segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Depress.

Pois é eu to meio deprimida, ainda não sei com certeza se por causa da volta as aulas que já está praticamente em cima, ou se por mais meio bilhão de razões desconhecidas. O fato é que eu voltei a engolir as lágrimas, chorar na frente da minha mãe ou da minha irmã é meio que suicídio, pedir pra voltar pro psiquiatra e isso eu não quero. Desde que eu comecei a tomar aqueles remédios que me deixavam apagada a metade do dia e com sono a outra metade eu fiquei meio insensível a quase tudo, não consigo mais desabafar minhas emoções como antes... Nada mais é a mesma coisa, algo dentro da minha cabeça mudou, e eu daria qualquer coisa pra ter as minhas lágrimas de volta. Muita coisa voltaria com elas... Eu entendo que eu era uma pessoa péssima antes do tratamento - não que eu tenha mudado alguma coisa. - eu tinha medo de ir na padaria sozinha, não conseguia falar com as pessoas que eu não conhecia, não interagia com ninguém, preferia sempre ficar à margem e chorava noventa por cento do tempo sem motivo nenhum. O tratamento diminuiu os sintomas, me tornou uma pessoa relativamente mais sociável e menos altamente nervosa o tempo todo, embora muitos desses sintomas ainda apareçam de maneira constante, são menos evidentes. Lembro que comecei a me tratar por causa do Julio, me lembro tão bem que isso ajuda a me deixar mais deprimida ainda! A nossa relação era virtual, mas eu nunca senti nada mais real do que aquilo... Ele ficava tão mal por não conseguir me socorrer, por não conseguir aplacar a dor que me fazia chorar constantemente que eu decidi procurar ajuda, para ser alguém "menos louca", mas ai ele se foi. Assim como o David se foi. Em um ano só perdi meu noivo e meu melhor amigo.
Uma das piores sequelas que isso me deixou foi a completa perda da minha inocência. Quando você finalmente abre os olhos para a vida e começa a enxergar a realidade crua que te cerca, a pureza de criança te abandona e nunca mais você é o mesmo, essa mudança me incomoda tanto que chega a me machucar. Quando eu era criança uma das coisas que eu menos queria na vida era crescer... E agora mais do que nunca esse desejo é real. Queria continuar acreditando que a felicidade da princesa terminava com o casamento, sem me perguntar o que acontecia depois, queria acreditar que mulheres grávidas realmente engravidavam por que comiam caroços de melancia... Queria ver a vida com a mesma magia de antes, quando a minha maior preocupação era levantar às seis da manhã pra assistir o pernalonga. Queria costurar roupas pras minhas bonecas e continuar sonhando com o namorado perfeito, quando eu era apaixonada pelo Junior, irmão da Sandy, e não sabia a letra de Endless Love, mas cantava mesmo assim. Perder a minha pureza, a inocência de criança foi o pior golpe que eu sofri. Depois disso, eu parei de ver o céu, as pessoas e a vida de um jeito bom. Eles viraram consequencias, consequencias explicadas por alguma coisa ou por alguém, como eu. Isso não tem cor, nem graça.
