamar Poirot para ajudar a resolver. A primeira coisa que o detetive Belga averigua é a veracidade das palavras da garota, ora, se ela foi assassinada então sua afirmação de ter presenciado um assassinato não pode ser outra a não ser verdadeira, contudo todos afirmam e reafirmam que Joyce era mentirosa e não merecia crédito. Com a ajuda de Spence, um policial aposentado que mora com a irmã, ele levanta uma lista de pessoas mortas em circunstâncias estranhas nos últimos anos que poderiam ter sido presenciadas por Joyce.

A lista envolve a tia de Rowena Drake, uma senhora com problema de coração que morreu de ataque cardíaco. Essa mulher tinha uma criada estrangeira que cuidava dela, vinda para a Inglaterra por um programa de au pair, chamada Olga Seminoff, ela havia desaparecido após ser acusada de falsificar o codicilo do testamento da velha senhora no qual afirmava que ela deserdava a esposa do sobrinho  e deixava todos os seus bens para Olga. A outra morte envolvia um advogado que fora esfaqueado e cujo assassino jamais fora pego e por último uma professora primária que morrera afogada

Ajudado por Ariadne e alguns dos moradores locais, Poirot vai em busca da solução dessas mortes do passado para assim chegar ao assassino de Joyce, contudo, as coisas começam a se complicar quando o irmão da garota, Leopold, aparece afogado, assassinado pelo provável mesmo assassino da irmã. O cerco vai se fechando e as investigações se mostram mais perigosas, a prioridade de Poirot se torna proteger a próxima vítima do assassino enquanto uma suspeita improvável começa a rondar seus pensamentos.

Passado e presente se mesclam em uma trama cheia de ganância, preconceito, paixões doentias e unilaterais e a loucura narcisista de um assassino sem piedade.

Só revisitando esse livro eu percebi porque era um dos meus favoritos na história. Ao contrário da maioria dos fãs de Agatha em sua época, que amavam seus assassinatos sangrentos, eu gosto muito mais da forma lógica e inteligente que ela conduz a investigação daquele crime. Acho que isso vem muito da influência de programas como CSI que eu gostava de ver no início da adolescência.

A complexidade e o fato de inclusive de ter mais de uma morte no mesmo livro a ser investigada, torna a trama de Agatha não apenas instigante, mas deixa a gente querendo fazer ligações entre os casos e a morte da menina, o que ela poderia ter visto? Até onde ela poderia ter dito a verdade? E o que o irmão dela sabia para findar com o mesmo destino? Inclusive, fui pega de surpresa no desfecho por não me lembrar com nitidez do assassino de fato. Apesar de ter conseguido identificar um deles, o outro fiquei bem passada quando terminei. Agatha dispensa comentários e recomendações, mas deixo aqui minha recomendação por essa história apenas pelo fato de ser minha queridinha. Foi o livro que me introduziu no romance policial.

Falando agora da adaptação, a noite das bruxas apareceu na 12ª temporada da série Poirot, terceiro episódio. Como em toda a adaptação eles fizeram muitas mudanças no enredo. Foi uma "enxugada" por assim dizer. Introdução de personagens que não existiam e elipse de personagens que tinham um papel até importante na trama como Spence e sua irmã Elspet. Os cenários também foram diminuídos para um mesmo local, e mesmo a morte de algumas personagens foi modificada.

Talvez isso tenha sido uma desatenção minha, mas no que diz respeito à morte da professora primária, no livro não me lembro bem do aspecto da homossexualidade dela, talvez tenha ficado implícito e não prestei atenção nas sugestões, mas no filme essa questão foi tratada de modo claro, apesar de sutil. A resolução do caso teve várias mudanças em comparação ao livro e mesmo que David Sucher tenha sido uma representação fabulosa do detetive Belga, algo que realmente salva a produção como um todo, o livro é inegavelmente melhor.

