terça-feira, 16 de outubro de 2012

Me roubaram a inocência,
destruíram meu coração,
atearam fogo em meus sonhos,
sufocaram-me com medos.
Fui presa à restrição, trancada em uma redoma de vidro.
Protegida de uma realidade que deveria ter visto, vivido, compartilhado.
A vida me foi imposta, friamente descoberta
fui largada no deserto
sem palavras, sem explicação.
Agora, me destruíram...
De diversas formas, diversas vezes,
e os pedaços tentam se juntar...
Encontrar encaixe, ligar veias, montar ossos.
Minha mente se fechou em seu mundo,
onde nada pode me ferir,
mas até quando posso viver aqui? Quanto tempo me resta?
Eles se foram... Continuam partindo
estou ficando sozinha
só restam as cinzas,
o sangue,
os pedaços,
as lágrimas...
E a pior parte:
As lembranças;
Do que não volta,
do que não foi,
do que podia,
de quem partiu.
Ainda tento entender, procurar, aceitar, conformar...
Mas coração e mente
nunca se entendem...
E eu continuo assim, indo e vindo, como a água batendo nas rochas
machucando, lapidando
evoluindo?
Talvez.
Apenas sei que a vida é rara demais pra desistir
curta demais para pensar
rápida demais pra esperar
e única para fazer a diferença.
Não sei até quando... Mas eu vou continuar aguentando
até o dia que der,
até as forças se esgotarem, os olhos se fecharem
e o coração parar.

2 comentários:

  1. Nossa, que texto forte e muito significativo. Esplêndido!

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  2. "A vida me foi imposta, friamente descoberta" gosto! texto forte e sincero. a verdade sempre deve estar exposta, ainda que apenas nós consigamos percebê-la como ela realmente é, o resto(que não tem nada de resto) é subjetividade que permite uma comunicação entre o âmago das pessoas; um viva às palavras e aos que ousam fazer uso delas para superarem a si mesmos, crescendo sempre

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