A faculdade deveria ser a minha primeira conquista. E eu até senti isso enquanto os antidepressivos me faziam acreditar nisso. Passei no vestibular, entrei em letras, porque agora eu odeio tanto só a ideia de voltar? Acredite em mim se você acha a escola um pesadelo, quando entrar na faculdade vai conhecer o inferno! Odeio a ideia do meu pai de ir embora daqui... Mas as vezes eu a considero. Talvez, recomeçar em outro lugar, com ninguém que me conheça, onde eu vou poder ficar pelo menos longe de todo mundo, fosse uma boa ideia. Não sei se de fato ajudaria, mas quem sabe... Eu não sou dada a mudanças, não gosto delas. Tanto que se dependesse de mim o mundo continuaria o mesmo desde o século XVII ou XIX. As pessoas de hoje em dia são muito... Estranhas no sentido ruim da palavra, elas só tem em mente te derrubar, mentem sobre o que sentem, te enganam, cobram de você coisas que elas não fazem e dão tudo de si para te colocar cada vez mais embaixo. Eu sei porque vivo rodeada delas! Cada dia que passa eu me convenço mais que vou terminar os meus dias em uma clínica psiquiátrica, eu sou completa e totalmente inútil e não pense que estou sendo injusta comigo mesma, não estou. Para você ter uma noção, eu vou dormir entre meia noite e duas da manhã, se não estiver lendo, estou escrevendo. Acordo entre nove e dez e meia - quando não onze - como alguma coisa e volto a ler e depois volto a escrever ou vou ver um filme. Raras vezes eu lavo pratos ou cozinho. A minha mãe vive furiosa e eu não posso culpá-la. Não me dou bem trabalhando com pessoas, não me dou bem lidando com pessoas, tudo que eu sei fazer é pensar que um dia eu vou trabalhar em uma editora analisando originais, ou escrevendo. É tudo no que eu me esforço para acreditar porque a verdade é que isso não vai acontecer, e eu não sei fazer mais nada na vida. Bem ao contrário da minha irmã... Ela desenha qualquer coisa, é capaz de fazer todo tipo de artesanato, lida bem com qualquer tipo de pessoa e quando digo qualquer tipo é qualquer tipo mesmo! Ela é perfeita em tudo que faz. Ao contrário de mim. Isso não me incomoda pelo fato em si, me incomoda quando a minha mãe passa isso na minha cara, quando fica tentando me comparar a ela ou mesmo fazer com que eu aja como ela, mesmo sabendo que é impossível. Outra coisa que me incomoda oposta a isso é o fato de todo mundo superestimar a minha capacidade, eu simplesmente odeio isso! Meus pais me vêem como
uma nota, todo mundo acha que eu sou muito mais do que eu sou de verdade... Será que eles não veem o quanto me magoam quando começam a me rotular pelo desempenho, as vezes minha mãe é a pior deles! Para ela eu sou o nove de uma matéria, a menina que adora estudar - quando isso nem é verdade! - eu sou a CDF, aquela que o único orgulho que dá realmente é no boletim. Isso pra mim é horrível. Primeiro porque não é verdade, a última coisa no mundo que eu sou é nerd, depois porque isso acaba refletindo na visão das outras pessoas próximas de mim, como o meu pai. Na faculdade são as atenções, eu ODEIO ser apontada. A maior parte da minha sala me odeia profundamente, a outra parte acha que eu sou da companhia nerdfighter! E só me toleram por isso. Se eu for mesmo apontar alguém que gosta de mim pelo que eu sou, que consegue me ver pelo menos parcialmente como eu sou de verdade, incluindo e principalmente os meus defeitos essa pessoa é a minha irmã. Por isso a ideia de ficar sem ela é para mim a mais assustadora de todas. Eu não me iludo com a ideia de me casar e conseguir o emprego dos sonhos com o felizes para sempre, eu não me sinto a vontade imaginando ter um relacionamento com alguém e por isso eu evito de todas as maneiras, o Julio foi meu único namorado e acho que pelo fato de ter sido virtual é que as coisas se tornaram tão... Sérias. Mas acredito que com um cara de "carne e osso" não desse certo, eu não fui feita para relacionamentos, eu sou um tipo de ser humano impossível de se conviver e creia em mim, isso é verdade! As vezes gosto de pensar que um dia vou conseguir um emprego qualquer em algum comércio, morar perto da minha irmã do meu cunhado e dos meus sobrinhos... Por que com certeza a minha irmã vai ter um daqueles casamentos perfeitos como ela, e ela vai continuar comigo, me ajudando... Vou morar com meus pais durante a velhice deles e me dedicar, com a ajuda dela, a cuidar dos dois enquanto Jesus permitir e assim, até o fim dos meus dias - se eu não terminar em um sanatório - eu vou viver, lendo enquanto der pra ler, escrevendo enquanto conseguir criar e ouvindo as mesmas músicas novecentas vezes enquanto de vez em quando choro por motivo nenhum mais uma vez. Esse é o melhor futuro que consigo imaginar e eu vou ter muita sorte se conseguir chegar até ele mesmo que ele seja altamente assustador pra mim.

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