Muitos detalhes foram alterados ou ficaram de fora. Personagens foram tirados e até mesmo a personalidade de algumas personagens foi drasticamente modificada. Ainda assim, o filme vale como um passatempo para fãs do livro.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

[Anime] Akagami no Shirayuki Hime (Snow White with the Red Hair)

Original: 赤髪の白雪姫

Roteiro Adaptado: Deko Akao

Autor: Sorata Akizuki

Direção: Masahiro Andō

Ano: 2015-2016

Episódios: 24 + 1 OVA

Sinopse: A história gira em torno de Shirayuki, uma bela garota de cabelos vermelhos que trabalha como uma médica, que é muito raro em seu país. Quando ela é pedida em casamento e perseguida pelo príncipe de seu país, ela foge, apenas para se encontrar com Zen, o príncipe de um país vizinho. Ao encontrar o respeito pelo jovem, ela decide servir ao seu lado como a sua médica da corte.

QUE ANIME MAIS ADORÁVEL!!! ESTOU VOMITANDO ARCO-ÍRIS, TENDO UMA HIPOGLICEMIA DE FOFURA!

Eu sei que ando bem sumida do blog, mas gente, além de nesse ano eu ter decidido que não ia fazer meta de nada, mas apenas me dedicaria às coisas que quisesse fazer, ler, assistir, whatever, tem sido difícil encontrar algo que me prenda, sabe? Comecei um monte de coisa e não me animo para terminar, não consigo ficar presa, sabe? Tá ruim. Fazia um tempão que não assistia um anime, porque também não achava nada que me animasse, o último foi Tian Guan Ci Fu que eu vi por curiosidade, como disse na resenha dele, então se vocês tiverem animes açuquinha como esse, por favor, indiquem, eu estou na seca.

A história segue Shirayuki (que em japonês significa literalmente Branca de Neve!), ela é uma herbalista muito talentosa (e aqui, herbalista seria como um boticário) e a única habitante em seu reino com cabelos vermelhos (nos reinos vizinhos também, ao que parece! Haha) e isso acaba chamando atenção do príncipe Raji, o herdeiro do trono de seu país, um jovem mimado, tolo e voluntarioso que coloca na cabeça que a quer como amante. Determinada a não deixar isso acontecer, Shirayuki foge para o reino vizinho, Wisteria, onde acaba conhecendo Zen por meio de um pequeno acidente.

Inicialmente, ela não sabe quem ele é, apenas que vem acompanhado de dois amigos. Os dois tem uma simpatia imediata um pelo outro, ela acaba contando a ele sua situação bem no momento que é encontrada pelos homens do príncipe Raj, Zen acaba comendo uma maçã envenenada que estava direcionada a ela e para salvá-lo, ela aceita ser levada até Raj como uma moeda de troca para conseguir o antídoto. Contudo, Zen - que tem uma fantástica resistência a venenos - acaba indo atrás dela e ameaça Raj com uma guerra se ele tentar levar Shirayuki à força.

Assim, ela acaba descobrindo que Zen é o segundo príncipe de Wisteria. Ele a leva para seu reino e Shirayuki se estabelece em uma pensão para começar a procurar um trabalho como herbalista, mas acaba descobrindo uma seleção para herbalista da corte onde apenas os melhores são aprovados, com intuito de ficar perto de Zen e retribuir a ajuda que ele lhe prestou, ela acaba imergindo em uma sessão de estudos rigorosa para fazer a prova e finda por ser aceita na corte como aprendiz. Seu carisma, coragem e desenvoltura a levam a conquistar amigos por onde quer que passe o que deixa o prínicipe Zen muito feliz.

Conforme convivem um com o outro, os dois acabam inevitavelmente aprofundando sua relação e os sentimentos vão gradativamente se transformando em algo mais forte. Contudo, o belo cabelo vermelhod e Shirayuki logo vai se mostrar um problema quando ela passa a ser cobiçada por pessoas ruins, ainda mais ao conseguir problemas com Izana, irmão mais velho de Zen e uma figura misteriosa e fria. Poderá o sentimento que os une prevalecer sobre todas as adversidades? Shirayuki será finalmente livre de verdade para ser quem é?

Gente, esse anime é muito amor! Eu li umas vinte listas de animes de todos os gêneros e já estava quase perdendo a esperança quando bati o olho na sinopse desse e decidi dar uma chance, não me arrependi! Ele mescla muito bem tensão, comédia e romance com personagens carismáticos, super bem construídos e com aquele jeitinho japonês de ser. Shirayuki é uma verdadeira heroína asiática, mesmo sendo frágil e não sabendo se defender muito bem, ela usa da sua inteligência e conhecimento para lutar em situações de risco e não apenas ficar esperando Zen vir buscá-la (e ele sempre vem hahaha).

