domingo, 27 de janeiro de 2013

Branco


Levem-me daqui, das frias paredes mortas, para o branco calmante
de um seguro lugar. Quero a cama que range, a claridade mórbida
a calma quietante do auto-conhecer.
E nada mais peço além de cadernos, canetas bastante, apenas a paz
e longe de tudo, imersa na calma da paz mascarada, do frio congelar
que sem o afeto no longe deserto de brancas areias meu leito acharei.
Talvez desta forma a desordem se aquiete e minha mente liberte-se completamente 
ao primordial estado.
Prefiro o branco, quieto, e tão mórbido
que esta realidade insana, cruel.
Quem sabe no branco consiga encontrar-me, nas vozes distantes que clamam ajuda
naqueles que são capazes de criar universos de viver imersos em seu próprio real
no branco desejo inócua voltar a ser, deleitar do ósculo da solidão
E presa no branco 
criar novo mundo, mais forte, mais vivo, real e meu. O branco depressa que a mente penetra
sem medo e reserva que faz libertar e ter apenas folhas como companhia
quando noite e dia se tornam um só, já não se importam se bem me encontro
sorrindo ou cantando esta dor omitida, quem sabe no branco minha alma encontre na cor semelhante
a quietude ansiada por anos de sofrimento e de dúvidas que afogam.
Não importa o que de mim pensarão, rotulada sou e sempre fui, 
agarro-me ao branco em sua doce cela fria
no mormaço dos dias que iguais me esperam.

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