segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Uma Aflição ao Alvorecer


Eu terminei de ler A Culpa é das Estrelas e... Chorei tanto, mas tanto que pensei que ia secar. Passei horas pensando em alguma coisa para expressar o que eu estava sentindo. Essa One é como se EU me colocasse no lugar da Hazel, é como EU me sinto, por isso não estranhe se essa Hazel estiver distante da personagem do Green. Eu não tenho a pretensão de escrever no patamar dele, estou LONGE DEMAIS disso, mas essa é a minha dor particular pelo Augustus. Lógico que pode ter spoilers do livro, então se você não leu e não gosta de spoiler é melhor fechar. Quero agradecer a quem ler, e dizer que essa fic é minha, então, por favor, não me critiquem ou me censurem por que ela não está de acordo com o livro do Jonh Green, eu não sou o John Green e nunca vou conseguir ser metade do que ele é. Só queria dividir com vocês, então... Boa leitura.

– Uma aflição ao Alvorecer -
Tributo à Augustus Waters
Um minuto de silêncio novamente. Já havia se passado um ano, um ano que o Augustus partira e eu ainda tentava ferozmente encontrar um sentido para “continue lutando”. Tudo continuava quase igual, eu ainda dormia com o BiPAP e rezava todas as noites para que o Filanxifor continuasse com o seu trabalho promissor. A morte do Augustus continuava sendo a maior hamartia da vida, pelo menos para mim, e eu continuava sempre repetindo “Não permita que te vejam assim, seja forte”, mas isso só funcionava quando eu estava na frente de outras pessoas, sabia que já era difícil demais para os meus pai lidarem comigo, e demonstrar essa tristeza aos pais do Augustus seria ainda mais egoísta da minha parte.
No quarto, tarde da noite, eu ainda digitava o número do celular dele como se esperasse que ele iria atender, mas algum meses após ele partir o celular deixou de chamar. Assim como ele, também deixou de existir. Eu queria viver como toda pessoa no mundo quer viver, mas havia também uma parte de mim que queria partir para seja onde for que o Augustus estivesse, cada lugar em que eu ia a presença dele me acompanhava, não era como uma assombração, mas talvez o paraíso dele tenha ficado sem graça e ele tenha resolvido vir me fazer companhia. Mesmo depois de tanto tempo, não era uma dor suportável, mesmo que eu fizesse todo o protocolo de dizer os “estou bem” e “tudo certo” que a ética me obrigava a falar. Eu sentia e sabia que meus pais estavam imensamente felizes por eu “ainda estar ali”. Minha mãe se formou no curso e agora trabalhava com famílias que passavam pelo mesmo que ela, eu ainda tentava descobrir se aquilo era para consolar eles ou a ela mesma.
Eu continuava visitando os pais do Augustus sempre que podia, o Isaac e eu ficamos mais próximos e nossa amizade se fortaleceu, as vezes eu pensava que só tínhamos um ao outro. Nós jogávamos vídeo game em todo o encontro, quase como um ritual, eu estava começando a pegar o jeito da coisa e a ocorrência de nossas mortes eram cada dia menores, pelo menos no jogo que o Isaac quase sabia de cór. Peter Van Houten não deu mais sinal de vida, todos os dias eu lia e relia as páginas que Augustus escreveu para mim, e relia Uma Aflição Imperial mentalizando a voz dele, a voz pela qual eu ainda era apaixonada, a voz que continuava viva dentro da minha cabeça. Foi quando me veio oinsight. Olhei no relógio e vi que eram três e meia da manhã, tirei o computador de debaixo da cama e liguei, torcendo dentro de mim para dar certo:
Senhor Van Houten,
Sei que o senhor não tem a mínima intenção de continuar a fazer o livro Uma Aflição imperial e, apesar de todos os inúteis esforços que fiz para descobrir o que há depois do livro, entendo melhor as suas razões de forma que, mesmo não concordando com a maneira como o senhor encara as coisas, eu gostaria de sua autorização para escrever um spin-off do livro. Acredito que posso não ser qualificada o bastante aos seus olhos, mas seria algo como uma realização pessoal e, antes de mais nada, um tributo a alguém que eu perdi, e estou certa que melhor que ninguém o senhor sabe como é perder alguém que se ama. O seu livro nos uniu e quero que essa seja a despedida, a minha despedida. Prometo-lhe que nunca mais ouvirá falar de mim, ao menos não dessa forma.