O romance entre eles também é algo que merece destaque! Além de ser a coisa mais adorável que você verá no melhor estilo Kimi ni Todoke, é algo que surge muito naturalmente, começando com uma amizade sincera e sem pretensões, a um amor que cresce de forma gradual e a gente vai se apaixonando com eles, mas ao contrário de Kimi ni Todoke, aqui a gente não fica frustrado pela ausência de beijinhos hahaha (vá por mim, vale a pena!). Tive altos surtos conforme ia avançando os capítulos e se esse anime tem um defeito é não ter mais temporadas!

Pelo que pesquisei, o mangá no qual ele foi baseado ainda não está completo, mesma coisa que aconteceu com Akatsuki no Yona, temos um final aberto que super nos deixa com gostinho de quero mais. Inclusive, acho uma tristeza que eu não tenha sequer ouvido falar desse anime na época que ele foi lançado. É muito fofo e vale a pena ser conhecido e reconhecido, super recomendo para os fãs de um bom shoujo de comédia romântica fofa!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

[Drama] 1000 Stars

 

Título original: นิทานพันดาว

Também conhecido como: A Tale of Thousand Stars

Roteirista e Diretor: Backaof Aof Noppharnach

Roteirista: Pongset Laksamipong

Gêneros: Romance, Drama

Sinopse: Uma professora voluntária morre em um trágico acidente e seu coração é transplantado em Tian. Através de uma série de anotações no diário da garota, Tian aprende sobre a vida dela, seus segredos e interesses, incluindo sua promessa ao oficial Phupha, sobre contar mil estrelas. 

Tian decide então seguir seus passos e completar seu sonho. Como Tian é um novo professor voluntário no acampamento, ele tenta fazer amizade com Phupha, no entanto, Phupha possui um temperamento forte. Lentamente, os dois se aproximam, mas o coração de Tian bate rápido ao redor do oficial militar, fazendo-o se apaixonar por ele, assim como a antiga dona do coração. Em uma área perigosa e dominada pela guerra, eles conseguirão cumprir a promessa de mil estrelas?

Onde Achar: Lianhua Fansub, Meow Fansub, P'tieris Fansub

Ao receber um diagnóstico de que seu problema no coração piorou e ele tem pouco tempo de vida, Tian decide que não tem mais nada a perder. Ele é o filho único de um casal muito rico e influente no ramo militar e da política. Contudo, sua vida fácil e cheia de conforto parece inútil e em vão quando nada parece poder salvá-lo e o transplante de coração se torna cada vez mais distante. Junto com os amigos, ele decide sair para uma noite de álcool, jogos e apostas, após perder o relógio que fora presente da sua mãe, ele se envolve em uma corrida clandestina, mas acaba passando mal. 

Torfan é uma professora voluntária que vive com uma tia sovina cuja alegria parece ser tornar sua existência um inferno. Por causa dela, ela precisa voltar para casa mais cedo do vilarejo onde dá aulas e sai do ônibus em que viajava para tomar um táxi e assim chegar mais depressa. Contudo, ela acaba sendo atropelada e vem a falecer.

Quando acorda, Tian descobre que está no hospital e após passar mal recebeu milagrosamente um coração que lhe permitirá ter uma vida normal. A coincidência logo se torna uma angústia pesada no seu coração, ele sente que há algo errado, algo que ninguém está lhe contando. Contudo, ao confrontar o pai ele recebe ordens para esquecer a história. Investigando nas coisas do pai, ele descobre que recebeu o coração de Torfan, a professora voluntária que morreu na mesma noite em que ele participou da corrida clandestina, ele não se lembra de nada, mas sabe com certeza que a jovem garota foi morta com seu carro.

