sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Giving up

Minha irmã finalmente começou com o curso de corte e costura que ela tanto queria fazer, e agora que passou no vestibular ela vai finalmente ganhar a maquininha que tanto quer, tenho certeza. Foi assim que ganhei o notebook, por ter passado no vestibular e por ter tido uma colocação razoável. Para mim, isso não é nenhum motivo de orgulho supervalorizado, e não estou me gabando por isso não, é que de verdade eu não me importo mesmo. Desisti do curso de Inglês, mesmo que eu adore estudar Inglês e que um dos meus sonhos seja, um dia, ser fluente o bastante para morar fora, eu não quero dar despesa para minha mãe... Agora ela tem a faculdade da minha irmã pra bancar, tem a diferença da minha, fora as contas dela e o fato de ela estar prestes a perder o emprego. Eu já sou um peso o bastante sozinha. Mas ela não encarou muito bem a notícia. Vou ilustrar um diálogo para vocês terem noção:
Estava eu lendo tranquilamente na sala quando ouço a pergunta:
- Teu curso de Inglês é quanto a matrícula, Kath?
- Não vou fazer mais.
- O que?
- Não vou fazer mais, não! - Repito.
- Tá desistindo das coisas que gosta agora é, Kath?
- Não, ainda não parei de ler não.
- E se parar de ler vai fazer o que?
- Escrever, ai quando eu parar de escrever pode me internar.
- To achando que vou te internar é logo!
- Pra prevenir não é? - Fala a minha irmã, gozando com a minha cara.
As coisas não vão bem. Eu estou oficialmente deprimida e ficar lembrando do Julio não ajuda muito, as vezes eu penso que sou masoquista porque mesmo sabendo que eu não tenho destino para ficar sozinha e mais por opção do que por qualquer outra coisa, não faço ideia do que não daria para ter ele de volta na minha vida... Ele me fazia sentir bem de uma maneira que ninguém nunca mais vai conseguir fazer. Sinto falta de tudo nele... Sinto falta da pessoa que eu era quando ele estava comigo.
Meu primo está mal de novo. Depois que eu li A Culpa é das Estrelas eu tenho uma visão diferente sobre o câncer, uma visão diferente sobre ele. Ele luta contra leucemia ha um tempo, não sei quanto porque não somos próximos, mas mesmo depois do transplante de medula ele voltou a ficar muito mal e agora está entubado e em coma induzido... Minha tia está péssima, segundo a minha mãe ela está dopada quase o tempo inteiro. Eu não sou mãe e não posso ter muita ideia do que ela está passando, mas eu faço uma ideia bem frágil do que ele está passando, por causa do livro ai bate um daqueles momentos em que pensa-se na vida, na sorte que você tem por ter uma saúde boa, e a tristeza de pensar que uma pessoa tão cheia de vida, jovem, com uma filha e um futuro pela frente, pode simplesmente morrer do nada. Os homens aperfeiçoam máquinas, criam cada vez mais "motores corporais", mas ainda não pararam para se empenhar em vencer uma doença horrivel que mata tanta gente como o câncer...
Hoje eu queria ficar na cama. Dormir o dia todo e ignorar o mundo e as pessoas fora do meu quarto, me trancar de novo no meu mundinho imaginário e seguro. Tudo que se passa na minha cabeça nesse momento é a vontade absurda que eu sinto de chorar... Chorar por horas a fio sem me importar se vai ou não resolver alguma coisa, só chorar pra aliviar um pouco esse peso que tem aqui dentro. E é quando essas coisas vem que eu sinto mais fata da alegria que o Ju trazia na minha vida, ai eu fecho os olhos e a dor aumenta.

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