domingo, 21 de outubro de 2012

Dias baixos


As vezes, eu chego a pensar que as coisas eram menos complicadas antes de eu começar a me tratar... Pelo menos eu vivia alheia à realidade, não conseguia ver as coisas nitidamente como agora, perceber o que está acontecendo, perceber e sentir a incompreensão... Eu vivia chorando, magoava as pessoas que não entendiam, assim como eu, o que estava acontecendo, mas eu conseguia viver no meu próprio mundo, conseguia me esconder de tudo isso, da realidade, das pessoas, das frustrações... E pode parecer egoísta, mas viver nesse castelo de vidro, por mais que parecesse loucura e que eu soubesse que não poderia viver dentro dele para sempre, era a melhor coisa do mundo, era a minha realidade, as coisas doíam menos lá dentro, era apenas eu e a minha tristeza, longe das pessoas, longe da realidade, longe de tudo. Meus olhos ainda eram inocentes, minha mente estava feliz em um lugar onde ela entendia tudo, onde ela criava o que era confortável. Agora é tudo tão complicado, a realidade é tão dura e tão cinza... Ainda mais negra do que o mundo em que eu vivia, em que eu havia criado para adormecer minha dor. Eu consigo ver as pessoas, a incompreensão de seus olhares chateados, de suas palavras vagas, consigo ver a angústia espalhada em cada lugar, em cada rosto que me olha como se se compadecesse de mim, consigo enxergar a realidade negra de sangue, de dúvidas, de ódio... É como um paralelo a minha vida... Não avança, retrocede. De que adianta viver na falsa ilusão de evoluir e no fim de tudo apenas cooperar com a própria cova?
Eu queria poder voltar... Me trancar de novo naquele mundo, fechar os olhos e acreditar que isso tudo é um pesadelo. A quem eu estava querendo enganar? Eu não posso voltar a ser o que era antes, a viver naquele mundo cor de rosa, a apreciar o meigo e o claro, não posso voltar atrás, e me frustra não saber quem eu sou. O que eu sou. E fica apenas a insegurança de saber ou não se vou conseguir descobrir, por que cada vez mais o tempo corre... E as dúvidas permanecem, e a dor não cessa... E o medo persiste, e as lembranças torturam. Continuo caindo.

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