Determinado a saber tudo sobre ela, ele vai até a casa da professora e conhece sua tia tendo uma ideia por alto do tipo de vida que ela levava. Dentre as coisas dela, Tian encontra um diário e lendo-o toma conhecimento que Torfan trabalhava como professora numa aldeia distante chamada Pa Pan Dao, uma espécie de comunidade rural nos arredores de uma reserva protegida pelo exército. Ele sabe que seu transplante de coração foi conseguido apenas com o dinheiro dos pais, que furaram a fila de espera para obter o coração da pessoa que talvez o próprio filho tenha matado.

Angustiado e sentindo-se culpado pelo que aconteceu, o jovem decide sair de casa e se voluntariar como professor na aldeia de Pa Pan Dao para terminar o que Torfan começou e, sobretudo, realizar o desejo dela de contar mil estrelas na montanha para conseguir seu sonho, algo que ele não sabe qual é, mas quer fazê-lo por ela.

Chegando à aldeia, ele conhece Phupa, o chefe do exército que comanda as operações no local. Tian não sabe a razão com certeza, mas seu novo coração acelera sempre que ele se aproxima, poderiam ser os sentimentos que Torfan sentia por ele? Quanto mais tempo passa na aldeia e enfrenta as dificuldades de viver em um local rústico e sem qualquer tipo de conforto, Tian mergulha no passado de Torfan enquanto se apaixona novamente pela vida, ressignificando a amizade, o amor e sua existência.

Mas os segredos que ele escondem podem ser capazes de destruir para sempre a vida feliz que ele conheceu em Pa Pan Dao.

Esse drama é baseado em uma novel que eu não li (motivo: não tem completa em português), contrariando minha promessa a mim mesma de não acompanhar dramas, acabei esperando cada sexta feira por atualizações dessa série e confesso que valeu muito a pena, não apenas pela história ser muito boa, mas por ter um casal bem sincronizado e com uma química boa.

Se você gosta daqueles dramas fofinhos com boa dose de mistério, comédia e drama, vale muito a pena conferir 1000 stars! O final foi um pouco corrido, confesso, mas ficou tão fofo que eu até relevei, contudo por ser um drama da GMM (a mesma empresa de Together) fiquei com um pé meio atrás, mas teve sim o beijinho fofo do casal, algo que inclusive me surpreendeu, porque eu já vi o Perth em outros dramas e ele não beijava os parceiros de cena, inclusive, ele encontrou o ex coleguinha e par romântico de Theory of Love nesse drama. O ator que fez o Tian eu não conhecia, mas ele encarou muito bem o papel e é muito bonito, por alguma razão inexplicável ele me lembra o Han Gi Chan de WYEL. 

No meu ponto de vista, talvez seja por causa do roteiro fofo ou da sutileza do romance, achei o entrosamento dos atores muito bom, chegou a convencer e é impossível não shippar os dois. A gente torce e sofre com eles. Mesmo não tendo visto muitos dramas com o Perth, ele realmente mostrou que pode e sabe levar adiante um bom protagonista. 

Fica aqui minha dica de um BL fofo que vai prender sua atenção do começo ao fim.

[Livro] Kimi no Na Wa (Your Name) Livro + Filme

 

Título Original: 君の名は

Direção e Roteiro: Makoto Shinkai

Elenco: Ryunosuke Kamiki

Mone Kamishiraishi

Género: drama romântico, fantasia científica

Ano: 2016

Sinopse: Mitsuha é uma garota do ensino médio que mora na cidade de Itomori, na região montanhosa de Hida, Japão. Entediada com a vida no campo, deseja ter uma vida mais agitada, querendo mudar-se para Tóquio. Com sua avó e irmã mais nova, ela faz kuchikamizake saquê e o leva como oferenda ao túmulo da família em uma montanha fora da cidade.

Taki, um garoto do ensino médio que vive em Tóquio, começa a trocar de corpo com Mitsuha por várias vezes. Eles percebem que isso não é um sonho quando seus amigos e familiares dizem que eles agiram muito estranhamente recentemente. Um dia, ambos decidem começar a se comunicar, deixando bilhetes. Um dia as trocas param causando curiosidade em Taki sobre o motivo, motivando-o a procurar sobre o povoado de Mitsuha, o que o leva a uma terrível descoberta, que o motiva a ir mais a fundo em suas pesquisas.