Atenciosamente,
Hazel Grace Lancaster.
Enviei o e-mail para Lidewij com uma introdução dizendo o meu pedido e explicando tudo. Não esperaria que ela respondesse de madrugada então, desliguei o computador e o devolvi para onde estava me concentrando agora no trabalho do BiPAP, respirando por mim, abri as fotos do celular e expandi a do Augustus no meio dos ossos maneiros, reprimi a lágrima insistente e sussurrei:
– Boa noite, Gus. O.k.
Não me lembro exatamente em que momento eu adormeci, mas comecei a voar em um lugar distante observando o Augustus no meio dos ossos maneiros com o andar mancando de sempre, o sorriso torto quando me olhava e o cigarro apagado na boca.
Acordei por volta do meio dia, mas quase não tinha disposição de levantar, dormir combate o câncer, como eu ainda não estava curada? Dormir era o que eu fazia de melhor.
– Bom dia. – Minha mãe entrou no quarto sorrindo.
– Bom dia. – Respondi.
Ela me ajudou a tirar o BiPAP e ligou a cânula em um cilindro de oxigênio. Tomei um banho e me vesti, era dia de visitar o Augustus, eu sempre fazia isso nas quartas feiras quando deveria estar no grupo de apoio. Para mim, o grupo perdera um pouco o sentido, as vezes eu me forçava a ir depois que saía do cemitério, mas que apoio eles me davam? Eu só via gente que estava pior do que eu, o que por um lado ajudava, ouvia a lista dos mortos crescendo e, na verdade, gostava de ouvir o nome do Augustus, como se fosse uma chamada e ele sorrisse dizendo “presente”. Isso era meio obsessivo. Em todo começo de reunião, enquanto Patrick contava como perdeu suas bolas, Isaac e eu ainda nos comunicávamos através de sussurros. Mas eu não podia dizer que a minha vida era previsível ou mesmo monótona, mesmo que em parte eu tivesse me afastado um pouco de todo mundo, digo Kaitlyn, eu continuava em uma espera interminável pela morte enquanto continuava, mesmo que um pouco passivamente, lutando desesperadamente pela vida.
Me aproximei do túmulo do Augustus que já tinha uma lápide:
Augustus Waters
Amado e estimado filho.
Saudades eternas.
Ainda não concordava com saudades eternas, mas era algo que eu tentava ignorar, afinal era o jeito que as pessoas tinham de se consolar, o que por si só já era uma tarefa suficientemente árdua para os pais do Augustus. Me ajoelhei na grama sobre onde estava seu caixão e falei baixinho, como se soubesse que de alguma forma ele pudesse me ouvir.
– Sabe, sempre parece que foi ontem... Por alguma razão medonha eu não consigo deixar você ir embora. Às vezes eu penso que, só estou precisando de algo no qual me pegar, mas ai eu me lembro do que vivemos e sei que o amor de verdade nunca morre. Por mais que o tempo insista em passar. Eu quero viver Augustus, mas é conflitante a parte de mim que quer ficar com você. – Me interrompi, já cega pelas lágrimas. – O.K.
Quando cheguei em casa, fui direto checar meus e-mails, senti um gelo na barriga quando vi que Lidewij havia me respondido. Em partes eu me sentia meio mal por fazer ela ver o Van Houten tantas vezes depois de ter se demitido, mas tentava pensar que ela e eu erámos amigas e desse modo isso não era um sacrifício demasiado. Ela e o namorado haviam se casado a alguns meses e eu tinha sido convidada para cerimônia que aconteceu em Roma. Abri o e-mail sem mais delongas.
Querida Hazel,
Confesso que o Peter odiou a sua ideia, mas depois de muito conversar ele acabou consentindo. Estou imensamente feliz com a sua iniciativa e sei que o Augustus ia adorar! Quando terminar de escrever me mande, eu tenho contato com o editor do Peter, vai ser um prazer mandar sua história para ele.
Um beijo querida,
Li o e-mail mais de uma vez para acreditar. Finalmente o livro teria um final e pensar que esse final seria meu me deixou completamente feliz e até um pouco desnorteada. Mas minhas ideias estavam quase que formadas, eu não continuaria exatamente a história da Anna, ela encontrara o seu final e eu respeitaria isso. Eu faria algo novo partindo do velho. Abri o editor de textos e digitei no meio da folha:
Uma Aflição ao Alvorecer
Por Hazel Grace Lancaster
Na segunda folha coloquei, também no meio:
Em memória de Augustus Waters.
Comecei contando o que aconteceu com a Anna e o fim que levou o homem das tulipas holandês, o hamster e os amigos da Anna, não usei as informações que ele me deu, usei algumas do Augustus e inseri um novo personagem na trama, com o nome dele. Já estava na vigésima quinta página quando minha mãe veio me buscar para o jantar. Salvei o arquivo com cuidado e desci.
– O que está fazendo querida? Não saiu do quarto o dia todo. – Meu pai perguntou.
– Nada demais. Só não estava muito a fim de ver televisão hoje. Estou bem, é sério.
– Tudo bem querida. – Minha mãe assentiu e eu me senti em paz. Pelo menos por um instante.
Quando voltei para o quarto, continuei o meu trabalho, as horas passavam rápido demais enquanto meus dedos digitavam as palavras de maneira rápida tentando imaginar as coisas que o Augustus gostava em O preço do Alvorecer e o que nós dois gostávamos emUma aflição imperial. Trabalhei arduamente por duas semanas, o Spin-Off terminou com 120 páginas. Enviei para Lidewij como solicitado no e-mail, não era minha intenção publicá-lo, mas eu o fiz, por ele. O texto foi publicado três meses depois contando a história de Augustus, um jovem extraordinário que, inspirado na história de Anna, queria deixar sua marca no mundo. Ele era um dos “amigos não citados” da garota. Augustus acaba salvando uma garota da pior das mortes, a morte que acontece dentro de nós. Limitamos os autógrafos para apenas Indianápolis, uma vez que viagens não eram muito recomendadas para mim e eu não tinha intenção alguma de me lançar à fama.
Na primeira quarta feira após o lançamento eu fui ao cemitério empunhando o livro pronto, me sentei na grama sobre o túmulo do Augustus e me pus a ler o livro para ele, após uma hora lendo sem parar finalmente cheguei ao final:
Augustus fora como qualquer pessoa no mundo, um anônimo lutando conta o silêncio de não ser notado pelo mundo, mas o mundo acabara notando-o porquê pessoas extraordinárias são fadadas à grandeza. Ao salvar Ellie da morte que acontecia dentro dela ele deu-lhe um motivo a mais para lutar por aquilo que ela acreditava, talvez as gerações futuras não saibam o seu nome e nem haja uma estátua em sua homenagem em alguma praça, mas seu feito estará eternizado no coração de Ellie, na vida que ela teve a oportunidade de construir por mais difícil que tenha sido longe do calor do abraço dele, ela aprendeu que realmente o destino não é uma fábrica de realização de desejos, mas isso não quer dizer que os desejos não podem ser reais. Ela desejou ardentemente descobrir o segredo para a felicidade e Augustus lhe mostrara que dentro da sua morbidez havia luz, e que essa luz era a chave de sua felicidade. É preciso coragem para aceitar as próprias escolhas, coragem para erguer a cabeça e continuar lutando mesmo que isso lhe parta ao meio toda vez que você tente. Augustus lutou cada segundo da sua vida breve e deixou ao mundo um legado escondido que se imortalizou nas páginas em branco de uma vida recomeçada aos poucos, e de tantas outras vidas que ele deixou para trás aprendendo a viver cada dia de maneira heroica, brava e corajosa.
E tudo sempre recomeça, no mesmo O.K.

2 comentários:

  1. Oi,amei o texto de algum modo fez eu me senti melhor, em saber como a Hanzel estava depois da morte de Augustus Waters, que finalmente conseguiu o que sempre quiz: o final de "Uma Aflição Imperial" e que esse final era DELA. Te agradeço por matar minha curiusidade. O.K.

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    1. Own flor, obrigada! Fico muito feliz que tenha gostado da one, sério! E obrigada em dobro por ter comentado! Eu gostei muito e fiquei muito tocada com esse livro! Obrigada por ter lido e fico feliz que de alguma forma a minha one tenha te feito bem.
      Super beijo pra você ^-^'

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