Já tinha um tempo que minha irmã enchia o meu saco pra eu assistir esse filme, mas como eu descobri que tinha uma novel, queria ler antes de ver a adaptação, contudo, fui protelando por um bom tempo e acabei nem lendo nem assistindo. Nesse domingo de páscoa, finalmente coloquei esse livro no kindle e, na procura de algo rápido para ler durante a tarde, acabei me pegando com ele.

Tal como aconteceu com Branca de Neve e o Caçador, Kimi No Na Wa foi escrito depois que o filme já estava pronto, como diz o próprio Makoto Shinkai no prefácio da obra. Dessa maneira, vou falar dos dois de maneira simultânea já que a história é a mesma. Apesar de não crer muito que ninguém conheça a história, vou fazer um apanhado geral do enredo como forma de introdução.

Nós acompanhamos, primordialmente, Mitsuha, uma adolescente de 17 anos que mora em um povoado rural chamado Itomori, o lugar é tão isolado que não dá nem pra prever o clima. Na escola, Mitsuha tem dois amigos, Teshi e Saya, apesar de não ser exatamente popular, ela é uma boa aluna. Sua família é a responsável pelo santuário xintoísta do povoado há gerações, o pai dela é o prefeito, mas não mora com ela e sua mãe morreu quando ela era criança. Mitsuha não gosta de viver em Itomori, seu sonho é se formar logo no ensino médio e se mudar para Tóquio.

Contudo, um dia, inesperadamente ela acorda no corpo de Taki, um garoto da mesma idade que ela estudante de uma escola em Tóquio que trabalha em um restaurante italiano. Quando volta para o seu corpo, ela não consegue se lembrar o que aconteceu e pior não sabe que Taki também passou um dia inteiro no corpo dela. 

Ao descobrirem sobre a troca, incapazes de controlar quando acontece, os dois começam a interferir na vida um do outro enquanto vão se conhecendo um pouco melhor de maneira muito inusitada. Entretanto, quanto mais perto parecem, mais longe se encontram. Taki deseja conhecer Mitsuha, ele sente uma ligação inexplicável com aquela garota do interior, mas o pouco que sabe sobre ela não é suficiente para encontrá-la, especialmente quando as memórias que tem quando acorda desaparecem.

Em uma pesquisa frenética pela cidade cujo nome ele esqueceu, sua busca por Mitsuha mistura passado e presente envolvendo uma tragédia que pode mudar suas vidas para sempre.

Como o próprio autor e roteirista afirmou, livro e filme se complementam de alguma forma. No livro somos limitados pela visão dos protagonistas, e eu achei isso bem confuso já que não divide muito bem quem fala o quê, é quase como se ele tivesse novelizado o roteiro de modo que a estrutura da história ficou um pouco estranha e no início é bem confuso, levou um tempo para que eu me acostumasse. Já no longa, aparecem algumas cenas que não são mostradas no livro, porque a visão se expande para terceira pessoa, por isso recebemos algumas informações que não aparecem na novel.

É uma história curtinha, apesar dos capítulos serem um tanto grandes, achei bem legal a forma como a lenda do fio vermelho aparece sutilmente ligada à trama central dos dois protagonistas e, acima de tudo, o mistério que é muito bem construído ao longo da história, com a ligação entre eles e a linha temporal que os separa. Foi realmente magistral.

O final, apesar de ser bom se olharmos de uma perspectiva clara dentro do enredo apresentado, me deixou um pouquinho frustrada. Não sei, queria algo mais fechado, mais substancial. Ainda assim, não tira em nada a beleza da história e da animação que é belíssima. Não curti muito a trilha sonora, não sei por que. Mas recomendo muito, ambos livro e filme. 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

[Livro] Tian Guan Ci Fu (Heaven Official's Blessing) #1 - Chuva de Sangue Atingindo uma Flor

Título Original: Tian Guan Ci Fu (天官赐福);

Títulos alternativos: Bênção do Oficial do Céu | Heaven Official's Blessing.

Autor: 墨香铜臭 (Mo Xiang Tong Xiu);

Gênero: Ação, Comédia, Drama, Mistério, Sobrenatural, Xianxia, BL, Histórico;

Ano: 2017

Páginas: 456

Sinopse: Não existe uma divindade que não conheça Xie Lian - a famosa "chacota dos três reinos". Xie Lian, Sua Alteza Real, o Príncipe Herdeiro do Reino de Xian Le, que ganhou fama e se tornou o queridinho de todos em sua juventude. Ele ascendeu ao céu três vezes. Na primeira vez, ele se tornou o favorito do Céu, mas foi expulso por interferir nos assuntos mortais. Não querendo suportar a derrota, depois de vários anos de esquecimento, ele ascendeu novamente e foi mais uma vez expulso. E agora, depois de 800 anos, após retornar ao Céu pela terceira vez, Xie Lian conhece um misterioso jovem que controla o reino dos fantasmas e amedronta a todos no reino celestial, mas que demonstra respeito e um interesse especial por ele.

Quando terminei de ver o anime desse livro, precisava ler porque várias perguntas ficaram no meu coração e eu sabia que só na novel ia encontrar as respostas e, claro, o que vinha depois para esse casal amorzinho. Quem leu a resenha do donghua pula essa introdução que eu vou falar um pouco da história.

Bem, o livro acompanha Xie Lian, um príncipe herdeiro da coroa de um reino chamado Xian Le que oitocentos anos atrás encontrou a decadência em uma horrenda guerra. Antes disso, Xie Lian havia ascendido aos céus graças aos seus talentos e ao cultivo ao qual se dedicava com devoção. Contudo, pouco depois que ele se tornou um deus adorado por milhares de pessoas, seu reino entrou em caos e, rejeitando a ordem celestial de não interferir, ele desceu a terra para salvar seu povo.

A coisa é que ao enfrentar a ordem dos céus, ele não sabia que quando um deus interfere em assuntos mundanos, além de não vir para terra com plenos poderes, ele ainda iria piorar muito tudo em que se metesse. Dessa forma, a guerra em Xian Le piorou devastadoramente ao ponto de que quase todo o reino foi dizimado e os remanescentes foram subjugados pela realeza de Yong An.

Por ter desobedecido, Xie Lian foi banido dos céus e condenado a ficar na terra sofrendo as privações. Seus adoradores passaram a odiá-lo e logo ele se viu sozinho e sem méritos. Cego pela dor e a raiva, ele ascendeu novamente apenas para massacrar todos que pudesse no reino celestial, causando caos. Isso resultou em sua segunda expulsão. Após esse ataque, o ex-príncipe passou anos refletindo sobre suas ações e continuou cultivando, agora como nada mais que uma divindade catadora de lixo.

Oitocentos anos mais tarde, Xie Lian ascendeu mais uma vez aos céus. Mesmo ponderado, ele era chacoteado e ignorado por todas as divindades. Especialmente pelo caos que suas ascensões sempre provocam graças ao seu enorme poder espiritual. Sem méritos e cheio de dívidas no céu, ele recebe uma missão do imperador celestial, Jun Wu, investigar um caso de sequestro de noivas. 

Assim, começa a saga de Xie Lian ao lado de dois officiais celestiais. É na sua segunda missão que ele conhece San Lang, um misterioso jovem que parece demonstrar especial interesse nele, com seu coração bondoso e espírito tranquilo, Xie Lian vai embarcar em jornadas de volta ao seu passado sangrento na busca de um futuro promissor e contará com a amizade fiel de Hua Chen o mais poderoso e temido rei fantasma.

O donghua adaptou 30 capítulos e um pouquinho do 31, dos 57 capítulos do primeiro volume. E posso dizer que foi uma adaptação muito bem feita, salvo alguns detalhes, tudo que a gente leu aparece lá. A relação de Hua Chen e Xie Lian é a coisa mais fofa dessa vida, gente! Impossível não shippar.

Também é bem difícil a gente não fazer comparações com Mo Dao Zushi, apesar de serem histórias distintas e Tian Guan Ci Fu ser considerada uma alta fantasia. O livro mescla com muita fluidez terror, suspense, mistério, drama e comédia. Tem um dos romances mais sutis e fofos da literatura asiática, super recomendo. 

Como a segunda temporada ainda vai demorar muito, não vou dar continuidade a serie agora, vou lendo outras coisas. Mas a tia Mo já tem um espacinho especial no meu coração de leitora!